Caminhos da história no Brasil: uma análise historiográfica da
Revista Brasileira de História (1981-2009)

Daniel da Silva Becker1, Prof. Dr. Jurandir Malerba1 (orientador)
1

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - FFCH, PUCRS

Resumo
O objetivo deste trabalho é apresentar os dados parciais de um levantamento
quantitativo dos artigos publicados na Revista Brasileira de História (RBH) entre os anos de
1981-1990. Este levantamento integra uma das etapas da pesquisa "Caminhos da história no
Brasil: uma análise historiográfica da Revista Brasileira de História (1981-2009)" que tem por
objetivo traçar um perfil da historiografia brasileira nas últimas três décadas a partir deste
periódico. Tentativas como esta têm sido pouco frequentes nos estudos de história da
historiografia do Brasil, onde as análises são majoritariamente centradas nos livros ou em
artigos isolados segundo áreas temáticas. Partimos do pressuposto de que o conhecimento
histórico tem uma função de orientação do homem no tempo (Rüsen, 2001). Portanto, é do
maior interesse para a ciência da história compreender e analisar a forma como este
conhecimento tem sido produzido por seus profissionais. A história da historiografia, neste
sentido, emerge como campo privilegiado de análise, no qual convergem teoria e metodologia
da história, para uma maior compreensão e reflexão da historiografia (ou seja, da história
escrita pelos historiadores), bem como para o entendimento do desenvolvimento da disciplina
no interior de sua reflexão metateórica. Nossa pesquisa contabilizou 141 artigos publicados na
RBH durante a década de 1980. Neste período houve uma predominância de estudos em
História Social (39%), seguidos pelos de História Política (19,1%) e História Cultural
(12,1%). Acompanhando uma tendência já apontada por análises historiográficas anteriores
(Amaral Lapa, 1985; Fico e Polito, 1992), maioria destes trabalhos se concentrou nos
períodos mais recentes da história do Brasil, principalmente no período do Brasil República
com 52,2% dos artigos publicados. As temáticas mais pesquisadas por seus autores foram as
relacionadas aos movimentos sociais (11,3%), escravidão (9,2%), história das mulheres

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(8,5%), história social da família (8,5%) e história social do trabalho (7,1%), especialmente
sobre o movimento operário e os trabalhadores urbanos. Podemos perceber uma forte
influência da tradição marxista nesta produção e, a partir de meados da década de 1980, da
Nova História. A próxima etapa de nossa pesquisa será terminar o levantamento quantitativo
para os anos de 1990-2009, bem como estudar de forma mais detalhada as características
desta produção historiográfica, especialmente suas orientações teóricas e metodológicas.

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