GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 16, pp.

125 - 141,

2004

GEOGRAFIA, SISTEMAS E ANÁLISE AMBIENTAL: ABORDAGEM
CRÍTICA
Vanda de Claudino Sales*

RESUMO:
A ascensão mundial da problemática ambiental resulta em grande número de pesquisas de cunho
ambiental no âmbito da Geografia. Tal abordagem é considerada como capaz de produzir a sutura
teórica entre sociedade e natureza, colocando-se como Geografia Unitária e concretizando o processo
iniciado pela Geografia Crítica, de eliminação da Geografia Física. A análise ambiental, porém, pautada
em geossistema, naturaliza a sociedade, por nivelar a ação social aos demais elementos do meio.
Por outro lado, ele não considera tempo e evolução na dinâmica processual, natural ou social.
Nestes termos, a consolidação do caráter social da Geografia estaria sendo costurada em função
de uma abordagem acrítica. Tal paradoxo é pautado pela busca de uma identidade para a Geografia,
mas também pela defesa de mercado de trabalho, o que demonstra ausência de percepção dos
limites entre ciência básica e prática profissional na comunidade geográfica.
PALAVRAS-CHAVE:
Geossistemas; análise ambiental; sistemas; Geografia Física; Epistemologia da Geografia
ABSTRACT:
The rising of the world environmental problem results in a large number of environmental researchs
in the ambit of Geography. Such approach has been considered as able to produce a theoretical
suture between the society and nature, placing itself as Unitary Geography and accomplishing the
process begun by the Critical Geography, of elimination of the Physical Geography. But the
environmental analysis based on geosystem, naturalizes the society, by even out the social action
to the others elements of the environment. On the other hand, it does not consider time and
evolution in the processual dynamic, natural or social. In these terms, the consolidation of the
social character of the Geography would be soldered due to an acritical approach. Such paradox is
grounded by the searching for an identity of the Geography, but also by the defense of the job
market, what shows the lack of perception of the thresholds between basic science and professional
practice in the geographical community.
KEY WORDS:
Geosystems; environmental analysis; systems; Physical Geography; Epistemology of Geography

* Professora Doutora do Departamento de Geografia e Mestrado em Geografia da Universidade Federal do Ceará. E-mail: [email protected]

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I - Introdução
De tempos em tempos, a ciência e a
sociedade elegem determinados temas como
objeto preferencial de ação, reflexão e debate.
Transformados em questões dada a freqüência
e a intensidade com que são tratados, esses
assuntos adquirem prestígio, status e apelo
cultural, do que resulta uma prática discursiva
bem definida, forjada no uso de termos
fundamentais que produzem imediata empatia
e identificação universal - Brunet et al. (1992)
usaram a irônica expressão bolsa de termos para
exprimir a riqueza terminológica associada a
cada tempo, a cada lugar e a cada temática. Na
bolsa de termos da Geografia brasileira atual,
um discurso de forte apelo cultural é aquele
associado ao tópico ambiental.
Com efeito, a Geografia brasileira
apresentou nos últimos anos significativo
acúmulo de conhecimento associado à temática
ambiental, aqui compreendida como aquela que
tem por objeto a análise da relação sociedade
x natureza tomada a partir das alterações
impostas ao meio físico - de outra forma posto,
em se tratando da Geografia, que tem nessa
relação a sua mais duradoura identidade, a
terminologia seria redundante. Tal crescimento
é evidenciado pelo expressivo número de
pesquisas e de publicações associadas, bem
como pela crescente atuação técnica de
profissionais geógrafos em atividades públicas
e privadas que visam à elaboração de
diagnósticos, análises e zoneamentos
geoambientais e sócioambientais. Esse
crescimento
consolida
a
abordagem
geossistêmica como referência teóricometodológica fundamental para um grande
número de geógrafos.
Paralelamente, sobretudo no âmbito dos
eventos nacionais de geógrafos e da
Associação dos Geógrafos Brasileiros -AGB, a
perspectiva dialética é a privilegiada. Pautado
no uso de termos como Geografia ambiental,
meio ambiente, análise geoambiental e até
Geografia socioambiental (MENDONÇA, 2002),
o discurso ambiental hoje tem como elemento
de aceitação e identificação cultural na
comunidade geográfica a possibilidade de

SALES, V.C.

superação da dicotomia entre físico e humano
(e.g. MONTEIRO, 1981; SEABRA, 1988) e a
concretização da unicidade da Geografia..
Nestes termos, para além de uma simples
questão da atualidade, a temática ambiental
pareceria estar sendo capaz de fomentar a
sutura da ruptura sociedade/natureza em
termos teóricos. Aqui, tematizamos a questão
a partir da consideração de aspectos
metodológicos associados aos métodos
sistêmico,
geossistêmico,
dialético
e
uniformitarianista em trabalhos realizados sob
o prisma do meio físico, na perspectiva de
analisar as implicações do uso dessas
abordagens no processo de busca de
construção de uma identidade social na
Geografia.
II - A Teoria Geral dos Sistemas, Instrumento
da Geografia Física
II. 1 - Recuperação de conceitos
A aplicação da Teoria dos Sistemas
debutou nos Estados Unidos nas primeiras
décadas do século XX, em consonância com o
avanço da Cibernética. A sua utilização nas
ciências naturais é fruto do trabalho pioneiro
de Bertalanfy (e.g. 1950, 1973), que a aplicou
à Biologia e à Termodinâmica. Várias décadas
foram necessárias para que tais preceitos se
estendessem pelo conjunto das ciências e pela
totalidade das ciências naturais (BOULDING,
1956). Na Geografia Física, a aplicação da visão
sistêmica data dos anos 1950, inicialmente
utilizada em pesquisas de cunho hidrológico e
climatológico. Na Geomorfologia, ela é
introduzida na nos anos 1960 (CHORLEY, 1962).
Os sistemas foram definidos como
conjuntos de elementos que se relacionam
entre si, com certo grau de organização,
procurando atingir um objetivo ou uma finalidade
(BERTALANFY, 1950). Há formulações mais
complexas, porém, como a de Hall e Fagen
(1956), que definem sistema como o conjunto
de elementos e das relações entre eles e seus
atributos, ou a de Thorness e Brunsden (1977),
que o consideraram como conjunto de atributos
e de suas relações no meio físico, organizados

Geografia, Sistemas e Análise ambiental: abordagem crítica, pp. 125 - 141

para executar uma função particular. A
organização do conjunto (CHRISTOFOLETTI,
1979) é decorrente das relações entre os
elementos, e o grau de organização entre eles
confere o estado e a função de um todo. Cada
todo está inserido em um conjunto maior - o
universo -, que, formado por subsistemas,
compreende a soma de todos os fenômenos e
dinamismos em ação (CHRISTOFOLETTI, 1979).
Assim posto, qualquer conjunto de
objetos que tenham propriedades comuns pode
ser considerado sistema. Critérios diversos, no
entanto, foram pautados por diferentes autores
com vistas à individualização dos conjuntos. Na
concepção de Hall e Fagen (1956), por exemplo,
bastaria haver funcionamento e relacionamento
de elementos para que os sistemas pudessem
ser caracterizados; Thorness e Brunsden (1977)
consideraram que, na medida em que o sistema
procura realizar determinada finalidade, a
compreensão de seu funcionamento depende
da identificação dos elementos componentes e
das relações entre componentes e seus
atributos, bem como dos parâmetros de
entradas (os inputs) e saídas (os outputs) da
matéria e da energia que responderiam pelo
funcionamento do todo.
Nesse tocante, considera-se de forma
geral a existência (FORSTER et al., 1957) de três
tipos de sistemas quanto ao grau de relação
com o meio: sistemas isolados, que não realizam
trocas com o ambiente no qual se acham
instalados; sistemas abertos, que trocam matéria
e energia com o meio circundante, sistemas
fechados, que trocam apenas energia. Do ponto
de vista espacial, os sistemas apresentariam
magnitudes variadas, da megaescala à escala
local. De acordo com os aspectos de forma e
estrutura, os sistemas foram classificados (e.g.
CHORLEY E KENNEDY, 1971; CHORLEY E HAGGET,
1977) como morfológicos (baseados em
propriedades físicas tais como geometria,
densidade, comprimento), funcionais (com base
na ação dos processos responsáveis pelas
formas e funcionamento do sistema) e controlado
(definidos pela ação controladora das atividades
humanas sobre os processos).

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II. 2 - O paradoxo do subjetivismo
Uma vez delimitado, o sistema constitui
um conjunto unitário, completo, uma entidade
discreta e isolada em relação aos outros níveis
de sistemas que compõem o universo (CHORLEY
e HAGGET, 1977). O reconhecimento e a
definição de um sistema, nesses termos,
requerem da parte dos pesquisadores
procedimento mental pautado pelo exercício da
abstração (CHRISTOFOLETTI, 1978). O uso da
noção de limiar (e.g. CHORLEY E KENNEDY,
1977), por conduzir à exclusão de relações
consideradas triviais e não essenciais e por
implicar a adoção de critérios de magnitude
espacial hierárquica - sistemas, subsistemas conduz à distinção entre diferentes classes de
sistemas (e.g. CHORLEY E HAGGET, 1978).
O limiar apresenta-se, no entanto,
conceitualmente pouco desenvolvido, pois
dependente ele mesmo do conhecimento e da
definição de outros fatores - relações,
parâmetros, atributos, fluxos, escalas espaciais
e temporais de funcionamento - que pecam por
igual falta de precisão e clareza. Tal contexto é
tanto mais complexo quanto mais especializado
é o pesquisador - que busca sempre abordar o
grupo de elementos diretamente vinculados aos
pontos-chaves de sua investigação, de forma
tal que a paisagem nunca é estudada
integralmente (QUEIROZ NETO, 1973). Os
sistemas podem assim facilmente resultar de
pura construção teórica que, pautada em
concepções subjetivas e idealizadas, nem
sempre correspondem à dinâmica efetiva do
meio analisado.
Essa situação em parte explica alguns
equívocos relatados quanto à aplicação do
método, a exemplo de realização de análise
acerca de sistemas erosivos em áreas que não
eram palco de nenhuma erosão sistemática
(VIERS, 1973). E1a está talvez também no cerne
da persistência de modelos teóricos
desconectados da dinâmica da natureza, sendo
disso o grande exemplo a concepção davisiana,
ultrapassada, do ciclo erosivo - ou concepção
teórica de existência de ciclidade na evolução
do relevo ao longo do tempo geológico,
materializada por meio das fases juventude,

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- GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 16, 2004

maturidade e senilidade -, síntese de sistemas
isolados (CHORLEY, 1962).
A situação foi objeto de algum debate na
Geografia Física brasileira: Penteado (1980),
por exemplo, ressaltou a necessidade, indicada
já por outros pesquisadores (e.g. CAMPBEL,
1958),
de
consideração
de
alguns
procedimentos
funcionais
básicos
(contigüidade, similaridade, objetivo comum)
para a definição dos elementos que compõem
e identificam os sistemas, na perspectiva de
reduzir a subjetividade. A adoção desses
procedimentos, contudo, igualmente genéricos,
nunca foi considerada como imprescindível
(CHRISTOFOLETTI, 1979). Dessa forma a
individualização de sistemas e subsistemas e
de seus elementos e atributos parece ter
permanecido, nos primórdios da aplicação do
uso da teoria dos sistemas na Geografia Física,
o resultado puro e simples (CHRISTOFOLETTI,
1979:33) do uso do bom senso (destaque
nosso).
Assim a pesquisa de cunho sistêmico
conviveu com o sério paradoxo da objetividade
contra a subjetividade: forjada no seio da busca
de uma revitalização científica baseada nos
otimismos oriundos da automação, da evolução
da Cibernética e do uso de técnicas de
quantificação, na prática a análise sistêmica de
teor clássico resultou da percepção
individualizada da dinâmica dos meios.
Associada à permanente falta de intimidade do
conjunto dos geógrafos para com as técnicas
quantitativas - a definição e caracterização dos
componentes dos sistemas implicam o cálculo
de parâmetros estatísticos, probabilísticos,
estocásticos e alométricos, procedimentos que
os geógrafos estão longe de saber manusear
-, a aplicação da teoria geral dos sistemas na
Geografia Física produziu (SMALLEY e VITAFINZI,
1969)
mais
confusão
que
esclarecimentos.
II. 3 - A aparente superação da
subjetividade
Na atualidade, a subjetividade inerente
à definição de sistemas físicos parece estar

SALES, V.C.

sendo relativamente cerceada com o uso e o
desenvolvimento de modelos matemáticos,
realização de experimentos e adoção de
sistemas geográficos de informação, na
perspectiva de definir variáveis cuja
identificação possa ser universal, em qualquer
meio adotado (e.g. COELHO NETO, 1992, 1997;
FERNANDES; 2001; FERNANDES et al., 2002;
GUERRA, 1998, dentre outros). Ao mesmo
tempo, nos departamentos de Geografia e
Geociências de várias universidades brasileiras,
estudantes de graduação e pós-graduação
dedicam-se a complementar a formação básica
definida pelos currículos de Geografia por meio
de disciplinas, optativas ou não, voltadas para
o aprendizado do uso dos parâmetros
matemáticos, estatísticos, químicos e físicos
requeridos para a boa aplicação do método
(MARQUES, 1994).
A produção científica realizada sob essa
perspectiva sistêmica de cunho clássico (em
contraposição à concepção geossistêmica,
ambiental, atualmente em evidência: ver
parágrafos seguintes) é significativa, mas não
pode ser contabilizada na grande cena dos
acontecimentos da Geografia brasileira, que são
os encontros nacionais de geógrafos - ENG. A
aceitação cultural dessa abordagem é restrita
aos eventos temáticos, apoiados ou não pela
AGB (simpósios de Geomorfologia e Geografia
Física, seminários de combate à erosão dos
solos e estabilidade de encostas, dentre
outros).
II. 4 - O tempo que pára: a exclusão da
dimensão temporal
Os sistemas representam um conjunto de
elementos - a idéia de conjunto, como implícito,
traduz a existência de elementos que possuem
propriedades comuns. Em se tratando da
pluralidade dos fenômenos que compõem as
paisagens naturais, essa premissa é
certamente falsa: um dado tipo de cobertura
vegetal não recebe as mesmas influências de
heranças geoestruturais como um perfil de solo
ou uma vertente, nem depende de escala
temporal semelhante para atingir o clímax. A

Geografia, Sistemas e Análise ambiental: abordagem crítica, pp. 125 - 141

Teoria dos Sistemas homogeneíza artificialmente
as diferenças genéticas e evolutivas dos
elementos que compõem os sistemas pelo
desprezo à dimensão temporal. Tal consideração
está na base mesmo da conceituação de
sistemas. É Bertalanfy (1973) a salientar que
"...nos sistemas físicos, os
eventos são, em geral, determinados
apenas por condições momentâneas. O
passado é, por
assim
dizer,
anulado" (1973:195).
Em tal contexto, na análise sistêmica, todo
elemento de cunho evolutivo a médio e longo
prazo é desconsiderado, com evidente prejuízo
para a análise dos processos, formas e evolução
das paisagens.
Schum et Licthy (1973) consideraram os
problemas decorrentes da atemporalidade da
análise sistêmica. Para esses autores, a
distinção entre causas e efeitos na dinâmica de
um sistema dado depende do tempo, bem como
do tamanho da área de pesquisa considerada.
Se áreas extensas são tomadas em um tempo
longo, algumas das variáveis são dependentes
do clima, do substrato rochoso, do relevo inicial
e do próprio tempo envolvido. Essas variáveis
tornam-se porém independentes com a
mudança da escala para um tempo menor e em
pequenas áreas. A paisagem contemporânea é
dessa maneira um estádio dentro de um período
do tempo geológico, e sua dinâmica deve ser
estudada na escala do tempo atual em diversos
espaços
amostrais
reduzidos.
Dessas
considerações resultou a proposta da
possibilidade de adoção de variadas escalas
espaciotemporais na análise sistêmica.
Definidas em termos de grandes e pequenas
áreas e de longos e curtos períodos, elas foram
apresentadas como:
(1) dimensão tempo geológico, tomada a
partir do Pleistoceno para estudos de cunho
geomorfológico, ou com duração variada para
cada tipo de sistema considerado. A dimensão
tempo geológico presta-se ao estudo de
extensas áreas, para o que as grandes variáveis
do sistema, inclusive o próprio tempo, são
consideradas dependentes;

129

(2)
dimensão
tempo
moderno,
intermediária, tomada a partir dos últimos mil
anos e para áreas de porte médio - por exemplo,
bacias fluviais. Nessa dimensão, as variáveis
selecionadas
como
independentes
e
dependentes são diferentes do primeiro caso,
sendo o tempo não relevante e os grandes
elementos naturais, independentes.
(3) dimensão tempo presente, definida como
não superior a um ano, a ser adotada para
pequenas áreas. Nesse caso, o tempo geológico
é irrelevante e os grandes elementos da
paisagem natural independentes, voltando-se
a análise para os processos da atualidade.
Ainda aqui, a proposta não permite a
apreensão das inter-relações estabelecidas ao
longo de toda a extensão do tempo geológico.
Se considerarmos que algumas heranças
morfoestruturais perduram nas paisagens por
até várias centenas de milhões de anos (e.g.
PEULVAST e CLAUDINO SALES, 2002), de forma
a condicionar a evolução ulterior dos demais
elementos que hoje as compõem, fica evidente
o empobrecimento, em termos de conhecimento
e de compreensão, da consideração apenas
momentânea da dinâmica dos meios físicos.
A proposta de adoção de escalas
espaciotemporais tal qual proposto por Schum
et Lithcy (1978) teve ainda assim o mérito de
minimizar alguns dos problemas decorrentes da
identificação das variáveis a serem utilizadas na
definição dos sistemas. Ela chegou a ser
parcialmente retrabalhada por Klink (1981), que
defendeu a idéia, a título de propor uma
metodologia de mapeamento de unidades
geossistêmicas, da necessidade de realização
de estudos de cunho genético e evolutivo dos
componentes do meio, anteriormente à
definição do funcionamento inter-relacional do
geocomplexo. Assim posto, a proposta suprime
as lacunas que, na concepção de Schum e Licthy
(1978), existiam para condicionantes ambientais
de idade anterior ao Pleistoceno.
Em que pese a importância na análise
ambiental do conhecimento do estádio de
evolução das paisagens - ou da memória longa
dos sistemas (CHRISTOFOLETTI, 1978) -, não

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- GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 16, 2004

parecem ser muitos os exemplos na produção
brasileira de pesquisas realizadas com base na
análise sistêmica (e.g. CHRISTOFOLETTI, 1977;
CRUZ, 1985; KLINK; 1981) ou de inspiração
sistêmica (e.g. CLAUDINO SALES, 1993) que
levaram em conta longos intervalos temporais
como preconizado por esses autores.
Ao mesmo tempo em que a dimensão
evolutiva, a longo ou médio prazo, dos
elementos que compõem os sistemas é
desprezada na análise sistêmica tradicional, não
menos complexa é a situação dos cenários
futuros - isto é, da previsão, tão fortemente
solicitada na atualidade. O futuro na análise
sistêmica nada mais representa que uma
sucessão de etapas seqüenciais previsíveis,
definidas a partir de um começo pré-concebido.
A inexistência de conhecimento acerca das
escalas temporais mais apropriadas para a
observação (CHRISTOFOLETTI, 1978) assim
como (FERNANDES et al., 2002) o reduzido
conhecimento acerca de certos parâmetros
físicos envolvidos (por exemplo, formas de
encostas, propriedades de solos), impede ainda
uma maior compreensão dos mecanismos de
ruptura envolvidos e a previsão mais efetiva de
ocorrência de novos fenômenos.
Apesar das limitações, inúmeras
pesquisas associadas ao controle e previsão de
riscos ambientais são realizadas no Brasil (e.g.
COELHO NETO et al., 1990; COELHO NETO,
1992; GUERRA, 1994, 1998; FERNANDES, 2002,
dentre outros). O resultado dessas pesquisas,
em diversos casos, fomenta uma atuação política
crítica dos pesquisadores envolvidos, em defesa
de valores socioambientais.
III - Dos Sistemas à Análise Geoambiental
III. 1 - Os geossistemas
Um tipo particular de sistema físico,
dinâmico e aberto é aquele denominado
geossistema. Sotchava (1977) caracterizou-o
como a expressão dos fenômenos naturais
resultantes da interação, na superfície da Terra,
da litomassa com biomassa, aeromassa e
hidromassa. Para esse autor, as formações
naturais experimentam na atualidade o impacto

SALES, V.C.

de elementos sociais, econômicos e técnicos,
que lhes modificam a dinâmica natural peculíar;
nesse sentido, a concepção geossistêmica
implica conceitualmente a relação sociedade x
natureza.
Em termos espaciais, os geossistemas
foram divididos (SOTCHAVA, 1977) em escala
local ou topológica, escala regional e escala
planetária. Em termos de hierarquia de
funcionamento, as categorias definidas, em
ordem decrescente, foram geossistemas
(correspondendo a paisagens ou ao ambiente
natural), geócoros (classe de geossistemas de
estrutura heterogênea), geômeros (classe de
geossistemas com estrutura homogênea) e
geotopos (geossistemas associados a unidades
morfológicas
ou
setores
fisionômicos
homogêneos).
Bertrand (1968), na sua Geografia Física
Global, conceituou geossistema como um tipo de
sistema aberto, hierarquicamente organizado,
formado pela combinação dinâmica e dialética,
portanto instável, de fatores físicos, biológicos
e antrópicos. O geossistema resulta, segundo o
autor, da combinação dinâmica de um potencial
ecológico (geomorfolologia, clima, hidrologia),
de uma condição de exploração biológica natural
(vegetação, solo, fauna) e de atividades ditas
antrópicas. Partindo dessa abordagem, o autor
propôs a adoção de escalas espaciais diferentes
- em ordem decrescente são elas a zona, o
domínio, a região, o geossistema, o geofácies e o
geotopo, estes dois últimos classificados a partir
de critérios biogeográficos e antrópicos.
A partir dos preceitos teóricos associados
ao conceito de geossistemas e em consonância
com o crescimento mundial da problemática
ambiental, a Geografia penetra a ativa era da
análise ambiental, expressa na realização dos
diagnósticos, zoneamentos e avaliação de
impactos ambientais. De forma secundária, são
tratados os temas de manejo e planejamento
dos usos dos espaços naturais e, em alguns
casos - ainda raros - de recuperação de áreas
degradadas. É esse conjunto de procedimentos
que recebe a rubrica de análise ambiental (e.g.
MENDONÇA, 1993, ROSS, 1990). Motivadora e
utilitária, a perspectiva ambiental possibilitou o

Geografia, Sistemas e Análise ambiental: abordagem crítica, pp. 125 - 141

resgate e o consumo, no âmbito dos grandes
fóruns da Geografia brasileira, de pesquisas e
de pesquisadores que ali não encontravam mais
espaço de expressão (e.g. MONTEIRO, 2002).
Os geossistemas, sob cuja óptica é
realizada a maior parte da pesquisa e atuação
dos geógrafos na área ambiental, não eliminam
a necessidade do estabelecimento de
procedimentos metodológicos necessários à
caracterização das variáveis a serem
consideradas - é preciso saber quais elementos
do relevo, do clima, do solo, da vegetação, são
necessários, e qual a importância que eles
assumem na dinâmica do meio. Parcela
considerável da produção dita geoambiental
não considera, no entanto, nenhum desses
preceitos teóricos e conceituais, parecendo ser
o uso da terminologia relação sociedade x
natureza ou meio ambiente suficiente para eximir
os pesquisadores da necessidade de definições
teórico-metodológicas, próprias da pesquisa
científica.
Embora de forma não generalizada, a
situação caracteriza tanto pesquisas ao nível
de graduação quanto de pós-graduação - a
exceção acha-se relativamente situada nos
trabalhos que ostentam propostas de
zoneamento ambiental, que necessariamente
exige a adoção de escalas espaciais
hierárquicas. Tal tipo de aplicação é hoje
solicitada por organismos públicos que adotaram
(Ministério do Meio Ambiente, Instituto Brasileiro
de Recursos Naturais Renováveis - IBAMA;
Comissão Interministerial para os Recursos do
Mar- CIRM, Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística-IBGE) a metodologia geossistêmica
como elemento de definição de políticas públicas
voltadas para o planejamento e a gestão
territorial (e.g. SOUZA, 1994; MORAES, 1999).
Em tal contexto, com freqüência, o que é
produzido são meros diagnósticos descritivos,
simples arrolamento das características físicas
do meio, tal qual realizado em trabalhos
clássicos de Geografia Física, inclusive de forma
compartimentada - ainda que agregando um
tópico sobre uso e ocupação. Em outros casos,
o produto da análise geossistêmica é o simples
resultado da sistematização de dados oriundos

131

de reconhecimento de campo - que podem ser
feitos, como já o são com freqüência, por toda
sorte de profissionais, especializados ou não na
análise da relação sociedade x natureza. A
produção nos termos expostos parece
comprometer a possibilidade de crescimento da
Geografia como ciência estruturada, pois, afinal,
como lembra Navarra (1973) a propósito do uso
da teoria sistêmica nas ciências físicas,
sistematizar é sempre tarefa prévia ao
conhecimento científico.
III. 2 - Analise geoambiental: Geografia
Unitária - Geografia Crítica?
A Geografia, que ao final da década de
1970 surgiu no Brasil com a denominação de
Geografía Crítica, na esteira de um movimento
renovador cujo grande momento público ocorreu
durante a realização do 3° Encontro Nacional
de Geógrafos (AGB, Fortaleza, 1978), veio
colocar-se como um divisor de águas na Ciência
Geográfica, rompendo com a sua produção
acadêmica tradicional: questionando a
perspectiva geográfica posta exclusivamente
sobre o produto da ação do homem no espaço,
a Geografia Crítica quis saber dos processos
sociais que determinam esse produto, a partir
do que projetou sua visão para a própria
sociedade. Para tanto, introduziu o discurso
marxista na ciência, adotou o método históricodialético como o arsenal teórico- metodológico
privilegiado e elegeu como objeto de estudo um
processo social, a produção do espaço.
Evidentemente
o
rompimento
estabelecido pela Geografia Crítica deu-se com
o que de conservador e arcaico havia na
Geografia, atingindo, portanto, todas as suas
áreas e especializações. Um desdobramento
contundente de tal visão recaiu sobre a eterna
polêmica da dicotomia natureza/sociedade na
ciência, resultando no alijamento dos estudos
de natureza física do âmbito da Geografia Crítica,
sob o argumento da não importância social e
política dessa abordagem. Tal postura adquiriu
contornos bastante concretos na ação dos
geógrafos críticos: freqüentes foram as
argumentações postas, em debates e em

132

- GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 16, 2004

publicações, no sentido de pensar que à
Geografia não competia lidar com areias.
Algumas afirmações foram mais objetivas - tal é
o caso daquelas de Moreira (1980), ao
considerar que
"o geomorfólogo costuma usar o
status de geógrafo, mas que status é esse?
E fica também na ambigüidade, não
construindo uma epistemologia própria"
(1980:17).
Moreira (1980 ) também postulou a noção
de que
"... corre um rio, às margens do qual
há solos férteis. Esses termos são todos
da Geografia Física. Se me permitem a
expressão, Geografia Física faz parte de uma
linguagem que temos que reformular"
(1980:18).
O momento presente seria o da
concretização dessas considerações, pela
superação, por meio da análise geoambiental,
da dualidade entre físico e humano na
Geografia? Por um lado, com pauta na aceitação
cultural da abordagem ambiental tanto na
academia quanto no palco das demandas
sociais, existe um refazer das análises na esfera
dos geógrafos "humanos". Mamigoniani (1996)
declara que
"...está na hora de se perceber,
com humildade, que existem leis naturais
e leis sociais, independentemente da
vontade dos indivíduos" (1996:199).
O autor proclama ainda que
"...a Geografia Física, armada no
paradigma geossistema, continua suas
pesquisas e realiza mais progressos que a
Geografia Humana" (1996:199).
Moraes (1999) agora avalia necessária a
expressão da dinâmica das configurações físiconaturais dos lugares, e Silva (1999) evidencia:
"A Geografia não se apercebeu da
emergência de novos sujeitos sociais, não
perseguiu os desdobramentos dos anos

SALES, V.C.

setenta, não deu conta de acompanhar
a dinâmica social. O ecológico
e
o
ambiental desviam a cena acadêmica
em Geografia" (1999:109).
Por outro lado e ao mesmo tempo, os
termos geógrafo físico, geomorfólogo,
climatólogo, pedólogo, carentes que se
encontram da aceitação cultural que hoje atinge
a dimensão ambiental da Geografia, são banidos
dos grandes espaços da Geografia brasileira da AGB, dos encontros nacionais de geógrafosENG's, das publicações de cunho geográfico
geral. Hoje, são inclusive considerados
ultrapassados por profissionais cuja produção
científica era há pouco tempo referenciada no
espaço da Geografia Física. Dessa forma, por
um viés ou por outro, a Geografia consolida um
certo caráter unitário - doravante aqui
identificado pela denominação de Geografia
Unitária.
Se a Geografia é unitária, porém, quando
baseada em geossistemas, ela também o é
formalmente acrítica, pois os geossistemas,
assim como os sistemas em geral, não
consideram a ação de processos que ocorrem
em escala temporal de médio e longo prazo. Tal
fato implica na apreensão de uma ação social
naturalizada, nivelada aos demais elementos do
meio - meio naturalizado, o geossistema não
comporta o ser social organizado em torno de
sistemas de poder e de interesses econômicos
definidos. Assim, Bertrand (1968) considera a
ação antrópica como um input, semelhante a
qualquer outro de ordem natural que atinge e
modifica temporariamente a dinâmica interna
dos geossistemas, até que estes se adaptem
às novas condições criadas. E Socthava (1977)
afirma que
"...fatores
antropogênicos e
espontâneos, condicionando a estrutura
de um geossistema, podem, em todos os
casos, serem referidos à categoria de
naturais, mesmo quando seguem certos
procedimentos sócio- econômicos"
(1978:7).

Geografia, Sistemas e Análise ambiental: abordagem crítica, pp. 125 - 141

133

Sposito (1999, 2002), tratando de
questões epistemológjcas, considerou a
existência de três abordagens no âmbito da
Geografia e demais ciências humanas: a
abordagem empírico- analítica, positivista, que
considera todos os fenômenos sociais e naturais
como regidos por leis invariáveis, não
comportando noção de historicidade; a
abordagem histórico-critico-dialética, que tem na
ação/transformação categorias fundamentais;
a abordagem fenomenológica-hermêneutica,
que postula a interpretação como fundamento
para a compreensão dos fenômenos. O autor
não considerou nem inseriu o paradigma
geossistêmico em suas reflexões, embora tenha
referenciado os sistemas, porque reconhece
Chorley e Hagget (produtores da escola
sistêmica na Geografia; ver parágrafos
anteriores) como representantes da corrente
positivista na Geografia, inclusive brasileira
(SPOSITO, 1999).

dialética. Nesta, os pesquisadores pretendem
ressaltar as leis da dialética - movimento, motor
de transformação da matéria; contradição
interna, segundo a qual nenhum fenômeno seria
passível (e.g. SPOSITO, 1999, 2002) de uma
única mudança. Na perspectiva de desvendar
os fenômenos da realidade apoiados na
dimensão histórica dos acontecimentos na
esfera ambiental, os pesquisadores assumem
a noção de que a ciência pode fornecer
elementos para a transformação da sociedade.
Na Geografia Brasileira, a valorização do meio
ambiente tomada a partir da abordagem
ambiental dialética teve em Gonçalves (1989)
um precursor. Hoje, amplia-se o numero de
geógrafos que fazem esse percurso, da
Geografia Social à análise ambiental (nas
cidades: e.g. RODRIGUES, 1998; SPOSITO,
2001; SOUZA, 2002; nas áreas litorâneas: e.g.
MORAES, 1999; em perspectiva global: e.g.
WALDMAN, 1992; RIBEIRO, 2001, 2004).

Em se tomando essas considerações
como referenciais, três outros caminhos
analíticos também se impõem: (1) os sistemas
ambientais físicos ou geossistemas acham-se
referenciados na abordagem positivista - mas
não nos referíamos a um espaço geográfico
produto histórico e social para fundamentar as
argumentações da unicidade da Geografia e a
ampla aceitação da análise geoambiental na
fase da Geografia Unitária?; (2) não
reconhecemos o geossistema como uma
abordagem própria da Geografia, ciência
humana - com o que desconhecemos a larga
produção geográfica que vem sendo feita nessa
perspectiva e ainda, de evidência, a essência
da Geografia dita ambiental, que movimenta as
publicações e atividades da Geografia atual; (3)
aceitamos comodamente o paradigma
geossistêmico tal qual posto, e atingimos a fase
de Geografia Unitária, social, por meio da
atemporalidade e acriticidade, formal e informal,
teórica e prática.

Na óptica oposta - partindo dos
elementos do meio físico para a relação
sociedade/natureza, no inicio dos anos 80,
Monteiro (1981) discutiu meio ambiente numa
perspectiva filosófica. Vários anos depois,
Casseti (1991) aborda o ambiente a partir da
compreensão dialética da apropriação do relevo
(ainda que tomando como ponto de partida o
geossistema). Nos marcos da análise acerca
dos climas da cidade de São Paulo, Tarifa e
Azevedo (2001), baseados na concepção
lefebvriana de ritmanálise (LEFEBVRE, 1975)
propõem o ritmo como um caminho possível para
a compreensão da interação dialética dos
fenômenos físicos, biológicos, humanos e sociais
no espaço.

III. 3 - A análise ambiental dialética
Outra forma de tratamento da temática
ambiental é ofertada pelo uso da abordagem

Via de regra, a análise dialética associada
à questão ambiental não permite o
aprofundamento do conhecimento da dinâmica
dos elementos físicos, senão da interferência
deles na qualidade de vida das populações. A
aceitação da necessidade de estudos
geográficos do meio físico já propiciou reflexões
sobre essa limitação: para ultrapassá-la,
Moraes (1999) sugeriu a realização de trabalhos
ao mesmo tempo dialéticos e holísticos. Mas o
holismo - de holos, tudo, freqüentemente

134

- GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 16, 2004

também
referenciado
na
perspectiva
geossistêmica - parece só ser possível de ser
praticado
por
meio
de
trabalhos
interdisciplinares, envolvendo, além de
geógrafos, outros profissionais. Na ausência de
conhecimento científico da dinâmica de todas
as partes envolvidas nas situações analisadas,
o que resulta só poder ser um falso discurso
de holismo ou um holismo falso.
III. 4 - Outra abordagem do meio físico:
o atualismo do Uniformitarianismo
Para além da análise sistêmica,
geossistêmica e dialética, a Geografia Física, e
em particular a Geomorfologia, tem na
geocronologia um importante instrumento de
apoio à análise física do espaço. Baseada na
perspectiva metodológica oriunda do Princípio
do Atualismo - ou o Uniformitarianismo dos
inglêses James Hutton (1740-1797) e Charles
Lyell (1802), que afirmaram um presente, chave
do passado ­ muitos pesquisadores buscam
desvendar e esclarecer os passos da evolução
dos grandes elementos que compõem as
paisagens naturais.
A perspectiva uniformitarianista apóiase na interpretação da dinâmica dos processos
atuais e da consideração de que estes,
submetidos sempre às mesmas leis físicas,
atuaram de forma semelhante, ainda que com
intensidades diferenciadas, ao longo da
história natural da Terra. A apreensão dessa
dinâmica é obtida por clássicas técnicas de
levantamento de campo, análises laboratoriais
e interpretação de cartas, hoje agregando
instrumentos novos oriundos de técnicas da
informatização (construção de modelos
numéricos de terreno) e do sensoriamento
remoto da superfície da Terra (radar, satélite).
Da adoção do princípio do Atualismo,
surgem, numa perspectiva geográfica, espacial,
a recomposição da longa história das paisagens
naturais, a decodificação da monumental
história dos continentes, o desvendamento dos
processos de nascimento e extinção de
oceanos e mares, a identificação da origem e
evolução dos grandes volumes de relevo, a

SALES, V.C.

compreensão da estruturação espacial de
bacias hidrográficas, a reconstituição dos climas
do passado, inclusive daqueles que subsidiaram
o alvorecer da sociedade humana em seus
primeiros e ulteriores passos históricos. Ela
comporta ainda (BLOOM, 1996) as análises
sobre a capacidade das ondas marinhas em
modelarem a costa, a renovação constante do
solo pela intemperização das rochas, o
transporte de sedimentos pela ação do gelo,
as variações eustáticas cenozóicas. A Geografia
Física produzida em tal perspectiva não pode
ser crítica, tampouco social, nem ambiental. O
que dizer de ambiente como relação sociedade
x natureza, ou natureza produto da sociedade
quando se trata de analisar superfícies de
aplainamento, origem de margens continentais,
evolução quatemária das paisagens (e.g.
KOHLER, 1994; MUHUE, 1994; MOURA, 1994;
SAADI, 1993;; JATOBÁ, 2002; CLAUDINO SALES,
2002; CLAUDINO SALES E PEULVAST, 2002,
2004, dentre tantos outros pesquisadores e
temas) ?
Como evidência do tipo causa-efeito, na
fase atual de consolidação da Geografia Unitária
tal abordagem física é desprezada (e.g.
SUETERGARAY e NUNES, 2002). No entanto, esse
produto científico tem sido requisitado por
outras áreas do conhecimento - Arqueologia,
Geologia, História Natural, História, Biologia,
Engenharia, Direito Ambiental. Constantes são
também as demandas sociais associadas ao
planejamento e gestão ambiental. Solicitações
de mesma natureza incluem o turismo ecológico
e cientifico e atividades voltadas para o fomento
da cultura geral das sociedades. Diversos são
ainda os exemplos de aplicação do
conhecimento da dinâmica do meio físico em
longo prazo em embates políticos afeitos à
preservação do ambiente e à qualidade de vida
de populações. Nestes termos, verifica-se que
o que não é importante para a Geografia
Unitária ainda assim o é para a sociedade.
Aqui, outro aspecto da armadilha do
ambiental merece reflexão ­ a Geografia Física,
teórica, pautada no Uniformitarianismo, só pode
ser desenvolvida com base nos mecanismos da
Tectônica de Placas, mas a Tectônica de Placas,

Geografia, Sistemas e Análise ambiental: abordagem crítica, pp. 125 - 141

estrondosa e avassaladora revolução no âmbito
das ciências a partir dos anos 1970 e 1980, é
simplesmente desconhecida dos geógrafos
físicos brasileiros. Esses geógrafos, amparados
pelas facilidades do discurso unitário e pelo
pragmatismo
de
demandas
sociais,
confortavelmente eliminaram de suas agendas
o aprofundamento teórico, sem o qual não
existem meios possíveis para explicar a evolução
das paisagens naturais antes dos homens ­ e
como haverão de efetivamente diagnosticar
impactos com os homens no meio físico se o
meio físico representa um avassalador
desconhecido?
A falta de conhecimento e atualização
acerca dos mecanismos e ecos da Tectônica de
Placas é verificável na maioria esmagadora das
publicações
em
Geografia
Geral
e
Geomorfologia, que são feitas ao longo dos
últimos anos ­ é pois menos por falta de
importância do que por falta de elementos de
produção científica que Geografia Física hoje se
coloca como algo ininteligível aos olhos da
comunidade geográfica.
IV - Geografia Social e Geografia Física: um
impossível Elo (Conclusões)
IV. 1 - A identidade social da Geografia
Brunet et al. (1999), na forma irônica que
encontraram para expressar a Geografia,
afirmaram que o espaço geográfico compreende,
além de quantidade de heranças da sociedade,
também memórias da natureza (1999:6).
Suertagaray e Nunes (2002), tomando como
parâmetro o XII ENG para analisar a natureza
da produção em Geografia Física, concluíram ser
a produção atual majoritariamente ambiental,
portanto nos moldes da qualidade social da
Geografia (os autores não consideraram a
produção em Geografia Física veiculada em
outros tantos fóruns que não a AGB...). Sposito
(1999) considerou ser a Geografia
"uma ciência cujo objeto é a
sociedade e que, portanto, mesmo os
seus aspectos físicos (destaque do autor)
devem ser abordados a partir de sua

135

relação com as diferentes formas da
sociedade se produzir e reproduzir"
(199:348/349).
Enquanto isso, o coro de um sem-número
de geógrafos censura o aprofundamento
epistemológico da Geomorfologia, ou da
Pedologia, denunciador da busca de
fortalecimento de status de ciências autônomas
- mas o que querem os geógrafos da Geografia
Unitária? Estaríamos em meio a uma cruzada
gloriosa que demanda abnegações em prol da
consolidação de uma identidade geográfica que
não abarca a todos? Não sabemos mais o
sentido das idéias, ou não queremos saber? Por
onde haverá passado, ademais, aquela
consideração de que a Geografia poderia
contribuir para superar o autoritarismo, ouvindo
as diferentes vozes, identificando o novo e os
possíveis pactos, e organizando e difundindo
informação (e.g. BECKER, 1999)?
De evidência, trata-se da busca de
construção e de fortalecimento de uma
identidade geográfica, pautada na afirmação de
ser a Geografia uma ciência social: nenhuma outra
afirmação parece ter tido maior ressonância na
comunidade geográfica, nas últimas décadas,
do que essa exaltação do caráter social da
Geografia. Estaríamos vivenciando, após um
longo e tortuoso percurso, a fase terminal de
consolidação de uma identidade geográfica? No
Brasil, em se tomando como critério os eventos
nacionais de geógrafos, essa identidade social
estaria efetivamente consolidada, a despeito da
(ou em razão da?) propalada crise das ciências
sociais. Aliada à fragmentação do mundo
globalizado e à determinação social da
degradação mundial das paisagens e da
qualidade de vida, essa fase histórica, com
efeito, parece ser propícia ao fortalecimento
dessa identidade social da Geografia.
A busca da definição de uma identidade
geográfica parece, porém, estar sendo ditada
antes pela perspectiva de construção de um
projeto de Geografia do que por um projeto de
construção de sociedade: assim é que Santos
(2000), tratando dos processos globaritários,
afirma a certeza de podermos produzir as idéias

136

- GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 16, 2004

que permitirão mudar o mundo. Brunet et al.
(1996), nas Palavras da Geografia, acreditam ser
esse
"...um campo do conhecer e do agir
ainda subestimado nos meios cultivados,
...o que é uma pena para a nossa
cultura comum, e provavelmente para a
ação" (1996:10).
Pontos de vista com teor semelhante,
mais ou menos explícitos, não são raros nos
meios geográficos: o que parece, pois, de fato
guiar a busca e a construção da identidade
social da Geografia, no Brasil e no mundo, é a
disposição que têm os geógrafos de verem a
Geografia alçada ao palco das grandes ciências
da humanidade. Contudo, para tanto, o que
parece mais facilmente próximo para
empréstimo à galeria do conhecimento universal
é a categoria analítica espaço, não disputada
com nenhum outro conhecimento moderno ­ o
ambiente e o meio ambiente, esses já são de
domínio público.
Seja como for, a trilha parece longa e
ambígua, pois o que ora está posto em termos
epistemológicos - aqueles termos que, todos
sabemos, consolidam uma ciência - não parece
suficientemente substanciado para apaziguar e
unificar o que é Geografia: dos volumes
Paradigmas da Geografia da Revista Terra Livre
(AGB, números 16 e 17) à publicações recentes
acerca da ciência geográfica, passando pelos
trabalhos apresentados durante os últimos
encontros nacionais de geógrafos, não
detectamos, se não incorremos em erros,
qualquer avaliação analítico-crítica a respeito,
por exemplo, do paradigma geossistema na sua
posição de importante elo de existência da
Geografia Unitária.
Para negar essa homogeneidade,
algumas rápidas exceções se fazem de toda
forma sentir: nos marcos da Geografia Social,
Moraes (1999) avaliou o geossistema como
impróprio à apreensão das inter-relações
contraditórias dos atributos físicos e relações
sociais na gestão dos espaços costeiros no
Brasil. Nos marcos da Geografia de inspiração
ambiental, Suertegaray e Nunes (2002) e

SALES, V.C.

Mendonça (2002) reconhecem ser esta uma
abordagem problemática, mas enaltecem a
unicidade da Geografia. Geógrafos não
brasileiros têm feito também algumas
considerações - a exemplo de Claval (2002),
que avaliou que o estudo das relações homem/
meio ambiente é atualmente realizada segundo
perspectiva ecológica (2002:21) e não
geográfica.
Para além dessa questão maior, de
construção de uma identidade própria, ou talvez
diretamente associada a ela, parece existir, de
uma forma implícita e relativamente disfarçada,
uma defesa de mercado, interna e externa à
categoria, norteada ainda pela ausência de
clareza, no âmbito da comunidade geográfica,
do que vêm a ser ciência básica e ciência
aplicada.
Do ponto de vista da defesa de mercado
interno, a existência de grande número de
jovens universitários, estudantes dos cursos de
Geografia, que hoje não encontram nenhum
outro espaço público de ação política além dos
anfiteatros da AGB, fazem da perspectiva de
existência de uma Geografia social e unitária
(igualitária?) uma expressão de paradigma. E
assim temos mergulhado no superficialismo e
nas facilidades da venda de discursos,
transformando o que é de natureza
essencialmente aplicada em elementos de
natureza paradigmática. Sobreviverá, uma
ciência, desse tipo de reprodução?
Do ponto de vista do mercado externo à
categoria, o tema é relativamente tabu, mas,
ainda assim, Carlos (com. oral, 2004) avaliou a
análise ambiental como inserida em ruptura
acadêmica ditada pelo mercado. Na permanente
criação de necessidades e de mercados, os
processos globaritários indicados por Santos
(2000) indicarão talvez em breve razões
mercadológicas para o estudo do meio físico de
per se?
Capel também rompeu o tabu durante a
conferência que realizou no encerramento do
XIII Encontro Nacional de Geógrafos (João
Pessoa, julho de 2002): fortalecendo a
perspectiva da identidade social, humana, da

Geografia, Sistemas e Análise ambiental: abordagem crítica, pp. 125 - 141

Geografia, fortalecendo a Geografia Cultural e
abrindo janelas ( Geografia dos Sonhos),
conclamou a aceitação de todos os métodos da
Geografia e postulou a necessidade de
permanência da Geografia Física no âmbito da
ciência, mas em nome do corporativismo ­
contudo, em se considerando os dados de
Suetergaray e Nunes (2002), os geógrafos não
deveriam guardar receios de perdas, pois os
geógrafos físicos, seríamos tão poucos... - e em
nome da necessidade de conhecimentos de
dinâmica natural na formação de alunos no
ensino fundamental.
Nesse tocante, a situação não deixa de
ser curiosa: Claval (2002), analisando a volta
do cultural na Geografia, salienta que a
Geografia vivenciada pelos meninos, mulheres
e idosos difere muito das geografias dos adultos
masculinos. Entre (1) a compreensão da
necessidade de percepção do mundo natural na
infância, justificadora da manutenção da
Geografia Física na Geografia Social de acordo
com Capel (com. oral, 2002), (2) a compreensão
de variadas percepções de Geografia existentes
entre gêneros e faixas etárias, de acordo com
Claval (2002) e (3) as considerações freqüentes
na comunidade geográfica acerca do caráter
ultrapassado das expressões Geografia Física ou
Geomorfologia, talvez cunhássemos na bolsa
geográfica de termos a nomenclatura Geografia
Cultural Física para no exercício terminológico
encontrar a forma heureca de simplesmente
acomodar a permanência da produção de
pesquisas uniformitarianistas acerca dos
aspectos físicos e acerca das memórias naturais
contidas no espaço geográfico social?
As contradições que a Geografia hoje
enfrenta no tocante à relação físico-social e à
busca de consolidação da identidade social da
ciência permitem a consideração de opções,
aparentemente aceitas, não mais elaboradas
do que estas.
IV.2 - A permanência dos estudos de
caráter físico: outras identidades ?
Aglutinadora mas não totalitária, essa é
a condição da identidade social da Geografia:

137

independentemente do que postulam os
geógrafos - título doravante resguardado aos
profissionais que participam do processo de
consolidação da Geografia Social (como afinal
propôs Moreira nos idos dos anos 1980?), os
estudos voltados para a história da natureza e
para a dinâmica do meio físico a médio e em
longo prazo haverão sempre de existir. Dos
geógrafos Estrabão nos idos dos anos 10 d.c.
com sua análise da latência de certas estruturas
vulcânicas (1) (e.g. Fouache, 1996) a Heródoto
dos idos do século IV, com o seu reconhecimento
da condição de dádiva do Nilo ao Egito (e.g.
FOUACHE, 1996), do fluvialismo de Leonardo da
Vinci à deriva dos continentes de Wegener, o
conhecimento sobre a dinâmica física dos meios
sempre interessou a humanidade - não sendo
produzido pelos geógrafos, ele o será por
outros cientistas.
A tarefa de decodificação desse universo
natural vai além, muito além, da descrição da
condição de substrato e de memória do espaço
geográfico, por mais aceitável e legítimo que o
corporativismo geográfico possa ser: as ciências
naturais já inscreveram monumentos
prodigiosos na galeria do conhecimento
universal que a Geografia Social ora margeia, e
isso antes mesmo do surgimento e do domínio
das técnicas e dos métodos, eminentemente
geográficos, de espacialização dos elementos
do meio.
Se a permanência do conhecimento da
dinâmica dos espaços físicos representará
coexistência entre Geografia Física e Geografia
Social, se essa coexistência estará restrita aos
espaços dos Departamentos de Geografia e de
Geociências, se será realizada por intermédio
da consolidação de outras identidades em
ciências paralelas, se ela adquirirá caráter
interdisciplinar em função de migração de
conteúdos para outras áreas do conhecimento,
como ora já se verifica, particularmente no
tocante à assimilação da Geomorfologia pela
Geologia - pois sempre existem rios, às margens
dos quais ainda há solos férteis -, essas são
questões que os geógrafos deveriam começar
a realmente considerar.

138

- GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 16, 2004

SALES, V.C.

Agradecimentos
Agradecemos aos professores Eustógio
Wanderley Correia Dantas (UFC) e José
Borzachiello da Silva (UFC) as críticas,
sugestões e considerações apresentadas ao
texto original

Notas
1 A propósito de vulcões: acha-se em curso no
Departamento de Geografia da UFC pesquisa
intitulada Os vulcões de Fortaleza, envolvendo
alunos do Laboratório de Geomorfologia Ambiental,
Costeira e Continental ­ LAGECO. O objetivo da
pesquisa é identificar a origem e a evolução de
oito necks e/ou cones vulcânicos distribuídos em
terrenos particulares na Região Metropolitana de
Fortaleza, em lugares ainda de acesso difícil e sem
nenhum tipo de uso e ocupação definido. O que se
sabe desses relevos vulcânicos pouco ultrapassa
o nível de informação contida em alguns mapas

geológicos gerais. A considerar a Geografia Unitária,
a pesquisa deveria ser encerrada - dever-se-ia
talvez aguardar a chegada no local de uma
intervenção do tipo antrópica - o turismo? A
extração mineral? Uma apropriação do relevo ?para ser relatado, em perspectiva interativa, a
produção daquele espaço social. Dever-se-ia talvez
deixar a tarefa da elaboração desse conhecimento
prévio para pesquisadores de outras áreas, pois
patrimônio natural, para merecer a leitura espacial
dos geógrafos, ao que parece - ou não conseguimos
entender bem? - apenas se for degradado.

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Trabalho enviado em abril de 2004.
Trabalho aceito em agosto de 2004.