HISTÓRIA DA CLASSE/ESCOLA HOSPITALAR: NO BRASIL E
NO MUNDO
Tyara Carvalho de Oliveira
SME de Duque de Caxias/RJ ­ [email protected]

RESUMO

Essa pesquisa pretende oferecer subsídios históricos que possam contribuir para uma
melhor compreensão sobre o atendimento pedagógico educacional no ambiente
hospitalar, denominado pelo Ministério da Educação (MEC) como: Classe Hospitalar.
A Classe Hospitalar surgiu de politicas públicas e estudos originados da observação,
consideração e respeito às necessidades das crianças que devido à problemática de
saúde, requeiram hospitalização, independente do tempo de duração da mesma. Estar
hospitalizado não é exclusão. A criança e/ou adolescente é um cidadão que tem o direito
ao atendimento de suas necessidades e interesses mesmo quando está doente. O
atendimento pedagógico hospitalar surgiu em meados do século XX na França mais
especificamente após a Segunda Guerra Mundial, no qual inúmeras crianças e
adolescentes em idade escolar foram mutiladas e feridas, o que motivou a permanência
delas em hospitais por longos períodos. Diante dessa realidade surge então, a classe
hospitalar em 1935 em Paris, criada por Henri Sellier, no intuito de tentar amenizar as
consequências da guerra e que oportunizasse a essas crianças, enquanto alunas, de
prosseguir em seus estudos ali mesmo no hospital. E assim com incentivo de médicos,
religiosos e voluntários, a classe hospitalar foi conquistando um espaço na sociedade,
sendo difundida para vários países, entre os quais se pode citar a Alemanha e os Estados
Unidos que aderiram à criação de Classe hospitalar com o objetivo de beneficiar
crianças tuberculosas que na época eram isoladas do convívio social e impossibilitadas
de frequentar a escola. No Brasil esse atendimento inicia-se em agosto de 1950 no
Hospital Municipal Jesus localizado no Rio de Janeiro, porém alguns estudos mostram
que esse atendimento remonta ainda no Brasil Colônia na Santa Casa de Misericórdia de
São Paulo O objetivo desse estudo bibliográfico é a recuperação histórica do
atendimento pedagógico educacional hospitalar e ampliar a reflexão sobre a sua
importância dentro do contexto educacional para as crianças é/ou adolescentes
internados. Esse estudo trata-se de uma pesquisa classificada segundo Mancini e
Sampaio (2006) como uma revisão bibliográfica por realizar uma analise e síntese de
informações disponibilizadas por pesquisas relevantes sobre o tema, e que foi
fundamentada a partir da leitura e compreensão da literatura já existente presente em
livros do acervo pessoal, artigos científicos publicados na mídia impressa, eletrônica e
digital.

Palavras-Chave: Classe Hospitalar. Ambiente Hospitalar. História

A classe hospitalar não é um fato recente na história da educação. De acordo
com autores da área, a sua origem remonta do inicio do século XX na França. No Brasil
essa pratica educacional iniciou-se em 1950, com a classe hospitalar no Hospital Jesus,
localizado no Rio de Janeiro, porém há registros que em 1600, ainda no Brasil Colônia,
havia atendimento escolar aos deficientes físicos na Santa Casa de Misericórdia em São
Paulo. Essa modalidade de ensino só foi reconhecida em 1994 pelo Ministério da
Educação e do Desporto (MEC) através da Politica da Educação Especial, e,
posteriormente normalizado entre os anos de 2001 e 2002 com os documentos, também
do MEC, intitulados de: Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação
Básica (BRASIL, 2001) e Classe Hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar:
orientações e estratégias (BRASIL, 2002).
Embora a legislação brasileira reconheça o direito da criança e do adolescente
hospitalizado a receber esse tipo de atendimento pedagógico nos hospitais no período de
internação, essa oferta ainda é muito restrita, não contemplando a todas as crianças com
esse direito. Com isso, o resgate histórico das classes hospitalares visa um maior
entendimento sobre as possíveis causas deste fato e a sua importância no contexto
educacional e emocional da criança e do adolescente hospitalizado.
Esse estudo trata-se de uma pesquisa classificada segundo Mancini e Sampaio
(2006) como uma revisão bibliográfica por realizar uma analise e síntese de
informações disponibilizadas por pesquisas relevantes sobre o tema, e que foi
fundamentada a partir da leitura e compreensão da literatura já existente presente em
livros do acervo pessoal, artigos científicos publicados na mídia impressa, eletrônica e
digital.
Classes Hospitalares no mundo
A partir da segunda metade do século XX, observou-se em que países como
Inglaterra, os Estados Unidos e o Canadá, os orfanatos, asilos e instituições para

crianças violavam aspectos básicos do desenvolvimento emocional destas e podiam
leva-las a condições psiquiátricas bastantes sérias acarretando sequelas na vida adulta.
Pesquisas publicadas sobre Classes Hospitalares nos indicam que as primeiras
décadas do século XX a Europa via surgir em hospitais algumas atividades educativas
que podem ser consideradas o inicio do que hoje conhecemos como Classe Hospitalar.
Na França de acordo com Paula (2011) a primeira classe hospitalar foi
implementada em 1929 por Marie Luoise Imbert. Porém, segundo Vasconcelos (2005) a
classe hospitalar teve seu inicio também na França, mas em 1935. Nesse momento esse
texto não irá discutir em que ano verdadeiramente foi criada a primeira classe
hospitalar. Esses dados foram inseridos nesse estudo a titulo de informação.
Henri Sellier inaugura a sua primeira escola para crianças inadaptadas em 1935
nos arredores de Paris. Seu exemplo foi seguido por outros países europeus, como a
Alemanha, em toda a França e inclusive adotados nos Estados Unidos para o
atendimento de crianças com tuberculose.
O Centro Nacional de Estudos e de Formação para a Infância Inadaptada
(CNEFEI) de Suresnes, cidade periférica de Paris, foi criado em 1939 com o objetivo de
formar professores para o trabalho em institutos especiais e em hospitais. Nesse mesmo
ano é criado o cargo de professor hospitalar junto ao Ministério da Educação na França.
Esse Centro funciona até hoje A formação de professores para as classes hospitalares no
CNEFEI tem duração de dois anos. O Centro tem como missão até hoje mostrar que a
escola não é hermeticamente fechada. O CNEFEI promove estágios, em regime de
internato dirigido a professores e diretores de escolas; a médicos de saúde escolar e a
assistentes sociais. Desde 1939, o CNEFEI já formou mais de mil professores. Isso faz
com que todos os hospitais públicos na França tenham em seu quadro docente quatro
professores: dois de ensino fundamental e dois do ensino médio. Eles trabalham em
turnos diferentes de segunda a sexta. Na década de 40, foi criada a associação
Animation, Loisirs à L Hôpital (Animação, Lazer no Hospital) e nos anos 80 foi
fundada a Associação para a melhoria das condições de hospitalização das crianças
(APACHE) vinculada, segundo (Paula 2011), à European Association for Children in
Hospital (Associação Europeia para Crianças em Hospital) que reúne várias entidades

no pais em defesa dos direitos das crianças e adolescentes internados.

Professores

aposentados, professores da Educação Nacional e voluntários fazem parte de diversas
associações que tem como objetivo dar continuidade à escolarização da criança e
adolescente hospitalizado, para que acompanhem as crianças nos hospitais e também na
alta hospitalar, antes do retorno a escola regular. Essa associação conta com mais de três
mil professores (Paula, 2011).
Na Espanha a preocupação com o atendimento pedagógico hospitalar é
relativamente recente segundo Gonzáles (2007). Mais precisamente foi a Lei 13/1982 de
sete de abril que estabeleceu as bases que hoje são as classes hospitalares. No seu artigo
29 dispõe "Todos os hospitais tanto infantis quanto de reabilitação, e também aqueles
que tiveram serviços pediátricos permanentes, da administração do Estado, dos órgãos
Autônomos dela dependentes, da segurança social, das comunidades autônomas e das
corporações locais, assim como os hospitais particulares que regularmente ocupem, no
mínimo, a metade de suas camas com doentes cuja instancia e atendimento médico
dependam de recursos públicos, terão que contar com uma seção pedagógica para
prevenir e evitar a marginalização do processo educacional dos alunos em idade escolar
internados nesses hospitais" (Gonzáles, 2007, p.345) Posterior a essa Lei, por meio do
Decreto 334/1985 de seis de março, sobre ordenamento e planejamento da educação
especial, em sua disposição adicional segunda, diz: "As administrações educacionais
poderão entrar em acordo com as instituições de saúde públicas, tanto infantis como de
reabilitação, e também com aqueles que tenham serviços pediátricos permanentes, para
o estabelecimento das dotações pedagógicas necessárias para prevenir e evitar a
marginalização do processo educacional das crianças em idade escolar que estão
internadas nelas". ( Gonzáles, 2007, p.345)
Na Declaração dos Direitos da Criança Hospitalizada de 1987( Camaru e
Goldani, 2004) também se ocupa do processo de ensino-aprendizagem da criança
doente e/ou hospitalizada e/ou convalescente, enfatizando entre outros aspectos, o
direito, que as crianças têm, de continuar a sua vida escolar durante a permanência no
hospital e de se beneficiar do ensino dos professores e do material didático que as
autoridades escolares coloquem a sua disposição.

A Carta da Criança Hospitalizada de Portugal, de 2000, inspirada nos princípios
da Carta Europeia da Criança Hospitalizada, aprovada pelo Parlamento Europeu em
1986, demostra as preocupações com projetos de humanização nos hospitais, com o
bem-estar da criança hospitalizada e os aspectos educativos. O principio sete da Carta
de Portugal propõe que o "Hospital deve oferecer às crianças um ambiente que
corresponda às suas necessidades físicas, afetivas e educativas, quer no aspecto do
equipamento, quer no de pessoal e da segurança"(Mota, 2000.p.60).
Observa-se nesse histórico uma preocupação por parte dos países citados na
garantia do direito de aprender das crianças hospitalizadas.
Historia das Classes Hospitalares no Brasil
No inicio do século XX, segundo Barros (2011 p.20) quando mal se diferenciava
as doenças da miséria (como lepra, tuberculose e sífilis) da insanidade mental ocorreu
como uma atitude de vanguarda, distinguir, dentro do manicômio, o asilamento de
crianças. É relevante o resgate histórico do Pavilhão Escola Bourneville para esse
estudo, que somam memorias à cronologia da escolarização nos hospitais do Brasil. O
Pavilhão-Escola

Bourneville

para crianças anormais,

do

Hospício

Nacional de

Alienados do Rio de Janeiro fundado em 1902 e extinto em 1942. No Brasil do inicio do
século XX, era uma prática comum, a internação de crianças nos manicômios. Em parte
por razões de ordem econômica, dado que a internação livrava os pais da
responsabilidade de cuidá-las ou por razões profiláticas da ordem da saúde pública no
qual a

deficiência

mental e

anormalidades assemelhadas,

ou equivocadamente

interpretadas, eram motivo para internação hospitalar.
A origem da possível classe hospitalar no Brasil estar vinculada ao mesmo
tempo com a origem do ensino especial do nosso país, os asilos para alienados ajudam a
compreender o pertencimento ao qual a escolarização em hospitais se enquadrou
quando finalmente se fez regulamentada como uma modalidade de ensino. Assim, os
mesmos anos 30 do século XX antecipavam o fechamento do Pavilhão Bourneville,
anunciavam o surgimento das primeiras, reconhecidas oficialmente, classes especiais
nas enfermarias da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

O atendimento educacional criado em 1600 na Irmandade da Santa Casa de
Misericórdia, em São Paulo, segundo Caiado (2003 p.73), era destinado ao atendimento
escolar de deficientes físicos. Foi encontrado nos arquivos deste hospital relatórios
anuais do movimento escolar de alunos deficientes físicos (não sensoriais) que datam de
1931. Era Secretario de Educação da Cidade de São Paulo, em 1931, o Professor
Lourenço Filho. Em 1932outra classe especial foi criada, como Escola Mista do
Pavilhão Fernandinho, Em 1948 de acordo com Mazzotta (2003 p.39), uma terceira
classe foi instalada com a nomeação da Professora Francisca Barbosa Félix de Souza
que permaneceu até a sua aposentadoria em 01 de março de 1980. Em 1982 estavam
funcionando, no Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, dez
classes especiais estaduais. Tecnicamente, tais classes funcionam todas como classes
hospitalares ou, ainda, configurando a modalidade "ensino hospitalar", isto é, cada
professora tem uma programação de atendimento individualizado aos alunos que estão
como pacientes no hospital. Apesar de ter iniciado na década de 30, somente a partir de
1953 encontram-se registros mais acurados.
História da Classe Hospitalar do Hospital Municipal Jesus
A classe hospitalar do Hospital Municipal Jesus, localizado na cidade do Rio de
Janeiro, iniciou suas atividades no dia 14 de agosto de 1950, através da portaria nº 634,
atendendo aos pedidos do Diretor do Hospital na época, David Pillar. Nesse ano o
hospital possuía em torno de 200 leitos e uma média de 80 crianças internadas A
primeira professora dessa classe hospitalar foi Lecy Rittmeyer. As aulas eram dadas
individualmente, nas enfermarias. Procurava-se saber da criança o que ela estava
aprendendo ou o que já sabia e preparava a aula de modo a dar continuidade ao seu
aprendizado Ainda não se tinha no hospital instalações apropriadas para esse tipo de
atendimento. Em 1958, depois de inúmeros ofícios relatando a necessidade de novas
professoras, o Departamento de Educação Primaria cedeu ao Hospital Jesus a Professora
Esther Lemos Zaborousky, que permitiu uma melhoria na distribuição dos alunos e
consequentemente maior rendimento escolar.

O Hospital Barata Ribeiro e o Hospital Jesus funcionavam com classes
hospitalares sem que um soubesse da existência do outro até 1960. Em tempo, o
Hospital Barata Ribeiro já possuía instalações escolares no Centro Cirúrgico e
Ortopédico desde 1948. Quando as professoras, Lecy Rittmeyer e Marly Fróes Peixoto
se conheceram sentiram então a necessidade da unificação do trabalho e de uma
regulamentação,

segundo

Meira

(1971

p.243).

As

professoras

levaram essas

reivindicações ao então Diretor do Departamento de Educação Primaria, professor
Álvaro Palmeira. Chegou a ser organizado um plano de regulamentação desse serviço
na época, porém não se oficializou por causa da mudança de administração. Entretanto,
foi criado a 24 de outubro, o Setor de Assistência Educacional Hospitalar e designada
uma dirigente para o mesmo. Uma das condições para a não extinção das classes
hospitalares, imposta pelo então Diretor do Departamento de Educação Primaria, foi à
instalação de salas de aula, para que as crianças tivessem, embora internadas, o trabalho
escolar em ambiente próprio. Então a Classe Hospitalar passa a ser uma Unidade
Escolar com regime próprio: Classe em Cooperação Hospitalar Jesus. De acordo com
Ramos (2007 p.53), a professora Marly Fróes Peixoto ficou internada no Hospital
Barata Ribeiro durante vários anos para o tratamento de um quadro de reumatismo
infeccioso, o que a mantinha em uma cadeira de rodas. Neste hospital eram atendidos
vários alunos do Estado, que ficavam internados por um longo período. A Professora
Marly vendo-se cercada por tantas crianças fora do espaço escolar, passou a lecionar
dentro da própria enfermaria como voluntaria. Em 1961, foi extinto o Setor de
Assistência Educacional Hospitalar e criou-se o Setor de Ensino Especial e Supletivo.
Nessa data, foi definitivamente oficializado o atendimento às crianças hospitalizadas
pela Lei de diretrizes e Bases e pela Constituição do Estado da Guanabara que no seu
artigo 83 paragrafo 5º diz: "A Educação dos Excepcionais será objeto de especial
cuidado e amparo do Estado, assegurada ao Deficiente a assistência educacional,
domiciliar e hospitalar.".(Rio de Janeiro, 1969)
Em 1961 foram cedidas, a titulo provisório, cinco salas destinadas à radiologia,
que

não

funcionavam

por

motivos

técnicos.

Essas

condições

improvisadas

possibilitaram a pratica de atividades extracurriculares, como teatro, bandinha, canto

orfeônico e atividades manuais. Em 1963 a Classe Hospitalar do Hospital Jesus o
quadro de professoras foi ampliada para seis. Em 1964 as cinco salas ocupadas a titulo
provisório foram instalados o Serviço de Radiologia e a Documentação Radiológica
com isso, o trabalho passou a ser desenvolvido nas enfermarias com prejuízo para as
crianças e desgaste para as professoras. Em 1965 as professoras em exercício obtiveram
diploma do Curso de Especialização em Deficientes Físicos, o que passou a serem
exigidos as novas professoras das classes hospitalares.
Ainda em 1965, a administração do hospital propôs iniciar as obras do prédio
anexo inacabado. Foi criado um grupo de trabalho formado pelo Diretor do hospital,
pelo diretor da Divisão Médica e todos os chefes de Serviços para discutirem as
modificações. O impasse era sempre por causa do espaço. Os médicos desejavam mais
consultórios para gerar um maior numero de atendimentos e os demais serviços como:
Classe Hospitalar, Recreação, Psicologia, Assistente Social, Mimeógrafo, Fotografia,
Relações Públicas, tinham que também reivindicar um espaço para poder exercer suas
funções. Segundo Meira (1971 p.248) a professora Marlene de Souza Carpena Amorim
fez uma um discurso em favor do funcionamento da classe o que garantiu a cessão de
uma sala para o funcionamento da classe.
Em 1975 a Classe em Cooperação Hospital Jesus passou a denominar: Escola
22- 8. Classe Especial de Deficientes Físicos do Hospital Jesus. A Classe pertencia a o 8
DEC (Distrito de Educação e Cultura).
Em 1983 a Classe Hospitalar do hospital Jesus tinha passou a ser um anexo da
Escola Municipal General do Exercito Humberto de Souza Mello. No ano de 1990, foi
realizada uma nova organização na Secretaria Municipal de Educação, e a Resolução
392 de julho de 1990, determina que a Classe Hospitalar Jesus passe a ser vinculada a
Escola Humberto de Souza Mello. A partir desse momento são extintas as funções de
diretor e diretor adjunto, e é criada a função de Coordenação sem gratificação. Em 1993
o Hospital contava com a Direção do Dr. José Carlos Serapião. O espaço destinado à
classe estava em obras e o atendimento pedagógico hospitalar era realizado nas
enfermarias e na capela, para as crianças que podiam sair do leito. A Classe contava
com cinco professores em exercício. A partir desse ano todos passaram a receber 40%

do salario mínimo de gratificação de insalubridade. No ano de 1993 foram atendidas
947 crianças no período letivo de fevereiro a dezembro
Em 1995 a Classe Hospitalar atendeu 842 crianças. Nesse mesmo ano a classe
passa a desenvolver seu trabalho em duas salas de aula, nas enfermarias 21 e 23 e numa
sala adaptada na área de recreação. Em setembro, o hospital solicitou uma das salas para
o atendimento da saúde mental.
Em 1996, a escola conta com uma secretaria, duas salas de aula, uma sala
adaptada e as enfermarias 23 e 21. Em outubro, a direção do hospital solicitou mais uma
sala. O atendimento alcançou 883 crianças no período de fevereiro a dezembro. Em
1997, o número de atendimentos chegou a 1002, com cinco professores regentes em
uma sala de aula, duas salas adaptadas (área de recreação) e nas enfermarias 21, 22 e 23.
Até o ano de 2004 a classe hospitalar mantem a média de atendimentos sendo que nesse
mesmo ano é implementada a brinquedoteca no horário da manhã com a Professora
Elizabeth Leitão Ramos Luiz. O número de atendimento chega a 2585 crianças, sendo
45 do 2º segmento do Ensino Fundamental. Em março de 2005, foi assinado o convênio
entre a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Municipal de Saúde, publicado
no Diário Oficial do município em 08/03/2005 que dispõe sobre o funcionamento da
Classe Hospitalar Jesus.( Rio de Janeiro , 2005)
Observamos nesse histórico que apesar de toda uma trajetória importante de
muitos anos dentro da historia da educação brasileira, essa modalidade de educação
ainda é desconhecida pelos profissionais da Educação e da Saúde.
A Classe Hospitalar como Direito
Esse direito foi reconhecido pela Declaração dos Direitos da Criança e do
Adolescente Hospitalizados (Resolução número 41, de 13 de outubro de 1995, do
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do adolescente) em função da preocupação
da Sociedade Brasileira de Pediatria em mapear o conjunto de necessidades de atenção à
criança ou adolescente que precisam de cuidados de saúde em ambientes de internação
hospitalar.

O Ministério da Educação e do Desporto formula a Política Nacional da
Educação Especial (MEC, 1994), propondo que a educação em hospital se faça através
da organização de classes hospitalares, devendo-se assegurar oferta educacional não só
às crianças com transtornos do desenvolvimento, mas também, às crianças e
adolescentes em situação de risco ao desenvolvimento, como é o caso da internação
hospitalar,

uma vez que a hospitalização determina restrições às relações de

convivência, às oportunidades sócias interativas escolares (relação com colegas e
relações de aprendizagens mediadas por professor) e à exportação intelectual dos
ambientes de vida social (Fonseca, 1999).
De acordo com a Constituição Nacional (BRASIL, 1988), o Estatuto da Criança
e do Adolescente (BRASIL, 1990) a Lei Orgânica da Saúde (BRASIL,1990) e a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (BRASIL, 1996), o atendimento à saúde deve
ser integral (promoção, prevenção, recuperação, etc.) e a educação escolar deve ser de
acordo às necessidades especiais dos educandos (Oliveira, 2004).
Buscando adequar-se ao que prevê a legislação em vigor o MEC através da
Secretaria de Educação Especial procedeu à revisão em sua documentação no que tange
as estratégias e orientações para o trabalho pedagógico para as pessoas com
necessidades especiais (Fonseca, 2003). A partir dessa revisão, a área de atendimento
pedagógico hospitalar e o atendimento domiciliar passaram a dispor de uma publicação
que regulamenta essas modalidades de atendimento que se denomina: Classe Hospitalar
e Atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações (BRASIL,2002). Esse
documento visa a estruturar e promover a oferta do atendimento pedagógico em
ambientes hospitalares e domiciliares de forma a assegurar o acesso à educação básica e
à atenção às necessidades educacionais especiais.
Levantamento das Classes Hospitalares no Brasil
Segundo Fonseca (2011 p.81) o primeiro mapeamento sobre as classes
hospitalares no Brasil foi realizado no período entre julho de 1997 a fevereiro de 1998.
Apenas quatro Estados Brasileiros não se obteve qualquer informação para esse
atendimento. Esse levantamento, segundo a autora, é realizado por meio de parcerias

firmadas

de

colaboradores

(profissionais

que

atuam diretamente

nas

Classes

Hospitalares e no atendimento pedagógico domiciliar) pelos laços de confiança, respeito
e solidariedade ao direito à escolaridade da criança e/ou adolescente internados. Essa
coleta, mapeamento e divulgação desses dados e documentos e feita por meio da pagina
da internet www.escolahospitalar.uerj.br e depois registrada no informativo semestral
sobre atendimento pedagógico hospitalar.
De acordo com a ultima atualização realizada em maio de 2015, o Brasil conta
143 classes hospitalares distribuídas por dezenove Estados e no Distrito Federal
conforme a listagem apresentada: Região Norte ­ total 10 hospitais com escolas; Região
Nordeste ­ total de 23 hospitais com escolas; Região Centro-Oeste ­ total 24 hospitais
com escolas; Região Sudeste- total de 52 hospitais com escolas e Região Sul- total de
19 hospitais com escolas. Estados Brasileiros que segundo esse levantamento, não há
informação sobre a existência de hospitais com classe hospitalar para as crianças e/ou
adolescentes internados: Amazonas, Rondônia, Amapá, Piauí, Paraíba, e Alagoas.
Levantamento sobre o atendimento domiciliar no Brasil
A modalidade de ensino domiciliar é legalmente garantida e viabiliza o
acompanhamento da escolaridade de crianças e adolescentes que estão doentes, mas não
sob o regime de internação. Esses alunos, na maioria, se encontram em casas de apoio
ou mesmo nas suas residências uma vez por causa da baixa imunidade orgânica não
podem frequentar lugares públicos (escolas, clubes, shoppings, etc.). Nesse mesmo
levantamento de maio de 2011, o Brasil possui trinta e duas (32) instituições que
oferecem atendimento pedagógico hospitalar em quinze (15) Estados Brasileiros assim
distribuídos: Região Norte- total de 4 instituições; Região Nordeste- total de 12
instituições; Região Centro ­Oeste- total de 5 instituições; Região Sudeste- total de 6
instituições e Região Sul- total de 4 instituições.
E preciso ressaltar, que esse mapeamento, leva em consideração as orientações
que o documento do MEC: Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar:
orientações e estratégias (BRASIL, 2002) faz referência. O profissional em atuação
como professor no ambiente hospitalar ou domiciliar seja funcionário concursado e

aprovado pelo órgão de educação que, tenha firmado um convênio com o hospital ou o
órgão de saúde e encaminha seus professores para que eles cumpram suas funções de
ensino no ambiente hospitalar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa bibliográfica realizada nesse estudo nos permitiu revelar um pouco
da história da Classe hospitalar. Procuramos estabelecer um dialogo com o passado para
tentarmos escrever e compreender o caminho feito pela Classe Hospitalar no Brasil e no
mundo.
No Brasil, embora seja previsto por lei que as crianças e/os adolescentes tenham
acompanhamento pedagógico, esse acompanhamento ainda é tímido em relação ao
número de hospitais que o Brasil possui em sua extensão.
Além disso, parece oportuno desencadear, de alguma forma, entre estudantes e
professores dos Cursos de Formação de Professores e do Curso de Pedagogia e também
para os profissionais da Saúde, alternativas de socialização do conhecimento desses
estudos e ampliar os desdobramentos e aprofundamentos dessa investigação.
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