História e historiografia da educação na Região Oeste do Paraná: alguns apontamentos

e-ISSN:2318-0714

DOI: 10.5020/23180714.2017.32.1.47-57

História e historiografia da educação na Região Oeste do Paraná: alguns
apontamentos
History and education of historiography in the Region of Paraná West: some notes
João Carlos da Silva*

Resumo
Este artigo examina a produção acadêmica no campo da História da Educação, na região Oeste do Paraná, tendo como ponto de partida
os programas de pós-graduação em Educação. Trata-se de um ensaio bibliográfico apresentando a produção existente do grupo de
pesquisa História, sociedade e educação no Brasil ­ GT da região Oeste do Paraná (HISTEDOPR), e as perspectivas e desafios postos em
História da Educação. O balanço sobre esse tema surge da necessidade de um mapeamento para apontar os temas mais abordados e as
lacunas existentes. Tais estudos são necessários por possibilitarem a compreensão do estado atingido pelos temas priorizados, as fontes,
os períodos recortados, as abordagens teórico-metodológicas e os recortes geográficos. Assim, este mapeamento possibilita inventariar
essa produção, traçando tendências e revisões necessárias para discutir e saber o que foi produzido, como foi produzido e o que está para,
ou ainda pode, ser produzido. Nos últimos anos, tem-se produzido um número significativo de pesquisas visando o levantamento da
produção acadêmica diante da necessidade colocada de um balanço crítico sobre a produção na área, conforme Lombardi (1993); Lopes e
Galvão (2001) e Fonseca (2003). Este tipo de produção é realizada a partir do mapeamento de "onde", "quem", "quando" e "como" foram
produzidos os textos, no sentido de inventariar, relacionando ou comparando as produções. Identificamos um importante crescimento
de pesquisa sobre a história regional nos últimos anos, decorrente da expansão dos programas de pós-graduação na região Oeste, não se
restringindo somente ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Unioeste. No conjunto da produção, verifica-se uma emergência de
novos estudos e perspectivas de abordagem. Ao darmos visibilidade aos trabalhos produzidos, vimos a necessidade de construção de redes
de pesquisadores para impulsionar novas investigações.
Palavras-chave: Historiografia. História da educação. Região Oeste do Paraná.

Abstract
This article examines the academic research in the field of History of Education in western Paraná, taking as its starting point the
Graduate Program in Education. This is a bibliographic study presents the existing production by this group of researchers, the prospects
and challenges faced in the History of Education. The need for a balance on this issue arises from the need for a form of mapping will
point out the most discussed issues and gaps. Such studies are necessary to enable the understanding of the state hit by the priority issues,
the sources, the cut periods, theoretical and methodological approaches and geographical clippings. This mapping enables the process
of inventorying this production tracing trends, the necessary revisions to discuss and know what was produced, how it was produced and
what is or can be produced. In recent years it has produced a significant number of research on the survey of the academic literature on
the need placed in the area of a critical assessment of the production in the area, as Lombardi (1993); LOPES; GALVÃO, (2001); Fonseca
(2003). This type of production is carried out from the mapping "where", "who", "when" and how the texts were produced in order to
inventory, relating or comparing the productions. We have identified significant growth of research on regional history in recent years due
to the expansion of post-graduate programs in the western region, not limited only to the program in education Unioeste, but doing this in
other institutions. Overall production is there an emergency of new studies and perspectives approaches. Show casing the work produced,
we saw the need to build networks of researchers in order to boost further investigation.
Keywords: Historiography. Historyofeducation. Western Paraná.

Professor doutor do colegiado de Pedagogia e do Mestrado em Educação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste),
campus de Cascavel. Membro do grupo de pesquisa História, sociedade e educação ­ Região Oeste do Paraná (HISTEDOPR). Pósdoutorando em Educação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).
Contato: [email protected]
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João Carlos da Silva

Introdução
Nos últimos 40 anos, o processo de urbanização transformou radicalmente a paisagem e as relações sociais no
Oeste paranaense, momentos da passagem de um modelo rural para um modelo urbano-industrial de desenvolvimento.
As atividades educacionais e a constituição da escola pública expressam essas transformações. Diversos autores
contribuíram na escrita sobre esses acontecimentos: Emer (1991), Sperança (1992), Kuiava (2012) e Piaia (2013).
Outras tentativas de síntese acerca da escrita desta história foram feitas, como: Sabardelotto (2010), por
exemplo, discute a educação na mesorregião Oeste do Paraná; Brocardo (2014), em A historiografia recente sobre
Cascavel/PR: identidades e a ação das madeireiras, também traz contribuições para esse levantamento. Silva (2010),
em Guia de fontes para a história da educação na região Oeste do Paraná, reúne um significativo número de obras
de autores diversos, com conteúdos variados, de diferentes áreas do conhecimento. Tais publicações nos permitiram
dar um passo importante no sentido de levantar e catalogar fontes voltadas aos interessados em compreender esse
processo. Este tipo de análise tem características provisórias, estando sujeita a críticas e atualizações constantes.
Essas iniciativas também incluem a produção do grupo de pesquisa História e historiografia da Educação
(HEE), iniciado em 2000, e História, sociedade e educação no Brasil ­ GT da região oeste do Paraná (HISTEDOPR),
ambos na Unioeste. Considerando que ainda é recente a linha de pesquisa em Historia da Educação no âmbito do
Mestrado da Unioste, decidimos por ampliar o campo geográfico das produções, localizando outros programas de
mestrado na área, tendo a história da educação como palavra-chave e eixo temático.
Este artigo está organizado em três partes que se inter-relacionam: na primeira há alguns apontamentos acerca
do debate historiográfico; a segunda traz um percurso das atividades acadêmicas locais no campo da História da
Educação a partir de uma interlocução com o programa de Pós-Graduação Memória, Linguagem e Sociedade (UESB/
BA). Por fim, na terceira parte, há um breve balanço acerca da produção acadêmica sobre esse campo na região oeste.
Ao final, apontamos sugestões a serem consideradas por aqueles que trilham por esse caminho.

1 A historiografia e a História da Educação
Por volta dos anos 60, no Brasil, as concepções de história como ciência neutra e objetiva, particularmente
presentes nos manuais de História da Educação, começam a ser discutidas, mas florescem de fato nos anos posteriores
a ditadura civil-militar, quando voltam a ser acessíveis as obras de Marx e Engels. O materialismo histórico passará
a exercer uma forte influência na historiografia educacional. Nesse sentido, cabe destacar o importante papel, dentre
outros grupos e intelectuais, daqueles vinculados ao Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação
no Brasil (HISTEDBR).
Marx, ao desenvolver sua concepção materialista da história, enfatizou que o modo pelo qual a produção
material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações
intelectuais de uma época. Assim, a base material ou econômica constitui a "infraestrutura" da sociedade, exercendo
influência direta na superestrutura, isto é, nas instituições jurídicas, educacionais e políticas.
A partir dos anos de 1980, há uma recepção pela História da Educação das correntes historiográficas de origem
francesa no campo educacional. Ressaltando esse debate historiográfico, Eliane Marta Teixeira Lopes e Ana Maria
de Oliveira Galvão (2001) consideram que a História da Educação vem estabelecendo relações com diversos outros
campos da História e apontam outros domínios de estudos, tais como: História do Ensino; História do Livro e da
Leitura; História das Crianças e dos Jovens; História das Mulheres Professoras; História das Instituições; entre outros.
A "nova" historiografia educacional apareceu de forma gradativa, ficando claramente delineada a partir de
meados da década de 1990, mediante ampliação da pesquisa educacional no Brasil com a coexistência de diferentes
concepções teórico-metodológicas. Lombardi (1993) argumenta, por sua vez, ao fazer um questionamento do chamado
"mundo moderno", que essas questões não são próprias e exclusivas dessa nova historiografia educacional, por serem
problemas que têm suas raízes nas teorias da História.
A partir da década de 1990, o fortalecimento da pós-graduação no país evidenciava-se não apenas no crescente
volume dos trabalhos defendidos, mas na abertura de programas nas diversas universidades brasileiras, fazendo da
História da Educação um campo em expansão. Neste mesmo período, avultam-se espaços de socialização e divulgação
da produção existente, como: Congressos Ibero-americanos (1992), Congressos Luso-brasileiros de História da
Educação (1996), Associação Sul-Rio-Grandense de Pesquisadores em História da Educação(ASPHE) (1996) e
Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE) (1999). Somam-se a esse movimento os Seminários Nacionais
(1991) e as Jornadas do HISTEDR (2002).
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Entendemos que a produção historiográfica em tela não emerge descolada do conjunto da produção educacional
brasileira, mas se dá no interior dos trabalhos que têm por objetivo analisar a pesquisa educacional no Brasil,inclusive
a produção histórico-educacional. O contexto das transformações do final do século XX - caracterizado pelo fim do
bloco socialista, pela crise mundial do capitalismo, pelas profundas mudanças no processo de produção baseado na
informática, na robótica, na microeletrônica, na biogenética e na biotecnologia - trouxe novos elementos no fazer da
operação historiográfica.
A partir principalmente da contribuição da nova história, brota o conceito ampliado de fontes documentais. Por
sua vez, despertará essa corrente, de modo muito específico, um grande interesse em coletar, organizar e sistematizar
documentos escritos e orais, entre outros, que constituem a memória da educação nacional, regional e local, em sua
rede pública e privada.
Se há hoje certa unanimidade na contribuição da nova história quanto à ampliação do conceito de fontes
documentais, também não há duvida de que a apreensão, pelo campo da História da Educação, das correntes teóricas
marxistas continua bastante demarcada, o que não significa que não haja o diálogo, a mediação de suas abordagens. A
diferença fundante é justamente o modo como cada uma delas coloca em evidência a educação e a sociedade.
De modo sintético, diríamos que, do ponto de vista marxista, há uma predominância dos estudos das condições
materiais e a luta de classe, que presidem a realidade histórico-educacional em relação parte/todo. Já a chamada
história dos analles, ou história nova, não expressa todas as suas variantes, centra-se mais no chamado "mundo da
cultura" e sua autonomia dentro da totalidade. Com base nas discussões acima, o HISTEDOPR ­ Região oeste do
Paraná vem estabelecendo diálogos com os grupos do HISTEDBR para o desenvolvimento de suas ações.

2 A presença do grupo de pesquisa
O HISTEDBR se organizou, cresceu e estruturou a partir de 2003, na Unioeste, campus Cascavel. Está
procurando integrar ensino, pesquisa e extensão; articulando primeiro, segundo e terceiro graus e a comunidade para
garantir um melhor conhecimento sobre a história da educação, principalmente a regional. O grupo nasceu com
o objetivo de promover pesquisas e estudos na área História da Educação, e está vinculado ao Grupo de Estudos
e Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil ( HISTEDBR) que tem abrangência nacional e organiza-se
por meio de grupos de trabalho (GTs) regionais no levantamento, organização e catalogação de fontes primárias e
secundárias para a história da educação na região oeste do Paraná.
A filosofia do grupo é desenvolver e estimular a pesquisa e o conhecimento da ou sobre a região. Nesse sentido,
seus membros se empenharam em organizar um Curso de Especialização Lato Sensu em História da Educação
Brasileira, com 40 vagas, a partir de 2004, privilegiando no processo seletivo os candidatos que pretendiam desenvolver
pesquisas específicas sobre a História da Educação da e/ou na região Oeste do Paraná, mais especificamente na área de
abrangência da Unioeste. Foram ofertadas três turmas entre 2004 a 2008, cujos resultados incrementaram a pesquisa
e o conhecimento da história da educação regional1.

3 Estudos no pós-doutorado
Após 15 anos atuando na Unioeste como professor do curso de Pedagogia, desenvolvendo atividades,
ministrando disciplina e orientando dissertações junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação, na área de
História da Educação, a possibilidade de interlocução com pesquisadores de áreas afins e de outras instituições se
apresenta como desafiadora e necessária.
Dessa forma, a opção por um pós-doutorado na área da Educação, para além de atender ao desafio pessoal e
profissional, visa também contribuir com o grupo de pesquisa e do próprio programa na linha de História da Educação,
a qual sou vinculado como membro pesquisador do grupo HISTEDBR/UNICAMP - História, Sociedade e Educação
no Brasil ­ GT de Cascavel/ Região oeste do Paraná, fazendo estudos e pesquisas sobre a escola pública no Brasil.
O projeto apresentado para o estágio de pós-doutoramento, intitulado História da educação: memória, fontes
e arquivos, teve como objetivos: Examinar a história da Educação no oeste do Paraná, suas mudanças e implicações
mediante análise das fontes e legislação correspondente; Discutir a história da Educação no Brasil e,por fim, analisar
as práticas de arquivamento dos documentos acerca desse mesmo campo .

1A realização pelo Grupo de Pesquisa HISTEDBR e socializadas na suaXI Jornada, realizada em Cascavel-PR, entre os

dias 23 e 25 de outubro de 2013, tendo como temática central de discussão "A Pedagogia Histórico-Crítica, a Educação
Brasileira e os desafios de sua institucionalização" foi um marco importante na sistematização e apresentação das pesquisas
na área .
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Durante nossa presença no estágio pós-doutoral, no Programa de Pós-Graduação Memória, Linguagem e
Sociedade da UESB/BA, Vitória da Conquista, participamos de um conjunto de atividades, incluindo reuniões do grupo
de pesquisa sobre História e Memória, estabelecendo uma agenda de trabalho que envolvia participação nas atividades
do Museu Pedagógico da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), com mestrandos e doutorandos. As
reuniões do grupo se constituíram em importante espaço de interlocução acadêmica e de aprofundamento teórico de
temas relacionados à questões conceituais e metodológicas.
O Museu Pedagógico da UESB, situado em Vitória da Conquista, tem sido lócus importante das atividades
do pós-doutorado. É conhecido como um lugar destinado não só à pesquisa, à extensão e ao estudo sobre a história
da educação nacional e regional, mas pela forte preocupação na catalogação de fontes documentais primárias,
cartográficas, iconográficas, fílmicas, sonoras, literárias e estatísticas, sejam elas orais ou escritas, tendo em vista
possibilitar diferentes olhares e leituras interdisciplinares sobre o mesmo objeto, ou seja, a Educação. Constitui-se
como espaço de produção de conhecimentos, reflexões, pesquisas e produção de saberes sobre questões relacionadas
à trajetória da Educação.
Outra atividade desenvolvida foi o levantamento sobre a produção acadêmica acerca do tema memória, com a
participação de alunos da iniciação científica, mestrandos e doutorandos. Esta atividade foi iniciada no mês de julho
de 2015, com previsão de término para novembro de 2016, cujo resultado final será sistematizado na organização
e publicação de uma coletânea. O estágio de pós-doutoramento teve como enfoque também o aprofundamento dos
aspectos conceituais.
A rigor, a produção de pesquisas em Educação teve aumento significativo com a criação de programas de
pós-graduação no Brasil, sobretudo a partir de 1990. O debate em torno das principais questões da pesquisa históricoeducacional no Brasil está diretamente relacionado ao trabalho individual ou coletivo de pesquisadores, em sua maioria
ligados às instituições universitárias, fruto da criação e consolidação dos programas de pós-graduação brasileiros.
Nesse movimento, o tema da memória tem sido pouco abordado no que tange ao levantamento da produção acadêmica.
A necessidade de um balanço sobre o tema surge da necessidade de um mapeamento que aponte os temas
mais abordados e as lacunas existentes. Tais estudos são necessários por possibilitarem a compreensão do estado
atingido pelos temas priorizados, as fontes, os períodos recortados, as abordagens teórico-metodológicas e os recortes
geográficos. Assim, entendemos que este mapeamento possibilita inventariar essa produção, traçando tendências e
revisões necessárias, para discutir e saber o que foi produzido, como foi produzido e o que está para, ou ainda pode,
ser produzido.
Um tipo de levantamento dessa natureza muitas vezes está sujeito a críticas e reelaborações. Objetivando
contribuir com este levantamento que o Grupo de Estudos e Pesquisas "História e memória das políticas educacionais
e trajetórias sócio-geracionais", do Museu Pedagógico da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia,tomou essa
iniciativa.

4 Aspectos históricos sobre o Oeste paranaense
O Oeste paranaense é ocupado efetivamente entre os anos de 1940 e 1970, mediante o estabelecimento dos
colonos vindos do sudoeste do Paraná e, mais tarde, com a vinda de italianos e alemães procedentes do Rio Grande do
Sul e do Oeste catarinense. Com a exaustão da madeira, outros perfis de trabalhadores começaram a habitar a cidade
como profissionais especializados na mecanização da agricultura.
Antes da colonização propriamente dita, a região era ocupada por índios, principalmente da tribo dos guaranis,
que, perseguidos pelos bandeirantes, tiveram que fugir para a região dos Sete Povos das Missões, no Rio Grande
do Sul, para o Uruguai e para o Paraguai. Assim como nas demais regiões do Brasil, a primeira preocupação dos
colonizadores era com a posse da terra.
Cascavel, que inicialmente pertencia ao distrito de Foz do Iguaçu, emancipou-se somente em 14 de dezembro
de 1952. Devido à sua localização geográfica, sempre foi muito bem-vista pelos colonos pioneiros que visitavam
frequentemente a região, pois queriam torná-la um polo regional, visando à exploração de suas terras, no espaço
urbano disputado constantemente para a instalação de indústrias.
O processo de urbanização do município de Cascavel ocorreu simultaneamente às mudanças que se desencadearam
no panorama histórico nacional, mais precisamente a partir da década de 1950, marcado direta e imediatamente pelo
impacto provocado pelas transformações sociais que estavam ocorrendo no país naquele momento, mediante o projeto
nacional-desenvolvimentista em curso, baseado na industrialização.

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No auge do desenvolvimento industrial, a região de Cascavel crescia economicamente com a produção de
suínos, soja, café e madeira, principalmente, e tal processo tendia a vigorar nas próximas décadas. Aos poucos,
a ocupação urbana se configurou, instalando-se os latifundiários, que modernizaram o cultivo da terra utilizando
ferramentas sofisticadas para atender às exigências do mercado, prejudicando os colonos que trabalhavam com a terra
para obter o sustento, aumentando o contingente de migrantes e expandindo a população de maneira acelerada2.
Cascavel, favorecida por sua posição geográfica e econômica, impõe-se politicamente sobre os demais
municípios. Segundo o IBGE (2015), sua população atualmente é estimada em 312.778 habitantes. À medida que
foi aumentando a produção, cresceu a população e a economia se inseriu no contexto nacional, trazendo junto o
êxodo rural. Assim, de uma região eminentemente rural no passado, a partir dos anos 1980, com os processos de
desenvolvimento e com a inserção da tecnologia no campo, passou a predominar a urbanização, trazendo junto novos
desafios. Neste contexto, a escola constituiu-se uma das primeiras e principais preocupações, e a Educação tem se
constituído num importante fator de lutas e mobilizações sociais.
Na década de 1970, a região oeste do Paraná caracterizou-se pela mudança econômica do ciclo madeireiro para
a cultura da soja, marcada pelo desenvolvimento nas áreas de transporte e do comércio, que levou ao fluxo migratório
e ao êxodo rural. Esses acontecimentos marcaram a inserção de Cascavel no mundo da política estadual e nacional,
tornando-se polo agroindustrial.
De forma simultânea a esse processo, a construção da usina hidrelétrica de Itaipu (1974-1982) desencadeou
estratégias para viabilizar o projeto de desenvolvimento regional. Essa região foi estrategicamente escolhida pela
riqueza natural e características hegemônicas dos grupos que aqui se consolidaram, cenário ideal para o empreendimento
de grandes projetos, inclusive na área educacional.
Foi neste contexto que emergiu o Projeto Especial Multinacional de Educação Brasil, Paraguai e Uruguai MEC/OEA, no sentido de atender a demanda pela escola com o discurso de qualidade, cuja necessidade era ampliar
a oferta da educação, treinar recursos humanos e melhorar o rendimento da escola primária. A implementação do
projeto, entre 1975 e 1983, foi um marco importante na história educacional da região oeste3, sendo objeto de pesquisa
nos trabalhos de conclusão de curso.
Segundo Emer (1991), o crescimento populacional foi maior na área rural pela chegada dos migrantes de outras
regiões do país. Essas famílias se estabeleceram no campo na condição de arrendatários e, como não havia escolas
nessas áreas mais afastadas, as crianças permaneceram sem estudar.
As escolas existentes funcionavam de forma precária, devido ao processo de transformação da superação de
um sistema produtivo por outro, e a população rural, não proprietária, tinham grande mobilidade. A residência tinha
um sentido provisório e temporário. Nessas condições, as escolas, com prédios de madeira, eram transferidas de um
lugar para outro.
Outros aspectos marcaram as condições da escola nesse período e foram destacados por Emer em seus estudos,
como a falta de formação dos professores, a carência de material didático, a centralidade das questões pedagógicas
e burocráticas das equipes de supervisão da Secretaria de Educação e a tendência tecnicista como aparato teórico, os
quais levaram à baixa qualidade da escola.

2 Foi no ano de 1969 que a mecanização desenfreou-se no território cascavelense, devido às influências de um modelo
econômico internacional europeu transplantado para o país. Esse fator foi utilizado como instrumento para reacender a vida
política e financeira do Brasil, que enfrentava problemas de ordem econômica e social, e os agricultores foram incentivados
a preparar a terra com o emprego de técnicas modernizadoras, para satisfazer o mercado mundial.Na década de 70, o ciclo
madeireiro já se esgotava pela extração de inúmeras árvores nativas. As indústrias eram mais de mil, a produção de suínos
expandia e a população atingia a estatística de quase 90.000 residentes. Nessa época, foi implantado o sistema cooperativista,
em que agricultores das regiões oeste e sudoeste do Paraná, buscavam soluções para a grande produção de soja e a sua venda
a preços baixos, ausência de infraestrutura, como local para armazenamento da produção e transporte da mesma.
3O projeto MEC/OEA iniciou-se no Uruguai, na cidade de Punta Del Este, onde chefes dos Estados Americanos se reuniram
no dia 14 de abril de 1967 para realizar uma declaração, sendo esta com o reconhecimento da anterioridade da educação na
política de desenvolvimento das Nações Latino ­ Americanas. Teve como finalidade coordenar juntamente com os governos
dos três países membros: Brasil, Paraguai e Uruguai, na intencionalidade de ampliar a infraestrutura educacional e oferecer
um suporte em resolver as dificuldades que fossem aparecendo conforme as necessidades socioeconômicas e culturais. Sua
meta era apoiar e promover o desenvolvimento da educação, proporcionando também um material didático mais adequado
com as características da sociedade regional. Com uma característica principal de atuação benéfica, principalmente por proporcionar a qualificação dos recursos humanos que atuam na alfabetização e nas primeiras séries do primeiro grau do ensino
municipal. O Projeto Especial MEC/OEA,exerceu importância no processo de implantação da estratégia desenvolvimentista
na região e sua influência para a articulação das ações no ramo educacional, no sentido da expansão da escola publica.
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Para Emer, houve dois momentos que ele denomina de colapso educacional regional e que recaíram sobre
determinados segmentos sociais. O primeiro, que recaiu na população rural, e o segundo, na população advinda do
êxodo rural, que se estabeleceram nas periferias urbanas das principais cidades da região, caracterizando "a relação
existente entre o atendimento escolar, ou a falta dele, e as condições de classe social" (idem, p. 285).
No final da década de 1960, início da década de 1970, a população rural se deslocou para a área urbana, criando
uma demanda que exigiu novos encaminhamentos para as discussões sobre a educação na região, e consequentemente
para a expansão da escola:
A primeira delas foi a partir da mobilização social em Cascavel e municípios próximos, para a criação
dos primeiros cursos de nível superior (1972); a segunda, a partir de 1974, pela implantação na região
da "reforma de ensino", determinada pela Lei 5.692/71; a terceira pela implantação da (1975) do Projeto
Especial de Educação ­ MEC/OEA; a quarta, a criação (1980), sucedendo esse projeto, da Associação
Educacional do Oeste do Paraná ­ Assoeste (EMER, 1991, p. 285-286).

A região oeste do Paraná é relativamente nova, se tomarmos como referência a história do Paraná e do Brasil.
No entanto, apesar de ser de colonização recente, sua localização geográfica nas proximidades com a Argentina e com
o Paraguai, e a facilidade de deslocamento para a região sul, para o sudeste e centro-oeste, bem como para a capital
do Estado, tem facilitado o encontro e o convívio de culturas permitindo a realização de experiências bastante ricas e
diversificadas.
Conforme Emer (1991), a escolarização da mesorregião do Oeste paranaense passou por quatro fases, a saber:
escolarização particular domiciliar, casa escolar particular, casa escolar pública e grupo escolar. A primeira escolinha
de Cascavel, em 1932, foi fruto da construção da primeira igreja, local onde foi construído o primeiro núcleo urbano do
povoado denominado Cascavel. Foi nesse ano que teve início o processo educacional no então vilarejo de Cascavel. A
partir desse momento, a institucionalização da escola primária foi se estruturando seguindo as políticas que emanavam
do governo do estado do Paraná.

5 A produção acadêmica
Nesta dinâmica de sistematização da produção existente, Silva (2010), no Guia de fontes para a história da
educação na região Oeste do Paraná, reuniu um significativo número de obras de autores diversos, com conteúdos
variados, de diferentes áreas do conhecimento. Tal publicação permitiu dar um passo importante no sentido de
levantar e catalogar fontes voltadas aos interessados em compreender melhor essa história. Nele aparecem livros,
teses, dissertações e monografias abordando diversas temáticas, como: História; educação ambiental; ensino; cultura;
música; arte e esporte; planejamento; gestão e currículo; educação e trabalho; movimentos sociais; educação especial;
saúde pública; planejamento urbano e economia.
Foram identificados 226 publicações, constituídas por 94 livros, 4 teses, 19 dissertações e 109 monografias. No
conjunto desta produção, destacamos algumas publicações consideradas pioneiras ao tornarem-se leituraobrigatória
nas pesquisas, entre elas: Desenvolvimento histórico do Oeste do Paraná e a construção da escola (1991), de Ivo Oss
Emer, dissertação que trata da constituição da escola na região Oeste do Paraná, no contexto histórico da formação
das fronteiras do sul do país com as repúblicas da Argentina e do Paraguai, e os fatores históricos e a integração a
economia nacional. Este trabalho tem sido uma leitura imprescindível para aqueles que iniciam os estudos no campo
da história da escolarização na região.
Em relação às monografias, destacamos: A primeira escola primária em Cascavel, de Sergio Antonio Thomé
(2005); A história da escolarização de Guaraniaçu: da colonização aos nossos dias, de Tatiane Zanin (2010), e
História do colégio Bartolomeu Mitre: primeiro grupo escolar da região oeste do Paraná, de Denise Kloeckner
Sbardelotto (2007).
No que tange aos livros: de Alceu Esperança, Pequena história de Cascavel e do Oeste (1980); Obrages
& companhias colonizadoras: Santa Helena na história do Oeste Paranaense, de José Augusto Colodel (1988),
e Obrageros, Mensus e Colonos, de Ruy Christovam Wachowicz (1982), também são referências importantes
para compreender o processo de escolarização na região em consonância com as transformações sociais que se
desencadearam no panorama local e histórico-nacional. Vander Piaia (2013), em Terra, sangue e ambição: a gênese
de Cascavel, levanta antigas polêmicas sobre a verdadeira identidade urbana do povo cascavelense na perspectiva do
desenvolvimento capitalista, em que a violência foi a marca deste progresso.
Somam-se a esses trabalhos as publicações de coletâneas organizadas pelos membros do grupo de pesquisa
HISTEDOPR, como segue:
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História e historiografia da educação na Região Oeste do Paraná: alguns apontamentos

TITULO
Educação e história regional: os
desafios de sua reconstrução.
História da educação:
levantamento de fontes e
instituições escolares.

AUTOR
ORSO, Paulino José; CASTANHA André Paulo; SILVA,
João Carlos da CARVALHO, Marco Antonio Batista;
PERES, Claudio Afonso.
ORSO, Paulino José; CASTANHA, André Paulo; SILVA,
João Carlos da; MARTIN, Edson; PERES, Claudio Afonso.

ORSO, Paulino José; CASTANHA André Paulo; SILVA,
História da educação: pesquisa e
João Carlos da, MARTIN, Edson, PERES, Claudio Afonso,
memória histórica
SILVA,J.C.
História da educação: pesquisa,
CASTANHA, André Paulo; ORSO, Paulino José; SILVA,
levantamento de fontes e
J.C; CARVALHO, Marco Antonio Batista
instituições escolares
História, sociedade e
ORSO, Paulino Jose; CASTANHA, André Paulo; SILVA,
educação: o ensino superior e o
J.C; LOERA, Marcela R. C.
desenvolvimento local
Escola publica e práticas
SILVA, J.C.; CASTANHA, André Paulo; ORSO, Paulino
educativas.
Jose; ZANOTTO, Marijane
Historia da educação: formação
SILVA, J.C.; CASTANHA, André Paulo; ORSO, Paulino
de professores e escolarização na
Jose; PASQUALOTTO, Lucyelle Cristina
região Oeste do Paraná.
Historia da educação: arquivos,
SILVA, João Carlos da; ORSO, Paulino José; CASTANHA,
instituições escolares e memória
André Paulo; MAGALHAES, Livia Diana Rocha
histórica
Pedagogia histórico-crítica: a
ORSO, Paulino Jose; CASTANHA, André Paulo; SILVA,
educação brasileira e os desafios
J.C ; LOMBARDI. Jose Claudinei
e sua institucionalização

ANO

EDITORA

2008

Coluna do
Saber

2008

Coluna do
Saber

2008

Coluna do
Saber

2010

Coluna do
Saber

2011

Coluna do
Saber

2012

Coluna do
Saber

2013

Coluna do
Saber

2013

Alínea

2014

CRV

Entre 2010 e 2013, com financiamento do CNPq, implementamos o projeto intitulado Instituições escolares
e memória histórica na região Oeste do Paraná (1950-1980), tendo o propósito de contribuir para a produção do
conhecimento na área da História da Educação Brasileira mediante a reconstrução histórica das Instituições Escolares
Públicas da região Oeste do Paraná. A pesquisa delimitou-se ao período a partir de 1950, quando foram criados os
primeiros grupos escolares públicos na região, tendo o município de Cascavel como referência.
O objeto desta pesquisa diz respeito à reflexão e resgate das fontes primárias das Instituições Escolares
Públicas e, a partir destas, reescrever a história da Educação local e regional. Esta proposta de pesquisa parte de
nossa preocupação com a recuperação, manutenção e registro da documentação das Instituições Escolares, que muitas
vezes encontra-se em precárias condições de conservação e guarda registros históricos sobre as primeiras escolas de
Cascavel e região Oeste4.
Na perspectiva da articulação da pesquisa em rede, destacamos a organização de dois dossiês temáticos
publicados na Revista Educere et educare, em 2009 e 2015. O primeiro, intitulado História, sociedade e educação,
um conjunto de artigos na sua maioria assinados por pesquisadores de referência nacional e internacional em seus

4A realização deste trabalho de recuperação das fontes das escolas das cidades participantes da pesquisa
visava ainda contribuirpara o desvelamento da história da cidade e da região. Este projeto integrou o que
estava sendo desenvolvido em âmbito local e nacional pelo Grupo de Pesquisa em História, Sociedade
e Educação no Brasil ­ HISTEDBR, no levantamento e a catalogação de fontes primárias e secundárias
para a História da Educação Brasileira. Tinha ainda a finalidade de fortalecer a linha de pesquisa em história da educação ligado ao Mestrado em educação da UNIOESTE, Campus Cascavel. Como resultado,
foi publicado a coletânea " História da educação : arquivos, instituições escolares e memória histórica"
em que expõe experiências concretas de preservação e criação de instituições para o estudo da História
e Memória da Educação, apresenta uma reflexão sobre a História da Educação, suas formas de expressão,
âmbitos e modos de nos acercarmos do seu estudo, além de, apontar para a necessidade de constituição
de fundos documentais, seu acompanhamento e sistematização.
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João Carlos da Silva

campos de estudos. O segundo, História da educação, intelectuais e instituições escolares, trouxe contribuições de
pesquisadores de diferentes regiões do Brasil articulados em redes de pesquisa que abordam a temática em tela, dando
um consistente panorama acerca da produção sobre o assunto em foco.

6 A produção na pós-graduação
No âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unioeste, campus Cascavel, em 2012, foi efetivada
a linha de pesquisa História da Educação, reunindo pesquisadores que articulavam estudos e pesquisas em torno da
educação escolar e não escolar, assim como da constituição e análise dos fenômenos educacionais, a partir de uma
perspectiva histórica, abarcando as seguintes temáticas de estudos e pesquisas: História e historiografia da Educação;
Questões teórico-metodológicas da História da Educação e do ensino de História e cultura e História na História da
Educação, dinamizando de maneira mais efetiva, elegendo estudos e pesquisas sobre a história da educação regional.
Nesta direção, foram ofertadas as disciplinas: Elementos históricos sobre a escola pública, Fundamentos
Históricos da Educação, Teorias Sociais e educação na história contemporânea, problematizando aspectos referentes
à história e historiografia da educação. As demais linhas que estruturam o programa também vêm contribuindo
neste sentido, como: Educação, políticas sociais e estado; Formação de professores e processos de ensino e de
aprendizagem, e Ensino de ciências e matemática.
O Programa de Pós-Graduação em Educação da UEM, a partir da linha de pesquisa "História e historiografia
da Educação", tem contribuído com estes estudos na produção de dissertações com temas voltados sobre a história da
educação na região.
Entre as dissertações defendidas entre 2007 e 2016, nos programas de Pós-Graduação em Educação da UEM,
UEPG E Unioeste, evidenciam-se 15 dissertações sobre história da educação, conforme quadro que segue. Podemos
vislumbrar a ampliação do programa para os próximos anos como uma contribuição relevante e decisiva para a
produção de pesquisa em Educação em âmbito regional e nacional.

Dissertações defendidas
AUTOR
Leni Terezinha
Marcelo Pinzan

TITULO
Unioeste: a histórica luta pela estadualização

ANO

LINHA DE
PESQUISA

2007

Historia e
historiografia
da educação

O desenvolvimento dos cursos de formação de
professores primários na fronteira oeste
Denise
paranaense: a criação da primeira Escola Normal 2009
KloecknerSbardelotto
Secundária pública de Foz do Iguaçu e do Oeste do
Paraná.
Os desafios da Política de Educação para Jovens
Margarete
e Adultos: o analfabetismo e as medidas para
2009
ChimiloskiDolla
a ampliação da escolarização no município de
Cascavel-PR (2006 -2008)
Karina GriggioHotz

Rodrigo Pinto de
Andrade
Lucas Cardoso dos
Santos
Maria Valdeny
Ferreira Gomes

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Avaliação da implementação do PROEJA em
2010
municípios do Oeste do Paraná (2008-2009
História e historiografia da escola luterana concórdia
de Marechal Candido Rondon (1955-1969)

2011

Do pecado à redenção: o papel das primeiras damas e
2012
a infância marginal em Cascavel
A expansão da escola publica primária na região
2012
oeste do Paraná (1970-1980);

História e
Políticas
Educacionais
Educação,
políticas
sociais e
estado
Educação,
políticas
sociais e
estado
Historia e
historiografia
da educação
História da
educação
História da
educação

INSTITUIÇÃO

UEM

UEPG

UNIOESTE

UNIOESTE

UEM
UNIOESTE
UNIOESTE

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História e historiografia da educação na Região Oeste do Paraná: alguns apontamentos

Valdecir AntonioNath
Tatiane Zanin
Jehnny Zélia
KalbFacchi
Vera Lucia Ruiz
Rodrigues da Silva
André das Chagas
Santos

Gilson Leske

Claudia Pagnoncelli

Francielle Aparecida
Garuti de Andrade
Lidiane Maciel
Mufatto

A primeira escola secundária pública de
Cascavel: Ginásio Wilson Joffre (1960-1980)
A constituição da escola pública primária no
Município de Guaraniaçu: percursos históricos
a trajetória das escolas normais Carola Moreira e
Irene Rickli
Educação da pessoa com deficiência no Estado do
Paraná nas décadas de 1970 e 1980: coexistência
de atendimento em escolas públicas regulares e em
especiais privadas/filantrópicas
O ensino de história nos anos iniciais nas escolas
públicas do município de Cascavel (1990-2013):
desafios e impasses teórico-metodológicos
História da formação de professores em Cascavel
entre 1951 e 1971: A trajetória da educação rural
no Paraná: das escolas rurais as escolas do campo
(1961- 2006)
A institucionalização da educação infantil no
Município de Cascavel: uma abordagem histórica
(1970-1990)
O Colégio comercial marista no contexto da
urbanização de Cascavel (1962 a 1989)

2013
2013
2013

História da
educação
História da
educação
História da
educação

UNIOESTE
UNIOESTE

2013

História da
educação

UNIOESTE

2014

História da
educação

UNIOESTE

2014

História da
educação

UNIOESTE

2015

História da
educação

UNIOESTE

2016

História e
Historiografia
da educação

UEM

História da
educação

UNIOESTE

O projeto especial multinacional de educação ­ Brasil
­ Paraguai ­ Uruguai: a concepção da escola pública
2016
na região Oeste do Paraná: 1975 á 1983

Fonte: Autor

Sobre os estudos no doutorado, destacamos a tese defendida por José Kuiava (2012) junto a Faculdade de
Educação da UNICAMP, intitulada Formação continuada de professores em terras de fronteiras ­ Oeste do Paraná
- 1973-1992. Este trabalho aborda um importante capítulo da história da educação do Oeste do Paraná ao tratar sobre
as origens, intenções e proposições do Projeto Especial Multinacional de Educação Brasil-Paraguai-Uruguai ­ MEC/
OEA entre 1978-1983.
Denise Kloeckner Sbardelotto(2014), junto à mesma instituição, em sua tese O projeto educacional da Itaipu
Binacional (1974-1985): uma educação para cada vila e para cada fração da classe trabalhadora, trata sobre os
cursos normais públicos de formação de professores primários na atual mesorregião do Oeste do estado do Paraná,
especificamente no núcleo urbano "pioneiro" de Foz do Iguaçu. Discute os determinantes políticos e econômicos que
levaram ao desenvolvimento dos cursos de formação de professores no Oeste do Paraná.

Considerações finais
Mediante os apontamentos, identificamos um crescimento de pesquisa sobre a história regional nos últimos
anos decorrente da expansão dos programas de pós-graduação na região. Evidenciamos que os estudos sobre a história
da educação no Oeste paranaense não se restringiu ao programa em Educação da Unioste, mas se faz presente em
outras instituições.
No conjunto da produção, verifica-se uma emergência de novos estudos e perspectivas de abordagens. A
produção da linha História da Educação, vinculada ao grupo de pesquisa HISTEDOPR, tem dado contribuições com
menor relevo para outras linhas, como Políticas Educacionais. Percebe-se que o crescimento da pesquisa em história
da educação se acentuou mediante três iniciativas: o surgimento do grupo de pesquisa HISTEDOPR, em 2012; o
Mestrado em Educação na Unioeste, em 2007, e a implementação da linha História da Educação, em 2012, no mesmo
programa.
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Nesta dinâmica de pesquisa, o estágio de pós-doutorado consiste em um momento fulcral da vida profissional,
uma oportunidade de atualizar os conhecimentos por intermédio da interação e compartilhamento da pesquisa com
outras universidades ou grupos de pesquisa. Visa, sobretudo, ampliar as condições que nos levam a construção de
conhecimentos acadêmicos, científicos e culturais.
Além da produção dos grupos de pesquisa, destacam-se ainda autores externos às universidades compartilhando
com estudos sobre o oeste paranaense. No processo de dar visibilidade aos trabalhos produzidos, acredita-se que é
possível colaborar na construção de redes de pesquisadores no sentido de impulsionar novas investigações.
Grande parte dessa história tem sido perdida em função da ausência de acervos documentais que possibilitem
sua preservação e reconstrução, mas não é apenas isto que nos preocupa. Se persistirmos nesse caminho, também
acabaremos perdendo a história que ainda está por ser realizada. Julgamos ser de fundamental importância a execução
de um projeto que vise levantar, catalogar e preservar a documentação e as fontes de informação que possibilitam
resgatar e compreender a história.
Nesse sentido, apontamos algumas ações que julgamos imprescindíveis: 1. Fortalecimento da linha de História
da Educação no âmbito dos programas de pós-graduação; 2. Conscientização da comunidade interna e externa sobre
a preservação documental da história regional; 3. Constituição de um centro de memória acerca dessa história para
guarda da documentação levantada; 4.Estabelecimento de parcerias com o Núcleo Regional de Ensino e Secretaria
Estadual no sentido de valorizar, preservar e disponibilizar os documentos existentes sobre a história das escolas
envolvidas; Por fim, 5. Dar visibilidade aos resultados, mediante divulgação dos resultados das pesquisas junto aos
meios de comunicação social impresso e digital.
Os trabalhos de identificação, coleta, levantamento e catalogação exigem paralelamente a avaliação constante
dos acervos. Seus resultados não podem ser atribuídos separadamente a um ou outro pesquisador, visto que o trabalho
deverá ser planejado, discutido e realizado de forma coletiva. Dada a complexidade e os desafios em desvelar a
história da educação local e regional face às dificuldades de acesso aos aos arquivos e de localização das fontes, essa
tarefa não pode ser limitada às ações da universidade e de seus pesquisadores.
Cientes dos desafios que se colocam no levantamento e catalogação de fontes, esperamos com esses apontamentos
subsidiar a discussão sobre a pesquisa local e regional em face da produção acumulada na área.

Referências
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Data de submissão: 22/02/2017
Data de aceite: 10/05/2017

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