Geografia

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SUMÁRIO

DO

VOLUME

GEOGRAFIA
1. Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)
1.1 Introdução aos estudos geográficos
1.2 A importância de estudar Geografia
1.3 O espaço geográfico e as categorias espaciais
2. Fundamentos de Cartografia
2.1 Formas de Orientação
2.2 Coordenadas Geográficas
2.3 Movimentos da Terra e as Estações do Ano
2.4 Os fusos Horários
2.5 Os mapas, suas propriedades e as novas tecnologias cartográficas

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Geografia

SUMÁRIO COMPLETO
VOLUME 1

GEOGRAFIA
1. Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)
2. Fundamentos de Cartografia

VOLUME 2
3. Natureza, Sociedade e Tecnologias

VOLUME 3
4. Formações Vegetais: classificação e situação atual
5. Os Recursos Hídricos
6. Os impactos socioambientais da sociedade moderna e as conferências ambientais

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Geografia

Geografia

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Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)

1. DA HISTÓRIA DA GEOGRAFIA ÀS CATEGORIAS GEOGRÁFICAS (OU ESPACIAIS)
Trabalhando com imagens
Você sabe dizer qual é o objeto de estudo da Geografia e qual a sua importância em nossa vida? Para que
serve a Geografia? Para ajudar a refletir sobre essas questões, observe as imagens de satélites a seguir.

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1

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Floresta Amazônica, no Estado
de Rondônia. Essas imagens se
referem aos anos de 1975, 1989 e
2001, respectivamente.
Imagens disponíveis em: Google Earth.

1.1 Introdução aos estudos geográficos

No processo de construção da Geografia, os gregos foram os

primeiros a registrar, de forma sistematizada, os conhecimentos
geográficos. Os romanos, partindo dos conhecimentos
anteriores, ampliaram-nos significativamente, tornando-se
os responsáveis pelas grandes contribuições que passariam a
ser fundamentais no desenvolvimento da Geografia enquanto
campo científico. Filósofos como Eratóstenes, Tales de Mileto,
Heródoto, dentre outros, produziram a base para o que, mais
tarde, seria a Geografia Científica.

Vertical em
Alejandría

Raios de
Sol


Alejandría

D
Sena



Os raios de Sol caem
perpendicularmente em
Sena (Assuã)

O ângulo que forma os raios de Sol com a verical
em Alejandría, concide com a diferença das latitudes
entre Sena(Assuã) e Alejandría. D é a distância linear
entre essas cidades.

Disponível em: .
Acesso em: 27 ago. 2012.

Agora, com seus colegas e com seu professor, discuta as seguintes questões:
a) O que essas imagens representam em relação ao espaço terrestre?
b) Os processos observados nas imagens de satélites têm relação com os estudos geográficos?
c) Apenas a descrição da paisagem daria conta de abarcar todas as relações vivenciadas nesse espaço
geográfico?

Imagem que representa a forma como Eratóstenes de
Cirene resolveu o cálculo da circunferência terrestre.

Geografia
Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)

Esses filósofos realizaram estudos sobre a forma e o tamanho da superfície terrestre, abordaram aspectos
físico-geográficos das paisagens, desenvolveram os sistemas de coordenadas tão presentes hoje em nossos
mapas. Além disso, fizeram viagens e descrições históricas ricas em informações geográficas, que grande
utilidade tiveram para os governantes gregos.
Outros estudiosos, que contribuíram assaz para o desenvolvimento
da Geografia na Antiguidade, foram Estrabão e Ptolomeu. O primeiro,
graças às suas viagens, produziu uma geografia marcadamente
descritiva, que muito influenciou no desenvolvimento dessa ciência.
Alguns escritores afirmaram que ele desenvolveu as bases de uma
geografia política (humana), na qual o conhecimento do espaço foi
rapidamente transformado em saber estratégico por parte daqueles
interessados pelo poder e pelas estratégias espaciais dando, sobretudo,
importância aos fenômenos humanos ou ao que tinha significado
O GPS é uma inovação atual, mas foram para os homens.
os gregos que iniciaram os estudos
O termo geografia, criado pelos gregos, significa "Ciência da
sobre coordenadas geográficas, ou seja,
se hoje possuímos aparelhos que nos descrição da Terra" (geos, Terra e grafein, descrever), porém o ato de
indicam o local exato onde estamos,
devemos nos lembrar dos estudos descrever a Terra exigia a produção de mapas para que os territórios
iniciados por eles.
fossem precisamente localizados. Logo, os geógrafos responsáveis
Disponível em: .
Acesso em: 02 de ago. 2012. pela cartografia apropriaram-se dos conhecimentos matemáticos
e astronômicos. Surgia a chamada geografia matemática, que teve
Ptolomeu um dos seus maiores expoentes. Ele desenvolveu uma concepção ptolomeica do Universo, a qual
considerava a Terra no centro do Universo (Teoria Geocêntrica). Além disso, podemos encontrar, em sua
obra, referências à latitude e à longitude, bem como cálculos acerca da variação do dia de acordo com a
distância da Linha do Equador. Observe a seguir a representação da Terra segundo Ptolomeu.

Disponível em: . Acesso em: 02 de ago. 2012.

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As bases do mapa-múndi de Ptolomeu. foram criadas em Alexandria, por isso os detalhes do Mediterrâneo Oriental
são mais próximos da realidade. Há somente três continentes: Europa, Ásia e África; a Linha do Equador foi
assinalada. As cabeças, às margens do mapa, representam os ventos.

Geografia
Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)

Os árabes foram fundamentais para o desenvolvimento dessa nova empreitada da ciência geográfica. No
período conhecido como Idade Média (séculos V a XV), foram eles os responsáveis pela recuperação e pela
difusão das obras geográficas dos gregos. Essas obras acabaram se tornando fundamentais para os estudos
geográficos que, na Europa, se desenvolveram a partir de meados do século XIV.
O século XVI foi o ápice de um período de profundas crises e de transformações na Europa Ocidental.
As estruturas sociais, econômicas, políticas e territoriais herdadas do Feudalismo estavam sendo negadas
pelos novos grupos que se apropriavam do poder, sobretudo pela burguesia, responsável pela emergência
de um novo modo de produção: o Capitalismo.
Vivia-se a expansão mercantil e, com ela, a "Revolução Comercial", marcando o declínio do modo
de produção feudal e o alastramento das relações de produção capitalista. À medida que novas terras eram
devassadas, e os europeus mantinham contatos com outros povos que nelas habitavam, uma gama fabulosa
de novos conhecimentos foi sendo acumulada. A Geografia tornou-se um dos saberes mais beneficiados
desse processo, e foram os autores greco-romanos a inspiração para essa Geografia do período conhecido
como Renascimento.

Saiba mais
A seguir, há um trecho do Tratado Descritivo do Brasil em 1587, elaborado por Gabriel Soares de Souza.
Observe a importância dada à descrição das paisagens.
"[...] É esta província mui abastada de mantimentos de muita substância e menos trabalhosos que os de
Espanha. Dão-se nela muitas carnes assim naturais dela, como das de Portugal, e maravilhosos pescados;
onde se dão melhores algodões que em outra parte sabida, e muitos açúcares tão bons como na ilha da
Madeira. Tem muito pau de que se fazem as tintas. Em algumas partes dele se dá trigo, cevada e vinho muito
bom, e em todas todos os frutos e sementes de Espanha, do que haverá muita qualidade, se Sua Majestade
mandar prover nisso com muita instância, e no descobrimento dos metais que nesta terra há; porque lhe não
falta ferro, aço, cobre, ouro, esmeralda, cristal e muito salitre, e em cuja costa sai do mar todos os anos muito
bom âmbar; e de todas estas e outras podiam vir todos os anos a estes reinos em tanta abastança, que se
escusem os que vêm a eles dos estrangeiros, o que se pode facilitar sem Sua Majestade meter mais cabedal
neste Estado que o rendimento dele nos primeiros [...]"
SOUZA, Gabriel Soares de. Tratado Descritivo do Brasil em 1587.
Disponível em: . Acesso em: 02 de ago. 2012.

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Agora, com seus colegas e com seu professor, discuta:
a) Quais foram os elementos geográficos descritos no texto?
b) Esses relatos foram utilizados para apropriação desses territórios e de suas riquezas? Qual a
importância dessas descrições?

Se por um lado tínhamos
as descrições realizadas pelos
relatos de viagens, por outro, a
cartografia, a localização espacial
dos fatos e dos fenômenos
continuaram se desenvolvendo
para aprimorar as técnicas de
mapeamento e para auxiliar a
navegação, principal meio de
transporte
intercontinental
da época. Era preciso uma
cartografia mais precisa e mais
atualizada. Por isso, em 1569,
o cartógrafo belga Gerardus
Mercator desenvolveu a Projeção de Mercator.

Projeção de Mercator.

Disponível em: . Acesso em: 07 ago. 2012.

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Geografia
Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)

Se o modelo de Estrabão tornou-se fundamental para a tarefa tão necessária de descrever os novos
territórios conquistados, não menos importante foi o modelo da geografia matemática desenvolvida por
Ptolomeu. Com base nesses dois modelos se constituiu a geografia clássica, que tão profunda influência
exerceu sobre a Geografia produzida e sobre a ensinada nas escolas.
No século XVIII, diversos filósofos contribuíram para o desenvolvimento da Geografia, com destaque
ao alemão Immanuel Kant, um dos primeiros a se preocupar com a sistematização do conhecimento
geográfico e a influenciar os estudiosos dessa área. Para Kant é necessário encontrar o ponto comum
de pensar a natureza e o homem, seja no plano empírico trilhado pela ciência, seja no abstrato que é
característico da Filosofia. A Geografia que esse pesquisador conheceu é um agregado de conhecimentos
empíricos de todos os âmbitos, organizados em grupos de classificação, uma taxonomia (teoria ou
nomenclatura das classificações científicas) do mundo físico e, por isso, designada de Geografia Física.
Em meados do século XIX, dois cientistas alemães, influenciados pelas obras de Kant, gradativamente
sistematizaram o arcabouço teórico-metodológico dessa ciência, que se transformou em disciplina
acadêmica. São eles: Alexander von Humboldt e Carl Ritter.
Ritter organizou os recortes espaciais da superfície terrestre, os quais identificou sob o nome de
individualidade regional dos recortes de espaço. O processo consistia em comparar as paisagens duas a
duas e extrair os traços comuns e os singulares de cada uma, para assim inferir a ordem geral de classificação
e a especificidade da individualidade, produzindo o mapa dos recortes nessa significação. A comparação
sucessiva, recorte a recorte, completa o mapa das individualidades, ao final do qual haveria um olhar sobre
o mosaico das paisagens da superfície terrestre.
Humboldt também partiu da ordem de classificação e de individualização das paisagens da superfície
terrestre. Entretanto seu objetivo era tomar as formas de vegetação, que designa de Geografia das Plantas.
Cada paisagem botânica é relacionada para baixo à base inorgânica e para cima com à interação da vida
com o homem. Por meio da comparação dos recortes de paisagens, era possível inferir a visão universal de
Humboldt sobre a Terra. Essa geografia ficou conhecida como a Geografia dos Fundadores.
Ao longo dos séculos, a Geografia passou por grandes transformações, certamente, com o objetivo
de suprir seus anseios e acompanhando as mudanças ocorridas na sociedade. No final do século XIX e
início do século XX, a geografia ganha força, principalmente na Alemanha e na França. Originou-se o que
conhecemos como Geografia Clássica.

1.1.1 A Geografia Clássica (Geografia Tradicional)
A Geografia Clássica repercutiu a partir de um período em que o avanço industrial e o Capitalismo
já se encontravam no auge na Europa Ocidental, em meados do século XIX e início do XX. Os cientistas
viram a necessidade de conhecer melhor o espaço para o avanço das explorações e da produção, realizando
estudos e análise das paisagens e de seus aspectos naturais. No início e, posteriormente, preocupou-se
com a ação antrópica do espaço, mas devido às dificuldades metodológicas para tratar a ação do homem
nele, a princípio, os geógrafos trabalharam-no de forma superficial, focando seus estudos na descrição das
paisagens.
Nesse contexto, duas correntes filosóficas do pensamento geográfico -- as quais denominaremos
como escolas do pensamento geográfico -- sobressaíram e foram as bases da geografia clássica, a geografia
dos alemães, conhecida como Determinismo Geográfico, e a geografia francesa, conhecida como
Possibilismo.
O determinismo geográfico teve como um de seus maiores expoentes Friedrich Ratzel -- geógrafo
alemão ­ fortemente vinculado ao naturalismo e às ciências da natureza e influenciado pela teoria da
evolução das espécies. Seus estudos demonstrarem as influências que as condições naturais exerciam
sobre a humanidade, afirmando que a natureza influenciaria a própria constituição social e atuaria na
possibilidade de expansão de um povo e de suas atividades. Seu método era baseado no empirismo
(observação e descrição) e no racionalismo positivista.

Geografia

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Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)

Ratzel transformou o espaço em ação política ao apresentar a Terra (o solo) como elemento
indispensável da vida humana. Assim, desenvolveu um de seus principais conceitos -- o de espaço vital --
que representa um equilíbrio entre a população de uma dada sociedade e os recursos naturais disponíveis
em seu território para suprir suas necessidades.
Se por um lado o autor supracitado encontrava no meio uma influência determinante para a condição
humana, na geografia francesa, com Paul Vidal de La Blache, admitiu-se que o meio influencia o homem.
Ao mesmo tempo, de acordo com o gênero de vida -- conjunto de atividades cristalizadas pela influência
dos costumes, da cultura ­ o homem pode exercer influência/resistência ao meio, ou seja, é a resposta dos
grupos humanos aos desafios do meio geográfico (possibilismo).
Ao relacionar as características do espaço com a ação do homem nele, deu origem a Geografia Regional e
o conceito de região ­ fragmentos do espaço individualizados pela ação do homem. Nesse sentido, os estudos
que tinham como fundamento a geografia de Vidal, limitavam pequenas áreas de trabalho (regiões) e focavam
na descrição dos aspectos físicos, sobrepondo os humanos (econômicos, políticos, sociais etc.).
A geografia clássica manteve suas atividades ­ descrevendo os aspectos físicos e humanos ­ até as
mudanças teórico-metodológicas que vieram com as transformações socioespaciais de meados do século
XX. Nesse contexto, surgiram novas escolas e novas concepções de geografia que foram se desenvolvendo
a partir de então.

1.1.2 A Geografia Quantitativa ou Nova Geografia (New Geography)
A Nova Geografia representa a origem de uma nova forma de trabalhar e de pensar a geografia, reflexos
das transformações que aconteceram no meio técnico-científico-informacional em meados do século
XX, as quais geraram impactos socioeconômicos em todo o mundo. Era necessário uma geografia que não
ficasse apenas na descrição e na enumeração, mas que procurasse compreender a organização espacial para
poder planejar e agir nesta organização ­ (re)organização espacial.
Foram desenvolvidas profundamente as noções de planejamento e de sistemas, criando modelos
urbanos, ambientais e regionais que possibilitassem uma maior intervenção no espaço. Os geógrafos
passaram a realizar levantamentos sobre a distribuição das atividades econômicas e a da população por
vários países abrindo a possibilidade de planejar uma melhor distribuição e localização das indústrias, da
agricultura, do comércio, dos serviços etc.
No olhar e tratamento sobre o espaço, há uma preocupação de como ele é distribuído e organizado, a
partir de então são analisadas e elaboradas técnicas para melhor trabalhá-lo e explorá-lo. Nesse contexto,
a aplicação intensiva das técnicas estatísticas e matemáticas nas análises geográficas foram fundamentais
para essa escola, e o procedimento quantitativo pôde ser considerado entre as características básicas da
Nova Geografia.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -- IBGE sofreu forte influência dessa corrente do pensamento geográfico.
Era necessário uma instituição governamental que buscasse levantar dados socioeconômicos e que, a patir desses dados,
pudesse organizar e planejar as ações governamentais sobre o território brasileiro.
Fonte: IBGE.

1.1.3 A Geografia Crítica (ou Radical)
A partir da segunda metade da década de 1970, os geógrafos passaram a ter preocupação maior com
a problemática social, considerando que o desenvolvimento industrial começou a exercer grande impacto
sobre a natureza e a sociedade, degradando e dilapidando os recursos naturais e as relações sociais. Essa
situação tornou-se grave nos países desenvolvidos e pior nos subdesenvolvidos.

Geografia

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Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)

Diante dessa situação, os cientistas em geral e os geógrafos em
particular não poderiam ficar de "braços cruzados" como meros
espectadores. Os geógrafos dessa corrente se conscientizaram da
existência de problemas muito graves na sociedade em que viviam e
compreenderam que toda a Geografia, tanto a tradicional quanto a
quantitativa, embora apregoando neutras, tinham um sério compromisso
com a sociedade de classe. A neutralidade científica apregoada é uma
forma de esconder os compromissos políticos e sociais.
As desigualdades socioespaciais começaram a ser discutidas e suas
causas levantadas por essa corrente do pensamento geográfico. Para
A concretização espacial do desenvolvimento
essa corrente, riqueza e pobreza coexistindo fazem parte daquilo que
desigual e combinado.
Disponível em: . chamaram de desenvolvimento desigual e combinado.
Acesso em: 27 ago. 2012.
Esses geógrafos, ao analisarem as injustiças sociais e o
desenvolvimento socioeconômico, foram às raízes, às causas verdadeiras desses problemas; assumiram
seus compromissos ideológicos, sem procurar se esconder sob falsa neutralidade.
Os estudiosos dessa corrente estavam ancorados, teorica e metodologicamente, no marxismo, procurando
aplicar a práxis ­ o conjunto das atividade humanas tendentes a criar as condições indispensáveis à existência da
sociedade e, particularmente, à atividade material, à produção ­ ao analisar as situações que lhes são apresentadas
para estudo. Deram grande importância à análise das formações socioeconômicas e dos modos de produção ao
longo da história. Essa geografia renovada ocupar-se-ia do espaço
humano transformado pelo movimento paralelo e interdependente de
uma história feita em diferente escalas ­ internacional, nacional e local.
A degradação socioambiental começou a ser debatida e suas
raízes, discutidas.
Além dessas escolas que acabamos de estudar, outras correntes tiveram
e ainda têm uma importância muito grande para o desenvolvimento
da ciência geográfica como, por exemplo, a Geografia Cultural, a
Fenomenológica e a Socioambiental. Todas elas são resultados do processo
de amadurecimento e do desenvolvimento da ciência geográfica, por isso
mantêm sua relevância.
Degradação ambiental.

Disponível em: .
Acesso em: 27 ago. 2012.

Saiba mais
PRINCÍPIOS DA GEOGRAFIA
A Geografia possui alguns princípios que orientam o trabalho do geógrafo. Os principais são:
1) Princípio da Extensão (Ratzel) - usado para localizar, dentro do espaço geográfico ou em mapas, o
objeto de estudo, medindo a área e interpretando tabelas e gráficos.
2) Princípio da Analogia (Karl Ritter, 1779 ­ 1859 e Paul Vidal de La Blache, 1845 ­ 1919) - usado para
comparar os fatos e as áreas em estudo, estabelecendo-se semelhanças e diferenças existentes entre as partes.
3) Princípio da Causalidade (Alexandre Von Humboldt, 1769 ­ 1859) - estabelecimento das causas e
das consequências de todo fenômeno a ser estudado. É mais usado na Geografia moderna, de análise e
explicativa.
4) Princípio da Conexidade (introduzido por Jean Brunhes, 1869 ­ 1930) - estudo feito pela interrelação com outros fenômenos e pela época em que ocorreram, e não por fatos isolados. Depende da
interdisciplinaridade, que é fundamental para a Geografia atual.
5) Princípio da Atividade (também desenvolvido por Jean Brunhes) - usado para mostrar que os fatos
naturais têm caráter de constantes mudanças. É necessário conhecer o passado para entender o presente,
levando-o à evolução futura.
Veja, por exemplo, como esses princípios são aplicados no estudo de um fato:

Geografia
Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)
ERUPÇÃO VULCÂNICA
· Extensão: ao localizar o vulcão no mapa, verificar o país em que ele se localiza e
os países que podem ser atingidos pela erupção.
· Analogia: comparar a intensidade da erupção com outra que, porventura, possa
estar acontecendo em um local diferente. Com essa comparação, é possível
estabelecer semelhanças e diferenças entre as erupções.
· Causalidade: determinar as causas que deram início à erupção e às suas
consequências.
· Conexidade: relacionar a erupção atual com outra que tenha ocorrido no passado,
em um dado local.
· Atividade: reconhecer o fato como uma atividade natural que gera transformações
na área afetada pela erupção.

1.2 A importância de estudar Geografia

O

nde? Como é este lugar? Por que este lugar é assim? Por que isso acontece aqui e não em outro
lugar? Por que as coisas estão dispostas dessa maneira no espaço geográfico? Qual o significado desse
ordenamento espacial, dessa espacialidade? Quais as consequências desse ordenamento espacial? Por que
e como esse ordenamento se distingue de outros?
O campo de estudo da geografia é o espaço da sociedade humana, em que homens e mulheres vivem
e, ao mesmo tempo, produzem transformações que o (re)constroem permanentemente. Cidades, estados,
países, solos, rios, indústrias, comércio, meios de transportes, populações, todos esses elementos ­ além de
outros ­ constituem o espaço geográfico, ou seja, o meio ou a realidade material em que a humanidade
vive e do qual é parte integrante.
Sendo assim, o estudo de geografia é uma forma de entender o mundo em que vivemos e as relações
que o permeiam permitindo compreender o local em que moramos ­ seja uma cidade pequena, ou média,
ou grande, seja uma área rural ­ o nosso país, bem como os demais países, e as relações homem­meio e as
sociais em diferentes escalas ­ do âmbito local até os âmbitos regional, nacional e global.
Ao entendemos esse espaço produzido pela sociedade humana, essa espacialidade, construída e reconstruída
pelas relações homem­meio e pelas relações sociais, o nosso posicionamento socioespacial torna-se mais
inteligente ­ mais coerente com a realidade ­ abrindo a possibilidade de conhecê-lo melhor, formando cidadãos
conscientes, integrados criticamente à sociedade, participando ativamente de suas transformações.
O espaço geográfico está presente concreta e inquestionavelmente na vida diária de todas as pessoas
no âmbito individual e coletivo. Por isso é merecedor de melhor análise e consciência no contexto da
educação geográfica. Pode ser considerado a base para compreender o cotidiano, o lugar e suas paisagens
e se inserir no mundo uma vez que a cidadania exige essa consciência da espacialidade.
Como todos os sujeitos interagem ativamente no espaço, a partir deste e, sobre este, ensinar e aprender
geografia supõe consciência de que a espacialidade é o âmbito do exercício da vida que se desenvolve em sociedade
e que, por isso, dá ao sujeito uma gama de condicionamentos e possibilidades. Nesse contexto, a geografia é um
instrumento indispensável para empreendermos essa reflexão, que deve ser a base de nossa atuação no mundo.

1.3 O espaço geográfico e as categorias espaciais

Na geografia, muitos conceitos, entendidos como categorias de análise espacial, surgiram em razão
da necessidade de compreender a complexidade do mundo, de sua organização espacial. As principais
categorias espaciais são: espaço geográfico, lugar, paisagem, região, território e territorialidade.

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Geografia

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Da História da Geografia às Categorias Geográficas (ou espaciais)

Trabalhando com imagens
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em Minas Ger
ério de ferro . Acesso em: 28 ago. 2012.
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yscrapercity.co

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