CAVALCANTI, Lana de Souza. O ensino de geografia na escola. Campinas (SP): Papirus,
2012. p. 39-59; p. 175-198.

Nágila Fernanda Furtado Teixeira
Graduada em Geografia ­ Universidade Federal do Ceará
[email protected]

O livro O ensino de geografia na escola de Lana de Souza Cavalcanti integra a coleção
Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico, da editora Papirus, publicado em 2012. Nessa
resenha crítica serão analisados dois capítulos: o segundo, intitulado Referências pedagógicodidáticas para a geografia escolar e oitavo, Geografia escolar e procedimentos de ensino de
uma perspectiva socioconstrutivista.
Inicia-se o texto abordando as principais políticas e programas, da década de 1990,
implantados pelo Governo Federal sobre o ensino e propostas curriculares, destacando-se as
Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs) referentes ao ensino fundamental e médio, bem como os programas curriculares
estaduais e municipais.
Cavalcanti salienta as orientações curriculares voltadas para as proposta de ensino de
geografia relacionadas a formação de cidadãos críticos e participativos: i) o construtivismo
como atitude básica do trabalho com a geografia escolar; ii) a "geografia do aluno" como
referência do conhecimento geográfico construído em sala de aula; iii) a seleção de conceitos
geográficos básicos para estruturar os conteúdos de ensino; iv) a definição de conteúdos
procedimentais e valorativos para a orientação de ações, atitudes e comportamentos
socioespaciais.
O ensino corresponde ao método da construção do conhecimento pelo sujeito, o aluno.
A geografia escolar presente nos PCNs contém, entre outras percepções, a construtivista de
ensino. Na perspectiva histórico-cultural, provenientes dos estudos de Vygotsky, o objetivo
do ensino é o desenvolvimento do aluno por meio da construção do conhecimento por ele
mesmo e mediado pelo professor. A escola é o espaço de encontro de cultura, saberes
científicos e cotidianos. A geografia pode ser construída pelos alunos e professores em
situações comuns do cotidiano, no caminho da casa para a escola ou nas brincadeiras, sendo
importante a inclusão dessa geografia cotidiana em sala de aula, utilizando-as para trabalhar
conteúdos e conceitos geográficos.
Recebido em 23/02/2016 / Aprovado para publicação em 01/11/2016.
OBSERVATORIUM: Revista Eletrônica de Geografia, v.7, n.20, p. 119-122, nov/2016.

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Campinas (SP): Papirus, 2012. p. 39-59; p. 175-198.

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A seleção de conceitos geográficos básicos para estruturar os conteúdos de ensino
precisa levar em consideração a apreensão do espaço geográfico pelos alunos. No entanto o
ensino não pode considerar somente a formação dos conceitos, mas também o
desenvolvimento de habilidades e capacidades de assimilação dos conhecimentos e a
construção de valores étnicos e moral, através dos conteúdos valorativos e atitudinais. Os
conteúdos procedimentais correspondem aos assuntos trabalhados nas aulas com o objetivo de
desenvolver habilidades e competência no entendimento do espaço geográfico, destacando-se
a Cartografia.
A autora apresenta vários exemplos de temas e métodos para serem trabalhados nas
aulas de geografia, dentre elas, a ética ambiental que deve ser trabalhados nas escolas, pois
problematizados e discutidos em sala de aula permitem a formação de valores e convicções
em relação ao ambiente e a natureza. Esse tema precisa ser abordado de forma holística,
englobando não somente os aspectos naturais, mas também os sociais e econômicos a fim de
construir com os alunos uma ética ambiental que oriente práticas democráticas, solidárias e
respeitosas com o meio ambiente.
Cavalcanti desenvolve uma discussão sobre procedimentos no ensino de geografia,
baseada na proposta socioconstrutivista de Vygotsky. A escola corresponde ao espaço dos
saberes produzidos e construídos pela sociedade, ou seja, representa o lugar das manifestações
culturais. Para embasar sua discussão a autora apresenta alguns pesquisadores que discorrem
sobre o tema do livro, destaca-se Forquin (1993) que expressa haver três tipos de cultura na
escola: a cultura escolar, a cultura da escola e a cultura dos professores e alunos.
A cultura escolar corresponde os conteúdos cognitivos e simbólicos, selecionados,
sistematizado e transmitido aos alunos na escola. Enquanto, a cultura da escola se refere às
práticas e saberes no ambiente escolar, construídas por ela e para ela. Nesse sentido, a escola
apresenta-se como lugar social e heterogêneo, caracterizada pelo formalismo expresso nas
regras de horários e na rotina. A cultura dos alunos e professores é formada por esses agentes
da educação, por meio da experiência e da prática do cotidiano, repletos de bagagem cultural
que influencia as diferentes situações escolares.
Exemplificando procedimentos de ensino para introduzir a matéria a ser trabalhada pelo
professor de geografia em sala de aula, a autora destaca: A observação da paisagem e
diferentes formas de linguagem na sociedade tecnológica. Sobre o primeiro procedimento, a
autora chama atenção para a importância da observação, pois instiga a curiosidade dos alunos
e motiva-os a problematização do tema. Na geografia, esse elemento contribui para que o
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aluno construa o conhecimento sobre o espaço. A observação pode ser direta ou indireta, com
a atividade de observação do espaço escolar, nos arredores da escola ou no trajeto da escola
para a casa dos alunos, bem como de forma indireta por meio de figuras, imagens e filmes.
O procedimento do trabalho com as linguagens da sociedade tecnológicas, como a
poesia, música, literatura, televisão, computador, jogos eletrônicos dentre outras, é muito
importante, pois os alunos estão inseridos no mundo tecnológico, da globalização e
informação. A partir desse tema, o professor pode realizar atividade que leve o aluno a
enxergar a geografia no seu cotidiano. A autora, também aborda as possíveis transformações
nas escolas e nas aulas oriundas dos avanços tecnológicos, bem como a cultura da mídia, tão
presente na sala de aula. A cultura oriunda do mundo tecnológico está dotada de informações
geográficas, sendo indispensável à conexão dessas diferentes culturas na escola, utilizando-as
no processo de ensino e aprendizagem dos alunos.
No tratamento didático da matéria nova, a autora destaca dois procedimentos de ensino:
os projetos de investigação e o estudo do meio. O primeiro corresponde à pesquisa no ensino
de geografia, entendida como um princípio educativo para a produção do conhecimento,
mediado pelo professor e executado pelo aluno. Os projetos desenvolvidos nas escolas são
importantes procedimentos, pois proporciona a interação dos alunos e envolvimento na busca
pelo saber. Na geografia é indispensável à problematização do objeto da pesquisa. O estudo
do meio, entendido como a inter-relação da natureza e da sociedade, objetiva mobilizar as
percepções e sensações dos alunos no processo do conhecimento alcançando a elaboração
conceitual.
Para a consolidação e aplicação dos conteúdos, bem como o controle e avaliação dos
resultados, a autora destaca dois procedimentos: atividades de simulação e o trabalho com
mapas, cartas, gráficos e tabelas. O primeiro corresponde à simulação de fatos reais ou
hipotéticos para se estudar um tema e aplicar conhecimentos sobre um determinado tema. Por
se tratar de uma atividade lúdica, a simulação se torna atrativa e motiva os alunos na
realização da atividade. O jogo de simulação na geografia mais comum é o tabuleiro, sobre os
temas, localização, o meio, construção de cidades dentre outras. Enquanto, na dramatização a
geografia possibilita apresentar aos alunos fatos e acontecimentos que ocorrem em lugares
distantes, bem como aproximar os alunos do conhecimento geográfico.
O trabalho com mapas, cartas, gráficos e tabelas, objetiva a construção do conhecimento
geográfico pelos alunos, principalmente sobre localização e orientação. Esses constituem
importantes instrumentos didáticos na interpretação da realidade espacial, podendo ser
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utilizado pelo professor de geografia na atividade de construção de mapas mentais de acordo
com a percepção de cada aluno.

Opinião pessoal sobre o texto
O texto da Cavalcanti é muito interessante para os estudantes de licenciatura e todos os
envolvidos no mundo acadêmico e escolar, pois aborda de forma clara e objetiva
procedimentos pedagógicos-didáticos viáveis, considerando a realidade dos alunos e
professores, bem como os materiais didáticos presentes na maioria das escolas. Ademais,
apresenta a perspectiva construtivista para a geografia escolar, perspectiva essa, pouca
debatida nas escolas e Universidades.
O ponto que chamou a atenção foi à discussão que a autora realiza sobre a importância
de se trabalhar no ensino de geografia, o tema ética ambiental, pois a sociedade passa por uma
"crise ambiental contemporânea" (LEFF, 2012, p. 17) marcada pela exploração da natureza e
discutir temas ambientais permite, sensibilizar os alunos sobre o papel do indivíduo frente a
conservação da natureza e ampliar a relação entre homem-natureza para a manutenção de um
ambiente equilibrado, conforme Pontuschka, Paganelli e Cacete (2009, p.134) "A Geografia
possui teorias, métodos e técnicas que podem auxiliar na compreensão de questões ambientais
no aumento da consciência ambiental das crianças, jovens e professores".
A obra da Cavalcanti é muito relevante, na medida em que apresenta pontos importantes
sobre o ensino, método, aprendizagem dentre outras, bem como demonstra procedimentos de
ensino que podem ajudar a introduzir, principalmente os estudantes de licenciatura, no mundo
escolar, através de exemplos de métodos de trabalho desenvolvidos no cotidiano da escola.

Referências
CAVALCANTI, L. de S. Ensino de Geografia na escola. Campinas (SP): Papirus, 2012. p.
39-59; p. 175-208.
LEFF, E. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. 9 ed.
Petrópolis (RJ): Vozes, 2012.
PONTUSCHKA, N. N; PAGANELLI, T. I; CACETE, N. H. Para ensinar e aprender
Geografia. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2009.

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