Uma história de sucesso
Omo, Seda, Dove, Hellmann's, Maizena, Kibon, Lux, Rexona. Se você é
brasileiro, conhece cada uma dessas marcas. Talvez não saiba que
todas elas chegam à sua casa graças ao trabalho de uma única
empresa,

a

Unilever,

que

está

no

Brasil



quase

80

anos,

influenciando e sendo influenciada pelos costumes e valores de pessoas
como você. Ao longo de tantas décadas, ela se tornou um ingrediente
indissociável da cultura nacional, presença constante na sua lista de
supermercado e, principalmente, na memória afetiva de muitas
gerações. Para conquistar espaços tão importantes na vida das
pessoas,

foram

necessários

anos

de

trabalho

e

dedicação

ao

consumidor ­ uma história que vamos conhecer a seguir.
A saga da Unilever no Brasil começou em 1929, com o desembarque,
no Porto de Santos, de três ingleses que tinham como missão inaugurar
por aqui uma filial da Companhia. Do porto, eles seguiram direto para
São Paulo, cidade que na época tinha cerca de 900 mil habitantes, mas
crescia sem parar com a chegada constante de milhares de pessoas
para trabalhar nas primeiras indústrias locais. Um mês depois da
chegada dos três ao Brasil, a quebra da Bolsa de Nova York causou
uma onda de falências e crises econômicas ao redor do mundo. Esse
imprevisto, contudo, não alterou o plano dos executivos, que logo
registraram a Sociedade Anônima Irmãos Lever, com sede na Praça
Ramos de Azevedo, no centro da capital paulista.
Sob o comando de Eric Hayden Morris, a nova empresa iniciou suas
atividades importando os sabões para lavar roupas Sunlight e os Flocos

Lux. A origem desses produtos, a propósito, remete à própria fundação
da matriz da Unilever, na pequena cidade de Bolton, Inglaterra. Em
1884, William Hesketh Lever e seus irmãos fundaram na cidade a Lever
Brothers, dispostos, a princípio, a vender sabões à moda antiga. Ou
seja, a peso, cortados diante do freguês. Mas logo William teve uma
idéia que transformaria o negócio: dar um nome ao sabão e vendê-lo
num tamanho padrão, acondicionado em uma bela embalagem.
A iniciativa ajudaria a clientela a identificar o produto, cuja fórmula
neutra

o

tornava

menos

agressivo

para

as

mãos

do

que

os

concorrentes, atraindo a preferência dos fregueses. Sunlight nasceu,
portanto, com dois ingredientes que estariam em todas as receitas de
sucesso da Unilever no futuro: um produto de qualidade e uma boa
comunicação com o consumidor. Mas para fazer daquela boa idéia um
grande negócio seria necessário um espírito muito empreendedor.
Coisa que, felizmente, William tinha de sobra.
Com o sucesso inicial de Sunlight, a Lever Brothers abriu a própria
fábrica e, apenas oito anos depois de chegar ao mercado, passou a ter
um dos sabões mais vendidos do mundo. A demanda era tanta que a
Empresa se lançou em dois novos empreendimentos para garantir o
fornecimento de matérias-primas: a plantação de palmeiras na África,
para produzir óleo vegetal, e a compra de uma frota de baleeiros, para
ter óleo animal. Os novos negócios garantiam à Empresa matéria-prima
abundante e barata para fabricar seu sabão e ainda lançar novos
produtos para atender à procura cada vez maior por artigos de higiene
e limpeza que havia no final do século XIX. Essa conjunção de fatores

favoreceu o surgimento do sabonete-desodorante para o corpo Lifebuoy
(em 1894) e dos Flocos Lux (1899), opção mais prática que o sabão em
barra para lavar roupas de tecidos delicados.
Como a produção de óleo aumentou muito, a Lever resolveu entrar
também no mercado de alimentos. A opção foi pela margarina, um
produto inventado em 1869 e cada vez mais popular na Europa. O
negócio deu tão certo que se espalhou pelo continente e passou a
concorrer com a holandesa Margarine Unie. Em vez de disputarem o
mercado, as duas empresas preferiram juntar forças ­ e nomes ­ para
constituir uma única, capaz de expandir ainda mais seus horizontes:
estava criada a Unilever. Quando a sociedade foi selada, em 2 de
setembro de 1929, aqueles três emissários da Lever Brothers já
estavam no navio a caminho do Brasil, onde uma história curiosamente
semelhante se desenrolava.

Gessy: o outro fio da história
Numa pequena cidade, desta vez no interior de São Paulo, outro
comerciante de boas idéias e espírito empreendedor dava seus
primeiros passos. José Milani era um sapateiro veneziano que chegara
ao Brasil com as primeiras levas de imigrantes italianos e abrira uma
importadora de produtos de limpeza. Em 1887, ele comprou uma
pequena fábrica em Valinhos, a 70 quilômetros da capital, que produzia
apenas 100 quilos de sabão por mês. Em duas décadas, o empresário
se associou a um químico, multiplicou a produção, expandiu seus
pontos-de-venda e lançou novos produtos. Entre eles, o destaque ficou
por conta de Gessy, um sabonete que redimensionaria o negócio da
família Milani.

Gessy chegou ao mercado em 1913 e fez tanto sucesso que em seguida
passou a batizar toda uma linha de produtos de higiene pessoal. E, nos
anos 30, mais ou menos como acontecera com a Lever Brothers na
Inglaterra, a José Milani e Cia. também entraria no ramo de alimentos,
produzindo gordura de coco e óleos de oliva e amendoim. Em 1932, a
empresa já detinha poder econômico suficiente para se transformar numa
sociedade anônima, apropriadamente chamada de Companhia Gessy
Industrial. Mais tarde, ela teria grande importância na história da Unilever
no Brasil. Antes, porém, a recém-fundada Irmãos Lever ajudaria a mudar
a maneira de José Milani fazer negócios, ao investir intensamente numa
atividade até então pouco desenvolvida no País: a publicidade.

Na vanguarda da comunicação
Em 1930, menos de um ano após sua fundação, a Irmãos Lever
colocou em funcionamento sua primeira fábrica, no bairro paulistano de
Vila Anastácio, onde passou a produzir o sabão Sunlight e os Flocos
Lux. Dois anos depois, a Empresa lançaria no Brasil o sabonete Lux ­
chamado de Lever até 1963, em virtude de outro produto no mercado
com o mesmo nome. Apesar do sucesso que faziam no exterior, os
produtos da Irmãos Lever eram completamente desconhecidos do
consumidor brasileiro. E as vendas não decolavam.
Naqueles tempos, o brasileiro não estava acostumado a consumir
produtos industrializados. Sabonetes, cremes dentais, perfumes e
outros artigos de higiene eram todos importados ­ um luxo para gente
rica. Eles só foram ficar economicamente mais acessíveis com o avanço
da indústria brasileira e a queda dos preços. Mas para se tornarem

populares,

de

fato,

ainda

seria

necessário

mudar

hábitos

e

comportamentos. É aí que entra a decisão da Empresa de trazer ao País
uma experiência muito bem-sucedida na matriz: a Lintas.
Sigla de Lever International Advertising Service, a Lintas era uma
agência de propaganda da própria Unilever: uma house agency. Uma
equipe veio da Europa em 1931 para formar a versão brasileira do
negócio. Mas a publicidade ainda era tão incipiente que foi difícil até
encontrar pessoas para realizar o trabalho. Nessa situação, os serviços
da agência foram interrompidos até 1937, quando o mercado estava
mais preparado para recebê-la. Essa mudança rápida pode ser atribuída
em grande parte à presença de empresas como a Irmãos Lever, que
colaboraram de várias formas para o desenvolvimento da propaganda e
dos meios de comunicação no Brasil. E a primeira influência que elas
exerceram foi sobre o próprio empresariado brasileiro, como a Gessy
exemplifica muito bem.
Os negócios de José Milani cresceram por quase 30 anos sem que o
empresário fizesse sequer um anúncio. Para ele, gastar dinheiro com
"reclames" era um desperdício e até uma vergonha, porque ele
acreditava que um bom produto faz a própria propaganda. Só em 1928,
sob pressão dos filhos, é que o velho Milani decidiu investir 60 contos
de réis em anúncios de jornal. Com a chegada de concorrentes como a
Irmãos Lever, dispostos a investir muito mais que 60 contos em
propaganda, a Gessy percebeu que precisava rever seus conceitos, ou
veria seus produtos perderem a popularidade conquistada. Em 1932,
finalmente, a empresa contratou uma agência de publicidade para
cuidar de seus anúncios.

O mercado mais competitivo fez aumentar a procura por espaço
publicitário, especialmente em revistas como A Noite Ilustrada, A
Cigarra, Revista da Semana e O Cruzeiro, que tinham grande
penetração entre as mulheres. O primeiro boom de vendas da Irmãos
Lever no Brasil aconteceu a partir de 1936, quando a Empresa relançou
o sabonete Lever com uma embalagem mais atraente, divulgado em
campanhas nessas revistas. Mas antes mesmo de colher seus primeiros
resultados, os investimentos em propaganda e o efeito cascata que isso
gerou na concorrência foram fundamentais para a consolidação do
mercado editorial brasileiro, que começava a se desenhar nessas
primeiras décadas do século. E logo o mesmo fenômeno se repetiria no
rádio, ao longo dos anos 30 e 40, conforme o veículo passava a ser
mais popular e importante na disputa pelos consumidores.

A força do rádio
Um personagem que marcou a participação da Irmãos Lever na história
do rádio no Brasil foi Rodolfo Lima Martensen. Na época em que dirigiu
a Lintas, o publicitário gaúcho compôs vários jingles e idealizou
programas que conquistaram os ouvintes. Um de seus maiores
sucessos foi a campanha de lançamento do sabonete Lifebuoy, em
1942. A principal característica do produto era a fórmula desodorante,
que poderia parecer desnecessária num país como o Brasil, onde se
toma tanto banho. Martensen criou então jingles e anúncios veiculados
em revistas que alertavam para os inconvenientes do "cheiro de corpo"
­ ou "cê-cê", expressão criada pela propaganda da Irmãos Lever, que
mais tarde entraria no vocabulário brasileiro e no dicionário Aurélio.

Lifebuoy ­ cujo jingle virou até marchinha de carnaval, de tão famoso ­
é um bom exemplo de como o rádio era importante para as empresas
colocarem seus produtos no mercado. Em contrapartida, foram os
anunciantes que ajudaram a difundir o rádio e a ampliar sua audiência
com programas como o Levertimentos, outra criação de Rodolfo Lima
Martensen, que ia ao ar nas rádios Mayrink Veiga, em São Paulo, e
Tupi, no Rio de Janeiro. A relação de sinergia entre patrocinadores e
emissoras de rádio tornou-se especialmente importante ao longo da
década de 40, com a popularização das radionovelas.
Como ficava mais caro fazer esses programas, sua produção só se
tornou viável com o patrocínio de empresas como a Irmãos Lever e a
Gessy, que, por sua vez, não podiam deixar de associar seu nome a
programas

de

tamanha

audiência

entre

as

donas-de-casa.

As

radionovelas se tornaram tão importantes para a comunicação da
Empresa que a Lintas passou a comprar textos originais para distribuir
às emissoras. E, nos anos 50, com o surgimento das fitas magnéticas,
a própria agência gravaria as radionovelas para distribuí-las às rádios,
prontinhas ­ inclusive com os anúncios, claro. Para medir o sucesso dos
folhetins e a eficiência das campanhas nos programas, o Departamento
de Propaganda da Irmãos Lever deu outra contribuição de peso para a
publicidade brasileira ao introduzir técnicas científicas de pesquisa de
mercado e até a medição de audiência das emissoras, a partir de 1936
­ ou seis anos antes do aparecimento do Ibope.

Sabão em pó: como vender a novidade?
Apesar de seu enorme alcance, o rádio não trabalharia sozinho nos
anos 50, quando a Irmãos Lever apresentou um produto inédito às
brasileiras: o sabão em pó. Antes mesmo de lançar Rinso, pioneiro do
segmento, a Empresa sabia que seria difícil fazer as consumidoras
deixar de lado os bons e velhos sabão, água sanitária e anil para se
aventurar com um produto que nem sequer sabiam usar. Seria preciso
mostrar como o sabão em pó funcionava e, principalmente, como era
mais prático e eficiente na lavagem das roupas.
Para essa missão, a Empresa recorreu ao núcleo de Contatos Diretos
com o Consumidor (CDC), criado pelo Departamento de Propaganda da
Irmãos Lever em 1943, para divulgar o sabonete Lever e os Flocos Lux.
Foi montada, assim, uma equipe de demonstradoras para apresentar os
produtos e suas vantagens. A estratégia funcionou desde o princípio,
mas foi em 1953, com Rinso, que ela se tornou o carro-chefe de uma
verdadeira transformação nos hábitos de consumo e no comportamento
das donas-de-casa.
A princípio, as demonstradoras iam de porta em porta: "Posso usar seu
tanque?". Depois, o plano mudou e começaram as demonstrações
públicas para milhares de pessoas ao mesmo tempo, com tanques
instalados na traseira de caminhões, em parques ou até mesmo em
cinemas e teatros alugados pela Empresa. Quatro anos depois, a
Irmãos Lever lançaria Omo, o primeiro detergente em pó do País,
aproveitando a mesma técnica de divulgação. A essa altura, o sabão
em pedra já perdia força, e a marca não demorou a se tornar um dos

pilares da Empresa no mercado nacional. Mas a década de 50 também
marcaria a chegada da televisão ao Brasil, inaugurando outro capítulo
da relação entre emissoras e anunciantes fortes como a Irmãos Lever.
Na época das primeiras transmissões, em 1950, pouca gente tinha um
televisor em casa. Em menos de uma década, porém, as telinhas se
transformaram numa febre nacional, com a estréia das telenovelas. Nos
Estados Unidos, o gênero é até hoje chamado de soap opera porque
seus

primeiros

patrocinadores

foram

justamente

as

empresas

fabricantes de sabonete. No Brasil não foi diferente, e desde cedo a
Irmãos Lever patrocinou esse tipo de programa sob medida para o
público feminino. A Lintas não apenas patrocinava as novelas, como
também se envolvia na escolha dos roteiros e do elenco. Tanto cuidado
não era em vão ­ afinal, era uma questão de (pouco) tempo até que a
televisão tomasse definitivamente o lugar do rádio como principal
veículo

de

comunicação de

massa.

Mostrando-se

uma empresa

antenada com as transformações do mundo, e sempre pronta para
abraçar as oportunidades que essas mudanças proporcionam, a
Unilever acompanhou de perto e incentivou o desenvolvimento dos
principais meios de comunicação no País. Na entrada do novo milênio, a
Empresa

continua

a

manter

essa

positiva

relação

de

troca,

permanecendo como a segunda maior anunciante do Brasil.

Tempo de modernizar
O Brasil que assistia à televisão em 1960 tinha tudo para ser muito
diferente daquele que começou a década anterior, quando a telinha deixara
o mundo da ficção científica para fazer parte da realidade. O processo de

industrialização andara a passos largos, preparando o País para produzir
numa escala muito superior à da primeira metade do século XX.
Por outro lado, os costumes, os valores e o perfil da sociedade também
passavam por grandes transformações em todo o mundo. As mulheres
integravam-se ao mercado de trabalho, as feministas lutavam pela
igualdade

entre

os

sexos,

os jovens

iam para

as

ruas como

protagonistas de movimentos sociais, os hippies e a contracultura
propunham padrões que chocavam as gerações anteriores. Toda essa
efervescência apontava para novas tendências de consumo e abria
possibilidades de crescimento e diversificação do mercado.
Para não perderem esse bonde, muitas empresas planejavam sua
expansão. E foi com esse objetivo que a Irmãos Lever adquiriu, em
1960, a Gessy. A nova empresa reunia o que as duas anteriores tinham
de melhor: o know-how administrativo e tecnológico da multinacional
anglo-holandesa com o carisma e o poder de identificação da Gessy com
o consumidor brasileiro. Em todos os aspectos, a Empresa que surgia
parecia fruto mais de uma fusão do que de uma aquisição, a começar
por sua nova assinatura: Gessy Lever. Para administrar o crescimento
repentino, a Companhia passou por um processo de reestruturação, que
incluiu a implantação de seu programa de trainees, em 1964, e o
lançamento do jornal interno Encontro, que a partir de 1962 revelou-se
um importante instrumento de integração de equipes das duas
empresas. Em 1968, a Gessy Lever se tornara tão grande que passou a
operar por divisões, funcionando de forma praticamente autônoma, uma
para cada setor do negócio: limpeza doméstica e higiene e beleza.

Embalada pelos efeitos do "milagre brasileiro", que no final da década
resultou num rápido e significativo crescimento econômico do País e no
conseqüente aumento do consumo, a Gessy Lever expandiu seu portfólio
de marcas com o lançamento de produtos inéditos no mercado. Caso do
amaciante de roupas Comfort (1975), para facilitar a rotina doméstica, e
de Close Up (1971), um colorido gel dental destinado aos jovens.
Outros, como os xampus Vinólia (1963) e Seda (1968), aproveitavam
oportunidades abertas pelos novos tempos, em que as mulheres
queriam praticidade e rapidez na hora de cuidar da aparência.
Mais tarde, a Empresa passaria por outras reformulações operacionais,
sempre buscando a melhor solução para crescer e enfrentar novos
desafios, como o que viria pela frente, na década de 70, com sua
entrada no mercado brasileiro de alimentos.

À mesa com a família
Vimos no começo desta história que, antes mesmo de se juntar à
Margarine Unie, a Lever Brothers já havia expandido seus negócios com
a fabricação e venda de margarinas. A fusão com o grupo holandês
consolidou a vocação da Empresa e, de fato, a Unilever fez da indústria
de alimentos um de seus principais negócios, ao lado de higiene e
limpeza. No Brasil, ela demorou um pouco mais para ingressar nesse
mercado, dosando o risco de a população brasileira, muito acostumada
à manteiga, rejeitar a margarina. Mas a partir de 1970, com Doriana, a
Empresa começaria uma fase de crescimento acelerado no setor.

Em 1973, novo lançamento: Becel, margarina para ajudar a reduzir o
risco de doenças cardiovasculares, muito antes de esse tipo de
preocupação se tornar prioridade entre os consumidores. Pioneirismo à
parte, a Empresa deu outro passo importante nesse mercado com a
aquisição da Anderson Clayton, em 1986. A empresa norte-americana
introduzira

a

margarina

no

mercado

nacional

em

1948

e

era

proprietária de Claybom, além de outras duas marcas. Juntas, elas
aumentaram significativamente a participação da então Gessy Lever na
indústria de alimentos brasileira. E a escalada da Empresa no setor
estava só começando. Nos anos 90, outras duas aquisições fariam
história: a da Cica, em 1993, e a da Kibon, em 1997. Com as duas
marcas, tradicionais líderes do mercado nacional de atomatados e
sorvetes, respectivamente, a Unilever ingressou em novos segmentos.
Assim, Kibon, o sorvete do coração dos brasileiros, significou a entrada
segura num segmento tradicional e significativo na história da Unilever. A
Empresa já era a maior produtora de sorvetes do mundo, tendo adquirido
sua primeira fábrica ainda em 1930, na Inglaterra.
Como parte desse time, a Kibon adotou um novo logotipo ­ o coração
que identifica as marcas de sorvete da Unilever em diferentes países ­ e
passou a fabricar os produtos Magnum e Cornetto no Brasil. A nova
estratégia era uma pista de como a Unilever brasileira queria mais no
mercado de alimentos. Para isso, ela receberia um reforço de peso da
matriz: a aquisição global da Bestfoods, um dos maiores conglomerados
da indústria mundial de alimentos.

O negócio, ajustado em 2000, transferiu para a Empresa marcas
internacionais de peso, como Hellmann's e Knorr, além de outras com
muita tradição no País, como Maizena, Ades e Arisco. Esta última tinha
sido comprada pela Refinações de Milho Brasil, assinatura local da
Bestfoods, meses antes de sua aquisição global. Com o portfólio
reforçado, a Unilever consolidou sua posição como a segunda maior
empresa de alimentos do País.

Ingredientes profissionais
Em 1972, apenas dois anos depois de entrar no mercado de alimentos
nacional, a então Gessy Lever passou a fornecer a margarina Doriana
em grandes embalagens de 5 e 10 quilos para panificações e
confeitarias. Naquela década e na seguinte, principalmente, o brasileiro
passaria a comer cada vez mais fora de casa, em restaurantes,
lanchonetes e fast-foods. E o boom desse setor motivou a criação da
Gradina, em 1977. A princípio, a nova divisão passou a oferecer uma
linha mais ampla de produtos para os profissionais de alimentos e, mais
tarde, uma série de serviços e cursos para os clientes. Com a aquisição
da Bestfoods, em 2001, ela recebeu o reforço da Caterplan, outra
empresa de tradição na área de foodservice. A união das duas se
consolidaria com a criação, em 2004, da Unilever Foodsolutions, que
hoje presta atendimento a restaurantes, hotéis, cantinas, escolas,
refeitórios etc., com uma variada gama de serviços e produtos
desenvolvidos
especialmente para eles a partir das marcas Unilever.
Ingredientes profissionais
0106

Novo milênio, novos desafios
No século XX, as conquistas acumuladas pela ciência e pela tecnologia
mudaram radicalmente o modo de vida das pessoas, em todos os seus
aspectos. O progresso propiciou mais conforto, saúde e opções de
diversão e entretenimento, entre várias outras melhorias em no
cotidiano. Nas últimas décadas, porém, a conta relativa a esses
benefícios começou a ser cobrada pelo planeta e pela sociedade.
Problemas como a extinção de espécies, a destruição da camada de
ozônio e o aquecimento global, além da desigualdade social mostraram
que não basta crescer. É preciso criar condições para que isso aconteça
de forma sustentada, com equilíbrio e responsabilidade.
De olho nesse princípio, a Empresa tratou de arrumar a casa para
enfrentar os novos desafios e manter o ritmo de crescimento, após um
período marcado por aquisições importantes. Uma das primeiras
mudanças foi adotar no Brasil sua assinatura internacional, Unilever, a
partir de 2001. Afinal, depois de 70 anos, estava na hora de ser
reconhecida no País como a maior multinacional da área de higiene e
limpeza do mundo. Administrativamente, a Empresa simplificou e
integrou seus sistemas e processos em todas as unidades na América
Latina, a partir de 2003, com o projeto Harmonia.
Dois anos depois, começou a implementação do One Unilever, com a
missão de aproveitar ao máximo a sinergia entre seus produtos e
setores,

otimizando

resultados

para

a

Companhia

e

para

os

consumidores. O processo de unificação incluiu a inauguração, em

2006, de nova sede em São Paulo, o edifício One Office, onde foi
possível integrar fisicamente o trabalho das diversas equipes.
Outro passo importante dessa reestruturação foi a criação do Instituto
Unilever,

em

2002,

responsabilidade

que

passou

socioambiental,

a

centralizar

estabelecendo

as

ações

critérios

para

de
o

patrocínio de projetos e para o monitoramento de resultados dessas
ações. A partir de 2003, a Empresa passou a publicar anualmente um
relatório socioambiental, com informações detalhadas sobre suas
iniciativas na área, num claro sinal de seu comprometimento com o
sucesso desses projetos. Atualmente este documento se chama
Relatório de Sustentabilidade e, cada vez mais, reitera a transparência
e preocupação da Unilever com o assunto.
Entre os principais esforços da Companhia na área ambiental, destacase

o

processo

de

certificação

ISO

14001

de

suas

fábricas.

Normalmente, apenas unidades de grande potencial poluidor precisam
desse nível de certificação. Mesmo não se encaixando nesse perfil, 4 de
suas 12 unidades produtoras no País receberam o certificado em 2007.
As demais também entraram no século XXI com a certificação
encaminhada

e

a

implementação

completa

do

Sistema

de

Gerenciamento Ambiental, que permitiu à Empresa reduzir pela metade
a emissão de gases por queima de combustíveis fósseis entre 2003 e
2005, além de aumentar os resíduos recicláveis de 73,3% para 98,1%
do total, entre 1997 e 2005.
Na área social, a Unilever realiza uma série de investimentos em
educação, saúde, esporte, arte e agricultura, além de doações e ações de

marketing

social,

em

parceria

com

instituições

beneficentes

e

organizações comunitárias. Entre 2004 e 2005, as aplicações na área
aumentaram 23%, alcançando o total de 16 milhões de reais. Além dos
benefícios diretos sobre a qualidade de vida das pessoas atendidas, os
investimentos coordenados resultaram em mais de dez prêmios e
certificados de gestão ambiental e responsabilidade social, num justo
reconhecimento dos esforços da Unilever para o crescimento sustentável.
Em 2004, o processo de reestruturação e o foco na sustentabilidade
permitiram à Unilever assumir nova missão: acrescentar vitalidade ao
cotidiano das pessoas, de funcionários a consumidores. O que antes era
um aspecto importante de sua vida corporativa passou a ser uma
condição para o crescimento, uma diretriz norteadora de todas as suas
decisões estratégicas. Para simbolizar a mudança, a Empresa adotou no
mesmo ano um novo logotipo: uma letra "U" desenhada com 25 ícones
que representam seus produtos e os valores da nova missão. Uma nova
feição para uma empresa em dia com as necessidades do presente e a
vida no futuro.

O caldeirão da Unilever
Conhece aquela história de que o Brasil é um "caldeirão de culturas"?
Pois é: por mais batida que seja, ela é verdadeira. E isso tem tudo a ver
com o compromisso mundial que a Unilever assumiu em 2003, de incluir
em suas equipes a diversidade de cada país em que atua. Desde então,
a Empresa desenvolve programas de inclusão social, de pessoas com
deficiência

e

de

mulheres

em

cargos

de

direção.

O

programa

Diversidade, como foi batizado o conjunto de ações, representa uma
opção estratégica: cultivar a diversidade entre os funcionários como
oportunidade

de

entender

melhor

o

consumidor

brasileiro

e,

consequentemente, atender melhor a suas necessidades. Além de
enriquecer o ambiente de trabalho, primeiro benefício do programa, a
iniciativa rendeu à Unilever o destaque na categoria Diversidade do Guia
2007 de "Melhores Empresas para Você Trabalhar", editado pelas
revistas Você S.A. e Exame.

Vitalidade para todo o Brasil
Compatível com sua missão de agregar vitalidade ao cotidiano dos
consumidores, em 2007 a Unilever decidiu concentrar esforços no
mercado

de

margarinas,

elegendo

a

linha

Becel

como

sua

representante exclusiva. Para isso, realizou uma joint venture com a
Perdigão, empresa brasileira de alimentos que, pelo acordo, ficou com
as outras marcas de margarina ­ Claybom, Delicata e Doriana ­ e com
os equipamentos para produzi-las. Em contrapartida, a Perdigão passou

a distribuir Becel e Becel Pro-Activ, ampliando o alcance do produto,
famoso pelos benefícios comprovados para a saúde do coração, a 98%
do território brasileiro.
E não foi somente na área de alimentos que a Unilever adotou políticas
favoráveis à Sustentabilidade. Em 2010, uma nova visão global passou
a ser adotada e a subsidiária do Brasil foi a primeira a comunicar o
novo conceito da Companhia. A campanha "Cada Gesto Conta"
reforçava o comprometimento com o desenvolvimento sustentável e
conscientizava a sociedade de que pequenas ações fazem grande
diferença para tornar o mundo cada dia melhor.
O fato de o consumidor adquirir um produto concentrado, por exemplo,
faz com que haja menos uso de combustível e emissão de gases no
planeta. Isso porque a embalagem é menor, requer menos matéria
prima para ser produzida, demanda menos espaço no armazenamento
e, assim, cabem mais produtos nos caminhões que farão o transporte a
partir da fábrica.
O Plano de Sustentabilidade da Unilever foi desenvolvido com o
objetivo de estabelecer metas de investimento em tecnologia e busca
de soluções para três pilares fundamentais da cadeia sustentável:
ambiental, social e econômica.
Em 2012 a meta de redução de impacto ambiental foi alcançada de tal
forma que a Empresa conseguiu zerar o envio de resíduos sólidos para
aterros gerados nas fábricas de Indaiatuba (SP), Goiânia (GO), Pouso
Alegre (MG) e Vinhedo (SP), além de, ao final da vida útil das
refrigeradoras Kibon, reutilizar e/ou reciclar 100% dos componentes.

Sempre à frente
A Unilever investiu em novos negócios e mudou o foco em alguns
setores, assumindo, mais uma vez, compromisso com a sustentabilidade
e benefícios para os consumidores. Em 2011, ao mesmo tempo em que
vendeu sua área de atomatados, a Empresa assumiu os negócios e as
marcas da Alberto Culver, que são: TRESemmé, Nexxu, Motion e St.
Ives. Assim, a Companhia reajustou seu portfólio e se tornou líder
mundial em condicionadores de cabelo, segunda maior em shampoo e a
terceira em "styling".