T 01 - A REGIONALIDADE NO CAMPO DA HISTÓRIA DAS MENTALIDADES E
HISTÓRIA CULTURAL
Coordenadores:
Rafael S. R. Cerqueira (UniAGES) /

RESUMO: O referido simpósio temático - fruto de debates ocorridos no Centro
Universitário AGES no curso de Licenciatura em História, como também dentro do
Núcleo de Pesquisas em História (NEPH) - propõe um espaço que possa agregar debates e
produções acerca da História das Mentalidades e História Cultural numa abordagem
regional. Cada vez mais, a produção historiográfica no âmbito da História Cultural tem
crescido, consideravelmente, em diferentes perspectivas, sejam elas através de artigos,
monografias, dissertações, teses ou livros. Todavia, há de se levar em conta que a
História Cultural surgiu dentro dos Annales, em sua terceira geração, a História das
Mentalidades que objetivava estudar as formas de pensar e agir de determinada sociedade.
Entretanto, partindo dessa premissa, entende-se que a História das Mentalidades e a História
Cultural são fundamentais para uma nova abordagem histórica diante de temas já
pesquisados ou que emergem no cenário acadêmico. Dessa forma, a produção regional,
fundamentada em uma dessas correntes têm ganhado cada vez mais adeptos no que tange
a análise das "formas de pensar", nas "representações culturais" e na maneira como a
sociedade de se comporta perante temas antes vistos como tabu para produção
historiográfica, como morte, amor, sexo, gênero, entre outros. Enfim, tal simpósio pretende
ajudar e fortalecer os trabalhos acadêmicos fundamentados na História das Mentalidades e
Cultural que tenham como objetos de estudo a regionalidade, enriquecendo, assim, a
produção fora dos grandes centros urbanos.

IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE HISTÓRIA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO
FUNDAMENTAL I: Metodologia e prática pedagógica

CALILE PEREIRA DOS SANTOS1

INTRODUÇÃO

O presente trabalho, ainda em andamento, busca trazer a importância da educação nas
séries iniciais para a formação do cidadão. Durante a vida escolar, as atividades e disciplinas
do ensino fundamental I, se tornam uma das primeiras fases desse processo, que auxiliam no
desenvolvimento físico e psicológico do aluno assim: essa etapa é importante no processo de
formação docente. Trata-se de pensar na teoria relacionada com a prática pedagógica, que são
ações articuladas e só fazem sentido quando pensamos no contexto de unidade conjunta.
Segundo Fazenda2, a elaboração do projeto é uma tarefa conjunta entre o professor com aluno
ocorrendo também uma troca de saberes e experiências que faz do projeto algo comum e
experimentado por ambos no processo de ensino/aprendizagem.
O ensino de história nas séries iniciais tem passado por uma grande transformação;
isso aconteceu a partir do momento em que ela foi desvinculada da Geografia, tornando-se
uma disciplina especifica com características próprias. Assim, os conhecimentos transcendem
o campo da teoria estudada em sala de aula, pois a realidade da escola e da sala de aula é
muito complexa e demanda um acompanhamento mais específico: só a teoria não resolve o
problema da ausência do ensino de História Regional/Local, se faz necessária a elaboração de
1

Acadêmica do 8° período do curso de Licenciatura em História do Centro Universitário UniAGES, ParipirangaBA. E-mail: [email protected]
2

FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. A prática de ensino e o estágio supervisionado. Campinas: Papirus,
1991. (Coleção magistério: Formação e trabalho pedagógico).

projetos que vise inserir a história da cidade nas aulas, fazendo com os discentes relacionem e
resignifiquem os seus conhecimentos e levando em conta que deve haver uma formação
continuada para o docente.
Para explanação desse tema, buscamos apoio teórico nos estudos realizados por Rafael
Ruiz3, que traz uma abordagem sobre "novas formas de abordar o ensino de história", Marcos
Lobato Martins4 o qual traz uma contribuição acerca do ensino de História Regional, o PCNs
de História e Geografia5, elucidando questões de como trabalhar o ensino de História e
Geografia em sala de aula e a trajetória do ensino das disciplinas no Brasil, essas são algumas
das abordagens que o leitor poderá encontrar no decorrer do projeto.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Na realização deste estudo, mostra-se que a escolha e utilização do livro didático é
uma questão bastante complexa, uma vez que é exigida a definição de criticas que
instrumentalizam o processo de escolha e fomentem a discussão sobre o processo de ensino
pedagógico. Onde a aprendizagem vem sempre no ponto que se permeia na escolha além de
diversos critérios. Essa escolha constitui uma responsabilidade de natureza social e política e
que muitas vezes traz dificuldades e incertezas aos professores, porque, através das
manifestações expressas nos depoimentos de professores, percebe-se um movimento em torno
da escolha dos livros didáticos que cada vez mais têm apresentado uma melhoria significativa
na sua estruturação, qualidade de material, concepções veiculadas, linguagem, ilustração
consistente e atividades.
O ensino de História no Brasil vem avançando e tem gerado diversos debates acerca
do que se deve ensinar em sala de aula. No Império os métodos utilizados versavam
pela 'memorização e na repetição oral dos textos escritos', ou seja, o programa de
ensino de História reduzia-se a repetição do saber recebido e que era uma relação
onde somente o professor falava o que estava nos livros didáticos sem analisá-los ou
interpretá-los: o ensino religioso e de grandes homens6.

Nessa perspectiva de ensino, é possível fazer um levantamento de relatos e
depoimentos de pessoas da escola, de familiares e de outras pessoas da localidade, análise de
3

RUIZ, Rafael. Novas formas de abordar o ensino de história. In: KARNAL, Leandro. História na sala de
aula: conceitos, práticas e propostas. 6ª ed. São Paulo: Contexto, 2010.
4
MARTINS, Marcos Lobato. História Regional. In: PINSKY, Carla Bassanezi. Novos temas nas aulas de
história. 2ª ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2013.
5
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Parâmetros Curriculares e Nacionais: história e geografia. 2ª ed. Rio de
Janeiro: DP&A, 2000.
6
Idem.

fotografias, jornais, gravuras que auxiliam na compreensão dos comportamentos sociais e
também dos feitos humanos ao longo de sua trajetória, como casas, edificações, utensílios
domésticos, brincadeiras diversas, como era a produção alimentícia entre outros fatores
observáveis na pesquisa histórica para compreender o presente e diante de tais informações
buscarem uma análise do passado do lugar.
CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

Diante da realização da pesquisa e das abordagens aqui elencadas, traz-se uma nova
perspectiva onde tem como base a metodologia analítica, visto que foi realizada uma analise
elaborada diante dos PCNs, LDB, os livros didáticos do fundamental I na cidade de Ribeira
do Pombal- BA. As coletas de imagens fotográficas, a oralidade e o embasamento teórico dos
autores, completam os métodos utilizados para a construção do projeto que tem como
principal objeto analisar as principais contribuições do ensino de história nas séries iniciais,
para construção do currículo baseado nos parâmetros curriculares nacionais para o ensino
fundamental I.
Durante todo o processo de construção da presente pesquisa foi-se necessário entender
que a perspectiva presente no livro didático é muito diferente da realidade exposta pelos
alunos do ensino fundamental I. Dessa forma, toda estrutura de analise levou em conta
abordagem de cada da metodologia de ensino e a maneira como cada aluno desenvolveu seus
métodos de aprendizagem fazendo com que o livro trabalhado dentro da sala de aula pudesse
diagnosticar um verdadeiro desenvolvimento no ensino aprendizagem. Portanto, é necessário
que os livros didáticos que estão sendo trabalhado no ensino fundamental I estejam sempre
perpassados por uma analise criteriosa. Tendo em vista que é necessário haver um ensino
voltado para a história local priorizando assim uma abordagem necessária de ensino.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei número 9394, 20 de
dezembro de 1996.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais:
história e geografia. Brasília: MEC/SEF, 1997.
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. A prática de ensino e o estágio supervisionado.
Campinas: Papirus, 1991. (Coleção magistério: Formação e trabalho pedagógico).

MARTINS, Marcos Lobato. História Regional. In: PINSKY, Carla Bassanezi. Novos temas
nas aulas de história. 2ª ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2013.
RUIZ, Rafael. Novas formas de abordar o ensino de história. In: KARNAL, Leandro.

ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS NA VILA PATROCÍNIO DO COITÉ
CARLOS ALEXANDRE GONÇALVES NASCIMENTO7
LUCAS CARVALHO BATISTA8
INTRODUÇÃO
A presente comunicação traz à baila a discussão sobre as propagandas na vila
Patrocínio de Coité oriundas semanários do Jornal "O Paladino" nos anos de 1919 até 1929,
período este que o mesmo circulou pela freguesia. É importante indagar como as propagandas
veiculadas aos periódicos detêm a persuasão em uma sociedade. Sendo assim, é notória a
forma como estas influenciam no cotidiano e estar presente no dia a dia, trazendo à baila o
aspecto desses anúncios em uma perspectiva de análise na sociedade de Patrocínio do Coité.
A partir disso, o estudo sobre elas nos semanários do Jornal permite frisar quanto as
propagações publicitárias podem provocar mudanças no âmbito social, cultural e econômico
da localidade paripiranguense.
Tendo em vista disso, é relevante refletir sobre o que permeia uma propaganda sendo
que remete ao sentido divulgação de algo ou alguma coisa. Em suma, segundo Marília Graf
(2003), as propagandas têm a ver com a comercialização de bens e apropriação desses bens
pelos indivíduos, dando-lhe significância, um papel social, implicando nas relações entre
pessoas e objetos com relação no aspecto cultural, em uma ótica simbólica e poder. A autora
nos corrobora, afirmando que é impossível negar a função ideológica dela para com o
consumo, até por estar inserida no sistema capitalista, todavia não deve se isolar por esse viés.
Assim, é plausível ressaltar o quanto esta influencia nos nossos comportamentos sociais.

DISCUSSÃO E RESULTADOS
7
8

Graduando de Licenciatura em História pelo Centro Universitário AGES.
Graduando de Licenciatura em História pelo Centro Universitário AGES.

A nossa fonte remete-se no uso dos semanários do Jornal "O Paladino" na qual circula
pela Vila nos anos de 1919-29 e a sua gama de anúncios existente nelas. Dentre as que nos
chamou atenção destacamos.
Os anúncios locais em Patrocínio do Coité divulgam na sua maioria produtos como
remédios, comércios e serviços. Tornar os anúncios compreensíveis a todos e por meio de
uma linguagem adequada faz parte do processo persuasivo das mesmas no âmbito social e
cultural, político e econômico. Como afirma Martins (2013), o texto publicitário serve
exatamente no propósito de surpreender, influenciando o leitor do anúncio a um mundo
agradabilíssimo de fantasia e satisfação. Arte de alienar o homem na propagação de ideias,
não somente no campo econômico, mas religioso, político, cultural; é ideológico com objetivo
evidente, premeditado. Esta pode se tomar como fonte histórica a partir do interesse do
pesquisador em compreender uma sociedade, seus anseios e necessidades.
Os meios de comunicação agem de forma integrada na comunicação social e o
anúncio publicitário detém de teor persuasivo nessa relação simbólica e ideológica não só no
aspecto econômico, atingindo também o âmbito da indústria cultural. "Desse modo, a função
econômica da publicidade e da propaganda é o convencimento e a persuasão do consumidor
para integrá-lo mais efetivamente ao processo econômico." SANTOS; CARNIELLO (2015,
p. 6). O diálogo entre história e propaganda possibilita um novo molde metodológico de se
estudar sobre uma temática pouco abordada no campo da Ciência História.

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

Através da discussão sobescrita, percebemos a relevância de se trabalhar com o objeto
de estudo no que tange as propagandas em um viés economicista, cultural e social e o seu teor
de influenciar o panorama local das pessoas haja vista que a mesma está rotineiramente nos
proporcionando novos moldes costumeiros, novos padrões de consumo, novas perspectivas de
ter uma qualidade de vida e partindo desse pressuposto, esta permeia na divulgação de algo
material ou imaterial no intuito final de conseguir o maior número de adeptos e visando a
mais valia.
Desta forma, as fontes analisadas nos fazem refletir um pouco mais sobre a gama de
anúncios encontrados nos jornais e a importância que a propaganda desempenha não somente
no aspecto econômico, mas no social e cultural de um povo. Contudo, no campo da História,

existe esta lacuna historiográfica sobre a temática. Portanto, a referida comunicação
pretendeu-se mostrar a abordagem dos anúncios publicitários ampliando o campo de atuação
do historiador referente a novos objetos de estudo.

REFERÊNCIAS

GRAF, Marília G. Propaganda de lá para cá. São Paulo: Ibrasa, 2003.
MARTINS, Zeca. A redação publicitária. 3-ed. - Rio de Janeiro: ELSEVIER, 2013.
SANTOS, Moacir José dos; CARNIELLO, Monica Franchi. História da Publicidade e da
Propaganda: Campo da Historiografia da Comunicação e da História do Brasil. UFRGS,
Porto Alegre, 2015. ISSN 2175-6945.

ESTUDO SOBRE A TRADIÇÃO E MEMÓRIA DAS FARINHADAS EM
HELIÓPOLIS ­ BA (1980 ­ 2005)

CLEITON LUAN SANTOS NASCIMENTO9
MARIANA EMANUELLE BARRETO DE GOIS10

INTRODUÇÃO

A construção de uma pesquisa sobre as farinhadas na municipalidade em questão é
importante para a preservação dos fatores da cultura material e/ou imaterial, sendo que a
cultura na transição do século XX para o XXI nesta localidade era estritamente voltada para a
sobrevivência de seus habitantes, isso por se tratar de um município interiorano, a exemplo
das farinhadas. Um ponto a ser abordado nesse trabalho é a questão da memória e sua
preservação, porquanto o presente é um estudo constituído de uma historiografia memorialista
e etnográfica.
De certo, são muitos os fatores constituintes da cultura regional e/ou local, podendo
ser tais elementos materiais ou imateriais, os mesmos são de incomensurável relevância e
valor na história de cada municipalidade, conquanto, há um fortíssimo impecilho quanto à
preservação dos mesmos enquanto fatores da mnemônica, sendo ele a questão da
obsolescência cultural, isto é, quando tais fatores não mais atendem as necessidades e
principalmente, os desejos dos cidadãos que compõem uma localidade; e esta obsolescência
programada acaba que por levar diversos objetos ao oblívio social, ou seja, ao esquecimento
proposital.

DISCUSSÃO E RESULTADOS
9

Graduando em Licenciatura em História do Centro Universitário AGES ­ [email protected]
Doutoranda em História ­ UFRRJ ­ [email protected]

10

Partindo dessa premissa, as páginas que se seguem neste trabalho, abordarão a questão
da memória social, fazendo jus aos fatores referentes à importância sociocultural
antropológica que o fator abstrato da memória tem para toda e qualquer sociedade e também
não só como fator abstrato como também na materialização do mesmo, e como afirma Le
Goff: "[...] a memória, como propriedade de conservar certas informações, remete-nos em
primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às quais o homem pode atualizar
impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas." (LE GOFF,
1990, p. 423).
A memória é de fato um dos mais belos objetos a ser estudado, porquanto a mesma
pode apresentar lapsos e interpretações que revelam muito sobre a mentalidade individual,
assim como também sobre a memória coletiva, a subjetividade é um elemento extremamente
notável que circunda tal meta-fator social, pois a referida é um dos pilares que tornam
possível o conhecimento da função do homem quanto individuo sociabilis por natureza, a
mesma é moldada por diferentes influxos, sejam eles frutos do meio externo da coletividade,
ou do meio interno.
Além da memória, outro fator crucial para o entendimento das mentalidades do
supracitado local é a questão da cultura, para tal, Patricio Arias, em sua obra A cultura:
estratégias conceituais para entender a identidade, a diversidade, a alteridade e a diferença,
afirma que a cultura pode ser entendida como um estilo diferenciado que permite a um grupo
desenvolver características peculiares assegurando a sua sobrevivência (ARIAS, 2002), neste
contexto, "a cultura faz referência a totalidade das práticas, a toda produção simbólica
material e imaterial, resultante da praxes que o ser humano realiza em sociedade, dentro de
um processo histórico concreto." (ARIAS, 2002, p. 35 ­ tradução pessoal).
As fontes utilizadas em tal trabalho foram de tipologia oral e análise das ruínas ­ não
somente físicas ­ que sobraram de tais elementos, deste modo cruzando a memória de
algumas pessoas que tiveram suas vidas influenciadas e alteradas, em partes durante o auge da
importância dos elementos aqui apresentados. É importante ressaltar que os objetivos desse
trabalho são, em plano geral, preservar os fatores culturais da dita cidade Heliópolis-BA; e em
planos mais aprofundados e especificados, analisar a influência da tradição da farinhada na
vida dos munícipes.
Diante dos expostos até o presente momento, faz-se necessário que haja a
compreensão sobre o que de fato é a farinhada, e para isso, pode-se analisar o forte influxo

que a mesma exercia na vida de uma munícipe desta referida terra, na qual a mesma fala sobre
a importância desta tradição e afirma que a farinhada era:
"[...]

muito importante, que nosso terreno era um terreno fraco que não dava boa

produção de milhos e feijão, nós mais plantava era mandioca, [...] pra os nosso alimento, ali a
gente criava porcos, galinha, até o gado, gado, ovelha, cabra, tudo come a mandioca. [...]"
(Trecho de entrevista com Dona Maria de Souza, vulgo Dona Liinha, 74 anos, concedida à
Cleiton Luan Santos Nascimento em 30 de abril de 2017)
No trecho disponibilizado acima nota-se na fala de uma senhora que viveu a tradição
de fazer farinha, cuja mesma fala da importância da mandioca para a sobrevivência tanto das
pessoas como dos animais da localidade em questão, ao relatar sobre a importância da
farinhada ela fala sobre as peculiaridades da mandioca, inclusive a questão adaptativa a
"terrenos fracos" para produção de outros tipos de colheitas, por exemplo, o milho e o feijão.
Ao analisar o trecho da entrevista disponibilizado anteriormente, pode-se destacar um
dos principais métodos para a preservação da memória, a história oral, pois a mesma é uma
alternativa para a ausência de fontes documentadas, contribuindo assim para uma questão de
obter história de pessoas que vivenciaram algo, neste trabalho, o método de história oral que
foi seguido, foi o apresentado por José Carlos Meihy e Fabíola Holanda na obra História oral:
como fazer, como pensar, pois os mesmos afirmam que "Valendo-se de diálogos gravados, as
percepções da vida social são registradas de maneira a se constituir em fontes ou documentos
que, contudo, devem ser considerados desde sua origem." (2015, p. 13).
A oralidade serve para recolher testemunhos de vivências passadas para promover
análises de processos sociais do presente, e facilitar o conhecimento do meio imediato,
experiência historiográfica muito mais ampla do que a finalidade estereotipada de preencher
lacunas documentais, e também é preciso atentar-se à representatividade do discurso em
questão, o alcance histórico e a subjetividade do testemunho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A farinhada traz em si uma carga cultural fortemente responsável pela manutenção do
etos social, visto que há em si uma bifurcação de existência concomitante, sendo elas: a
primeira a farinhada enquanto fator de aproximação das pessoas criando uma relação mútua
de "dependência e necessidade" de um para com os outros, e a segunda sendo a farinhada

enquanto fator de subsistência de grande parte da exo-população (população na zona rural ­
povoados) munícipe em questão.

REFERÊNCIAS

ARIAS, Patricio Guerrero. La cultura: estrategias conceptuales para entender la identidad, la
diversidad, la alteridad y la diferencia. Quito: Abya-Yala, 2002.
BURKE, Peter. O que é História cultural. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
COUTINHO, Andrea Lima Duarte. Farinhada e identidade sertaneja: estudo de caso da
produção de farinha de mandioca na comunidade de Lagoa do Saco ­ Monte Santo ­ BA.
Dissertação
de
Mestrado.
Salvador:
UFBA,
2013.
Disponível
em:
https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/15652/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Andrea%
20PDF.pdf
LEGOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão. Campinas, SP:
Editora da UNICAMP, 1990.
MEIHY, José Carlos Sebe Bom; HOLANDA, Fabíola. História oral: como fazer, como
pensar. 2 ed. São Paulo: Contexto, 2015.

"MUITAS CABEÇAS E POUCO JUÍZO":
a demolição da Igreja Matriz de Araci (1950-1963)

EDSON FRANCISCO DOS SANTOS11

INTRODUÇÃO

A presente pesquisa tem como objetivo analisar os efeitos políticos e sociais causados
pela demolição da igreja matriz por meio da trajetória do padre Demócrito, personagem
envolvido no cerne das questões que problematizam os desdobramentos da demolição. O
recorte temporal foi entre os anos de 1950 a 1963, período em que o padre esteve atuando na
paróquia de Araci. Portanto, o período permitirá discutir as ações do pároco frente os
impactos causados na sociedade araciense. Atrelado a isso está, à desvalorização do
patrimônio material; uma vez que, quando a Igreja é demolida estava prestes a comemorar seu
centenário.
Esta pesquisa tem como área do conhecimento histórico a História social, uma vez que
oferece diversas categorias de analises que possibilitarão a promoção de diferentes visões
sobre um mesmo objeto. Já que a demolição da matriz marca intimamente os munícipes que
presenciaram o evento e ao promover levantamento de informações, esta pesquisa busca
promover um registro de memórias que remetem ao contexto sociopolítico e cultural que
envolveu destruição de um dos patrimônios religiosos mais significativos do município.
Destarte, os relatos orais e escritos apontam para um novo momento político e social no
município após a derrubada do prédio. Dessa forma, podemos compreender como a
demolição da Matriz marcou profundamente a memória local, porque provoca rupturas na

11

Acadêmico do 8° período do curso de História.

relação entre a prefeitura e a Igreja católica que marcou o período. Os registros
administrativos da cidade evidenciam os conflitos entre os fiéis e poder público.
Deste modo, esta pesquisa tem inicio com a leitura das obras memorialísticas
encontradas no centro cultural da cidade e da necessidade de apresentar para a comunidade
local uma contribuição sobre o contexto. Nesse sentido, dentre as principais fontes que serão
utilizadas para a construção desse argumento estão as fontes documentais (Jornais, cartas,
documentos oficiais, Sermões, entrevistas, etc.) e fontes iconográficas (fotografias, vídeos).
E dentre esses emaranhado de fontes foi possível encontrar uma entrevista de 1999, do
senhor José Lima de Carvalho, que foi um dos líderes do movimento contra a demolição da
igreja e importante político do município, no qual a ser questionado sobre a demolição ele
exclama a frase que leva o título desse trabalho, "Muitas Cabeças e pouco juízo". Logo, esta
pesquisa apresenta uma relevância social, pois servirá de ponto de partida para pesquisas
futuras.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

O contexto apresentado evidenciou a necessidade de uma pesquisa aprofundada,
pautada nos métodos destacados pela historiografia da Escola dos Annales; pois os vestígios
com os quais se tem contato provocaram questionamentos diversos a cerca do objeto
estudado, e os principais giraram em torno dos reais motivos que levaram demolição da
igreja? E porque a influência política foi a principal força a favor da demolição? Desse modo
as problemáticas desta pesquisa estão relacionadas a estes e outros questionamentos que
surgem diante o historiador.
Neste contexto, a temática escolhida nos direciona para uma abordagem sobre a
concepção de memória no campo historiográfico, uma vez que no delinear da pesquisa foi
necessário discutir com base nas informações levantadas, as lembranças que surgem do objeto
analisado. Maurice Halbawachs, na obra "A memória coletiva", defende a ideia de que existe
diversas maneiras de se constituir uma memória coletiva, pois existem diferentes percepções
de um mesmo evento histórico, além disso, ele nesta obra ainda discorre que a memória
coletiva é uma construção da relação entre o coletivo e o individual. Pois, como ele mesmo
discute: "Nossas lembranças permanecem coletivas e nos são lembradas por outros, ainda que

se trate de eventos que somente nós estivemos envolvidos e objetos que somente nós vimos.
Isto acontece porque jamais estamos sós".12
Sendo assim, ao promover essa problematização de memórias coletivas e individuais
surgiram histórias e personagens que foram importantes para essa empreitada. Dentre as
muitas se destaca a passagem de Pe. Demócrito pelo município que de forma direta foi
importante durante os anos que antecederam a demolição. Esse tipo de abordagem nos remete
ao debate defendido dos Annales que foi a promoção de uma nova história, baseada em novas
perspectivas.

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

Portanto, através dessa ligação de memórias e o entrelaçamento das fontes procurou-se
por meio dessa discussão historiográfica responder aos questionamentos deixados pela
demolição da antiga matriz da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Raso bem como, os
impasses que cercaram a construção da nova igreja. Logo, até o momento, as fontes no
direcionam para a conclusão de que a derrubada da igreja foi ocasionada por uma reforma mal
sucedida do prédio, com o objetivo de comemorar seu centenário. Entretanto, esta justificativa
ainda não explica a sua mudança de local e qual o envolvimento do poder público. Assim,
esta pesquisa foi pensada para alcançar não só os interessados pela história da cidade, mas
também para os munícipes e fieis da "imaculada conceição".

REFERÊNCIAS
HALBAWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2003.
LIMA, Maura Motta Carvalho. História de Araci (Período de 1812 a 1956). Salvador:
Gráfica da Bahia;1985.
SILVA, Ana Nery Carvalho. Memórias de Araci. 1. ed. Salvador: Edições do autor, 2015.

12

HALBAWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2003, p. 30.

BAHYA DE TODOS OS SANTOS E SERIGYPE DEL REY:
Estudos de léxico e apropriação jurídica

MAURÍCIO DOS SANTOS HONORATO13

INTRODUÇÃO

Esta comunicação dá notícias acerca de dois planos de trabalho, vinculados ao projeto
de pesquisa submetido à Diretoria de Pesquisa e Extensão do UniAGES (Paripiranga),
intitulado Bahya de Todos os Santos e Serigype Del Rey: estudos de documentação notarial
no Brasil Colônia, coordenado pela Profa Dra Jaqueline Carvalho Martins de Oliveira. O
projeto será executado inicialmente em um semestre e o objetivo geral é trazer mais peças ao
quebra-cabeça da história (ou, melhor dizendo, das histórias) do Brasil Colônia do primeiro
século, época carente de estudos quanto à cultura escrita, visando vislumbrar duas temáticas
caras à área: o cotidiano e a implicação do gênero nos testemunhos. Consequentemente,
intenta-se expandir os horizontes do processo de escrita para além do suporte aparente,
observando discursos, práticas e representações, reconstruindo a história linguística do Brasil,
com fontes sobre/da Bahia colônia, locus centrífugo da língua escrita dos primeiros séculos da
chamada América portuguesa.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

13

Acadêmico do 4º período do Direito UniAGES.

Este projeto está vinculado ao NEPH-UniAGES, coordenado pela Profa Mariana
Barreto, através da linha de fontes documentais e debruça-se, mormente, sobre a linguística
histórica e história da cultura escrita. É a História da Cultura Escrita, doravante HCE, que
trará uma acepção social da escritura, entendida como tudo o que se pode ser lido
(CASTILLO GÓMEZ, 2003, p. 94). Inserida, portanto, em especialidade maior, a HCE se
ocupa da escritura empreendendo múltiplas possibilidades de análise, uma vez que a cultura
não se restringe a aspectos formais e aparentes (como consta no bojo das disciplinas eruditas,
como a Paleografia): faz-se necessário tratá-la em seu aspecto fenomenológico, vislumbrando
a escrita em sua história interna e de seu uso, considerando as características formais e dos
usos sociais dos testemunhos escritos de uma sociedade.

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

Entre os objetivos específicos do projeto está o levantamento dos instrumentos
jurídicos em que as mulheres figuram como representadas por licenciados e/ou notários e a
produção de dois índices (um cronológico e um onomástico), relacionando os discursos, as
práticas e as representações às personae. Neste sentido, os planos de trabalho, que se
executarão em breve, a saber, Contribuições à história do Direito no Brasil: a Bahia Colonial
no Fundo Documental dos D'ávila, a ser realizado por Maurício Honorato (acadêmico de
Direito, no 4o período) e Contribuições à onomástica da Bahia Colonial: toponímia e
antroponímia no Fundo Documental dos D'ávila, a ser cumprido por Filipe Santos (egresso
de Letras do UniAGES, pesquisador da História da Cultura Escrita). O olhar diferenciado de
acadêmicos de dois cursos distintos trará análises distintas ao mesmo fenômeno: a prática de
escrita na Bahia (e Sergipe) à época colonial.

REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, Jaqueline Carvalho Martins de. Por uma trajetória dos D'ávila através do
Livro Velho, I e II do Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia. Salvador, 2011. 302 p.
[dissertação de mestrado em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia].
OLIVEIRA, Jaqueline Carvalho Martins de. De re diplomatica: o fazer notarial da Bahia
Colônia através do Livro II do Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia. Salvador, 2014.
375 p. [tese de doutorado em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia].

OLIVEIRA, Jaqueline Carvalho Martins de. De re diplomatica: o fazer notarial da Bahia
Colônia através de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Salvador, 2017. 412 p. [livro
resultante de plano de trabalho em residência de pesquisana Fundação Biblioteca Nacional.
No prelo].
SARAIVA, Anísio Miguel de Sousa. Tabeliães e notários de Lamego na primeira metade do
séc. XIV. Hvmanitas, v. 50, Coimbra, 1998.

O AMOR É UMA DOENÇA:
A romantização do suicídio no periódico "O Paladino" (1920-1926)

IGOR SANTANA SANTOS14

INTRODUÇÃO

O estudo da morte tem sido aos poucos cada vez mais abordado pela Historiografia,
ainda que tenha sido mais abordado no que se remete aos campos da História das
Mentalidades ou da História Cultural. Ainda assim, os estudos têm dado abrangência ao
estudo da morte natural e os ritos funerais, dando pouca importância ao suicídio, sendo que
este além de um tipo de morte é um problema social que se mantém presente na sociedade
atual.
O presente artigo aborda as concepções suicidógenas em Patrocínio do Coité
(Paripiranga/BA) em meados da década de 20, a partir do periódico "O Paladino",
demonstrando assim uma série de publicações de casos de suicídio neste periódico, mas que
não se referem exclusivamente a localidade em si.
Entende-se que compreender o suicídio de uma perspectiva regional e histórica
fornece a sociedade um melhor entendimento desse ato que ainda se mantém presente na
atualidade, sendo não apenas um tipo específico de morte como também um problema social
mediante o valor que a vida detém.

DISCUSSÃO E RESULTADOS
14

Graduando do 6º período de Licenciatura em História pelo UniAGES.

A partir da corrente historiográfica das mentalidades busca-se analisar o impacto das
abordagens suicidas pela visão médica e de como afetavam a população paripiranguense em
seus respectivos tempos a partir das abordagens de periódicos das maiores capitais brasileiras.
Analisando o processo histórico e a representação do mesmo, consegue-se assim compreender
melhor as concepções relacionadas à higiene mental, o amor como doença e o ato suicida
como uma patologia a ser combatida e é a partir dessas análises que se consegue compreender
os aspectos de poder da medicina em relação ao meio social.
O suicídio ou autodestruição é uma das formas mais antigas e criticadas acerca da
morte do indivíduo, cultuada por alguns grupos como uma forma de salvação ou negada por
outros sendo vista como um pecado. É um ato intrigante e cheio de dúvidas que sempre
permearam e ainda permeiam a mente das pessoas. O que leva uma pessoa a tirar a própria
vida? Qual o valor da vida? Qual o valor da morte? Morrer é a solução final para os
problemas da vida?
São visíveis as diferentes concepções que surgiram e ainda surgem sobre o ato, visto
que as mesmas em seus respectivos tempos buscavam legitimar os ideais presentes em seu
meio e assim exercer o poder através de um controle ideológico baseado na punição do corpo
ou da alma. Segundo Kalina & Kovadlof (1983). Assim como nas sociedades rotuladas como
"bárbaras" pelos gregos, como na hindu e egípcia, a indução aberta ao ato suicida por parte da
comunidade tinha em si, um cunho cultural benfeito e legítimo, pois preservava em si a
identidade do grupo.
A partir da metade do século XIX com o predomínio da ciência como detentora do
saber social, há uma mudança na mentalidade no que se refere a interpretação e ações
relacionadas ao suicídio, tendo agora em vez da Igreja e sua ação punitiva espiritual, a figura
da ciência representada pelo médico, que a partir da cientificidade aborda um conhecimento
aceito pela sociedade no que se refere a diferentes saberes da época, como também ao
suicídio.
A medicina, então, passava a ter uma visão mais social, não considerando a doença
como algo isolado, mas sim buscando controlá-la e impedir o seu surgimento. Essa ficou
conhecida como Medicina Social, cuja influência vinha ocorrendo desde o século XIX e que
consistia na intervenção médica no corpo social.
É perceptível a preocupação que a ABHM tinha em relação ao ato suicida, já que era
notável o aumento de casos nas grandes capitais como Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São

Paulo e Porto Alegre, nesses pressupostos a ABHM buscou desenvolver uma profilaxia do
suicídio, ou seja, traçar métodos preventivos, como medidas higiênicas para evitar que o ato
suicida não se propagasse, chegando até a relatar que as notícias em jornais deveriam ser
censuradas de modo que não influenciasse novos casos.
Uma das preocupações mais presentes eram os suicídios passionais de jovens que em
meio a desilusões amorosas poderiam cometer tal ato, a tentativa de enfatizar a diminuição de
notícias de suicidas nos jornais tinha a finalidade de inibir o suicídio por imitação, ou seja,
quanto menos conhecimento os jovens tivessem sobre suicídio, menos casos ocorreriam.
Entretanto, é perceptível que mesmo com essas medidas preventivas afirmadas pela ABHM,
os casos mais notórios em jornais e revistas acerca de pessoas que cometiam o ato suicida
eram passionais.
Ainda assim, a preocupação acerca do ato suicida em Paripiranga era presente, mesmo
que não tivessem uma grande presença no seu meio social, pois a partir de pesquisas no
Fórum da Comarca de Paripiranga, que detém de fontes obituárias, não foram encontradas
outros casos de suicídio além do senhor Paulino José Sant'Ana.

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

A construção histórica suicidógena busca alertar a sociedade atual das medidas
construídas acerca da prevenção do suicídio; muito já se foi feito acerca dos alertas e
campanhas. Ainda assim, deve-se buscar ao máximo conscientizar todo panorama social
acerca desse ato: o pensamento histórico serve como base para entendermos que, assim como
as minorias abordadas sofreram represálias, atualmente não é diferente. Desse modo, o
historiador deve buscar em sua função construir um conhecimento significativo acerca do
passado de modo que o mesmo seja útil para o presente é a partir desse pressuposto que o
presente trabalho busca, a partir de mortes no passado, ressaltar a importância das vidas no
presente.

REFERÊNCIAS
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Tradução de Roberto Machad. Rio de Janeiro:
Edições Graal, 1979.
KALINA, Eduardo; KOVADLOFF, Santiago. As cerimônias da destruição. Tradução de
Sônia Alberti. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983.

LOPES, Fábio Henrique. A experiência do suicídio: discursos médicos no Brasil. 18301900. Tese (Doutorado). São Paulo/Campinas: Universidade Estadual de Campinas/Instituto
de Filosofia e Ciências Humanas, 2003.
LEPH - UniAges. Abraçados na mesma corda ­ O Paladino ­ Patrocínio do Coité, 20 de
setembro de 1925 ­ Estado da Bahia ­ Anno VI ­ N.44.
LEPH - UniAges. Contra o suicidio ­ O Paladino ­ Patrocínio do Coité, 16 de setembro de
1923 ­Estado da Bahia ­ Anno VI ­ N.45.

BAHYA DE TODOS OS SANTOS E SERIGYPE DEL REY:
Estudos de documentação notarial no Brasil colônia

JAQUELINE CARVALHO MARTINS DE OLIVEIRA15

INTRODUÇÃO

Esta comunicação dá notícias acerca do projeto de pesquisa submetido à Diretoria de
Pesquisa e Extensão do UniAGES (Paripiranga), intitulado Bahya de Todos os Santos e
Serigype Del Rey: estudos de documentação notarial no Brasil Colônia, coordenado pela
Profa Dra Jaqueline Carvalho Martins de Oliveira, com participação de 10 discentes de
Letras, 1 discente de Direito e 1 discente egresso de Letras. Este projeto está vinculado ao
NEPH-UniAGES, coordenado pela Profa Mariana Barreto, através da linha de fontes
documentais e debruça-se, mormente, sobre a linguística histórica e história da cultura escrita.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

É a História da Cultura Escrita, doravante HCE, que trará uma acepção social da
escritura, entendida como tudo o que se pode ser lido (CASTILLO GÓMEZ, 2003, p. 94).
Apoiada nos estudos antropológicos, já no século XX - resposta às lacunares ausências do
paradigma tradicional da historiografia do século anterior -, o escopo da história passou a
apresentar matizes os quais resultaram em estudos interdisciplinares, uma vez que o universo
15

UniAGES/NEPH/PPGLinC-UFBA/FBN.

historiográfico foi ampliado, fragmentando-se as especialidades históricas e suas perspectivas
de análise. Inserida, portanto, em especialidade maior, a HCE se ocupa da escritura
empreendendo múltiplas possibilidades de análise, uma vez que a cultura não se restringe a
aspectos formais e aparentes (como consta no bojo das disciplinas eruditas, como a
Paleografia): faz-se necessário tratá-la em seu aspecto fenomenológico, vislumbrando a
escrita em sua história interna e de seu uso, considerando as características formais e dos usos
sociais dos testemunhos escritos de uma sociedade.

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

Resulta-se, da discussão acima exposta, um projeto, a ser executado inicialmente em
um semestre, cujo objetivo geral é trazer mais peças ao quebra-cabeça da história (ou, melhor
dizendo, das histórias) do Brasil Colônia do primeiro século, época carente de estudos quanto
à cultura escrita, visando vislumbrar duas temáticas caras à área: o cotidiano e a implicação
do gênero nos testemunhos. Consequentemente, intenta-se expandir os horizontes do processo
de escrita para além do suporte aparente, observando discursos, práticas e representações,
reconstruindo a história linguística do Brasil, com fontes sobre/da Bahia colônia, locus
centrífugo da língua escrita dos primeiros séculos da chamada América portuguesa.

REFERÊNCIAS

DURANTI, Luciana. Ciencia archivística. Tradução de Manuel Vázquez. Córdoba: S&C
Ediciones, 1995.
GOMES, Saul António. Anotações de Diplomática Eclesiástica Portuguesa. Hvmanitas, v.
50, Coimbra, 1998, p. 625-646.
GOMES, Saul António. O notariado medieval português: algumas notas de investigação.
Hvmanitas, v. 52, Coimbra, 2000, p. 241-286.
MCKENZIE, D. F. Bibliografía y sociologia de los textos. Tradução de Fernando Bouza.
Madrid: Akal Ediciones, 2005.
OLIVEIRA, Jaqueline Carvalho Martins de. Por uma trajetória dos D'ávila através do
Livro Velho, I e II do Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia. Salvador, 2011. 302 p.
[dissertação de mestrado em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia].

OLIVEIRA, Jaqueline Carvalho Martins de. De re diplomatica: o fazer notarial da Bahia
Colônia através do Livro II do Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia. Salvador, 2014.
375 p. [tese de doutorado em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia].
OLIVEIRA, Jaqueline Carvalho Martins de. De re diplomatica: o fazer notarial da Bahia
Colônia através de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Salvador, 2017. 412 p. [livro
resultante de plano de trabalho em residência de pesquisana Fundação Biblioteca Nacional.
No prelo].
PINHEIRO, Ana Virgínia da Paz. Que é livro raro? Uma metodologia para o
estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença, 1989. 71 p.
SARAIVA, Anísio Miguel de Sousa. Tabeliães e notários de Lamego na primeira metade do
séc. XIV. Hvmanitas, v. 50, Coimbra, 1998.
SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de escrever. Tradução de Pedro Süssekind. Porto Alegre:
L&PM, 2010. 176 p.

A HISTÓRIA DA LÍNGUA TAMBÉM É NOSSA:
Manifestações do latim em Paripiranga (BA)

JEANE TEREZA ROSA SANTOS16
ANDREZA SOUZA ARAÚJO17
INTRODUÇÃO

Esta comunicação trará análises dos primeiros dados obtidos com o Projeto Integrador,
em 2017.2, sob a gestão da Profa Dra Jaqueline Carvalho Martins de Oliveira. Trata-se de
uma proposta de trabalho que torna a aula mais significativa e coloca os estudantes dentro de
um processo de iniciação cientifica, por ser centrada num problema elaborado com dados da
realidade e por exigir um trabalho de pesquisa, envolvendo elaboração de instrumentos de
observação da realidade, análise dos dados colhidos e elaboração de relatório. É, portanto,
uma proposta de trabalho interdisciplinar, que agrega valores ao ensino, à pesquisa e à
extensão.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A língua é dinâmica, graças a seus utentes, os seres humanos, que são mutáveis na
escala cronológica. Em se tratando de língua portuguesa, esta chegou até a condição atual ao
16
17

Colegiado de Letras/2o período/Projeto Integrador UniAGES de 2017.2.
Colegiado de Letras/2o período/Projeto Integrador UniAGES de 2017.2.

longo dos anos, mas deriva de outra língua: o latim. Conhecer este estágio anterior é
importante para (re)conhecer(se) (n)a própria língua, desfazendo vários preconceitos e se
afirmando enquanto identidade linguística. Dessa forma, foram estabelecidas duas perguntas
marco a perseguir em dois campos (escola e comunidade): 1) Como o professor de LP revisita
os conhecimentos de língua latina em sala de aula? e 2) Em que medida a língua latina
aparece no cotidiano do paripiranguense? Neste trabalho, serão trazidos os resultados iniciais
desta aproximação com os campos mencionados.
CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

A língua é gerada em dois níveis complementares: no nível biológico e inato, a
faculdade da linguagem, após amadurecimento, dota o indivíduo de competência linguística
(CHOMSKY, 1986); no nível de natureza social, o habitus, depois de internalizado, concedelhe um certo capital linguístico, conforme Pierre Bourdieu (1994, 2003). O que acontece com
o latim é que não o falamos mais naturalmente, sendo necessárias instituições sociais (escolas,
universidades, igrejas, etc.) para que ele sobreviva. A investigação apontou para o uso do
latim, através da instituição igreja, por meio de ladainhas, as quais são repetidas, geralmente
na oralidade, mas têm apoio, vez ou outra, no escrito para se perpetuar. Este latim flagrado vai
se afastando, graças à transmissão entre as gerações, da variante considerada correta. Mesmo
assim, essas manifestações são indícios relevantes da influência latina na mentalidade da
lusofonia e, consequentemente, de brasileiros, mais especificamente nordestinos.

REFERÊNCIAS

AMARANTE, José. Latinitas: leitura de textos em língua latina. Salvador: EDUFBA, 2015.
BOURDIEU, Pierre. A língua e o poder capital. Paris: Prèss du France, 1994.
CARDEIRA, Esperança. Entre o português antigo e o português arcaico. Lisboa: Imprensa
Nacional/Casa da Moeda, 2005.
CHOMSKY, Noam. Competência linguística. New York: NY Press, 1986.
MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. O português arcaico: fonologia, morfologia e sintaxe.
São Paulo: Contexto, 2006.

SILVA NETO, Serafim da. Textos medievais portugueses e seus problemas. Rio de
Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1956.

JOGOS DIGITAIS FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS COMO FERRAMENTA
NO ENSINO EM HISTÓRIA

PEDRO DAVID GOIS ALVES18

INTRODUÇÃO

A presente pesquisa busca discutir sobre a importância dos jogos digitais frente as
novas tecnologias como uma ferramenta crucial no ensino de história. Muitos desses games
podem ser trabalhados em diferentes âmbitos acadêmicos como um instrumento extra no
ensino de história, pois os mesmos estão ganhando cada vez mais espaço em nosso meio
social e muito deles estão servindo de base para implementação de histórias e fatos passados,
como fala ARRUDA (2009) que a história tem sido, há alguns anos, a fonte para qual os
jogos e muitas outras mídias recorrem para retroalimentar suas tramas. Então isso significa
que os acontecimentos e os fatos históricos foram nada mais nada menos que introduzidos no
universo dos jogos digitais, antes mesmo de os docentes e pesquisadores pensarem em
estimular aprendizagens diante deles nos últimos anos.
Assim, a disciplina de história acaba se tornando um alvo necessário para a inclusão
desses jogos em si, pois a mesma é composta por disciplinas que podem estar englobando
alguns jogos em benefício de seu ensino. Desse modo dentre os jogos que podem ser

18

*Cursando história pelo Centro Universitário AGES Paripiranga - BA
*Email: [email protected]

trabalhados dentro do ensino de história, em diferentes disciplinas e tempo, estão: o jogo da
franquia God Of War, que, por se passar em um período da antiguidade, acaba adentrando na
História Antiga, pois tal jogo vai ter sua história voltada para o mito dos deuses e a pessoa
que está controlando o personagem vai poder conhecer um pouco sobre a mitologia grega,
formas de crenças religiosas daquele tempo, cenário e seres que eram vistos como divindades
nesse período, como outras criaturas e seres mitológicos, como o próprio Zeus. Ou seja, esse
game faz um resumo geral desse período, assim o mesmo disponibiliza um bom
conhecimento entorno de sua história.
Assasins Creed Sindycate adentra na história moderna e tem seu tema voltado para
Revolução Industrial, onde o mesmo vai se passar da metade do século XVIII e começo do
XIX, que vai ocorrer todo um conjunto de mudanças, e a principal particularidade dessa
revolução será a troca do trabalho artesanal para o assalariado e o uso das máquinas. No jogo,
é visto também a exploração do trabalhador durante esse tempo. Então o indivíduo além de se
divertir ao jogar, vai estar aprendendo sobre este acontecimento histórico.
Dentre os jogos que foram citados, pode-se observar o quanto eles são relevantes para
nossa educação, principalmente no ensino de história, pois a mesma necessita de dinâmicas
que sejam mais criativas e atrativas para o aluno. De tal modo, é pertinente dizer que muitos
professores não sabem lidar com essas ferramentas e outros ainda veem esses jogos como
algo negativo para educação, quando na verdade é o contrário. Porque como explica Moran
(2013), a tecnologia está a serviço do homem: os professores precisam ser críticos para
contemplar em sua prática pedagógica o uso das tecnologias, oferecendo os recursos
inovadores aos alunos.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Pode-se dizer que a história sempre forneceu temas para a construção de jogos. Assim,
existe uma característica básica de muitos desses games onde a simulação de guerras e mitos
sobre algo passado, acaba exigindo dos jogadores habilidades, planejamento estratégico e
tomada de decisão tática como o que chamamos de um fator determinante para se vencer.
Desse modo, acabam sendo dotados de informações que são essenciais para educação, como a
disciplina de história. Como aborda Fonseca (2008), esses jogos acabam sendo uma grande
ferramenta no ensino e aprendizagem, pois muitas vezes simulam contextos históricos através

dos recursos que lhes são disponíveis como efeitos especiais, sistema de câmeras, perspectiva
em 2 ou 3D, textos, imagem em boa resolução e sistema de som e vídeos.
Violin (2011) fala que os jogos e outros meios tecnológicos podem e devem ser
pensados como aliados nesse sentido de ensino e aprendizagem: assim é um objeto presente
no cotidiano do aluno que já faz uso desses meios tecnológicos. Vale dizer com base em
Guimarães (2016) que o professor deve ser o sujeito que oferece possibilidades de
aprendizagem, disponibilizando conexões e experimentações, estimulando a participação e a
articulação criativa dos alunos.

Esse espaço dos jogos deve ser pensado no campo da

possibilidade, visando à inclusão de alunos e professores em modos e maneiras de produzir
conhecimento, medidas por tecnologias, onde haja espaços para convivência e não a censura;
ou seja, trabalhar para questionar o jogo, mas não seu uso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Objetiva-se, através dessa pesquisa que trata a respeito dos jogos digitais como
ferramenta no ensino de história, advertir sobre o quanto a disciplina tornasse uma peça chave
no que tange a essas dinâmicas ligadas aos artifícios tecnológicos, além de ressaltar o quanto
é fundamental o professor da área estar se adaptando a elas e, desse modo, fazer das suas
aulas um lugar mais prazeroso rico em dinâmicas, aprendizados, diálogo, inovação e fuga do
ensino tradicional, pois a disciplina de história necessita muito de professores capazes de
mediar o aluno da maneira mais produtiva possível e de tal modo expor propostas e projetos
que aprontem os professores para lidar com tais recursos em prol dos alunos e da escola, além
de proporcionar uma educação significativa e condizente com os alunos.

REFERÊNCIAS

ARRUDA, Eucidio Pimenta. Jogos digitais e aprendizagens: o jogo Age of Empires III
desenvolve ideias e raciocínios históricos de jovens jogadores? UFMG/FAE, 2009.
MORAN, José Manuel. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. Moran, Marcos T.
Masetto, Marilda Aparecida Behrens. 21ª Ed. rer. E atual. Campinas, SP: Papirus, 2013.
(coleção Papirus Educação)

GUIMARÃES, Selva (Org.). Ensino de história e cidadania. Campinas, SP, Papirus, 2016.
VIOLIN, Fernando Augusto. A utilização da TV Pendrive no ensino de Sociologia como
possibilidade da aprendizagem significativa. Artigo apresentado no II Seminário de Estágio
de Licenciatura de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina. 2011/ Sugestões
de ensino de Sociologia / (organizadora) Ângela Maria de Sousa Lima... [et al.]. Londrina:
UEL, 2012.

ST 2 ­ ÁFRICA: Um continente em constante transformações e seus
reflexos na sociedade
Coordenador: Prof. Dr. Francisco José Barbosa
RESUMO: Esse ST tem por objetivo abordar críticas, questões e debates capazes de
inspirar pesquisas, multiplicando a quantidade e a qualidade de estudos sobre dilemas da
contemporaneidade no continente africano. Também almeja aproximar pesquisadores,
sobretudo para dar livre curso à evidência e à crítica das pré-noções, dos preconceitos e das
lacunas do conhecimento que alimentam equívocos capazes de quase divinizar ou
demonizar as características culturais próprias da África.

RECONSTRUINDO A ÁFRICA EM SALA DE AULA

ELANE DE JESUS SANTOS 19
CALILE PEREIRA DOS SANTOS 20

INTRODUÇÃO

O presente trabalho busca discutir a trajetória do processo de rupturas e permanências
dos manuais que tratam de conteúdos relacionados à África e afro-brasileiros, principalmente
nos livros didáticos. Onde pretendemos analisar as mudanças e permanências e dificuldades
do ensino de História e as possibilidades de caracterizar as experiências pedagógicas e as
propostas de ensino, onde se verifica após a adoção das diretrizes relacionadas à questão
étnico-racial definido nas novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das
Relações Étnico-Raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-brasileira. O objetivo
deste trabalho é descrever a importância o estudo de História da África nos leva ao
entendimento dos aspectos peculiares que levaram a caracterização atual do continente
africano e sua conjuntura e, obviamente, a caracterização do povo brasileiro e suas relações
com a sociedade do ensino fundamental.
O ensino de História e o livro didático diante suas transformações, onde a educação é
de extrema importância para a formatação do cidadão e, durante a vida escolar, as atividades e
disciplinas do ensino fundamental são uma das primeiras fases desse processo, auxiliando no
desenvolvimento físico e psicológico do aluno. É nessa fase que o aluno estará desenvolvendo
19

Acadêmica do 8° período do curso de Licenciatura em História do Centro Universitário UniAGES,
Paripiranga- BA.. E-mail: [email protected]
20
Acadêmica do 8° período do curso de Licenciatura em História do Centro Universitário UniAGES,
Paripiranga- BA. E-mail: [email protected]

suas características pessoais, atividade e disciplina desempenhada de características pessoais
que serão observadas ainda na vida adulta.
Vale ressaltar que desde os primeiros anos de escolaridade é preciso desenvolver nos
alunos determinadas noções e atitudes que venham integrá-los à sua realidade social e
histórica. Neste aspecto, Selva Guimarães (2003) afirma que a educação histórica, a formação
da consciência histórica dos sujeitos não ocorre apenas na escola, mas em diversos lugares. O
que nos leva a pensar sobre a produção e a difusão dos saberes históricos, entre currículos do
cotidiano escolar, identidade e principalmente local e global.
O controle de execução do currículo estabelecido de acordo com os PCNs e as
Diretrizes Curriculares de Ensino aonde a fiscalização vem cumprimento ou maquiando as
legislações educacionais que são de responsabilidade dos governos das esferas Federais,
Estaduais e Municipais. Abrangendo todos os níveis da educação, como desde ensino nas
creches até o ensino superior, e também fatores que envolvem a educação como questões
financeiras, de planejamentos, estruturas, demográficas e de mão de obra, apesar das leis
estarem em vigor algum tempo, elas sofrem atualizações conforme a demanda e necessidades
do sistema em geral.
Conhecendo o passado, através do ensino de História, possibilita deparar-se com um
saber historiográfico e este se define principalmente pelo seu uso, isto é, da sua finalidade.
Disseminar ou desconstruir a demagogia que envolve a cidadania, o direito a educação de
qualidade, dentro da perspectiva dos novos sujeitos, dos grupos excluídos da história e de sua
própria história. Tem-se em vista a função do saber historiográfico como construtor da
cidadania, ressalto a importância do estudo de História da África, dos africanos e
afrodescendentes, brasileiros descendentes de gerações de africanos importados para servir de
mola da economia do país, o que acabou contribuindo para a construção da identidade cultural
da nação.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

O professor de história é um auxiliador no processo de aprendizagem do aluno,
transmitindo o conteúdo de maneira adequada, considerando a idade, capacidade e limitações
dos alunos, pois, na maioria, são obrigados a trabalhar a risca com o livro didático, porém

outros têm a escolha mais não sabe modificar sua didática, utilizando outros meios para serem
trabalhado em sala de aula. Neste ponto, o professor deve considerar fatores externos que
envolvem a aprendizagem da disciplina de história como a cultura, localidade, a própria
história, fatores sociais, políticos e econômicos do cotidiano dos alunos, assim, o aluno
absorve melhor o conteúdo e desperta interesse e curiosidades das ações de seu dia a dia,
participando mais da sociedade.
A reatividade negativa frente à realidade do racismo é a expressão de um processo
cultural determinado pela crença na chamada 'democracia racial'. Por sua formação
multicultural, o Brasil seria uma nação harmônica. Nossa simples origem multiétnica (africanos, europeus e índios) e o gosto nacional-popular pelo samba,
carnaval, futebol, pagode e outros gostos culturais atestariam o convívio amistoso
entre brasileiros. A idéia do caráter amistoso entre senhor e escravo foi consagrado
na obra Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre. (NEVES, 2005, p. 43).

Segundo Gilberto Neves, há um desmerecimento do estudo da abordagem da
desigualdade racial, faltando-lhe formulações e orientações concretas. Até um passado recente
não havia muitos trabalhos voltados para a diferença e o respeito à diversidade de identidades
culturais. Esta desatenção permeia por todo ensino, desde a educação infantil ao ensino
superior, onde cada vez mais o assunto vem sendo abordado. O descrédito dado a
afrodescendentes no tocante a sua história tem suas raízes na intolerância e má vontade, ainda
incutidos na mente daqueles que indicam o que é, ou não, importante para a história do país.
Dentro deste contexto é introduzido no Brasil o conceito de Temas Transversais, visando
auxiliar na reflexão das pessoas que buscam novos caminhos de transformação das atitudes na
escola e sociedade.
Assim, a história propulsora onde o aluno pode entender como foram formadas e
porque são desenvolvidas muitas ações que envolvem seu cotidiano, localizado, pois e até o
muito, através da história entende- se como foram formadas as diversidades culturais e sociais
entre os diversos tipos de localidades e povoados. É muito importante destacar que a história é
constantemente formada, assim essa disciplina não transmite conhecimento de passados
distantes. Porém, os livros não são trabalhados tal viés das fontes históricas e nem foca tanto
na cultura e sua historiografia, um exemplos é a história da África, mesmo elas sendo
obrigatórias, muitos livros mal trabalham em seu contexto social a sua riquíssima história.
A importância do livro didático como salientamos neste trabalho, diante do apoio ao
trabalho do professor em sala de aula, ratifica a necessidade de uma "seleção de conteúdos
históricos significativos". Diante de alunos provenientes de realidades díspares, sócio-

culturalmente diferentes, com as quais se devem dialogar e debater. A concepção de uma
História sem relação com o presente, estadista e pautada num passado único para toda a
humanidade dever ser repensada. Em meio a mudanças, o livro didático deve incorporar essas
novas perspectivas, buscando uma ruptura com um passado de intolerância e preconceito.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa busca verificar rupturas e permanências dos manuais didáticos que tratam
de conteúdos relacionados à África e afro-brasileiros. Queremos analisar o quanto de
mudanças e permanências se verifica após a adoção das diretrizes relacionadas à questão
étnico-racial definido nas novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das
Relações Étnico-Raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana
surgida em 2003.
Os resultados somar-se-ão às reflexões sobre a nova história e os conteúdos ligados ao
processo de ensino e aprendizagem de História. Dessa maneira, é essencial a participação do
professor na nesse processo como ferramenta intelectual, auxiliadora e incentivadora na
aprendizagem do aluno e sua aplicação. Entre os objetos deste trabalho há a disciplina de
história, sendo ela de grande relevância para o aluno, através do passado, entender as ações e
fatores que influenciado seu cotidiano. Para realizar este trabalho foram utilizados métodos
bibliográficos como pesquisas em livros, artigos, monografias, cartilhas, legislação e
informações vinculadas em internet.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Brasília: MEC, 1999.
Editora UEPG, 2006.
Fernando (Org). Ensino de História e Educação: olhares em convergência. Ponta Grossa:
LEPH. Laboratório de Ensino e Pesquisa em História da UniAges Paripiranga.
NEVES, Gilberto. A discriminação racial na educação brasileira. Revista de Educação
Popular, nº 4. Uberlândia: EDUFU, 2005.
SILVA, Lúcia O. Por uma história e cultura afro-brasileira e africana. In: CERRI, Luis
Fernando (Org). Ensino de História e Educação: olhares em convergência. Ponta Grossa:
Editora UEPG, 2006.

AS TRANSFORMAÇÕES DO CONTINENTE AFRICANO E O REFLEXO EM SUA
LITERATURA: um estudo da literatura africana no Brasil

ÍTALLO LEAL SANTANA21
LUANA DE JESUS BOMFIM22

INTRODUÇÃO

O presente estudo visa analisar de forma concisa a influência com que a nova leva de
livros traduzidos no Brasil de escritores africanos é capaz de apresentar para os leitores novas
faces e conhecimentos acerca do continente africano, muitas vezes segregado, ou apenas
marcado por guerras civis e a pobreza extrema. Desta forma, o estudo possui como principais
objetivos: apresentar obras de escritores africanos, tais como Mia Couto, Ngg wa Thiong'o e
Chimamanda Ngozi Adichie e a carga política e cultural em suas obras; bem como também
discutir a grande popularidade que os escritores estão ganhando aqui no Brasil principalmente
pela divulgação de seus livros na internet; e, por fim analisar ,a introdução destes livros nas
escolas e/ou Universidades como formas alternativas de compreensão histórica e
contemporânea do povo africano.
Destaque-se que a pesquisa terá como embasamento teórico os livros recentemente
publicados de autores africanos e, desta forma a metodologia utilizada será a bibliográfica,
que pode ser entendida como aquela em que é "[...] feita a partir do levantamento de
referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros,
artigos científicos, páginas de web sites." (FONSECA, 2002, p. 32).
Um dos escritores mais cultuados e populares do continente africano atualmente no
Brasil é o moçambicano Mia Couto, muitas vezes comparado ao escritor brasileiro João
Guimarães Rosa, essa semelhança entre o autor de Terra Sonâmbula (COUTO, 2015) e
Grande Sertão: Veredas (ROSA, 2006) se dá principalmente pela sonoridade de suas prosas,
e por compartilharem do mesmo idioma, o português, a língua falada é fortemente
reverenciada em ambas as obras.
Autor. Bacharelando do 10º período do curso de Direito do Universitário de Ciências Humanas e Sociais ­
UniAGES; Email: [email protected]
22
Coautora. Acadêmica de Direito do Centro Universitário de Ciências Humanas e Sociais ­ UniAGES; Email:
[email protected]
21

Percebe-se na literatura de Mia Couto uma grande preocupação em manter viva a
cultura de pessoas comuns de Moçambique, seus dilemas, suas cantigas e superstições, sem
em O último voo do flamingo (COUTO, 2005) existe uma denúncia acerca da falácia de ideia
de paz para um país que a pouco tempo conseguiu sua independência de Portugal e agora
interditado pela ONU que traz a segurança para a nação e a falácia do governo local, também
se é demonstrado com grande lirismo as crenças africanas, seus folclore vasto e mágico.
Observa-se desta forma um estudo não só político e histórico como também social, de
que apesar dos flagelos existentes, há um continente cheio de cores e tradições. Uma das
peculiaridades do autor moçambicano é transformar em fábula cenas trágicas da África, como
em A confissão da leoa (COUTO, 2012) descrevendo uma sociedade totalmente machista
centralizada no patriarcalismo, tema este também encontrado no bem-humorado Venenos de
Deus, Remédios do Diabo (COUTO, 2008), assim a obra de Mia Couto representa uma forma
de estudo do país no que se refere ao seu povo, que apesar de vivenciar situações trágicas, não
são apresentados de forma estigmatizada, papel este que deve ser realizado por um escritor
"da terra".
Ainda pouco conhecido no Brasil, com apenas dois livros publicados no Brasil
(Sonhos em tempos de guerra e Um grão de trigo), o escritor queniano Ngg wa Thiong'o é
um marco em relação à literatura como fonte histórica, como por exemplo no seu romance
biográfico Sonhos em tempo de guerra (THIONG'O, 2015) que narra sua infância em uma
pequena comunidade do Quênia, e como os ingleses conquistaram muitas das propriedades
de sua família, levando a um estado de pobreza latente e a grande batalha em conseguir
estudar, assim o livro é um relato vivo da pobreza e dos danos da dominação inglesa no país,
mas também uma narração rica sobre como são compostas as famílias poligâmicas e o ritual
de transição do jovem narrador e até mesmo a conversão para o cristianismo, fazem esse
livro como leitura obrigatório na complementação de estudos área.
O romance Um grão de trigo (THIONG'O, 2015) de forma mais ativista e não tão
poética usa a literatura como instrumento de voz para o povo queniano e seu país quebrado
pelos colonizadores, diferente de Mia Couto, Ngg wa Thiong'o não se utiliza de uma prosa
lírica, mas sim de manifesto, manifesto para o povo africano, motivo pelo qual a literatura
assim como a educação (tratada no seu romance autobiográfico) são formas de libertação,
esta que deve ser entregue ao mundo, como uma denúncia, não como vitimização mas como
demonstração de que apesar das barreiras é possível vencer.
Chimamanda Ngozi Adichie é uma autora que representa uma nova geração de

escritores nigerianos, seus livros sempre provocam debates acerca de questões sobre a
população nigeriana, tanto do presente, quanto do passado, suas crenças, costumes,
cotidiano, relação familiar, preconceitos, opressão, imigração e, principalmente, as
experiências que suas personagens carregam. É inegável que a autora carrega consigo o
desejo de modificar, ou pelo mesmo, instigar discussões sobre temas extremamente
necessários e a literatura é sua forma de chegar às pessoas.
Hoje umas das maiores ferramentas de entretenimento são as redes sociais é o
Instagram se tornou uma das maiores redes de compartilhamento de fotos, criando próprios
grupos e nichos, e um destes nichos são os instabooks, perfis que compartilham suas leituras,
tornando-se referências e tendências do que os jovens, maior parte dos usuários das redes
sociais, estão lendo e percebeu-se que do ano 2015 para cá, motivado pelos lançamentos de
livros de escritores africanos no Brasil uma enorme popularidade destes livros,
principalmente quando umas das escritoras, Chimamanda Ngozi Adichie, é declaradamente
feminista, outro tema bastante em voga nas redes sociais, assim se percebe que a internet é
um meio eficaz de influenciar os jovens e contextualizá-los acerca da cultura de um povo
através da publicação de livros, unindo o pop ao erudito, não se ode olvidar que o consumo
de literatura apesar de baixo aqui no Brasil, é uma forma de inserir o leitor no novo mundo
colorido e sonoro da África, criando novas demandas para as editoras nacionais, percebendo
o enorme público a lançarem novos livros de inúmeros autores africanos em português.
A experiência da internet e perfis influenciadores devem ser respeitados e
aproveitados nas Universidades ou nas escolas em que a leitura aparentemente recreativa
pode se ornar um meio de sapiência do conhecimento histórico e social do povo africano, se
tornado assim um meio alternativo de ensino e aprendizagem dentro ou fora do contexto
acadêmico.
Percebe-se com a análise destas obras e de inúmeras outras que a vasta literatura
africana é incrivelmente rica, capaz de quebrar qualquer paradigma do povo africano que não
deve ser vista de forma estigmatizada; a literatura também é capaz de explicar e demonstrar
o choque de culturas e realidades ente o povo africano e o resto do mundo em pleno século
XXI, como o estranhamento em Americanah (ADICHIE, 2014), em que para conseguir um
novo emprego é necessário perder o sotaque africano, ou se vestir de forma americana, como
que ao ser africano se carrega um estigma, o que não é verdade, basta apenas um pouco de
leitura para perceber a realidade do continente africano no novo século, que procura se
representar, mostrar sua identidade e sua voz.

REFERÊNCIAS

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Americanah. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. 516
p.
COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. 200 p.
________. O último voo do flamingo. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. 232 p.
________. A confissão da leoa. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 256 p.
________. Venenos de Deus, Remédios do Diabo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.
ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 2006.
THIONG'O. Ngg wa. Sonhos em Tempo de Guerra: memórias de infância. São Paulo:
Biblioteca Azul, 2015. 247 p.
________. Ngg wa. Um grão de trigo. Rio de Janeito: Afaguara, 2015. 304 p.

O SOAR DA ÁFRICA:
a distinta relação com a música entre o ocidente e o continente africano, e suas
influências na música brasileira

MAIKE OLIVEIRA DOS SANTOS23

INTRODUÇÃO
Entender o que é música vai além do que costumamos pensar e praticar quando
ouvimos

qualquer

som

que

chegue

aos

nossos

ouvidos.

Na

nossa

cultura

(eurocêntrica/ocidental), para compreendermos e avaliarmos, ou até mesmo sentirmos a
emoção e a aprendizagem que a música nos passa, precisamos classificá-las em caixinhas
abstratas, e determinarmos, muitas vezes, juízo de valor a cada uma delas.
Costumamos transformar a música apenas em algo produtivo - ler-se aqui, algo que
tenha uma função objetiva, que nos seja útil - que tenha uma relação final com um interesse
intrínseco a cada classe, ou indivíduo. Dentro do nosso contexto sociocultural, a música se
relaciona como parte compositória, anexiva. A música aqui, nessa interação, é uma soma, à
classe ou indivíduo, ela é construída apenas no campo da objetividade e da subjetividade.
Mas essa análise sobre o que em tese é a relação musical no ocidente e a cultura
eurocêntrica, não coloca a música sobre uma ótica de mal uso, nem de uma frágil
compreensão dessa cultura sobre sua interação com a música. O simbolismo é existente
dentro dessa relação. De maneira alguma, ele inexiste. A discussão posta aqui é nada mais que
a distinta forma de viver, entender, e sentir a música, entre a cultura ocidental-eurocêntrica e a
africana.
O presente trabalho busca discutir a relação entre a música e essas duas culturas
distintas - mas de forma histórica, observando-a como construções compostas de elementos
que influenciaram de maneira mútua as duas culturas -, analisando a interação de suas
particularidades com a construção simbólica da mesma (sendo a música um dos principais
símbolos culturais dentro das duas culturas). Ademais, debater sobre as especificidades
atribuídas a conexão da cultura africana com a música, tomando como um dos principais
parâmetro os BANTOS. Posteriormente, buscar identificar as influências da cultura africana,
23

Acadêmico do curso de Licenciatura em História pelo Centro Universitário AGES.

em especial a BANTO, na construção dos ritmos musicais brasileiros, sendo esses símbolos
da resistência africana e da construção de uma nova identidade, a AFRO-BRASILEIRA.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Entender a interação que a cultura africana tem com a música é algo de longe
transcendente a mente, e a compreensão classificatória que buscamos ter em todas as
explicações julgadas satisfatórias. Antes de adentrar em tal discussão é necessário se despir da
sua pele, se desmontar de todo pré-conceito e estar disposto a construir uma nova perspectiva
sobre a música. Se dispor a soma, a interação com outras identidades, e compreender que
somos o que somos, nada mais, pela existência do outro, da diferença do outro.
A música na cultura africana está ligada de forma estruturante a cultura da oralidade,
que é forte na construção histórica-social do continente. A cultura oral que por muito tempo
foi marginalizada enquanto produtora da história, é porque não o mecanismo mais efetivo na
ligação dos africanos aos seus ancestrais. Como afirma SILVEIRA (2013), "A fala possui
uma função fundamental nas sociedades africanas em geral. A oralidade nesse sentido é
encarada com respeito e sua transmissão de saberes é uma preservação da sabedoria dos
ancestrais.".
A música na cultura africana tem uma relação que transcende a interação desta
manifestação cultural ao indivíduo ou a um determinado grupo. Na cultura africana, a música
existe por ser ela a própria natureza, universo, a sanzala, a família e o indivíduo, ela é um elo
que unifica o universo físico com o espiritual, nessa relação a música é a manifestação da
unidade coletiva.
Para Silva (2013) apud Chernoff (1979):
O fato que a maioria das pessoas na África não concebe a música separadamente dos
contextos culturais e da vida em comunidade significa que a estética da música, a
maneira como essa atua para estabelecer um quadro de integridade comunal, oferece
um esplêndido panorama que permite entender as atitudes africanas e a maneira
como estes se relacionam. (p. 36)

Toda esta relação de coletividade atribuída a natureza, e a cultura africana não se fez
ausente no processo de colonização do continente, nem durante o movimento de retirada
desse povo para o novo mundo.
A África contribuiu não só na construção socioeconômica dos distintos continentes,
mas também na construção de novas identidades e culturas. Frente a essa influência está o

Brasil, com a identidade afro-brasileira, com suas religiões de matrizes africanas, e suas
músicas, como o samba, influenciadas pela cultura africana, em especial dos povos Banto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Buscar destacar a interação da cultura africana e analisar como esses povos
construíram as suas relações e simbologias à musica, é tornar-se ciente da riqueza cultural que
esse continente tem. Observando suas particularidades culturais, sociais e religiosas.
O debate sobre a cultura africana se faz fundamental para entender toda a
complexidade deste continente, reforçando a desconstrução negativa e estereotipada que a
cultura eurocêntrica ao longo da história construiu sobre a África. Mas, também, se faz
primordial para compreendermos as influências que tivemos ao longo da nossa história na
construção da identidade e cultura Afro-Brasileira.

REFERÊNCIAS
SILVA, Daniela Fernanda Gomes da. O Som da Diáspora: A influência da black music
norte-americana na cena black paulistana. São Paulo: USP, 2013.
SILVEIRA, Marcus Bernardes de Oliveira. Cosmovisão, Identidade E Tradição: Os Bantos
e o Samba de Roda. Anais Eletrônicos - VI Encontro Nacional de História - ANPUH/BA 2013.

A MULHER NEGRA E O ATIVISMO FEMININO NA OBRA DE ELISA LARKIN
NASCIMENTO

MARIA RAYANE PATRIOTA DE CARVALHO

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como principal discussão o papel da mulher negra nos
discursos existentes hoje, e sua percepção de si mesma e sua sociedade, objetivando
demonstrar o papel dessa na cultura e família africana, na tentativa de identificar o seu papel e
participação nas discussões acadêmicas e sociais acerca de seu lugar no Continente Africano,
e na ancestralidade africana, levando em consideração sua participação na sociedade
brasileira, e nos diferentes movimentos sociais que busca a igualdade de gênero, equipadas
com a religião, cultura e representação, tudo isso a partir das obras e textos de Elisa Larkin
Nascimento, equiparando com os diversos textos acadêmicos já existentes acerca do papel da
mulher negra. E nesse viés, se torna necessário compreender que tal discussão levantada vai
além dos discursos prontos, e de entendimento rasos, apesar das poucas fontes para tal estudo,
espelhando-se na luta das mulheres negras, e seu papel na História.

DISCUSSÃO E RESULTADO

Através dos diversos estudos e busca pelo entendimento acerca do assunto,
compreende-se que o papel da mulher negra vai bem além do que se pode imaginar,
essencialmente ao se pensar o Continente Africano e em especial destaque ao se falar na
verdadeira e concreta história do Continente, não a que todos pensam ser existente, mas a que
os próprios africanos contam. Tal discussão torna-se primordial à medida que a mulher tem
um papel de extrema importância na história e formação social da maioria dos países da
África, consideradas como matriarcas de estipe e com poder muitas vezes que vai além da
própria imposição feminina ou corrente feminista.
A mulher negra foi sempre subjugada pela sociedade, seja no Continente Africano ou
na América. Essa divisão é perceptível inclusive na divisão do trabalho, e no mercado de
trabalho. Lélia Gonzales (2008) descreve essa questão como algo voltado para a própria


Graduanda do Curso de História do Centro Universitário AGES.

discriminação e racismo, que cresceu durante toda a história da humanidade, e por mais
incrível que possa vim a parecer, ainda acontece e muito no cerne da sociedade do Século
XXI, onde a mulher, enquanto representante da negritude, era ainda menosprezada pela "sua
capacidade inferior", imagem criada logo no início do século XVI, e que perdura até hoje. Tal
discussão só tem vez e voz a partir do surgimento do movimento negro, principalmente no
Brasil, com sua base no Rio de Janeiro, e onde o desempenho dessa mulher negra e
afrodescendente seria notado e elogiado pelos estudiosos de todos os tempos.
No que concerne à ideia de relações sócio-políticas, representadas pelas culturas de
matriarcado na África24, Nascimento (2008) fala que é observado que esse fator traz uma certa
semelhança com a cultura europeia, relacionando-se com a oposição em relação a formação
social e política. Então, diante dessa afirmação, se funde um questionamento que se estende a
percepção das origens do preconceito com a cultura africana, e com a papel da mulher negra
em especial, já que esse era e ainda é considerado, dentro da formação do Continente
Africano, como superior aos demais tipos de constituição organizacional social.
Adentrando-se ainda mais nessa discussão, o matriarcalismo, enquanto meio de
referência para algumas sociedades africanas, é, segundo Nascimento (2008), uma
característica cultural da África, e que reverbera na própria influência na formação familiar
criada no Brasil, com a população dita afrodescendente, e sua religiosidade. Pensar essas
questões vai bem mais além de discutir o matriarcalismo ou determinada forma de
organização familiar ou comunitária, mas se adentra na divisão do poder, decisões,
diferenciada religiosidade e na imposição da mulher em todos os meios sociais.
Elisa Larkin Nascimento (2008) traz justamente isso, onde deixa claro que esse papel
da mulher negra executa, em primeira instância, a tentativa de partilhamento de poder,
principalmente entre a administração do Estado, a religiosidade, a espiritualidade e hoje o
mercado de trabalho, e que esse pensamento surge de imediato na África e que influencia de
forma direta, através da imigração forçada ou livre dos africanos, todos os povos do mundo,
principalmente os do Continente Americano. E nesse sentido, o que falta é um pouco de
esforço para seguir nessa discussão, tentando identificar a presença e influência da mulher em
toda a civilização moderna, e se adentrando no próprio entendimento da posição de relativa
igualdade que deveria existir, e que existe na África.

24

No Continente Africano, a mulher era vista, em vários países, como o centro da sociedade que se fundia e
crescia ali, sendo representada como a figura de maior respeito e poder nessas comunidades.

E a Negritude, movimento que surge na década de 1920, com a definição de Carlos
Moore (2008), de que era uma teoria francesa para nomear o processo de valorização da
racialidade, surge justamente para combater o racismo e preconceito criado por séculos de
exclusão do negro, da mulher negra e da própria cultura africana, que está presente em todos
os lugares, nos espaços de conversas e compartilhamentos de cultura. E essa surge para
combater a desigualdade ainda muito presente e o menosprezo pela influência da sociedade do
Continente Africano, que deve ser considerado como o berço da civilização espontânea.

CONSIDERAÇÕES FINAIS OU PARCIAIS

Uma grande abertura e dificuldade quando se fala da História da África se encontra na
falta de estudos sobre a presença e influência negra, principalmente do papel da mulher nesse
processo. Essa lacuna está presente em todos os âmbitos, essencialmente no meio acadêmico,
que deveria, por excelência, estar mais vinculado a esse estudo, e que tem um papel
primordial, ou seja, o de tratar as informações e diversos conhecimentos, para que a
veiculação dos diversos meios possa a vim estimular o conhecimento adequado dessa questão,
e que vai além da idealização, errônea por sinal, sobre um Continente Africano pobre e sem
cultura.
Logo, o que vale discutir aqui é o papel da mulher africana, ou afro-brasileira no
desenvolvimento de sua própria História, e a História de seu povo, de suas origens e
formação, e que é bem discutido por Elisa Larkin Nascimento. Fica a cargo essas pesquisas
realocar a mulher no seu papel, que vem desde a África, o de centro de todo um processo, isto
é, a atuação principal de sua própria história e da história da humanidade.
Portanto, tal pesquisa se baseia no processo de aculturação do papel da mulher na
modernidade, na formação familiar, no desenvolvimento da religiosidade e cultura e no
desenvolvimento da igualdade de gênero e racial na sociedade brasileira, percebendo essa
como meio para que isso aconteça, através do aprofundamento dos movimentos negros e da
negritude no Brasil e no Mundo, enquanto movimentos ativistas para a igualdade.

REFERÊNCIAS

NASCIMENTO, Elisa Larkin. Afrocentricidade: Uma abordagem epistemológica inovadora.
São Paulo: Selo Negro, 2008.
NASCIMENTO, Elisa Larkin. Guerreiras de Natureza: Mulher Negra, Religiosidade e
Ambiente. São Paulo: Selo Negro, 2008.
MOORE, Carlos. Cultura em Movimento: Matrizes Africanas e Ativismo Negro no Brasil.
São Paulo: Selo Negro, 2014.

A CONSTRUÇÃO DO RACISMO EM SUAS DIVERSAS FACETAS:
A cor da pele como meios de exclusão

RAIMUNDO OLIVEIRA DOS SANTOS 25
JAMILE DA SILVA DOS SANTOS26

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como foco uma reflexão acerca do longo processo escravista
envolvendo povos africanos na condição de escravo no chamado Novo Mundo, em especial
no Brasil, abordando aqui o preconceito contra essas sociedades que historicamente se arrasta
por séculos e perdura até os tempos atuais. Para se compreender esse desenrolar histórico
temos que antes analisar todo o contexto por trás do processo escravocrata no qual ao sair do
continente africano centenas e mais centenas de navios transportavam escravos para outros
continentes.
A imagem do negro nesse sentido está historicamente vinculada ao de uma
"mercadoria", seres desprovidos de pensamento lógico, e com base nesses imaginários
estereotipados várias teorias foram criadas para justificar a suposta superioridade branca.
Bossanello (1996) argumenta que "[...] o darwinismo social considera que os seres humanos,
são por natureza, desiguais, ou seja, dotados de diversas aptidões inatas, algumas superiores
outras inferiores" (p. 154), essa forma de pensamento aflorada no século XIX colocava em
lados opostos pessoas de cores diferentes.
A historiadora Bossanello ainda traz em sua obra os argumentos de outros teóricos,
todos os pensamentos apontam justificativas para colocar os negros como seres subalternos à
uma elite branca em muitos casos diminuta. Dentre os vários argumentos destaca-se Clark
(1988) a pontuar que

As ligações do darwinismo social com o racismo 'cientifico' foram estabelecidas
pelo antropólogo francês Georges Vacher de Lapouge (1854-1936), em sua obra
L´Arien. Para ele, as raças dividiam-se em superiores (arianos) e inferiores (judeus,
negros etc.) (p. 155).

25
26

Graduando em História, 8° período pelo UniAGES.
Graduanda em história, 4° período pelo UniAGES.

Desse modo, fica fácil entender o porquê da tamanha onda de racismo motivado pelo
preconceito contra os africanos e seus descentes em várias partes do mundo, pois onde quer
que tenha existido um processo escravocrata há indícios de racismo. As precárias e horríveis
condições de tratamento ao negro, capturado e levado as Américas na condição de servil,
contribuíram para a demasiada recusa social do negro e, em muitos casos, o não
reconhecimento de pertencimento a essas etnias africanas.
Conhecer um pouco do contexto histórico que aborda esse conteúdo é de extrema
importância para uma conscientização e entendimento do negro como um ser cultural e social,
pois como é de conhecimento geral esse é sempre visto como desprovido de cultura, crenças e
saberes. São justamente fatores como o conhecimento da afrocentricidade e o processo de
privação da liberdade sofrido por esses povos que tomamos como foco desse trabalho.
Os longos trajetos percorridos durante a travessia do Atlântico deixavam os cativos em
situações de extrema calamidade, dentre vários outros teóricos que debatem esses
acontecimentos, assim como poemas cantados em prosas e versos que narram tal evento, para
os autores o fato é que, buscando atender suas necessidades econômicas os traficantes de
escravos pouco estavam se importando com as condições de viagem desses cativos Pinsky
(2001). Ainda segundo Pinsky, cada vez mais se amontoavam uma imensa quantidade de
escravos nos navios, nos quais por motivos das longas viagens e falta de conforto e higiene
muitos vinham a óbito, os que permaneciam vivos seguiam viagem em condições deploráveis,
o mau cheiro que segundo alguns cronistas podiam ser sentido a distância.
Já em solo brasileiro esses escravos eram postos em condições pesadas de trabalho,
longe de suas terras, reprimidos em suas culturas e negadas as suas raízes. A esses povos só
restava à dor da saudade que era cantada durante os árduos dias de trabalho, mais uma vez,
Pinsky vem contribuir ao falar que as intensas rotinas de trabalho eram acompanhadas por
cânticos que faziam lembrar suas origens, e também relatavam muito sobre seus senhores,
quem sabem sabe por isso se criou uma imagem do negro como conivente com sua situação
de escravo, fato equivocado segundo o autor pois o negro resistiu sim e diversas formas
contra a negação de sua liberdade.
Esse trabalho foi desenvolvido tendo como base os artigos, livros, leis e teses onde foi
relevante traçar um panorama possível para uma pequena contribuição analítica que diz
respeito ao assunto. Graças a essas discussões de variadas, visões pode-se perceber e imaginar
como pudera ser as próximas décadas no que se refere ao reconhecimento do negro como ser
social e não mais com uma visão estereotipada de inferior. A lei 10.639 representa uma luta

que se arrasta por décadas, a implantação dessa lei significa uma abertura maior para os
estudos acerca da cultura africana e no que se refere ao Brasil de como a influencia desses
povos, vindos de tão longe, contribuíram na formação social, cultural, religiosa, culinária e
dentre os fatores. Em outras palavras, não há como compreender o Brasil sem destrinchar seu
processo histórico de formação que, obviamente, perpassa pela história dos povos africanos.
Há na historiografia uma gama de trabalhos sobre o desenrolar do período escravocrata e
ainda poucos estudos acerca do pós- abolição, um dos campos mais significativos para uma
compreensão sobre a construção do racismo no Brasil assim como em outras nações.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Pensar o fator racismo, para muitos, é imaginar que esse ato é novo em nossa
sociedade, um grande engano visto que, durante e logo após a abolição, os escravos e seus
descentes sempre foram marginalizados, e esse fenômeno continuou mesmo com os negros
abolidos da sua condição escrava. Na Bahia, do século XIX, segundo Fraga (1994), a cor da
pele servia de molde para classificação social da população baiana, sendo nesse sentido que
muitos indivíduos negavam a suas origens numa tentativa de inclusão na sociedade. Em
Sergipe, Avelino (2010) argumenta que as rotinas de descriminação contra os negros,
assassinatos, linchamentos, perseguições, coerções sociais e morais eram frequentes.

CONSIDERAÇÕES

Sem sombra de dúvida o final do século XIX ficou marcado na história de nosso país,
nesse período houve transições de suma importância em nossa sociedade, chegava ao fim o
regime escravocrata, que segundo Amaral (2007) significava para a sociedade brasileira uma
mudança nos padrões sociais. Uma nova era, segundo a autora, era noticiada nos jornais, uma
era de progresso, no entanto a mesma teórica enfatiza que em poucos dias após esse processo
as coisas começaram a se desenhar como seriam de fato. As divisões sociais se faziam
presentes em cortejos religiosos, mostrando assim que ao negro, recém-saído das senzalas,
não possuía o direito de igualdade social, alimentando assim, ao passar dos anos, a
proliferação do racismo.

REFERÊNCIAS

AMARAL, Sharyse Piroupo do. Escravidão, Liberdade e Resistência em Sergipe:
Cotinguiba, 1860-1888. ­ Salvador, 2007.
_________. Um pé calçado, outro no chão: liberdade e escravidão em Sergipe (Cotinguiba,
1860-1900). Salvador: EDUFBA; Aracaju: Editora Diário Oficial, 2012.
AVELINO, Camila Barreto Santos. Novos Cidadãos: trajetórias, sociabilidade e trabalho em
Sergipe após a abolição (Cotinguiba 1888-1910). 2010.
FILHO, Walter Fraga. Mendigos e vadio na Bahia do século XIX. Salvador, Bahia, Março
de 1994.
INIKORI J. E. História geral da África, V: África do século XVI ao XVIII / editado por
Bethwell Allan Ogot. ­ Brasília: UNESCO, 2010.
PINSKY, Jaime. 1939. Escravidão no Brasil. São Paulo: Contexto, 2001.

FORJADOS À GUERRA DOS BRANCOS:
A primeira guerra mundial sob um olhar africano

REGINALDO RODRIGUES DA SILVA FILHO27
LEIDIANE SILVA SANTANA28

INTRODUÇÃO

Ao longo da vida, estuda-se a primeira guerra mundial sob um olhar eurocêntrico, ao
qual coloca as principais nações envolvidas num patamar de rivalidades entre si, sobre as
quais decidiram os rumos do mundo contemporâneo. Grandes nações como Estados Unidos
da América, Alemanha, Inglaterra, França e Rússia compõem o clímax da guerra a qual
revolucionou o mundo ocidental e suas táticas de guerra ultrapassadas. O que não se vê de
fato são as contribuições de sociedades secundarizadas no decurso da história, como as
populações do continente africano, que mesmo sem as honras atribuídas as suas significativas
participações, modificaram as estruturas do território africano, com os grandes contingentes
migratórios dentro e fora do continente, e as diversas revoltas que se justificavam entre os
movimentos de resistência a colonização, e a guerra que se seguia.
Assim, devemos compreender as influências direta e indiretamente das populações
africanas nos conflitos das sociedades ocidentais como um papel considerado subalterno.
Ainda, perceber as consequências sociais, econômicas e políticas da guerra para os africanos.
Incitar as principais estratégias de guerra em solo africano, e, por fim, analisar o pensamento
africano sobre a guerra.
Os principais recursos metodológicos utilizados na pesquisa se baseiam em estudos de
teóricos africanistas que construíram uma das maiores coleções sobre estudos afrikana no
ocidente, em parceria com a UNESCO. A referência base para essa pesquisa vem do autor
Michael Crowder.

27
28

Graduando em história pelo UniAGES.
Graduanda em história pelo UniAGES.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Os principais pontos de discussão sobre a participação africana na primeira guerra
mundial se definem entre as influências diretas e indiretas que essas nações recémcolonizadas inferiram sobre o conflito. As hostilidades, que se tornavam cada vez mais
recorrentes na Europa, surpreendiam as populações colonizadas pelo fato de que, pela
primeira vez se via os povos brancos guerreando entre si, o que antes só era vista as
conciliações presentes entre eles, principalmente na repartição do território africano.
Com o início do conflito na Europa, os governantes de diversos territórios africanos
acreditavam que a guerra não ultrapassasse o Saara (ao norte do continente). Dos dois lados,
tanto das colônias dos aliados, quanto do centro, tentava-se evitar as hostilidades, mantendose neutros, esses relatos são marcados no texto de Crowder (2010) citando os territórios de
Togo, Costa do ouro, costa do Daomé, Tanzânia e Congo que "Esperava-se até que as
disposições do tratado de Berlim (1885) relativas à neutralidade da bacia convencional do
Congo permitissem evitar a guerra na África ocidental e central." (p. 324).
No entanto, algumas estratégias de guerra foram desenvolvidas pelas nações aliadas,
para barrar a forte influência do comércio alemão na África, que chegava a movimentar 80%
do mercado importador e exportador, mesmo em colônias estrangeiras. Assim, o Reino Unido
ataca os principais portos do continente, mantendo o controle marítimo e inviabilizando a
comunicação da metrópole alemã com suas colônias. Segundo Crowder (2010) a veracidade
como as negociações britânicas tomaram o lugar de seus concorrentes, sugere que, o Reino
Unido, país adepto do livre- câmbio como a Alemanha, viu uma oportunidade para expandir
seu Império econômico.
Com a saída do comércio externo alemão nas regiões ocupadas, houveram
consequências negativas como a queda nos preços de produtos básicos, elevação dos preços
de importados, assim como a ocupação de plantações, comércios e industrias confiscadas
pelas potências aliadas. No entanto, estimulou o desenvolvimento industrial no continente,
trouxe para a África o desenvolvimento do mercado interno, através das estradas e rodagens,
assim como também o crescimento da comercialização nos portos.
Uma das estratégias francesas em suas colônias africanas foi o recrutamento de
soldados, para a formação de um exército permanente, ao qual pudesse participar das batalhas
travadas em território africano, fosse de guerra contra os aliados, ou para conter as revoltas

que se perpetuavam pelas colônias. Os principais métodos de recrutamento utilizados
contavam com o desejo de tornar-se cidadão francês ou obter melhores salários em meio à
guerra. Aos que não se identificavam com os benefícios propostos, foram submetidos a
conscrição, que exigia o alistamento de todo homem africano entre 20 e 28 anos. Os
recrutados eram enviados para as principais frentes de batalha (exceto a frente oriental) para
auxiliarem na divisão e distribuição de suprimentos, substituir os operários nas fábricas da
metrópole e manter a ordem nas administrações das colônias.
As consequências desses alistamentos forçados se perpetuaram pelo continente,
causando as revoltas e movimentos africanos que desejavam recuperar sua independência,
resistir às imposições da guerra, do recrutamento obrigatório e do trabalho forçado. Além das
oposições religiosas, que mesmo com o Djihãd apresentavam-se como ameaça.
[...] a Primeira Guerra Mundial foi 'a demonstração mais horrenda, mais destruidora
e mais caprichosa do poder absoluto europeu que a África oriental jamais
conhecera'. A importância das forças em presença, o poder de fogo, a amplitude das
devastações, os estragos das doenças, o número de perdas africanas, tudo isso
eclipsou as primeiras campanhas pela conquista colonial [...] (CROWDER, 2010, p.
343).

Forjados à guerra dos brancos, os africanos foram submetidos ao que Osuntokun
(1975) define por Novo tráfico negreiro. Além de ter mais uma vez saído de sua terra, foram
para uma "terra de ninguém", trabalhar para colonos forçadamente, sem esperanças de voltar
a sua terra, e ao fim da guerra, o repatriamento desses soldados fez com que uma epidemia de
gripe se espalhasse pelo continente entre os anos de 1918 e 1919.

CONSIDERAÇÕES

Pensar primeira guerra mundial e centrar seu contexto numa parte do mundo
desconsidera toda exploração e luta forjada que as populações africanas tiveram de enfrentar,
adicionando mais uma cicatriz a luta do povo que há séculos teve de lidar com a presença de
estrangeiros no território.
Em números, mais de um milhão de soldados africanos participaram da guerra na
África e na Europa, sendo cerca de cento e cinquenta mil mortos e incontáveis feridos que
levaram sequelas da guerra pra dentro do continente, contaminando suas comunidades e
envolvendo mais alguns números de inocentes nesses dados. Estima-se que a guerra tenha
interferido diretamente na vida de 1% da população africana.

REFERÊNCIAS

CROWDER, Michael. A primeira guerra mundial e suas consequências. In: BOAHEN, A. A.
História Geral da África. Vol. VII. Brasília: UNESCO, 2010, p. 319- 351.
OSUNTOKUN, J. Governo colonial da Nigéria e insurgência islâmica na África
Ocidental francesa, 1914-1918. CEA, XV, 1975, p. 85-93.

A IMAGEM DO CONTINENTE AFRICANO:
Movimentos de resistência

VANIELE DA PENHA SILVA29

INTRODUÇÃO

A referente pesquisa faz uma análise das dificuldades do reconhecimento das
produções literárias e historiográficas do continente africano. As dificuldades de produções do
entendimento desta produção apresenta-se como uma nova visão do ver o mundo
afrocentricidade essa percepção de olhar para história do mundo, se faz necessária para que
possamos compreender as explicações históricas da humanidade.
Só podemos compreender o presente nos referindo ao passado e estudando de forma
continuada, quando qualquer um dos fenômenos complicados nas nossas vidas cotidianas. No
entanto devemos sempre lembrar que embora a sua solução esteja no presente sua causa e
explicação estar no passado. O diálogo que nos faz refletir sobre a cultura africana se torna
ainda mais significante, quando recordamos sua rica história, superando os danos causados
pela civilização à visão apresentada de forma distorcida do continente africano nos faz refletir
sobre os processos históricos marcados os grandes processos de resistências.
O desafio às autoridades se concretizou movimento de resistência do sistema colonial,
a forma de diferença dominante diante da rica variedade das culturas pré-coloniais africanas.
A dominação que afeta em todos os espaços geopolíticos, a principal marca deste processo de
colonização sempre foi marcada pela violência desse propósito pela irracionalidade da
dominação que confisca as terras e aumentavam o excesso de trabalhos e os impostos.

DISCUSSÃO E RESULTADOS
Cria-se um grande movimento de resistência segundo Hernandes (2008)30, o manifesto
através do eurocentrismo, que tem de se a colocar uma visão do mundo europeu, assim como
a cultura suas línguas, entre outros, as causas principais eram a importância da resistência à
29

Graduanda em história pelo UniAGES.

HERNANDEZ, Leila Maria G. A África na sala de aula: visita à História contemporânea.
4 ° ed. São Paulo: Selo Negro, 2008.
30

irracionalidade dos movimentos e a sociedade hierarquizada, talvez um dos movimentos
religiosos, políticos, econômicos e culturais.
Alienação da soberania trouxe uma perto da independência da liberdade e o ensaio de
resistência constante por parte da população local do governo Colonial francês apenas 1988 a
1914 ocorreu uma perda da soberania, configurando-se na queda do sistema colonial e das
ideias religiosas e despropósitos do mecanismo econômico da correção e repreensão das
manifestações culturais.
As transformações do racismo em leão na África do Sul, ocasionou a segregação
racial, retirando os direitos dos negros e dando Total privilégios brancos para Nascimento31:
inicia-se um grande embate entre o colonizador e colonizado, pois havia uma insatisfação do
colonizador pois eram praticados horrores inaceitáveis, caracterizados como o poder
totalitário institucionalizado a discriminação a violência e o racismo a ideologia, do racismo
transferir o imperialismo transcendendo nos dias atuais pois as diversas raças que se
classificam como raça Branca superior e uma raça Negra como inferior.
Segundo Hernandes32, os povos e culturas expostos obedecem uma organização
temporal, eram classificados como selvagem bárbaros, civilizados e dessa forma o mundo se
foi dividido entre raça superior, glorificada por uma missão civilizatória, atribuída raças
inferiores. Tais acontecimentos levaram a insatisfação, criando os movimentos de resistência
cujas e a ideologia do pan-africanismo. No Brasil, o seu grande propagador é o Abdias
Nascimento; a ideologia do Pan-africanismo mostra a junção caracterizada pela união dos
povos em uma única ideologia de liberdade, igualdade e da paz e da união.

CONSIDERAÇÕES

O processo de exploração das colônias africanas durante muito tempo, e as
consequências atuais foram derivadas de vários fatores históricos sobretudo a exploração,
identifica o processo de independência das colônias da relação metrópoles europeias e da
dominação historicamente da descolonização. A cultura africana, que tanto influenciou o
mundo, está relacionada a uma esfera social do continente africano e a maneira eurocêntrica
de olhar baseia-se na importância de tal caracterização matrilinear e patrilinear por ser uma

31

NASCIMENTO, Eliza Larkim. A matriz africana no mundo. São Paulo: Selo Negro, 2008.
HERNANDEZ, Leila Maria G. A África na sala de aula: visita a História contemporânea. 4a ed. São Paulo:
Selo Negro, 2008.
32

cultura africana matriarcado que passou a ser definido pela antropologia e etnologia como
uma forma primitiva de organização familiar.
Para ver o mundo, a afrocentricidade devemos repensar a enraização na imagem
cultural dos povos africanos, que se baseia nas visões dos valores e nas práticas que a
envolvem. Esses valores e inclui necessariamente um compromisso profundo com a verdade,
justiça, liberdade, dignidade, com a comunidade e o respeito. Portanto, conclui-se que o
relacionamento das independências e dos movimentos africanistas faz parte de uma reflexão
que temos até os dias atuais.

REFERÊNCIAS
HERNANDEZ, Leila Maria G. A África na sala de aula: visita a História contemporânea. 4ª
ed. São Paulo: Selo Negro, 2008.
NASCIMENTO, Eliza Larkim. A matriz africana no mundo, São Paulo: Selo Negro, 2008.

ST 3 ­ ENSINO DE HISTÓRIA: Saberes e Práticas
Coordenador: Prof. Dr. Igor Fonseca de Oliveira
RESUMO: Este Simpósio Temático objetiva reunir, apresentar e discutir pesquisas,
preferencialmente concluídas, acerca do Ensino de História na contemporaneidade. Nesse
sentido, pretende-se, sobretudo a partir da troca de saberes e experiências, apontar
caminhos e possibilidades, assim como dar sentido e significados aos aspectos ­
epistemológicos e metodológicos desenvolvidos pelos docentes e discentes no ensino de
História escolar e nos demais espaços de enunciação.

O USO DAS TICS E SUAS IMPLICAÇÕES NO ENSINO DE HISTÓRIA NO
COLÉGIO SENADOR LOURIVAL BAPTISTA

CRISLAINE SOUZA SANTOS
LÍLIA CÁSSIA DO NASCIMENTO OLIVEIRA
INTRODUÇÃO

Para cada avanço tecnológico, uma mudança de comportamento é prenunciada e
necessária. Estamos cada vez mais sendo inseridos voluntaria ou involuntariamente no mundo
das TDICs (Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação) e isso requer reconhecer a
influência destas na educação, mesmo que hajam contratempos por hora, imprevisíveis. Sendo
assim, a presente comunicação oral busca a exposição e compreensão das experiências
vivenciadas durante a aplicação do Estágio Supervisionado III (docência), buscando conhecer
a aplicação e uso das TDICs e as suas implicações no ensino de História do Colégio Estadual
Senador Lourival Baptista. A escola em questão foi construída no Povoado Triunfo, região
agreste do Estado de Sergipe, em setembro de 1987, com o empenho da prefeitura de Simão
Dias, com vistas a implantação do 1º grau no povoado, levando o simbólico nome de Escola
de Primeiro Grau Senador Lourival Baptista, em homenagem ao celebre Sr. Senador Lourival
Baptista, que fez parte do quadro político sergipano33.
A referida escola já tem um histórico de projetos interdisciplinares, o que veio a nos
transmitir maior confiança na execução das atividades relacionadas ao uso das TDICs. Por
tanto, as atividades propostas estiveram distribuídas em entrevistas, coleta de dados,
fotografias, e um safári fotográfico pela comunidade do Povoado Triunfo, onde se localiza a
escola mencionada, estas atividades foram feitas pelos alunos do 6º ano "a" e "b". Tivemos
como metodologia o uso da história oral, bem como fontes históricas, e desta maneira fazendo
um elo entre estas e a chamada "História Digital", como explica Carvalho (2014, p.165-188).
Na atribuição desta proposta, buscamos um novo olhar do docente acerca da pedagogia de
projetos e de suas várias maneiras de ser aplicada, pois não existe um único modo, uma



Graduanda em História pela UniAGES.
Graduanda em História pela UniAGES.
33
Informações retiradas do Projeto Político Pedagógico do Colégio Estadual Senador Lourival Baptista, ano de
2015.


fórmula acabada de se ensinar e aprender, "[...] o ato de projetar requer abertura para o
desconhecido, para o não determinado e flexibilidade para reformular as metas à medida que
as ações projetadas evidenciam novos problemas e dúvidas" (PRADO, 2005, p. 12-17).

DISCUSSÃO E RESULTADOS

No uso das metodologias já mencionadas, os alunos, puderam diante de uma
perspectiva articulada com o conteúdo histórico, despertar para a ideia de pertencimento e
situar-se como sujeitos históricos e auto afirmar diante da própria história. "O uso das mídias
tecnológicas permite ultrapassar as fronteiras culturais e sociais. Então, o mundo virtual
permite que nos construamos em termos de forma, imagem, pensamentos, relações."
(SCHLEMMER, 2014, p. 329), o que conclui na existência de vários caminhos que podem ser
tomados pelo docente, para que o aluno consiga construir junto o seu próprio conhecimento e
associá-lo a sua própria realidade, não mais como algo longínquo.
Portanto, "Ensinar e aprender a história local e do cotidiano é parte do processo de
(re)construção das identidades individuais e coletivas, fundamental para que os sujeitos
possam se situar, compreender e intervir no meio em que vivem como cidadãos críticos"
(FONSECA, 2003, p. 240), o que implica na importância que a nossa ação pedagógica teve
como projeto, uma vez que acabou por se encaixar no planejamento anual que já havia sido
feito pelos professores e consequentemente serviu como pilar para a concretização desses.
O recurso tecnológico ou associação das redes sociais, inseridas e integradas aos
conteúdos não é amplamente usado em sala de aula, especificamente na unidade e na turma
analisada - sendo vez ou outra, utilizado o Google Earth - por conta da diversidade de
ilustrações e relações apresentadas pelo livro didático, de acordo com a declaração da
professora Aldenise Cordeiro, facilitado pela combinação entre o ser professores e
pesquisadores. Numa análise final das atividades desenvolvidas, é perceptível e não
mensurável o aprendizado gerado. Não mensurável por ser qualitativa e não poder ser medida
em essência a compreensão e sensibilização que essa proposta possibilitou; sobre a
importância da História Local, o reconhecimento de sua identidade em outras pessoas que
antes passavam despercebidas, na importância do compartilhamento das memórias.
O conhecimento do conteúdo, sobre fontes históricas e sua relação com a realidade acarretou numa percepção do oficio do historiador e algumas de suas diversas fontes e

ferramentas de trabalho e a integração da tecnologia no ambiente pedagógico de maneira que
não seja utilizada como objeto de aprendizagem significativa -, pode ser ainda sim
mensurável superficialmente nas avaliações escolares da disciplina nessa unidade, uma vez
que os professores usariam as ações do projeto como uma base para avaliação daquela
unidade. Quando os alunos nos mostraram algumas avaliações que já tinham recebido os
resultados em praticamente todas as disciplinas tinham uma relação com os conteúdos da
História, relembrando Fonseca no texto Fazer e ensinar História, não são as disciplinas em si
que entram em cena, mas seus múltiplos conteúdos, os seus diferentes níveis de abrangência
que correspondem a objetivos e expectativas de aprendizagem das turmas.
Ao fim das intervenções, é perceptível através de uma avaliação progressiva o
aumento gradual do interesse de fazer as atividades dos alunos e a satisfação que
demonstravam em fazer, sobretudo na última intervenção quando se esforçaram para auxiliar
na montagem da exposição em todos os momentos, e o reconhecimento da importância do
trabalho desenvolvido veio logo em seguida ao fim do primeiro dia de exposição quando
demais professores parabenizaram pelo trabalho feito, deixando o legado que seria o grupo no
Facebook onde todas as atividades realizadas poderiam ser ali compartilhadas:
movimentamos a página da escola através desse projeto, sobretudo o trabalho com a História
Local sobressaiu, chamando ainda mais atenção que a página num primeiro momento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pedagogia de projetos é um caminho que tem diversas direções a ser seguidas, e
estas podem proporcionar, principalmente, ao crescimento enquanto professores e mediadores
na construção de cidadãos críticos e capazes de transformar a realidade em que vivem. O
Ensino de História e o uso das novas mídias tecnológicas veio para quebrar um pouco da
barreira entre TDICs (Tecnologias digitais da Informação e Comunicação) e o ensino, veio
para mostrar que podemos sim aprender de forma significativa, usando aparatos tecnológicos,
associando a educação informal apreendida nas instâncias em que os alunos convivem com a
educação escolar.
Guardar as memórias, as pesquisas, as histórias de uma comunidade, de uma cultura,
como foi proposto no presente trabalho, é um ato acima de tudo de respeito, respeito pelo
passado e pela a historicidade que esse passado carrega e que consequentemente está
interligado ao nosso futuro.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Bruno Leal Pastor de. Faça aqui seu login: os historiadores, os computadores e as redes
sociais online. Revista História Hoje, volume 3, nº5. p. 165-188. Artigo recebido em 30 de maio de
2014. Aprovado em 27 de junho de 2014.

FONSECA, Selva Guimarães. Didática e Prática de Ensino de História: experiências,
reflexões e aprendizados. Campinas, SP: Papirus, 2003, p. 240.
PRADO, Maria Elisabette Brisola Brito. Pedagogia de Projetos: fundamentos e implicações.
In: ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de: MORAN, José Manuel (Org.). Integração
das tecnologias na educação. Brasilia: Ministério da Educação/SEED/TV Escola salto para o
futuro, 2005. SCHLEMMER, Eliane. In: Facebook e educação: publicar, curtir,
compartilhar/ Cristiane Porto; Edméa Santos (Organizadoras). Campina Grande: EDUEPB,
2014.

ENSINO DE HISTÓRIA:
O lugar e o sentido da história local

DANIEL DA SILVA COSTA34
RODRIGO AUGUSTO DE LIMA ARAÚJO35

INTRODUÇÃO

Pensar a disciplina História em sala de aula é justamente pensar um mundo de
possibilidades para além do chão da escola. As Ciências Humanas e Sociais detêm um poder
influente maior e mais significativo que qualquer outra área do conhecimento. É a ela que se
atribui a responsabilidade, quase que sozinha, dos ensinamentos como senso de justiça,
reconhecimento de sua identidade nacional e local, de suas responsabilidades sociais, dos seus
direitos e deveres enquanto criança, adolescente, adulto e idoso, de sua convicção moral e seu
entendimento ético entre outros, que certamente remetemos a um ensinamento
verdadeiramente Humano e Social.
Há, inegavelmente, um desenvolvimento tecnológico crescente e uma visível mudança
nos costumes de forma geral das sociedades. Agora as chamadas sociedades de consumo,
onde tudo é criado para atender uma demanda mercadológica e constantemente essas
"criações" inovadoras são facilmente ultrapassadas. Obviamente isto fortalece em nossos
estudantes um desinteresse pela disciplina de História, uma vez, desde sua implantação como
disciplina, ainda no século XIX, até meados da década de 80, a História enquanto disciplina,
tanto na escola quanto nas universidades, estava muito ligada à ideia positivista, uma história
factualista, sem poucas ou quase nenhuma inter-relação com a realidade dos sujeitos e
temporalidades.
Neste sentido, na prática, continua vigente a tendência que os currículos, livros e
educadores possuem de isolar acontecimentos históricos como se cada um deles possuíssem
uma conjuntura singular; usando apenas a história do livro didático, de modo que, lançando

34
35

Graduando em História, VIII período, UniAGES.
Graduando em História, VIII período, UniAGES.

mão de um processo de ensino-aprendizagem de uma história voltada a preparar para os
exames nacionais e vestibulares, legitimam a história como algo distante da realidade dos
alunos, como se a sua história, a história da sua comunidade, suas vivências, seus valores,
possuíssem uma história paralela, uma vez que, o aluno estuda o que está no livro didático ou,
na fala do professor, como se nada tivesse influenciado na história e formação de sua
realidade.
Este último problema é bastante visível quando da tentativa de trabalhar com a história
local no ambiente escolar, pois os mesmos discursos vistos nos livros didáticos acabam
tomando conta da história local, uma vez que baseadas apenas nos grandes nomes da
localidade, datas cívicas etc.
E neste contexto que este trabalho possui como objetivo central discutir a importância
da História local no processo de ensino aprendizagem da disciplina História, bem como
apontar fatores e equívocos que dificultam sua introdução no currículo escolar; além de
discorrer sobre as concepções de história por parte de estudantes do ensino fundamental. Esta
discussão se dará a partir dos resultados do projeto de Estágio supervisionado III aplicado na
Escola Municipal Emílio Garrastazú Médici36, o município de Paripiranga/BA.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Tomando como base o questionário realizado com alunos do 9º ano da Escola
Municipal Emílio Garrastazú Médice, ficou claro que o conceito de história ainda está
completamente atrelado à ideia de estudo do passado, ou algo encerrado, de modo que, dentre
os 30 alunos que responderam ao questionário, 22 desses, quando depararam-se com a
pergunta "Para você o que é História", associaram-na com o estudo do passado, dos fatos
ocorridos, como é o caso da estudante Edla, que responde tal pergunta da seguinte maneira,
"História é algo que serve para aprender mais detalhadamente sobre coisas de antigamente
que fizeram mudanças naquela época"; ou seja na concepção desta estudante não existe
correlação entre as mudanças ocorridas em uma temporalidade anterior e a conjuntura atual,
da mesma que o estudante Fabrício, que quando perguntado sobre "Para que serve o estudo da

36

Nesta instituição foi aplicado questionário aos alunos, versando sobre as suas concepções acerca da história,
após isso, usou-se a metodologia da pedagogia de projetos, onde estes alunos visitaram espaço o Laboratório de
Estudos e Pesquisa em História - LEPH (UniAGES), e por último, foi aplicado projeto onde os estudantes
construíram suas próprias narrativas acerca de determinado tema, usando fontes locais.

História", responde: "Para relatar o que aconteceu no nosso Brasil no passado (guerras,
conflitos e etc.)".
É por este motivo que, conforme Bitencourt (2004), o primeiro desafio ao profissional
que se propõe a ensinar a disciplina História, isto é, mostrar aos seus alunos qual a
importância da História em sua e vida, que consoante os PCNs (Planos Curricuares
Nacionais), é desenvolver nos estudantes a capacidade cognitiva de estabelecer relações
históricas em múltiplas temporalidades; reconhecer semelhanças, diferenças, mudanças e
permanências; conflitos e contradições sociais entre diferentes contextos históricos; este seria
o papel do ensino de História, a verdadeira aprendizagem significativa da disciplina seria
aquela onde o estudante conseguisse identificar-se como sujeito ativo da história e com a
comunidade e, a partir daí, desenvolver sua cidadania. Estas deliberações dos PCNs,
consoante Fonseca, vieram para reforçar o caráter formativo da História na constituição e
reconhecimento das identidades, na constituição da cidadania, do reconhecimento do outro e
da pluralidade étnica, cultural e religiosa, além da defesa da democracia.
É neste contexto que Oriá, defende a importância da introdução da história local nos
currículos escolares, pois, em sua concepção, ela permite que o aluno parta do concreto para o
abstrato, ou seja, partindo das questões locais, poder-se-á atingir questões de âmbito global.
Posteriormente, ficou evidenciado durante a efetivação da intervenção do projeto que é
de fundamental importância o sujeito no centro de um processo de pesquisa e análise de
informações, orientá-lo em como transformar aquelas informações em dados e
consequentemente, mais tarde, em conhecimento histórico foi o nosso desafio maior. Isso pelo
fato de que, nas visitas ao laboratório às duas turmas do 9º ano, foi bastante perceptível a
atenção que os estudantes davam as falas acerca da história da cidade, dos monumentos, dos
personagens locais, formulando perguntas. Além disso, selecionamos passagens dos
periódicos já citados, e levamos impresso para a sala de aula. Após a contextualização
histórica do conteúdo, usamos as fontes como base de análise e de suas interpretações sobre
essas fontes. De modo que na culminância do projeto, onde os alunos apresentaram um
seminário sobre o coronelismo, pode se verificar, ainda que de modo tímido, uma mudança na
concepção que o aluno possui acerca da história enquanto campo de estudo, atrelando-a mais
com o contexto local.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante de todo o exposto, mostra-se imprescindível levar em conta o universo da
criança ou do adolescente, garantindo que o que se está sendo discutido e estudado em sala de
aula esteja ganhado sentido no universo do estudante, uma vez que o objetivo do ensino da
História é a formação da cidadania, e esta cidadania será exercida no locus de vida deste
sujeito, logo sem a história o individuo desconhece o próprio "território" em que vive, assim a
história local precisa ser mais utilizada no ambiente da sala de aula, precisando, entretanto,
vencer a tendência de isolamento dos demais conteúdos, relacionando-se mais com os
contextos mais amplos e a o equívoco de utilizar a história local como simples recurso de
memorização de datas, fatos e nomes locais.

REFERÊNCIAS

BITTENCOURT, Circe. O saber histórico na sala de aula. 9ª ed. São Paulo: Contexto,
2004.
BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasilia:
MEC/SEF, 1996.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: história
/ Secretaria de Educação Fundamental. ­ Brasília: MEC / SEF, 1998.
BURKE, Peter. A escrita da história novas perspectivas. In: Abertura: a nova história, seu
passado e seu futuro. Tradução de Magda Soares. São Paulo: Unesp, 1992, p. 12.
CAIMI, Flavia Eloisa. Por que os alunos (não) aprendem História? Reflexões sobre
aprendizagem e formação de professores de História. Tempo, Nº 21, 2007.
CAINELLI, Marlene. O que se ensina e o que se aprende em História. In: OLIVEIRA,
Margarida Maria Dias. História: ensino fundamental. Brasília: Ministério da Educação,
Secretaria Básica, 2010.
DUTRA, Maria de Fátima da Conceição. O ensino da História local e a temporalidade:
experiência formativa em uma turma do ensino fundamental da rede municipal do
Recife.
UFPE:
Disponível
em:
https://www.ufpe.br/pibid/images/EXPOPIBID_2014/Pedagogia/
O_ENSINO_DA_HIST%C3%93RIA_LOCAL_E_A_TEMPORALIDADE_EXPERI%C3%8
ANCIA.pdf.

FONSECA, Selva Guimarães. O estudo da história local e a construção de identidades.
Didática e prática de ensino de História: experiência, reflexões e aprendizados. Campinas, SP,
Papirus, 2003.
ORIÁ, José Ricardo Fernandes. Um lugar na escola para a História Oral. Ensino em Revista,
4, jan./Dez. 1995
SELBACH, Simone. História e Didática. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

NOVAS TECNOLOGIAS:
Jogos e vídeos como possibilidades de práticas no ensino em história

PEDRO DAVID GOIS ALVES 37

INTRODUÇÃO

A presente pesquisa busca discutir sobre a importância das novas tecnologias como
práticas potencializadoras de uma aprendizagem significativa na disciplina de história. Ou
seja, através dos avanços tecnológicos que com o passar do tempo estão ganhando cada vez
mais destaque e espaço em nosso meio. Diante disso, com esses avanços, esses artifícios que
fazem parte do nosso dia-dia, acabam trazendo uma serie de ferramentas que podem ser
trabalhadas dentro da disciplina de história, como por exemplo, os vídeos, imagens e jogos
eletrônicos, onde muitos deles são ricos em informações sobre fatos históricos passados,
culturais e acontecimentos.
Partindo desse contexto, é importante citar como exemplo o jogo Assassins Creed
Unity, que trata a questão da Revolução Francesa, onde esse game se passa em um cenário
que é idêntico ao que é tratado em sala de aula, onde vai de 1789­1799, e o Assassins Creed
Sindycate, que vai ter como base a Revolução Industrial e vai adentrar na história moderna, e
tem seu tema voltado para Revolução Industrial, onde o mesmo vai se passar da metade do
século XVIII e começo do XIX, e os conteúdos históricos que são encontrados em vídeos.
Então, são muitas as possibilidades de dinâmicas e inovações que o professor pode estar
trazendo para sala de aula.
Partindo desse pressuposto é cabível elencar com base em MORAN (2013) que,
mesmo dialogando sobre o quanto as Novas Tecnologias e suas "ferramentas" são ricas em
conhecimentos e em dinâmica, muitas escolas e professores as veem como algo negativo para
a educação, quando na verdade é o contrário, e na maioria das vezes o próprio professor não
sabe lidar com essas ferramentas tecnológicas, e isso acaba fazendo com que as aulas de
história passem a ser cansativas e repetitivas. Ou seja, composta apenas pelo método de
37

Cursando história pelo Centro Universitário AGES Paripiranga ­ BA. E-mail: [email protected]

ensino tradicional. Nesse contexto o professor de história precisa ter conhecimento sobre
essas duas ferramentas e assim trabalha-los a favor de suas aulas, pois, como é notável, hoje
existe um grande número de alunos que possuem esses aparelhos e muitos deles têm acesso à
internet e esses jogos, então essas tecnologias como os jogos e os vídeos podem ajudar a
estabelecer um elo entre conhecimentos acadêmicos, e também com os adquiridos e
vivenciados pelos alunos, ocorrendo assim mudanças de experiência e ideias entre professor e
o aluno. Portanto, essa pesquisa, ressaltar o quanto essas ferramentas tecnológicas são
fundamentais para o ensino de história, já que muitos desses recursos são ricos em conteúdos
históricos, são ricos em conhecimentos e informações.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Os avanços tecnológicos como vídeos e jogos e imagens, além de ajudarem na
informação e comunicação, acabam influenciando também no processo de ensino e
aprendizagem, onde muitas das vezes podem ser usados como uma ferramenta para somar
com a metodologia utilizada pelo professor em sala de aula, pois ambas são compostas por
muitas informações e conhecimento. Ao exemplo, os jogos digitais, onde pode dizer que a
história ela sempre forneceu temas para a construção do mesmo. Assim é fundamental
advertir com base em aborda Fonseca (2008) que, essas guias educacionais complementares
oferecem feitios declaradamente baseados nas tendências atuais e passadas da historiografia,
tais como: a apreensão de que o passado não se encerra em si mesmo, mas deve ser visto
como um processo;
Vale ressaltar com base em Violin (2012) que, os jogos, vídeos e outros meios
tecnológicos, como computadores podem e devem ser pensados como uma aliada nesse
sentido de ensino e aprendizagem, pois é um objeto presente no cotidiano do aluno que já
fazem uso desses meios de informação fora do ambiente escolar. Assim pode-se utilizar esses
recursos para transmitir conteúdos com o objetivo de tornar a aula mais dinâmica e criativa,
além de dá ao professor o controle sobre suas aulas. Então é fundamental elencar com foco
em Chiapinni (2005) que o trabalho com vídeos, jogos e outros recursos tecnológicos, eles
podem e devem ser especialmente instigantes e produtivos, tanto pelos resultados da
investigação histórica, quanto pelo próprio percurso dessa investigação. Ou seja, os mesmos
contribuem para o processo de ensino e aprendizagem, possibilitando assim o
desenvolvimento nos alunos, de certo modo crescente, pois eles mesmos já utilizam desses

meios tecnológicos em casa e isso vai gerar interesse pela realização de projetos e atividades
realizadas em sala.
Assim é importante dizer, com base em Guimarães (2016), que esse espaço dos jogos
e vídeos, deve ser pensado no campo da possibilidade, visando à inclusão de alunos e
professores em modos, e maneiras de produzir conhecimento, medidas por tecnologias, onde
haja espaços para convivência e não a censura; ou seja, trabalhar para questionar o jogo, mas
não seu uso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Objetiva-se através dessa análise que trata a respeito das novas tecnologias como
prática educativa no ensino de história, advertir sobre o quanto a disciplina tornasse uma peça
chave no que tange essas dinâmicas ligadas aos artifícios tecnológicos, como por exemplo os
jogos e vídeos. Além de ressaltar o quanto é fundamental o professor da área está se
adaptando a elas, e desse modo, fazer das suas aulas um lugar mais prazeroso rico em
dinâmicas, aprendizados, diálogo, inovação e fuga do ensino tradicional, pois a disciplina de
história necessita muito de professores capazes de mediar o aluno da maneira mais produtiva
possível e de tal modo expor propostas e projetos que aprontem os professores para lidar com
tais recursos em prol dos alunos e da escola, além de proporcionar uma educação significativa
e condizente com os alunos.

REFERÊNCIAS
CHIAPINNI, L. A reinvenção da catedral. São Paulo: Cortez, 2005.
FONSECA, Selva. Jogos Digitais, juventude e as operações da cognição histórica. In:
FONSECA, Selva. Ensinar e aprender História: formação, saberes e práticas educativas.
São Paulo: Alínea, 2008.
GUIMARÃES, Selva. Ensino de história e cidadania. Campinas, SP, Papirus, 2016.
MORAN, José Manuel Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 21ª Ed. rer. E atual. ­
Campinas, SP: Papirus, 2013. ­ (coleção Papirus Educação)
VIOLIN, Fernando Augusto. A utilização da TV Pendrive no ensino de Sociologia como
possibilidade da aprendizagem significativa. Artigo apresentado no II Seminário de Estágio
de Licenciatura de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina. 2011/ Sugestões
de ensino de Sociologia / (organizadora) Ângela Maria de Sousa Lima... [et al.]. ­ Londrina:
UEL, 2012.

O FAZER-SE DOCÊNCIA:
Estágio Supervisionado IV discente, experiências e vivências na Escola Estadual
Lourival Baptista

PRICILA NEVES DOS SANTOS38

INTRODUÇÃO

O referido artigo em questão trará as experiências e vivências do Estágio
Supervisionado IV discente na Escola Estadual Lourival Baptista na cidade de Simão DiasSE, povoado Triunfo, trazendo a relevância do fazer-se docência a partir da elaboração de
planos de aula e apropriação de instrumentos teóricos e metodológicos que nos possibilitou a
oportunidade de aprendizagem da profissão enquanto educador e formador de cidadãos
críticos.
Por isso, é essencial conhecer o âmbito escolar para que dessa forma possamos nos
deparar com as interfaces da realidade da sala de aula em sua problematização e
contextualização na comunidade Triunfo, aprendendo com a educadora e todo corpo de
gestores a profissão como é o ensino e como ensinar. Percebendo assim que nós enquanto
estagiários também temos opções políticas, a partir do momento que fazemos o planejamento
dos conteúdos, notamos as vivências plurais dos membros da comunidade escolar para
organização do currículo em combate às desigualdades sociais, além de contribuir na
formação de cidadãos.
Mediante a isto, o objetivo geral é analisar a importância do Estágio Supervisionado
IV discente na formação do fazer-se docente. Os objetivos específicos serão centrados em
compreender as implicações da desvalorização da disciplina de História. Mostrar que o livro
didático serve como instrumento para desenvolver o ensino-aprendizado. Trazer à tona a
experiência e vivência do Estágio.
Enfim, o objetivo primordial é enfatizar a relevância do estágio enquanto experiência e
vivência com o exercício docente, contribuindo, pois, para formação continuada. Neste
38

*Graduanda em História, pela UniAGES Centro Universitário De Ciências Humanas e Sociais. E-mail:
[email protected]

aspecto, as ações que foram desenvolvidas na escola, ou melhor, na sala de aula, foi fruto do
planejamento escolar na elaboração de planos de aula que pudesse atingir o máximo do
cotidiano dos discentes e que eles pudessem se perceber como agentes históricos, construtores
de sua própria história.

DISCUSSÕES E RESULTADOS

Percebemos na prática que aprender a profissão vai além do âmbito acadêmico ou da
teoria, esse momento circunscreve a partir da experiência em sala de aula da relação recíproca
aluno/professor.
O conhecimento específico da disciplina no caso, o conhecimento historiográfico,
saberes curriculares, conteúdos, metodologias e materiais, além da bagagem de saberes
pedagógicos sobre a atividade educativa, e não poderiam faltar os saberes práticos da
experiência. Neste sentido, o historiador-educador (estagiário), teve ser alguém que domina
não apenas os mecanismos de produção do conhecimento histórico, mas um conjunto de
saberes, competências e habilidades que possibilitam o exercício da docência. "A sala de aula
indica pistas fundamentais para que o professor articule esses conhecimentos". (PAIM, 2013,
p. 269). Assim, a dinâmica de formação e fazer-se professor pressupõe que o mesmo construa
conhecimento, a partir do novo, superando as dificuldades e incorporando o já conhecido, ou
seja, nossas experiências e vivências construídas ao logo da nossa prática docente coexistem
numa relação intrínseca de ensino-aprendizado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em suma, a construção dos planos de aulas nos leva a pensar a dinamizar as aulas de
maneira que atenda a diversidade de pensamentos dos alunos, contribuindo de maneira lúdica
para a construção do conhecimento histórico, e situando a necessidade de incentivar os
mesmos a valorizar a disciplina de História, não como algo isolado, mas interdisciplinar.
Assim como em todas as aulas foi possível fazer pequenas reflexão sobre o ofício do
historiador, a contribuição da Arqueologia, Sociologia e Antropologia como ciências que
contribui para o entendimento histórico. Mostrando ao alunado que são agentes históricos,
que fazem parte da história, não os grandes feitos dos ditos heróis, nem decorar datas, vai,
além disso, em sua complexidade, problematização e contextualização.

REFERÊNCIAS

PAIM, Elison Antônio. "Parece que você está invadindo um espaço que não é seu":
professores de história narram experiências do início de carreira. Revista História Hoje, v. 2,
n° 3, 2013.
PIMENTA, Selma Garrido. Porque o estágio para quem não exerce o magistério: o aprender a
profissão. In: Estágio e docência. 7° ed. São Paulo: Cortez, 2012.
MARCOS, Antônio Silva. A Fetichização do Livro Didático no Brasil. Educ. Real. Porto
Alegre, v.37, n.3, set./dez.2012.
CAIM, Flávia Eloíza. O que precisa saber um professor de História? História e Ensino. v. 2
jul/dez. 2015.

TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) EM HISTÓRIA:
Uma contribuição para práticas educativas na era digital

RODRIGO AUGUSTO DE LIMA ARAÚJO39

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como princípio norteador esboçar uma pequena contribuição à
respeito do uso de ferramentas digitais que podem auxiliar o professor de História em sala de
aula. A necessidade de mudança de métodos e práticas pedagógicas de ensino transforma-se à
medida que transforma-se, também, o modo que nos relacionamos com o mundo. O aluno de
hoje não é mais o aluno de 10 anos atrás. Uma sociedade cada vez mais conectada à redes e
computadores que interagem mais rapidamente e sem limites espaciais ou linguísticos.
Os resultados do uso de ferramentas digitais que estão descritas neste trabalho são
pautados na minha experiência ao longo de 03 anos de ensino escolar. São aplicativos
conhecidos por todos, mas, que de modo geral, são muito pouco usados para fins
educacionais. Entre eles estão às ferramentas de busca do Google, o Google Classroom,
Google Doc, Google Hangouts e o Skype da Microsoft. A metodologia que pode ser usada
com essas ferramentas é pensada pelo cientista educacional Sugata Mitra, o professor indiano
que desenvolveu o potencial da aprendizagem auto-organizada. As Self-organized Learning
Environment40, que em português traduz-se um Ambiente de Aprendizagem Auto-organizado
(SOLE - sigla em inglês).
O aprendizado dentro de um SOLE possibilita ao aluno aprender em colaboração e
com uso da internet. Este modelo de auto-educação não limita-se a apenas uma disciplina:
pode ser trabalhada por todos os educadores de qualquer disciplina. Mas, neste trabalho,
limitarei às práticas exclusivas da disciplina História que desenvolvo em sala de aula com
meus alunos.

39
40

Graduando em História 8ª período do Centro Universitário AGES
SOLEs - visitar o site: https://www.theschoolinthecloud.org/about/.

O objetivo base deste trabalho é apresentar algumas soluções criativas de um sistema
educacional que está cada vez mais presente no cotidiano das escolas modelo pelo mundo. O
intuito é justamente ajudar professores e futuros professores quanto ao uso de ferramentas
digitais que tornam o trabalho em sala de aula mais dinâmico e colaborativo possível.
Transformar a maneira de ensinar é mais fácil do que parece. Porém, as Universidades, no
geral, formam professores incapazes de pensar fora de um modelo tradicional de ensino.
Como já referido no início deste trabalho, o norte metodológico que utilizamos para
entender essa emergência do uso das tecnologias no ensino é desenvolvido e pensado a partir
das experiências do cientista educacional Sugata Mitra. Aqui, cabe-nos pensar sobre o futuro
da aprendizagem de uma sociedade em rede que obviamente implica na forma que
ensinamos e aprendemos. "Será que crianças de 12 anos que falam tamil no Sul da Índia
conseguem aprender biotecnologia em inglês sozinhas?" (MITRA, 2013). Essa provocação
foi feita por Sugata em uma palestra ao TED Talk em 2013. Sua pesquisa é encontrada no
portal www.theschoolinthecloud.org que funciona como uma plataforma que ajuda a acelerar
a pesquisa sobre uma construção de um modelo educacional global.
Esse portal é gerenciado pela SOLE Central na Universidade de Newcastle, dirigido
por Sugata Mitra. Basicamente, não é preciso compreensão computacional e muito menos
mergulhar-se em uma imensidão de artigos científicos. Na verdade, esse próprio trabalho não
possui referencial teórico como de costume nos trabalhos acadêmicos. Como a SOLE é um
projeto recente e desenvolvido a partir das experiências pessoais de Sugata Mitra não é fácil
encontrar textos científicos para referência do mesmo.
No que diz respeito ao uso das ferramentas supracitadas como o Google Classroom, o
que pode ser encontrado para referência teórica seria a própria descrição do aplicativo feita
pelo site da Google. Então, de forma desprendida ao rigor científico acadêmico,
apresentaremos as possibilidades de uso de ferramentas digitais que são gratuitas e de acesso
global. Na prática, é preciso de um computador com acesso a internet. Os alunos são
desafiados com uma Big Question (Grande Questão), que em linhas gerais pode ser entendida
como um caso norteador ou uma problemática. A grande questão não precisa ter uma resposta
simples ou nem precisa ter uma resposta. Basta apenas servir como provocação.
Os alunos, organizados em grupos, com acesso ao computador, irão efetuar a pesquisa
sozinhos e descobrir por conta própria as formas de se chegar ao resultado. O professor tornase invisível o máximo do tempo. Apenas faz as correções e orientações ao longo do processo.
Mas são os alunos que desbravam os recursos tecnológicos para encontrar a resposta de uma

pergunta que tem o intuito básico: provocar o conhecimento. Dessa forma, os alunos
aprendem em comunidade, em sintonia colaborativa e em um ambiente de auto-educação,
sem a interferência de um professor que "explica" tudo e não inspira nada.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Chegamos à parte que nos interessa. Concluímos até aqui que esse método é muito
pouco referenciado e pesquisado, por isso a grande dificuldade de trazer elementos teóricos
convincentes. Mas espera-se que não haja limitações devido a essa barreira referencial. É
importante compreender o potencial deste método e a inovação que ele carrega consigo na
nova tendência educacional. Aprender na nuvem, em rede ou podemos chamar de ambiente de
aprendizado auto-organizado, torna-se uma experiência incrível tanto para o aluno quanto
para o professor.
Na experiência a que me refiro nesta pesquisa, é abordado o uso de ferramentas
digitais para melhorar o ensino de História. "Devemos educar nossas crianças não para o
nosso passado, mas, sim, para o seu futuro." (GILLERAN, 2008). Com o sistema de busca do
Google, o aluno possui uma gama de informações conectadas e em tempo real para solucionar
seus problemas em sala de aula. O aluno pesquisa e aprende com a internet o que o professor
jamais conseguirá ensinar com tão pouco tempo na escola. O Google Classroom41 é a criação
de salas de aulas virtuais onde o professor pode gerenciar seus alunos, tarefas, acompanhar o
desempenho de cada um, possibilitar a construção de um ambiente de aprendizado
colaborativo e mensurar os resultados da turma.
Os pais e toda a comunidade escolar pode acompanhar esses resultados a partir de
relatórios criados automaticamente pela plataforma do Google, onde encontrarão as notas e os
gráficos gerados pelo professor do desempenho individual e coletivo da turma. Outra
ferramenta que está inclusa nesta possibilidade é a criação de documentos Google (Google
Doc.) que possibilita que os alunos editar um texto conjuntamente e em tempo real. Dessa
forma o professor pode verificar o que cada aluno escreveu e o quanto de esforço individual
foi atribuído a uma pesquisa, por exemplo.

41

Visitar o site: https://edu.google.com/products/productivity-tools/classroom/.

O Google Hangouts pode estender a experiência dos alunos em qualquer lugar e hora.
Um encontro com seu professor por conferência para tirar dúvidas ou simplesmente ter uma
aula dinâmica com todos os recursos que a internet pode prover. O professor pode fazer uma
viagem com seus alunos a Roma Antiga, visitando o coliseu e estudar as sociedades antigas
com visões 3D. E isso tudo ocorre com a narração do professor e no conforto de casa.
O programa que todos nós conhecemos, Skype, possibilita o encontro com uma pessoa
de qualquer lugar do mundo. Este recurso pode ser utilizado para fins educacionais e funciona
integrado a uma rede de ensino global. A Microsoft Education mantém um portal na web
chamado "Skype na sala de aula"42. Um "local" de encontro de educadores de todo o mundo
com o intuito de partilhar experiências e aprendizados multiculturais em tempo real e ao vivo.
O educador pode conectar sua turma a uma turma de outro país, aprender uma nova língua,
cultura e costumes de sociedades que estão a milhares de quilômetros de distância.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se estar pensando que tais recursos tecnológicos custam uma fortuna e que é
preciso entender de programação computacional como HTML ou outros. De maneira alguma.
Todos esses recursos citados neste trabalho são oferecidos pelas suas empresas de forma
gratuita e acessível à uma plataforma multi língua. O único limite para a educação na era
digital é criatividade. É preciso sair do comodismo do ensino tradicional para se aprender e
ensinar nesta nova perspectiva de educação global. O professor de História pode aprender e se
adequar à essa necessidade de ensino que exigirá uma nova repaginada no que entendemos
como educação.
Pretendo demonstrar todos esses recursos na apresentação deste trabalho para que
todos possam começar a criar sua própria SOLE o quanto antes. A facilidade em se tornar um
professor da era digital é tamanha que surpreende quem não tem muita habilidade com
tecnologias.

42

Visitar o site: https://education.microsoft.com/skype-in-the-classroom/overview.

REFERÊNCIAS

GILLERAN, Anne. Tecnologias para transformar a educação. Juana María Sancho (org).
Tradução Valério Campos. - Porto Alegre: Artmed, 2006.
TED. Sugata Mitra: Construa uma Escola na Nuvem. Disponível
. Acesso em: 17 jun. 2015

em:

ST 4 ­ CAMINHANDO PELA INTERDISCIPLINARIDADE: História,
Sociologia e Antropologia
Coordenadoras:

/

RESUMO: A presente proposta de Sessão Temática visa estabelecer um espaço para
reflexões a partir da interface entre a História, a Sociologia e a Antropologia. Longe de
pensarmos as comparações habitualmente proferidas nas três áreas, debruçamo-nos em
estabelecer uma importante conexão entre estas, alcançando o que chamamos de "história
conectada" por meio da interdisciplinaridade. Apesar da diversidade de temas que possam
surgir, a proposta consiste em articular os conhecimentos produzidos e, com isso,
analisarmos o contingente de possibilidades investigativas e as vantagens dessa íntima
afinidade entre as disciplinas. Tal discussão parte do princípio que, desde a proposta
metodológica do materialismo histórico de Karl Marx, quando este lançou uma nova forma
de olhar para os percursos da economia europeia, passando pelo particularismo histórico de
Franz Boas, que permitiu um novo rumo para a Antropologia até chegarmos ao viés
historiográfico e ideológico de Eduardo Galeano, observamos as várias nuances dessas
vertentes analíticas. Com base nisso, tal sessão temática visa agregar trabalhos que reflitam
sobre temas recorrentes nessas três áreas, a exemplo das relações de trabalho, das
dinâmicas políticas e das estruturas de poder, das representações sociais, da cultura local e
seus rituais, dos estudos sobre os patrimônios material e imaterial, bem como discussões
acerca das possibilidades metodológicas que possibilitam a interface entre as três ciências
supracitadas. Serão especialmente bem-vindos aqueles estudos que sejam resultado de
pesquisas etnográficas, análise documental e/ou historiográfica.

REPRESENTAÇÃO HISTÓRICA CULTURAL DA VAQUEJADA NO MUNICÍPIO
DE NOVA SOURE

DANIELA OLIVEIRA DE ALMEIDA43

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tendo em vista consolidar o significado da prática cultural da
vaquejada para a comunidade novassouriense, desde as pegas de boi no mato até o parque
esportivo José Ramos de Souza, um dos mais importantes para o município, que permaneceu
por muito tempo. A construção do mesmo foi realizado por pessoas de elite, uma forma de
entretenimento e lazer à comunidade. Diante disso, busca-se compreender a importância da
vaquejada como prática desportiva que contribui para efetivar a cultura local.
As fontes de historiográficas foram orais, entrevistas, fotografias e filmagem, para
identificar os principais problemas culturais no município de Nova Soure, através das
memórias do povo da comunidade, e dessa forma compreender como iniciou esse grande
evento esportivo no município, e o que causou a desvalorização cultural. Nesse contexto, a
busca de pesquisa em relatos orais, esclarece sobre os acontecimentos que ocasionaram
atualmente várias possibilidades de pesquisa histórica, no qual leva em consideração a
contribuição da Escola dos Annales que veio ocorrer à revolução historiográfica. Barros44 em
"A expansão da história" discute bastante sobre a visível existência de uma diversidade de
campo histórico e que só foi possível com a contribuição desta escola.
A vaquejada de Nova Soure foi considerada, no período de 1960 a 2007, uma das
maiores festas culturais do esporte da Bahia, ficando atrás apenas da vaquejada de Serrinha.
Isto posto, a mesma inicia no município na década de 1960, que foi construída na Rua
Teixeira de Freitas, o parque recebeu o nome de João do Raso Carneiro da Cruz, no qual só
foi realizado um único evento; logo após foi construído outro parque no povoado Raso, esse
tinha nome de José Avelino, em que também só foram realizados três eventos.
No ano de 1964, construiu-se um dos grandes parques como nunca já tinha existido no
município o "José Ramos de Souza", em homenagem ao político que colaborou com o
43

Graduanda em Licenciatura em História do Centro Universitário AGES.
BARROS, José D' Assunção. Teoria da História: paradigmas revolucionários. Petrópolis, Rio de Janeiro:
Vozes, vol. III, 20 M, 2011.
44

crescimento da cidade e ao apoio que dava a essa atividade. É importante salientar que as
figuras de Raimundo Avelino da Cruz, conhecido pela comunidade por Codima e João Milton
Dantas, uns dos entrevistados que contribuíram significativamente para que a história da
vaquejada de Nova Soure. Por ser umas das melhores festas esportivas da região, vinham
pessoas de outras regiões e cidade circunvizinhas para adentrá-la. Sua premiação chegava a
ter carros, gados e valores em dinheiro.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A vaquejada, sua origem histórica e sua festa tem origem no sertão nordestino,
enquanto prática nas fazendas de criação de gado e hoje é encontrada nas cidades brasileiras,
principalmente nas cidades nordestinas. Partindo do significado da festa e do processo da
vaquejada, a sua apartação expressa à representação cultural arraigada do sertanejo,
constituindo uma pratica lúdica rural.
A Festa de Vaqueiros pode, por vezes, ser uma extensão da missa, sendo que dura
mais tempo, e tem mais atividades, como corridas de páreo, ou corridas de argolinhas,
concursos de dupla de aboiadores.45 Como todas as vaquejadas se iniciaram, a do Soure não
foi bem diferente, nas ruas da cidade com a instalação de um curral para prender o gado e de
um cercado onde se davam as perseguições e derrubadas. Os eventos foram ganhando altofalante para chamar os que estavam disputando, propagando, anúncios, delimitações de
percurso e prêmios, porém o seu primeiro evento não tinha ganhado muitas forças, onde foi
caracterizando como desfile dos vaqueiros, no qual existia a missa; depois da peregrinação
voltava para fazenda Bananeira. Nova Soure foi crescendo pela sua ousadia em apresentar
seus movimentos festivos da vaquejada para outras cidades vizinhas, que as conheceram e
participavam.
De acordo com Le Goff46 "Em todas as sociedades, os indivíduos detêm uma grande
quantidade de informações no seu patrimônio genético, na sua memória de longo prazo e,
temporariamente na memória ativa". Sendo assim, a memória é um registro que nenhum
tempo se acaba, as memórias são guardadas no subconsciente, e a população de Nova Soure,

45

CASCUDO, Luís da Câmara. A vaquejada nordestina e sua origem. Recife: Instituto Joaquim Nabuco de
Pesquisas Sociais-MEC, 1969.
46
LE GOFF, Jacques. Documentos/ Monumentos. In: História e Memória. 3ª ed. Campinas: Editora da
Unicamp, 1994, p. 413.

se fez bem das suas memórias, que trouxe vizinhanças de cidades próximas para adentrarem a
esse evento cultural.

CONSIDERAÇÕES

A realidade tem mostrado que os costumes perpassados de geração para geração não
se encontram mais valorizados e enraizados nos dias atuais, contribuindo para que as
tradições sejam perdidas e a cultura desvalorizada. Dessa maneira, este trabalho partiu
inicialmente da tentativa de entender a cultura local e da memória de um povo conhecer sua
cultura. Nesse sentido, a razão de se pesquisar a vaquejada na comunidade novassouriense é a
de poder examinar, o porquê essa prática esportiva cheia de valores e importância para o
município; considerada uma das grandes festas culturais da Bahia; e conhecida pelos
municípios circunvizinhos, foi desvalorizada atualmente.
Por meio do cruzamento das fontes, foi possível analisar a carência na sociedade local
em conhecer sua própria história, já que no final pesquisas realizadas com a participação da
comunidade e de alguns estudantes do município foi perceptível a sua falta de conhecimento
deles sobre a história do local, e trazer a importância de preservar as memórias. Diante do
exposto conclui-se que essa pesquisa propôs um debate que problematiza a história da cultura
local, como espaço para a construção da memória e das lembranças esquecidas, uma vez que
ela nasce baseada em acontecimentos vividos por cada indivíduo do município de Nova
Soure.

REFERÊNCIAS
BARROS, José D' Assunção. Teoria da História: paradigmas revolucionários. Petrópolis,
Rio de Janeiro: Vozes, vol. III, 20 M, 2011.
CASCUDO, Luís da Câmara. A vaquejada nordestina e sua origem. Recife: Instituto
Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais-MEC, 1969.
LE GOFF, Jacques. Documentos/ Monumentos. In: História e Memória. 3ª ed. Campinas:
Editora da Unicamp, 1994.

O "MAUS" AINDA VIVE:
Uma análise do nazismo e do holocausto judeu através da HQ "Maus" (1986)

IGOR SANTANA SANTOS47

INTRODUÇÃO
O presente projeto detém do objetivo de fazer uma análise comparativa do regime
nazista e do holocausto judeu a partir da história em quadrinhos Maus (1986) de Art
Spiegelman com o contexto atual da imigração e ações que remetem a xenofobia e
preconceito, partindo dos aspectos históricos, sociológicos e antropológicos, a partir dessas
três ciências humanas consegue-se problematizar um quadro atual que atinge uma escala
mundial no que compete a imigração e o preconceito que cresce consideravelmente.
O contexto da história em quadrinhos é descrita pelo filho do judeu abordado na
História; tal obra detém de um caráter biográfico ao contar de forma artística a vida do Vladek
Spiegelman. A linearidade histórica desse quadrinho vai desde a invasão polonesa pelo estado
nazista em 1 de setembro de 1939 ao término da segunda guerra mundial em 2 de setembro de
1945.
O personagem principal perpassa por uma série de fatos nesse recorte temporal que
coincidem com os fatos que estavam acontecendo numa perspectiva geral, desse modo, o
mesmo traz uma imagem detalhada de uma perspectiva micro da realidade em que vivia, as
inquietações e o sofrimento passado pela personagem retomam o pensamento de que até que
ponto a destruição dos valores humanos conseguem aniquilar a empatia humana e destruir
aspectos como ética, respeito e compaixão, além de fazer uma reflexão atual acerca dos
problemas imigratórios e propagação de um preconceito cada vez mais presente na sociedade
ocidental.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A teoria empregada no respectivo trabalho parte da História Social e o cruzamento
teórico com obras históricas (A era dos extremos: o breve século XX ­ Hobsbawn),
47

Graduando do 6º período em Licenciatura em História pelo UniAGES.

sociológicas (Estranhos a nossa porta - Bauman), antropológicas (Arqueologia da Violência ­
Clastres) e dentre outras obras de caráter biográficas e de análise.
Partindo dos conceitos e obras abordadas é importante que se compreenda que o
holocausto judeu foi o maior genocídio do século XX, no qual foram mortos principalmente
os judeus, além de homossexuais e ciganos. O antissemitismo nazista baseado no Mein
Kampf de Hitler que enfatizava os judeus como uma praga para o estado alemão e a todo
momento acusava estes de uma conspiração para com os alemães, com a tomada do poder, o
mesmo aplicou uma série de normas de segregação dos judeus até a execução em massa
destes em campos de concentração.
A obra detém de um caráter peculiar ao abordar os indivíduos como animais, os judeus
como ratos e os nazistas como gatos e os poloneses como porcos, tendo uma abordagem
linear histórica com os acontecimentos gerais do período, assim como, acontecimentos
individuais e que trazem uma nova perspectiva acerca do holocausto. A análise desse
quadrinho parte de uma perspectiva iconográfica comparativa, no qual faz-se o balanço entre
desenho e os acontecimentos baseado em uma historiografia. Partindo da análise desse objeto
delimitado detém do propósito principal de não apenas retomar um fato histórico, mas, sim,
ressaltar a importância da vida humana e de como a construção de uma sociedade que se
perde em meio ao autoritarismo e a falta de valores humanos permite com que pessoas sejam
simplesmente perseguidas e mortas por serem quem são, nessa perspectiva, o delimitado
quadrinho e sua abordagem consegue em toda sua arte e escrita conscientizar o sujeito acerca
desse triste marco na História.

CONSIDERAÇÕES

Ainda que tenha se passado quase 1 século do holocausto judeu, os resquícios
deixados por esse triste fato servem para a humanidade como um alarme, de como é perigoso
o discurso segregacionista, preconceituoso, além do fato que a busca pela solidariedade e
alteridade deve ser constantemente discutida a ponto de ser alcançada, pois chega a ser banal
a apatia popular perante ao constante caso de mortes, desespero e miséria que se encontram
uma série de imigrantes na atualidade.

REFERÊNCIAS

AYES, Denis. O homem que venceu Auschwits: uma história real sobre a Segunda Grande
Guerra / Denis Ayes e Rob Broomby ; tradução Vania Cury. ­ 2.ed. São Paulo : Gol, 2012.
BAUMAN, Zygmunt. Estranhos a nossa porta. Rio de Janeiro. Zahar, 2017.
CLASTRES, Pierre. Arqueologia da Violência. São Paulo: Editora Brasiliense, 1980.
FRANK, A. O diário de Anne Frank. Edição integral. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2000.
HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos: o breve século XX. 1941-1991. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995.

NOS PASSOS DE SÃO JOSÉ:
Um olhar social através da procissão do Santo

PALOMA SOUSA SILVEIRA48

INTRODUÇÃO

O objeto de investigação desta pesquisa esta pautada na análise da festividade religiosa
de São José, padroeiro da Vila São José município de Poço Verde/SE. Dessa maneira, este
projeto tem por finalidade relacionar os novenários de São José com os espaços
socioeconômicos da Vila.
A pesquisa histórica sobre os novenários de São José mostra-se inteiramente
importante ao retratar um objeto de grande significado para a comunidade de São José. Sendo
assim, esse estudo tem por objetivo principal reviver as memórias de vida das pessoas através
da análise da festividade, relatos orais dos moradores, fotografias relacionadas à procissão e o
livro de Tombo da paróquia, visto que a igreja de São José pertence à paróquia de Poço
Verde/SE. As festas religiosas são características das comunidades locais são tidas como
movimentos onde a fé e a devoção é representada através da participação do indivíduo.
Ao trabalhar com essa perspectiva de propagar a importância desse resgate cultural da
história da Vila São José através do seu padroeiro, podemos compreender o significado da
preservação da memória histórica da vila, como ressalta Michel Pollak: "A referência ao
passado serve para manter a coesão dos grupos e das instituições que compõem uma
sociedade para definir o seu lugar na complementariedade" (POLLAK, 1989, p. 6). A
preservação da memória histórica é uma das melhores maneiras de perpetuação da cultura.
É necessário frisar a importância de se trabalhar com as festividades religiosas locais,
pois estas demostram como a sociedade da época vivia e se comportava em grupo, a forma
como tratavam quem participaria da organização da festa, as famílias escolhidas para
resguardarem a imagem do Santo nos dias de festa, entre outros tantos aspectos sociais que
envolvem toda a sociedade. Dessa maneira, esse projeto visa contribuir para a construção e
consolidação da identidade local, visto que os novenários de São José representa um
acontecimento que mobiliza a comunidade em prol de uma única causa.

48

Graduanda em História pelo Centro Universitário UniAGES. E-mail: [email protected]

Todavia, é necessário ressaltar que infelizmente ainda não se tem nada de cunho teórico
que descreva o surgimento da comunidade, muito menos do papel da religiosidade na
composição da história local. Por isso a importância deste trabalho, é recuperar memórias,
através de fontes orais e documentais, salvaguardando essas informações que virão a
enriquecer a cultura local, intervindo por meio da propagação dessas informações na
sociedade, buscando reforçar a historiografia que analisa a construção da história local.
As fontes históricas são fundamentais para a reconstrução dos fatos, e a oralidade foi à
base principal desse projeto, se tornando de extremo valor para a reconstrução dos
acontecimentos do passado. Dessa forma, e devido à ausência de fontes documentais
suficientes para embasar a pesquisa as histórias relatadas pelos moradores da Vila fazem a
oralidade ser a fonte principal desse estudo, e segundo a autora Carla Pinsky: "A História oral
permite o registro de testemunhos e o acesso a "histórias dentro da história" e, dessa forma,
amplia as possibilidades de interpretação do passado." (PINSKY, 2008, p. 22). Desse modo, a
construção da pesquisa histórica através da oralidade procura estabelecer um padrão
importante e bastante necessário ao desenvolvimento e também a preservação da memoria
histórica da localidade onde esta sendo desenvolvida a pesquisa.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

De modo geral, o referido projeto traz à tona a importância e riqueza cultural dos
novenários dedicado a São José, padroeiro da Vila São José em Poço Verde/SE, dando
destaque à contribuição da religiosidade na construção da Vila, através de relatos orais,
fotografias e o acesso ao livro de Tombo do município. Dessa maneira, o estudo tem por
objetivo contribuir para produção de uma historiografia local, valorizando sua cultura e
moradores, dando ênfase à religiosidade que movimenta a vida da comunidade, demostrando
o valor de preservar e salvaguardar a memória que engrandece e exalta o Padroeiro São José.
As festas de caráter religioso, em especial, a do padroeiro São José tem enorme
importância para a sociedade católica, visto que o Santo é o pai adotivo de Jesus Cristo, e
através do festejo dedicado ao padroeiro que deu seu nome a Vila São José, é nítido o seu
papel na formação de um "patrimônio cultural". Com relação a isto, o autor Émile Durkheim,
cita que:
[...] toda festa, mesmo quando puramente laica em suas origens, tem certas
características de cerimônia religiosa, pois, em todos os casos ela tem por

efeito aproximar os indivíduos, colocar em movimento as massas e suscitar
assim um estado de efervescência, às vezes mesmo de delírio, que não é
desprovido de parentesco com o estado religioso. (DURKHEIM, 2008, p.
547).

Assim sendo, os festejos dedicados a São José tem como fator primordial o
fortalecimento da religião católica, que muito influenciou a sociedade local em sua
preservação de valores religiosos. Com relação a isto, a autora Edilece Couto, expõe que:
A homenagem a um santo poderia ser individual, com a realização de orações
e novenas diante do oratório particular de cada família. No entanto,
considerava-se que a celebração tinha mais força quando realizada de forma
coletiva e espetacular. (COUTO, 2014: 1).

Sendo assim, podemos perceber a importância do popular para as manifestações
religiosas, já que são as pessoas que promovem todo o evento e contribuem para o resultado
final da festa. Enaltecendo assim o significado da crença religiosa, pois essa crença tem
enorme valor para os fiéis, seja no cunho religioso como na prática da fé.
Assim sendo, as festividades religiosas são de grande importância para a construção
do social, e nesse contexto, podemos notar que as festas, chamam a atenção também para as
distinções sociais que podem ser notas, como discorre Maria Idelma D' Abadia:

Entretanto, a festa religiosa insere-se em parte distinta da sociedade e exige
uma ordenação muito rígida. Essa ordenação é controlada pelo grupo
religioso que a propõe e marca, simbolicamente, a presença muito viva de
uma hierarquia em nome do sagrado. (D' ABADIA, 2010, p. 18)

Nesta perspectiva, as festas religiosas servem como meio de definir os lugares de cada
um em determinado grupo social presentes na festividade religiosa. Embora que o objetivo da
festa era homenagear o Santo padroeiro, havia também os objetivos individuais de cada
pessoa ali reunida na celebração de fé.
Os principais referenciais bibliográficos que contribuíram para a realização do meu
projeto, são obras de autores renomados que dão um enriquecimento à discussão acerca do
tema, foram os trabalhos de: Edilece Souza Couto, História, Cultura e Representações; Maria
Idelma Vieira D' Abadia, Diversidade e identidade religiosa [manuscrito]: uma leitura
espacial dos padroeiros e seus festejos em Muquém, Abadiânia e Trindade; Carla Bassanezi
Pinsky. Fontes históricas; Jacques Le Goff, História e Memória.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A sorte de encontrar teóricos que abordavam questões próximas dessa pesquisa, que
trabalhavam a religião e seus festejos como forma de observar as mudanças nos meios sociais,
e o desenvolvimento da pesquisa fluiu de forma prazerosa, mesmo com a deficiência de se
encontrar fontes a cerca do surgimento da Vila São José através da festividade religiosa
dedicada ao Santo padroeiro da comunidade e visto que a maior parte desta pesquisa esta
voltada para o uso de fontes orais e a vida se passa como um sopro sobre nós, o resgate da
memória deve ser feito gradativamente e demostrando aqueles que nos cedem sua lembranças
o quanto importantes elas são.
Visando o incentivo a valorização cultura, da memória, da história oral e resgatando
uma identidade para localidades que podem ter sua história esquecidas e cabe a nós futuros
historiadores buscar formas de obter essa valorização e esse resgate dos movimentos culturais
já não tão cultuados em nosso meio, utilizando a historia oral, as fontes iconográficas e os
documentos como chaves principais nesta para a construção desse estudo.

REFERÊNCIAS

COUTO, Edilece Souza. História, Cultura e Representações. 2004.
D' ABADIA, Maria Idelma Vieira. Diversidade e identidade religiosa [manuscrito]: uma
leitura espacial dos padroeiros e seus festejos em Muquém, Abadiânia e Trindade. Tese
(Doutorado). Universidade Federal de Goiás, Instituto de Estudos Socio-Ambientais. 2010.
DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na
Austrália. 3 ed. São Paulo: Paulus, 2008.
PINSKY, Carla Bassanezi. Fontes históricas. 2 ed. São Paulo : Contexto. 2008.
POLLAK, Michel. Memória, esquecimento e silêncio. Rio de Janeiro, 1989.

"O MAIOR PERIGO DO MUNDO":
A "indústria" do anticomunismo Simão Dias - SE (1937-1946)
PRICILA NEVES DOS SANTOS49

INTRODUÇÃO

O referido artigo em questão analisará o periódico A Luta da cidade da atual Simão
Dias- SE e "antiga" Annapolis, no tocante as implicações da luta anticomunista. O discurso
anticomunista presente nos jornais, em geral, trás nas suas manchetes o repúdio ao
materialismo comunista e anticristão, porém o seu maior objetivo estava vinculado afins
políticos. Por isso, que essa pesquisa terá como conceito primordial a "Indústria" do
Anticomunismo de Sá Motta. Onde o mesmo se debruça sobre a "industrialização", que diz a
respeito à manipulação oportunista do medo ao comunismo presente em amplos setores da
sociedade, entre os mais conservadores, notadamente isso poderia render dividendos políticos
e eleitorais.
Então entenderemos as ações e prática contrárias aos comunistas, a primórdio com a
Ação Integralista Brasileira (AIB) e posteriormente com o partido (PRP), Partidas de
Representação Popular criando por Plínio Salgado. E como o mesmo se apropriará da
expressão anticomunista para atuar nas eleições de 1945 e 1946, em prol das candidaturas de
seus correligionários.
É importante mencionar que o conceito de ideologia pode assumir diversas formas,
pode estar inerente à crença política ou a visão sobre determinada questão social, associado à
luta de classes. "[...] o conceito de ideologia envolvendo pensamento a ação, teoria e prática
política, [...]: uma "explicação da ordem vigente" associada a uma "visão de mundo", como
promover a mudança". (HEYWOOD, 2010: 28).
Mediante isto, objetiva-se nesse trabalho analisar discurso anticomunista no periódico A
Luta. No sentindo de compreender até que ponto os interesses políticos da Ação Integralista
chegou, aplicando sua indiscriminada expressão comunista aos indivíduos pertencentes aos
diversos matizes da esquerda. Os objetivos específicos se concentram em: compreender o
49

*Graduanda em História, pela UniAGES Centro Universitário De Ciências Humanas e Sociais. E-mail:
[email protected]

discurso oportunista da Ação integralista Brasileira em repúdio aos comunistas. Verificar nas
manchetes do periódico a função dos Camisas Verdes. Sintetizar aspectos políticos dos
partidos PRP e PCB no período de 1945 a 1946.

DISCUSSÕES E RESULTADOS

A expansão do integralismo em Annapolis intensificou com as propagandas
vinculadas ao periódico A Luta, onde trazia em suas manchetes fortes discursos nacionais e
contrários ao Capitalismo e Comunismo no sentido de instaurar um Sistema Fascista no país,
sua simpatia explicita a uma doutrina totalitária e o seu combate ao comunismo, esboçava sua
conjuntura política da época. No periódico A luta é possível evidenciar a exaltação à força do
Exercito Verde contra os comunistas. "Si não fora o perigo comunista que paira sobre o
Brasil, de certo, A Luta não teria procurado defender a família brasileira ingressando para o
integralismo50".
A campanha anticomunista no jornal A luta intensificava-se cada vez mais
colaborando para promoção das ideias integralistas. É nesta ênfase que Sá Motta expressa seu
pensamento. "A forma mais conhecida e, certamente, mais importante da "indústria" foi à
utilização do anticomunismo para justificar intervenções autoritárias na vida política
nacional". (MOTTA, 2001/2002, p. 73). Logo, percebemos que a prática de macular a
imagem de adversários políticos da época, estaria atribuída ao rótulo de comunista.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Enfim, conclui-se que Ação Integralista Brasileira teve seu ápice na política brasileira,
mas perdeu força após a instauração do Estado Novo instituído pelo golpe de Vargas. Quando
ressurgiu com uma nova roupagem, através do Partido de Representação Popular, o seu
resultado foi péssimo no pleito eleitoral, comparado aos demais partidos. O mesmo para se
mantiver atuante continuou se apropriando da "indústria" do anticomunismo, mesmo quando
o comunismo não estava tão eminente. Ao contrário do PRP, o PCB ganha autonomia no
parlamento e influencia na camada da classe trabalhadora, intensificado o "medo" da classe
dominante do país; onde vários setores da sociedade (imprensa, Igreja católica, Partidos de
50

Engrossemos as colunas do Exercito Verde da Pátria. A luta, ano XIII, Annapolis (Sergipe, 24 de janeiro
de 1937, n. 137. p. 1.

extrema direita, e etc) se prontificam a combater as ideias comunistas. Logo, leva-me a
concluir que a luta de classes coexistiu, no sentido de que uma determinada classe
(antagônica, contraditória, mas que possui interesses em comum) se apropriou da
"industrialização" do anticomunismo para obter dividendos políticos frente ao Estado.

REFERÊNCIAS

ALVES, Cristiano Cruz. O integralismo e sua influência no anticomunismo baiano.
Mestrado em História pela Universidade Federal da Bahia (UFB).
HEYWOOD, Andrew. Ideologias Políticas: do liberalismo ao fascismo. São Paulo: Ática,
2010. Vol. I.
SÁ MOTTA, Rodrigo Patto. A "indústria" do Anticomunismo. Anos 90, Porto Alegre,
n.15,2001/2002.

GRÊMIO SOCIAL ESPORTIVO VITÓRIA:
Aspectos socioculturais em Paripiranga (1960-1970)

VANIELE DA PENHA SILVA51
EDSON FRANCISCO DOS SANTOS52
INTRODUÇÃO

A referida pesquisa faz uma análise aos aspectos socioculturais da cidade de
Paripiranga através das ações que ocorreram no Grêmio Social Esportivo Vitória que
alcançou seu auge 1960-1970. O mesmo foi idealizado por uma elite de comerciantes e
políticos locais, que buscavam uma forma de entretenimento e lazer para driblar os dias
monótonos de cidade do interior. Diante disso, busca-se compreender o impacto da fundação
de uma agremiação social e esportiva como um local que não foi somente utilizado para
realização de festejos, mas também como espaço de reuniões, chás, cantinho de leitura, no
qual os sócios se reuniam para debater melhorias para a cidade.
No LEPH53 foram localizadas as principais fontes; dentre elas, estão o jornal A
Voz do Grêmio Vitória, biografias, estatutos, fotografias e relatos orais: nos chamou a atenção
os fatores que levaram à fundação do clube. Com isso, buscamos informações que
pudessem ligar-nos ao tema e o projeto começou a tomar forma. Deve se destacar, em
meio a esse emaranhado de fontes, a história de vida da senhora Enedina de Carvalho,
popularmente conhecida como Dona Dina, uma mulher da elite da época, que era sócia e
tesoureira do clube.
Esses aspectos nos auxiliaram na construção da trajetória do clube na cidade. E foi
assim, através dos jornais da época, que conseguimos descobrir que o Grêmio possuía uma
história com grande relevância, interferindo no cotidiano e no desenvolvimento local, uma
vez que o mesmo surge após a chegada de um juiz na cidade, que não tinha opções de lazer;
então decidiram criar um espaço no qual pudesse encontrar os seus amigos, e discutir sobre as
eventualidades do município. Em meados do século XX, é criado em Paripiranga o primeiro
espaço para esporte e lazer de uma sociedade de personalidade jurídica. Foi criado um
Estatuto do Grêmio Social e Esportivo Vitória, onde destaca-se no Art. 2º que não tem cor
51

Acadêmica do 8° período do curso de Licenciatura em História do Centro universitário AGES.
Acadêmico do 8° período do curso de Licenciatura em História do Centro universitário AGES.
53
Laboratório de Ensino e Pesquisa em História do UniAGES.
52

político-religiosa, nem faz distinções de raças ou classes sociais.2
É importante ressaltar que o Grémio só foi frequentado por associados, os quais eram
da classe de proprietários de terras ou donos de casas comerciais, além de políticos. Na
entrevista concedida por Vandira Aquino Cerqueira, ela faz analogias que estão divergentes
com as normas do estatuto do grêmio: a mesma afirma que havia uma restrição para
participar dos festejos, uma vez que as classes inferiores (domésticas, mulheres mau vistas
pela sociedade, negros, etc...) não tinham acesso a esses eventos sociais, pois, mesmo
tendo o dinheiro para o ingresso, não desfrutava da animação prometida pela divulgação do
evento, já as pessoas de outras cidades compareciam por meio do convite. Além de outros
casos, em que pessoas comuns eram estereotipadas e não aceitas no meio social "glamoroso"
que ostentava a elite Paripiranguense54.

DISCUSSÃO E RESULTADOS
Segundo Camargo, os estudos sobre esporte e lazer têm recebido atenção de
pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. São antropólogos, sociólogos,
historiadores, profissionais de Educação Física, psicólogos e outros que emprestam olhares
distintos sobre o objeto e contribuem para o fomento de debates.55 Dentre a grande
diversidade de objetos e também abordagens metodológicas possíveis para tratar do fenômeno
esportivo e do lazer, os clubes sóciorecreativos ainda carecem de mais atenção. São poucos
os estudos
que tratam de analisar esses espaços a partir do esporte e o lazer. E necessário se fazer
pesquisas para ajudar na construção historiográfica da cidade de Paripiranga, na qual não
existem estudos aprofundados sobre a história do Grêmio Esportivo e Social Vitória.
A História Cultural se preocupa em reconstruir as representações de uma cultura em
determinados períodos. Nesse sentido, ela deixa de lado a história oficial e traz à baila
a discussão referente ao conhecimento cultural. As abordagens de Geertz56 colaboraram para a
análise da relação entre a cultura e a sociedade. As influências de ambas deslocaram o foco de
interesse entre os historiadores culturais; assim, seguindo a explicação de Peter Burke, que
54

Entrevista concedida por, Vandira Aquino Cerqueira a Ana Maria Ferreira de Oliveira em 05 de setembro
de 2011. Acervo do LEPH da UniAGES. Paripiranga.
55
CAMARGO, Laura Alice Rinaldi. Os clubes sociais e recreativos e o processo civilizatório brasileiro: uma
relação de hábitos e costumes. Buenos Aires. 2008, p.68.
56
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Tradução Fanny Wrobel. Rio de Janeiro: Editora
Zahar, 1978.

propõe um novo paradigma para a História Cultural. É deste paradigma que vem a
possibilidade de elaborar novas pesquisas.

CONSIDERAÇÕES

Ao resgatar a memória do Grêmio Vitória foi possível analisar que a sua colaboração
vai muito além das festas acontecidas naquele espaço; ela ultrapassa o viés cultural e
consegue moldar uma sociedade baseada na separação de classes e na busca de uma
população mais pobre por uma aceitação no meio social, tendo como marco para isso a
criação de blocos para o povo. Assim, a pesquisa pode resgatar a memória esquecidas de
personalidades do município como é o caso do Sr. Élson Correia de Andrade e Sra. Enedina
de Carvalho que colaboram de forma indireta para a construção da identidade cultural do
município durante aquele período através de seus feitos que mudaram não só a mentalidade
das pessoas que frequentavam os eventos do clube, mas também de toda a cidade.
O entrelaçamento das fontes foi possível perceber que o Clube era um espaço
totalmente elitizado, contradizendo o Art. 2º do Estatuto, ao mencionar que não tem cor
político-religiosa, nem faz distinções de raças ou classes sociais 57. Nesse sentido, as
entrevistas que foram localizadas no LEPH foram contundentes para confirmação dessa
pesquisa, uma vez que todas as entrevistas confirmavam essa distinção entre classes sociais
na participação das festas promovidas no Clube.
Portanto, com o cruzamento das fontes, foi possível perceber a carência na
sociedade local em conhecer sua própria história, já que nas ultimas pesquisas realizadas com
a participação de alguns estudantes do município foi perceptível a sua falta de
conhecimento quando eram questionados sobre a história do local. Com essa falta de
conhecimento, buscamos mostrar para eles de uma forma contundente a importância de
preservar as memórias, alcançando assim a finalidade do projeto. Conclui-se que, essa
pesquisa propôs um debate que problematiza o Clube Social Esportivo Vitória como espaço
para a construção da memória resgatando as lembranças esquecidas, uma vez que ela
nasce baseada em acontecimentos vividos por cada indivíduo do município de Paripiranga.

57

Estatuto do Grêmio Social e Esportivo Vitória, Acervo do LEPH da UniAGES, Paripiranga.

REFERÊNCIAS

CAMARGO, Laura Alice Rinaldi. Os clubes sociais e recreativos e o processo civilizatório
brasileiro: uma relação de hábitos e costumes. Buenos Aires: Universidade de Buenos Aires
2008.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Tradução Fanny Wrobel. Rio de Janeiro:
Editora Zahar, 1978.

RESUMO

O Colegiado de História do Centro Universitário AGES, p r o m o v e u o I Simpósio
Regional de História ­ "Sergipe Del Rey": Sociedade, Política e Economia no Período
Colonial; reunindo graduandos interessados na área e em apresentar trabalhos na
modalidade de comunicação oral, constituindo um espaço de pesquisa e debate no campo do
conhecimento histórico. O evento cumpriu seus objetivos ao colaborar para o debate acerca
da História de Sergipe no período colonial; discutir a História Colonial de Sergipe numa
perspectiva social, cultural, política e econômica; proporcionar espaço para debates
interdisciplinares através de Simpósios Temáticos com temas diversificados; Capacitar
acadêmicos através de minicursos com temáticas diversas e interdisciplinares.