Breve Histórico do Curso de Pedagogia no Brasil
Rosa Mendonça de Brito1

INTRODUÇÃO

No Brasil, o Curso de Pedagogia, ao longo de sua história, teve definido como seu
objeto de estudo e finalidade precípuos os processos educativos em escolas e em outros
ambientes, sobremaneira a educação de crianças nos anos iniciais de escolarização, além da
gestão educacional. Merece ser salientado que, nas primeiras propostas para este curso, a ele
se atribuiu o "estudo da forma de ensinar". Regulamentado pela primeira vez, nos termos do
Decreto-Lei n. 1.190/1939, foi definido como lugar de formação de "técnicos em educação".
Estes eram, à época, professores experientes que realizavam estudos superiores em Pedagogia
para, mediante concurso, assumirem funções de administração, planejamento de currículos,
orientação a professores, inspeção de escolas, avaliação do desempenho dos alunos e dos
docentes, de pesquisa e desenvolvimento tecnológico da educação, no Ministério da Educação,
nas secretarias de estado e dos municípios.
A padronização do curso de Pedagogia, em 1939, é decorrente da concepção
normativa da época, que alinhava todas as licenciaturas ao denominado "esquema 3+1", pela
qual era feita a formação de bacharéis nas diversas áreas das Ciências Humanas, Sociais,
Naturais, nas Letras, Artes, Matemática, Física, Química. Seguindo este esquema, o curso de
Pedagogia oferecia o título de bacharel, a quem cursasse três anos de estudos em conteúdos
específicos da área, quais sejam fundamentos e teorias educacionais; e o título de licenciado
que permitia atuar como professor, aos que, tendo concluído o bacharelado, cursassem mais um
ano de estudos, dedicados à Didática e a Prática de Ensino. O então curso de Pedagogia
dissociava o campo da ciência Pedagogia, do conteúdo da Didática, abordando-os em cursos
distintos e tratando-os separadamente.
A dicotomia entre bacharelado e licenciatura levava a entender que no bacharelado
se formava o técnico em educação e, na licenciatura em Pedagogia, o professor que iria lecionar
as matérias pedagógicas do Curso Normal de nível secundário, quer no primeiro ciclo, o ginasial
- normal rural -, ou no segundo. Com a homologação da Lei n°. 4024/1961 e a regulamentação
contida no Parecer CFE nº. 251/1962, manteve-se o esquema 3+1, para o curso de Pedagogia.

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Diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas. Doutora em Filosofia e
professora no Programa de Pós-Graduação em Educação ­ PPGE.

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Em 1961, fixou-se o currículo mínimo do curso de bacharelado em Pedagogia, composto por
sete disciplinas indicadas pelo CFE e mais duas escolhidas pela instituição. Esse mecanismo
centralizador da organização curricular pretendia definir a especificidade do bacharel em
Pedagogia e visava manter uma unidade de conteúdo, aplicável como critério para
transferências de alunos, em todo o território nacional.
Regulamentada pelo Parecer CFE nº. 292/1962, a licenciatura previa o estudo de
três disciplinas: Psicologia da Educação, Elementos de Administração Escolar, Didática e Prática
de Ensino; esta última em forma de Estágio Supervisionado. Mantinha-se, então, a dualidade,
bacharelado e licenciatura em Pedagogia, ainda que, nos termos daquele Parecer, não devesse
haver a ruptura entre conteúdos e métodos, manifesta na estrutura curricular do esquema 3+1.
A Lei da Reforma Universitária 5.540, de 1968 facultava à graduação em Pedagogia
a oferta de habilitações: Supervisão, Orientação, Administração e Inspeção Educacional, assim
como outras especialidades necessárias ao desenvolvimento nacional e às peculiaridades do
mercado de trabalho.
Em 1969, o Parecer CFE n°. 252, que dispunha sobre a organização e o
funcionamento do curs de Pedagogia, indicou como finalidade do curso preparar profissionais da
educação e assegurava a possibilidade de obtenção do título de especialista, mediante
complementação de estudos. O mesmo Parecer prescrevia a unidade entre bacharelado e
licenciatura, fixando a duração do curso em 4 anos. Como licenciatura, permitia o registro para o
exercício do magistério nos cursos normais, posteriormente denominados magistério de 2º grau
e, sob o argumento de que "quem pode o mais pode o menos" ou de que "quem prepara o
professor primário tem condições de ser também professor primário", permitia o magistério nos
anos iniciais de escolarização. Ressalta-se, ainda, que aos licenciados em Pedagogia também
era concedido o registro para lecionar Matemática, História, Geografia e Estudos Sociais, no
primeiro ciclo do ensino secundário, anterior a 1972.
Atentas às exigências do momento histórico, já no início da década de 1980, várias
universidades efetuaram reformas curriculares, de modo a formar, no curso de Pedagogia,
professores para atuarem na educação pré-escolar e nas séries iniciais do ensino fundamental.
Como sempre, no centro das preocupações e das decisões, estavam os processos de ensinar,
aprender, além do de gerir escolas.
O Curso de Pedagogia, desde então, vai amalgamando experiências de formação
inicial e continuada de docentes, para trabalhar tanto com crianças quanto com jovens e adultos.
Apresenta, hoje, notória diversificação curricular, com uma gama ampla de habilitações para
além da docência no Magistério das Matérias Pedagógicas do então 2º Grau, e para as funções
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designadas como especialistas. Por conseguinte, ampliam-se disciplinas e atividades
curriculares dirigidas à docência para crianças de 0 a 5 anos e de 6 a 10 e oferecem-se diversas
ênfases nos percursos de formação do pedagogo, para contemplar, entre muitos outros temas:
educação de jovens e adultos; a educação infantil; a educação na cidade e no campo; atividades
educativas em instituições não escolares, comunitárias e populares; a educação dos povos
indígenas; a educação nos remanescentes de quilombos; a educação das relações étnicoraciais; a inclusão escolar e social das pessoas com necessidades especiais, dos meninos e
meninas de rua; a educação a distância e as novas tecnologias de informação e comunicação
aplicadas à educação
Importa considerar, ainda, a evolução das trajetórias de profissionalização no
magistério da Educação Básica onde, durante muitos anos, a maior parte dos que pretendiam
graduar-se em Pedagogia eram professores primários, com alguma ou muita experiência em
sala de aula. Assim, os professores das escolas normais, bem como boa parte dos primeiros
supervisores, orientadores e administradores escolares haviam aprendido, na vivência do dia-adia como docentes, sobre os processos nos quais pretendiam vir a influir, orientar, acompanhar,
transformar. Na medida em que o curso de Pedagogia vai se tornando lugar preferencial para a
formação de docentes dos primeiros anos da Ensino Fundamental, assim como da Educação
Infantil, crescia o número de estudantes sem experiência docente e formação prévia. Tal
situação levou os cursos de Pedagogia a enfrentarem, nem sempre com sucesso, a
problemática do equilíbrio entre formação e exercício profissional, bem como a desafiante crítica
de que os estudos em Pedagogia dicotomizavam teoria e prática.
Em conseqüência, o curso de Pedagogia passou a ser objeto de severas críticas,
que destacavam o tecnicismo na educação, fase em que os termos pedagogia e pedagógico
passaram a ser utilizados apenas em referência a aspectos metodológicos do ensino e
organizativos da escola. Alguns críticos do curso de Pedagogia e das licenciaturas em geral,
entre eles docentes sem ou com pouca experiência em trabalho nos anos iniciais de
escolarização, entretanto responsáveis por disciplinas "fundamentais" destes cursos, entendiam
que a prática teria menor valor. Ponderavam que estudar processos educativos, entender e
manejar métodos de ensino, avaliar, elaborar e executar planos e projetos, selecionar conteúdos,
avaliar e elaborar materiais didáticos eram ações menores. Já outros críticos, estudiosos de
práticas e de processos educativos, desenvolveram análises, reflexões e propostas consistentes,
em diferentes perspectivas, elaborando corpos teóricos e encaminhamentos práticos.
Fundamentavam-se na concepção de Pedagogia como práxis, em face do entendimento de que
tem a sua razão de ser na articulação dialética da teoria e da prática. Sob esta perspectiva,
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firmaram o entendimento de que a Pedagogia trata do campo teórico-investigativo da educação,
do ensino e do trabalho pedagógico que se realiza na práxis social.
O movimento de educadores, em busca de um estatuto epistemológico para a
Pedagogia, contou com adeptos de abordagens até contraditórias. Disso resultou uma ampla
compreensão acerca do curso de Pedagogia incluída a de que a docência, nos anos iniciais do
Ensino Fundamental e também na Educação Infantil, passasse a ser a área de atuação do
egresso do curso de Pedagogia, por excelência. Desde 1985, é bastante expressivo o número
de instituições em todo o país que oferecem essas habilitações na graduação.
Com uma história construída no cotidiano das instituições de ensino superior, não é
demais enfatizar que o curso de graduação em Pedagogia, nos anos 1990, foi se constituindo
como o principal locus da formação docente dos educadores para atuar na Educação Básica: na
Educação Infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. A formação dos profissionais da
educação, no Curso de Pedagogia, passou a constituir, reconhecidamente, um dos requisitos
para o desenvolvimento da Educação Básica no País.
Enfatiza-se ainda que grande parte dos cursos de Pedagogia, hoje, tem como
objetivo central a formação de profissionais capazes de exercer a docência na Educação Infantil,
nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nas disciplinas pedagógicas para a formação de
professores, no planejamento e na gestão e avaliação de estabelecimentos de ensino, de
sistemas educativos escolares e de programas não escolares. Os movimentos sociais também
têm insistido em demonstrar a existência de uma demanda ainda pouco atendida, no sentido de
que o pedagogo seja também formado para garantir a educação dos segmentos historicamente
excluídos dos direitos sociais, culturais, econômicos, políticos. É nesta realidade que nascem as
novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia.
1. O Curso de Pedagogia no contexto das Novas Diretrizes Curriculares Nacionais
Com base na Resolução do Conselho Nacional de Educação, aprovada no dia 13
de dezembro de 2005, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Licenciatura em
Pedagogia têm como finalidade:
"Oferecer formação para o exercício integrado
e indissociável da docência, da gestão dos
processos

educativos

escolares,

da

escolares

produção

e

e

difusão

nãodo

conhecimento científico e tecnológico do
campo educacional".
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1.1. Princípios Norteadores
O trabalho do graduando em Pedagogia, por envolver um repertório de
informações e habilidades, compostos por uma pluralidade de conhecimentos teóricos e
práticos,

deve

fundamentar-se

na

interdisciplinaridade,

contextualização,

democratização, pertinência e relevância social, ética e sensibilidade afetiva e estética.
Este repertório deve se constituir por meio de múltiplos olhares, próprios das ciências,
das culturas, das artes, da vida cotidiana, que proporcionam leitura das relações sociais
e étnico-raciais, também dos processos educativos por estas desencadeados. Para a
formação do licenciado em Pedagogia é fundamental:

1.1.1. O conhecimento da escola como organização complexa que tem a função social e
formativa de promover, com eqüidade, educação para e na cidadania;
1.1.2. A formação, a proposição, realização, análise de pesquisas e a aplicação de
resultados, em perspectiva histórica, cultural, política, ideológica e teórica, com a
finalidade, entre outras, de identificar e gerir, em práticas educativas, elementos
mantenedores, transformadores, geradores de relações sociais e étnico-raciais
que fortalecem ou enfraquecem identidades, reproduzem ou criam novas relações
de poder;
1.1.3. A participação na gestão de processos educativos, na organização e
funcionamento de sistemas e de instituições de ensino, com a perspectiva de uma
organização democrática, em que a co-responsabilidade e a colaboração são os
constituintes maiores das relações de trabalho e do poder coletivo e institucional,
com vistas a garantir iguais direitos, reconhecimento e valorização das diferentes
dimensões que compõem a diversidade da sociedade, assegurando comunicação,
discussão, crítica, propostas dos diferentes segmentos das instituições
educacionais escolares e não-escolares.

1.2. Objetivos
Com base na nova Resolução, O curso de Licenciatura em Pedagogia, tendo
a docência como base da formação do pedagogo, destina-se à formação de
professores para exercer funções de magistério na:

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1.2.1. Educação Infantil e nos iniciais do Ensino Fundamental;
1.2.2. Em disciplinas pedagógicas dos cursos de nível médio, na modalidade Normal e
de Educação Profissional;
1.2.3. Área de serviços e apoio escolar e em outras em que disciplinas pedagógicas
estejam previstas;
1.2.4. Organização e gestão de sistemas e instituições de ensino, englobando:
Programas e projetos pedagógicos em sistemas e unidades de ensino, e em
ambientes

não-escolares;

Planejamento,

execução,

coordenação,

acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação;
Planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos
e experiências educativas escolares e não escolares; Produção e difusão do
conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em contextos
escolares e não escolares;
1.3. Perfil do Licenciado em Pedagogia
Desse ponto de vista, o perfil do graduado em Pedagogia deverá contemplar
consistente formação teórica, diversidade de conhecimentos e de práticas, que se
articulam ao longo do curso. Por conseguinte, o egresso do curso de Pedagogia
deverá estar apto a:
1.3.1. Atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa,
equânime, igualitária;
1.3.2. compreender, cuidar e educar crianças de zero a cinco anos e do Ensino
Fundamental, de forma a contribuir para o seu desenvolvimento nas dimensões
física, psicológica, intelectual, social e política, demonstrando consciência da
diversidade, respeitando as diferenças de natureza ambiental-ecológica, étnicoracial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades
especiais, escolhas sexuais, entre outras;
1.3.3. reconhecer e respeitar as manifestações e necessidades físicas, cognitivas,
emocionais e afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas,
promovendo e facilitando as relações de cooperação entre a instituição educativa,
a família e a comunidade;
1.3.4. aplicar modos de ensinar diferentes linguagens de forma interdisciplinar e
adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano, particularmente de

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crianças desenvolvendo trabalho em equipe, estabelecendo diálogo entre a área
educacional e as demais áreas do conhecimento;
1.3.5. relacionar as linguagens dos meios de comunicação aplicadas à educação, nos
processos didático-pedagógicos, demonstrando domínio das tecnologias de
informação e comunicação adequadas ao desenvolvimento de aprendizagens
significativas;
1.3.6. participar da gestão das instituições em que atuem enquanto estudantes e
profissionais, contribuindo para elaboração, implementação, coordenação,
acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico;
1.3.7. estudar, aplicar criticamente as diretrizes curriculares e outras determinações
legais que lhe caiba implantar, executar, avaliar e encaminhar o resultado de sua
avaliação às instâncias competentes;
1.3.8. promover, no caso dos professores indígenas e de professores que venham a
atuar em escolas indígenas, diálogo entre conhecimentos, valores, modos de vida,
orientações filosóficas, políticas e religiosas próprias à cultura do povo indígena
junto a quem atuam e os provenientes da sociedade majoritária, atuando como
agentes interculturais, com vistas a valorização e o estudo de temas indígenas
relevantes.
1.4. Organização do Curso de Pedagogia
O projeto pedagógico de cada instituição, deverá observar, além dos
princípios constitucionais e legais; a diversidade social, étnico-racial e regional do
País; a organização federativa do Estado brasileiro; a pluralidade de idéias e
concepções pedagógicas; o conjunto de competências dos estabelecimentos de
ensino e dos docentes, previstas nos arts. 12 e 13 da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e o princípio da gestão democrática e da
autonomia, observar, também, as orientações contidas no Plano Nacional de
Educação (Lei nº 10.172/2001), no sentido de que a formação de professores, nas
suas fases inicial e continuada, contemple a educação dos cidadãos(ãs), tendo em
vista uma ação norteada pela ética, justiça, dialogicidade, respeito mútuo,
solidariedade, tolerância, reconhecimento da diversidade, valorização das diferentes
culturas, e suas repercussões na vida social, de modo particular nas escolas, dandose especial atenção à educação das relações de gênero, das relações étnico-raciais, à
educação sexual, à preservação do meio ambiente articuladamente à da saúde e da

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vida, além de outras questões de relevância local, regional, nacional e até mesmo
internacional.
A organização curricular do curso de Pedagogia oferecerá um núcleo de
estudos básicos, um de aprofundamentos e diversificação de estudos e outro de
estudos integradores que propiciem, ao mesmo tempo, amplitude e identidade
institucional, relativas à formação do licenciado. Respeitadas a diversidade nacional e
a autonomia pedagógica das instituições, a estrutura do curso de Pedagogia constituirse-á de:

1.4.1. um núcleo de estudos básicos que, sem perder de vista a diversidade e a
multiculturalidade da sociedade brasileira, por meio do estudo acurado da literatura
pertinente e de realidades educacionais, de reflexão e ações críticas;
1.4.2. um núcleo de aprofundamento e diversificação de estudos voltado às áreas de
atuação profissional priorizadas pelos projetos pedagógicos das instituições e que,
atendendo a diferentes demandas sociais, oportunizará, entre outras
possibilidades;
1.4.3. um núcleo de estudos integradores que proporcionará enriquecimento curricular.

Os núcleos de estudos deverão proporcionar aos estudantes, concomitantemente,
experiências cada vez mais complexas e abrangentes de construção de referências
teórico-metodológicas próprias da docência, além de oportunizar a inserção na realidade
social e laboral de sua área de formação. Por isso, as práticas docentes deverão ocorrer
ao longo do curso, desde seu início. A dinamicidade do projeto pedagógico do curso de
Pedagogia deverá ser garantida por meio da organização de atividades acadêmicas, tais
como: iniciação científica, extensão, seminários, monitorias, estágios, participação em
eventos científicos e outras alternativas de caráter científico, político, cultural e artístico.
O estudo dos clássicos, das teorias educacionais e de questões correlatas,
geradas em diferentes contextos, nacionais, sociais, culturais devem proporcionar, aos
estudantes, conhecer a pluralidade de bases do pensamento educacional. Este estudo
deverá possibilitar a construção de referências para interpretar processos educativos,
que ocorram dentro e fora das instituições de ensino, para planejar, implementar e
avaliar processos pedagógicos, comprometidos com a aprendizagem significativa, e
para participar da gestão de sistemas e de instituições escolares e não-escolares.

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Os estudos das metodologias do processo educativo não se descuidarão de
compreender, examinar, planejar, pôr em prática e avaliar processos de ensino e de
aprendizagem, sempre tendo presente que tanto quem ensina, como quem aprende,
sempre ensina e aprende conteúdos, valores, atitudes, posturas, procedimentos que se
circunscrevem em instâncias ideológicas, políticas, sociais, econômicas e culturais. Em
outras palavras, não há como estudar processos educativos, na sua relação ensinaraprender, sem explicitar o que se quer ensinar e o que se pretende aprender.
Os três núcleos de estudos, da forma como se apresentam, devem propiciar a
formação daquele profissional que: cuida, educa, administra a aprendizagem, alfabetiza
em múltiplas linguagens, estimula e prepara para a continuidade do estudo, participar da
gestão escolar, imprime sentido pedagógico a práticas escolares e não-escolares,
compartilha os conhecimentos adquiridos em sua prática.
1.5. Duração dos estudos
A definição da carga horária mínima de 3.200 horas de efetivo trabalho
acadêmico, considerou, sobretudo, a evidente complexidade de sua configuração, que
se traduz na multi-referencialidade dos estudos que engloba, bem como na formação
para o exercício integrado e indissociável da docência, da gestão dos processos
educativos escolares e não-escolares, da produção e difusão do conhecimento científico
e tecnológico do campo educacional. As 3200 horas serão distribuídas da seguinte
forma:
1.5.1. Atividades formativas como assistência a aulas, realização de seminários,
participação na realização de pesquisas, consultas a bibliotecas e centros de
documentação, visitas a instituições educacionais e culturais, atividades práticas
de diferente natureza, participação em grupos cooperativos de estudos = 2.800
horas;
1.5.2. Estágio Supervisionado prioritariamente em Educação Infantil e nos anos iniciais
do Ensino Fundamental, contemplando também outras áreas específicas, se for o
caso, conforme o projeto pedagógico da instituição = 300 horas;
1.5.3. Atividades teórico-práticas de aprofundamento em áreas específicas de interesse
dos alunos, por meio, da iniciação científica, da extensão e da monitoria = 100
horas.
1.6. Desenvolvimento dos Estudos: Os estudantes desenvolverão seus estudos mediante:
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1.6.1. Disciplinas, seminários e atividades de natureza predominantemente teórica que
farão a introdução e o aprofundamento de estudos, entre outros, sobre teorias
educacionais, situando processos de aprender e ensinar historicamente e em
diferentes realidades socioculturais e institucionais que proporcionem fundamentos
para a prática pedagógica, a orientação e apoio a estudantes, gestão e avaliação
de projetos educacionais, de instituições e de políticas públicas de Educação;
1.6.2. Práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos graduandos a
observação e acompanhamento, a participação no planejamento, na execução e
na avaliação de aprendizagem, do ensino, de projetos pedagógicos, tanto em
escolas como em outros ambientes educativos;
1.6.3. Atividades complementares envolvendo o planejamento e o desenvolvimento
progressivo do Trabalho de Curso, atividades de monitoria, de iniciação científica e
de extensão, diretamente orientadas por membro do corpo docente da instituição
de educação superior decorrentes ou articuladas às disciplinas, áreas de
conhecimentos, seminários, eventos científico-culturais, estudos curriculares, de
modo a propiciar vivências em algumas modalidades e experiências, entre outras,
e opcionalmente, a educação de pessoas com necessidades especiais, a
educação do campo, a educação indígena, a educação em remanescentes de
quilombos, em organizações não-governamentais, escolares e não-escolares
públicas e privadas; estágio curricular que deverá ser realizado, ao longo do curso,
em Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, em disciplinas
pedagógicas dos cursos de nível médio, na modalidade Normal e/ou de Educação
Profissional na área de serviços e de apoio escolar, ou ainda em modalidades e
atividades como educação de jovens e adultos, grupos de reforço ou de
fortalecimento escolar, gestão dos processos educativos, como: planejamento,
implementação e avaliação de atividades escolares e de projetos, reuniões de
formação pedagógica com profissionais mais experientes, de modo a assegurar
aos graduandos experiência de exercício profissional, em ambientes escolares e
não-escolares, que amplie e fortaleça atitudes éticas, conhecimentos e
competências, conforme o previsto no projeto pedagógico do curso.

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