A MEDIAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL:
ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE CRUZETA/RN
João Paulo de Oliveira
[email protected]
Antonio Carlos Pinheiro
[email protected]
PPGG - Universidade Federal da Paraíba
Resumo: O presente texto constitui parte da pesquisa em desenvolvimento no Mestrado em
Geografia da Universidade Federal da Paraíba. Para tanto, objetivamos analisar a importância do
professor como um mediador no ensino de Geografia, contemplando a ação docente no 6° ano do
Ensino fundamental II. Nossa justificativa é de trabalhar com a concepção do conceito de mediação,
referenciando o autor Belmonte (2003), que explica as características que torna o professor um
mediador no ensino. Nosso referencial teórico se pauta por este e outros pesquisadores, tais como:
Pontuschka (2009), Pinheiro (2005), Tajra (2007) e outros. Neste estudo, faremos um estudo de caso,
para percebemos e avaliarmos as influências da mediação no ensino de Geografia.

Palavras-chave: Mediação, Ensino de Geografia, Ensino Fundamental.

INTRODUÇÃO

A pesquisa que ora apresentamos, constitui estudo em desenvolvimento no Programa
de Pós-graduação de Geografia da Universidade Federal da Paraíba. Desta maneira, a mesma
encontra-se em seu estágio inicial, neste sentindo, é que apresentamos nosso projeto. Já no
início elucidamos qual nosso principal objetivo, ou seja, analisar a importância do professor
como um mediador no ensino de Geografia, no 6° ano do Ensino fundamental II.
A Geografia se institui como uma ciência que estuda a relação sociedade-natureza.
Nessa perspectiva, produz conhecimentos que permitem compreender e elucidar como a
sociedade se apropria da natureza, produzindo o espaço. De acordo com Santos (1978, p.
113), a partir da definição do objeto de estudo da Geografia, foi possível evidenciar como esta
ciência pensa o espaço como o resultado de "objetos e ações, justapostos entre si" (SANTOS,
1996, p. 63). Considerando essas proposições, o espaço é considerado como "reflexo da
sociedade" (SANTOS, 1978, p. 123), sendo moldado a cada momento pelos interesses sociais.
Neste ínterim, na contemporaneidade, a concepção de espaço geográfico deixou de ser apenas
a de "habitat de homens" (SANTOS, 1978, p. 169) para contemplar as dimensões
econômicas, política e cultural.

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Considerando a importância que assume os estudos sobre o espaço geográfico na
atualidade e reconhecendo que as habilidades e competências para se compreender esta
instância da sociedade passa pelos meandros da sala de aula, onde a disciplina de Geografia
integra os componentes curriculares, pretendemos desenvolver uma investigação que tem
como tema "A mediação do professor no Ensino de Geografia".
Consideramos importante na mediação, o que Pontuschka (2009, p. 216), chama de
"suportes didáticos", ou seja, os meios que o professor se apropria e os torna uma estratégia
metodológica. Para entendermos melhor o sentido de "mediação", recorremos à obra de
Lorenso Tebar Belmonte (2003), na qual aborda "o perfil del profesor mediador". Neste
sentido, a pesquisa contemplará o ensino de Geografia a partir da mediação do professor
como mediador (BELMONTE, 2003) em nível fundamental II, tendo como referência
espacial a Escola Municipal Cônego Ambrósio Silva, localizada na cidade de Cruzeta do
Seridó Oriental do Rio Grande do Norte. Optou-se pela escolha a atuação do professor de
Geografia no 6° ano, pois se trata de um nível em que o aluno está num período de transição,
do Fundamental I para o Fundamental II.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E JUSTIFICATICA

A escolha do tema da pesquisa partiu de experiencias vivenciadas a partir da atuação
em projetos de pesquisa no período da graduação, assim como das dificuldades encontradas
no Estágio Curricular Supervisionado III, que aguçaram as inquietações e refelxões sobre o
ensino de Geografia. Destaca-se entre as experiências vivenciadas, a pesquisa sobre o Livro
Didático de Geografia, na qual foi possível analisar este meio como "instrumento auxiliar"
(PONTUSCHKA, 2009, p. 343) para o desenvolvimento do processo de ensino e
aprendizagem de Geografia.
Embora a pesquisa desenvolvida tenha enfatizado o livro didático, incluiu-se as novas
tecnologias da comunicação, ressaltando que no período técnico-cientifico-informacional
(SANTOS, 1994), se apresentam como um "meio" possível para aprimorar o estudo em
Geografia. A afirmação baseia-se no fato de que esses meios tecnológicos permitem consultar
dados geográficos, construir mapas, além de identificar elementos da paisagem planetária em
imagens reais, potencializando a execução da tarefa mais complexa, a análise espacial.
Conforme salienta Kimura (2008, p. 22)

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existem livros didáticos de Geografia preferidos pelos professores, uma vez
que, além das informações [...] eles apontam as atividades a serem realizadas
pelos alunos. Mas ainda, esses livros adiantam as estratégias didáticas a
serem desenvolvidas para que o tema em pauta seja vencido.

Diante desse reconhecimento, ressalta-se que se torna uma estratégia eficiente associar
o conteúdo do livro didático com softwares educativos que podem levar os educando a
ampliar o conhecimento geográfico e a construir um pensamento mais crítico em relação às
questões socioespaciais. As novas tecnologias são um forte componente, que pode oferecer
um novo estímulo ao professor mediador no sentido de ensinar e aprender, e ao aluno, na
perspectiva de estudar e aprender.
Acrescente-se que, na perspectiva de associar teoria e prática, estes dois meios foram
utilizados como estratégias metodológicas de ensino no desenvolvimento das atividades do
Estágio Curricular Supervisionado III, na Licenciatura em Geografia. As experiências
suscitaram a reflexão acerca das estratégias de ensino que são utilizadas, atualmente, por parte
dos professores de Geografia, levando a pensar sobre o papel que os referidos "meios" podem
assumir como estratégias metodológicas na mediação do ensino de Geografia. Importante
neste momento, destacar o conceito de mediador que pretendemos estarmos em consenso com
Belmonte (2003) que o define claramente em sua obra "El perfil del profesor mediador" como
um sujeito que tem "una posición humanizadora, positiva, constructiva y potenciadora en el
complejo mundo de la relación educadora. En la base de este constructo dinâmico se halla el
concepto de desarrollo potencial"

(Belmonte, 2003, p. 40). Além dessa posição, para

Belmonte (2003) o papel do mediador é de selecionar, organizar e gerar estímulos para os
educando.
Tajra (2007) explica a importância de se utilizar as ferramentas da tecnologia no
campo da Educação, tendo em vista que esta não pode ficar à margem das mudanças que
ocorrem na "sociedade em rede" (CASTELLS, 1999). Reportando-se a importância da
"informática na educação", Tajra (2007, p. 15) reconhece que:
A utilização de um software está diretamente relacionada à capacidade de
percepção do professor em relacionar a tecnologia à sua proposta
educacional. Por meio dos softwares podemos ensinar, aprender, simular,
estimular a curiosidade ou, simplesmente, produzir trabalhos com qualidade.

O atual período do meio técnico-científico-informacional promoveu consideráveis
mudanças na sociedade e, estas, também repercutiram na Educação. No que concerne ao
ensino, tem colocado para o professor mediador o desafio de mudar sua postura em sala de
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aula no sentido de não restringir sua prática ao simples exercício de leitura e memorização de
conteúdos. Neste contexto, surgem os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) que norteiam
o professor mediador a adequar o ensino teórico-metodológico de Geografia aos desafios da
época. Assim, os meios de informação despontam com a possibilidade de serem adaptados ao
ensino de Geografia, na perspectiva de que, quando utilizados com objetivos delineados pelo
professor mediador, dinamizam e tornam as aulas mais significativas para os alunos.
Tradicionalmente, a escola foi o locus responsável pela difusão da informação e do
conhecimento. Atualmente, com os avanços e a grande acessibilidade ao conhecimento tornase importante dominar outros instrumentos (não somente o professor e o livro texto) capazes
de levar os alunos a se interessar mais pelas aulas de Geografia. Dentre os "suportes
didáticos" que podem ser definidos como "mediadores" do ensino de Geografia, Pontuschka
(2009, p. 216) esclarece que "sob a denominação de recursos didáticos, inscrevem-se vários
tipo de materiais e linguagens, como livros didáticos, paradidáticos, mapas, gráficos, imagens
de satélite, literatura, música, poema, fotografia, filme, videoclipe, jogo dramáticos."
Constituindo fortes instrumentos mediadores no ensino da educação geográfica, o
professor mediador é levado a adaptar estas ferramentas à atividade específica dessa área de
conhecimento.
Assim, a utilização de estratégias mediadoras tem como finalidade não apenas tornar
as aulas mais atraentes e interessantes para os alunos, mas, aguçar a percepção do educando
visando fazer interpretações mais críticas do que "a mídia leva aos lares" em termos de
multiplicidade de informações (PONTUSCHKA, 2009, p. 342). Com esta finalidade, o
professor conseguirá aproximar a realidade dos alunos dos temas que serão estudados,
considerando ser possível relacionar o conteúdo científico ao cotidiano do aluno. Ressalta
Belmonte (2003) que "o ritmo de nossa aprendizagem cresce em quantidade e qualidade
quando oferecida de bons professores e mediadores especialistas" (p. 40) Belmonte refere-se
ao professor mediador como significativo no ensino.
Morin (2002, p. 8) conduz à reflexão sobre a importância de considerar a educação sob
o viés da complexidade do século XXI. Segundo este teórico, o "pensamento complexo
investe contra a fragmentação do conhecimento". Neste sentido, o conhecimento geográfico
torna-se, neste século, fragmentado pela mídia, sendo o educando levado a se interessar mais
por este conhecimento. Considerando ainda as proposições deste autor sobre o ensino,
ressalta-se que "a reforma do pensamento contém uma necessidade social-chave: formar
cidadãos capazes de enfrentar os problemas de seu tempo".
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Nesta perspectiva, contemplando o que Cavalcanti (2002, p. 13) compreende ser "o
objeto do estudo geográfico na escola", ou seja, "o espaço geográfico, entendido como um
espaço social, concreto, em movimento", acredita-se que nossa pesquisa está em consonância
com a ciência geográfica.
Relacionando a ciência geográfica com o ensino de Geografia compreende-se que no
ambiente educacional, as inovações ocorrem gradativamente, de acordo o período histórico.
Sendo assim, por volta de 1950 (CORREA, 2007, p. 16), houve o aparecimento da Nova
Geografia. Este paradigma trouxe as primeiras reflexões críticas sobre a organização do
mundo, abordando a expansão do capitalismo. No âmbito educacional, vivia-se um período
em que o ensino era exercitado de maneira tradicional e o livro-texto, que era carregando do
"poder ideológico do Estado" (FRANCO, 1992, p. 19), tinha o domínio na proliferação da
informação, sendo o meio utilizado pelo preceptor.
Atualmente, o ensino de Geografia não pode mais se vincular somente ao livro
didático, muito embora este ainda seja importante. Pois como nos explica Callai (1998) a
geografia é a ciência que estuda, analisa e tenta explicar o espaço produzido pelo homem,
neste sentido, enquanto matéria de ensino, ela permite que o aluno "se perceba como
participante do que estuda, onde os fenômenos que ali ocorrem são resultados da vida e do
trabalho dos homens e estão inseridos num processo de desenvolvimento" (CALLAI, 1998, p.
56).
Quando se pretende ampliar a visão do aluno sobre uma leitura do espaço, o livro não
consegue abarcar toda a dinamicidade que a sociedade adquire. Desta maneira, torna-se
necessário a ação do professor mediador para diversificar as possibilidades do educando
enxergar o espaço sob a ótica da ação humana, recorrendo-se a recursos audiovisuais para que
se contemple a leitura espacial da realidade em foco. A Geografia se torna importante para o
educando quando este percebe que é sujeito integrante e transformador do seu meio, da sua
realidade.
As concepções didáticas para o ensino de Geografia devem contemplar estratégias
associadas ao meio técnico-científico-informacional. Neste sentido, pela gama de
conhecimento que a ciência geográfica aborda é preciso considerar as proposições que os
Parâmetros Curriculares Nacionais (2000) estabelecem sobre o ensino de Geografia,

Quando se estuda a paisagem local, deve-se procurar estabelecer relações
com outras paisagens e lugares distantes no tempo ou no espaço, para que
elementos de comparação possam ser utilizados na busca de semelhanças e
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diferenças, permanências e transformações, explicação para os fenômenos
que aí se encontram presentes (PCN, 2000, p. 127).

No que se refere ao processo de ensino-aprendizagem, ainda é fundamental a atuação
do professor mediador em sala de aula, presencialmente nos níveis de ensino fundamental e
médio, por ser uma de suas atribuições conduzirem, coordenar e reger a mediação do
conhecimento. Os "conteúdos no ensino de Geografia, a priori, partem da valorização da ação
do homem como sujeito ativo" (PCN, 2000).
É importante deixar claro que o livro didático e os recursos oriundos das inovações
tecnológicas constituem meios que podem fomentar a ação mediadora do professor de
Geografia, como suporte propiciador de estratégias de ensino. Tais recursos, não constituem
receitas acabadas para o desenvolvimento de um ensino geográfico de qualidade, porém é
importante ressaltar sua contribuição primordial no processo de ensino-aprendizagem nos
diferentes níveis da educação básica. O livro didático de Geografia fornece ao educando um
conhecimento científico. Nesse sentido, não pode ser negado como meio para se alcançar o
"interpretativismo" crítico da realidade social; já a "informática na educação" (TAJRA 2007)
pode subsidiar o aluno a aproximar visualmente o "espaço geográfico" (SANTOS, 1978, p.
120) do discente. Para tanto, torna-se possível associar estratégias interdisciplinares no
ambiente da sala de aula de Geografia.
O pensamento geográfico considera o homem como um sujeito histórico que, ao
longo do tempo, foi capaz de retirar da natureza as condições para sua sobrevivência, e ainda
como um ser social, que vive e se reproduz em meio as relações sociais. Os principais
conceitos da Geografia ­ espaço, paisagem, lugar, região e território - quando ensinados de
modo que aguce o pensamento geográfico crítico, conduz o aluno a construir uma visão
macro de mundo, bem como analisar as mudanças que acontecem.
Portanto, "a maneira de situar alguma atividade, em relação às outras, e não apenas
o tipo de tarefa, é um critério que permite realizar algumas identificações ou caracterizações
preliminares da forma de ensinar, o conteúdo geográfico" (ZABALA, 1998, p. 53). O ensino
de Geografia se diferencia das demais áreas do conhecimento, pela especificidade de seus
conteúdos, que dizem respeito à dimensão espacial dos fenômenos.
Neste sentido, segundo Castrogiovanni (2000, p. 23), para dar conta desse objeto de
estudo, `o professor' deve lidar com as representações da vida dos alunos, sendo necessário
sobrepor o conhecimento do cotidiano aos conteúdos escolares, sem distanciar-se, em
demasia, do formalismo teórico da ciência.
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Subsidiados pelas novas tecnologias, o professor mediador tem a possibilidade de
aguçar a percepção do aluno no sentido de que compreenda que a dinâmica social faz parte
das mudanças que constroem e reconstroem o espaço geográfico. Os procedimentos didáticos
adotados e os mediadores de ensino devem propiciar aos alunos as condições para estabelecer
relações entre a prática (sua realidade/cotidiano) e a teoria estudada em sala de aula. Para
tanto, sob o olhar de uma nova perspectiva de ensino de Geografia, os PCN (2000, p. 105)
consideram "que não basta explicar o mundo, é preciso transformá-lo".
Neste sentido, buscamos recuperar questões pertinentes ao desenvolvimento do
ensino geográfico calcado na mediação do professor, que considera o educando como um
sujeito permeado pelas "mudanças seculares". A prática docente na área geográfica é
concebida como significativa para a vida dos alunos.
A relevância desta pesquisa justifica-se pela discussão que suscita em termos de
Ensino de Geografia, pela ótica de um professor mediador. Abordar essa temática apresenta
uma importância teórica, por colocar em pauta aspectos fundamentais do ensino de Geografia,
e prática no sentido de que os seus resultados poderão apontar caminhos a pratica docente,
que se traduzam em melhorias para a aprendizagem dos alunos. De fato, a realização deste
projeto se coloca como um desafio, pois como catalogou Pinheiro (2005), mesmo com 317
teses e dissertações sobre o ensino de geografia permanecem lacunas a ser explorada nesta
perspectiva.
A perspectiva deste Plano de Trabalho fundamenta-se no desenvolvimento da pesquisa
na linha "Educação Geográfica" do Programa de Pós-Graduação em Geografia da
Universidade Federal da Paraíba, trazendo como problemática a questão da mediação no
ensino de Geografia. O foco da pesquisa é o 6° ano do ensino fundamental, buscando abordar
o professor mediador no ensino de Geografia. A escolha do 6° ano, está ancorado em
pesquisas realizadas por Pinheiro (2005, p. 64); de acordo com o referido estudioso

das pesquisas estudadas, a 5° série responde pelo maior número de
pesquisas, uma vez que geralmente é uma das mais problemáticas, pois
representa a "passagem" dos alunos do primeiro (1° a 4° séries) para o
segundo (5° a 8° séries) bloco de ensino fundamental (PINHEIRO, p. 64)

Ressoou-nos uma questão neste sentido: por que, com tantas pesquisas já realizadas,
persiste as deficiências no ensino de Geografia?
Acredita-se que o processo de ensino-aprendizagem de Geografia em sala de aula é
perpassado pela relação que o professor mediador é capaz de levar o educando a relacionar o
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conhecimento científico com o conhecimento cotidiano, sua realidade local. Neste sentido,
para conhecermos e interpretarmos a realidade deste professor mediador ­ sua clientela -,
recorre-se ao estudo de caso, pois de acordo com Pinheiro (2005) este é o gênero de pesquisa
que

caracteriza-se por ser um gênero de trabalho acadêmico cujo objeto é uma
unidade analisada profundamente, que pode ser um sujeito, uma escola, uma
serie ou turma, um grupo de alunos de uma escola, o exame de condições de
vida, um grupo de professores, um ambiente (PINHEIRO, 2005, p. 73)

Recorremos a este gênero, pois como identificou Pinheiro (2005, p. 74) "as pesquisas
que integram este gênero são em um número de 85, das 317 (26,8%) `produzidas até 2005 no
Brasil sobre o ensino de geografia', sendo 76 dissertações e 8 teses", dessa maneira,
justificando a importância desta pesquisa.

PROCEDIMENTOS PARA REALIZAÇÃO DA PESQUISA

De acordo com os objetivos propostos, adotaremos na pesquisa a abordagem de
natureza qualitativa (DEMO, 2000, p. 145), que considera que a análise da complexidade do
processo de ensino deve se pautar por estratégias metodológicas da pesquisa-ação (SANTOS,
2010, p. 193). Focalizaremos, portanto, a análise das estratégias de ensino do professor
mediador, mediante os tipos de mediadores que o professor de Geografia atual se apropria
para operacionalizar a prática da Educação Geográfica.
A pesquisa será desenvolvida tendo como aportes leituras bibliográficas
direcionadas a temática da pesquisa escolida. Portanto, leituras sobre: educação, ensino de
geografia, sociologia, etc; estaremos nos reportando a estas e outras leituras, para o
embasamento teórico.
Também recorreremos a realização de entrevistas semi-estruturada, junto a
professores que lecionam a disciplina de geografia, no 6° ano do ensino fundamental. Através
destas entrevistas, que contemplará as estratégias de ensino de geografia, pretende-se
caracterizar e analisar o perfil do professor mediador sobre a realidade que o condiciona.
Aposteriori será necessário analisar a funcionalidade dos suportes didáticos no ensino de
Geografia. Da mesma maneira, os discentes também serão ouvidos sobre a visão em relação
as inovações que o professor busca proporcionar nas aulas de geografia; ou seja, serão
consideradas as observações dos alunos em relação a metodologia do professor.
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Para se atingir os objetivos propostos também será realizado observação da prática
docente em sala de aula no 6° ano do nível Fundamental II. Essa observação servirá para
conhecermos como se acontece a mediação com e sem recurso algum. Consideraremos nesta
etapa, como as novas tecnologias são apropriadas e usadas nas aulas de Geografia. Faremos
também, o registro fotográfico dos suportes didáticos utilizados, onde servirá com anexos da
pesquisa.
Espera-se que o cumprimento do percurso metodológico delineado, permita a
construção da análise da importância do professor mediador no ensino de Geografia,
considerando o 6° ano do ensino fundamental, desta forma, cumprindo com o objetivo da
pesquisa.

PALAVRAS FINAIS

Não pretendemos dizer que a pesquisa está delimitada sem alterações possíveis, pois
ela é parte de um projeto construído, mas que pode a qualquer momento receber contribuições
positivas para o engrandecimento do estudo. Da mesma maneira, consideramos as
contribuições dos demais seguimentos das ciências como forças para melhoria desta pesquisa.
Nosso referencial teórico também não se resume somente a estes autores supracitados, estes
são os basilares na pesquisa. Destaca-se, Belmonte (2003), uma vez que autor aborda a
questão do perfil do professor mediador. Ademais são igualmente importantes, pois constitui
nosso arcabouço teórico, indispensável ao desenvolvimento do que pretendemos executar nos
dois anos da pesquisa.

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