Vestibular UERJ 2016
Comentário Geral

A prova específica de geografia da UERJ 2016 manteve um padrão já estabelecido anteriormente, sem grandes
surpresas, seguindo coerente naquilo que historicamente é cobrado para esse exame.
Para a resolução das questões propostas, era requerido ao candidato habilidades que aliam domínio de conteúdos
como fatores locacionais da indústria, teorias demográficas, conceitos espaciais urbanos, tectonismo, globalização, além da
consciência em assuntos de grande relevância geográfica que repercutem no Brasil e mundo nos últimos tempos, como a
questão hídrica e o exponencial aumento de refugiados apresentado ao longo do ano. A estrutura da prova trabalha mais de
um tema dentro de cada questão, com múltiplos comandos que vão desde o popular e simples "aponte" até os mais elaborados,
que prezam por maior domínio de textos, como o "explique".
Dentre as questões que chamam atenção pelo fato de apresentarem uma abordagem diferenciada, apesar de assuntos
já trabalhados anteriormente, estão as de número 6 e 7. A primeira trabalha um recorte de uma crítica jornalística em seu
enunciado para "instigar" o candidato a relacionar as falácias apontadas pelo texto com seus conhecimentos a respeito da
situação demográfica brasileira e a relação entre desenvolvimento socioeconômico e crescimento vegetativo (relação essa,
presente em estudos ligados a transição e teorias demográficas). A segunda também traz um assunto recorrente para a 2ª fase
da UERJ: geografia física. Apesar do assunto não ser inovador, é interessante observar que o candidato tinha à sua disposição
um esquema de imagens muito rico em detalhes para trabalhar os diversos tipos de movimentação tectônica e suas respectivas
consequências em locais específicos da superfície terrestre.
Já ass questões 2 e 3 se destacaram na prova por apresentarem temas com um caráter mais inédito (embora estejam
relacionadas a geografia do rio de janeiro ­ algo bastante previsível se tratando de um vestibular estadual). Foram as questões
mais difíceis do exame.
A questão 2, ao pedir que o candidato explicasse o elevado número de túneis na cidade do Rio de Janeiro, cobrava do
mesmo um conhecimento acerca do sítio urbano da cidade. Repleta de morros e maciços, os túneis no Rio de Janeiro se fazem
necessários para uma melhor circulação. A questão ainda pedia o apontamento de dois problemas relacionados a construção
e a utilização dessas obras de engenharia. A constatação da existência de extensos túneis, a partir observação de dados
trazidos pela própria questão em uma tabela, poderia ajudar o candidato a mencionar o grave problema da retenção da poluição
atmosférica emitida pelos veículos nos mesmos. Outras possibilidades de resposta ainda caberiam, como: o elevado custo
das obras; a necessidade das mesmas implicarem certas vezes em remoções de populações; e os congestionamentos
frequentes, como resultado da dificuldade dos túneis apresentarem rotas alternativas capazes de escoar o tráfego de veículos
no caso de acidentes de transito.
A questão 3 exigia do candidato um conhecimento básico acerca do sítio das favelas. O aluno deveria ser capaz de
entender as vias estreitas, a existência de becos ou ruas íngremes e sinuosas (típicas das favelas cariocas), como um espaço
propício para o esconderijo e fuga de traficantes de drogas. Assim, as obras de alargamento de ruas planejadas pelo Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC), constituem um empecilho para a territorialidade desses grupos nas favelas. A questão
ainda pede para que o candidato aponte uma outra consequência do alargamento das ruas para a melhoria da qualidade de
vida dos moradores dessas áreas, além da possibilidade de aumento da segurança pública. Com as vias alargadas, poderia
ser mais fácil a ampliação da cobertura do serviço de coleta de lixo para essas áreas, assim como o acesso de veículos de
diferentes portes, facilitando o transporte público, o acesso de atendimento médico através de ambulâncias, entre outros
serviços. Geralmente, as obras de alargamento de vias vêm acompanhadas da chegada de infraestrutura de saneamento
básico, o que poderia ajudar na diminuição de casos de doenças infectocontagiosas.
Em suma, o Exame Discursivo de Geografia do Vestibular Estadual 2016 pode ser considerado uma prova de nível de
dificuldade médio, que exige do candidato boa capacidade interpretativa de textos, mapas, tabelas, além de uma ótima
percepção do espaço geográfico que o cerca.

Professores: Igor Aleixo e Luiz Duarte.