O PORTO DE SANTOS
E A HISTÓRIA DO BRASIL
Manual do professor

Uma palavra do apoiador

Conhecer a própria história é o primeiro requisito para construir o futuro. Foi
pensando no futuro, particularmente das novas gerações da região do estuário
de Santos que a Santos Brasil decidiu apoiar o projeto O Porto de Santos
e a História do Brasil. Sua peça central é um documentário em vídeo, cuja
principal característica é a interatividade. A cada momento da história narrada,
é possível parar a exibição e, com a técnica chamada Fulfilm, examinar detalhes do período abordado, seus personagens, seu legado.
Essas características, somadas a um texto ao mesmo tempo preciso e acessível ao
jovem estudante, tornam o documentário um importante instrumento para uso
em sala de aula. A partir de uma primeira exibição, é possível aprofundar cada
ponto abordado e incentivar a participação do aluno, que pode ter explicações
mais detalhadas sobre o vídeo no próprio vídeo.
Este manual traz mais detalhes e sugestões sobre como o professor pode aproveitar em sala de aula tudo o que o vídeo oferece.
Com o apoio ao projeto O Porto de Santos e a História do Brasil, a Santos
Brasil espera dar mais uma contribuição à comunidade da região, a partir da
educação e de seu vetor mais importante ­ o professor.
Raquel Ogando
Gerente de Comunicação Corporativa
Santos Brasil

O que é o projeto "O PORTO
DE SANTOS E A HISTÓRIA DO
BRASIL"?

Trata-se de um projeto de divulgação da história do mais importante porto do
Brasil e de suas relações com a história do país, do Estado e da região do estuá
rio de Santos. Sua peça central é o documentário em DVD "Porto de Santos:
navegando pela história", produzido com incentivo da Lei Rouanet e patrocínio da empresa Santos Brasil. A partir do conteúdo do filme, com duração de 26
minutos, é possível explorar documentos iconográficos, imagens, biografias de
personagens históricos e de grupos sociais que fizeram parte da história, além
de saber quais são os legados históricos que podem ser conhecidos e visitados
na atualidade.
A reunião de um grande volume de informações, com conteúdos de interesse
histórico, cultural, ambiental e turístico, constituiu uma oportunidade que o
patrocinador do documentário vislumbrou para aproximar a sociedade em geral ­ e os jovens em particular ­ das raízes históricas e do patrimônio erguido a
partir da influência econômica do Porto de Santos, ao longo dos séculos. Assim,
o documentário ganhou outros instrumentos para ampliar o conhecimento veiculado no filme:
1. Livro O PORTO DE SANTOS E A HISTÓRIA DO BRASIL, contendo uma síntese escrita do conteúdo do documentário e as principais iconografias relacionadas ao tema.
2. O Guia de Referências Históricas, Turísticas e Culturais, que reúne
os principais patrimônios construídos ao longo da história da região, contendo
mapas de localização e breve descrição dos atrativos para visitação.
3. O presente Manual do Professor, com o objetivo de criar um instrumento
que torne o documentário e seus produtos complementares uma ferramenta
para uso em sala de aula.

MANUAL DO PROFESSOR

1. Objetivos
Este manual tem como objetivo munir você, professor, de informações e dicas
para que possa realizar um bom trabalho em sala de aula, utilizando o vídeo
"Porto de Santos: navegando pela história". O filme permite relacionar a trajetória particular do Porto de Santos com a história dos ciclos econômicos do
Brasil, ao longo dos últimos cinco séculos. Usando os inúmeros documentos
"escondidos" neste documentário, você poderá enriquecer suas aulas de História, apresentar alguns dos principais protagonistas e relacionar o conteúdo com
o patrimônio histórico da região da Baixada Santista.
2. Como utilizar o filme
Este documentário foi produzido no sistema Fulfilm, que permite pausá-lo a
qualquer momento e explorar seu conteúdo oculto. Com comandos simples,
em qualquer equipamento de DVD ou microcomputador, você pode assistir
a pequenos vídeos com personagens de cada época, explorar detalhadamente
pinturas, ilustrações, fotografias e mapas sobre o período de que trata o documentário e conhecer o patrimônio histórico a ele relacionado a cada período.

ocorra a abertura automática do DVD em seu micro, siga as instruções do seu
software para reproduzir o filme.
2.2. Inicializando o filme
A tela de abertura (Figura 1) apresenta as opções de idiomas: filmes em língua
portuguesa (sem legenda) e com legendas em inglês ou espanhol. Com os cursores do controle remoto ou do micro, escolha o idioma desejado, aperte OK
(ou ENTER em alguns equipamentos) e uma nova tela será aberta (Figura 2).
Ao optar por capítulos, uma nova tela vai surgir, oferecendo 11 opções disponíveis (Figura 3). Ao selecionar uma opção, será possível assistir ao capítulo
desejado. Movimente o cursor até a seta de "voltar" para visualizar a tela anterior.

Figura 1. Tela de abertura com
seleção de idioma.

2.1. Instalando o DVD
O DVD com o documentário poderá ser visto e explorado em aparelhos de
DVD (com controle remoto) ligados a uma TV ou monitor e em microcomputadores dotados de programas para visualização de filmes em DVD.
2.1.1. Uso em aparelho de DVD
Ligue o equipamento e a TV/monitor. Insira o DVD na unidade de DVD. O
filme abrirá automaticamente, surgindo uma tela de inicialização com opções
de idioma.
2.1.2. Uso em microcomputador
O uso em microcomputadores só é possível em equipamentos dotados de unidade de DVD e por meio de um software para exibição de filmes em DVD. Caso
você não tenha esse programa instalado, é necessário instalá-lo. Existem diversas opções comerciais no mercado e gratuitas na internet. Depois de instalado
o software, basta colocar o DVD na unidade de DVD, que o filme terá início
automático, surgindo uma tela de abertura, com as opções de idioma. Caso não



Figura 2. Tela com a opção para
iniciar o filme ou selecionar capítulos.

Figura 3. Tela para seleção de capítulos do documentário.



Movimente o cursor até a opção de iniciar filme para que o documentário seja
iniciado. O vídeo terá uma duração de 26 minutos, se não for pausado por você.
2.3. Explorando o seu conteúdo
O filme está estruturado em 11 capítulos que têm uma sequência histórica (veja
a estrutura do filme no item 3). Para cada período histórico, existe um conjunto de conteúdos "escondidos" no documentário, que podem ser explorados a
qualquer momento por você. Basta clicar na tecla MENU do controle remoto
no aparelho de DVD, no trecho do documentário que lhe interessa. No caso
do micro, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção de navegação MENU ou ROOT. Aparecerá, então, uma tela sobre o período histórico

Figura 5. exemplo de imagem da
apresentação de slides do Capítulo
2 ­ O porto das canoas, referente
aos tupis.

minuto de duração) relacionados aos personagens citados no momento histórico que estiver sendo apresentado (Figura 6). Ao abrir o vídeo, selecione o
personagem que você quer conhecer, utilizando as SETAS "esquerda/direita" e
"acima/abaixo", e teclando em OK ou ENTER. Ao final do vídeo, o retorno
ao MENU é automático. Para voltar ao documentário, clique no ícone VOLTAR AO FILME.

Figura 4. Exemplo de tela para
explorar o conteúdo oculto do
documentário, referente ao Capítulo 8 ­ Companhia Docas de
Santos (repare que o ícone Mapas
está desabilitado)

escolhido (veja exemplo na Figura 4). Movendo o cursor com as SETAS "esquerda/direita" do DVD ou micro, faça a seleção desejada e tecle em OK ou
ENTER.
Os ícones IMAGENS, MAPAS e LEGADO permitem que você visualize, na
forma de uma apresentação de slides, pinturas, ilustrações, fotografias e mapas
citados no período histórico a que você estiver assistindo naquele momento
(veja exemplo na Figura 5). Os slides armazenados aparecem na tela automaticamente, a cada 5 segundos. Para observar em detalhe alguma imagem, acione
a tecla PAUSE do controle remoto ou da tela de navegação do software. Para
continuar, acione a tecla PLAY novamente. Para voltar ao menu, acione a tecla
MENU ou ROOT (RAIZ) e, para ver o filme, selecione o ícone VOLTAR
AO FILME na tela do menu. Nessa opção o filme será retomado a partir do
início do capítulo que estiver sendo explorado. Existem capítulos que não possuem todas as opções de acesso para explorar o conteúdo. Nesses casos, os ícones estarão apagados na tela e não permitirão o acesso (por exemplo: os Mapas
na tela do Capítulo 8 ­ ver Figura 4).
O ícone PERSONAGENS abre o acesso a pequenos vídeos (com cerca de um



Figura 6. Exemplo de tela para
acionar vídeos sobre os personagens do referido período histórico
(personagens do Capítulo 3 ­ O
Porto das naus).

Lembre-se: o conteúdo oculto muda para cada período histórico tratado no
filme. É possível identificar no documentário a mudança de capítulos, através
de um ícone no canto direito, na parte superior da tela. Cada capítulo é representado por um ícone diferente, que é alterado automaticamente, sempre que o
filme começa a tratar de um período diferente. Na tela de MENU você pode,
a qualquer momento, retornar ao capítulo do documentário a que você estava
assistindo e prosseguir, selecionando o ícone VOLTAR AO FILME.
3. Estrutura do filme e seu conteúdo
Como foi visto no item anterior, a principal característica desse documentário
é a interatividade. Você poderá abrir "janelas" ou telas interativas ao longo do
filme, as quais apresentam informações mais detalhadas sobre:
· Os mapas e figuras exibidos no filme e outros documentos iconográficos complementares (outros mapas, pinturas, fotografias).



5 ­ PORTO ESQUECIDO ­ SÉCULO XVIII
A produção de ouro atinge seu apogeu em Minas Gerais e o comércio com a
metrópole se concentra nos portos de Parati e Rio de Janeiro.

Figura 3. Tela para seleção de capítulos do documentário.

· As biografias dos principais personagens mencionados no vídeo, assim como
a história de grupos humanos e instituições importantes, tanto para a história
local quanto para a história do país.
· As edificações que ainda se encontram na baixada, muitas das quais podem,
inclusive, ser visitadas.
Esses conteúdos ocultos estão distribuídos em 11 capítulos que seguem a cronologia histórica. Para acessar o conteúdo dos capítulos, visualize a tela que
inicia o filme (Figura 2), selecione o ícone de CAPÍTULOS e selecione na tela
(Figura 3) o capítulo desejado.

6 ­ PORTO DA INDEPENDÊNCIA ­ SÉCULO XIX ­ PRIMEIRA
METADE
A vinda da corte portuguesa, em 1808, e a abertura dos portos transformam a
Colônia. D. Pedro, inspirado por seu tutor santista, declara a independência do
Brasil.
7 ­ PORTO DO CAFÉ ­ SÉCULO XIX ­ SEGUNDA METADE
O café se torna a principal riqueza do país. Abrem-se grandes fazendas no interior de São Paulo e ferrovias são construídas para levar o café até o porto.
8 ­ COMPANHIA DOCAS DE SANTOS ­ SÉCULO XX ­ PRIMEIRA
METADE
Pela primeira vez o porto, explorado por uma empresa privada, expande-se e
moderniza-se. Os investimentos provocam uma revolução urbana em Santos.

A seguir, os temas dos capítulos são descritos resumidamente.

9 ­ PORTO DA INDÚSTRIA ­ SÉCULO XX ­ SEGUNDA METADE
A era do automóvel e a industrialização transformam o Brasil. São Paulo, o ABC
e Cubatão são interligados por rodovias ao porto. Surgem os contêineres.

1 ­ PORTO SUBMERSO ­ SÉCULO III a.C.
O mar estava quatro metros acima do nível atual. Os Homens dos Sambaquis
ocupavam a costa sul e sudeste do que hoje é o Brasil.

10 - PORTO DE HOJE ­ 1990 a 2010
Com a Lei de Modernização dos Portos, surgem novos e modernos terminais
privados. A operação com contêineres aumenta a cada dia.

2 ­ PORTO DAS CANOAS ­ SÉCULO XV E INÍCIO DO XVI
Os tupis ocupam a costa e usam canoas para se deslocar entre as tribos do litoral.
Na ilha de São Vicente mantêm trilhas e rotas de canoas.

11 ­ O PORTO SE INTEGRA ÀS CIDADES ­ 2010 a 2050
Cidade e porto se integram com tecnologia de ponta, gestão ambiental e proteção ao patrimônio histórico e arqueológico.

3 ­ PORTO DAS NAUS ­ SÉCULO XVI
Portugueses fundam São Vicente e Santos e introduzem a cana-de-açúcar na
região. Pelo recém-criado Porto de Santos as primeiras cargas de açúcar são
exportadas para Portugal.

4. Preparando o uso do filme em aula
Como visto no item anterior, este guia do professor está estruturado com base
em 11 capítulos e sua abordagem deverá ser direcionada de acordo com o conteúdo curricular do curso que estiver sendo ministrado. Para auxiliar a exploração dos conteúdos, foram elaboradas algumas perguntas que acompanham a
sequência do filme e podem servir de guia para o melhor aproveitamento do
conteúdo. As respostas a essas perguntas estão no texto deste manual ou nas
respectivas janelas indicadas em cada caso.
Praticamente todos os conteúdos e temas tratados no documentário dizem res-

4 ­ PORTO DOS PIRATAS ­ SÉCULO XVII
Piratas e corsários atacam e saqueiam Santos. A população se arma e constrói
fortes. Enquanto isso, bandeirantes descobrem ouro e diamantes no interior do
Brasil.





peito às disciplinas de História e Geografia. Entretanto, ele também poderá
servir muito bem como material de apoio na construção de projetos coletivos
e multidisciplinares, permitindo a abordagem de tais conteúdos e saberes em
articulação com outras áreas do conhecimento.
É importante ressaltar que cabe a você, professor, a escolha do momento a inserir o documentário em sala de aula, tomando como base, entre outros fatores,
seu planejamento, os saberes que já tem desenvolvido na sua disciplina e o perfil
de suas turmas. Assim, o filme tanto pode servir como introdução ou ponto de
partida para algum tema específico, quanto pode ser utilizado na finalização de
alguma unidade. Pode, ainda, servir de referência na condução de um projeto
didático maior, na perspectiva, por exemplo, de projetos que envolvam Estudos
do Meio, História Local ou Meio Ambiente, com o aprofundamento das perguntas sugeridas e de temas correlacionados.
É fundamental que você assista ao filme e explore seu conteúdo antes de introduzi-lo em sala de aula, de forma a selecionar, previamente, os aspectos
que deverão ser abordados conforme a programação de sua disciplina. Assista,
inicialmente, todo o vídeo, sem interrupção, do princípio ao fim. Em seguida,
abra todas as janelas oferecidas a cada trecho do filme. Refaça esse procedimento acompanhando este Guia passo a passo.
Na exibição do filme em sala de aula, é importante executar os mesmos passos,
isto é, exibir o vídeo na íntegra, pedindo que os alunos apenas assistam ao filme.
Só depois, com a ajuda deste manual, siga por pequenos trechos, complementando as informações que se referem a cada um e abrindo as janelas indicadas
a cada passo. Cada capítulo pode ser acessado independentemente pela tela de
Capítulos. Nessa atividade, é importante evitar passar trechos com menos
de 3 minutos de duração. Recomenda-se seguir a estrutura dos capítulos, conforme o tempo de exibição do quadro aqui apresentado.
Como atividade complementar à sala de aula, você poderá utilizar as informações sobre o legado e o Guia de Referências Históricas, Turísticas e Culturais do Porto de Santos, bem como realizar visitas de campo aos patrimônios
históricos da região, explorando seu potencial educativo e turístico.
É bom lembrar que, para um estudo mais rico, é recomendável que os professores tenham em mente a importância de propostas que incluam registros a serem
feitos sobre os novos conhecimentos (de forma coletiva, em duplas e/ou individualmente) em determinados momentos e de acordo com seus objetivos.

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5. Roteiro para abordagem dos capítulos
Para a abordagem em sala de aula, a orientação básica é relacionar o trecho
(capítulo) do documentário ao respectivo período histórico e seu conteúdo
curricular. Para auxiliar na abordagem dos conteúdos são apresentados quadros-síntese de temas e personagens históricos de cada período, seguidos de
uma pequena relação de perguntas e respostas, além de dicas que podem ser
úteis para a motivação e participação dos alunos.

Tempo do filme
Capítulo

Período

1. Porto submerso

Início do
trecho

Duração
(minutos)

Século III a.C

01:17

0:37

2. Porto das canoas

Século XV e início
do século XVI

01:54

0:49

3. Porto das naus

Século XVI

02:43

3:57

4. Porto dos piratas

Século XVII

06:40

0:55

5. Porto esquecido

Século XVIII

07:35

2:21

6. Porto da independência

Século XIX - primeira
metade

09:57

1:07

7. Porto do café

Século XIX - segunda
metade

11:04

1:16

8. Companhia Docas de Santos

Século XX - primeira
metade

12:20

3:16

9. Porto da indústria

Século XX - segunda
metade

15:36

6:57

10. Porto de hoje

1990 a 2010

22:33

1:10

11. O Porto se integra às cidades

2010 a 2050

23:43

2:10

11

CAPÍTULO 1

Período histórico

Século III a.C.

Pré-história brasileira
Temas relacionados

Homens do Sambaqui
Mudanças no clima e na paisagem no litoral

Personagens históricos (vídeos)

Os Homens dos Sambaquis

Pergunta 1 - O nível do mar varia? E ao longo da história, ele variou?
Aumentou ou diminuiu? Por quê? Qual a relação entre essa variação
e o aquecimento global?
Esse é um tema que desperta muita curiosidade. O nível do mar variou muitas
vezes ao longo da história do planeta, tanto para mais como para menos. Essa
variação é controlada por dois fatores principais: movimentos tectônicos (da
crosta terrestre) e oscilações do nível do mar em razão do clima do planeta. Os
primeiros ocorrem em escala temporal de longa duração. Quanto à oscilação
do nível do mar, no período da ordem de milênios (caso do filme), está relacionada ao clima. Em geral, as épocas de esfriamento da superfície terrestre
correspondem a períodos de rebaixamento do nível do mar, enquanto épocas
de aquecimento correspondem a uma elevação.
Curiosamente, a humanidade, hoje, está diante do fenômeno de crescente
aquecimento da superfície terrestre e, por isso, tem pela frente, entre inúmeras
ameaças, a da elevação do nível do mar.
Acionando o ícone MAPAS desse Capítulo, você poderá exercitar com os alunos a localização do Porto de Santos, da escola, dos bairros e das casas em relação ao nível do mar de cinco mil anos atrás. E se o mar voltar a subir? O que
fazer? Temos que considerar isso no planejamento das cidades do litoral?
Pergunta 2 - Quem foram Os Homens dos Sambaquis?
Para a Baixada Santista, esse é um tema particularmente interessante. Isso por-

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que ali se encontram, ainda hoje, diversos sambaquis (como os indicados em
mapa no filme) que ainda podem ser encontrados.
Assim, ao abrir a janela "Homens dos Sambaquis", você poderá complementar
as informações vistas no vídeo principal.
Sambaqui é uma palavra de origem tupi, tambaqui ­ junção das palavras tamba,
que quer dizer "concha", e ki, que significa "monte", "amontoado".
Os Homens dos Sambaquis eram uma civilização especializada no lagamar e
em aproveitar seus recursos: uma civilização marítima, por assim dizer. Mais
uma curiosidade: saber que existiram outras civilizações, muito semelhantes a
essa, que também edificaram suas "montanhas de conchas" pelo mundo afora.
Elas se desenvolveram em muitas regiões litorâneas do globo (como o mar do
Norte, na Europa, e o mar Negro, entre a Europa e a Ásia, por exemplo), cada
uma em uma época diferente da história da humanidade. Finalmente, é importante frisar que essa civilização do litoral brasileiro sobreviveu durante nada
menos que cerca de cinco mil anos!
Observe e faça também os alunos notarem a beleza e a precisão de algumas
das esculturas em pedra produzidas por essa civilização. No vídeo aparece a
escultura de um tubarão, coletada em Sambaqui do sul do Brasil. A peça é
extraordinária por sua economia de traços e ao mesmo tempo muito rigorosa
na forma de retratar o animal que, provavelmente, seria um objeto de culto
naquela civilização.
É importante lembrar que é possível visitar alguns dos sambaquis da Baixada
Santista, assim como conseguir uma visita monitorada no Núcleo de Pesquisa
e Estudo em Chondrichthyes (Nupec)1. Esse núcleo especializado no estudo
dos chondrichtyes (peixes cartilagíneos como os tubarões) recentemente tem
desenvolvido pesquisas em arqueologia e ações voltadas para a educação patrimonial (Informações: www.nupec.org.br).

1
Nupec: Rua Ana Pimentel, 12 - Ponta da Praia, Santos/SP - CEP 11030-050.
Telefone: +55 13 3877-2810

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CAPÍTULO 2

Período histórico

Século XV e início do Século XVI

A ocupação tupi na costa do Brasil
Temas relacionados

A cultura tupi
As grandes navegações e a descoberta do Brasil
Personagens históricos (vídeos)
A antropofagia

Personagens históricos (vídeos)

Os tupis
Hans Staden

Pergunta 3 - Quem eram os tupis? Por que eles teriam uma cultura
mais "sofisticada" que a dos Homens dos Sambaquis?
A janela TUPIS oferece boas informações sobre esse povo, cuja cultura é considerada mais sofisticada que a dos Homens dos Sambaquis. Os tupis tinham
dominado a agricultura e outras formas de adquirir alimentos ­ práticas que
não existiam entre os Homens dos Sambaquis. Dentre as técnicas novas de caça,
de pesca e de guerra, também desenvolveram, por exemplo, a poderosa arma
que é o arco e flecha.
É importante esclarecer dois aspectos sobre os tupis: um é a antropofagia ­ prática que, em geral, faz todo mundo se arrepiar. O fato é que, por alguma razão,
ainda desconhecida, inúmeras civilizações arcaicas tiveram o hábito de realizar
sacrifícios humanos; os incas e os astecas são exemplos, assim como vários povos
antigos da África e da Oceania. O mesmo ocorreu na cultura judaica e na Grécia Antiga. A prova disso está nas narrativas míticas sobre Abraão (a quem Deus
teria pedido que sacrificasse o próprio filho) e sobre Ifigênia, entre os gregos
(a cujo pai os deuses haviam ordenado que sacrificasse a própria filha). Tanto
judeus como gregos e romanos acabaram substituindo o sacrifício humano pelo
sacrifício de animais.

14

Entre os tupis, assim como em várias outras nações indígenas do Brasil, havia
também o sacrifício humano, porém acrescido do rito da ingestão da carne do
inimigo, dada uma tradição de valores míticos e religiosos muito peculiares à
sua cultura.
O outro aspecto a lembrar é que a grande maioria de nós, brasileiros, descende
de índios, quer recentemente, quer remotamente, fato cientificamente comprovado. O mais interessante é que a nação indígena que, entre todas, certamente
mais colaborou para a formação do povo brasileiro foi justamente a dos tupis,
que ocupava quase toda a costa e entrou em contato direto com os europeus no
século XVI. Aos tupis e às suas técnicas é que devemos, em boa parte, a sobrevivência dos europeus nos trópicos.
Um importante personagem do período inicial de contato entre europeus e
índios nativos foi Hans Staden. Acione o ícone PERSONAGENS e assista ao
vídeo com os alunos. Se possível, procure fazer uma visita com a classe às ruí
nas do Forte São Felipe, em Bertioga, construído muito cedo, com o intuito
de defender a ilha de São Vicente e os caminhos para o Planalto das investidas
dos tupinambás vindos do litoral norte de São Paulo, ou mesmo da baía de
Guanabara.
Um exercício que pode atrair bastante a atenção dos alunos é a pesquisa sobre a
herança linguística deixada pelos tupis. A língua tupi, que chegou a ser a língua
correntemente falada no país (chamada de língua geral), deixou diversos nomes
de lugares e termos que se mantêm até os dias de hoje. Com base num dicionário tupi-português, exercite a interpretação de nomes de lugares do litoral (por
exemplo: Ubatuba, Caraguatatuba, Peruíbe, Itanhaém, entre muitos outros).
Uma indicação bibliográfica muito rica para professores e alunos sobre a história
de São Vicente, Santos, São Paulo e de todo o Brasil no século XVI são os livros
do escritor Eduardo Bueno: A viagem do descobrimento; Náufragos, traficantes e degredados; Capitães do Brasil; e A Coroa, a Cruz e a Espada. São obras de divulgação
de fatos históricos, com informações fidedignas e muito curiosas. Sem contar o
próprio livro publicado por Hans Staden, Histórias e aventuras, de 1557, com o
relato de sua sobrevivência em meio aos tupinambás.

15

CAPÍTULO 3

Período histórico

nas naus e caravelas. Mas é importante notar o que significava, por exemplo,
um facão ou um machado de aço para quem só conhecia facas de osso e machados de pedra. Imagine o trabalho que era cortar uma grande árvore com um
machado de pedra, ou abrir uma picada no mato sem um facão de metal. Nossos
índios não conheciam a metalurgia, e essas trocas da madeira por objetos de
metal foram decisivas para tornar possível o ciclo do pau-brasil.

Século XVI

O ciclo do pau-brasil
Introdução da cana-de-açúcar
e os primeiros engenhos
Capitanias hereditárias
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Fundação de Santos e São Vicente
Fundação do Porto de Santos
A vinda dos jesuítas
Fundação de São Paulo
Américo Vespúcio
Martim Afonso de Souza

Personagens históricos (vídeos)

João Ramalho
Brás Cubas
Tomé de Souza
José de Anchieta

Pergunta 4 - O que foi o ciclo do pau-brasil?
Durante os primeiros 50 anos, a costa do Brasil teve praticamente uma única
atividade econômica: a troca de pau-brasil por facas, machados, anzóis, espelhos
e bugigangas trazidas pelos europeus. Por causa disso, essa época foi caracterizada como Ciclo Econômico do Pau-Brasil. No entanto, esse comércio parece
ter sido mais desenvolvido por franceses do que por portugueses. Os franceses
mantinham uma ligação constante da costa brasileira com os portos do norte da
França, onde o pau-brasil era vendido para fábricas e artesãos, que usavam a tinta
extraída da madeira para tingir tecidos que seriam vendidos por toda a Europa.
Certamente, devia ser difícil para os índios cortarem grandes quantidades da
árvore do pau-brasil, depois levarem as imensas toras até a praia e embarcá-las

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Pergunta 5 - Por que os portugueses fundam as duas primeiras vilas
do Brasil justamente em São Vicente e Piratininga?
Os portugueses e espanhóis também souberam, pelas diferentes tribos indígenas, que um caminho que saía de Cananeia, do litoral de Santa Catarina e de
São Paulo ia até o "reino da montanha de prata". Esse caminho chamava-se,
entre os tupis, Peabiru (palavra tupi, pe ­ caminho ­, abiru ­ gramado amassado) e, de fato, ia até o local, à beira do rio Paraguai, onde hoje está Assunção.
Dali era possível alcançar a "montanha de prata" com relativa facilidade. Assim,
a preocupação de Martim Afonso ao fazer a Coroa portuguesa fincar pé em São
Vicente e no Planalto de Piratininga era guardar o acesso ao Peabiru e defendêlo do assédio de outros europeus.
Com o que, a ocupação efetiva do Brasil começou pela defesa do caminho para
uma mítica "montanha de prata" que, no final das contas, existia de fato!
Foi essa a razão de Martim Afonso ter enviado uma expedição de Cananeia
ao interior pelo Peabiru, mesmo antes de se dirigir ao rio da Prata. Era como
se quisesse apostar uma corrida entre a expedição por terra e outra pelo rio,
para ver quem chegava primeiro aos tesouros do continente. O fato é que a
expedição por terra foi dizimada pelos índios guaranis perto das Cataratas do
Iguaçu e a expedição pelo rio fracassou com o naufrágio da nau em que o chefe
português estava.
Outra razão para a escolha de São Vicente pode ter sido o fato de que, não muito
ao sul dali, passava a Linha de Tordesilhas, que, por um acordo internacional, deveria limitar as posses do reino de Portugal e da Espanha nas novas terras descobertas. Assim, era prudente que Portugal garantisse seus domínios já nas bordas
do seu território, evitando que os espanhóis futuramente avançassem sobre ele.
Mais uma vez, um mapa pode ser consultado para a identificação dos locais
citados, chamando a atenção para o "Planalto de Piratininga" e a relação do
termo com o relevo da região.
Pergunta 6 - Quem foi Américo Vespúcio? Qual sua relação com o
nome do nosso continente?
O italiano nascido em Florença, que batizou as ilhas de São Vicente e Santo
Amaro, pode render uma pesquisa interessante na internet. Além das informa-

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ções da janela AMÉRICO VESPÚCIO, no DVD, pode-se ficar sabendo como
esse navegador ­ por um conjunto de coincidências ­ acabou emprestando seu
nome ao Novo Mundo e quantas peripécias envolveram sua vida. Entre 1501 e
1503, Vespúcio esteve duas vezes na América do Sul. Nos anos seguintes, foram
publicadas cartas atribuídas a ele, mas cheias de imprecisões e mesmo de falsas
informações (uma delas, por exemplo, falava de quatro viagens, o dobro das
empreendidas por Vespúcio). O fato é que, por conta da notoriedade obtida por
suas viagens, o novo continente descoberto pelas viagens de Colombo, Cabral e
outros navegadores acabou sendo batizado de América, em homenagem a Vespúcio. A pesquisa sobre a vida do navegador pode, portanto, enriquecer a aprendizagem sobre os temas da descoberta das Américas e das grandes navegações.
Pergunta 7 - Quem foi João Ramalho e qual seu papel histórico na
região de Santos?
A origem e a vida de João Ramalho são misteriosas. Mas uma coisa interessante
a lembrar é que, na costa do Brasil, mesmo antes de 1532, já habitavam diversos
náufragos e degredados (incentive a consulta desses termos em dicionários),
tanto portugueses como espanhóis e franceses. O espanhol chamado Bacharel
de Cananeia, por exemplo, também viveu durante um tempo em São Vicente,
além de Cananeia e Iguape.
Aliás, assim que Martim Afonso de Souza fundou as vilas de São Vicente e
Piratininga, o Bacharel, num ato de vingança, por ter sido ameaçado de prisão
pelos portugueses, conseguiu destruir as duas vilas recém-nascidas e acabou por
matar metade dos homens brancos que ali tinham se estabelecido.
Outro náufrago famoso foi Caramuru, acolhido pelos tupinambás da Bahia de
Todos os Santos, onde seria construída a primeira capital da Colônia: Salvador.
Caramuru casou-se com a filha do chefe local, Paraguaçu, e, assim como o Bacharel e João Ramalho, jamais pensou em voltar a viver no Velho Mundo, embora tivesse, em certa ocasião, viajado com Paraguaçu até a França. Sobre essa
história em especial, há a produção cinematográfica "Caramuru ­ A Invenção
do Brasil", dirigido por Guel Arraes (2001).
Cabe uma pergunta interessante: Por que os náufragos e degredados da
nossa costa jamais quiseram voltar para a Europa?
Seria bom levantar hipóteses entre os alunos para explicar esse fato. Uma resposta possível a essa pergunta está esboçada na janela sobre Ramalho: por aqui
não havia a opressão do Estado europeu e da Igreja Católica, com suas respectivas ameaças contra crimes e pecados. E, sobretudo, porque esses desgarrados das
navegações eram quase sempre gente pobre e pouco instruída, embora viessem
do grupo social dos servos, no Brasil eram tratados, pelos índios e outros liderados, como chefes, verdadeiros "senhores" locais.

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Quanto a João Ramalho, entre todos, foi certamente o que mais teve filhos, netos e bisnetos, com incontáveis índias tupiniquins. Daí resulta que quase todas
as famílias antigas da região de São Paulo, Baixada Santista e arredores sejam
descendentes dessa espécie de grande "patriarca".
Vale lembrar que algumas das palavras contidas no texto de locução dessa e de
outras janelas podem não ser de domínio da maioria dos alunos, fazendo-se necessária a mediação do professor para a melhor compreensão das informações.
Pergunta 8 - Quem foi e qual a importância de Martim Afonso de
Souza?
Além das informações da janela MARTIM AFONSO DE SOUZA, uma
curiosidade sobre esse fidalgo é o fato de ele, com um primo chamado Antônio
de Ataíde e o futuro rei d. João III terem formado, durante a infância, um trio
inseparável de amigos. Isso era tão notório que o pai de d. João, o rei d. Manuel,
fez questão de afastar o filho dos amigos, temendo que a amizade fosse fruto de
"feitiço". Quando d. Manuel morreu e d. João tornou-se rei, chamou os amigos
de novo ao convívio no palácio. Com o tempo, d. Antônio de Ataíde tornouse o principal conselheiro do rei e foi quem sugeriu que Martim Afonso fosse
o escolhido para chefiar a expedição que fundaria as primeiras vilas do Brasil.
Pelo jeito, d. Antônio não desejava que Martim Afonso ficasse muito tempo em
Lisboa, nas proximidades do rei. Tanto é que, mal havia voltado da sua sofrida
expedição à América do Sul, Martim Afonso foi designado, de novo por influência de d. Antônio, para nova expedição, agora para as longínquas Índias.

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CAPÍTULO 4

Período histórico

foi suplantado pelo chamado ciclo do ouro, a partir do final do século XVII,
quando foi descoberta grande quantidade de ouro em Minas Gerais.

Século XVII

O ciclo do açúcar
A escravidão
Temas relacionados

A busca pelo ouro e pela prata
Os bandeirantes
As missões jesuíticas
Os piratas e corsários
Os escravos

Personagens históricos (vídeos)

Os jesuítas
Os bandeirantes
Os piratas

Pergunta 9 - O que foi o ciclo do açúcar?
Em 1532, mesmo ano em que Martim Afonso encontrava-se em São Vicente,
uma nau francesa foi apreendida pelos portugueses com 15 toneladas de paubrasil, centenas de papagaios e três mil peles de onça, entre outras mercadorias
obtidas na costa do Brasil. D. João III percebeu, então, o quanto o litoral do Brasil era assediado por franceses e decidiu implementar uma ocupação mais efetiva
da nossa costa. Foi assim que surgiu a ideia de dividir o território em Capitanias
Hereditárias, entregando cada uma a um nobre ou empreendedor para que tentassem tirar proveito das novas terras. Como, na época, o açúcar era um produto
extremamente lucrativo na Europa e as terras tropicais do Brasil eram boas para
o cultivo da cana (como ainda hoje são), as tentativas de desenvolver negócios
nas capitanias foram quase sempre por meio da plantação de cana-de-açúcar.
Assim, durante quase dois séculos, a maior e uma das poucas fontes de renda
no Brasil foi o açúcar produzido pelos engenhos, principalmente os do litoral
do Nordeste do país. Esse ciclo econômico foi chamado de ciclo do açúcar e só

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Pergunta 10 - Por que o rio da Prata despertava tanto interesse nos
exploradores do período colonial? Onde fica?
Quando os primeiros europeus chegaram à América do Sul, ávidos por descobrir riquezas, ficaram sabendo, por diferentes nações indígenas (desde os tupis
da costa do Brasil aos guaranis e outras etnias do sul do continente), que havia
naquela terra um reino muito rico, no qual se encontrava uma "montanha de
prata". Souberam também que o rio que levava àquele reino era aquele que desembocava no Atlântico, onde hoje estão as cidades de Buenos Aires e Montevidéu. Assim, muito cedo, o rio passou a ser identificado como rio da Prata. Note
que, subindo esse rio, chega-se à atual cidade de Assunção, capital do Paraguai.
Dali, ao subir o rio Pilcomayo até sua nascente, chega-se perto da atual cidade
de Potossi, exatamente onde havia, de fato, uma montanha de cerca de 600 m
de altura, cujo interior era todo de prata. Potossi pertencia na época ao Império
Inca, cujo grande chefe era chamado pelos nossos índios de "Rei Branco".
Foi essa a razão de Martim Afonso, mesmo antes de fundar as vilas de São
Vicente e Piratininga, ter entrado no rio da Prata com sua esquadra: estava à
procura da mítica "montanha de prata".
Nesse momento, a visualização nos mapas pode auxiliar a compreensão do assunto. Explore em sala o Mapa do Continente Americano, identificando com
os alunos o rio mencionado e as referidas cidades.
Pode-se também aprofundar a questão da necessidade de metais como um dos
aspectos do contexto econômico europeu, ou ainda o estudo a respeito da cultura inca.
Pergunta 11 - Quem foram e qual o papel dos jesuítas na nossa história?
Uma curiosidade sobre os jesuítas da região de São Vicente e Piratininga foi o
papel de um padre chamado Leonardo Nunes, que chegou a São Vicente antes
mesmo de Manuel da Nóbrega e Anchieta. Esse jesuíta ficou célebre entre os
índios de toda a região, recebendo o apelido de Abarebebé, que, em tupi, quer
dizer "Padre Voador". Esse nome se deve ao fato de o padre Leonardo andar ligeiramente, para cima e para baixo da Serra do Mar e nos arredores da Baixada
Santista, realizando todo tipo de obras e tarefas. Sua capacidade de trabalho e
seu carisma foram tão potentes que, em pouco tempo, converteu vários brancos
mercadores de índios, convencendo-os não só a deixarem de traficar escravos,
como também a ajudarem na construção e administração do primeiro colégio
jesuíta da região. O sucesso da escola foi tão grande que, quando Manuel da
Nóbrega chegou a São Vicente, vindo de Salvador, foi recebido por cerca de 80

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curumins tocando flautas e entoando cânticos em tupi.
Em Peruíbe é possível visitar as ruínas de uma antiga capela quinhentista, local
conhecido como "ruínas do Abarebebé".
Além das informações da tela interativa sobre Anchieta, é interessante saber
que ele esteve envolvido numa empreitada que uniu os moradores de São Paulo
e São Vicente. Ao lado de Nóbrega, Brás Cubas, Tibiriçá e seus liderados, comandou a expulsão dos franceses da baía de Guanabara. José de Anchieta teve
papel crucial nessa luta e no convencimento dos tupiniquins, além de outros
indígenas da Guanabara, a se lançarem à guerra contra os franceses e seus aliados nativos, os tamoios.
Pergunta 12 - Quem foram os bandeirantes? Qual seu papel na história do Brasil?
O mapa de rodovias do Estado de São Paulo pode ser explorado quanto aos personagens que dão nome às estradas, aos caminhos e às regiões que empreenderam
e conquistaram. Pode-se trabalhar a construção da imagem idealizada da figura
do bandeirante a partir da leitura de imagens presentes em livros didáticos. Para
a melhor articulação com o tempo presente, vale ainda a discussão do significado da palavra "bandeirante" em nossa época e seu uso frequente como nome de
empresa de telecomunicações, fábrica de brinquedos, entre outros fins.

cultura, estradas e edifícios, canaviais e cafezais, a casa do senhor e a senzala dos
escravos, igrejas e escolas, alfândegas e correios, telégrafos e caminhos de ferro, academias e hospitais, tudo, absolutamente tudo que existe no país, como resultado
do trabalho manual, como emprego de capital, como acumulação de riqueza, não
passa de uma doação gratuita da raça que trabalha à que faz trabalhar. [...]
Por esses sacrifícios sem número, por esses sofrimentos, cuja terrível concatenação
com o progresso do país faz da história do Brasil um dos mais tristes episódios do
povoamento da América, a raça negra fundou, para outros, uma pátria que ela
pode, com muito mais direito, chamar sua.
A respeito da importância dos negros na nossa história e cultura, também é
importante lembrar que, já no Segundo Império e na Primeira República, havia
inúmeros grandes artistas e intelectuais brasileiros mulatos: o escritor Machado
de Assis, o compositor Carlos Gomes, o engenheiro André Rebouças, o poeta
Cruz e Souza, o advogado Luís Gama, o poeta Castro Alves, o escritor Lima
Barreto, o médico Juliano Moreira, o presidente Nilo Peçanha, o historiador
Teodoro Sampaio e o escritor e intelectual Mário de Andrade, entre outros.

Pergunta 13 - Que importância e significado têm os escravos africanos
para o Brasil?
Grande parte dos brasileiros é descendente de escravos negros vindos da África.
Mesmo que isso não seja aparente, é muito provável que algum (ou alguns) dos
nossos antepassados fosse negro. Os negros também tiveram uma grande influência na formação da cultura brasileira. Por isso, é importante sabermos algo
a respeito dos escravos africanos. Sobre esse tema, veja a citação que se segue,
do livro O abolicionismo, de Joaquim Nabuco, grande intelectual e político do
Segundo Império (reinado de d. Pedro II):
Em primeiro lugar, a parte da população nacional que descende de escravos é, pelo
menos, tão numerosa como a parte que descende exclusivamente de senhores; a
raça negra nos deu um povo. Em segundo lugar, o que existe até hoje sobre o vasto
território que se chama Brasil foi levantado ou cultivado por aquela raça; ela construiu o nosso país. Há trezentos anos que o africano tem sido o principal instrumento da ocupação e da manutenção do nosso território pelo europeu, e que os seus
descendentes se misturam com o nosso povo. Onde ele não chegou ainda, o país
apresenta o aspecto com que surpreendeu aos seus primeiros descobridores. Tudo o
que significa luta do homem com a natureza, conquista do solo para a habitação e

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23

CAPÍTULO 5

Período histórico

Graças a esse vínculo (o das estradas), o eixo Santos-São Paulo viria a se transformar no eixo econômico mais importante do país, tanto durante o ciclo do café
como, adiante, no ciclo da industrialização, e no atual ciclo da globalização.
Vale lembrar que se pode fazer com os alunos uma visita à Calçada do Lorena
(1794) e ao Caminho do Mar (1917).

Século XVIII

O ciclo do ouro
Temas relacionados

A transposição da Serra do Mar
Tratado de Madri
Restauração de São Paulo

Personagens históricos (vídeos)

Alexandre e Bartolomeu de Gusmão
Morgado de Mateus

Pergunta 14 - O que foi o ciclo do ouro?
A partir da descoberta do ouro na região de Vila Rica (atual Ouro Preto), a
principal atividade econômica do Brasil passou a ser a exploração desse metal e
de outras riquezas, como os diamantes do sertão brasileiro. A atividade de mineração seguiu sendo a principal fonte de riquezas durante todo o século XVIII
até o início do século XIX, quando, com o paulatino esgotamento das minas e
o início da cultura do café no Sudeste do Brasil, o ciclo do ouro deu lugar ao
chamado ciclo do café como principal atividade econômica do país.
Pergunta 15 - Como Santos tornou-se o porto de São Paulo?
É importante notar que, com as melhorias que se deram na estrada que levava
de São Paulo a Santos, no governo de Morgado de Mateus e, depois, no de
Bernardo de Lorena, que fez construir a Calçada do Lorena, Santos cristalizou-se definitivamente como o porto por excelência, tanto da cidade de São
Paulo como de todo o Planalto Paulista. A ligação física entre as duas cidades
possibilitou que os produtos do interior (na época, principalmente o açúcar)
fossem comercializados no Porto de Santos com razoável eficiência. Tornou
possível também que, por meio do Porto de Santos, São Paulo, bem como todo
o interior da província, mantivesse contato com o resto do mundo, inclusive
por meio da importação de mercadorias de Portugal.

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Pergunta 16 - Quem foram os irmãos Alexandre e Bartolomeu de
Gusmão? Quem inventou os balões?
Alexandre de Gusmão foi o diplomata responsável pela assinatura do Tratado
de Madri, entre portugueses e espanhóis. Por esse tratado, o Brasil mais que
dobrou seu território, avançando muito além do antigo Tratado de Tordesilhas.
Já seu irmão, Bartolomeu, que era padre, foi um importante cientista e inventor, tendo criado o primeiro balão a ar quente de que se tem notícia, o que lhe
valeu a alcunha de "O Padre Voador". Na Praça Rui Barbosa, em Santos, foi
edificado o Monumento a Bartolomeu de Gusmão, que pode ser incluído em
um roteiro histórico pelo centro da cidade de Santos. O monumento, de autoria
do escultor italiano Lorenzo Massa, data de 1922; foi erguido como parte das
comemorações pelo centenário da Independência do Brasil.
Pergunta 17 - O que fez o Morgado de Mateus?
D. Luís Antônio de Souza Botelho Mourão, o chamado Morgado de Mateus,
foi um nobre português a quem o rei de Portugal deu a missão de restaurar a
Capitania de São Paulo, que havia sido extinta durante o ciclo do ouro.
Morgado era um título de nobreza, transmitido de geração em geração ao primogênito, que herdava o título e todos os bens do pai. A família de d. Luís,
originária de Vila Real, Portugal, era proprietária do Palácio de Mateus. Daí o
título de Morgado de Mateus. Pouco depois de chegar à capitania, já se queixava a Portugal da situação que ali encontrou, como pode se ver neste trecho de
uma carta escrita por ele:
Eu achei esta Capitania morta, e ressuscitá-la é mais difícil do que criá-la
de novo. O criar está na responsabilidade de qualquer homem. O ressuscitar foi milagre
reservado para Cristo.
O fato é que o Morgado conseguiu mesmo ressuscitar a capitania: avançou a
ocupação e a defesa a oeste, incentivou a agricultura da cana-de-açúcar, fundou
ou mandou fundar mais de vinte cidades no interior, entre elas, Campinas, Piracicaba e São Luíz do Paraitinga, dinamizando assim a economia da província,
e realizou grandes melhorias na ligação do litoral com o Planalto.

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CAPÍTULO 6

Período histórico

Século XIX - Primeira metade

Vinda da família real
Temas relacionados

Abertura dos portos
Independência do Brasil
D. João VI

Personagens históricos (vídeos)

Pergunta 19 - Qual foi o papel de José Bonifácio na independência do
Brasil?
José Bonifácio de Andrada e Silva foi um dos grandes intelectuais, não só do
Brasil, mas do mundo, no início do século XIX.
Quando uma colônia quer emancipar-se da metrópole, é preciso recorrer aos
seus sábios, porque se trata de inventar um novo país. E inventar um novo país,
com uma constituição própria, uma burocracia nova, com escolas, universidades e instituições de todo tipo, não é nada fácil, e demanda recursos humanos
sofisticados. Foi assim que d. Pedro I recorreu ao grande sábio santista: ele
precisava de alguém que o orientasse na construção de um novo país, um Brasil
independente.
Ironicamente, pelo fato, justamente, de o santista ser culto e esclarecido, suas
ideias progressistas acabaram por assustar o jovem imperador que exilou o próprio Patriarca da Independência! Bonifácio pretendia, por exemplo, que fosse
instalada no Brasil uma monarquia parlamentarista, o que limitava bastante os
poderes do imperador. Além disso, o velho sábio pretendia acabar com o tráfico
de escravos no Brasil, o que jamais seria aceito por fazendeiros e negociantes de
escravos, justamente a parcela mais rica da população.

D. Pedro I
José Bonifácio
Primeiro Reinado

Pergunta 18 - Por que a corte portuguesa se mudou para o Brasil? O
que trouxe de positivo para o Brasil a vinda de d. João VI?
Em 1807, a França decidiu invadir Portugal, por este ser aliado da Inglaterra, o
grande rival dos franceses na Europa. Por isso, o príncipe d. João, filho da rainha dona Maria, que havia deixado o poder por problemas mentais, decidiu fugir junto com toda a corte para o Brasil. Com isso, de uma hora para a outra, o
que era Colônia tornou-se Metrópole. A sede da Coroa portuguesa, que era em
Lisboa, passou, em 1808, para o Rio de Janeiro. Nessa condição, o Brasil não
podia mais conviver com o estrangulamento que a Coroa portuguesa lhe impunha. Por exemplo, não era mais possível que os portos do Brasil só pudessem
comercializar com navios portugueses, ou que fosse proibido produzir material
impresso no Brasil. Não foi à toa que as primeiras medidas de d. João, ao chegar
aqui, foram justamente a abertura dos portos e a legalização da imprensa, medidas que transformaram nossa história. De 1808 a 1821, d. João VI governou o
Brasil, voltando a Portugal para administrar uma crise causada justamente pelos
anos em que o trono de Portugal ficou longe de Lisboa.

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CAPÍTULO 7

Período histórico

CAPÍTULO 8

Século XIX - Segunda metade
Período histórico

Século XX - primeira metade

Regências
República Velha

Segundo Reinado

Criação da Companhia Docas de Santos

O ciclo do café
Temas relacionados

Construção de ferrovias

Os imigrantes e o desenvolvimento
da agricultura

Desenvolvimento da Província de São Paulo

Saneamento de Santos

Abolição da escravatura

Personagens históricos (vídeos)

Construção das Usinas Hidrelétricas
de Itatinga e Henry Borden

Proclamação da República

Revolução de 30 e de 32

Barão de Mauá

Construção do Caminho do Mar, da Via
Anchieta e da Estrada de Ferro Sorocabana

Pergunta 20 - O que foi o ciclo do café?
Num Brasil já independente, em pouco tempo o café se tornou a principal fonte
de riqueza, desde meados do século XIX até meados do século XX. Foi o que se
passou a chamar de Ciclo Econômico do Café. É importante notar que boa parte
da renda do café, ao contrário do que houve com o ouro ou o açúcar (os ciclos
econômicos anteriores), não ia mais para Portugal, mas ficava por aqui mesmo.
Foi assim que se formou o capital que, a partir do início do século XX, disparou
o ciclo de industrialização, que veio se firmando crescentemente até hoje. A
principal fonte de renda que deu origem ao capital para o desenvolvimento da
nascente indústria brasileira veio da produção e exportação do café.
O dinheiro do café e de sua exportação pelo Porto de Santos trouxe grandes
investimentos na cidade, levando a uma revolução urbana. Diversas ruas, praças, avenidas e edifícios foram construídos. Cassinos e teatros foram abertos e
a vida cultural e social em Santos tornou-se bastante agitada. Um passeio pelo
centro da cidade pode dar uma ideia muito rica da importância que o ciclo do
café teve para o desenvolvimento de Santos.

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Temas relacionados

Segunda Grande Guerra e a
redemocratização do país
Personagens históricos (vídeos)

O trio gaúcho
Saturnino de Brito

Pergunta 21 - Por que os imigrantes vieram para o Brasil?
Com a abolição da escravatura no Brasil, tornou-se necessário suprir a mão de
obra que deixou de vir da África para a agricultura (principalmente o café). Ao
mesmo tempo, na virada do século XIX para o século XX, boa parte dos europeus assistia a uma degradação de suas condições de vida, com a falta de terras,
a falta de trabalho e salários muito baixos. Assim, portugueses, espanhóis, italianos, russos e alemães, entre outros, acabaram por vir ao Brasil trabalhar na
lavoura do café e viver em ocupações urbanas, sobretudo nas cidades do nosso
Estado, em especial Santos. O mesmo quadro ocorreu com os imigrantes japoneses, vindos de um país ainda pobre e com excesso de população.

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Pergunta 22 - Por que Santos tem tantos canais? Quem foi responsável
por sua construção?
Santos, no final do século XIX, era uma cidade com graves problemas de sanea
mento e de saúde pública. O grande número de estrangeiros que passavam pela
cidade e a total falta de saneamento levaram à proliferação de pestes e doenças
com muitos óbitos. Peste bubônica, febre amarela e outras doenças vitimavam
toda a sociedade santista. A situação era insustentável.
Um jornal da época descrevia assim o cenário do porto:
Milhares e milhares de pilhas de madeiras apodreciam, inúmeros barris de vinho esvaziavam-se, maquinismos sem uso arruinavam-se. Os carroceiros faziam
as mais espantosas exigências ao mesmo tempo em que navios levavam oito,
nove, dez meses, ano mesmo, para poderem fazer sua descarga... Quando a
maré baixava ficava descoberto um lamaçal enorme que empesteava a cidade e
ia constantemente levar ao Estado de São Paulo e à capital os germes da peste.
Santos tinha problemas seriíssimos de escoamento de água. Nos tempos de
chuva, descia dos morros um lamaçal que arrastava todo tipo de detrito, até se
acumular na planície. Lixo e esgotos acumulavam-se em poças pela cidade e
apodreciam ao calor e à luz do sol. Foi o engenheiro fluminense Saturnino de
Brito que resolveu esse problema crônico, construindo os canais de Santos, que
permitiram controlar o escoamento das águas dos morros e evitar o empoçamento e suas consequências.
Uma curiosidade: Saturnino de Brito introduziu no Brasil a sifonagem dos
aparelhos sanitários e pias domésticas (sifão é aquele tubo fechado que isola o
escoamento da água), um processo simples que evita o acúmulo dos gases que
causam mau cheiro em cozinhas e banheiros.

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CAPÍTULO 9

Período histórico

Século XX - Segunda metade

Industrialização de São Paulo
Movimentos sindicais
Governo Juscelino Kubitschek
e a indústria automobilística
Decadência das ferrovias
Temas relacionados

Crescimento das cidades de Santos,
São Vicente e Guarujá
Ditadura militar
"Milagre brasileiro"
Desenvolvimento e expansão agrícola
Redemocratização do país

Pergunta 23 - Por que Cubatão tem grandes indústrias?
Para gerar um processo de industrialização são necessários três elementos básicos:
· fonte de energia (combustíveis fósseis e/ou energia elétrica);
· material para a construção de máquinas (sobretudo o aço);
· vias de transporte para a chegada de matéria-prima nas fábricas e saída dos
produtos da indústria para os consumidores.
A Baixada Santista, além de abrigar o maior porto do país, é servida por duas
ferrovias que a ligam a São Paulo e ao interior (a Santos-Jundiaí e a Sorocabana)
e duas grandes rodovias: a Via Anchieta (da década de 1940), e as duas pistas
da rodovia dos Imigrantes (das décadas de 1970 e 1990), além de dutos para
transportar líquidos e gases (derivados de petróleo).
Nessa região, construíram-se, também, duas usinas hidrelétricas, a de Itatinga,
que fornece energia para o porto de Santos, e a Henry Borden, que abastecia
a região e parte da Região Metropolitana de São Paulo. Além das usinas, foi

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implantada em Cubatão, na década de 1950, a Refinaria Presidente Bernardes,
produtora de derivados de petróleo (gasolina, óleo diesel etc.) para consumo
como combustível, além de seu emprego como matéria-prima da indústria.
Assim, garantiu-se energia.
No início dos anos 1960, foi construída a Cosipa, siderúrgica produtora de aço
e outros materiais. Com isso, garantiu-se matéria-prima para a produção de
máquinas e equipamentos, incluindo veículos, tubulações e aço para a indústria
em geral.
As vias e os meios de transporte, por terra ou por mar, que nunca pararam de se
multiplicar, desde meados do século XIX, conjugadas com a geração de energia e
a produção de aço e derivados de petróleo, tornaram possível o desenvolvimento
do parque industrial em São Paulo, no ABC e, em especial, em Cubatão, que
veio a se tornar o principal polo industrial do país. Foi assim, finalmente, que se
formou o eixo econômico mais importante da América do Sul.

CAPÍTULO 10

Período histórico

1990 a 2010

Abertura econômica e globalização
Concessão de ferrovias e rodovias
Lei de Modernização dos Portos

Pergunta 24 - O que foi e como se deu o processo de degradação ambiental na Baixada Santista? Como foi sua recuperação?
A explosão da atividade industrial em Cubatão teve seu custo. O crescimento
descontrolado das indústrias e da população local produziu efeitos ambientais
resultantes da poluição, que passaram a afetar a saúde das pessoas e a sobrevivência da Mata Atlântica na Serra do Mar. Durante mais de 20 anos, a poluição
avançou em três frentes: pelo ar, pelo solo e pelas águas de rios, mangues e do
mar. O preço do desenvolvimento a qualquer custo nos deu uma lição e nos
fez rever o modelo de desenvolvimento que vínhamos adotando até então. Em
meados dos anos 1980, a reação da comunidade, a ação dos órgãos ambientais
e o engajamento das indústrias fizeram surgir em Cubatão um dos mais bemsucedidos processos de recuperação ambiental de uma região industrial, com
reconhecimento internacional.
Vale a pena mencionar aqui o processo de recuperação da vegetação da serra a
partir dos anos 1980. As imagens que aparecem no DVD interativo da época em
que a Serra do Mar estava se deteriorando são bastante fortes.

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Temas relacionados

Concessões portuárias e aumento
dos investimentos no porto
Criação da Secretaria Especial dos Portos
Recuperação urbana das cidades do estuário
Descoberta do petróleo do pré-sal

Pergunta 25 - O que é a globalização? Que papel o Porto de Santos
ocupa nela?
Nas últimas três décadas, o mundo assistiu a um aumento vertiginoso no volume do fluxo de cargas, dinheiro e informação entre todos os continentes e
países do mundo. Não só o volume do fluxo se multiplicou, mas também a sua
velocidade acelerou vertiginosamente. Basta lembrar que, no início do século
XX, um navio podia levar mais de um mês para fazer sua carga e descarga no
Porto de Santos; hoje, em 12 horas, isso se faz com facilidade, envolvendo um
volume muito maior de mercadorias. O aumento de produtividade é algo em
torno de 60 vezes ou mais. Paralelamente, o desenvolvimento da informática
e das telecomunicações tornou todas as regiões e países do mundo ainda mais
integrados e interdependentes. A esse processo se chamou "globalização" (que
sugere a imagem de um planeta todo interligado e interdependente).
Os portos do mundo, é claro, fizeram parte desse processo. Afinal, de longe, o
maior volume de cargas é transportado pelo planeta por via marítima. Para isso,
os portos do mundo tiveram de se modernizar. Durante anos, o Porto de Santos
passou à margem desse processo e, a partir da Lei de Modernização dos Portos,
volumosos investimentos públicos e privados foram realizados, fazendo surgir

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novos e modernos terminais portuários nos últimos 15 anos. Ainda hoje, são
necessários mais investimentos para adequar o Porto de Santos aos padrões dos
portos mais importantes do mundo. As obras de aprofundamento do canal do
porto, já iniciadas, são um exemplo de ação indispensável para manter o papel
internacional do Porto de Santos, possibilitando a entrada de navios de grande
porte que hoje trafegam pelos principais portos do mundo.
Mas um detalhe importante a notar é o que representam o Porto de Santos e
o eixo Santos-São Paulo para o Brasil. São Paulo exerce uma atração praticamente sobre todo o país. Isso representa também quantas mercadorias, do Brasil
todo, entram em São Paulo e quantas mercadorias brasileiras e estrangeiras saem
de São Paulo para todo o território nacional.
Note também que, do Porto de Santos, parte o maior volume de exportações
brasileiras para todo o mundo e que ali chega o maior volume das importações.
Isso significa que o Porto de Santos representa, para o Brasil, o local onde o
processo de globalização comercial mais se concentrou. E, como Santos é o
porto de São Paulo, note que dali o processo de globalização se irradia para
todo o país. É justamente isso que faz de Santos, hoje, o mais importante porto
da América Latina, e o que faz do eixo Santos-São Paulo o mais importante
eixo econômico do Brasil.

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CAPÍTULO 11

Período histórico

2010 a 2050

Mudanças climáticas e elevação do nível do mar
Temas relacionados

Integração das cidades com o porto
Exploração do pré-sal
Expansão portuária

Pergunta 26 - Quais as perspectivas para o futuro do Porto de Santos?
Com o capital gerado pelo grande volume de circulação de mercadorias, o Porto de Santos tem um grande potencial de crescimento. Na história do porto,
houve duas fases de atraso (uma na virada do século XIX para o século XX
e outra nas décadas de 60 a 80 do século XX), tanto nas instalações do porto
como na atenção às questões de saneamento e meio ambiente. Hoje é possível
realizar a modernização do porto, dando a devida atenção ao saneamento, às
questões ambientais, à urbanização da cidade e à vida dos habitantes de Santos,
até mesmo do ponto de vista estético. Será a oportunidade (note que curiosamente a palavra "oportunidade" é justamente derivada da palavra "porto") para
que Santos e São Paulo tenham, no futuro próximo, um porto de excelência
em todos os seus aspectos.

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Ficha técnica
Publicação
Editora Neotropica®
www.editoraneotropica.com.br
Texto
Marcos Pompéia
Jayme Serva
Coordenação de pesquisa
Ana Luisa Howard
Pesquisadores
Ana Emília de Paula
Cynthia Ziviani
Hilda Araújo
Direção de Arte
Dora Levy
Diagramação
João Carlos Heleno
Revisão de texto
Nelson Barbosa

O DVD é parte integrante deste livro, não podendo ser vendido separadamente, e foi produzido
pela Sonopress/Arvato sob encomenda da Solução Fonográfica, para a Editora Neotropica.

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