A GEOGRAFIA NO CONTEXTO AMBIENTAL DA EDUCAÇÃO
Maria Helena Rodrigues
A Geografia, ao lado das Ciências Naturais e da História, é considerada
pelos PCNs uma área conceitual importante da Educação Ambiental, dada à
peculiaridade da natureza do seu objeto de estudo, que tem o ambiente como uma
das suas variáveis (BRASIL, 2000, p. 49).
Para se estudar esta relação da Geografia com a temática ambiental, se
fez necessário uma breve discussão sobre as bases epistemológicas desta
ciência, seguindo-se uma reflexão sobre a Educação Ambiental no âmbito da
geografia escolar.
Segundo MENDONÇA (2001, p. 22-23), ao lado das outras ciências, a
Geografia, desde suas origens, ocupou-se de conteúdos ambientais:
Os princípios básicos e os objetivos principais, assim como o objeto de
estudo da geografia, desde a sua origem como ciência, são de caráter
eminentemente ambientalista. A geografia é, sem sombra de dúvida, a
única ciência que desde a sua formação se propôs o estudo da relação
entre os homens e o meio natural do planeta
o meio ambiente
atualmente em voga é propalado na perspectiva que engloba o meio
natural e social. Observando-se a história da evolução da ciência
moderna percebe-se que a geografia é a única ciência de cunho
ambientalista lato sensu desde sua origem, sendo que as outras são
mais específicas no tratamento da referida temática. (...) Contudo, não
se pretende dizer que a geografia é a única que sozinha consegue dar
conta de toda a problemática que envolve o conhecimento do meio
ambiente.
Neste sentido, vários pensadores ligados à Geografia, contribuíram para
o seu desenvolvimento enquanto ciência sob uma perspectiva ambiental. Entre

Dissertação de mestrado: O desenvolvimento da dimensão ambiental pelos professores de
Geografia de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental em escolas municipais de Araucária . Sob orientação da Drª
Sonia M. Carneiro e Drª Vilma Marcassa Barra. 2003.

2

eles, os próprios fundadores da Geografia Moderna
Karl Ritter2

Alexandre Von Humboldt1 e

que, desde o início até meados do século XIX, já apresentavam

preocupações, nos estudos geográficos sobre as relações com o meio.
De maneira que, Humboldt, apesar de ser naturalista, tinha grande
curiosidade pelo homem, pela sua organização social e política, achava que esta
tinha relação íntima com as condições naturais, (...) daí a sua grande preocupação
com o estabelecimento de leis gerais que explicassem o mundo em que vivia,
relacionando o povo, categoria social, com o meio ambiente . O principal foco do
seu interesse, centrava-se na busca pelo conhecimento a respeito da natureza
física a fim de explicar a evolução da sociedade , sem contudo, preocupar-se
com as relações sociais em si (ANDRADE, 1987, p. 52-53).
Ao contrário de Humboldt, a formação de Ritter era mais voltada aos
aspectos humanos. Segundo BROEK (1976, p. 27), Karl Ritter complementou o
trabalho de Humboldt, no sentido de ressaltar a experiência humana no contexto
dos lugares e das regiões. Assim, desenvolveu seus estudos sobre as relações
entre o povo e o meio natural ,

valorizando a relação homem-natureza

(ANDRADE, 1987, p. 53; MORAES, 1997, p. 49). No entanto, este enfoque
relacional entre o homem e a natureza tinha uma conotação antropocêntrica, à
medida que Ritter afirmava que o homem é o sujeito da natureza , considerando
que cada sistema natural corresponde a um arranjo que abarcaria um conjunto
de elementos, representando uma totalidade, onde o homem seria o principal
elemento (ibid., 48-49). Para Ritter a Terra era a casa do homem

dividia-a em

regiões naturais (...) e examinava seu sentido para a sociedade que ocupava, ou
1

Alexandre Von Humboldt (1769-1859), geólogo e botânico (naturalista), foi viajante e
acumulou muitas informações sobre os vários lugares que visitou. Destacou-se pela obra Cosmos. (MORAES,
1997, p. 47-48).
2
Karl Ritter (1779-1859), além de filósofo e historiador, ainda estudou matemática e ciências
naturais; destacou-se como professor de Geografia da Universidade de Berlim. Antes disso lecionou História
e Geografia no Ginásio de Frankfurt - Alemanha. Seu principal trabalho é Geografia Comparada (MORAES,
1997, p. 47-48; SODRÉ, 1987, p. 33).

3

havia ocupado, cada unidade. Dessa maneira, preocupava-se em analisar cada
unidade individual da Terra como um complexo inter-relacionado de elementos
(BROEK, 1976, p. 27). De modo que, para ele, a Terra e seus habitantes
mantêm-se na mais estreita reciprocidade, não podendo um ser apresentado em
todos os seus aspectos sem o outro (SODRÉ, 1977, p. 34).
Neste sentido, o pensamento de Karl Ritter se destaca nos estudos
geográficos, defendendo a natureza e o homem como dois termos perpetuamente
associados

entre

os

quais

deve

gravitar

o

pensamento

do

geógrafo

(CHRISTOFOLETTI, 1982, p. 50). E no dizer de MORAES (2002, p. 187), Ritter
inaugura a discussão geográfica sobre a relação homem-natureza, colocando-a
como um dos principais focos da Geografia, em que o homem é visto como o
sujeito e a razão de ser da natureza e da própria ciência .
Em meados do século XIX e início do século XX, Friedrich Ratzel3 define
o objeto da Geografia como o estudo da influência que as condições naturais
exercem sobre a humanidade (MORAES, 1997, p. 55). Afirmava, em seu primeiro
volume da Antropogeografia (1882), que a constituição da sociedade (fisiologia e
psicologia) seria resultante das influências da natureza, isto é, da riqueza dos
recursos naturais do meio; que, quanto mais íntima fosse a relação do
homem/natureza, tanto maior a necessidade de apropriar-se dos seus recursos
(ibid., p.55-56). Neste contexto, Ratzel explicava as relações entre o homem e a
natureza a partir da teoria do determinismo geográfico ou das influências
ambientais, isto é, via o homem como produto/criatura do seu ambiente (SODRÉ,
1977, p. 49; BROEK, 1976, p. 30). Nos avanços dos seus estudos sobre a
Antropologia, Ratzel, no seu segundo volume da Antropogeografia, não recorreu

3

Friedrich Ratzel (1844-1904), doutor em Geologia, Anatomia e Zoologia, propôs a teoria do
determinismo geográfico, segundo a qual tudo no universo, inclusive a vontade humana e os fenômenos da
natureza são regidas por forças naturais, onde o próprio homem é fruto do meio em que vive (JAPIASSÚ;
MARCONDES, 1996, p. 68).

4

apenas às influências das condições naturais do meio, mas igualmente, ou ainda
mais, aos fatores histórico-culturais (BROEK, 1976, p. 30); de modo que, esta
nova visão de Ratzel não mais considerava a natureza como uma determinação,
mas como suporte da vida humana (MORAES, 1997, p, 60). Nesta perspectiva,
Ratzel passou a expressar uma visão ecológica nos estudos geográficos, na
medida que propõe o estudo do homem em relação aos elementos do meio em
que ele se insere , assim o conjunto dos elementos naturais é abordado como o
ambiente vivenciado pelo homem (ibid., p. 59-60). Ainda, conforme LENCIONI
(2003, p. 83), Ratzel enfatizava que a influência da história emerge como sendo,
igualmente fundamental , exprimindo a sua relativa posição determinista
(determinismo atenuado) em relação a um condicionante histórico-cultural. Sob
este aspecto, Ratzel valorizava o elemento humano e, portanto, questões relativas
à História e ao espaço (formação dos territórios, migrações, colonização etc.); mas
tudo isto, em vista do objeto central dos seus estudos

influências, que as

condições naturais exercem sobre a evolução das sociedades (MORAES, 1997,
p. 57-60). Segundo CAPEL (1981, p. 282), não só foi Ratzel o primeiro geógrafo
humanista, como também, o primeiro geógrafo a identificar a Geografia com a
ecologia humana 4.
Contrapondo-se ao determinismo ambientalista de Ratzel, Paul Vidal de
La Blache5 definiu o objeto da Geografia como a relação homem-natureza, na
perspectiva da paisagem. Colocou o homem como um ser ativo, que sofre a
influência do meio, porém, que atua sobre este, transformando-o (MORAES,
1997, p. 68). Sob este enfoque, La Blache propôs a corrente possibilista ou de

4

... el primer geógrafo humano, sino tambien el primer geógrafo que identifica geografia con
ecologia (CAPEL, 1981, p. 282).
5
Paul Vidal de La Blache (1845-1918), geógrafo francês, fundador da revista Annales de
Geographie em 1894. Desenvolveu a Geografia Possibilista, contrapondo-se ao que ele considerou como
sendo
generalizações
propostas
no
determinismo
geográfico
de
Friedrich
Ratzel
(http://www.edumed.hpg.ig.com.br; SANSOLO; CAVALHEIRO, 2001, p. 111).

5

possibilidades ambientais em que o meio exercia alguma influência sobre o
homem, mas que este dependendo das suas condições técnicas e do capital de
que dispunha, poderia exercer influência sobre o meio (ANDRADE, 1987, p. 70).
Dessa maneira, a natureza passou a ser vista como possibilidade para a ação
humana (MORAES, 1997, p. 68). Em sua proposta ele reconheceu plenamente
que a escolha do homem é severamente limitada pelo sistema de valores de sua
sociedade, sua organização, tecnologia (...), ou seja, pelo que ele denominou de
gênero de vida

modo de vida do homem (BROEK, 1976, p. 38). Nesta

perspectiva, La Blache colocava que a diversidade dos meios explicaria a
diversidade dos gêneros de vida (MORAES, 1997, p. 69). Também já atentava
para os problemas que pudessem acontecer no meio: as mudanças de gênero de
vida poderiam estar relacionadas ao exaurimento dos recursos existentes ou ao
crescimento populacional. Isto poderia levar a sociedade a migrar ou a buscar
novas técnicas e novos hábitos de vida (MORAES, 1997, 69-70).
Ainda no final do século XIX, destaca-se Elisée Reclus6 como um dos
geógrafos que trata os diferentes espaços geográficos do Planeta numa
perspectiva ambientalista globalizante. Reclus não separava a Geografia Física da
Geografia Humana, como a maioria dos seus contemporâneos; analisava os
aspectos físicos em interação com os aspectos humanos e, sob esta ótica,
procurava estudar as transformações que o homem realizava na natureza para
melhor utilizá-la (ANDRADE, 1987, p. 57). Neste contexto, Reclus já colocava
como foco de suas preocupações os problemas relativos à degradação do meio
ambiente, resultantes da expansão do capitalismo no mundo, assim como os
problemas advindos da expansão urbana e industrial relativos a transporte, saúde,

6

Elisée Reclus (1830-1905) geógrafo francês, anarquista engajado ao movimento socialista. Foi
rejeitado pela academia francesa pelo fato de se contrapor à geografia possibilista: a teoria do possibilismo ,
defendida por Paul Vidal de La Blache, que melhor espelhava as aspirações do Estado Francês. Reclus foi
expatriado da França em 1871, passando a viver na Suíça (ANDRADE, 1987, p. 56).

6

abastecimento, entre outros (ANDRADE, 1987, p. 58).
No início do século XX, Hettner7 e Hartshorne8 contribuíram para
enriquecer as reflexões em torno das relações entre o homem e a natureza,
estabelecendo um meio termo entre o determinismo de Ratzel e o possibilismo de
La Blache (MORAES, 1997, p. 84-85). Na linha da Geografia Racionalista,
Hartshorne reforça o sentido de valorizar a idéia da impossibilidade de se
desvincular o estudo do homem do estudo da natureza, do mesmo modo que
acreditava que para a Geografia, não haveria sentido em se estudar a natureza
desvinculada do homem (SANSOLO; CAVALHEIRO, 2001, p. 112). Entendia a
Geografia como o estudo de variação de áreas, a partir do entendimento das
interrelações entre os diferentes fenômenos de uma área (lugar), sem isolar os
elementos do meio; isto possibilitaria desvendar o caráter variável das diferentes
áreas da superfície da Terra ; para Hartshorne, o estudo da Geografia
compreendida como diferenciação de áreas foi denominado de

Geografia

Idiográfica (MOARES, 1997, p. 87-89).
Hettner

também

caracterizavam pela

considerava

que

os

estudos

geográficos

se

diferenciação da superfície terrestre , no contexto das

interrelações dos elementos ou fenômenos no espaço geográfico (LENCIONI,
2003, p. 122-123; MORAES, 1997, p. 85). Para ele a Geografia é, ao mesmo
tempo, a ciência da natureza e do homem (ANDRADE, 1987, p. 67). Tanto a
natureza quanto o homem são intrínsecos ao caráter particular das áreas, e, em
verdade, essa união é tão íntima que não podem ser separadas um do outro
(SANSOLO; CAVALHEIRO, 2001, p. 112). Sob esta abordagem, focalizava o

7

Alfred Hettner (1859-1941), geógrafo alemão, um dos fundadores da Geografia Racionalista, a
qual valoriza o raciocínio dedutivo, com menos carga empirista do que as demais correntes dentro da
Geografia Tradicional (MORAES, 1997, p.84-85).
8
Richard Hartshorne (1899-1992), geógrafo americano, também é considerado um dos
fundadores da Geografia Racionalista, seguidor de Hettner; foi mestre em metodologia e professor da
Universidade de Heidelberg (MORAES, 1997, p.84-85).

7

conhecimento geográfico em direção à ecologia, preocupando-se com a paisagem
natural e com a ação do homem, usando e degradando esta paisagem
(ANDRADE, 1987, p. 67).
Nota-se que a abordagem ambiental no pensamento geográfico, do final
do século XIX, e meados do século XX, estava diretamente relacionada ao estudo
da natureza do planeta , sendo o ambiente visto como sinônimo de natureza
(MENDONÇA; KOZEL, 2002, p. 127-128).
A partir da década de 1950 uma nova proposta envolve o pensamento
geográfico em oposição à Geografia Tradicional,9 denominada Geografia
Pragmática ou Geografia Aplicada. Dentre as correntes desta nova concepção
geográfica, o enfoque ambiental aparece na Geografia Sistêmica ou Modelística,
em que os fenômenos geográficos se manifestam como sistemas: relações de
partes articuladas por fluxos (MOARES, 1997, p. 103;105). Esta corrente faz uso
de modelos de representação e explicação na análise dos temas geográficos. O
modelo expressa a estrutura do sistema; no caso da Geografia, sob o enfoque
ambiental, destaca-se a utilização da Teoria dos Geossistemas para estudos
relativos ao planejamento ambiental (Id., p. 103;105; SANSOLO; CAVALHEIRO,
2001, p. 112-113).
Outra corrente da Geografia Pragmática, que desenvolve estudos sobre
a relação homem e meio, é a Geografia da Percepção ou Comportamental.10 Ela
busca estudar a concepção que o homem tem do espaço em que vive, a sua
reação frente às condições e aos elementos da natureza ambiente, e como este
processo se reflete na ação sobre o espaço (MORAES, 1997, p. 106). Os
trabalhos dessa linha de pensamento são também utilizados no planejamento
9

Trata-se da Geografia que se fundou sobre as bases positivistas, isto é, redução da realidade ao
mundo dos sentidos. O trabalho científico restringia-se ao domínio da aparência dos fenômenos aspectos
visíveis do real; uma corrente não-dialética (MORAES, 1997, p. 21-22).
10
Conforme LENCIONI (2003, p. 151), o foco da Geografia da Percepção é o comportamento
humano, sob uma dimensão psicológica, frente às paisagens naturais e urbanas.

8

ambiental e paisagístico de áreas urbanas, unidades de conservação, entre
outros (SANSOLO; CAVALHEIRO, 2001, p. 112-113).
Neste movimento de renovação da Geografia, a linha de pensamento
que se contrapõe às correntes até então desenvolvidas, é a Geografia Crítica, ou
Radical, que se iniciou na década de 1960 e apresenta uma postura contestatória
e crítica em relação à organização e produção do espaço geográfico, em termos
das contradições sociais: a miséria, a subnutrição, as favelas, a poluição, enfim
as condições de vida de uma parcela da população, que não aparecia de modo
geral

nas

análises

geográficas

anteriores

(MORAES,

1997,

p.

118;

CHRISTOFOLETI, 1982, p. 26).
Sob este enfoque, a Geografia Crítica ou Radical propunha o
desenvolvimento de uma Geografia voltada ao engajamento ideológico-político,
visando, sobretudo, a uma sociedade mais justa, a partir da transformação da
realidade social, sendo que a análise das relações espaciais, dão-se no âmbito
das interrelações sociedade-natureza, a partir da produção social, ou seja, do
trabalho (SANSOLO; CAVALHEIRO, 2001, p. 113-114).
É a partir desta perspectiva que a Geografia se propõe uma abordagem
socioambiental, ou seja, estudar o ambiente natural na ótica

da interação

sociedade-natureza , em torno de intervenções no sentido da recuperação da
degradação e da melhoria da qualidade de vida do homem (MENDONÇA, 2002,
p. 128).
A partir da década de 1960, o imperativo ecológico aparece com maior
importância no âmbito da Geografia. Isto se deve, principalmente, aos riscos
ambientais decorrentes da exploração exagerada dos recursos naturais pelo
homem (CLAVAL, 2001, p. 53-54). Assim, a crise ecológica do mundo
contemporâneo, fez com que os estudos geográficos buscassem novos caminhos
para o seu desenvolvimento (...) frente às novas dimensões do espaço e aos

9

graves

problemas

sociais

que

se

materializam

na

superfície

terrestre

(MENDONÇA, 2002, p. 121-122).
Esta breve discussão sobre o histórico da Geografia na perspectiva
ambiental evidencia suficientemente a relação do conhecimento geográfico com o
meio ambiente. DEBESSE-ARVISET (1974, p. 23) expressa bem esta relação,
quando afirma que o meio geográfico se configura como um conjunto de fatores
físicos e humanos que condicionam nossas atividades em um meio dado (...).
Com efeito, observar as complexas relações de determinada nocividade com
todas as coisas do meio em que ela se produz é exatamente uma atitude
geográfica. De modo que (...) a Geografia se preocupa com a degradação dos
meios onde a vida se passa.
Neste contexto, o conhecimento geográfico não só contribui para o
avanço técnico-científico da sociedade, mas também para inovações no campo
educacional. Sob este último aspecto, salienta-se neste estudo a importância da
geografia escolar na formação ambiental dos educandos.
Em face de esta colocação, a educação geográfica tem a finalidade de
formar cidadãos críticos, em prol da cidadania ambiental. Segundo os Parâmetros
Curriculares Nacionais-PCNs, a transversalidade da questão ambiental na
geografia curricular é de uma evidência notável, (...); não há como se praticar a
Geografia sem considerar-se boa parte dos temas levantados na questão
ambiental, afinal, o que se chama degradação do meio ambiente e impacto
ambiental refere-se ao núcleo dos estudos geográficos (OLIVA; MUHRINGER,
2001, p. 43).
Deste modo, conforme SANSOLO e CAVALHEIRO (2001, p, 115), a
educação geográfica tem um papel fundamental na Educação Ambiental,
enquanto uma contribuição à politização da sociedade. Sob este foco cabe ao
professor de Geografia desenvolver o senso crítico dos alunos quanto à relação

10

sociedade-natureza e, com isto, o desenvolvimento de valores ambientais de
responsabilidade para com o meio ambiente, em termos de prevenção e solução
dos problemas socioambientais.
Para desenvolve a Educação Ambiental, por meio da geografia escolar,
é importante viabilizar ao educando a raciocinar geograficamente sob o ponto de
vista ambiental, e assim refletir sobre as interrelações e interdependências
ambientais tanto em âmbitos locais, regionais quanto mundiais, cooperando na
construção de um conhecimento sob o ponto de vista da totalidade do meio, onde
se evidencie a necessidade do uso racional dos recursos sem ameaçar a própria
existência humana. (DEBESSE-ARVISET, 1974, p. 08-10).
Neste sentido, cabe a discussão com os alunos em torno da fragilidade
da biosfera e dos complexos equilíbrios que a protegem , das reações em cadeia
provocadas por uma intervenção inapropriada na natureza em um dado espaço
geográfico (DEBESSE-ARVISET, 1974, p. 09;17);
Diante destas considerações, pode-se observar que a Geografia,
enquanto

disciplina

escolar,

poderá

contribuir

significativamente

ao

desenvolvimento da dimensão socioambiental do currículo escolar, sob o ponto de
vista da intra e da interdisciplinaridade, com base na metodologia de
problematização, a partir, especialmente, de problemas ambientais reais ligados
ao local de vida dos educandos (ALEXANDRE & DIOGO, 1997, p. 44).
Para desenvolver atividades significativas em conexão com a realidade
de vida dos alunos, ALEXANDRE e DIOGO (1997, p. 88) propõem a
implementação do trabalho de projeto na escola, a ser desenvolvido através de
várias etapas que englobam sempre, a participação individual e coletiva dos
alunos (Ibid, p. 91-93).
O que se pode vislumbrar, a partir desta rápida reflexão, é a urgência da
laboração de projetos pedagógicos de educação geográfica com o envolvimento

11

de professores, alunos e a comunidade escolar em torno do objetivo de superação
das formas tradicionais de ensino e aprendizagem compartimentadas e, mais
ainda, numa dinâmica integradora dos currículos escolares, de maneira a poder-se
viabilizar o desenvolvimento de uma educação escolar qualificada, na perspectiva
da sua dimensão ambiental.

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