Aula 3
A HISTÓRIA DA GEOGRAFIA
META

Fazer o aluno compreender a história da sua ciência. O aluno compreenderá que a
história da Geografia inicia-se com a história do homem na Terra, e não somente após a
institucionalização da ciência na Europa.

OBJETIVOS

Compreender a evolução histórica da Geografia;
Discorrer sobre conhecimento geográfico e Geografia;
Relatar a história da Geografia, dos primórdios às atuais novas geografias.

Christian Jean-Marie Boudou

Tópicos Especiais em Geografia

INTRODUÇÃO
Atualmente existem diversas maneiras de se relatar a história da Geografia. Alguns estudiosos evocam a pluralidade da nossa ciência, outros
valorizam o estudo de suas escalas e de suas épocas, outros ainda enumeram
as tradicionais "escolas de geografia", como a francesa, a alemã, entre outras.
O estudo da história da Geografia, e não somente do pensamento
geográfico, torna-se indispensável ao geógrafo na medida em que consideramos que não podemos aprender a nossa ciência sem conhecer a sua história.
Somente compreenderemos a Geografia de hoje se a considerarmos como
sendo o resultado de uma evolução histórica.
Para se compreender a Geografia hoje é preciso saber um pouco de sua
história, desde o início da ocupação humana na Terra. É fato que a ciência
geográfica data do final do século XIX, porém antes da institucionalização
da ciência existia (e sempre existiu) o conhecimento geográfico. Foram
justamente esses conhecimentos geográficos acumulados por séculos que
permitiram o surgimento da nossa ciência.
Se admitirmos que a Geografia estuda as diversas relações existentes
entre o homem e a natureza, e que, desde os primórdios os homens sempre se relacionaram com a natureza, somos obrigados a reconhecer que a
Geografia existe desde a Antiguidade.

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A história da Geografia

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UMA HISTÓRIA QUE SEMPRE
ACOMPANHOU A HUMANIDADE
É bem provável que algum dia o homem, desviando o olhar do seu
entorno, dirigiu-se na direção do horizonte e se questionou sobre o que
existia além deste horizonte. Sua indagação deve ter conduzido à outra: onde
estamos? A história da humanidade nos mostra que desde os primórdios o
homem modela o espaço em que vive, ou seja, ele faz Geografia!
É na Antiguidade que nasce a curiosidade geográfica e inicia-se a história
da nossa ciência. Ela é a história da tomada de posse da terra, mais precisamente da superfície terrestre habitável. Ao tomar posse do espaço, o homem
tece com este diversas relações que são indispensáveis à sua sobrevivência.
A relação entre o homem e a natureza, que estuda a Geografia, está presente
desde os primórdios. Podemos afirmar que a história da Geografia começa
ao mesmo tempo da história do homem na Terra.

Fonte: http://panelabrasil.blogspot.com.br/2011/07/bem-comer-historia-da-comida-ecomida.html

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Uma história que é difícil de ser concebida pela humanidade de hoje
neste mundo globalizado e dominado pelas tecnologias. Na realidade nós
tivemos o privilégio de pertencer às primeiras gerações que conseguiram
ver o nosso planeta do espaço.
Antes da difusão das primeiras imagens obtidas pelos primeiros satélites
e pelos cosmonautas, antes do dia 20 de julho de 1969, quando a humanidade pode ver a terra vista da lua, todas as gerações que nos precederam
puderam apenas imaginá-la.
Mesmo antes de ter visto nosso planeta do espaço, o homem sempre
tentou conceber, representar e explicar a terra em que vivia. Há mais de
dois mil anos o homem se questionou sobre a forma da terra, sobre suas
dimensões, sobre sua parte oceânica e continental, sobre sua diversidade
climática e biológica, entre outros questionamentos referentes ao planeta
em que viviam.
Devemos lembrar que, há apenas cinco séculos, o nosso continente
era completamente desconhecido dos europeus.

ALGUMAS HISTÓRIAS DA GEOGRAFIA
Todas as sociedades humanas que viveram no nosso planeta constituíram uma geografia. Cada uma desenvolveu diversas relações com o meio
em que viviam, elaboraram visões e representações do mundo, tomaram
posse de seu espaço. Porém elas não possuíam as mesmas curiosidades,
as mesmas técnicas, os mesmos conhecimentos, as mesmas ambições
políticas e finalidades econômicas. Sempre existiu, felizmente, uma grande
diversidade de culturas.
A história da Geografia nos é relatada sempre numa visão eurocêntrica.
Primeiramente devido ao fato da nossa ciência ter surgido como tal na Europa. Evidentemente que outras civilizações, tais como a chinesa, a árabe a
oceânica, entre outras, também exploraram terras, conquistaram os mares,
desenvolveram o comércio e colonizaram, porém poucos são os documentos existentes que relatam e comprovam esses fatos. Talvez seja por isso
que sempre teremos uma visão eurocêntrica da história da nossa ciência.
Tivemos um forte enriquecimento de dados que permitiram aos poucos
um melhor conhecimento do nosso planeta a partir do momento em que
alguns viajantes conservaram seus relatos de suas explorações. Muitos viajantes eram comerciantes, e suas preocupações não eram as de relatar suas
histórias ou de se tornarem conhecidos. O objetivo era sobretudo esconder
seus itinerários, suas escalas, retardar ao máximo o momento em que, uma
vez conhecidas suas descobertas, eles não mais teriam o monopólio de
exploração das riquezas existentes nesses lugares.

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A história da Geografia

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Fonte: http://www.eb23-cmdt-conceicao-silva.rcts.pt/sev/hgp/4.1.htm

FONTES E DOCUMENTOS
A história da Geografia nos é contada através dos documentos que
pudemos ter conhecimento, tais como os relatos de viagens, observações
científicas, mapas, gravuras e desenhos, entre tantos outros documentos
que relatam a aventura do homem na conquista de territórios.
Certas sociedades nos deixaram mais documentos que outras. A
sociedade romana antiga é considerada pelos historiadores da Geografia
como sendo um verdadeiro período de trevas, pois os documentos com
informações geográficas são raros. Já a sociedade grega antiga deixou-nos
uma vasta documentação.
Na verdade, a história da Geografia na Idade Antiga foi escrita a
partir de textos, fragmentos de textos e transcrições de diversos séculos.
A cartografia deste período tornou-se conhecida mais pela literatura que
por documentos existentes. Desta maneira, as viagens e os périplos foram
reconstituídos a partir de frases, e dão margem a múltiplas interpretações...
Devemos sempre lembrar que a história da Geografia na Antiguidade
deve ser relativizada devido às diversas fontes de informações geográficas
terem sido geradas indiretamente.

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Fonte: http://geografiabrasil.meshfriends.com/menu/page:3460

AS CURIOSIDADES GEOGRÁFICAS
A Geografia foi constantemente chamada a responder as diversas curiosidades e intensões dos homens. Curiosidade científica, certamente, mas
também a vontade de conquistar novas terras, de criar colônias, vontade
de dispor de um inventário, de representações de suas terras, vontade de
evangelização, preparação de ataques militares que necessitam de conhecimentos sobre o terreno...
A esperança de encontrar ouro, especiarias, escravos está na origem
de diversas explorações.
Para responder a estas diversas curiosidades, era preciso mais do que
iniciativa e recursos próprios. O conhecimento da terra exigiu, e ainda
exige, muita verba, seja para financiar uma expedição, seja para publicar
seus resultados através de mapas ou atlas diversos. Por trás dos grandes
navios que exploravam o mundo, haviam as grandes potências da época,
os burgueses comerciantes, entre outros.
É por este motivo que a história da Geografia está sempre ligada à
história política, à sucessão cronológica das grandes potências que investiram nessas aventuras de conquista de terras.

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A HISTÓRIA DE UM SABER
A história da Geografia é a história de um saber e das representações
deste saber. Esta história se desenvolve desde um longo período de aquisição de saberes a respeito da esfericidade da terra, das medidas e dimensões
desta, dos novos continentes descobertos.
O conhecimento da terra passou igualmente pelo reconhecimento
dos lugares, pelas suas definições por coordenadas. A grande conquista
das medidas da latitude e da longitude só terminou na segunda metade do
século XVIII.
Seja nos continentes, seja nos oceanos, os homens não cessaram de encontrar fenômenos, de observar os fatos, de assistir a manifestações diversas
da natureza: hidrológicas, climáticas, sísmicas, regulares ou não, familiares
ou completamente desconhecidas. Eles foram praticamente obrigados a
identificar, denominar e explicar esses acontecimentos que os cercavam.
A lista de fatos geográficos que atraíram a atenção dos homens variou
de uma época para outra e se enriqueceu com o passar do tempo. As áreas
de estudo da Geografia se ampliaram, aumentaram-se as possibilidades de
coleta e tratamento de dados, ao mesmo tempo em que se ampliavam as
interrogações humanas.

AS LINGUAGENS DA GEOGRAFIA
Uma parte interessante da constituição do saber geográfico é a história
da formação do seu próprio vocabulário, da invenção dos termos, da linguagem da Geografia. Hoje nos parece banal o vocabulário da Geografia, mas
como esses termos surgiram? Como as formas do relevo foram percebidas,
interpretadas, conceitualizadas e definidas?
No passado, a nossa ciência tinha uma linguagem conceitual relativamente pobre. Porém, a ausência de uma rica linguagem nunca impediu o
homem de ampliar suas curiosidades acerca do espaço em que viviam e de
como eles poderiam nele se relacionar.
Talvez tenha sido a dificuldade de descrever com palavras a superfície da terra que explica o surgimento e desenvolvimento das imagens e
ilustrações desta.

A CARTOGRAFIA
Objetivando representar a terra, o homem desenvolveu uma linguagem
apropriada e bastante eficaz: os mapas! Foi com o desenvolvimento da
cartografia que o homem pode dispor de representações da superfície da
terra em diversas escalas e em diversas projeções.

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Os mapas, os croquis, as plantas, não cessaram de acompanhar a aventura humana sobre a terra. A utilização da cartografia foi utilizada nas conquistas de novas terras, assim como auxiliadoras dos grandes exploradores.
Foi graças às representações cartográficas que os homens puderam
elaborar uma imagem do mundo e, ao mesmo tempo, possibilitou a ação
humana sobre este, agindo, transformando-o e tomando posse.
Conforme vimos, a história da Geografia é inseparável da história da
cartografia. Desde os primórdios o homem se relacionou com o espaço
em que vive e este sempre foi representado.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cartografia

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA GEOGRAFIA
Foi no século XIX que a Geografia vai enfim se institucionalizar como
ciência. É neste período que vão surgir as primeiras sociedades de Geografia (Paris 1821, Berlim 1828, Londres 1830), e as primeiras cátedras de
Geografia nas Universidades. Alguns historiadores da nossa ciência tomam
como data importante o ano de 1871, quando foi organizado o primeiro
Congresso Internacional de Geografia, em Anvers (Belgica).

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Fonte: http://www.socgeo.org/15.htm

Esta geografia institucionalizada está fortemente ligada às necessidades
do século XIX. Os fatos históricos deste período como a Revolução industrial, a colonização e a urbanização foram abordados em nossa ciência.
As geografias desenvolvidas neste período serão principalmente a
colonial, a econômica, a militar e a política.
A primeira metade do século XIX pode ser caracterizada como o
período de surgimento da chamada Geografia universitária e escolar, ou
seja, uma Geografia acadêmica. Esta Geografia surge sob forte influência
das ciências naturais.
Visava-se nesta época formar professores do ensino primário e
secundário para que estes pudessem, associado aos estudos de história,
formar cidadãos patriotas e conhecedores de seus países.

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A SUCESSÃO DAS GEOGRAFIAS
GEOGRAFIA CLÁSSICA"
O que denominamos de "Geografia clássica universitária" foi aquela
concebida no início como sendo a ciência que estudava as relações entre o
mundo da natureza e aquele das sociedades humanas, no contexto darwinista
e da cartografia temática dos dados naturais e humanos. Esta geografia
também é chamada de "Geografia tradicional" por alguns historiadores
da nossa ciência.
Considera-se que esta Geografia clássica tenha surgido na Alemanha,
com os ensinamentos de Kant, Ritter, Ratzel e Humboldt. Na França,
esta geografia foi fundada por Paul Vidal de la Blache (1845-1918). Este
geógrafo, historiador de formação, afirmava no prefácio do Atlas Geral da
França de 1895 que o mapa político de um país deveria ser acompanhado
de um físico. Só poderíamos fazer uma leitura geográfica de um espaço se
sobrepormos mapas físicos com os temáticos da Geografia humana.

Fonte: http://blog-librairie-du-littoral.over-blog.com/article-atlas-general-vidallablache-1897-62208745.html

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Surgiram neste contexto as duas primeiras escolas da Geografia: a
determinista e a possibilista.
Estas geografias, a alemã e a francesa, deram sustentação a uma geografia produzida em nível mundial com traços comuns. Esta produção da
Geografia clássica, fruto das escolas citadas anteriormente, foi bastante
concentrada entre as primeiras décadas do século XX até a década de 1960.
Foi neste período de grande desenvolvimento da Geografia acadêmica que
foi criada a União Geográfica Internacional (UGI, em 1922).
Na cartografia desde período, os grandes avanços foram a publicação
dos grandes Atlas nacionais (França, Alemanha e Reino Unido) e de mapas
de utilização dos solos na escola Anglo-saxã. Também neste período foi
publicado mais uma Nova Geografia Universal na França.

AS NOVAS GEOGRAFIAS
A partir da década de 1960, a Geografia vai sofrer evoluções paradigmáticas e vai mudar a sua produção científica. Em um período de cerca
de quinze anos ela sofreu transformações chegando em tempos diferentes
segundos as escolas e países. A expressão "nova Geografia" foi designada
por esta ter feito fortes críticas a "Geografia tradicional".
Esta Geografia se caracteriza pela busca de explicações, de regularidades, de teorias e de leis. Sua produção baseou-se na utilização de diversos
métodos baseados na medida, na quantificação, na sistemática, na modelização, entre outros.
Graças a essas evoluções, esta nova geografia se dizia mais apta para responder
as necessidades de planejamento urbano e regional. Ela deve muito estas mudanças
ao grande desenvolvimento da informática e da cartografia.
Os conceitos da geografia clássica, região, meio e paisagem não resistiram às mudanças de perspectivas e métodos e eles foram gradativamente
sendo substituídos por um único conceito: o espaço.
A nova geografia teorético-quantitativa se desenvolveu principalmente
na Suécia, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.
Devemos ter em mente que esta nova Geografia se desenvolveu num
contexto histórico, político e ideológico bastante diferente do da Geografia clássica. Este período foi palco da Guerra Fria e dos conflitos dos dois
blocos comunista soviético e o capitalista americano, assim como do surgimento do subdesenvolvimento e do terceiro-mundismo, e do crescimento
urbano e demográfico sem precedentes na história.
O final da década de 1960 foi também marcado pelos problemas raciais, de pobreza urbana, de segregação... que culminaram dando origens
a grandes movimentos estudantis na França. Esses problemas atingiram
fortemente a nova Geografia.

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Esta nova Geografia encontrava-se com seu olhar distante desta realidade com fortes problemas sociais. Ela parecia estar distante dos problemas do mundo. Suas abordagens teóricas e normativas por diversas vezes
estavam em estreita colaboração com os detentores do poder, político e
econômico.
Alguns geógrafos começaram a duvidar que esta nova Geografia
pudesse fornecer auxílio aos problemas sociais. Era preciso uma nova
abordagem capaz de dar conta das novas relações que o homem tecia com
o espaço em que vivia. Desta maneira, esta primeira "nova Geografia" viu
se desenvolver em sua volta uma crítica e oposição a ela. Não somente
oposição, surgiram complementos às suas abordagens. Surgiram então
outras novas Geografias!
A chamada "Geografia Radical", também conhecida no Brasil por
"Geografia Crítica", surge caracterizada por fazer contestações aos poderes
estabelecidos. Foi uma verdadeira crítica ao Positivismo, onde se pregava
acabar com a neutralidade científica e fazer sim uma crítica assumida ao
sistema capitalista, causador da maioria dos problemas socioeconômicos.
Era preciso um engajamento político assumido por parte dos geógrafos.
Esta Geografia Radical vai nascer na França e logo se expande para
os Estados Unidos e Grã-Bretanha. Com forte sucesso nesses países, ela é
bem aceita posteriormente nos países do chamado terceiro-mundo, como
o Brasil. Esta nova visão difundida afirmava que a ciência deveria servir
para transformar o mundo, no sentido de procurar mais justiça, servindo
aos pobres e às minorias.
A "Geografia Fenomenológica" de conteúdos diversos buscou focar
sua atenção sobre o comportamento e atitude dos grupos humanos face ao
espaço em que viviam. Iniciaram os estudos sobre a percepção do espaço,
sobre a representação mental que o homem faz do meio em que vive. Esta
Geografia ficou conhecida como a Geografia do Espaço Vivido, que teve
como um de seus maiores representantes o geógrafo francês Armand Frémont, que publicou um livro intitulado Região: espaço vivido, que versa sobre
esta nova abordagem da geografia.
Por último surgiu a Geografia Humanista, considerada a mais recente
das chamadas novas geografias, mesmo levando-se em consideração que
suas abordagens são mais antigas. Esta Geografia se desenvolve na década
de 1970 em reação à Geografia Marxista que privilegiava o homo economicus
determinado pelas relações de classe, e à geografia teorética, que valorizava
o homo rationalis. Esta Geografia focou seus estudos nos valores humanos e
em suas crenças, que determinam as ações e os comportamentos humanos.

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CONCLUSÃO
Conforme pudemos verificar, a Geografia tem sua história que data
desde o surgimento do homem na face da Terra, e não apenas quando ela
surge enquanto ciência no século XIX, na Europa. Toda sociedade humana,
desde a mais antiga, sempre se relacionou com o meio em que vive. Para
necessidades vitais, tais como abrigar e alimentar-se, o homem precisa se
relacionar com o meio e viver dessas relações por ele criada. Como a nossa
ciência se propõe estudar essas relações, temos que considerar que a história
da Geografia coincide com a história da aventura humana na Terra.
Esperamos que você consiga assimilar o essencial da história da nossa
ciência, levando em consideração que ela mudou bastante. Continuamos
com o mesmo objetivo (estudar as relações entre a sociedade com o meio
em que vive), porém os paradigmas mudaram. Acreditamos que a Geografia ainda sofrerá algumas mudanças de paradigma, pois ela precisa evoluir,
porém, você só compreenderá o paradigma vigente se entender com a
ciência evoluiu, ou seja, a história da Geografia.

RESUMO
Como podemos verificar nesta aula, a história da Geografia não se
inicia na instituição desta como ciência. A história da Geografia começa
quando as primeiras sociedades surgem no planeta e nele tecem relações
que permitem a sua sobrevivência. Pudemos entender que a nossa ciência,
mesmo mantendo o mesmo objeto de estudo, pode evoluir e mudar de
paradigmas ao longo de sua história. Ficou claro que para se compreender
os atuais paradigmas da Geografia é preciso ter um bom conhecimento da
história da nossa ciência.

ATIVIDADES
Faça um breve resumo da história da Geografia, destacando suas principais mudanças de paradigmas.

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AUTOAVALIAÇÃO
Procure verificar se você é capaz de explicar como a Geografia evoluiu
ao longo do tempo. Veja se você consegue explicar o porquê consideramos
que a história da geografia inicia-se anteriormente da sua institucionalização
nas universidades.

PRÓXIMA AULA
Estudaremos na nossa próxima aula o tema da fome na Geografia.

REFERÊNCIAS
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introdução à análise do pensamento geográfico. São Paulo, Ed. Atlas, 1987.
CAPEL, Horacio. Filosofia e ciência na geografia contemporânea: uma
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2010.
CLAVAL, Paul. História da geografia. Lisboa (Portugal), Ed. Edições
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GOMES, Paulo César da Costa. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro,
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LENCIONI, Sandra. Geografia e Região. São Paulo: EDUSP, 2003.
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SANTOS, Milton. Por uma geografia nova. São Paulo, EDUSP, 6ª edição,
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