História do Porco
Pesquisa de Eliane Faganello de Som
1) Os Ancestrais
A origem de todos os porcos que conhecemos atualmente está associada a três
espécies de javalis:
Sus scrofa scrofa, originária da Europa e do norte da África
Sus scrofa vittatus, originária da Indonésia, Japão e China
Sus scrofa cristatus, originária da Índia
A espécie Sus scrofa mediterraneus seria uma intermediária entre as duas
primeiras.
As pinturas ruprestes encontrados nas grutas de Altamira, na Espanha e
reproduzidas no Museu Nacional Alemão (Deutsches Museum) de Munique,
mostram que o javali já era conhecido na Europa há 15.000 anos.

1. a) O Javali
A história do javali (Sus scrofa Linnaeus 1758 ) remonta a milhões de anos.
Fósseis revelam que há cerca de 48 milhões de anos, mamíferos onívaros
habitavam as florestas e pântanos nos quais foi formado o carvão. Estes fósseis,
conhecidos como Entelodontidae são considerados os antecedentes mais
remotos do animal que conhecemos hoje.

1.b) A Domesticação
Os mais antigos registros arqueológicos do porco domestico (Sus scrofa
domesticus) datam de 9.000 anos a.C e foram encontrados na Grécia e na
Turquia. Na China e no Egito, remontam a 6.000 anos a.C. e na Europa
Central, a 4.000 a.C..
Na Europa, a domesticação dos porcos iniciou no Período Neolítico, ou seja,
no último período da Idade da Pedra, quando a agricultura e a criação de

animais tornaram-se práticas conhecidas ao homem. De acordo com o material
arqueológico, pode-se concluir que os porcos passaram a servir o homem bem
antes do gado, porém, depois das ovelhas e das cabras.
Por vários séculos, o porco doméstico conservou as características físicas de
seus antepassados. Na Europa Central essas características eram observadas
ainda nas pinturas do Renascimento.
Com o aperfeiçoamento da criação, o porco foi modificando suas características
externas: o tamanho do corpo e do cérebro diminuiu, os dentes tornaram-se
menores e o focinho encolheu. Em muitas raças, as orelhas também se
modificaram, tornando-se caídas. Dependendo do lugar e da raça, também se
alterou a forma integral do corpo, assim como o tamanho, densidade e coloração
dos pêlos.

2) Os Porcos na China
Na China, os porcos já eram domesticados no período do imperador FoHi, no ano 3500 a.C..
No entanto, a expansão da atividade deu-se durante a Dinastia Han (202 a.C.
até 220 d.C.). Neste período, o império responsável pela invenção do papel
estendeu sua força cultural, política e agrícola sobre as regiões que atualmente
correspondem ao Vietnan, Ásia Central, Mongólia e Coréia.
Desta época remontam várias esculturas de porcos, encontradas em túmulos e
sepulturas humanas. De acordo com a simbologia chinesa, o animal
representava a riqueza e a fartura, que seriam levadas para a eternidade.
Diferentes das raças européias, as raças chinesas ainda hoje são conhecidas
pela prolificidade e pelo alto teor de gordura. As leitoas trazem ao mundo, em
média, 14 leitões vivos por gestação, o que também é resultado de séculos e
séculos de seleção a partir do número de leitões por cria. Na Europa, a média
superior de nascimentos fica em 11 leitões por cria.
A partir de 1949, com a República Popular, a criação passou a ser incentivada
pelo Estado e se proliferou pelo país. Atualmente, a China é o maior produtor
mundial de suínos, com mais de 480 milhões de cabeças, o que corresponde a
mais de 50% do rebanho mundial.
No Vietnan, que ocupa atualmente a quarta posição no ranking mundial da
produção, a criação já é conhecida há quase 4.000 anos. Assim como na China,
comemora-se a cada 12 anos, o "Ano do Porco", sendo este, por coincidência,

2007. No horóscopo chinês, o animal também representa riqueza, fartura e
prosperidade.

3) O Porco no Antigo Egito
O material histórico revela que os porcos já eram conhecidos no Antigo Egito e
no Oriente, há mais de 4.000 anos. Possivelmente originários das regiões da
Mesopotânia ou da Turquia, espalharam-se pelo delta do rio Nilo, sendo
utilizados também para puxar o arado, na preparação da lavoura, oferecendo,
além da tração, a vantagem de fazerem, com os próprios pés, os orifícios no
solo onde seriam depositadas as sementes do trigo.
Conta-se que na Babilônia, uma das cidades mais antigas do mundo, os porcos
andavam soltos, com o objetivo de consumir os restos de alimentos e o lixo
depositado nas ruas.
O historiador grego Heródoto (484-425 a.C.) escreveu que os egípcios
consideravam o porco um animal "impuro", uma vez que se alimentava de
dejetos e excrementos. Os escravos responsáveis pela criação e pelo abate
também eram proibidos de freqüentar templos e outros lugares sagrados.
Ainda nos dias de hoje, os porcos desfrutam de uma imagem bastante negativa
em muitas culturas. Os motivos estão ligados, possivelmente, a idéia de
"impureza" da espécie, que foi transmitida pela história.

3.a) Os Porcos na Bíblia
Foi com a Bíblia que dos grandes mitos em torno dos porcos passou a ser
difundido, contribuindo para piorar a já péssima reputação dos animais, no
Oriente.
Já no Velho Testamento, no 3° livro de Moisés são descritos os mandamentos
para a pureza do homem. Entre eles, encontra-se a advertência contra o
consumo de carne de animais considerados "impuros", entre eles, o porco.

..." também os porcos, porque as unhas são fendidas e as fendas das unhas
divididas em duas, ... estes vos serão imundos. " (Lev. 11,7)

Hoje sabemos, através da história, que os porcos do Antigo Egito possivelmente
sofriam com tênias, triquinas e outros parasitas. Moisés, com seus

mandamentos, estabelecia também medidas de higiene para o povo, evitando
verminoses e doenças transmitidas através da carne suína mal-cozida. Medidas
estas que ainda hoje são recomendadas pelos sanitaristas.
No Novo Testamento encontramos vários registros nos quais a figura dos
porcos é associada ao profano, àquilo que não é sagrado ou ao pecado
humano.

... " Não dêem aos cães coisas santas, nem deites vossas pérolas aos porcos,
pois voltando-se, eles as pisarão com os pés e as despedaçarão. " (Mt, 7,6)

Na segunda epístola de Pedro, o porco é retratado como um animal imundo,
comparado àqueles que insistem em permanecer ao pecado:

" ... pois aconteceu-lhe o que diz aquele provérbio verdadeiro, o cão retornou ao
próprio vômito e o porco lavado, revolveu-se, de novo, no lamaçal. " (2 Pe 2,2)

Há mais de dois mil anos, o apóstolo Pedro não podia avaliar a importância dos
banhos de lama para o comportamento animal. A descoberta de que os porcos
possuem glândulas sudoríparas atrofiadas e que os banhos de lama asseguram
a regulação térmica do organismo, é bem recente.
Também são recentes as pesquisas que revelam a importância dos banhos de
lama para as relações sociais da espécie, uma vez que através da persistência
de determinados odores corporais, os animais podem assegurar seus limites
territoriais e sexuais.

4) O Porco na Grécia Antiga
Aristóles (384-322 .C.), o filósofo e o pensador mais completo da Antigüidade,
deixou uma das primeiras observações de caráter científico sobre os porcos. O
livro "A História dos Animais", parte das "Obras Completas" contém um tratado
sobre o comportamento, preferências e hábitos, assim como as necessidades
básicas da espécie.Também o desempenho sexual dos porcos, cujos estímulos
superavam os de qualquer espécie animal, já foram observados e descritos por
Aristóteles.

Hipócrates (460-377 a.C.), uma das figuras mais importantes da História da
Medicina, descreveu o alto teor de gordura da carne de porco, recomendando-a
àqueles que se dedicavam à atividades cansativas ou aos adeptos de exercícios
físicos, para conservar o vigor físico e o tono muscular.
Pintura de vasos e antigas moedas revelam que os porcos, na Grécia, serviam
também como oferenda aos Deuses.
Na literatura clássica, foi na obra "Odisséia", atribuída ao grego Homero, que os
porcos passaram a ser conhecidos pelo seu valor literário e metafórico. Foi na
transformação dos homens em animais, feita pela feiticeira Circe, que os
companheiros do rei Odisseu tornaram-se porcos, escravos dos desejos e
vontades da poderosa mulher.

4.)Os Porcos na Odisséia
A obra escrita no século VIII a.C. descreve episódios da turbulenta viagem de
Odisseu, rei de Ítaca, retornando da Guerra de Tróia. Num dos episódios,
talvez o mais interessante do ponto de vista dos porcos, Odisseu e seus
companheiros chegam até Eéia, a ilha itinerante que vaga de um extremo a
outro do Mediterrâneo. Na ilha vive Circe, a bela feiticeira, que seduz os homens
e tem o poder de transformá-los em animais.
Chefiados por Eurícolo, o tratador de porcos, os companheiros de Odisseu
tentam desbravar a ilha até chegar ao palácio de Circe, onde são recebidos por
leões e lobos domesticados. Na verdade, todas estas feras já haviam sido
homens, que devido aos encantamentos da feiticeira, tornaram-se dóceis e
obedientes criaturas, comandados por ela.
De dentro do palácio, uma voz de mulher, canta e com suavidade e transforma o
medo dos guerreiros, em curiosidade e desejo. A porta se abre e a feiticeira de
lindos cabelos negros, convida-os a entrar. Dóceis e sem suspeitar, os
guerreiros a seguem e saboreiam o mel, o vinho e os queijos oferecidos. Depois
de saciados e tendo sido tocados pela varinha encantada, sofrem uma longa
metamorfose, que os transforma em porcos .
Somente Eurícolo, o tratador dos porcos de Odisseu, que tendo desconfiado do
perigo e ficado do lado de fora, percebe o truque da feiticeira e volta ao barco,
para avisar o rei.
Furioso, o rei de Ítaca resolve enfrentar a feiticeira, na esperança de reaver seus
homens. No caminho, encontra Hermes, que lhe oferece um encantamento para
conseguir escapar das armadilhas da sedução, utilizadas por Circe.

Quando a encontra, Odisseu, da mesma como seus companheiros, também é
recebido com mel, queijos e vinhos, mas quando Circe se prepara para encostar
a varinha e encantá-lo, o rei de Ítaca puxa sua espada e tenta matá-la. Os
pedidos de clemência de Circe são aceitos pelo esperto rei, com a condição de
libertar todos os seus homens.

5) Os Porcos na Antigüidade Latina
Os romanos, adeptos de grandes banquetes e de orgias gastronômicas,
descobriram bem cedo que poderiam melhorar a qualidade e aumentar a
quantidade da carne, se desenvolvessem técnicas adequadas de cuidado
aos animais. Assim, as primeiras granjas e instalações de suínos da
história remontam a Roma.
Presuntos, salames e carne suína sempre foram artigos indispensáveis
nas mesas romanas, embora naquela época, a quantidade de gordura dos
animais fosse muito maior do que a dos conhecidos atualmente.
Também provêm de Roma Antiga, os primeiros relatos de especulações
sobre o aproveitamento dos dejetos suínos. Catone (234-149 a.C.) em
sua obra De agri cultura recomenda aplicações de esterco, como parte do
tratamento de picadas de cobras, que eram comuns na época, tanto em
humanos como em outros animais.
Ainda no campo filosófico e científico, destaca-se o escritor e professor de
retórica Claudio Eliano (170-235 d. C.). A vasta obra De Natura
Animalium descreve os animais em sentido alegórico e providos de
sentimentos. Baseada muito menos em observações do que em
suposições e relatos fantasiosos de outros escritores, foi esta obra que
influenciou a criação dos bestiários da Idade Média.
Interessante também é a obra De re rustica, do estudioso de agricultura
Columella (5 - 70 d.C.), onde são observadas algumas necessidades dos
animais e as condições indispensáveis à criação. O autor também já
reconhece a importância do trabalho daquele que cuida dos animais,
recomendando o constante o aperfeiçoamento da técnica.

6) Os Porcos entre os Celtas e os Povos Germânicos
Na Europa Central os porcos domésticos já eram conhecidos desde o

século V a.C., onde foram representados em cerâmicas.
Assim como para os celtas, os porcos tinham para os povos germânicos,
extrema importância como fonte geradora de alimentos. A domesticação
da espécie permitiu que a caça ao javali diminuísse consideravelmente.
Considerados símbolos de força física, vitalidade e virilidade, sobretudo os
reprodutores masculinos da espécie eram utilizados em rituais e
oferendas.
Os celtas, que adoravam muitos deuses, também possuiam um deus para
o porco. Moccus, o deus dos porcos foi motivo estampado em moedas da
época. Também os nobres celtas eram enterrado com um porco ou parte
dele, levando consigo para a eternidade, a virilidade e a vitalidade.
O escritor romano Tacitus (55 - 115 d.C.) citou em sua obra Germania os
desenhos e representações de porcos que os soldados germânicos
traziam em suas roupas. As mesmas figuras também foram encontradas
em sepulturas de mulheres, possivelmente como símbolo da fertilidade.
Assim como para os romanos, os porcos representavam também para os
povos do norte, prosperidade, riqueza e fartura. Esse significado ainda
permanece na mitologia germânica e podem ser encontrados em cartões
de felicitações pelo ano-novo, aniversário, casamento ou formatura.
Diferente dos romanos, os germânicos e celtas não se preocuparam, no
início, com as instalações para os animais. O tipo de criação era em
florestas, onde havia o cruzamento livre com raças de javalis. Estima-se
que um porco atingia nas florestas do norte, em cerca de dois anos, um
peso de 40 até 60 kg. (Hoje, atinge cerca de 100 kg em poucos meses).

7) Os Porcos na Idade Média
No cenário social da Idade Média, o povo comia alimentos muito mais
gordurosos do que atualmente. Também no que se refere à quantidade,
sobretudo as camadas sociais inferiores, abusavam das calorias. Quando havia
comida, é claro!
O consumo da carne suína era intenso, refreado somente pela Igreja Católica,
que condenava os pecados da gula, luxúria e volúpia.

Por vários séculos os porcos circulavam livremente pelas ruas das cidades
européias, sendo muitas vezes, responsáveis por acidentes de trânsito. Conta a
história que o príncipe Phillip, herdeiro do rei francês Ludwig XXII, morreu em
1131 ao ser derrubado de um cavalo por um porco, próximo ao portão da
cidade.
Só a partir de 1500, cidades como Ulm, Frankfurt a.M. e outras metrópoles da
época passaram a regulamentar a criação de suínos, impedindo a circulação
livre dos mesmos e limitando em 24, o número máximo de leitões, por cidadão.
Considerando a grande quantidade de porcos e as precárias condições de
higiene na Idade Média, outras comunas também passaram a estabelecer regras
para a criação.
No final da Idade Média, os porcos também foram retratados pelos artistas do
Renascimento e nos fornecem informações detalhadas sobre a forma de
criação da época e características físicas dos animais.
Na obra do pintor Albrecht Dürer (1471-1528) é possível reconhecer traços
externos ainda muito parecidos aos do javali e identificar neles, a maturidade e o
longo período de vida que desfrutavam.
Outra obra do final da Idade Média onde o porco está presente é a do pintor
holandês Hieronymus Bosch (1450-1516). Na obra percebe-se a figura do
porco utilizada como personificação alegórica da tentação e do pecado.

8) Os Porcos na América Latina
Assim como seus antecedentes javalis, os porcos não constituem uma espécie
da fauna nativa americana. Eles desembarcaram no continente trazidos
Colombo, numa de suas viagens e logo se acostumaram à rusticidade do Novo
Mundo, se espalhando por vários países.
A Guerra do Paraguai (1864-1870) parece ter sido um momento decisivo para
a história da espécie na América-Latina, uma vez que tendo sido destruídas
muitas granjas no país vizinho, os porcos se espalharam pelas florestas, onde
se proliferaram e se adaptaram ao ambiente selvagem.
Os javalis, ainda hoje encontrados nas regiões centrais do Brasil são prováveis
descendentes dos sobreviventes da Guerra terminada com a morte do ditador
Solano Lopez, em Cerro Corá.

9) Os Porcos no Brasil
Os porcos chegaram ao Brasil a partir de1532, trazidos por Martim Afonso de
Souza. Provenientes de raças derivadas dos javalis europeus do tipo ibérico e
asiáticos, sobretudo da Índia, logo se adaptaram ao clima tropical e permitiram
aos criadores o desenvolvimento de raças próprias.
Grande parte das mais de 100 raças raças de porcos existentes no mundo pode
ser chamada de brasileira. No entanto, a maioria delas foi extinta e substituída
por raças consideradas melhores e mais produtivas.
Até a metade do século XX, a suinocultura brasileira estava baseada em
sistemas extensivo, utilizando raças nacionais, caracterizadas pela rusticidade,
facilidade de adaptação e grande resistência à doenças. No entanto, com a
importação das raças estrangeiras, o plantel brasileiro se modificou.
Atualmente, o Brasil possui o terceiro maior rebanho do mundo, com cerca de
33.000.000 de cabeças, o que representa 3,4% da população mundial de suínos.

9.a) As Raças Brasileiras
Os porcos não são animais originários da fauna brasileira nativa. As raças
suínas brasileiras foram formadas a partir de animais descendentes
daqueles introduzidos no século XVI, durante o Período Colonial.
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia identificou e catalogou
essas raças, embora muitas delas já tenham sido extintas e substituídas
pelo "bom desempenho" das raças estrangeiras.
São elas: Canastrão, Zabumba ,Canastra, Nilo, Nilo Canastra,
Cabano,Vermelho, Meia Perna, Mexabomba, Tatu, Canastrinho, Macau,
Perna Curta, Baé, Caruncho, Piau Pequeno, Caruncho Vermelho, Tatu
Canastra, Pirapetinga, Junqueira, Pereira, Tatuí, Sorocaba, Piau de São
Carlos, Piau de Uberaba, Piau Carioca, Canastrão Preto, Caruncho
Malhado, Carunchinho Pintado, Simetral, Moura e Casco de Burro.

9.b) As Raças Estrangeiras no Plantel Brasileiro
"No país da feijoada, é o porco estrangeiro é quem vai pra panela". Parece
ironia, mas o plantel brasileiro de suínos é composto basicamente pelas raças
Landrace, Large White, Duroc, seguidas pela Pietran, Hampshire e Wessex.

Entre as mais conhecidas está a Duroc. De cor marrom-avermelhada e vinda
dos Estados Unidos, foi a primeira a ser introduzida no Brasil, iniciando a
tecnificação do setor. Devido à rusticidade
teve ótima adaptação em todo o território nacional e é utilizada para
melhoramento da carne de outras raças.
A raça Wessex , originária da Inglaterra, foi uma das preferidas pelas granjas
que priorizava a criação ao ar livre, típica do sistema extensivo. Caracterizada
pela prolificidade, rusticidade e habilidade materna, não se adaptou ao sistema
de confinamento brasileiro e vem sendo substituída por raças mais modernas.
Também a raça Hampshire, não se adaptou ao sistema brasileiro e teve
desempenho negativo, no registro genealógico brasileiro.
Apesar de ter chegado ao Brasil vinda dos Estados Unidos, a raça é originária
da Inglaterra e caracteriza-se pelas rusticidade e pelas faixas brancas na
pelagem negra.
A raça Large-White, por sua vez, ocupa uma posição central na suinocultura
brasileira, com cerca de 23% da composição do rebanho. Originada do condado
de Yorhshire, no norte da Inglaterra, foi introduzida no Brasil a partir da década
de 70 e é largamente utilizada.
Outra raça que ocupa posição de destaque no plantel brasileiro é a Landrace.
Originária da Dinamarca, onde foi desenvolvida no final do século XIX, a partir
do cruzamento de fêmeas locais, de origem antiga, possivelmente celta, com
machos Large-Whites, importados da Inglaterra.
Difundida em vários países, a dinamarquesa Landrace ainda é uma das raças
mais selecionadas. Tem como características básicas a prolificidade, a
habilidade materna e o bom desempenho, sendo muito utilizada em programas
de melhorias genéticas. No Brasil, a raça Landrace reprenta mais de 15% do
plantel, ficando atrás apenas da Large-White.
A raça Pietran é originária da Bélgica e caracteriza-se pela pelagem branca,
com manchas pretas e pela excelente massa muscular. De temperamento
tranqüilo, os animais desta raça são muito sensíveis ao estresse.
Até 1950 era uma raça praticamente desconhecida, na Europa. Foi com a
mudança dos hábitos alimentares da população, que passou a preferir carnes
com menos quantidade de gordura, que ela se espalhou pelo Continente. Desde
1970, a Pietrain é utilizada em programas genéticos, visando melhoramento da
qualidade da carne.

Atualmente, as granjas comerciais onde são produzidos os animais para o
abate, não utilizam mais animais chamados "Puros", que ficam restritos às
empresas que produzem e comercializam material genético. Os animais
"Híbridos" são derivados do cruzamento de raças e tendem a aumentar, cada
vez mais, a sua participação no plantel brasileiro.
Por exigências do mercado, o porco brasileiro perdeu, desde 1980, cerca de
30% de seu nível de gordura, 14% de calorias e 10% de colesterol.

10) Os Porcos em SC
É quase impossível imaginar Santa Catarina sem os porcos. Eles fazem parte da
formação histórica, cultural e social do estado, mas é sobretudo no aspecto
econômico que se tornam relevantes.
Gerando cerca de 200 mil empregos diretos e injetando milhões de dólares na
economia é na balança das exportações, que o porco catarinense mostra o seu
valor.
Desde o início da colonização, realizada por descendentes de italianos vindos do
Rio Grande do Sul e por imigrantes vindos diretamente da Itália e Alemanha, o
porco passou a fazer parte do dia-a-dia da região montanhosa, que forma o Alto
Uruguai Catarinense. Com os imigrantes, a suinocultura na região que
anteriormente era habitada por índios e caboclos, cresceu e se profissionalizou
de tal forma, que atualmente, cinco dos maiores conglomerados agroindustriais
do país se encontram na região, sendo responsáveis por 60% dos abates e 70%
dos negócios no setor.
As primeiras agroindústrias surgiram na década de 40, com o objetivo de
beneficiar a carne suína e os grãos de cereais. A partir da década de 70,
impulsionada pelo Estado e amparada pelo modelo integrado de produção, a
atividade se ampliou desordenadamente, sem considerar critérios de
sustentabilidade ambiental. A escala de produção intensiva de suínos trouxe
sérias conseqüências sociais e ambientais para toda a região.
Santa Catarina possui o maior rebanho de porcos do país, com cerca de
5.775.890 cabeças, o que representa cerca de 17,5% da produção nacional
Os porcos de Santa Catarina produzem, diariamente, cerca de 40 mil metros
cúbicos de dejetos.