AS NOÇÕES DE TEMPO E ESPAÇO NAS SÉRIES INICIAIS: CONSTRUINDO
IDENTIDADES COM A HISTÓRIA E A GEOGRAFIA
Profª Drª Derocina Alves Campos Sosa
Universidade Federal de Rio Grande (FURG)
[email protected]
Resumo: As noções de tempo e espaço nas séries iniciais: construindo identidades com a
História e a Geografia visa reconhecer alguns aspectos que são trabalhados nas séries
iniciais do Ensino Fundamental no que concerne às noções de tempo e espaço e de como a
criança vai sendo encaminhada nesse processo. A construção do sujeito-cidadão perpassa
essa linha de investigação na medida em que se reconhece como ser histórico, inserido em
um meio geográfico e interagindo com os demais sujeitos sociais. Através das leituras
sobre ensino de História e Geografia desde as séries iniciais, passando pelas análises dos
currículos e a investigação através de pesquisa diretamente com os agentes envolvidos no
processo, procuramos investigar como os conceitos vão sendo trabalhados com as crianças
e como os estudantes do ensino Fundamental reconhecem essas disciplinas em seus
currículos.
Palavras Chave: História, Geografia, Ensino.
Considerações Iniciais
A análise aqui apresentada é fruto de uma série de investigações no campo do ensino
de História e Geografia que parte das leituras específicas sobre o assunto acrescido da
experiência com os Estágios Supervisionados principalmente com os estagiários que
trabalham com a 5ª série ou o 6º ano do Ensino Fundamental e a pesquisa que desenvolvemos
ao longo dos últimos dois anos. Esses

estagiários tem relatado

suas experiências, a

dificuldade que encontram para trabalharem especificamente com o conteúdo de História, isto
porque, os alunos vem da série anterior com noções muito gerais da História e que, devido ao
grande número de conteúdos a serem desenvolvidos e com alguns conceitos ainda
fragmentados, torna o ensino da História cansativo, muitas vezes sem atrativos e bastante
descontextualizado. Sabemos que a História é trabalhada nas séries iniciais junto com a

Geografia, portanto as noções de tempo e espaço devem ser construídas com os alunos de
forma de cheguem às séries seguintes com alguns conceitos bem definidos, o que irá
contribuir sobremaneira para o envolvimento com os temas propostos por essas duas
disciplinas.
Os alunos quando chegam às séries seguintes apresentam dificuldades como já foi
posto, isso nos inquieta enquanto professores e nos faz perceber que os estudos tanto da
História quanto da Geografia não devem começar apenas na metade do ensino fundamental,
ou seja, o envolvimento dos profissionais dessas duas áreas tem que começar antes, dito de
outra forma, é necessário que se estabeleça um diálogo profícuo com os profissionais das
séries iniciais que trabalham com o ensino dos chamados Estudos Sociais ( que compreende a
História e a Geografia) para que então se possam construir as bases de uma aprendizagem que
valorize os conhecimentos colocados por ambas as disciplinas.Assim intentamos sobretudo a
valorização da Educação Básica, estabelecendo contato com a realidade escolar,
diagnosticando as dificuldades encontradas por alunos e professores com a História e
Geografia enquanto ciências e, servindo de mote principal para a preparação de professores
comprometidos em despertar nas crianças, a identidade necessária com esses dois campos do
saber.
A importância do ensino da História e da Geografia nas séries iniciais
As discussões sobre a melhoria na qualidade do ensino é hoje uma necessidade que
envolve a todos nós profissionais da Educação, preocupados com a formação dos futuros
professores que atuarão na Educação Básica e Superior. Mais especificamente sobre a
Educação Básica, muitas perspectivas estão sendo apontadas, não somente pelo poder
público, mas pelo envolvimento dos profissionais que constantemente avaliam currículos que
resultam nas reestruturações dos cursos de Licenciatura. Especificamente na área das Ciências
Humanas, os conteúdos de História e Geografia têm merecido, por parte dos professorespesquisadores, muitos avanços que resultam em publicações que lançam olhares sobre novos
problemas da cotidianidade escolar ou de como o ensino especificamente nas duas disciplinas
em tela tem se modificado. Os professores saem dos cursos de Licenciatura para atuarem nas
Escolas a partir da metade do Ensino Fundamental. Teorias e práticas tentam se acomodar

nesse cenário que é a Escola. A dificuldade maior está em desenvolver na prática as teorias
estudadas nos cursos de Licenciatura, quando os professores se deparam com os alunos que
tiveram noções muito tênues sobre a História e a Geografia ou sobre Tempo e Espaço nas
séries iniciais, os fios condutores que irão levar os alunos, nas etapas seguintes, ao
desvelamento de conceitos e temas dessas duas disciplinas que exigirão um estado de
abstração um pouco maior.
A temática aqui resulta dessas inquietações, ou seja, como são trabalhados os
conceitos mais elementares da História e da Geografia, qual sejam o Tempo e o Espaço, de
que maneira os professores introduzem os alunos nessas temáticas? Como eles, os alunos são
despertados para a compreensão desses conceitos? Essas relações que se estabelecem nas
séries iniciais serão percebidas nas séries seguintes? Que tipo de recursos didáticos os
professores utilizam para despertar nos alunos o gosto e envolvimento com essas disciplinas?
Sabemos que, nas séries iniciais, os profissionais são formados em Pedagogia, tem na
sua formação a Metodologia do Ensino de Estudos Sociais, isso explica em parte as
dificuldades desses profissionais que estudaram sobre o Ensino de Estudos Sociais, de
maneira insuficiente, porque tem que atender também o Ensino de Ciências, Matemática,
Língua Portuguesa e Artes, por exemplo. Ao mesmo tempo percebemos dificuldades no
professor que fica na outra ponta do processo, ou seja, aquele que tem a formação, mas não
dialoga com o professor das séries iniciais e precisa mostrar aos seus alunos a importância de
estudar História e Geografia na mesma proporção da importância de estudar as outras
disciplinas. Dessa forma, percebemos a necessidade de reconhecer os profissionais
envolvidos, o tipo de formação que apresentam, os currículos que desenvolvem nessas séries
os conceitos que são trabalhados e a forma como são trabalhados. Entender como os alunos
das séries seguintes se relacionam com a História e a Geografia e que valores atribuem às
disciplinas nas suas grades curriculares é o ponto central representa um grande desafio para
nós professores dos cursos de Licenciatura.
Hoje muitos estudos focam essas questões sem, no entanto, estabelecer uma relação
direta com os anos iniciais do ensino fundamental. Sobre a História e as suas formas de
ensiná-la, algumas vertentes entendem a História como o estudo da experiência humana no
tempo (Thompson,1981).Essa permite entender que a História estuda a vida de todos os

homens e mulheres, coma preocupação de recuperar o sentido de experiências individuais e
coletivas. Outros autores tem atravessado essa perspectiva no sentido de valorizar toda e
qualquer experiência vivida, ao sabor da Nova História Cultural. Esse pode ser um dos
principais critérios para a seleção dos conteúdos e sua organização em temas a serem
ensinados com o objetivo de contribuir para a formação de consciências individuais e
coletivas em uma perspectiva crítica. De acordo com Freire (1970), na formação da
consciência crítica

é necessário que a injustiça se torne um percebido claro para a

consciência, possibilitando aos sujeitos se inserirem no processo histórico e fazendo com que
eles se inscrevam na busca de sua afirmação. Ademais afirma o autor, a consciência crítica
possibilita a inscrição dos sujeitos na realidade para melhor conhecê-la e transformá-la,
formando-o para enfrentar, ouvir e desvelar o mundo procurando o encontro com o outro,
estabelecendo um diálogo do qual resulta o saber. Assim os homens:
desafiados pela dramaticidade da hora atual, se propõem

a si mesmo com

problema. Descobrem que sabem pouco de si(...) e se fazem problema eles
mesmos. Indagam, respondem e suas respostas os levam a novas perguntas
(Freire in ABUD,2003).

Dessa forma, os estudos Culturais nos apresentam problemas aos quais procuramos
respostas que nos levam a outros problemas que vão repercutindo no ensino e que, por sua vez
resultam na compreensão do ensino escolar como um todo, pois na verdade temos um ensino
integrado nas séries iniciais que, vai se diferenciando nas séries seguintes de forma que essa
compartimentalização enfraquece os élans da interdisciplinaridade que entendemos como
primordial para o ensino.
Sobre o ensino da Geografia, Lana Cavalcanti, apresenta alguns pressupostos: na
relação cognitiva de crianças, jovens e adultos com o mundo, o raciocínio

espacial é

necessário, pois as práticas sociais cotidianas têm uma dimensão espacial, o que confere
importância ao ensino de geografia na escola; os alunos que estudam essa disciplina já
possuem conhecimentos geográficos oriundos de sua relação direta e cotidiana com o espaço
vivido; o desenvolvimento de um raciocínio espacial conceitual pelos alunos depende, embora

não exclusivamente, de uma relação intersubjetiva no contexto escolar e de uma mediação
semiótica.
Essas e outras orientações metodológicas têm sido atribuídas a uma visão sócioconstrutivista do ensino, na qual se considera esse processo como construção de
conhecimentos pelo aluno. A afirmação anterior é uma premissa inicial que tem permitido
formular uma série de desdobramentos para o ensino de Geografia: o aluno é o sujeito ativo
de seu processo de formação e de desenvolvimento intelectual, afetivo e social; o professor
tem o papel de mediador do processo de formação do aluno; a mediação própria do trabalho
do professor é a de favorecer/propiciar a inter-relação (encontro/confronto) entre sujeito
(aluno) e o objeto de seu conhecimento (conteúdo escolar); nessa mediação, o saber do aluno
é uma dimensão importante do seu processo de conhecimento (processo de ensinoaprendizagem).
Cavalcanti ainda esclarece que:
a perspectiva sócio-construtivista (...) concebe o ensino como uma
intervenção intencional nos processos intelectuais, sociais e afetivos do
aluno, buscando sua relação consciente e ativa com os objetos de
conhecimento (...). Esse entendimento implica, resumidamente, afirmar que o
objetivo maior do ensino é a construção do conhecimento pelo aluno, de
modo que todas as ações devem estar voltadas para sua eficácia do ponto de
vista dos resultados no conhecimento e desenvolvimento do aluno. Tais ações
devem pôr o aluno, sujeito do processo, em atividade diante do meio externo,
o qual deve ser 'inserido' no processo como objeto de conhecimento, ou seja,
o aluno deve ter com esse meio, (que são os conteúdos escolares) uma
relação ativa, uma espécie de desafio que o leve a um desejo de conhecê-lo.
(CAVALCANTI, 2005:66)

Os professores, ao ensinarem Geografia, necessitam despertar nos seus alunos a
perspectiva da formação ou construção de um discurso o qual chamamos de Linguagem
Geográfica que deve ser apreendida pelos educandos em uma perspectiva dialógica. A
formação da consciência, das funções psicológicas superiores, ocorre, então, a partir da

atividade do sujeito, com a ajuda de instrumentos socioculturais, que são os conteúdos
externos, da realidade objetiva. Segundo Baquero in Cavalcanti:
"os instrumentos de mediação são uma fonte de desenvolvimento e também
de reorganização do funcionamento psicológico global: o desenvolvimento
(...) quando se refere à constituição dos Processos Psicológicos Superiores,
poderia ser descrito como a apropriação progressiva de novos instrumentos
de mediação ou como o domínio de formas mais avançadas de iguais
instrumentos (...) Esse domínio implica reorganizações psicológicas que
indicariam, precisamente, progressos no desenvolvimento psicológico.
Progressos que (...) não significam a substituição de funções psicológicas por
outras mais avançadas, mas, por uma espécie de integração dialética, as
funções psicológicas mais avançadas reorganizam o funcionamento
psicológico global variando fundamentalmente as inter-relações funcionais
entre os diversos processos psicológicos". (idem)

É, portanto, na produção sociocultural que o indivíduo se apropria de saberes e o
reproduz tornando essa atividade rica em significados. Sujeitos e objetos se completam e o
aprendizado surge a partir das experiências repassadas entre os seres. De acordo com Pino
citado também por Cavalcanti:
"Não é na mera manipulação de objetos que a criança vai descobrir a lógica
dos conjuntos, das seriações e das classificações; mas é na convivência com
os homens que ela descobrirá a razão que os levou a conceber e organizar
dessa maneira as coisas. Evidentemente, nesse processo de apropriação
cultural o papel mediador da linguagem (a fala e outros sistemas semióticos)
é essencial".

O estudo da História e da Geografia deveria ser tratado nas series iniciais de forma
mais integrada que já apontasse para as séries seguintes alguns conceitos, que serão depois
aprofundados nas etapas seguintes, no entanto , a maior dificuldade percebida é a da falta de
integração entre os professores das séries iniciais e os das séries seguintes. Sem um diálogo

adequado, a transição dos educando desses anos iniciais para os seguintes é bastante
problemática.
Algumas reflexões sobre as Séries Iniciais a partir da pesquisa realizada com a
utilização da Metodologia da Problematização
Na análise a seguir mostramos a possibilidade de aplicação da Metodologia da
Problematização para compreendermos o ensino e a pesquisa com História e Geografia nas
séries iniciais do Ensino Fundamental. Desenvolvemos uma pesquisa ao longo dos anos de
2009 e 2010 com os professores do Ensino fundamental e obtivemos algumas respostas à
problemática que propusemos.Á partir das respostas dos professores identificamos as
dificuldades dos educandos em trabalhar História e Geografia, apontadas por eles. Aplicamos
a Metodologia da Problematização que parte da Etapas do Arco para estabelecer etapas que
vão sendo cumpridas ao longo da pesquisa. Essa metodologia parte de se poder identificar um
problema ou um conjunto de problemas através da observação da realidade vivida, da
realidade concreta. Partimos depois para a identificação dos pontos-chave que vão
desembocar na etapa da Teorização quando buscamos complementar as informação com a
pesquisa bibliográfica. Completada a etapa da teorização vamos seguir para a fase seguinte
que é a elaboração das hipóteses de solução que passam a clarificar alguns pontos destacados
nas etapas anteriores. A última etapa do Arco é o da Aplicação à realidade onde segundo
Berbel:
é uma etapa de prática, de ação concreta sobre a mesma realidade de onde foi
extraído o problema(...) da realidade extraiu-se o problema, sobre o problema
foi realizado o estudo, a investigação e toda uma discussão sobre os dados
obtidos e, por fim volta-se para essa mesma realidade com ações que a
possam transformar em algum grau. A finalidade maior é promover, através
do estudo, uma transformação, mesmo que pequena, naquela parcela da
realidade (BERBEL,1999:6).

Obviamente que quando propomos aplicar a Metodologia da Problematização,
entendemos que os agentes do processo, qual sejam, os professores que fazem parte da
aplicação do método na pesquisa são, juntamente com os educandos, os atores principais.

Serão eles que também identificarão os problemas e participarão das etapas das soluções.
Sabemos, no entanto, que não existem soluções definitivas, essas apontam para novos
problemas que resultarão em novas pesquisas e assim sucessivamente dando a exata dimensão
do Arco que parte de um ponto, avança nas pesquisas e volta para a aplicação das respostas
encontradas.
Aplicamos também à pesquisa de desenvolvemos nas séries iniciais, a História Oral
Temática onde elaboramos questões para esses mesmos professores, focando especificamente
algumas em torno das quais se desenvolvem esses conhecimentos. Assim, temas como a
formação dos professores, o grau de comprometimento com o ensino de História e da
Geografia, a construção e a utilização dos conceitos, os conhecimentos já adquiridos pelos
alunos; foram considerados no levantamento e análise dos dados sobre essas séries. Essas
questões, no entanto, tiveram caráter aberto, porque permitiram que outras questões pudessem
surgir ao longo das entrevistas. Sobre a utilização do Método da História Oral, Aspásia
Camargo afirma que:
a história oral é um instrumento pós-moderno para se entender a realidade
contemporânea. Pós-moderno por sua elasticidade, imprevisibilidade e
flexibilidade. Para a autora, a história oral é, ao mesmo tempo, uma fonte e
uma técnica, mas a grande preocupação é convertê-la em metodologia, aqui
entendida como um conjunto de procedimentos articulados entre si, cuja
finalidade é obter resultados confiáveis que nos permitam produzir
conhecimento. (Camargo, 1994).

Os resultados obtidos com a pesquisa foram avaliados qualitativamente, ou seja
objetivamos reconhecer como as identidades Geográficas e Históricas foram se construindo a
partir das séries iniciais e, as entrevistas com os professores esclareceram alguns pontos
importantes ao longo do processo.
A pesquisa qualitativa que propusemos pretendeu fundamentalmente centrar seu
foco de ação em discutir questões em torno das relações que os educandos do Ensino
Fundamental estabelecem com as disciplinas de História e Geografia, onde demonstram
muitas vezes apatia por esses conhecimentos. Dessa forma propomos um conjunto de

problemas que identificamos importantes quando tratamos das Ciências Humanas,
notadamente História e Geografia nas séries iniciais quando essas, são identificadas como
Estudos Sociais. Eles compreendiam os conceitos básicos desses dois campos do saber?
Reconheciam a importância desses conhecimentos na sua cotidianidade?Esses conceitos
foram internalizados o suficiente para que pudessem perceber as múltiplas possibilidades de
interação entre essas disciplinas e às demais no currículo do Ensino Fundamental? Esse
conjunto de questões foi o norte que almejamos responder e certamente sabemos que não
concluímos o processo, pelo contrário, abrimos novas possibilidades investigativas que
necessitam agora, cercar as outras vertentes da pesquisa que são os currículos dos Cursos de
Pedagogia, dos Cursos de Licenciatura em História e Geografia, dos próprios currículos das
séries iniciais. Reconhecer como o conhecimento é internalizado pelos educandos, passa
principalmente pela formação dos professores, isto porque, não podemos ensinar aquilo que
não aprendemos. O maior problema que identificamos é o da fraca vinculação dos educandos
com esses campos do conhecimento e algumas hipóteses já descortinamos de antemão para
responder ou solucionar esse conjunto de problemas.
Percebemos nas intervenções realizadas que a maior dificuldade encontrada pelos
educandos que saem das séries iniciais e adentram nas séries seguintes do Ensino
Fundamental é a falta de vinculação entre elas, o volume excessivo de conteúdos
desenvolvido na 5ª série ou 6° ano do Ensino Fundamental e a introdução de conceitos com
um nível de abstração elevado para a idade dos estudantes. Assim as disciplinas de História e
Geografia ao longo do Ensino Fundamental de forma integrada, possibilitando um
conhecimento mais eficiente e duradouro de ambas.
Outras considerações para continuarmos refletindo
A História e a Geografia no Ensino fundamental são trabalhadas de maneira
desconectada dos anos finais da Educação Básica, isso dificulta a interação necessária nas
séries seguintes. A pesquisa até aqui realizada demonstrou isso.É imperativo que alguns dos
conceitos possam ser trabalhados já na infância, isso já apontava Vigotsky quando chamava a
atenção de que:

o desenvolvimento dos processos que finalmente resultam na formação do
conceito, começa na fase mais precoce da infância, mas, as funções
intelectuais que,numa combinação específica formam a base psicológica no
processo de formação dos conceitos, só amadurecem na puberdade. No
entanto, se o ambiente não fizer novas exigências ao indivíduo e não
estimular seu intelecto, proporcionando uma série de novos objetos, o seu
raciocínio não conseguirá atingir estágios mais elevados ou só os alcançará
com grande atraso (Vigotsky in RIBEIRO, 2007:14).

É preciso, portanto, a formação de profissionais que reconheçam a integração dos
conhecimentos aplicados nas séries iniciais com aqueles das séries finais.
Outra questão que levantamos como hipótese de pesquisa é a condição do professor
em assumir a sua prática de educador mediada sempre pela prática da pesquisa. Ensino e
pesquisa devem obrigatoriamente caminhar juntos desde as séries iniciais, não apenas como
prática dos professores, mas deste estimulando os alunos a construírem juntos, sua formação.
Assim:
Educar pela pesquisa tem como condição essencial primeira que o profissional da
Educação seja pesquisador, ou seja, maneje a pesquisa como princípio científico e
educativo e tenha e a tenha como atitude cotidiana. Não é o caso de fazer dele um
`pesquisador profissional', sobretudo na educação básica, já que não a cultiva em si,
mas como instrumento principal do processo educativo. Não se busca um
`profissional da pesquisa', mas um profissional da Educação pela pesquisa. Decorre,
pois a necessidade de mudar a definição do professor como perito em aula, já que a
aula que apenas ensina a copiar é absolutamente imperícia.(DEMO,2005:2)

A participação dos estudantes nesse processo é fundamental, pois são eles também,
agentes da pesquisa, estabelecemos dessa forma, a condição dos mesmos como partícipes do
processo de construção do conhecimento, instigamos neles a capacidade de questionamento
através do reconhecimento da importância das suas participações na sociedade como
construtores desse mesmo conhecimento.

Outra questão que levantamos para responder em parte os desafios que se
colocaram ao longo da pesquisa e que responde em parte a dificuldade dos estudantes é o da
necessidade dos profissionais professores em desenvolver a Educação Continuada de forma
que os mesmos profissionais que atuam na Educação Básica estejam sempre atualizados com
as informações referentes ao seu campo de trabalho. Isso demonstra maturidade intelectual
suficiente para entender questões relevantes e atuais como: o Ensino de Ciências Humanas e
os desafios propostos pelas

novas tecnologias da informação e da comunicação; a

interdisciplinaridade necessária entre os conteúdos de História e Geografia e desses com os
demais componentes curriculares e, a própria formação dos professores diante da sociedade
hodierna.
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