D I S C I P L I N A

Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

O globo terrestre
e seu uso no ensino da Geografia
Autores
Edilson Alves de Carvalho
Paulo César de Araújo

aula

06

Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministro da Educação
Fernando Haddad
Secretário de Educação a Distância ­ SEED
Carlos Eduardo Bielschowsky

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Reitor
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Vice-Reitora
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Secretária de Educação a Distância
Vera Lucia do Amaral

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Reitora
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Coordenadora Institucional de Programas Especiais ­ CIPE
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Secretaria de Educação a Distância ­ SEDIS/UFRN
Coordenadora da Produção dos Materiais
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Adaptação para Módulo Matemático

Kaline Sampaio de Araújo

Joacy Guilherme de A. F. Filho

Samuel Anderson de Oliveira Lima

Divisão de Serviços Técnicos
Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central "Zila Mamede"
Carvalho, Edilson Alves de.
Leituras cartográficas e interpretações estatísticas II / Edilson Alves de
Carvalho, Paulo César de Araújo. ­ Natal, RN: EDUFRN, 2009.
244 p.
12 v.
ISBN: 978-85-7273-525-4
Conteúdo: Aula 01 ­ Maquetes: as representações do relevo em terceira
dimensão; Aula 02 ­ As representações tridimensionais digitais do relevo; Aula
03 ­ Os cartogramas temáticos qualitativos e a análise geográfica; Aula 04 ­
Bases estatísticas para as representações cartográficas quantitativas; Aula 05 ­
OS cartogramas temáticos quantitativos; Aula 06 ­ O globo terrestre e seu uso
no ensino da geografia; Aula 07 ­ Os mapas mentais e a representação informal
dos lugares; Aula 08 ­ Noções básicas de sistema de posicionamento global
GPS; Aula 09 ­ Sistemas de informação geográfica e sua aplicação no ensino de
geografia; Aula 10 ­ As fotografias aéreas e sua utilização pela cartografia. Aula
11 ­ Interpretação de imagens de satélite; Aula 12 ­ A cartografia e a internet.
1. Geografia. 2. Representações cartográficas. 3. Cartografia temática.
4. Geotecnologias. 5. Ensino da geografia. I. Araújo, Paulo César. II. Título.
RN/UF/BCZM

2009/46

CDD 910
CDU 91

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida
sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Apresentação

A

figura do globo terrestre, que é um instrumento iconográfico por excelência, está estreita
e simbolicamente ligada à Geografia. Entretanto, seu uso tem sido feito muito mais
como objeto de decoração do que como instrumento didático de inestimável valor que
o é. Tantas vezes visto complementando cenários ao lado da bandeira nacional e adornando as
fotografias das crianças na Escola Fundamental, o globo é, na maioria das vezes, negligenciado
pelos professores, que ou desconhecem o seu valor pedagógico, ou se sentem incomodados para
conduzi-los à sala de aula e manuseá-los. Há até os que não os usam para que não estraguem.
Nesta aula, você vai estudar o globo terrestre e seu uso prático nas aulas de Geografia.

Objetivos
1
2
3
4

Compreender a importância do globo terrestre como
instrumento didático fundamental para o ensino da
Geografia.
Listar as principais aplicações do globo terrestre no
ensino da Geografia.
Identificar as situações em que o globo terrestre deve ser
obrigatoriamente utilizado.
Mostrar as vantagens e desvantagens do uso de globos
e mapas no ensino da Geografia.

Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

1

Informações iniciais
sobre o uso do globo terrestre

P

ara começar, é importante que você saiba que em muitas situações de ensino na sala
de aula de Geografia parece ser muito difícil um professor falar de assuntos como a
forma da Terra, suas dimensões e posição no espaço. Ou mesmo tratar de assuntos
econômicos, políticos e geopolíticos globais. Ou ainda de eventos esportivos, religiosos, bélicos
e outros típicos do nosso cotidiano, sem necessitar fazer uso de um globo terrestre. Professores
de Geografia sabem que a maior parte dos assuntos (geográficos ou não) relacionados com
o espaço mundial será melhor assimilada na presença de um globo ou de um mapa-múndi. É
por esse motivo que vamos falar um pouco sobre esse instrumento de ensino para a Geografia.
O globo terrestre é, sem dúvida, uma figura historicamente conhecida e associada à
Geografia. Até podemos afirmar que é a representação da Terra que mais se assemelha à sua
forma. Por isso mesmo é a que mais se aproxima da realidade, sendo a mais adequada a uma
visão geral do mundo em que vivemos. Diante destas afirmações, é difícil aceitar que o globo ainda
não tenha uma efetiva utilização como instrumento didático, na maior parte das nossas escolas.

Um pouco de história

Fonte: Raisz (1969, p. 15).

O primeiro globo terrestre de que se tem notícia deve-se a Crates de Malo
(160 a.C.), cartógrafo, filósofo e gramático, diretor da Biblioteca de Pérgamo. Ele
representou a Terra em um globo, no qual incorporou os continentes, formando
quatro "ilhas" separadas pelas águas oceânicas. No globo de Crates de Malo
aparece pela primeira vez a idéia de antípodas, ou seja, pontos que, no globo,
estão diametralmente opostos. Este é um conceito que, por si só, já provaria
àquela época a tão discutida "esfericidade" do planeta Terra (Figura 1).

Figura 1 ­ O globo de Crates de Malo.

2

Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

Mais que um instrumento destinado ao ensino da Geografia, o globo terrestre é um figura
presente em muitas situações do cotidiano de todas as pessoas ­ sobretudo relacionado
com as idéias de poder e de domínio amplo sobre o espaço, o que remete à questão do
conhecimento. O globo é mesmo considerado um símbolo de cultura. Não é por acaso que
essa imagem da Terra é facilmente encontrada nos gabinetes de autoridades de Estado, nas
diretorias das grandes corporações e em todas as instâncias de poder em que uma visão
total do planeta seja significativa.

Atividade 1
Pesquise na biblioteca do seu polo e na internet e responda:

a)Faça um texto traçando um pequeno histórico sobre a utilização do globo
terrestre.

b)Pesquise um pouco mais sobre a vida de Crates de Malo e descreva um
pouco de sua biografia.

c)Por que o globo pode ser considerado um símbolo da cultura?

O globo e o ensino da Geografia
Falamos um pouco sobre a história do globo terrestre. Agora, vamos abordar o seu uso
no ensino de Geografia.
Dentre os recursos didáticos utilizados para o ensino da Geografia, o globo terrestre é um dos
mais interessantes, especialmente quando há uma necessidade de tratar de temáticas relacionadas
ao espaço planetário. Uma das suas aplicações mais elementares está na possibilidade de localizar
os lugares na superfície da Terra. No entanto, em virtude dos avanços teórico-metodológicos que
estão ocorrendo na Geografia, percebemos, hoje, que o simples ato de localizar cidades e países
constitui uma prática ligada a uma antiga tendência de ressaltar grandezas naturais e importâncias
socioeconômicas de maneira irrefletida, o que não tem o menor sentido. Mais que isso, é preciso
examinar as origens e causas das situações políticas, econômicas, sociais e ambientais que
vivenciamos na complexidade do mundo atual. E para leituras como essas, é fundamental que
tenhamos à nossa disposição os instrumentos e recursos apropriados.

Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

3

Assim como os mapas e as cartas nos dão a possibilidade de ler a realidade representando
espaços menores, o globo, por sua abrangência espacial, contempla-nos com a possibilidade de
ver o espaço mundial; com a possibilidade de, nesse espaço, articular os fatos e acontecimentos
em suas múltiplas escalas, do local ao global, contribuindo para o entendimento não só dos
arranjos espaciais, mas principalmente dos processos que os configuraram.
Vamos listar e comentar, a seguir, algumas aplicações práticas do globo terrestre, na sua
função pedagógica de auxiliar na compreensão dos processos de ensino e aprendizagem de
temas geográficos e/ou de áreas afins.

a) Entendendo a forma da Terra
Como vimos em Leituras Cartográficas e Interpretações Estatísticas I, os globos têm
uma "geometria" peculiar, que, ao longo de séculos, vem sendo pesquisada através da
Geodésia (ciência dedicada ao estudo das formas e dimensões do planeta), assunto que é
preocupação fundamental de engenheiros cartógrafos, geodesistas, físicos, astrônomos e
outros profissionais que lidam com tais temáticas.

Raio Polar

Sabendo-se que a Terra não tem uma forma esférica perfeita, é importante considerarmos
o achatamento polar como uma das anomalias do planeta com as quais a Cartografia tem
de conviver. Ao usar o globo terrestre em sala de aula, o professor deve fazer referência a
esse achatamento, não se esquecendo de afirmar a sua insignificância numa escala pequena
como a de um globo. Mas, é igualmente necessário que faça referência à importância desse
achatamento polar para a definição de círculos máximos, mostrando a diferença entre o
Equador, que é o maior círculo máximo, e os meridianos terrestres. Consequentemente, o
diâmetro e os raios polares serão menores que essas medidas no Plano do Equador, como
mostra a Figura 2.

Raio Equatorial

Figura 2 ­ Raios polar e equatorial

Ademais, o conhecimento da forma da Terra tem uma grande importância para a
Geografia, especialmente para os professores que precisam compreender as dinâmicas de
4

Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

inúmeros processos naturais nos quais a forma tem uma grande influência. Em primeiro lugar, é
preciso o professor explicar o motivo do achatamento e da diferença entre os semieixos maior
e menor. A causa primeira é o movimento de rotação, realizado a uma velocidade de cerca de
1670 km/h, e provoca a ação da força centrífuga, que é máxima no Equador e nula nos pólos.
Apesar da constituição geológica do planeta ser predominantemente sólida, o
movimento constante realizado a esta velocidade por milhões de anos, resultou em um
"crescimento" no sentido do centro para as bordas do Plano do Equador e uma "redução"
de tamanho no eixo polar. Mas, é sempre bom lembrar, que "esse achatamento foi
estabelecido em uma época em que a Terra não era totalmente sólida. Somente a energia
de rotação não é suficiente para torná-la achatada com a rigidez atual". (JATENCO-PEREIRA;
GREGORIO-HETEM, OLIVEIRA, 2001, extraído da Internet). Isso significa que o achatamento
provavelmente não continua aumentando e que um suposto derretimento das calotas polares
nada tem a ver com esse achatamento.

Atividade 2

2

1.

2.

A força centrífuga é
uma força inercial que
existe apenas para um
observador solidário a um
referencial animado de
movimento de rotação em
relação a um referencial
inercial, ou seja, sem
aceleração. A força
centrífuga atua na direção
perpendicular ao eixo de
rotação, afastando deste
os corpos materiais e,
como toda força inercial,
pode ser eliminada,
passando-se a um
referencial inercial. Fonte:
.
Acesso em: 17 fev. 2009.

Quais as causas do achatamento na forma de nosso planeta?
Qual a importância da representação do achatamento da terra na
concepção da forma deste planeta para os alunos?

sua resposta

1

Força centrífuga

Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

5

b) Orientação geográfica
Por tratar-se de um assunto que envolve a noção de direção, relacionada ao movimento
de rotação da Terra, o globo deve ser o primeiro instrumento didático a ser utilizado pelo
professor de Geografia. Em sua forma mais tradicional, o globo é confeccionado de acordo
com a lógica da inclinação do eixo da Terra, posicionado em um pedestal (em geral, circular)
que apóia um arco de meridiano prezo aos pólos norte e sul. A inclinação que é de 23º e 27'
em relação a esse pedestal, teoricamente, representaria a posição da Terra no plano da elíptica
(órbita da Terra em torno do Sol), conforme a Figura 3 (a).

a

b

Figura 3 ­ (a) O globo no pedestal tradicional, (b) numa posição alternativa onde o Equador estaria alinhado
com a direção do Sol (leste-oeste).

Acontece que essa posição, bastante conhecida, é a mais adequada somente para mostrar
a Terra no Sistema Solar. No entanto, ela dificulta o entendimento da relação entre a Terra e
os pontos cardeais, pois, assim posta, o leste ficará sempre à direita de quem olha o globo e
o oeste à esquerda, o norte ficará sempre para cima e o sul para baixo, o que sabemos não
ser verdade. O ideal seria que a base que serve de pedestal e onde fica apoiado o arco fosse
móvel. Isso permitiria colocar o globo ora na sua posição tradicional (inclinado em relação
à elíptica), ora em uma posição em que o plano do Equador ficasse alinhado com a direção
leste-oeste, traçada pela trajetória do Sol em seu movimento aparente ao redor da Terra. Assim,
ficaria bem mais fácil identificar os pontos cardeais a partir da relação entre o Equador e as
posições reais do Sol nascente e poente em qualquer lugar que se esteja. Nesse caso, o globo
seria posicionado conforme a Figura 3 (b).

6

Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

Atividade 3
1

Por que o globo deve ser o primeiro instrumento didático usado no
ensino da Geografia?

2

Como um globo deve ser concebido para que seu uso seja correto e
sua representação ofereça uma real dimensão (noção de espaço) aos
nossos alunos?

1.

2.

c)O movimento de rotação e os fusos horários
Consequência direta do movimento de rotação, a passagem das horas e a distribuição
espacial dos fusos horários é um assunto dos mais recorrentes no mundo atual; e a Geografia,
mesmo em sua postura crítica, não pode deixar de considerar. Os fluxos de capitais, os movimentos
de pessoas em viagens internacionais, a veiculação de informações através de imagens, textos,
fotos e vídeos, utilizando-se das diferentes redes que interligam os mais diferentes e distantes
lugares do planeta em fração de segundos, são uma realidade do nosso tempo.
Todas essas ocorrências espaciais poderão ser mais bem compreendidas com o apoio
de um globo terrestre, onde a simulação do movimento de rotação permitirá uma fácil
compreensão do processo, possibilitando não apenas o entendimento dos aspectos teóricos
da concepção do sistema de fusos horários, mas também uma visualização da sua distribuição.
Isso pode ser muito útil para o aluno ter uma visão mais completa das inter-relações,
nem sempre claras, entre as ocorrências espaciais ligadas à economia, à (geo) política,
à cultura, ao meio ambiente e a todas as instâncias da vida em que a relação local/global
precisa ser evidenciada.
Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

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É muito importante que o professor de Geografia, especialmente aquele que lida com
turmas das séries iniciais, ao fazer referência ao movimento de rotação da Terra, destaque a
direção da rotação, de oeste para leste, e demonstre com o globo, que a trajetória do Sol é
apenas aparente, ou seja, não é o Sol que passa sobre nossas cabeças e sim nossas cabeças
que passam sob o Sol.

sua resposta

Atividade 4
1

No trabalho com um globo terrestre, qual a importância da simulação
do movimento de rotação para o ensino da Geografia?

2

Como, usando o globo, podemos ensinar os nossos alunos nas
concepções de sistemas de fusos horários?

1.

2.

d)A translação e as estações do ano
Neste caso, o globo terrestre com sua inclinação é a figura mais importante. Para simular
o movimento em sala de aula, é necessário que o professor, com a sua criatividade, elabore
junto com os seus alunos de maneira artesanal uma réplica da Figura 4, onde aparecem as
situações em que a Terra em sua órbita se encontra ao longo do ano, explicando a importância
da relação Terra/Sol para a definição das estações do ano.

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Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

Fonte: . Acesso em: 5 fev. 2009.

Atrelados a esse movimento, estão assuntos como "o sol da meia-noite", "aurora boreal",
"aquecimento global e o derretimento das calotas polares", além de outros aparentemente sem
importância, mas que precisam ser compreendidos pelo simples fato de estarem no contexto
das multimídias acessíveis à nossa juventude, principalmente por meio da Internet.

Figura 4 ­ O movimento de translação e as estações do ano

Atividade 5
Pesquise na biblioteca do seu pólo ou na Internet estratégias do uso do globo
terrestre para explicar certos fenômenos decorrentes do movimento translacional
da Terra, conforme você estudou no tópico anterior.

e)Localização geográfica
Para ensinar conceitos como os de latitude e longitude, é imprescindível a presença do
globo terrestre na sala de aula. Sabendo-se que são conceitos referenciados aos planos do
Equador e do Meridiano de Greenwich, é inevitável o uso do globo para a compreensão destes,
já que um mapa-múndi não permite enxergar esses referenciais como planos e sim como linhas.
Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

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A Figura 5 exprime com bastante clareza a necessidade de se ter o globo como instrumento
para explicar a origem da idéia de localização, pois destaca os círculos máximos da Terra e
representa visualmente esses conceitos. Com um globo, é possível explicar que a latitude é um
ângulo formado pela linha vertical que une um lugar ao centro da Terra ao Plano do Equador;
e que a longitude é o ângulo formado pelos planos do Meridiano de Greenwich e do meridiano
que passa em um lugar.
Somente com o globo, essa explicação tornar-se-á mais clara para o aluno e poderá
prepará-lo para calcular coordenadas e localizar pontos em um mapa, uma carta, ou mesmo
em uma planta urbana, conhecendo a essência dos conceitos envolvidos nessa operação.
Pólo Norte

Eixo

Meridiano
Local

Meridiano
de Greenwich

Porto
Alegre
Paralelo
Local

Pólo Sul

Eixo

Figura 5 ­ Latitude e longitude e seus referenciais, Equador e Meridiano de Greenwich.

Atividade 6
Procedendo da mesma forma que na atividade anterior, pesquise estratégias,
excetuando-se as citadas aqui, do uso do globo para explicar a idéia de localização,
latitude, longitude etc.

f)

Temas geográficos ­ físicos e humanos

Com o globo terrestre, os estudos das mais variadas temáticas geográficas em escala
mundial podem ser mais facilmente realizados. Temas ligados ao meio físico, como a estrutura

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Aula 06

Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

geológica do planeta, os climas, as correntes marinhas, a vegetação e a biodiversidade, como
também temas humanos ou socioeconômicos, os relacionados à política, economia, cultura,
sociedade e outros de âmbito mundial, são facilmente compreendidos devido às possibilidades
de visualização das relações espaciais que o globo oferece. Com um globo, um professor terá
muito mais facilidades ao falar sobre países e lugares distantes, podendo analisar e classificar
esses países sob as mais variadas óticas, oportunizando ao aluno uma visão mais ampla da
realidade mundial.
Assuntos atuais, como a crise financeira internacional, as guerras e o terrorismo, os
eventos esportivos ou de outros tipos, relacionados às atividades humanas no planeta em que
vivemos, podem ser bem melhor entendidos na presença de um globo. Da mesma maneira,
com um globo, torna-se muito mais fácil explicar, por exemplo, a dinâmica da atmosfera, as
implicações ambientais de uma catástrofe natural ou provocada. Tudo isso é facilitado com o
uso do globo, que, por sua forma, é a representação mais real do planeta, onde as distâncias,
as áreas e as direções não são distorcidas como nos mapas.

Figura 6 ­ Estrutura geológica da Terra

Fonte: Trabalho de alunos da disciplina "Cartografia para o Ensino da Geografia"

A Figura 6 a seguir representa um globo elaborado de forma artesanal para mostrar com
bastante realismo as camadas geológicas da Terra.

Um tema dos mais discutidos nas duas últimas décadas é o chamado processo de
globalização. Conceito econômico e político promovido a partir do mundo capitalista e tendo
por base a internacionalização do capital, a globalização visa acima de tudo à expansão do
mercado consumidor, passando por cima de costumes, tradições, valores, enfim, das culturas
dos lugares. Todo esse processo é favorecido pela organização de blocos econômicos apoiados
por organismos internacionais, os quais quase sempre defendem o poder dos países mais
fortes em detrimento da economia dos mais fracos e do meio ambiente em geral.
Conhecer esses blocos econômicos, os países emergentes, a localização dos países
mais pobres e explorados e compreender esse processo no contexto planetário, não é tarefa
fácil e um globo terrestre é, sem dúvida, o instrumento didático que poderá facilitar esse
Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

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aprendizado. São inúmeras as atividades de sala de aula onde o uso do globo é oportuno e,
às vezes, imprescindível.

Atividade 7
De posse de um globo terrestre, posicione-o com o a linha (ou o plano) do
Equador na posição leste-oeste, ou seja, paralelo à linha formada pela sombra
de um poste ou qualquer objeto disposto na vertical.
A partir dessa operação:

a)identifique os pontos cardeais relacionando leste com o nascente e oeste
com o poente;

b)simule o movimento de rotação relacionando-o com a sucessão das horas
do dia;

c)localize, em diferentes hemisférios, cidades onde já aconteceram eventos de
dimensão mundial (Olimpíadas, Copa do Mundo, Corridas de Fórmula 1) e
relembre se estes foram acompanhados aqui no Brasil com horas adiantadas
ou atrasadas.

Vantagens e desvantagens
no uso do Globo
Pelas suas características físicas, o globo terrestre apresenta uma série de vantagens e
também algumas desvantagens em relação aos mapas.
Falando inicialmente das desvantagens, podemos dizer que a principal delas está
relacionada com a limitação imposta pela escala. Devido ao fato de ser construído em
terceira dimensão, é comum a confecção de globos em escalas pequenas. Os globos
mais usados em sala de aula, em geral, estão em escalas pequenas, como 1: 42.000.000,
onde, normalmente, não se podem observar detalhes significativos de parte alguma do
planeta, portanto, não permitem estudos locais. É muito raro encontrar globos com diâmetro
superior a 50 cm, a não ser algumas edições especiais, feitas por encomenda.
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Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

São raros os globos com mais de 50 cm de diâmetro. O globo Langlois, no
entanto, tem 40 m de diâmetro. Foi construído em 1824, na França, e é, talvez, o
maior globo do mundo. Globos grandes, com até 10 m de diâmetro, são utilizados
com efeito ornamental. Normalmente, estão nas sedes de grandes empresas,
especialmente naquelas do setor de comunicações ou em museus. (SCHÄFFER
et al, 2003, p. 40).

Outra desvantagem é o preço: o processo de produção dos globos usados nas escolas
geralmente é industrial e isso requer o uso de técnicas e maquinário sofisticados, o que acaba
encarecendo o produto. O manuseio do globo é considerado incômodo pela maioria dos
usuários e certamente este é um dos principais motivos do seu pouco uso na sala de aula. Na
realidade, uma esfera presa a um arco apoiado de maneira inclinada sobre uma base plana
é, de fato, um estorvo. Mas, nem por isso se justifica o descaso. Alguns ainda alegam como
desvantagem do globo o fato de se poder observar nele apenas a metade do planeta de cada vez.
No entanto, são inúmeras as vantagens de se usar os globos. Em virtude da sua forma
semelhante à da Terra, os globos permitem uma visão de todo o planeta, bastando para isso que
seja girado para a posição que se deseja. Além disso, essa visão pode ser centrada em qualquer
ponto da Terra. O globo é o único documento cartográfico em que não aparecem distorções
de áreas, distâncias e direções, ou seja, num globo, é possível medir com relativa precisão
as distâncias entre lugares, as suas áreas e a visualização de suas formas de maneira bem
próxima da realidade. Em virtude disso, o globo é um excelente recurso para o planejamento
estratégico em operações civis ou militares que envolvem distâncias transcontinentais,
permitindo o traçado de rotas e os deslocamentos aéreos e marítimos.
Uma aplicação didática importante do globo diz respeito à visualização completa e
sem distorções da rede de coordenadas geográficas (paralelos e meridianos), facilitando a
compreensão de inúmeros conceitos geocartográficos, como os de hemisférios, círculos
máximos, latitude e longitude, as estações do ano, os solstícios e equinócios. Sem falar no
excelente apoio à compreensão dos assuntos relacionados à natureza, ou quadro natural, do
planeta e a todos os processos socioeconômicos que nele ocorrem, como, por exemplo, a
questão do aquecimento global, ou a crise do sistema financeiro mundial, só para lembrar
alguns já citados.

Precisão
A precisão é relativa
à escala do globo.
Quanto maior a escala,
maior será a precisão.
Devemos considerar, no
entanto, que a maioria
dos globos tem escalas
pequenas.

Por tudo que já foi comentado, dá para se perceber que o globo terrestre pode ser utilizado
para o estudo de diversos assuntos da Geografia e em diferentes graus de ensino, dependendo
apenas das adaptações que o professor necessitar e quiser fazer.

Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

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Atividade 8
Estando diante de um globo terrestre e de um mapa-múndi, estabeleça um
paralelo entre os dois e...

a)de acordo com as escalas de ambos, meça em cada um as distâncias em linha
reta entre as cidades de Natal a Londres e Nova Iorque a Moscou;

b)comente as diferenças de tamanho no mapa-múndi e no globo entre países
e regiões como Índia, Suécia, Rússia, África, Antártida e Groenlândia;

c)observe como se comportam os meridianos terrestres em um globo e em
um mapa-múndi e descreva as distâncias entre eles no Equador e nos pólos,
no mapa e no globo.

Resumo
Você teve a oportunidade, nesta aula, de ver uma apresentação e discutir as
principais características dos globos terrestres e as suas aplicações na sala de aula
de Geografia. Trata-se de um documento cartográfico de grande valor pedagógico
pelo realismo com que representa o planeta e pelas possibilidades que oferece
para o professor de geografia ministrar uma aula de melhor qualidade ao tratar
de temáticas de abrangência mundial. Ressaltamos ainda as principais vantagens
do seu uso, mas, também assinalamos as suas limitações, especialmente aquelas
relacionadas com a sua escala, que, em geral, é pequena, impossibilitando o seu
uso para estudos de lugares, mas, em contrapartida, facilitando uma visão ampla
e geral do planeta.

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Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

Autoavaliação
Todas as situações apresentadas para esta autoavaliação darão a você a
oportunidade de verificar seu aprendizado com relação ao uso do globo terrestre,
permitindo diferentes reflexões acerca das possibilidades que esse instrumento
didático lhe oferece para aprender e ensinar conceitos geocartográficos gerais
com mais facilidade.
Avalie o que você aprendeu, estudando o globo pelo globo. Tome um globo
terrestre em suas mãos e faça observações relacionadas aos aspectos seguintes.

1.Escala
a)Quantos quilômetros são representados por um centímetro na escala do seu globo?
b)Quantas cidades do seu estado o globo é capaz de mostrar?
2.Simbolismo cartográfico
a)Quais os símbolos cartográficos que aparecem no globo em forma de pontos, linhas e áreas?
b)Quais as cores convencionais predominantes no seu globo e o que elas representam?
3.Os círculos que formam o globo
a)Observe os meridianos. Para onde eles convergem? Quais as distâncias entre eles no
Equador e nos pólos?

b)Veja o equador e os outros paralelos, observando-os de um dos pólos. Qual a sua visão
desses paralelos?

4.Orientação
a)Indique a direção do movimento de rotação da Terra e a sua relação com a noção de
orientação.

b)Alinhe o globo com a direção leste/oeste e determine as outras direções cardeais.
5.Movimento de rotação
a)Simule o movimento de rotação do globo de oeste para leste e se coloque no litoral do Brasil.
b)Veja que pontos da costa brasileira recebem a luz do Sol em primeiro lugar e que estados
brasileiros estão mais a oeste do país.

Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

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Referências
JATENCO-PEREIRA, Vera; GREGORIO-HETEM, Jane; OLIVEIRA, Claudia Mendes de.
Fundamentos de astronomia: notas de aula do curso. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2009.
RAISZ, E. J. Cartografia geral. Rio de Janeiro: Editora Científica, 1969.
RANDLES, W.G.L. Da Terra plana ao Globo terrestre. Tradução de Maria Carolina F. de Castilho.
Campinas, SP: Papirus, 1994.
RIBEIRO JÚNIOR, W. A. A ciência geográfica. Disponível em: . Acesso em: 4 dez. 2008.
SCHÄFFER, N. O. et al. Um globo em suas mãos: práticas para a sala de aula. Porto Alegre:
Editora da UFRGS/NIUE, 2003.
SOUSA, Álvaro José de et al. Sala ambiente: geografia. Disponível em: . Acesso em: 13 nov. 2008.

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Aula 06 Leituras Cartográficas e interpretações Estatísticas II

Leituras Cartográficas e Interpretações Estatísticas II ­ GEOGRAFIA

EMENTA

AUTORES
> Edílson Alves de Carvalho
> Paulo César de Araújo

AULAS
01 Maquetes: as representações do relevo em terceira dimensão
02 As representações tridimensionais digitais do relevo
03 Os cartogramas temáticos qualitativos e a análise geográfica
04 Bases estatísticas para as representações cartográficas quantitativas
05 Os cartogramas temáticos quantitativos
06 O globo terrestre e seu uso no ensino da Geografia
07
08 Noções básicas de sistema de posicionamento global GPS

10 As fotografias aéreas e sua utilização pela cartografia
11
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Impresso por: Gráfica

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1º Semestre de 2008

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