A U L A

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Módulo 5

Império do Brasil:
unidade, ordem
e civilização
E

m 1823, um ano depois da proclamação da independência, um atento
observador estrangeiro deixou algumas anotações sobre as dificuldades que
a antiga colônia portuguesa teria de enfrentar para se tornar uma nação.
Vejamos o que ele disse:

O Brasil é um país nascente, um povoado de habitantes de diversas cores
que se aborrecem mutuamente. As capitanias não se podem auxiliar
mutuamente, por estarem separadas por setores imensos, de modo que
aquele país não forma ainda um reino inteiro e contínuo (...).
Formar um reino inteiro e contínuo. Sabe o que isso significava? Significava
unificar aquelas diversas regiões que constituíram a América Portuguesa.
O Brasil não deveria repetir a América Espanhola - que, como você viu na aula
anterior, se dividiu em uma série de pequenos países. A unidade do território
brasileiro teria que ser preservada a qualquer preço.
O segundo desafio era enfrentar a questão da participação política, num país
onde a maior parte da população era formada por pretos livres e escravos, índios
e mulatos. Teriam eles os mesmos direitos que os brancos? Como transformar
essa massa de "diversas cores" num povo? Acima de tudo, era preciso garantir
a ordem social
social.
Havia ainda um terceiro desafio. Como se poderia construir, na região
tropical, uma civilização
civilização? Com que cara o Brasil iria fazer parte do conjunto
das nações civilizadas? Que modelo seguir? O americano ou o europeu?
Veja bem. Postos os desafios, o problema era como enfrentá-los. É disso que
vamos tratar neste módulo. Nas três próximas aulas, veremos como a elite
imperial manteve o Brasil unido
unido, impôs a ordem e construiu uma
civilização
civilização.