HISTÓRIA

HISTÓRIA
Os passos iniciais da colonização do Brasil foram dados a partir da criação de núcleos de colonização. Em dezembro de 1530,
partiu de Lisboa uma grande expedição composta por 50 embarcações transportando homens, ferramentas, sementes e víveres.
Comandada por Martim Afonso de Souza, teve como objetivo estabelecer os primeiros núcleos de povoamento permanente no país.

OCUPAÇÃO PRÉ-COLONIAL DO ATUAL
ESTADO DE PERNAMBUCO

São Vicente e Santo André
A expedição chegou ao litoral brasileiro em janeiro de 1531.
O primeiro núcleo de colonização, a vila de São Vicente, localizada no litoral, foi fundada em 1532. Em seguida criou-se a vila
de Santo André da Borda do Campo, no planalto de Piratininga,
região interiorana onde hoje se situa a Grande São Paulo. Nesses
núcleos concediam-se aos colonos lotes de terra, denominados sesmarias, para que iniciassem as plantações para produzir os meios
de subsistência e se fixarem na região.
Também foram nomeados os primeiros administradores e
criados os primeiros órgãos fiscais e judiciários. A vila de São Vicente prosperou, estimulando a criação de novos povoamentos em
seu entorno; como Santos, em 1536; que posteriormente veio a ser
elevado à categoria de "vila" (1545).
Apesar disso tudo, os primeiros esforços empreendidos pelos
portugueses para colonizar o Brasil revelaram-se muito limitados.
Os núcleos de colonização eram insuficientes para garantir a permanência dos colonos que aqui chegavam e expandir os povoados.
Para dar prosseguimento ao povoamento da colônia de forma ordenada e eficiente, havia a necessidade de vultosos recursos econômicos, de que a Coroa portuguesa não dispunha.

O período que vai de 1500, data da chegada da esquadra de
Pedro Álvares Cabral, até 1530; é denominado pelos historiadores de período pré-colonial. Nestes primeiros trinta anos, o Brasil
foi objeto de pouco interesse para Portugal, que estava mais interessado no lucrativo comércio de especiarias com as Índias, além
de não dispor de homens suficientes para povoar todas as regiões
descobertas.
Outro motivo para explicar o esquecimento ao qual se relegou o Brasil foi a falta de conhecimento do novo território, principalmente no que se refere à existência riquezas que poderiam ser
exploradas. Ainda assim, enviaram-se as expedições exploratórias
de Gaspar de Lemos, em 1501; e a de Gonçalo Coelho, em 1503;
navegadores que fizeram o levantamento do litoral brasileiro, realizando observações e descrições sobre suas características geográficas.
A economia pré-colonial baseou-se na extração e comércio do
pau-brasil, madeira avermelhada encontrada no litoral brasileiro,
que já era bastante conhecida na Europa. Dela extraíam-se corantes que eram utilizados para tingir tecidos.
A extração do pau-brasil foi declarada estanco, ou seja, passou
a ser um monopólio real, cabendo ao rei conceder a permissão a
alguém para explorar comercialmente a madeira. Mas, se o rei outorgava esse direito, cabia ao arrendatário executar o negócio com
seus próprios meios, arcando com todos os riscos do empreendimento.
O benefício que a Coroa obtinha com a concessão da exploração comercial do pau-brasil era uma parcela dos lucros conseguidos pelo arrendatário. O primeiro negociante a receber autorização
régia para explorá-lo foi Fernando de Noronha, em 1502.
O ciclo de exploração do pau-brasil foi breve, já era que baseado numa extração predatória. Isto é, não havia a preocupação
de repor as árvores derrubadas por meio do replantio, o que resultou no rápido esgotamento desse tipo madeira. Outros aspectos importantes a serem salientados é que a exploração de pau-brasil teve
impacto praticamente nulo na ocupação do território brasileiro.
Limitando-se à área costeira, o extrativismo não chegou a gerar núcleos de povoamento permanentes. Além disso, foi a primeira atividade econômica em que os negociantes portugueses empregaram a mão de obra indígena no corte e carregamento da madeira
para os navios.

Capitanias hereditárias
Para prosseguir com o processo de colonização, Portugal recorreu ao sistema de Capitanias hereditárias. Esse sistema já havia
sido empregado com êxito em suas possessões nos Açores, Madeira e Cabo Verde. Ele se baseava na doação de um extenso lote
de terra a uma pessoa ilustre e influente do reino, geralmente um
nobre rico, que passava a ser o donatário e ficava encarregado de
empreender a colonização da terra recebida, investindo nela seus
próprios recursos.
Os donatários recebiam as terras não como proprietários, mas
como administradores. Ainda assim, possuíam muitos direitos sobre elas, de modo que se tornassem um empreendimento favorável
e atrativo aos interesses dos donatários. Podiam escravizar índios
e vendê-los, fundar povoações, conceder sesmarias, estabelecer e
extrair uma parte dos impostos e tributos sobre produtos e mercadorias produzidas para o consumo interno ou aquelas destinadas à
exportação. Tinham também poder para julgar e condenar escravos
e homens livres que estivessem nos limites de sua capitania.
As Capitanias hereditárias foram criadas entre 1534 e 1536,
a partir da divisão do litoral brasileiro em extensas faixas de terra
que iam da costa para o Oeste, até o meridiano traçado por Tordesilhas. Ao todo foram constituídas 14 Capitanias que foram doadas
a 12 donatários.

Martim Afonso de Souza
Após 1530, o comércio entre Portugal e as Índias entrou em
decadência. Neste mesmo período, o litoral brasileiro passou a sofrer sistemáticas ameaças por parte de navegadores estrangeiros e
mercenários que contrabandeavam o pau-brasil. Portugal, então,
precisou tomar medidas para guarnecer a costa brasileira e repelir
os invasores.
Expedições comandadas por Cristóvão Jacques, em 1516 e
1519 e ainda em 1526 e 1528; tiveram por objetivo repelir os invasores, mas pouco puderam fazer em razão da enorme extensão
do litoral brasileiro. Esses foram os principais fatores que geraram
preocupação com a situação das terras brasileiras, levando a Coroa
portuguesa a iniciar o processo de colonização.
Didatismo e Conhecimento

Eram faixas gigantes de terra, com centenas de quilômetros,
do tamanho de atuais Estados, que precisavam ser ocupadas para
dar início às primeiras atividades econômicas do Brasil. O sistema
das capitanias hereditárias foi a primeira tentativa de administrar
a então colônia de Portugal. Você conhece esta parte da história?
Teste-se.
1

HISTÓRIA
Podemos afirmar que o registro rupestre é a primeira manifestação estética da pré-história brasileira, especialmente rica no Nordeste. Além do evidente interesse arqueológico e etnológico das
pinturas e gravuras rupestres como definidoras de grupos étnicos,
na ótica da história da Arte representa o começo da arte primitiva
brasileira. A validade ou não do termo "arte", aplicado aos registros rupestres pré-históricos, é tema sempre discutido, embora toda
manifestação plástica forme parte do mundo das ideias estéticas e
consequentemente da história da Arte. O pintor que retratou nas
rochas os fatos mais relevantes da sua existência tinha, indubitavelmente, um conceito estético do seu mundo e da sua circunstância. A intenção prática da sua pintura podia ser diversificada,
variando desde a magia ao desejo de historiar a vida do seu grupo,
porém, de qualquer forma, o pintor certamente desejava que o desenho fosse "belo" segundo seus próprios padrões estéticos. Ao
realizar sua obra, estava criando Arte. Se as pinturas de Altamira,
na Espanha, ou as da Dordonha, na França, são consideradas, indiscutivelmente, patrimônio universal da arte pré-histórica sabe,
entretanto que, pintadas nas profundidades das cavernas escuras,
não foram feitas para agradar ninguém do mundo dos vivos, não
há motivos aceitáveis para se duvidar ou negar a categoria artística
das nossas expressivas e graciosas pinturas rupestres do Rio Grande do Norte ou do Piauí.
O tipo de suporte e a estrutura são elementos essenciais e determinantes para se compreender o sítio rupestre e a sua utilização.
Os abrigos localizados no alto das serras, ao longo dos rios, como é
o caso da região do Seridó, nos sugere serem lugares cerimoniais,
longe das aldeias, que deveriam estar situadas mais perto da água.
Já os sítios da Serra dos Cariris Velhos, entre a Paraíba e Pernambuco, situados em lugares de várzea, piemonte ou "brejos", mesmo sendo também lugares de culto, nos dão a impressão de uma
utilização habitacional, mesmo que temporária, ou talvez lugar de
culto perto da aldeia do grupo.
Foi precisamente nos sertões nordestinos do Brasil. onde a
natureza é particularmente hostil à ocupação humana, onde se desenvolveu uma arte rupestre pré-histórica das mais ricas e expressivas do mundo, demonstrando a capacidade de adaptação de numerosos grupos humanos que povoaram a região desde épocas que
remontam ao pleistoceno final. No estado atual do conhecimento,
podemos afirmar que três correntes, com seus horizontes culturais,
deixaram notáveis registros pintados e gravados nos abrigos e paredões rochosos do Nordeste brasileiro. A esses horizontes chamamos tradição Nordeste, tradição Agreste e tradição São Francisco
de pinturas rupestres, somam-se as tradições de gravuras sob-rocha, conhecidas como Itaquatiaras. Foram também definidas outras tradições chamadas "Geométrica", "Astronômica", "Simbolista", etc. que podem ser incluídas nas anteriores.
As pesquisas arqueológicas nos sítios da Chapada do Araripe buscam compreender os processos de ocupação, de adaptação
e de subsistência dos antigos grupos ceramistas. Recentemente,
foram incorporadas a estas pesquisas, técnicas de recuperação de
resíduos químicos e biológicos procedentes da mandioca (Manihot
esculenta), com a finalidade de inferir sobre o cultivo e manejo
de vegetais, em contextos doméstico e funerário, ao largo da Pré
-História. Os vestígios vegetais recuperados das cerâmicas ou dos
sedimentos arqueológicos refletem dados culturais sobre antigos
grupos humanos na região, incluindo seus modos de vida e morte,
dieta, cultivo e manejo de plantas, uso e função das vasilhas cerâmicas, além de fornecer dados paleoecológicos e paleoambientais.

Governo-geral
Entretanto, ao contrário do que ocorreu nos Açores, Madeira
e Cabo Verde, as Capitanias hereditárias no Brasil não alcançaram
os resultados esperados. Foram muitas as razões do fracasso. Entre
elas, podem ser considerados a falta de terras férteis, os conflitos
com os povos indígenas, que ofereceram enorme resistência diante
das invasões de suas terras e das tentativas de escravização, e a má
administração. Sem falar no problema da necessidade de recursos
em maior escala, devido a enorme distância que separava a Metrópole, ou seja, Portugal, das terras brasileiras.
As Capitanias que prosperaram foram justamente aquelas em
que os donatários possuíam grande fortuna ou acesso ao crédito
bancário europeu, como Martim Afonso, com a capitania de São
Vicente; e Duarte Coelho, com a capitania de Pernambuco.
Tendo fracassado o sistema de Capitanias, Portugal recorreu
à centralização do poder, estabelecendo na colônia um governogeral. O governo-geral, porém, não se destinava a substituir as
Capitanias hereditárias. Seu principal objetivo foi o de estabelecer
uma autoridade central no território colonial, a fim de coordenar
a administração das capitanias que estavam funcionando de forma autônoma, quase sempre contrariando os interesses da Coroa
portuguesa.
Tomé de Sousa
Assim, em 17 de dezembro de 1548, o rei assinou o Regimento que estipulava as orientações gerais necessárias para o estabelecimento do governo-geral em território brasileiro. Ele criava
os cargos de Governador, Ouvidor-Mor, Provedor-Mor e CapitãoMor. O primeiro Governador-Geral do Brasil foi Tomé de Souza,
que se estabeleceu na Bahia e exerceu seu mandato entre 1549 a
1553. Seus sucessores foram Duarte da Costa, no período de 1553
a 1558; e Mem de Sá, entre 1558 a 1572.
Os governos-gerais asseguraram a ocupação e povoamento da
terras brasileiras estimulando a criação das primeiras cidades, o
estabelecimento de instituições religiosas, a criação dos primeiros
colégios e o incremento das atividades econômicas, principalmente aquelas atividades voltadas para a agricultura e pecuária.
O estabelecimento do governo-geral em território brasileiro
permitiu criar as condições mínimas necessárias para levar adiante
o empreendimento colonial que, nos séculos seguintes, iria gerar
importantes transformações políticas, sociais e econômicas na colônia.

OCUPAÇÃO PRÉ-HISTÓRICA DE
PERNAMBUCO;

O Brasil pré-histórico apresenta-se com tradições rupestres de
ampla dispersão através de suas grandes distâncias e ampla temporalidade. O registro arqueológico e, concretamente, o rupestre
assim o indicam. As tradições rupestres do Brasil não evoluíram
por caminhos independentes; os seus autores ou grupos étnicos
aos quais pertencem, mantiveram contatos entre si, produzindo-se
a natural evolução no tempo e no espaço que nos obriga a estabelecer as subdivisões pertinentes.
Didatismo e Conhecimento

2

HISTÓRIA
Os primeiros resultados paleológicos da cerâmica pré-histórica do Sítio Aldeia do Baião sugerem um ambiente paisagem
composto por vegetação arbórea (tipo Anacardiácea) e herbácea
(Amaranthaceae-Chenopodiaceae e Poaceae), sob influência flúvio-lacustre e ou solos bem drenados (Botryococcus). A presença
de grãos de pólen de plantas cultivadas como o milho (cf. Zea
mays?) e microfungos coprófilos (tipo Sporormiella, Gelasinospora e tipo Sordariaceae) sustentam a hipótese de assentamentos
humanos de longa duração no local. O microfungo Gelasinospora
também reflete o uso do fogo para as práticas agrícolas e caça.
Para prosseguir com o processo de colonização, Portugal recorreu ao sistema de Capitanias hereditárias. Esse sistema já havia
sido empregado com êxito em suas possessões nos Açores, Madeira e Cabo Verde. Ele se baseava na doação de um extenso lote
de terra a uma pessoa ilustre e influente do reino, geralmente um
nobre rico, que passava a ser o donatário e ficava encarregado de
empreender a colonização da terra recebida, investindo nela seus
próprios recursos.

A pintura era realizada com grande variedade de cores: branco,
vermelho, marrom, preto e cinza, com vários motivos de decoração
(desenhos geométricos, faixas e linhas paralelas e cruzadas, pontos
etc.). As vasilhas apresentam bordas diretas ou bordas reforçadas,
bases arredondadas ou cônicas, formas ovoides e esféricas.
Existiam pratos, tigelas e panelas com diâmetro da boca variando de 6 a 80 cm, além de vasilhas com boca oval, quadrangular
ou retangular, com apliques de asa ou alça. Esses grupos produziam também fusos de tear, cachimbos e modelavam pequenos objetos zoomorfos, usados algumas vezes como apliques.
A tecnologia lítica era também rica e diversificada com a obtenção de artefatos como raspadores, facas, mãos de pilão, batedores e moedores, machados, discos, tembetás e pingentes usados
como adorno. As matérias-primas mais usadas foram o quartzo,
quartzito, xisto, calcedônia, sílex e granito.
A origem da agricultura no Nordeste brasileiro remonta 3000
anos, a partir de um número reduzido de populações de caçadorcoletores que possivelmente praticaram a agricultura de subsistência ao redor de suas moradias, o termo agricultura de subsistência
está relacionado à cultura de grãos de cereais e legumes e tubérculos, plantados com a utilização de ferramentas de produção (ex.
pau-de-cavar ou enxada), desmatamento e queima de madeira (ou
coivara).

Ocupações Ceramistas Pré-históricas no Nordeste Brasileiro.
O conhecimento sobre os grupos ceramistas pré-históricos no
Nordeste foi significativamente alterado depois término do Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas, o PRONAPA. O quadro
estabelecido no período de 1965 a 1970 definiu uma separação
bem distinta entre grupos do interior com as "Tradições Regionais" Aratu e Una, e no litoral os grupos da Tradição Tupiguarani.
Posteriormente, na década de 1980 foram identificadas no sertão
pernambucano as fases Croatá e Triunfo, localizadas em áreas de
brejos de altitude e, na Chapada do Araripe, a fase Araripe, todas
filiadas a Tradição Tupigurani. Segundo Albuquerque (1984) os
grupos das fases Croata e Triunfo possuíam aldeias amplas, de tendências circulares, cerâmica decorada com pintura vermelha sobre
engobo branco, decoração plástica e formas que seriam compatíveis com o consumo da mandioca.

Este método conduzia ao esgotamento do solo em curto prazo
e a busca por outros recursos alimentares, como a caça e a coleta
de frutos.
Entorno de 3300 anos AC, a cerâmica produzida apresenta
características formas simples, sendo alisada ou raspada. Cerca
de 2000 anos AC registra-se, no sudeste do estado do Piauí, um
aumento populacional com novos grupos ceramistas.
Esses grupos produziam uma cerâmica com técnicas decorativas variadas com a presença do corrugado, ungulado, escovado,
inciso e pintado. Existe uma diversidade de formas e tamanhos de
vasilhas e grandes urnas funerárias.
.
Em áreas interiores do Nordeste se documenta ainda a ocupação de grupos filiados a Tradição Tupi-guarani desde ca. 1100 anos
AC até o contato europeu.

Os resultados de projetos na área de estudo demonstram que
as populações humanas produziam cerâmicas com características
tecnológicas filiadas aos grupos da Tradição Tupiguarani, originários de ambientes de florestas, despertando, já na década de 1980,
questionamentos sobre o modelo de Floresta Tropical.
Alguns historiadores trabalham com a hipótese de que a
presença de populações pré-históricas de horticultores, naquela
região, estaria vinculada a um processo de adaptação cultural às
condições de semi-aridez ou a condições climáticas mais úmidas,
compatíveis com a expansão dos domínios florestados. O cultivo
da mandioca teria sido um dos principais fatores de adaptabilidade
dos ceramistas Tupiguarani ao sertão nordestino.

O historiador Albuquerque e Lucena, relacionaram essas ocupações às mudanças climáticas ocorridas durante o período Holoceno, devido à expansão e retração de áreas florestadas, como os
brejos de altitude.
Estas áreas são consideradas importantes refúgios de populações humanas pré-históricas, dadas suas condições climáticas e
ecológicas para a sobrevivência e sustentabilidade agrícola desses
grupos.

De modo geral, os grupos que ocuparam a Chapada do Araripe, antes e/ou depois da colonização europeia, produziam uma
cerâmica com bolos de argila, areia e cacos triturados. Sendo modelada, acordelada ou com as duas técnicas associadas.

Ainda, conforme Albuquerque e Lucena, essas populações
humanas estariam relacionadas principalmente com o cultivo de
mandioca, que foi o principal vegetal consumido durante a Pré
-história na América Tropical, incluindo suas variedades mais
importantes: a mandioca-amarga (Manihot esculenta), a mandioca
-brava (Manihot utilissima) e a mandioca-doce (M. aipi).

Apresenta decoração plástica escovada, ungulado, marcado
com cestaria e ponteado. Em alguns objetos ocorre a associação da
pintura e da decoração plástica.
Didatismo e Conhecimento

3

HISTÓRIA
A tecnologia envolvida no preparo, consumo e armazenamento desse tipo de alimento e seus subprodutos inclui uma gama
de artefatos cerâmicos (vasilhames e assadores) e líticos (machados, lascas e raladores), assim como os manufaturados de plantas
(cestarias de palha de palmeiras, algodão e algumas gramíneas)
(PEARSALL, 1992).

As informações sobre o início da ocupação dos grupos ceramistas da tradição Tupi guarani na região do semiárido pernambucano ainda são poucas, sendo aventada a hipótese que esteve provavelmente condicionado ao clima que influenciou a formação de
uma nova onda migratória, sobretudo no Estado de Pernambuco.
Os grupos ceramistas desta tradição sempre estiveram relacionados ao cultivo da mandioca (Manihot esculenta) que representou grande influência socioeconômica e de organização do espaço.
Segundo os dados etnográficos, o plantio da mandioca necessitava
de solos amplos e férteis.

Os dados arqueobotânicos registrados para a região Nordeste
ainda são incipientes. No entanto, seus registros demonstram a influência antrópica nos processos de construção da paisagem.
O registro simultâneo em torno de 4500 anos AC, no Sítio Alcobaça (Pernambuco) (4733 ± 29 e 4243 ± 26 anos AP) pelos vestígios de milho, frutos de palmeiras (babaçu, ouricuri, coquinho),
umbu, frutos de babaçu de cajá e seriguela e no Sítio funerário
Toca do Gongo onde foram recuperados artefatos líticos e cerâmicos, restos de fogões, sementes de avelã, feijão, abóboras e fibras
de caroá, associados a esqueletos de nove enterramentos reforçam
essas hipóteses. Neste sítio também foram registradas espigas de
milho.

As informações etnohistóricas e arqueológicas indicam uma
grande densidade populacional nesta região, no entanto, ainda se
conhece pouco sobre suas formas de subsistência, com escassas
evidências arqueobotânicas nos sítios. A tecnologia empregada na
produção de alimentos, registrada no Sítio Aldeia do Baião inclui
tanto a utilização de material lítico quanto artefatos cerâmicos.
Sítios arqueológicos: Escavações e Artefatos Cerâmicos
Recuperados.
A área arqueológica de Araripina ­PE é composta por um conjunto de 24 sítios arqueológicos e constitui um importante local
de desenvolvimento das culturas humanas. As primeiras prospecções arqueológicas nos sítios da região foram efetuadas na década
de 1980, tendo sua continuidade na década seguinte, a partir de
2005 seguindo até os dias atuais.

Os indícios de ocupação pré-histórica por grupos ceramistas
no sítio Evaristo I (Ceará) está representada pela presença de artefatos cerâmicos e líticos em contextos funerários e domésticos.
Os grãos de pólen de plantas cultivadas (mandioca, batatadoce, abóboras e algodão) e frutíferas (caju e palmeiras), além de
fungos patógenos de plantas cultivadas refletem o modo de vida e
subsistência desses grupos.

Os sítios registrados até o presente na região são divididos em:
a) sítios rupestres em abrigos sob rocha; b) sítios lito-cerâmicos a céu aberto; e c) sítios de oficinas líticas.

Os macro- e microvestígios botânicos preservados em sítios
arqueológicos também reforçam a presença da cultura material das
populações humanas pré-históricas. As plantas utilizadas por estes
grupos são muitas vezes elementos derivados da modificação humana (i.e., cultivo, domesticação).

Dos vinte e quatro sítios arqueológicos lito-cerâmicos identificados, até o momento, no município de Araripina-PE, nove sítios
estão inseridos na área de vale fluvial e quinze nos domínios da
chapada.
Esses sítios, de modo geral, apresentam uma cerâmica de
grande riqueza de formas e tamanhos; com objetos de boca arredondada, elíptica e quadrangular; com contornos globulares, multiflexionados e multiangulares.

Assim, tendo em consideração o cultivo e preparação de alimentos, propõe uma divisão na tradição cerâmica Tupi-guarani,
com a subtradição Tupinambá ou Pintada na região Leste e Nordeste e subtradição Guarani ou Corrugada na região Sul.

Sugerindo a existência de uma ampla tralha doméstica destinada preparar, servir e armazenar alimentos sólidos e líquidos. Por
sua vez, a presença de manchas húmicas e áreas de concentração
de material em diversos sítios, contribuem para as análises da organização espacial intra e inter-sítio; sendo ainda um importante
manancial de macro- e microvestígios vegetais, tendo em consideração a influência antrópica e a alta concentração de matéria orgânica como parte do processo de formação destes solos.

A primeira possuiria vasilhas como pratos e tigelas de base
plana, com perímetro de boca oval ou quadrangulóide, sendo ideais
para o beneficiamento da mandioca; a segunda, ou seja, subtradição Guarani, vasilhas como jarras e tigelas carenadas com base
redonda ou cônica, próprias para o preparo de grãos como o milho. Etnograficamente os "Tupi-Guarani cultivam principalmente
mandioca, milho, batata doce, cará, feijões, abóboras, amendoim
e pimenta, além do fumo, algodão, cabaça, cuias, corantes (urucu,
jenipapo) e, no caso dos Guarani, o mate.

Estas investigações contribuirão, tanto para a definição das
condições ambientais e climáticas pretéritas, quanto para a compreensão da dieta alimentar, incluindo o processo de produção e
consumo de alimentos, e manejo agrícola entre os grupos ceramistas no sertão nordestino.

Os Tupi baseavam sua alimentação principalmente nas variedades tóxicas da mandioca (mandioca amarga, brava ou venenosa)
consumido-as como farinha, beiju e bebidas fermentadas alcoólicas os relatos etnohistóricos acrescidos de dados arqueobotâmicos
são a base para as aproximações a respeito das interações humanas
e as plantas.
Didatismo e Conhecimento

Sem dúvidas, há uma forte correlação entre a fabricação da
cerâmica e a prática da agricultura (agricultores-ceramistas), o uso
da cerâmica não é dependente do domínio da agricultura.
4

HISTÓRIA
Essas premissas darão suporte aos estudos palinológicos, uma
vez que, ao determinar o paleoambiente podemos inferir sobre o
modo de vida, o tempo de permanência e a captação de recursos
vegetais pelas comunidades pré-históricas e suas relações paleoetnobotânicas,

Existiam os aldeamentos dos Garanhuns, próximo à cidade
do mesmo nome; dos Carapatós, Carnijós ou Fulni-ô, em Águas
Belas; dos Xucurus, em Cimbres; dos Argus, espalhados da serra
do Araripe até o rio São Francisco; dos Caraíbas, em Boa Vista; do
Limoeiro na atual cidade do mesmo nome; as aldeias de Arataqui,
Barreiros ou Umã,
Escada, da tribo Arapoá-Assu, nas margens dos rios Jaboatão e Gurjaú; a aldeia do Brejo dos Padres, dos índios Pankaru
ou Pankararu; aldeamentos em Taquaritinga, Brejo da Madre de
Deus, Caruaru e Gravatá.

CARACTERÍSTICAS SOCIOCULTURAIS
DAS POPULAÇÕES INDÍGENAS QUE HABITAVAM O TERRITÓRIO DO ATUAL ESTADO DE PERNAMBUCO, ANTES DOS PRIMEIROS CONTATOS EURO-AMERICANOS.

No século XIX, a região do atual município de Floresta e
diversas ilhas do rio São Francisco se destacava pelo grande número de aldeias, onde habitavam os índios Pipiães, Avis, Xocós,
Carateus, Vouvês, Tuxás, Aracapás, Caripós, Brancararus e Tamaqueús.

Quando os primeiros europeus chegaram ao território brasileiro, no início do século XVI, vários grupos indígenas ocupavam
a região Nordeste. No litoral, predominavam as tribos do tronco
linguístico tupi, como os Tupinambás, Tabajaras e os Caetés, os
mais temíveis. No interior, habitavam grupos dos troncos linguísticos Jê, genericamente denominados Tapuias.

O desaparecimento da maioria das tribos deve-se às diversas
formas de alienação de terras indígenas no Nordeste ou da resolução do Governo de extinguir os aldeamentos existentes.
Dos grupos que povoaram Pernambuco, salvo alguns sobreviventes, pouco se sabe. O fato dos índios não possuírem uma linguagem escrita, dificultou muito a transmissão das informações.

Como em outras regiões brasileiras, a ocupação do território
em Pernambuco começou pelo litoral, nas terras apropriadas para
a agroindústria do açúcar, onde os indígenas eram utilizados pelos portugueses como mão-de-obra escrava nos engenhos e nas
lavouras, especialmente por parte daqueles que não dispunham de
capital suficiente para comprar escravos africanos.

Existem legalmente em Pernambuco, sete grupos indígenas:
os Fulni-ô, em Águas Belas; os Pankararu, nos municípios de Petrolândia e Tacaratu; os Xucuru, em Pesqueira; os Kambiwá, em
Ibimirim, Inajá e Floresta; os Kapinawá, em Buíque os Atikum,
em Carnaubeira da Penha e os Truká, em Cabrobó. Esses três últimos grupos foram identificados mais recentemente.

Após um período de paz aparente, os índios reagiram a esse
regime de trabalho através de hostilidades, assaltos e devastações
de engenhos e propriedades, realizados principalmente pelos Caetés, que ocupavam a costa de Pernambuco.

Após terem passado por uma série de mudanças ambientais e
culturais, esses índios conseguiram sobreviver e, apesar de terem
estabelecido contato com os não índios, alguns ainda conservam,
ainda que precariamente, traços da sua tradição.

A guerra e a perseguição dos portugueses tornaram-se sistemáticas, fazendo com que os índios sobreviventes tivessem que
emigrar para longe da costa. Porém, a criação de gado levou os
colonizadores a ocupar terras no interior do Estado, continuando
assim a haver conflitos.

Todos se auto identificam como indígenas e pouco se diferenciam uns dos outros racial ou culturalmente. Devido à forte miscigenação com brancos e negros, a sua aparência física perdeu a
identidade.

As relações entre os criadores de gado e os índios, no entanto,
eram bem menos hostis do que com os senhores de engenho, mas
a sobrevivência das tribos, que não se refugiavam em locais remotos, só era possível quando atendia aos interesses dos criadores e
não era assegurada aos indígenas a posse de suas terras.

São índios aculturados, mas que mantêm sua sociedade à parte. As tradicionais figuras do cacique e do pajé, ainda sobrevivem
em todos os grupos, assim como o tore é dançado em todas as comunidades, não apenas como divertimento, mas também na transmissão de traços culturais. Com exceção dos Fulni-ô, nenhum dos
grupos conservou o idioma tribal.

Durante os dois primeiros séculos do Brasil Colônia, as missões religiosas jesuíticas eram a única forma de proteção com que
os índios contavam. Com a expulsão dos jesuítas, em 1759, os
aldeamentos permaneceram sob a orientação de outras ordens religiosas, sendo entregues, posteriormente, a órgãos especiais, porém
as explorações e injustiças contra o povo indígena continuaram
acontecendo.

O índio teve uma grande influência na formação étnica, na
cultura, nos costumes e na língua portuguesa falada no Brasil.
Em Pernambuco, palavras como Gravatá, Caruaru, Garanhuns e
bairros do Recife com Parnamirim e Capunga, estão associados a
antigos locais de moradia indígena.
Atualmente, os principais problemas enfrentados pelos grupos
indígenas pernambucanos são os conflitos entre facções rivais da
tribo Xucuru; a influência do tráfico de drogas entre os Truká e a
invasão de terras pertencentes aos Fulni-ô. Pernambuco é o quarto
Estado do Brasil em número de indígenas.

Através de algumas fontes, dizem que nos séculos XVIII e
XIX uma quantidade indeterminada de índios foi aldeada no território pernambucano, mas aparentemente não há registros de sua
procedência.
Didatismo e Conhecimento

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HISTÓRIA
Conheça a história das tribos que habitavam o território pernambucano. Origens e costumes. As lutas pela posse da terra. Os
remanescentes que tentam escapar da morte em emboscadas.

A CAPITÂNIA DE PERNAMBUCO:
A GUERRA DOS BÁRBAROS:
A LAVOURA AÇUCAREIRA E MÃO DE
OBRA ESCRAVA; A GUERRA
DOS MASCATES

Atualmente, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai),
vive em Pernambuco um total de 25.726 remanescentes dos povos
indígenas que primitivamente habitavam no Estado.
Eles estão assim distribuídos: Pankararu, 4.062 pessoas;
Kambiwá, 1.400; Atikum, 4.506; Xucuru, 8.502; Fulni-Ô, 3.048;
Truká, 2.535; Tuxá, 47; Kapinawá, 1.035; Pipipãs, 591 pessoas.
Sobrevivendo em situação precária e, muitas vezes, sendo
mortos em emboscadas como vem ocorrendo desde 1986 com os
Xucurus, no município de Pesqueira, esses remanescentes indígenas ainda guardam um pouco da cultura dos índios pernambucanos, massacrados ao longo dos séculos.
Conheça seus modos de viver:

A Capitania de Pernambuco foi uma das divisões do território
da colônia portuguesa do Brasil, doada pelo rei de Portugal, Dom
João III a Duarte Coelho Pereira (1534). Constituiu-se na Província, na época da Independência e, após a Proclamação da Republica Brasileira, no Estado de Pernambuco.

A tribo Fulni-Ô:Também conhecidos como Carnijó ou Carijó,
vivem do artesanato e agricultura de subsistência no município de
Águas Belas. Conservam o idioma Yathê e alguns rituais como o
Ouricuri.

O Rei de Portugal, Dom João III, instituiu o sistema de capitanias hereditárias como forma de ocupação e colonização do Brasil,
dividindo o territorio em quinze (15) lotes ­ capitanias hereditárias
­ as quais doou a súditos que haviam prestado relevantes serviços
ao reino.

Kambiwá: O grupo ocupa uma área de 27 mil hectares de terra
entre os municípios de Ibimirim, Inajá e Floresta, desenvolvendo
agricultura de subsistência.
Pankararu: Seus remanescentes estão distribuídos em 14 mil
hectares de terra entre os municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, conservando algumas de suas festas tradicionais como a
Festa do Menino do Rancho e o Flechamento do Umbu.
Atikum: Esses índios ocupam uma área de 16 mil hectares
no município de Carnaubeira da Penha, vivem da agricultura de
subsistência.
Xucuru: Vive na região da Serra do Ororubá, município de
Pesqueira, conservam algumas festas religiosas como a de Nossa
Senhora da Montanha e praticam a agricultura de subsistência.
Truká: Grupo de remanescentes indígenas que vivem da agricultura no município de Cabrobó.
Kapinawá: Vivem na localidade de Mina Grande, no município de Buíque Tuxá: Grupo de 41 índios assentados em um acampamento da Chesf, no município de Inajá, depois que suas terras
foram inundadas pelo lago da hidrelétrica de Itaparica.
Pipipã: Esses índios viviam nas caatingas entre os vales dos
rios Moxotó e Pajeú e foram praticamente dizimados em meados
do século XVIII. Atualmente, existe um pequeno grupo de remanescentes no município de Floresta, na região do Rio São Francisco.
Xucurus: os índios marcados para morrer

O sistema fora utilizado pelo governo português na Ilha da
Madeira, em Cabo Verde, nos Açores e em São Tome, doando
terras em caráter vitalício e hereditário a cidadãos da nobreza ­
donatários -, governadores das capitanias. O territorio de cada
capitania, no Brasil, ia do litoral até o limite estipulado no Tratado
de Tordesilhas.
Os donatários tinham a tarefa de governar, colonizar, resguardar e desenvolver a região com recursos próprios. A Coroa portuguesa ocupava o território do Brasil e fazia dele fonte de lucro.
A Capitania de Pernambuco foi outorgada a Duarte Coelho
Pereira, por Carta de Doação lavrada a 10 de março de 1534, recebendo o título de Capitão e Governador das terras de Pernambuco.
A Capitania, a que o donatário chamou de Nova Lusitânia,
homenagem à origem da pátria, se estendia entre o rio Igaraçu e
o rio São Francisco, compreendendo: Sessenta léguas de terra da
costa do Brasil, as quais começarão no rio São Francisco, que é
do Cabo de Santo Agostinho para o Sul, e acabarão no rio que
cerca em redondo toda a Ilha de Itamaracá, ao qual ora novamente
ponho nome de Rio Santa Cruz, e mando que assim se nomeie e
chame daqui por diante e isto com tal declaração que ficará com
o dito Duarte Coelho a terra do Sul (...) e ficará com o dito Duarte
Coelho a terra da banda Sul, e o dito rio onde Cristovão Jacques
fez a primeira casa de minha feitoria.
E a cinquenta passos da dita casas da feitoria pelo rio adentram ao longo da praia se porá um padrão de minhas armas, e do
dito padrão se lançará uma linha ao Oeste pela terra firme adentro
e a terra da dita linha para o Sul será do dito Duarte Coelho, e do
dito padrão se lançará uma linha cortando a Oeste pela terra firme
adentro, e da dita linha para o Sul será do dito Duarte Coelho, e do
dito padrão pelo rio abaixo para a barra e mar, ficará assim mesmo
com ele Duarte Coelho a metade do dito rio de Santa Cruz para

Didatismo e Conhecimento

6

HISTÓRIA
a banda do Sul e assim entrará na dita terra e demarcação dela
todo o dito Rio de São Francisco e a metade do Rio de Santa Cruz
pela demarcação sobredita, pelos quais rios ele dará serventia aos
vizinhos deles.

ria dos portugueses, sob o comando do capitão Afonso Gonçalves
fez vir, muitos parentes com suas mulheres e filhos, que passaram
a lavrar a terra entre os moradores anteriores, plantando mantimentos e cana de açúcar, para que o capitão donatário começou a
construir um engenho.
A povoação foi elevada a categoria de vila em data não precisa,
provavelmente em 1564, quando foi estabelecida estrutura administrativa da Vila, dotando-a de autonomia politica, administrativa
e econômica. A frequesia dos Santos Cosme e Damião foi criada
em 1594.
Não sendo a povoação de Igaraçu local adequado onde as defesas pudessem resistir a ataques indígenas e de corsários e outros
inimigos, seguiu Duarte Coelho em direção ao Sul, procurando um
sítio adequado à edificação de uma povoação que se tornasse o centro de sua administração.
Encontrou nas sete colinas situadas defronte ao mar, onde existira a aldeia indígena de Marim dos Caetés o local dos seus sonhos.
A vista era de uma beleza deslumbrante, vista até os dias de hoje, e
encantou o donatário.
Cessando as lutas com os naturais da terras, edificou Duarte
Coelho a povoação de Olinda, naquele local de rara beleza, alto e
com ampla visão do oceano, ideal para a defesa. Circula até hoje
ma boca dos guias mirins de Olinda do seu povo a lenda que o
donatário teria exclamado: Ó linda situação para fundar uma vila!
A povoação foi elevada a vila, recebendo este nome em 12 de
março de 1537, fazendo o donatário a doação da terras para a Vila.

De uma parte e da outra, e havendo na fronteira da dita demarcação algumas ilhas, hei por bem que sejam do dito Duarte
Coelho, e anexar a esta sua capitania sendo as tais ilhas até dez
léguas ao mar na frontaria da dita demarcação pela linha Leste, a
qual linha se estenderá do meio da barra Rio de Santa Cruz, cortando de largo ao longo da costa, e entrarão na mesma largura pelo
sertão e terra firme adentro, tanto quanto poderem entrar e for de
minha conquista, a terra pela sobredita demarcação assim lhe faço
doação e mercê de juro e herdade para todo o sempre como e que
Duarte Coelho, e todos os seus herdeiros e sucessores, que a dita
terra herdarem e sucederem se possam chamar capitães e governadores delas.
A metade da barra Sul do canal de Itamaracá (rio de Santa
Cruz) até 50 passos além do local onde existira a primitiva feitoria
de Cristóvão Jacques, demarcava o limite Norte; ao Sul, o limite
da capitania era o rio São Francisco, em toda a sua largura e extensão, incluindo todas suas ilhas da foz até sua nascente.
O território da capitania infletia para o Sudoeste, acompanhando o curso do rio, alcançando suas nascentes no atual Estado
de Minas Gerais. Ao Norte, o soberano estabeleceu o traçado de
uma linha para o Oeste, terra adentro, até os limites da conquista,
definidos no Tratado de Tordesilhas, isto é, as terras situadas até
370 léguas a Oeste das Ilhas do Cabo Verde.
As fronteiras da capitania abrangiam todo o Estado de Alagoas (antiga Comarca das Alagoas) e o Oeste do Estado da Bahia
(antiga Comarca do São Francisco) terminavam ao Sul, fazendo
fronteira com o atual Estado de Minas Gerais. Graças à posse deste
importante rio, em toda sua extensão e largura, Pernambuco crescia na orientação Sudoeste, ultrapassando em largura em muito as
60 léguas estabelecidas na carta de doação.
Duarte Coelho Pereira recebeu a doação e partiu para o Brasil, trazendo a esposa Brites de Albequerque, e muitos parentes
e amigos , pocedendo assim as famílias Albuquerque Maranhão.
João Gomes de Melo, casou com Ana de Holanda, originando a
Família Melo.
Duarte Coelho desembarcou no porto da Ilha de Itamaracá,
chamado de Pernambuco Velho, em 9 de março de 1535, e tomou
posse da Capitania. Acompanhava-o essa verdadeira corte, constituida na maioria de nobreza do norte de Portugal, os quaisdiferentes da maioria dos demais colonizadores, para receber terras,
cultivar as terras e nelas se estabelecendo, fazendo a prosperar.
A hístoria diz que desembarcou às margens do rio de Santa
Cruz, onde havia um núcleo de povoamento, que passsou a chamar
Sítio dos Marcos, porque alí se demarcam as terras da Capitania de
Pernambuco com as Terras de Itamaracá, onde existiria a feitoria
régia para tráfico de pau brasil e uma fortaleza de madeira, na qual
se abrigaram Duarte Coelho e sua comitiva.
O donatário incubiu a Afonso Gonçalvez, seu companheiro de
jornada da Índia, que erigisse a Vila de Igaraçu. Segundo a tradição
oral a cidade foi fundada em 27 de setembro de 1535, após a vitó-

Didatismo e Conhecimento

As vilas eram colonizadas pelos europeus, índios e negros, os
dois últimos povos foram feitos como escravos. O papel de Duarte
Coelho era o de colonizar, explorar as terras e arrecadar impostos.
Na região foram construídos vários engenhos, já que a terra era
fértil e a cana-de-açúcar foi muito bem adaptada ao solo.
A Capitania começou a prosperar e isso atraiu os olhares dos
holandeses, que encabeçados pelo Conde Maurício de Nassau, invadiram toda a região, além da Paraíba e do Rio Grande do Norte,
durante os anos de 1630 a 1654. Fixaram-se então em Recife, primeiro devido a sua geografia plana e segundo, por terem ateado
fogo em Olinda.
O domínio holandês foi positivo para a região, porque eles planejaram e construíram ruas e pontes, através de grandes nomes de
profissionais da Europa da época, dando ao Recife o ar de uma cidade, longe do papel que tivera outrora como um porto para escoar
a produção local.
Em 1645 deu-se início ao longo processo de expulsão dos holandeses das Capitanias, a chamada Insurreição Pernambucana, que
durou aproximadamente dez anos, até que no primeiro mês de 1954
completamente esgotados, os holandeses se renderam deixando as
regiões em pleno desenvolvimento, como a cidade de Recife que
contava com os comerciantes e mascates e ainda com todo vapor
da produção de cana-de-açúcar em Olinda, habitada pelos senhores
de engenho.
A paz não voltou a reinar por muito tempo. Os senhores de
engenho que ocupavam Olinda acreditavam que tinham dinheiro
para a vida inteira, até que a crise do açúcar no mercado externo
colocou tudo a perder. Eles então acharam no direito de pedir dinheiro para os comerciantes de Recife, já que julgavam que Olinda
era a principal cidade.
Os comerciantes que de bobos não tinham nada, foram pedir
para os portugueses a liberdade de Recife e o reconhecimento do
lugar como uma vila, o que logo foi acatado. Os senhores do en7

HISTÓRIA
genho não gostaram e resolveram intervir dando inicio a Guerra
dos Mascates, em 1710. O conflito durou cerca de 1 ano, e pela
primeira vez a palavra "República" foi mencionada no país, pois
os líderes do movimento queriam que Pernambuco se tornasse uma
República.
A Guerra terminou devido às intervenções das autoridades coloniais. No mesmo ano, Recife passou a ocupar igualmente a mesma posição de Olinda. Dessa forma, ficou claro que o comércio
tinha mais poder capital do que a produção colonial. Pernambuco
ainda foi palco de diversos conflitos, como a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador e a Revolução Praieira.
Após a Proclamação da República no Brasil, o estado investiu
em desenvolvimento industrial e de infraestrutura, tendo na atualidade como principal fonte econômica: o turismo, devido às belas
praias do seu território.

"Os flamengos tinham incendiado as casas principais, queimados livros de registros". Com isto, o governo tomou medidas
para uma reorganização da Capitania reconstruindo edifícios, a
defesa da cidade e também deu início a uma política de povoamento como dito anteriormente. Os colonos que faziam do interior
sua morada, com a escassez de recursos para adquirirem escravos
africanos, iam à captura dos nativos.
Se tratando do processo de colonização do sertão o Rio Grande, este sobreveio de maneira intensa apenas no final do ano de
1670 e o início de 1680.
Este processo não se deu de forma pacífica, pois coincide com
o início da Guerra dos Bárbaros ou Guerra do Açu.
Foi neste período que os grupos indígenas se organizaram no
sentido de resistir e defender as suas terras. Esse evento certamente
seria marcado por uma série de conflitos desencadeados entre os
indígenas e colonos habitantes do interior da capitania, que resultou no movimento expansionista português que, por sua, provocou
o devassamento desta região concluindo assim, com a ratificação
de várias tribos indígenas.

A Guerra dos Bárbaros:
Foi o nome dado à violência do homem branco oriundo de
Portugal para com os índios, a população originalmente brasileira.
Para os indígenas, o fato de terem sido "descobertos" já constitui
um drama de proporções enormes. Os brancos com sua avidez e
cobiça, negavam respeito a tudo. O que era considerado valoroso,
em especial as terras, certamente consistia em alvo dos seus interesses.

A sociedade no período do açúcar era marcada pela grande
diferenciação social. No topo da sociedade, com poderes políticos
e econômicos, estavam os senhores de engenho. Abaixo, aparecia
uma camada média formada por pessoas livres (feitores, capatazes,
padres, militares, comerciantes e artesãos) e funcionários públicos.

Partindo desta ótica é que se deu início ao que se intitula de
luta pela terra e certamente é aqui que devemos aguçar a procura
pelos motivos da má distribuição das terras.

E na base da sociedade estavam os escravos, de origem africana, tratados como simples mercadorias e responsáveis por quase
todo trabalho desenvolvido na colônia.
Era uma sociedade patriarcal, pois o senhor de engenho exercia um grande poder social.
O conforto da casa-grande contrastava com a miséria e péssimas condições de higiene das senzalas (habitações dos escravos).
A uma sociedade patriarcal, pois o senhor de engenho exercia um
grande poder social. As mulheres tinham poucos poderes e nenhuma participação política, deviam apenas cuidar do lar e dos filhos.

Ora, não era algo bom para os índios aceitar estes roubos e
também as muitas violações dos seus direitos considerados mais
elementares. Isto gerou a necessidade de os "selvagens" se defenderem. Portanto, é nesta perspectiva que damos início à discussão
do período mais intenso da sua resistência na nossa região, trata-se
do que chamamos de "A Guerra dos Bárbaros".
"Os brancos associavam o nome bárbaro aos índios, considerados por eles como adversários, devido à resistência indígena,
pois `bárbaros' seriam aqueles que se recusavam a aceitar o poder
e a cultura dos homens brancos".

Administração colonial Após a tentativa fracassada de estabelecer as capitanias hereditárias, a coroa portuguesa estabeleceu
no Brasil um Governo-Geral como forma de centralizar a administração, tendo mais controle da colônia. As capitanias hereditárias
fracassadas foram transformadas em capitanias gerais.

Esse conflito foi um movimento de resistência dos índios brasileiros à dominação portuguesa que surgiu entre 1650 e 1720 e
que, se deu após a expulsão dos holandeses quando os portugueses
deram início à sua conquista pelo interior do Brasil, ou seja, ao
projeto colonizador que consistia em "consolidar a colonização da
faixa litorânea e, sobretudo, iniciar a marcha de conquista de áreas
interioranas".

O primeiro governador-geral foi Tomé de Sousa, que recebeu
a missão de combater os indígenas rebeldes, aumentar a produção
agrícola no Brasil, defender o território e procurar jazidas de ouro
e prata. Também começavam a existir câmaras municipais, órgãos
políticos compostos pelos "homens-bons".

A Capitania do Rio Grande acabou servindo como palco das
maiores batalhas durante o conflito iniciado no ano de 1683, mas
que teve maior relevância no ano de 1687. Diversos grupos de índios se envolveram no conflito contra os missionários, soldados e
outros agentes da coroa que estavam empenhados em abrir espaço
para a criação de gado.

Estes eram os ricos proprietários que definiam os rumos políticos das vilas e cidades. O povo não podia participar da vida
pública nesta fase. As instituições municipais eram compostas por
um alcaide que tinha funções administrativas e judiciais, juízes ordinários, vereadores, almotacés e os homens bons. As juntas do
povo decidiam sobre diversos assuntos da Capitania.

Após a expulsão dos holandeses, um quadro de desolação tomou conta da Capitania Rio Grande: "ficou devastada, a população
quase desapareceu". Gados e plantios foram destruídos.

Didatismo e Conhecimento

8

HISTÓRIA
A economia açucareira.

Em 1709, os comerciantes portugueses conhecidos como
"mascates" tiram Recife da condição de "povoado" para se torná
-lo uma "vila", dando-lhe direito a ter sua própria Câmara Municipal e tornar-se independente da elite agrária de Olinda. Os olindenses ficaram abalados com a situação, pois temiam ser cobrados
pelos empréstimos que pediram.

A base da economia colonial era o engenho de açúcar. O senhor de engenho era um fazendeiro proprietário da unidade de produção de açúcar. Utilizava a mão-de-obra africana escrava e tinha
como objetivo principal a venda do açúcar para o mercado europeu. Além do açúcar destacou-se também a produção de tabaco e
algodão. As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou seja,
eram grandes fazendas produtoras de um único produto, utilizando
mão-de-obra escrava e visando o comércio exterior.

Sendo assim, em 1710 os olindenses invadem Recife e conseguem dominar temporariamente a câmara da cidade. Entretanto,
uma investida militar articulada pelos portugueses reagiu contra
os senhores de engenho, contando com o apoio de políticos de
capitanias próximas.

O Brasil se tornou o maior produtor de açúcar nos séculos XVI
e XVII. As principais regiões açucareiras eram a Bahia, Pernambuco, parte do Rio de Janeiro e São Vicente (São Paulo). O Pacto
Colonial imposto por Portugal estabelecia que o Brasil (Colônia)
só podia fazer comércio com a Metrópole, não devendo concorrer
com produtos produzidos lá. Logo, o Brasil não podia produzir
nada que a Metrópole produzisse. Desta forma foi estabelecido um
monopólio comercial.

No ano seguinte, ainda com a guerra entre recifenses e olindenses, a Coroa portuguesa exigiu que a situação fosse normalizada entre eles e nomeou Félix José de Mendonça, que havia apoiado
os mascates, para governar o local. Para que não houvesse sustentação do conflito, Félix estabeleceu que Recife e Olinda que devessem revezar semestralmente a administração de Pernambuco.
A base da sociedade colonial brasileira era formada pelos negros escravos.

O monopólio foi de certa forma imposta pelo governo da Inglaterra a Portugal, com o objetivo de garantir mercado aos comerciantes ingleses. Portugal nunca chegou a ter uma indústria
significativa e desta forma dependia das manufaturas inglesas.
Portugal se beneficiava do monopólio, mas o país era dependente
da Inglaterra. A colônia vendia metais, produtos tropicais e subtropicais a preços baixos, estabelecidos pela metrópole, e comprava
dela produtos manufaturados e escravos a preços bem mais altos,

O trabalho compulsório, em processo de extinção na Europa,
foi adotado no Novo Mundo dadas as condições da formação e
consolidação do capitalismo comercial: no século XVI, o objetivo
maior das potências europeias era o acúmulo de riqueza e, para
atingi-lo, foi utilizado em diversas colônias da América, o trabalho
escravo, no caso português, a opção teve como incentivo a escassez de mão de obra livre pela falta de excedente populacional na
metrópole que pudesse suprir as necessidades coloniais.

garantindo assim o lucro de Portugal em qualquer das transações.

Recife, que até então era uma cidade que vivia às sombras de
Olinda, estava se tornando um importante polo urbano graças ao
seu extenso porto e ao estímulo à prática comercial. Durante a estadia dos holandeses, a atual capital pernambucana era o principal
centro administrativo, contribuindo para seu gradual crescimento
econômico e independência do setor açucareiro de Olinda.

Além disso, quem seria o trabalhador livre que, chegando ao
território brasileiro e deparando-se com a imensidão de terra ociosa, estaria disposto a trabalhar em troca de um salário na propriedade de outros?
E ainda, o tráfico de africanos era um negócio altamente rentável para os mercadores lusos, que detinham o monopólio desse
setor do comércio internacional.
O tráfico escravista: negros num navio "tumbeiro"
"Os escravos são as mãos e os pés dos senhores de engenho",
afirmava, em 1711, o jesuíta Antonil, observando a importância
econômica dos escravos na sociedade patriarcal brasileira.
Eram eles que desempenhavam todas as atividades produtivas no universo do engenho: trabalhavam nos canaviais, plantando
e colhendo cana; cuidavam da transformação da cana em açúcar
na fábrica dos engenhos; dedicavam-se a todas as atividades domésticas da casa-grande, como cozinheiras, costureiras, mucamas,
cocheiros, amas de leite, moleques de recado entre outras; mantinha, na maioria das vezes, uma roça de onde extraíam parte de
sua subsistência; e tratavam dos animais e de todos os afazeres
necessários à sobrevivência do engenho.

Com a crise do açúcar, os senhores de engenho olindenses
pediram empréstimos aos comerciantes de Recife para tentar alavancar novamente a venda do produto. Vendo a economia de sua
cidade ir por água abaixo, a Câmara Municipal de Olinda, que via
Recife como "povoado", decidiu elevar o preço dos impostos de
seus contribuintes mercadores.

Também nas cidades, os escravos eram responsáveis por todas
as atividades que demandassem qualquer espécie de esforço físico.
A primeira leva de escravos africanos desembarcou no Brasil
em 1550, no porto de Salvador. Ao longo do período colonial e até
a extinção da escravidão no Brasil, milhões de negros, capturados
na África e transportados em tumbeiros, vieram para as terras brasileiras, para trabalhar nas mais diversas atividades econômicas.

Foi um conflito gerado no estado de Pernambuco entre os comerciantes de Recife e os latifundiários de Olinda, em 1711, para
determinar quem detinha o poder central do estado.
A definitiva expulsão dos holandeses em 1654 havia deixado
Pernambuco em uma grave situação econômica, pois todo o investimento na extração do açúcar foi abalado com a baixa do produto
no cenário internacional. Os olindenses, que controlavam o produto, perderam seus lucros com o domínio holandês do açúcar das
Antilhas, fazendo com que aumentasse a concorrência e quebrasse
o monopólio pernambucano.

Didatismo e Conhecimento

9

HISTÓRIA
Os principais grupos de africanos desembarcados no Brasil
foram os sudaneses, originários da Nigéria, Daomé (hoje, Benin)
e Costa do Ouro, contando com grupos islamizados, denominados
malês, e os bantos, de Angola, Congo e Moçambique.

A participação no governo político significava alta consideração pela dignidade episcopal, mas implicava num envolvimento
profundo nos prelados na política colonialista, passando a serem
defensores e porta-vozes, em certo sentido. Mesmo assim, houve
bispos que protestaram ou simplesmente não se conformaram com
as imposições da metrópole, sendo muitos chamados até Portugal
para prestar contas de suas atuações ou afastadas da sede episcopal
e exiladas.

AS INSTITUIÇÕES ECLESIÁSTICAS E A
SOCIEDADE COLONIAL

Nem mesmo isso permitiu que a estrutura do regime fosse
questionada dos bispos ao poder civil se torna mais patente. A Igreja do Brasil teve um caráter predominantemente leigo, por força da
instituição do padroado.

Em 1553 começam os famosos movimentos jesuíticos, com
José de Anchieta e Nóbrega e as conhecidas experiências de aldeamentos. Havia uma aliança entre os padres jesuítas com o poder
colonizador, porém isto não nos pode fazer perder de vista o valor
missionário da experiência jesuítica.

Os leigos participavam ativamente nas construções das igrejas,
nos atos do culto e na promoção de devoções. Um dado histórico
importante ocorrido na época foi o caso da Confederação dos Tamoios, sendo os fatos ocorridos o seguinte: na conquista da região
da Guanabara, atual Rio de Janeiro, os portugueses encontraram
entre 1554 e 1567 forte oposição por parte de uma confederação
entre indígenas tupinambás, goitacazes e aimorés, que se deram o
nome de "tamoios", que em língua tupi quer dizer: nativos, gente
do lugar, velhos da terra. Era uma guerra entre brasileiros nativos,
defensores de seu lugar e que tinham consciência do lugar brasileiro, e portugueses novatos, invasores do lugar brasileiro, intrusos.

Os jesuítas que acompanharam Tomé de Sousa na sua expedição ao Brasil em 1549 se transformarão nos baluartes de defesa da
liberdade dos índios, muitas vezes violada pelos colonos em vista
da necessidade de braços nas lavouras.
Esses jesuítas foram indiscutivelmente os pioneiros da educação no Brasil. Até 1759, data em que Pombal os expulsou, tiveram
eles absoluta liderança no setor da educação. Embora o que mais
se ressalte seja a obra catequética e evangelizadora, o ponto mais
alto de sua atividade está no campo educacional. Já no século XVI
os principais centros urbanos do Brasil, como Salvador, Rio de
Janeiro, São Paulo, contavam com colégios jesuítas.

Dentre os demais efeitos surtidos do episódio e da luta que se
travou, este movimento em prol da dignidade humana e da fraternidade perdida pelo sistema colonial formou a religião popular no
Brasil.
O povo, que acostumou ser vendido, traído, humilhado e sangrado, não perdeu a sua dignidade, mas transformou os símbolos
da religião dos dominadores em símbolos de sua fé em Deus, de
sua paciência apesar de tudo, de sua dignidade, em situações de
extrema miséria e degradação, de forma que o catolicismo popular,
consoante expõe J. B. Lassègue se tornou a expressão mais valiosa do evangelho na realidade brasileira.

Ao lado da formação dos futuros jesuítas, que continuou sendo sempre uma das finalidades dos colégios, o alto nível intelectual desses estabelecimentos de ensino preparou os homens que
assumiram a liderança do Brasil colônia.
Os franciscanos tiveram a sua fase de estabelecimento em
conventos a partir de 1585, com a criação da custódia de Santo
Antônio em Olinda. A partir de 1617, a atenção se volta para o
Maranhão, surgindo um novo impulso a partir de 1657, quando
a Custódia de Olinda é elevada a província, recebendo da coroa
novo missões entre Bahia e Paraíba que conserva até meados do
séc. XIX (1863).
Com relação à história dos indígenas no primeiro período
colonial, é marcante a sua eliminação nas regiões ocupadas pelo
branco. Através de alguns conflitos que surgiram desde o início
da evangelização, podemos detectar provas do verdadeiro espírito
missionário que animava muitos missionários, como o ocorrido na
Paraíba, entre franciscanos e jesuítas, não sendo uma mera discórdia entre clero secular e regular, e sim uma questão de tomada de
posição frente ao poder colonial.

Quanto à formação de vocações nativas, é importante destacar
que até a expulsão dos jesuítas no ano de 1759, a formação do
clero religioso e do clero diocesano esteve nas mãos de grandes ordens religiosas, como os jesuítas, os beneditinos, etc., podendo-se
notar durante esse período duas correntes de pensamento a respeito
de se cultivar vocações nativas para o sacerdócio.
O primeiro grupo sustenta a impossibilidade da formação de
um clero autóctone, alegando o baixo nível cultural, a proclividade para o relaxamento moral e o desprestígio que adviria para o
clero mediante a aceitação de elementos indígenas, africanos ou
mestiços.
Já o segundo grupo defende a ideia de um clero nativo, alegando que esses elementos teriam melhor compreensão do caráter
do povo e de seus costumes, mais facilidade na transmissão evangélica e maior disponibilidade para o trabalho apostólico, além de
que ajudaria a romper os vínculos de uma dependência permanente
da metrópole. Podemos destacar a atuação dos jesuítas por apresentarem uma séria preocupação com a formação dos futuros sacerdotes, visando dar continuidade ao trabalho de evangelização e
catequese dos indígenas.

Com relação às dioceses, a sua criação durante o período colonial dependia do poder real, sendo muito escassas nessa época.
Não corresponderam às exigências do da Igreja do Brasil. O episcopado também tem pouca influência durante o período colonial,
limitando a sua atuação, geralmente, a aspectos de jurisdição eclesiástica, e com frequência executando função supletiva de cargos
públicos.
Didatismo e Conhecimento

10

HISTÓRIA
A ação missionária no litoral brasileiro estava irremediavelmente ligada aos percursos coloniais e por isso entrou em declínio
com o estabelecimento da cultura baseada na cana-de-açúcar e em
um sentido mais amplo, esta oposição significa a total incompatibilidade entre missão concebida em termos cristãos de fraternidade e
implantação de estrutura agrária baseada em termos de escravidão.

O Palácio de Friburgo (1642), local de residência e de despachos de Maurício de Nassau, foi demolido no século XVIII
devido aos danos causados durante a Insurreição Pernambucana.
Cercados e isolados pelos rebeldes numa faixa que ficou conhecida como Nova Holanda, indo do Recife a Itamaracá, os invasores
começaram a sofrer com a falta de alimentos, o que os levou a
atacar plantações de mandioca nas vilas de São Lourenço, Catuma
e Tejucupapo.

E assim a atividade missionária, a partir do final do séc. XVII
entra em decadência, dando lugar ao atendimento aos "moradores", ou seja, aos portugueses aqui residentes, com o surgimento
de igrejas, etc..

Em 24 de abril de 1646, ocorreu a famosa Batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas armadas de utensílios agrícolas
e armas leves expulsaram os invasores holandeses, humilhando-os
definitivamente. Esse fato histórico consolidou-se como a primeira
importante participação militar da mulher na defesa do território
brasileiro.

A vida religiosa, a partir da metade do século XVIII também
entra numa fase de crise progressiva. Entre as principais causas
está a oposição do Marquês de Pombal aos religiosos em geral e
aos jesuítas em particular. Além disso, todo o século XVIII respirava novas ideias do enciclopedismo e do iluminismo, com tendências anticatólicas e antijesuíticas. O resultado foi à expulsão
dos jesuítas em 1759.

Com a chegada gradativa de reforços portugueses, os holandeses por fim foram expulsos em 1654, na segunda Batalha dos
Guararapes. A data da primeira das Batalhas dos Guararapes é considerada o dia da origem do Exército brasileiro
Outro componente envolvido na Insurreição Pernambucana
estava ligado às disputas que havia entre vários países europeus
à época. Durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), os espanhóis estavam em confronto com os holandeses pelos territórios
dos Países Baixos. Era ainda o período da União Ibérica, em que o
Reino Português estava subjugado ao Reino Espanhol.

INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA.

Ocorreu no contexto da ocupação holandesa na região Nordeste do Brasil, em meados do século XVII. Ela representou uma
ação de confronto com os holandeses por parte dos portugueses,
comandados principalmente por João Fernandes Vieira, um próspero senhor de engenho de Pernambuco. Nessa luta contra os holandeses, os portugueses contaram com o importante auxílio de
alguns africanos libertos e também de índios potiguares.

Nesse sentido, a posição holandesa em relação a Portugal era
dúbia. Em solo europeu, os holandeses apoiavam os portugueses
contra o domínio espanhol, mas, ao mesmo tempo, ocupavam territórios portugueses na África Ocidental e no Brasil, sendo que
além da região pernambucana, os holandeses tentaram ainda conquistar algumas localidades no Maranhão e em Sergipe.

A oposição dos portugueses aos holandeses ocorreu em decorrência da intensificação da cobrança de impostos e também
da cobrança dos empréstimos realizados pelos senhores de engenho de origem portuguesa com os banqueiros holandeses e com a
Companhia das Índias Ocidentais, empresa que administrava as
possessões holandesas fora da Europa.

No início de 1648, Holanda e Espanha selaram a paz, e os espanhóis aceitaram entregar aos holandeses as terras tomadas pelos
insurrectos portugueses em Pernambuco. Frente a tal situação, o
conflito continuou. Em Abril de 1648, ocorreu a primeira Batalha dos Guararapes, em que os holandeses sofreram dura derrota,
abrindo caminho para o ressurgimento do domínio português a
partir de 1654.

Outro fato que acirrou a rivalidade entre portugueses e holandeses foi a questão religiosa. Boa parte dos holandeses que estava
na região de Recife e Olinda era formada por judeus ou protestantes.

A denominada Insurreição Pernambucana ocorreu no contexto da ocupação holandesa de parte da região Nordeste do Brasil,
incluindo a região de Pernambuco. Os holandeses estabeleceramse nessa região a partir de 1630, no período que em que o Brasil
estava sob o jugo do trono espanhol, que estava unido a Portugal
desde 1580 no processo conhecido como União Ibérica. As invasões holandesas, que ocorreram em colônias portuguesas na África
também, como Angola, foram motivadas pelas divergências com
a Espanha que iam desde problemas relacionados com o comércio
marítimo até questões religiosas.

Nesse contexto religioso que trazia as consequências da Reforma e da Contrarreforma para solo americano, o catolicismo professado pelos portugueses era mais um elemento de estímulo para
expulsar os holandeses do local.
Os conflitos iniciaram-se em maio de 1645, após o regresso
de Maurício de Nassau à Holanda. As tropas comandadas por João
Fernandes Vieira receberam o apoio de Antônio Felipe Camarão,
índio potiguar conhecido como Poti que auxiliou no combate aos
holandeses junto a centenas de índios sob seu comando. Outro auxílio recebido veio do africano liberto Henrique Dias. A Batalha
do Monte Tabocas foi o principal enfrentamento ocorrido nesse
início da Insurreição. Os portugueses conseguiram infligir uma
retumbante derrota aos holandeses, garantindo uma elevação da
moral para a continuidade dos conflitos. Além disso, os insurrectos
receberam apoio de tropas vindas principalmente da Bahia.
Didatismo e Conhecimento

A situação dos engenhos de açúcar de Pernambuco, que eram
controlados pela Companhia das Índias Ocidentais (empresa holandesa), a partir da década de 1640, começou a apresentar sinais
de declínio. Os produtores locais passaram a ficar insatisfeitos com
a administração holandesa, que lhes cobrava os dividendos dos lu11

HISTÓRIA
cros a qualquer custo. Alguns senhores de engenho, pressionados
pelos holandeses, refugiaram-se na Bahia; outros procuravam eximir-se da dívida de outras formas.

A União Ibérica (1580-1640), período em que Portugal vivia
sob o domínio espanhol, também foi outro fator que prejudicou a
França, Inglaterra e Holanda, pois os espanhóis fecharam os portos
ibéricos a esses países. A partir de então, a Holanda começou a
invadir as colônias portuguesas e espanholas, conseguindo conquistar o território da atual Suriname, além também de obter terras
no continente africano e na Índia.

Essa situação chegou a um ponto de saturação no ano de 1645,
quando houve a primeira campanha de insurreição, sobretudo porque foi nesse ano que o governador Maurício de Nassau partiu de
Pernambuco para a sua terra natal. Os primeiros a comandarem a
insurreição de 1645 foram os senhores de engenho do interior de
Pernambuco. Depois, logo passaram a ser apoiados pelos senhores
de engenho que retornaram da Bahia com o objetivo de reaver as
suas terras. Em poucos meses, as tropas conseguiram chegar até
Recife.

Em 1621, os holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais (WIC), e a primeira tentativa de invasão em solo brasileiro
foi em (1624-25), na Bahia; porém acabaram derrotados em 1625.
Outro ataque holandês deu-se em uma região menos protegida,
em território pernambucano, o que provocou uma forte reação por
parte dos colonizadores portugueses e o povo nativista contra a
invasão dos holandeses, no ano de 1645.

Posteriormente, os holandeses foram expulsos também de
Alagoas e Sergipe. Os principais comandantes das tropas insurgentes foram João Fernandes Vieira, Antônio Felipe Camarão e
Henrique Dias, além de vários comandantes que enfrentaram em
menor número e com poucos recursos as tropas holandesas.

Por fim, a derrota holandesa aconteceu em 1654, e com isso,
despertavam-se os primeiros sentimentos nativistas. No entanto,
em decorrência da expulsão dos holandeses das terras brasileiras,
estes colonizaram as Antilhas e aumentaram a produção de açúcar
com suas técnicas avançadas, gerando uma decadência na produção açucareira no nordeste do Brasil.

As batalhas decisivas desenrolaram-se no lugar chamado
Montes Guararapes e ficaram conhecidas como Batalhas de Guararapes, ocorridas entre o fim de 1648 e o início de 1649.

Outra consequência dessa expulsão holandesa foi o acordo firmado entre Portugal e Holanda, o chamado Tratado de Paz de Haia
(1661), no qual os holandeses receberiam dos portugueses uma
indenização de 4 milhões de cruzados, além das Ilhas Molucas e
do Ceilão.

A Insurreição Pernambucana foi à revolta dos colonos portugueses e nativistas contra a invasão holandesa no Nordeste brasileiro, ocorrida no período de 1645 a 1654. Reportemos ao contexto
histórico da época e vejamos os fatores que culminaram nesta revolta e, posteriormente, na derrota e expulsão dos holandeses das
terras brasileiras, tanto quanto, as consequências dessa rebelião.

A PROVÍNCIA DE PERNAMBUCO NO I E II
REINADO

Com o início da expansão marítimo-comercial, no século XV,
tem-se o processo de descobrimento e colonização das Américas,
em que, Portugal foi o país pioneiro nessas atividades, justamente, por sua localização geográfica privilegiada, possuir uma centralização política, e estudos náuticos avançados. Outros países
europeus também participaram dessa expansão, como no caso de
Espanha, França, Inglaterra e Holanda.

O grupo político dos liberais moderados dividiu-se por volta
de 1837 nas alas regressista e progressista, formando, a partir de
1840, dois partidos políticos. O Partido Conservador, constituído
pelos regressistas e apelidado de Saquarema e o Partido Liberal,
formado pelos progressistas e chamado de Luzia.

Neste período, a Espanha ainda se via envolvida na Guerra
de Reconquista contra os mouros, e também não havia completado sua unificação política, provocando seu atraso na expansão
marítima. Somente após esses eventos que o país espanhol pode
de fato investir nas navegações rumo à descoberta de novas terras,
resultando mais tarde, em rivalidade com Portugal por posse desses novos territórios. E assim, foi decretado, em junho de 1494,
o Tratado de Tordesilhas, acordo que determinava a divisão das
terras descobertas entre os países ibéricos.

Luzias e Saquaremas dominaram o cenário político do Segundo Reinado.
Os conservadores defendiam um governo imperial forte e centralizado, enquanto os liberais lutavam por uma descentralização,
concedendo certa autonomia às províncias. No entanto, quando
conquistavam o poder, liberais e conservadores não apresentavam
atitudes muito diferentes.

Sendo essa divisão de terras somente entre Portugal e Espanha, países como a França, Inglaterra e Holanda se sentiram prejudicados com este acordo, e passaram atacar as colônias portuguesas e espanholas. França e Inglaterra iniciaram a exploração
marítima tardia devido aos conflitos que viviam: Guerra dos Cem
Anos (1337-1453), e a Guerra das Duas Rosas (1455-1485), na
Inglaterra.
A Holanda também teve sua participação na expansão marítima postergada, pois esta era de domínio espanhol, tendo sua independência proclamada em 1576, com a formação das Províncias
Unidas dos Países Baixos.
Didatismo e Conhecimento

D. Pedro II formou seu primeiro gabinete com a maioria dos
políticos do Partido Liberal que lutaram por sua maioridade. O
retorno dos liberais ao governo atiçou a rivalidade com os conservadores, acendendo uma disputa violenta entre os dois. Na primeira eleição para a Câmara dos Deputados, os liberais contrataram
capangas que distribuíram "cacetadas", ameaçaram de morte seus
adversários políticos e fraudaram a apuração dos votos. Este episódio ficou conhecido como "Eleições do Cacete".

12

HISTÓRIA
D. Pedro II substituiu o ministério liberal, em 1841, por um
de maioria saquarema. Os conservadores obtiveram, assim, mais
força para exigir que o imperador anulasse o resultado das eleições
e foram atendidos. Os liberais de São Paulo e Minas Gerais promoveram a Revolta Liberal de 1842, contra a centralização promovida pelos saquaremas. As tropas imperiais dominaram a revolta
e prenderam seus líderes que foram anistiados em 1844, quando
retornaram ao poder.
Em 1847, teve início no Brasil o parlamentarismo. Criou-se
o cargo de presidente do Conselho de Ministros que era nomeado
pelo imperador. O eleito montava o gabinete ministerial, que, em
seguida, era submetido à Câmara dos Deputados para obter o voto
de confiança. Se aprovado, o gabinete começava a governar o país;
se rejeitado, cabia ao imperador demiti-lo ou dissolver a Câmara,
convocando novas eleições.
Ao todo foram 36 gabinetes: 21 liberais e 15 conservadores.
Todavia, os conservadores, por serem mais alinhados aos interesses do imperador, permaneceram dez anos a mais no poder
Em meados do século XIX, a maioria da população urbana
vivia em dificuldades econômicas e insatisfeitas com a dominação
política local. Isso se devia ao fato de que quase todos os engenhos
da região pertenciam a poucas famílias e o comércio estava concentrado principalmente nas mãos de portugueses.

tuguesa no Brasil, desde o ano de 1808. O questionamento maior
era com relação a grande quantidade de portugueses nos cargos
públicos; insatisfação com impostos e tributos criados no Brasil
por D. João VI a partir da chegada da corte portuguesa ao Brasil;
influência dos ideais iluministas, principalmente os que criticavam
duramente as estruturas políticas da monarquia absolutista.
Os ideais da Revolução Francesa, "liberdade, igualdade e fraternidade", ecoavam em solo pernambucano, principalmente entre
os maçons;
Significativa crise econômica que abatia a região, atingindo,
principalmente, as camadas mais pobres da população pernambucana. A crise era provocada, principalmente, pela queda nas exportações de açúcar, principal produto da região; fome e miséria,
que foram intensificadas com a seca que atingiu a região em 1816.
O movimento social pernambucano tinha como objetivo principal a conquista da independência do Brasil em relação a Portugal. Queriam implantar um regime republicano no Brasil e elaborar uma Constituição. Quando soube da organização da revolta
o governador de Pernambuco ordenou a prisão dos envolvidos.
Porém, os revoltosos resistiram e prenderam o governador.
Após dominar a cidade de Recife, os revoltosos implantaram
um governo provisório. Para conquistar o apoio popular, o governo provisório abaixou impostos, libertou presos políticos e aumentou o salário de militares.
Os rebeldes enviaram emissários para outras províncias do
norte e nordeste para derrubar os governos e ampliar a revolução.
Porém, sem apoio popular significativo, estes movimentos não
avançaram.
Preocupado com a possibilidade de ampliação da revolta para
outras províncias, D.João VI organizou uma forte repressão militar contra os rebeldes de Pernambuco. As tropas oficiais cercaram
Recife. Os embates duraram 75 dias, resultando na derrota dos revoltosos. Os líderes foram presos e condenados à morte.

Em 1842, foi criado o Partido da Praia. Seus líderes eram ricos
proprietários rurais excluídos dos acordos políticos entre liberais
e conservadores. Insatisfeitos com essa situação uniram-se a liberais exaltados, que defendiam uma igualdade social. Em 1848, os
conservadores demitiram o governador de Pernambuco (liberal).
Diante desta ação, os praieiros iniciaram o movimento e divulgaram o Manifesto ao Mundo, cujas principais propostas eram: voto
livre e universal para o povo brasileiro (fim do voto censitário);
plena liberdade de imprensa; garantia de trabalho para o cidadão
brasileiro; extinção do Poder Moderador; exercício do comércio
a varejo só para brasileiros; garantia dos direitos individuais do
cidadão; estabelecimento da federação.

CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR
E REVOLUÇÃO PRAIEIRA

A luta armada não durou um ano. Contando com apenas 2 mil
homens, os praieiros não resistiram à repressão imperial. Assim,
chegava ao fim o conjunto de revoltas que sucederam a independência do Brasil. Afastadas as ideias separatistas, o governo imperial consolidou a unidade territorial do país. A maioria da população brasileira, no entanto, continuou afastada da participação no
poder político.

A Confederação do Equador foi um movimento político e revolucionário ocorrido na região Nordeste do Brasil em 1824. O
movimento teve caráter emancipacionista e republicano. Ganhou
este nome, pois o centro do movimento ficava próximo a Linha do
Equador. A revolta teve seu início na província de Pernambuco,
porém, espalhou-se rapidamente por outras províncias da região
(Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba).
Em Pernambuco, centro da revolta, o movimento teve participação das camadas urbanas, elites regionais e intelectuais. A grande participação popular foi um dos principais diferenciais deste
movimento.
Forte descontentamento com centralização política imposta
por D. Pedro I, presente na Constituição de 1824; - Descontentamento com a influência portuguesa na vida política do Brasil,
mesmo após a independência;

PERNAMBUCO NO CONTEXTO DA
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL;
MOVIMENTOS LIBERAIS:

A Revolução Pernambucana foi um movimento social (revolta) de caráter emancipacionista ocorrido em Pernambuco no ano
de 1817. É considerado um dos mais importantes movimentos de
caráter revolucionário do período colonial brasileiro, causado pela
insatisfação popular com a chegada e funcionamento da corte porDidatismo e Conhecimento

13

HISTÓRIA
A elite de Pernambuco havia escolhido um governador para
a província: Manuel Carvalho Pais de Andrade. Porém, em 1824,
D.Pedro I indicou um governador de sua confiança para a província: Francisco Paes Barreto. Este conflito político foi o estopim da
revolta.
Convocação de uma nova Assembleia Constituinte para elaboração de uma nova Constituição de caráter liberal; diminuir a
influência do governo federal nos assuntos políticos regionais;
acabar com o tráfico de escravos para o Brasil; organizar forças de
resistências populares contra a repressão do governo central imperial; formação de um governo independente na região.
Sob o comando do almirante britânico Thomas Cochrane,
as forças militares do império atuaram com rapidez e força para
colocar fim ao movimento emancipacionista. Um dos principais
líderes, Frei Caneca, foi condenado ao fuzilamento. Padre Mororó, outra importante liderança, foi executado a tiros. Outros foram
condenados à prisão como foi o caso do jornalista Cipriano Barata.
Muitos revoltosos fugiram para o sertão e tentaram manter o movimento vivo, porém o movimento perdeu força no mesmo ano
que começou.
A Conspiração dos Suaçunas, também conhecida por sua grafia arcaica ­ Conspiração dos Suassunas, foi uma tentativa de revolta em Olinda no alvorecer do século XIX.
Influenciada pelas idéias do Iluminismo e pela Revolução
Francesa (1789), algumas pessoas, entre as quais Manuel Arruda
Câmara - membro da Sociedade Literária do Rio de Janeiro -, em
1796, fundaram a primeira loja maçônica do Brasil, Areópago de
Itambé, localizada no município pernambucano de Itambé, da qual
não participavam europeus.
As mesmas ideias também eram discutidas por padres e alunos
do Seminário de Olinda, fundado pelo bispo dom José Joaquim da
Cunha Azeredo Coutinho em 16 de fevereiro de 1800. Esta instituição teve, entre os seus membros, o padre Miguel Joaquim de
Almeida Castro (padre Miguelinho), um dos futuros implicados na
revolução pernambucana de 1817.
Pernambuco esperava que a primeira Constituição do Império
seria do tipo federalista, e daria autonomia para as províncias resolverem suas questões.
Como punição a Pernambuco, D. Pedro I determinou, através
de decreto de 07/07/1825, o desligamento do extenso território da
Comarca do Rio São Francisco (atual Oeste Baiano), passando-o,
inicialmente, para Minas Gerais e, depois, para a Bahia.

Em 1848, os conservadores demitiram o governador de Pernambuco (liberal). Diante desta ação, os praieiros iniciaram o movimento e divulgaram o Manifesto ao Mundo, cujas principais propostas eram: voto livre e universal para o povo brasileiro (fim do
voto censitário); plena liberdade de imprensa; garantia de trabalho
para o cidadão brasileiro; extinção do Poder Moderador; exercício
do comércio a varejo só para brasileiros; garantia dos direitos individuais do cidadão; estabelecimento da federação.
A luta armada não durou um ano. Contando com apenas 2 mil
homens, os praieiros não resistiram à repressão imperial. Assim,
chegava ao fim o conjunto de revoltas que sucederam a independência do Brasil. Afastadas as ideias separatistas, o governo imperial consolidou a unidade territorial do país. A maioria da população brasileira, no entanto, continuou afastada da participação no
poder político.
Em 1848 o Senado brasileiro ela dominado por senadores do
Partido Conservador. Os senadores conservadores vetaram a indicação, para uma cadeira do Senado, do liberal pernambucano
Antônio Chinchorro da Gama. Este veto provocou uma revolta em
determinado grupo de políticos liberais de Pernambuco. Os pernambucanos também estavam insatisfeitos com a falta de autonomia política das províncias e concentração de poder nas mãos da
monarquia.
Os políticos liberais revoltosos ganharam o apoio de várias
camadas da população, principalmente dos mais pobres, que viviam oprimidos e sofriam com as péssimas condições sociais. Os
praieiros chegaram a tomar a cidade de Olinda.
Em 1 de janeiro de 1849, divulgam o Manifesto ao Mundo.
Neste documento, os praieiros reivindicavam:
- Independência dos poderes e fim do poder Moderador (exclusivo do monarca);- voto livre e universal; nacionalização do
comércio de varejo; liberdade de imprensa;- reforma do Poder
Judiciário;- federalismo; fim da lei do juro convencional; fim do
sistema de recrutamento militar como existia naquela época.
A rebelião foi derrotada pelas forças oficiais no começo de
1850. Muitos revoltosos foram mortos durante os combates com
as forças oficiais. Os líderes e demais participantes foram presos e
julgados, embora tenham sido anistiados no ano seguinte.
Revolução Pernambucana

REVOLUÇÃO PRAIEIRA
Dentre as várias revoltas ocorridas durante o Brasil Império,
esta foi a última. Ganhou o nome de praieira, pois a sede do jornal
comandado pelos liberais revoltosos (chamados de praieiros) localizava-se na Rua da Praia.
Em meados do século XIX, a maioria da população urbana
vivia em dificuldades econômicas e insatisfeitas com a dominação
política local. Isso se devia ao fato de que quase todos os engenhos
da região pertenciam a poucas famílias e o comércio estava concentrado principalmente nas mãos de portugueses.

A chamada Revolução Pernambucana, também conhecida
como "Revolução dos Padres", eclodiu em 6 de março de 1817 na
então Província de Pernambuco.
Dentre as suas causas, destacam-se a crise econômica regional
;Pernambuco outrora, havia sido a capitania mais rica da colônia,
o absolutismo monárquico português e a influência das idéias Iluministas, propagadas pelas sociedades maçônicas.
O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros
Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e
matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel
e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das
tropas monarquistas.

Em 1842, foi criado o Partido da Praia. Seus líderes eram ricos
proprietários rurais excluídos dos acordos políticos entre liberais e
conservadores. Insatisfeitos com essa situação uniram-se a liberais
exaltados, que defendiam uma igualdade social.

Didatismo e Conhecimento

14

HISTÓRIA
O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas cercado, acabou-se rendendo. O
movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio
de Antônio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca. Tendo
conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram
a República.
Em 1848 o Senado brasileiro ela dominado por senadores do
Partido Conservador. Os senadores conservadores vetaram a indicação, para uma cadeira do Senado, do liberal pernambucano
Antônio Chinchorro da Gama. Este veto provocou uma revolta em
determinado grupo de políticos liberais de Pernambuco. Os pernambucanos também estavam insatisfeitos com a falta de autonomia política das províncias e concentração de poder nas mãos da
monarquia.

No Agreste, foi desenvolvida a pecuárias e diversas culturas
alimentares; o algodão também se fez presente nessa região a partir da segunda metade do século XVIII. Apesar de a mão de obra
negra ter sido empregada em todas essas regiões de Pernambuco, a
literatura clássica tende a concentrar o emprego desta mão de obra
na Zona da Mata.
A mão de obra cativa em Pernambuco não estava alocada na
Zona da Mata, portanto não estavam ligados à indústria açucareira.
Muitos cuidavam do gado, eram escravos de ganho- realizavam
tarefas remuneradas, entregando ao senhor uma quota diária do
pagamento recebido- e desenvolviam atividades variadas como:
carpintaria, artesanato, trabalhos domésticos, por exemplo.
Ao longo de todo o período do tráfico para Pernambuco, a
média de escravos desembarcados por navio girou em torno de
312. Já para o período de 1788 a 1851, como o período do declínio
do açúcar e início do café, a média foi um pouco maior: 327,12
escravos por navio.

Os políticos liberais revoltosos ganharam o apoio de várias
camadas da população, principalmente dos mais pobres, que viviam oprimidos e sofriam com as péssimas condições sociais. Os
praieiros chegaram a tomar a cidade de Olinda.

Os navios que desembarcavam em Pernambuco, foram diminuindo de tamanho e a década de quarenta teria sido o apogeu das
pequenas embarcações. No período do tráfico ilegal para o Brasil,
houve um declínio na utilização de navios enormes, comuns no
século XVIII, com mais de mil escravos a bordo. A estratégia de
utilização de navios menores estaria ligada a vantagem de aproximação da costa no momento de desembarque, uma operação, na
época, de risco e o tempo de viagem seria menor com embarcações
diminutas dado que o tempo de espera nos portos africanos para
que a carga ficasse completa para a travessia seria reduzido.

O TRÁFICO TRANSATLÂNTICO DE ESCRAVOS PARA TERRAS PERNAMBUCANAS:

Dessa forma, há um crescimento, em média, do número de
escravos transportados e da tonelagem das embarcações, no século
XIX. Tal crescimento só pode estar relacionado com uma demanda
crescente de mão de obra para execução de variados tipos de trabalho numa economia aquecida.

Recife foi o quinto maior centro organizado de tráfico transatlântico de escravos do mundo. Período do tráfico de escravos para
Pernambuco (de 560 a 1851) desembarcaram nessa região 61.800
escravos em 183 viagens realizadas. Desembarcaram 853.833 africanos nessa região conduzidos em 1.376 viagens realizadas a imigração de mão de obra para Pernambuco no século XIX, quando
30% do total de escravos desembarcaram na região, houve uma
etapa de dificuldades econômicas que se iniciara com a decadência
do ouro e ascensão do café: na segunda metade do século XIX o
Brasil iniciou uma etapa de crescimento após três quartos de século de estagnação e provavelmente de retrocesso em sua renda per
capita. Não somente o Brasil, mas, especificamente, Pernambuco,
Bahia e Minas Gerais também parecem ter sofrido estagnação econômica, respectivamente.

Outro motivo para o crescimento é a expectativa dos traficantes em, ao desembarcar um número maior de cativos, auferirem
lucros ainda maiores. Por último, também é plausível especular
que a expectativa do fim do tráfico pode ter funcionado como estímulo ao desembarque de um volume maior de escravos nos portos.
Houve um aumento significativo do preço dos escravos em
Pernambuco em 1830-1845 e, especialmente, durante a década de
1850. Ora, o fato dos escravos estarem valendo mais teria estimulado um desembarque mais volumoso por viagem realizada.

Não existem evidências de trabalho africano nos primeiros engenhos da capitania de Pernambuco. Alguns estudos indicam que
a "africanização" dos trabalhos forçados nos engenhos da região
procedeu rápido após 1560, mas dois terços do trabalho forçado
ainda eram indígenas em 1580, a "africanização" apenas tornou-se
completa.

A média de escravos desembarcados por ano, para todo o período do tráfico, foi de 2.934,13 apesar de ter existido 8 anos em
que nenhum escravo desembarcou nessa região, todos no século
XVII, e, por outro lado, o ano de 1810 ter sido o ano de maior
movimentação no porto do Recife: 11.518 desembarcados. Dessa forma, conclui-se que a quantidade de africanos conduzidos a
Pernambuco ao longo dos anos de vigência do tráfico foi bem heterogênea.

A mão de obra negra era empregada no cultivo da cana, mais
comum na Zona da Mata, extensa área próxima da costa com clima
quente e úmido, na criação de animais no Sertão, região mais a
oeste em Pernambuco e de clima semiárido que abastecia com essa
criação a área açucareira. Também era utilizada no Agreste, região
intermediária entre Zona da Mata e Sertão.

Didatismo e Conhecimento

Ao todo, estima-se que desembarcaram 853.833 africanos durante o período de vigência do tráfico e 260 mil, ou 30%, entre
1801 e 1850, perfazendo uma média de 5 mil desembarcados por
ano. Comparativamente, nos séculos XVII e XVIII a média era de
15

HISTÓRIA
2.500 e 3.300 por ano, respectivamente. É devido a esse vultoso
acréscimo de recente estudo sobre o tráfico atlântico destaca que
no final da segunda década do século XIX houve um aumento na
importação de escravos na América portuguesa, motivada pela capacidade de aquisição dos produtores do sudeste e pela perspectiva
de proibição da atividade negreira.

Esse aumento no tamanho dos navios corrobora a ideia de que
a demanda por mão de obra era crescente no período analisado,
e, portanto, com a ideia de que a economia estava aquecida, pois
só com o crescimento produtivo há necessidade de crescimento
do insumo de trabalho. Esse insumo produtivo estava sendo, crescentemente, demandado em Pernambuco, não podia essa mesma
região se encontrar em estagnação econômica.

Em Pernambuco, algo parecido com a "crise de oferta africana" também aconteceu: houve um aumento no número de desembarcados nos anos próximos ao fim do tráfico causado pelo
aumento da capacidade de aquisição dos produtores pernambucanos, favorecida pela conjuntura macroeconômica e também pela
expectativa da proibição do tráfico.

Por último, observa-se que a produção do açúcar e do algodão
estava firme na primeira metade do século XIX. Isso também corrobora a tese de que as atividades econômicas estavam aquecidas e
embasa os argumentos da rejeição da tese de que a estagnação econômica entre a decadência do ouro e a ascensão do café se aplica
à economia pernambucana. Implícita na argumentação dessa tese
está a hipótese de que o crescimento econômico dependia, basicamente, da integração regional ao comércio mundial.

A partir de 1810, a Coroa portuguesa assinou uma série de tratados com a Grã-Bretanha visando a abolição do tráfico atlântico
de escravos. Em 23 de novembro de 1826, foi assinado um tratado
que estipulava um prazo de três anos para o Império de o Brasil
decretar a extinção do tráfico atlântico. Tal resolução foi adotada
a partir de 13de março de 1830 e através da Lei de 7 de novembro
de 1831.

COTIDIANO E FORMAS DE RESISTÊNCIA
ESCRAVA EM PERNAMBUCO:

Segundo a qual foram declarados livres todos os escravos que
entrassem no território e portos do Brasil e o tráfico foi designado
como pirataria devendo, portanto, ser combatido. A Lei antitráfico
de 1831 foi invocada nos tribunais brasileiros e apropriada pelos
escravos, seus representantes e por juízes abolicionistas para sustentar ações de liberdade e constituiu-se em tema central de uma
série de debates no Senado do Império quanto a sua vigência .
Contudo, ela teve pouca ou nenhuma efetividade no combate à
importação de escravos africanos: o tráfico negreiro permaneceu
ativo e foi definitivamente encerrado apenas em 1850, através da
chamada "Lei Eusébio de Queiroz".

A Capitania de Pernambuco, que abrangia os atuais estados de
Pernambuco e de Alagoas, parte de Minas Gerais e da Bahia, contou com a presença do negro desde o final do século XVI. Naquele
período, os portugueses introduziram a cultura da cana-de-açúcar
na região, utilizando-se da mão de obra escrava de origem indígena e africana.
Os engenhos multiplicaram-se rapidamente e a produção de
açúcar tornou-se a principal atividade econômica da colônia. O
número de cativos de origem africana também cresceu bastante
naquela Capitania. Em 1584, 15 mil escravos labutavam em pelo
menos 50 engenhos. Este número subiu para 20 mil escravos em
1600. Já na metade do século XVII a população escrava somava
entre 33 e 50 mil pessoas (Funari, 1996:31).
Nessa época, quando a capitania de Pernambuco era disputada
por holandeses e portugueses, surgiu em uma região hoje localizada no estado de Alagoas, o quilombo que é símbolo da resistência à
escravidão no Brasil: Palmares. Palmares foi a maior rebelião contra a escravidão na América portuguesa. Tal quilombo promoveu
assaltos a engenhos e povoações, incitou fugas em massa e resistiu
por um século à repressão das autoridades coloniais.
O mocambo provocou tamanha inquietação na elite que a
própria monarquia portuguesa tentou, por diversas vezes, negociar com os rebeldes, propondo-lhes a alforria. Mas foi apenas lançando mão de um exército de 6 mil homens que o quilombo foi
aniquilado, nos últimos anos do século XVII Após ser destruído,
Palmares continuou a existir, como o símbolo de uma ameaça, para
a elite da capitania de Pernambuco.
O medo que os colonizadores sentiam ao pensar na possibilidade de que outro Palmares pudesse existir levou senhores e autoridades de toda a colônia a buscar formas de reprimir os cativos
em caso de fuga. Em função disso, os capitães-do-mato, homens
livres cuja profissão era capturar escravos fugidos, foram se tornando cada vez mais comuns.

A partir de 1831 há uma queda acentuada no número de escravos desembarcados, isso provavelmente está associado ao fato dos
traficantes tentarem não deixar vestígios da atividade, que passara
a ser ilegal a partir dessa data. Também há um declínio no número
de viagens realizadas para Pernambuco a partir de 1831.
Dessa forma, podemos supor que não apenas os traficantes
passaram a maquiar a quantidade de escravos conduzidos em seus
navios, mas também a não mais registrar suas viagens.
Com relação aos preços dos escravos em Pernambuco, eles
são crescentes durante a década de 30, e é de supor que os obstáculos ao tráfico, após sua proibição legal em 1831, aumentassem os
custos da importação de africanos:
Por último, seria importante destacar que no período de vigência do tráfico no Brasil (1560-1856) desembarcaram aproximadamente 4 milhões e 800 mil africanos no país sendo que 2
milhões, ou 40%, desembarcaram no período de 1801 a 1850. Em
Pernambuco acontece algo semelhante. O fato de o volume de importação de escravos serem bem mais expressivo no século XIX,
comparativamente aos séculos anteriores, sugere que as atividades
econômicas estavam aquecidas visto que o aumento no número
de desembarcados não pode ser explicado pelo tráfico interno de
escravos.

Didatismo e Conhecimento

16

HISTÓRIA
Diversas milícias foram criadas, de forma temporária ou permanente, com o objetivo de destruir mocambos O aumento gradativo das forças de violência sobre os escravos não impediu, porém,
que outros quilombos surgissem. Um deles foi Catucá, mocambo
localizado em Pernambuco nas primeiras décadas do século XIX.
A escravidão foi um dos pilares sobre os quais se estruturou a
sociedade brasileira, sendo que essa forma de organização da força
de trabalho foi utilizada durante mais de três séculos nos períodos
coloniais e imperiais da história do país. A utilização de força de
trabalho escrava ocorreu de modo extremamente violento, desde
a captura das pessoas no continente africano até o trabalho nas
fazendas, minas e cidades no Brasil.

Com o agrupamento de colonizadores em torno das grandes
propriedades rurais de produção agrícola, houve o início dos engenhos ­ locais onde a cana era produzida. Naquela época, o engenho de açúcar representava nobreza e prestígio das famílias do
Brasil Colônia. Os proprietários eram os famosos senhores de engenho, pessoas que tinham autoridade além do limite de suas terras
e submetiam todos os que estivessem próximos a seus mandos e
desmandos.
Além dos senhores de engenho, a sociedade da economia açucareira ainda contava com trabalhadores assalariados, escravos,
padres, profissionais liberais, feitores, mestres de açúcar, purgadores e agregados.

As formas de resistência dos escravos no Brasil manifestaram-se diversamente, representando uma luta contra o sistema escravista e conformando uma prática social e cultural que se desenvolveu no país ao longo dos séculos. Toda essa luta está presente
na constituição da sociedade brasileira.
Proporcionam a verificação, através de imagens, das condições de trabalho e punição a que estavam submetidos os cativos,
os mercados de escravos, os trabalhos cotidianos nas áreas urbanas
e rurais, além das manifestações culturais, religiosas e comemorativas etc.

Com o passar do tempo, a produção do açúcar foi considerada
o principal motor da economia da colônia. Apesar de ter passado
por várias crises no Nordeste, continuou como a principal forma
de cultivo colonial. Foi tão importante para o desenvolvimento do
país que se manteve até o inicio do século XIX, ditando as formas
de utilização da terra e as relações entre os trabalhadores.

A PARTICIPAÇÃO DOS POLÍTICOS
PERNAMBUCANOS NO PROCESSO DE
EMANCIPAÇÃO/ABOLIÇÃO DA
ESCRAVATURA:

CRISE DA LAVOURA CANAVIEIRA:

Movimento social e político ocorrido entre 1870 e 1888, que
defendia o fim da escravidão no Brasil. Termina com a promulgação da Lei Áurea, que extingue o regime escravista originário
da colonização do Brasil. A escravidão havia começado a declinar
com o fim do tráfico de escravos em 1850. Progressivamente, imigrantes europeus assalariados substituem os escravos no mercado
de trabalho.
Mas é só a partir da Guerra do Paraguai (1865-1870) que o
movimento abolicionista ganha impulso. Milhares de escravos que
retornam da guerra vitoriosos, muitos até condecorados, se recusam a voltar à condição anterior e sofrem a pressão dos antigos
donos. O problema social torna-se uma questão política para a elite
dirigente do Segundo Reinado. Lei do Ventre Livre
O Partido Liberal, de oposição, compromete-se publicamente
com a causa, mas é o gabinete do visconde do Rio Branco, do
Partido Conservador, que promulga a primeira lei abolicionista,
a Lei do Ventre Livre, em 28 de setembro de 1871. De poucos
efeitos práticos, ela dá liberdade aos filhos de escravos nascidos a
partir dessa data, mas os mantém sob a tutela de seus senhores até
atingirem a idade de 21 anos. Em defesa da lei, o visconde do Rio
Branco apresenta a escravidão como uma "instituição injuriosa",
que prejudica, sobretudo, a imagem externa do país.
Campanha abolicionista Em 1880, políticos e intelectuais importantes, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, cria, no
Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, que
estimula a formação de dezenas de agremiações semelhantes pelo
país. Da mesma forma, o jornal O Abolicionista e o manifesto O
Abolicionismo, de Nabuco, e a Revista Ilustrada, de Ângelo Agostini, servem de modelo a outras publicações antiescravistas.

A produção de açúcar em terras brasileiras foi a melhor forma
encontrada pelos portugueses para compensar economicamente os
esforços em proteger a colônias de ameaças estrangeiras. A economia açucareira teve início no litoral e foi bastante lucrativa, pois o
produto era bastante consumido nos países europeus. A cultura da
cana-de-açúcar ainda deu aos colonizadores, a possibilidade de organização do cultivo permanente do solo. Com isso, houve o início
do povoamento da colônia de uma maneira sistemática.
A economia açucareira já estava superando os lucros que Portugal ganhava com o pau-brasil. O motivo foi a expansão rápida
do plantio da cana em regiões onde as condições eram muito favoráveis. Para o desenvolvimento da agricultura canavieira eram
necessários chuvas e clima quente; e o Brasil contava com tudo
isso. O solo de massapé, presente no litoral do Nordeste do Brasil
também foi fundamental para o cultivo. Mas esta não foi a primeira experiência portuguesa com a produção de açúcar. Eles há
muito tempo, já plantavam cana-de-açúcar na Ilha da Madeira e
nos Açores.
Os holandeses também tiveram participação fundamental na
economia açucareira do Brasil. Foram eles que controlaram a distribuição e o comércio, transportando e refinando a matéria prima
para o consumo na Europa. No fim das contas, foram os holandeses que obtiveram mais lucros com o negócio: enquanto os lusos
produziam e lucravam pouco, eles comercializavam obtendo uma
margem de lucro mais significativa.

Didatismo e Conhecimento

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HISTÓRIA
Advogados, artistas, intelectuais, jornalistas e parlamentares
engajam-se no movimento e arrecadam fundos para pagamento de
cartas de alforria, documento que concedia liberdade ao escravo.
O país é tomado pela causa abolicionista. Em 1884, o Ceará antecipa-se e decreta o fim da escravidão em seu território. Lei dos
Sexagenários A decisão cearense aumenta a pressão da opinião pública sobre as autoridades federais. Em 1885, o governo cede mais
um pouco e promulga a Lei Saraiva-Cotegipe. Conhecida como
Lei dos Sexagenários, ela liberta os escravos com mais de 60 anos,
mediante compensações a seus proprietários.
A lei não apresenta resultados significativos, já que poucos
cativos atingem essa idade e os que sobrevivem não têm de onde
tirar o sustento sozinho. Os escravizados, que sempre resistiram ao
cativeiro, passam a participar ativamente do movimento, fugindo
das fazendas e buscando a liberdade nas cidades. No interior de
São Paulo, liderados pelo mulato Antônio Bento e seus caifazes
(nome tirado de uma personalidade bíblica, o sumo-sacerdote judeu Caifaz), milhares deles escapam das fazendas e instalam-se no
Quilombo do Jabaquara, em Santos.
A esta altura, a campanha abolicionista mistura-se à republicana e ganha um reforço importante: o Exército. Descontentes
com o Império, os militares pedem publicamente para não mais
ser utilizados na captura dos fugitivos. Do exterior, sobretudo da
Europa, chegam apelos e manifestos favoráveis ao fim da escravidão. Lei Áurea Em 13 de maio de 1888, o governo imperial rendese às pressões, e a princesa Isabel assina a Lei Áurea, que extingue a escravidão no Brasil. A decisão desagrada aos fazendeiros,
que exigem indenizações pela perda de seus "bens". Como não
as conseguem, aderem ao movimento republicano como forma de
pressão. Ao abandonar o regime escravista e os proprietários de
escravos, o Império perde a última coluna de sustentação política.
O fim da escravatura, porém, não melhora a condição social
e econômica dos escravos. Sem formação escolar nem profissão
definida, para a maioria deles a simples emancipação jurídica não
muda sua condição subalterna, muito menos ajuda a promover sua
cidadania ou ascensão social. Fonte: br.geocities.com Abolição da
Escravatura no Brasil Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel
em 13 de maio de 1988. A lei marcou a extinção da escravidão
no Brasil, o que levou à libertação de 750 mil escravos, a maioria
deles trazidos da África pelos portugueses. A assinatura da lei foi
consequência de um longo processo de disputas. Logo antes da
elaboração do deputado conservador João Alfredo, muitas manifestações pedindo a libertação dos escravos já ocupavam as ruas,
principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro.
Na verdade, os escravos já estavam mobilizados em torno desta causa havia muitos anos. Um dos primeiros ícones da luta pela
libertação dos escravos, considerado o mais importante até hoje,
foi o movimento do Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi
dos Palmares. Escravos fugidos ou raptados de senzalas eram levados para o território, que chegou a ter 200 quilômetros de largura,
em um terreno que hoje corresponde ao estado de Alagoas, parte
de Sergipe e de Pernambuco. O movimento, iniciado por volta de
1590, só foi derrotado cerca de 100 anos depois, em 1694. Um
ano depois, Zumbi, traído por um homem de sua confiança, foi
assassinado.
A data de sua morte, 20 de novembro, é muito comemorada
pelo movimento negro e foi oficializada como o Dia Nacional de
Denúncia contra o racismo. Mas o começo da liberdade ainda demoraria em acontecer Os primeiros passos, antes da Lei Áurea, foram a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1884).
Didatismo e Conhecimento

A primeira estabelecia que os filhos de escravos ficassem sob os
cuidados do senhor de suas mães até 8 anos. Depois, o senhor poderia libertá-los e receber indenização ou usar seus trabalhos até
os 21 anos, depois eles estariam livres. A segunda dizia que os
escravos estariam livres quando completassem 60 anos. Mas antes
da liberdade total, deveriam trabalhar 5 anos de graça como indenização aos senhores pelos gastos com a compra deles. Só então é
que veio a Lei Áurea.
Mas mesmo depois da lei, os escravos batalharam bastante
para sobreviver, porque não tinham emprego, nem terras, nem
nada. Muitos deles arranjaram empregos que pagavam pouco porque era tudo que os brancos lhes ofereciam. Os movimentos de
consciência negra surgem como forma de protestar contra esta desigualdade social e contra o preconceito racial. Hoje, 13 de maio é
o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo. É compromisso de
todo mundo lutar por um mundo mais justo, e está incluída aí a justiça racial. Todos os seres humanos merecem respeito carinho ou
atenção, independentemente da cor da sua pele. Isto significa que
você deve tratar bem todos os seus colegas e seus conhecidos, não
importam se ele é branco, negro ou oriental. Leis Abolicionistas
1815 - Tratado anglo-português, na qual Portugal concorda em restringir o tráfico ao sul do Equador; 1826 - Brasil compromete em
acabar com o tráfico dentro de 3 anos 1831 - Tentativa de proibição
do tráfico no Brasil, sob pressão da Inglaterra. 1838 - abolições da
escravidão nas colônias inglesas 1843 - os ingleses são proibidos
de comprar e vender escravos em qualquer parte do mundo 1845 ­
A Inglaterra aprova o Bill Abeerden, que da a Inglaterra o poder de apreender os navios negreiros com destino ao Brasil 1850
- É aprovada sob pressão inglesa a lei Eusébio de Queirós, que
proíbe o tráfico negreiro no Brasil 1865 - A escravidão é abolida
nos Estados Unidos (13a. emenda Constitucional) 1869 - Manifesto Liberal propõe a emancipação gradual dos escravos no Brasil
1871 - Lei do Ventre Livre ou Lei Rio Branco 1885 - Lei dos Sexagenários ou Lei Saraiva-Cotejipe 1888 - Lei Áurea.
O fim da escravidão no Brasil foi um processo lento e gradual
ocupando praticamente todo o Século XIX. Após a independência em 1822, a Inglaterra pressionou o governo brasileiro que se
compromete a acabar com o tráfico em 3 anos. Em 1850 o país
cedeu a pressão inglesa e proibiu o tráfico. A Inglaterra admitia o
escravismo em suas colônias produtoras de gêneros de consumo.
Não podia, contudo, aceitar o monopólio dessas regiões sobre o
mercado metropolitano de açúcar, na medida em que assegurava
mercado estável e preços elevados a essas colônias, além de obrigar os industriais a pagar maiores salários aos trabalhadores. Os
gêneros agrícolas de outras regiões não podiam ser comercializados livremente no reino britânico e, com isso, os industriais não
conseguiam vender seus produtos a essas regiões que só podiam
pagar em gêneros agrícolas.
Na luta contra a escravidão, algumas pessoas se destacam por
sua dedicação à causa Joaquim Nabuco Nascido no Recife, Pernambuco, em 19 de agosto de 1849, Joaquim Nabuco desde cedo
conviveu com a dura realidade dos escravos. Na infância, o menino de família aristocrata se alfabetizara junto com os filhos dos
escravos numa escolinha construída pela madrinha. Estudou Direito em São Paulo e Recife, escreveu poemas, era um patriota. Foi
colega de Castro Alves e de Rui Barbosa. O tema da escravidão
estava presente em sua obra literária desde seu primeiro trabalho,
nunca publicado, chamado "A escravidão". Porém, teve sucesso
quando, em 1883, publicou "O Abolicionismo", durante período
em que esteve em Londres.
18

HISTÓRIA
Quando retornou ao Brasil, seguiu carreira política. Foi um
grande parlamentar, um excelente orador. Fez uso de seu reconhecido talento público para lutar pela causa abolicionista, junto
com José do Patrocínio, Joaquim Serra e André Rebouças. É interessante observar que Nabuco era a favor da monarquia e ainda
assim serviu fielmente à República como diplomata em Londres e
Washington, após o fim do Império. Joaquim Nabuco afirmava que
a escravidão no Brasil era "a causa de todos os vícios políticos e
fraquezas sociais; um obstáculo invencível ao seu progresso; a ruína das suas finanças, a esterilização do seu território; a inutilizarão
para o trabalho de milhões de braços livres; a manutenção do povo
em estado de absoluta e servil dependência para com os poucos
proprietários de homens que repartem entre si o solo produtivo".

Controlado o Recife no dia 7 de março, tratou-se de cuidar da
formação do governo da província. Aliás, havia ali certa confusão,
uma vez que não se sabia quem detinha a autoridade. Com a divulgação da notícia da vitória dos rebeldes, muita gente saiu às ruas
e se concentrou na Praça do Erário, na esperança de participar da
escolha do governo. Nesse momento, Domingos José Martins entrou no edifício do Erário com a intenção de organizar o eleitorado
que iria escolher a nova administração. Em seguida, por meio de
um proclama que percorreu as ruas recifenses, foram anunciados
os nomes dos membros do governo provisório. Esse era composto
por uma junta, inspirada no diretório francês de 1795, formada por
cinco pessoas, todas representando a classe dominante: Manuel
Correia de Araújo, expoente da elite agrária; Domingos José Martins, dos comerciantes; José Luís de Mendonça, dos magistrados;
Domingos Teotônio Jorge Martins Pessoa, dos militares; e o padre
João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, presidente do governo
e líder do clero. Outros nomes de grande representatividade na capitania integraram um conselho para assessoramento do governo,
entre eles Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, irmão de José Bonifácio de Andrada e Silva.
Os poderes do governo estavam regulamentados por uma lei
orgânica, considerada de autoria de frei Caneca, inspirada na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. O documento deveria vigorar até que fossem realizadas as eleições e se organizasse
o Parlamento que votaria uma Constituição. Ainda em harmonia
com as idéias liberais, foi estabelecido o direito de liberdade de
consciência e de imprensa, chegando-se a imprimir a "Declaração
dos Direitos Naturais, Civis e Políticos do Homem" na Oficina
Tipográfica da República de Pernambuco. O Estado adotava como
religião oficial a católica romana, sendo as demais "toleradas". Os
lusitanos que dessem demonstração de adesão à revolução seriam
considerados "patriotas". As leis em vigor continuariam "a ter a
mesma autoridade", enquanto não fosse preparado "um código nacional" adequado às "novas circunstâncias e precisões

PERNAMBUCO REPUBLICANO:

O movimento deflagrado em Pernambuco no ano de 1817
coincidiu com o período da expansão das idéias liberais no mundo
ocidental. Estas idéias se difundiram também em várias províncias
brasileiras, circulando clandestinamente em ambientes onde se
discutiam assuntos relativos à política e planos para a implantação
de um regime republicano. Falar contra a monarquia e contra o
governador régio Caetano Pinto de Miranda Montenegro (18041817) era uma prática comum em certos círculos pernambucanos
nas primeiras décadas do século XIX. Uma quadra cantada à época
dizia que ele era "Caetano no nome, pinto na falta de coragem,
monte na altura e negro nas ações". Apesar de ser debatida por
pequenos grupos de letrados, a própria noção de independência
já existia bem antes da revolução, ganhando mais força após sua
repressão.
Quando o ouvidor da Comarca do Sertão tomou conhecimento das reuniões dos insurgentes, apressou-se em denunciá-las ao
governador. Este, depois de ouvir outras pessoas que confirmaram
a informação, ordenou a captura dos líderes do movimento. Por
ocasião da prisão de alguns militares apontados como participantes da conspiração houve pancadaria e mortes, precipitando a rebelião. No Forte das Cinco Pontas, um brigadeiro português foi morto pelo capitão José de Barros Lima, o Leão Coroado, no momento
de prender seus comandados. Um ajudante-de-ordens teve igual
destino quando tentava entrar no quartel do Paraíso.
Era o dia 6 de março de 1817, e a revolução ganhava as ruas.
O governador, ouvindo os tiros e temendo pela própria sorte, fugiu do palácio e pediu abrigo no Forte do Brum. Sem demonstrar
grande resistência, Caetano Pinto aceitou um ultimato que exigia
que as tropas estacionadas naquele forte se unissem às forças revolucionárias, que estas forças entrassem no forte e tomassem posse
dele, e que o governador se retirasse da província. Caetano Pinto
acatou as exigências sem grandes dificuldades, sendo em seguida
conduzido a uma embarcação que se dirigiu ao Rio de Janeiro,
onde foi preso na Ilha das Cobras, acusado de indolente pela falta
de punho e por não ter tido a capacidade de debelar a crise antes
que ela chegasse às ruas.

Didatismo e Conhecimento

VOTO DE CABRESTO E POLÍTICA DOS
GOVERNADORES:

O sistema político da República Velha estava assentado nas
fraudes eleitorais, visto que o voto não era secreto. O exercício da
fraude eleitoral ficava à cargo dos "coronéis", grandes latifundiários que controlavam o poder político local. Exercendo um clientelismo político (troca de favores) o grande proprietário controlava toda uma população ("curral eleitoral"), através do voto de
cabresto.
O poder dos coronéis "teve início ainda no período colonial
que se favoreciam basicamente pelo sistema de clientela e patronagem", no qual eles recebiam a patente de coronel ou mesmo as
compravam assumindo assim o posto de oficial da Guarda Nacional e a representação local das autoridades do Império, gozando de
privilégios e cargos de confiança.
Voto de Cabresto: na República Velha, o sistema eleitoral era
muito frágil e fácil de ser manipulado. Os coronéis compravam
votos para seus candidatos ou trocavam votos por bens matérias
(pares de sapatos, óculos, alimentos, etc). Como o voto era aberto,
19

HISTÓRIA
os coronéis mandavam capangas para os locais de votação, com
objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos. As regiões controladas politicamente pelos coronéis eram conhecidas como currais eleitorais.

o `coronel' e pelo coronel a característica marcante do fenômeno
coronelístico tem como base também o patrocino do grande chefe
local de todas as custa eleitoral, portanto quanto maior sendo as
posses do coronel maior chance elas terá no pleito.
As despesas são das mais variadas, pois como já foi citado o
meio rural era, sobretudo paupérrimo, configurando assim a total
dependência do eleitorado ao seu protetorado, causando uma obediência incondicional ao líder local.
Sem dinheiro e sem interesse direto, o roceiro não faria o menor sacrifício nesse sentido. Documento, transporte, alojamento,
refeições, dias de trabalho perdidos, e até roupa, calçado, chapéu
para o dia da eleição, tudo é pago pelos mentores políticos empenhados na sua qualificação e comparecimento.
Assim, o poder oligárquico era exercido no nível municipal
pelo coronel, no nível estadual pelo governador e, através da política do café com leite, o presidente controlava o nível federal.

Com a instalação da República Velha que tem na historiografia tradicional a versão que a "proclamação da República resultou
de crises que abalaram o fim do Segundo Reinado e basicamente
nas instituições como: Religiosa e Militar, bem como a abolição
da escravatura".
Coronelismo teve sua atuação incrementada, sobretudo pela
manutenção do sistema eleitoral pautado em voto aberto, facilitando, portanto a pressão do líder local em relação ao eleitorado.
A formação dos currais eleitorais era de certa forma constituída
dentro dos domínios fundiários do coronel, valorizando a formação de grandes potentados, juntamente com o fortalecimento do
"voto de cabresto".
Qualquer que seja, entretanto, o chefe municipal, o elemento primário desse tipo de liderança é o "coronel", que comanda
discricionariamente um lote considerável de votos de cabresto. A
força eleitoral empresta-lhe prestigio político, natural coroamento
de sua privilegiada situação econômica e social de dono de terra,
A figura do coronel representava ainda a de uma pessoa que
aglutinava várias funções sociais, exercidas, sobretudo com a forte
influência que tinha sobre seus dependentes bem como os aliados,
empregados e capangas, senão vejamos:
Dentro da esfera própria de influência, o "coronel" como
que resume em sua pessoa, sem substituí-las, importantes instituições sociais. Exerce, por exemplo, uma ampla jurisdição sobre
seus dependentes, compondo rixas e desavenças e proferindo, às
vezes, verdadeiros arbitramentos, que os interessados respeitam.
Também se enfeixam em suas mãos, com ou sem caráter oficial,
extensas funções policiais.
O líder municipal ocupava sem sombra de dúvidas um lugar
de extremo privilégio nos seus domínios de influência, que o tornava um parceiro muito interessante para o desenvolvimento político
das grandes oligarquias agrárias, as verdadeiras elites que estavam
no poder justamente com o apoio do coronel e que ao longo do
século XIX tiveram suas posses agrárias abaladas especificamente
pela diminuição e extinção da mão-de-obra escrava e não obstante
o esfacelamento dos preços das monoculturas de café algodão e
açúcar, e o fortalecimento de algumas atividades comercias.
A chamada elite agrária, forte e altiva nos seus latifúndios,
some diante do ardente círculo dos negócios: ela está subordinada,
pelos interesses da escravidão, ao "monopólio de outros monopólios comerciais".O Segundo Reinado será o paraíso dos comerciantes, entre os quais se incluem os intermediários honrados e
os especuladores prontos para o bote à presa, em aliança com o
Tesouro
O coronel encontra no meio rural o alicerce primordial para
alcançar o mais amplo domínio político, pois o homem do campo
"tira a sua sobrevivência" essencialmente das terras do coronel,
ele vive na mais completa miséria, ignorância e abandono. A grande massa de trabalhadores tinha na figura do coronel um homem
rico e próspero, portanto capaz de em qualquer momento poder
ajudá-los, com qualquer tipo de ajuda, seja ela com remédios, empréstimos em dinheiro e até mesmo com proteção contra querelas
com famílias rivais, fomentando mais ainda o voto de cabresto,
pois lógico é o que presenciamos: no plano político, ele luta com
Didatismo e Conhecimento

No inicio do período republicano no Brasil (final do século
XIX e começo do XX), vigorou um sistema conhecido popularmente como coronelismo. Este nome foi dado, pois a política era
controlada e comandada pelos coronéis ricos, os coronéis costumam alterar votos, sumir com urnas e até mesmo patrocinavam a
prática do voto fantasma. Este último consistia na falsificação de
documentos para que pessoas pudessem votar várias vezes ou até
mesmo utilizar o nome de falecidos nas votações.
Política do café-com-leite: no começo do século XX, os estados de São Paulo e Minas Gerais eram os mais ricos da nação.
Enquanto o primeiro lucrava muito com a produção e exportação
de café, o segundo gerava riqueza com a produção de leite e derivados. Os políticos destes estados faziam acordos para perpetuarem-se no poder central. Muitos presidentes da República, neste
período, foram paulistas e mineiros.
Política dos Governadores: os governadores dos estados e o
presidente da República faziam acordos políticos, na base da troca
de favores, para governarem de forma tranqüila. Os governadores
não faziam oposição ao governo central e ganhavam , em troca
deste apoio, liberação de verbas federais. Esta prática foi criada
pelo presidente Campos Sales (1898-1902) e fortaleceu o poder
dos coronéis em seus estados.
Com a Revolução de 1930 e a chegada de Getúlio Vargas à
presidência da República, o coronelismo perdeu força e deixou de
existir em várias regiões do Brasil. Apesar disso, algumas práticas
do coronelismo, como, por exemplo, a compra de votos e fraudes
eleitorais continuou existindo, por muito tempo, em algumas regiões.

20

HISTÓRIA
o decreto nº. 7.666, anti-truste, que obtinha o apelido de Lei Malaia, e foi assinada por Getúlio. Tal lei servia para reprimir os abusos do poder econômico, por parte dos trustes, funcionando como
um bloqueio, em relação aos grandes monopólios internacionais.
O Código Eleitoral, chamado também de "Lei Agamenon",
abria caminho para o Tribunal Superior Eleitoral conceder o registro ou a cassação de partidos políticos, mediante os princípios
constitucionais. Desse modo, era possível ser negado o registro de
qualquer partido que ameaçasse a ordem democrática.
Interventora de Agamenon Magalhães (1937-1945), com a
influência da formação da identidade ao chegar a Recife-Pernambuco-Brasil. O interventor Agamenon Magalhães, utilizando-se do
seu Jornal Folha da Manhã para enfocar características, elementos
fundantes, que espelhassem para a sociedade Pernambucana o perigo que representava o povo judaico, formação da identidade ao
chegar a Recife-Pernambuco-Brasil

PERNAMBUCO SOB A INTERVENTORIA
DE AGAMENON MAGALHÃES:

Em 1937, em nome da segurança Nacional, Getúlio Vargas
decreta a vigência do Estado Novo: dissolve o Congresso Nacional, os Legislativos estaduais e municipais, suspende as eleições
e os partidos políticos, e estabelece por seis anos o mandato para
Presidente da República. Em Pernambuco, o governador Carlos
de Lima Cavalcanti é deposto, sendo decretado o estado de emergência. Getúlio nomeia Agamenon Magalhães como o interventor
federal do Estado.
A partir daí, o político passa a desencadear uma série de ações
sistemáticas visando desmontar as estruturas administrativas herdadas pelo governador que o precedeu, já que este havia consolidado uma liderança local e se projetado no cenário nacional. Ele
se torna, por outro lado, o expoente e o principal doutrinador do
Estado Novo em Pernambuco. Em seu governo, que tem a duração
de oito anos, ele constrói milhares de casas para os pobres, cria a
mística do anti-mocambo, funda centros operários, escolas, uma
cooperativa editora e institui seminários pedagógicos.
Em uma ocasião, Agamenon solicita ao prefeito de Olinda,
eleito pelas urnas em 1934, que o mesmo renuncie ao cargo, para
que ele possa nomear um substituto. O prefeito, apesar de bem
pouco satisfeito com aquele pedido, atendeu ao pleito do interventor. A título de curiosidade, vale a pena indagar: quem seria
o prefeito deposto? Ele se chamava, nada mais nada menos, Luís
Sérgio Magalhães e era irmão do próprio Agamenon!
Em 1937, em nome da segurança nacional, Getúlio Vargas decreta a vigência do Estado Novo: dissolve o Congresso Nacional,
os Legislativos estaduais e municipais, suspende as eleições e os
partidos políticos, e estabelece por seis anos o mandato para Presidente da República.
Em Pernambuco, o governador Carlos de Lima Cavalcanti é
deposto, sendo decretado o estado de emergência. Getúlio nomeia
Agamenon Magalhães como o interventor federal do Estado.
A partir daí, o político passa a desencadear uma série de ações
sistemáticas visando desmontar as estruturas administrativas herdadas pelo governador que o precedeu, já que este havia consolidado uma liderança local e se projetado no cenário nacional. Ele
se torna, por outro lado, o expoente e o principal doutrinador do
Estado Novo em Pernambuco. Em seu governo, que tem a duração
de oito anos, ele constrói milhares de casas para os pobres, cria a
mística do anti-mocambo, funda centros operários, escolas, uma
cooperativa editora e institui seminários pedagógicos.
Quando assume o Governo de Pernambuco, Agamenon cria a
Liga Contra o Mocambo. Desta maneira, luta muito pela urbanização e saneamento básico, construindo casas populares de alvenaria, fortalecendo a educação, a saúde, a pequena agricultura. Essa
Liga, em 1945, se transforma em uma autarquia: o Serviço Social
Contra o Mocambo.
Desejando descontrair o regime para salvar o Estado Novo,
Getúlio Vargas concedia uma anistia aos presos políticos, em 1945,
e convidava Agamenon para assumir o Ministério da Justiça. Ele
elaborava uma legislação eleitoral e partidária, além de promulgar

Didatismo e Conhecimento

Ao nos debruçarmos sobre o período estadonovista, nos deparamos com a campanha prático-discursiva, construída por esse
regime, de "repensar o Brasil". No plano sócio-cultural, essa campanha foi amplamente legitimada por setores da intelectualidade
nacional, onde os debates sobre a mestiçagem também passaram a
ser repensados. As teorias deterministas, eugênicas, cederam lugar
às idéias culturalistas; o darwinismo social, que apontava a miscigenação como mal maior das sociedades, foi colocado em questão.
O "Brasil mestiço" era o Brasil que deveria ser valorizado, era
a mestiçagem que nos fazia singular, esse era o discurso idealizado
pelos intelectuais da época. Nesse período, a cultura afro-brasileira
passou a fazer parte das discussões do meio acadêmico, porém,
no cotidiano dos afrodescendentes essa "democracia racial" era
negada.
O povo passa a interessar ao poder dominante, quando ele
legitima a "hegemonia burguesa", mas, contraditoriamente, seus
costumes, suas crenças, seu modo de viver, "incomodam como lugar do inculto por tudo aquilo que lhe falta".
A capoeira foi oficializada como modalidade esportiva em
1937. Em 1939, Getúlio Vargas decreta que o "Dia da Raça" deveria ser comemorado em 30 de maio, fazendo alusão à "tolerância
racial" existente em nossa sociedade. Contudo, o esforço do poder
oficial em demonstrar através dessas ações como o novo regime
estava aberto às manifestações culturais dos afrodescendentes, a
realidade social e política do próprio afro-brasileiro eram marcadas pela exclusão social.
Em Pernambuco, a interventora de Agamenon Magalhães,
teve sua atuação político-administrativa caracterizada pela forte
perseguição aos grupos afro-religiosos. Medidas de controle social foram adotadas, onde a máquina estatal e instituições sociais
passaram a ser utilizadas como instrumentos na manutenção de
regime. O extenso Relatório de Governo do interventor Federal
em Pernambuco, de1938-1939, apresentado ao Presidente Getúlio
Vargas, nos faz perceber não apenas como foram direcionados os
investimentos na área de educação e saúde pelo governo de Agamenon Magalhães, como também nos permite compreender como
as relações etno-sociais foram processadas naquele período.

21

HISTÓRIA
O discurso intolerante, que apontava os cultos afro-religiosos
como práticas "nocivas à sociedade", foi construído sob a égide do
preconceito racial, onde a perseguição aos "catimbozeiros" passou
a fazer parte da rotina policial. Para o interventor pernambucano,
a repressão aos cultos afro-religiosos estava inserida em uma série
de medidas "saneadoras", que além de efetivar o compromisso de
seu governo com a manutenção da ordem "moral e social" tais
medidas garantiam a saúde da população.

Estado Novo idealizava uma sociedade branca, pois os valores etnocentrados, o arianismo nazi-fascista foram expressivamente reproduzidos pelo discurso varguista. Nesse período, ser negro
e viver a negritude representava desafiar os padrões de comportamento e pensamento impostos pela política autoritária varguista,
onde as relações de alteridade foram marcadas pela intolerância
racial e exclusão social.

Medidas de profilaxia moral e social: jogos proibidos, casas
de tolerância, baixo espiritismo, decoro público, seitas africanas
e as práticas das ciências herméticas, onde Agamenon Magalhães
registra como se processava a atuação policial. Vejamos: "A jogatina desenfreada, as casas de tolerância, o baixo espiritismo, as
seitas africanas e as práticas chamadas ciências hermética, livremente exercitadas", foram outros tantos problemas que a atual administração teve que enfrentar, vencendo as resistências que o seu
arraiga mento oferecia às mediadas saneadoras. Por outro lado, a
atividade de tais seitas, revivendo formas rudes e exóticas de veneração que se dizer religiosa, permite toda sorte de exploração de
gente inculta, afetando, sensivelmente, a moral, a saúde e a tranquilidade pública.

MOVIMENTOS SOCIAIS E REPRESSÃO
DURANTE A DITADURA CIVIL-MILITAR
(1964-1985: EM PERNAMBUCO; HERANÇA
AFRO-DESCENTE EM PERNAMBUCO;

No dia 1º de Abril de 1964 o Brasil mergulha em uma nova
fase da sua história. Durante 21 anos o país viveu um regime de
governo militar, que marcou a nação, seu povo e suas instituições.
Foram duas décadas de confronto entre forças políticas e sociais.
Neste conflito ambos os lados, governo e oposição, utilizaram todos os seus recursos: censura terrorismo, tortura e guerrilha. Veja
abaixo o regime militar e o período de redemocratização. Verá
também alguns fatos que marcaram a ditadura: os movimentos de
oposição e a repressão.
Regime Militar é instaurado pelo golpe de 1º de abril de
1964. O plano político é marcado pelo autoritarismo, supressão
dos direitos constitucionais, perseguição política, prisão e tortura
dos opositores, e pela imposição da censura prévia aos meios de
comunicação. Na economia há uma rápida diversificação e modernização da indústria e serviços, sustentada por mecanismos de
concentração de renda, endividamento externo e abertura ao capital estrangeiro.
Com a deposição de Jango, o presidente da Câmara, Ranieri
Mazzelli, assume formalmente a presidência e permanece no cargo
até 15 de abril de 64. Na prática, porém, o poder é exercido pelos
ministros militares de seu governo, entre eles, o general Arthur da
Costa e Silva, da Guerra. Nesse, período é instituído o Ato Institucional nº1.
Os Atos Institucionais são mecanismos adotados pelos militares para legalizar ações políticas não previstas e mesmo contrárias
à Constituição. De 1964 à 1978 serão decretados 16 Atos Institucionais e complementares que transformam a Constituição de 46
em uma colcha de retalhos . O AI-1 , de 9 de abril de 64, transfere
poder aos militares, suspende por dez anos os direitos políticos de
centenas de pessoas. As cassações de mandatos alteram a composição do Congresso e intimidam os parlamentares.

O Relatório Oficial do interventor Agamenon Magalhães também especificava como a campanha contra as "seitas africanas"
foi montada, envolvendo os diversos órgãos da administração da
interventoria, nos revelando a organização da máquina estatal no
combate as entidades e indivíduos que ameaçavam a "ordem".
Nesse sentido, não podemos negar a organização da estrutura administrativa do regime ditatorial estadonovista, haja vista que a
máquina estatal buscava funcionar harmoniosamente, onde a centralização política e o controle de informações faziam parte desse
processo.
Não podemos negar que essas práticas de vigilância e repressão contra os cultos afro-religiosos também representavam o reflexo da ligação político-ideológica do projeto estadonovista com
setores da Igreja Católica, ou seja, o regime ditatorial varguista
e a Igreja Católica assumiram uma relação bastante próxima, de
forma que essa instituição passou a colaborar com a manutenção
do poder instaurando.
O perfil de Getúlio Vargas não era apenas de grande orador,
mas também, um líder espiritual. O jornal do interventor pernambucano, a Folha da Manhã, possuía uma seção diária dedicada a
Igreja Católica, intituladas "Religiosas". Nessa seção, se comemoravam o dia dos santos católicos e divulgavam-se as atividades
promovidas pela Igreja.
Também eram realizadas reflexões acerca das "escrituras sagradas" e os evangelhos eram citados e comentados.

Junta Militar
É integrada pelos ministros da Marinha Augusto Rademacker, do exército, Lyra Tavares e da Aeronáutica Márcio de Souza
e Melo. Governa por dois messes - de 31 de agosto de 1969 até
30 de outubro do mesmo ano. Em setembro, decreta entre outras
medidas o AI-14, que institui a prisão perpétua e a pena de morte
em casos de guerra revolucionária e subversiva, reforma a constituição de 1969 e impõe a nova lei de segurança nacional. Decreta
também reabertura do Congresso, após dez messe de recesso. Em
25 de outubro de 1967, os parlamentares elegem Emílio Garrastazu Médici para a presidência.

Era a função catequética da Folha da Manhã. As manchetes
que noticiavam as perseguições aos terreiros eram sistematicamente propagadas, com o objetivo de massificar a campanha contra os
"catimbozeiros". Ao pretender ser o porta-voz do Estado Novo em
Pernambuco, a Folha da Manhã passou a reproduzir a "infâmia",
as "fantasias" e os "mitos", seguindo o modelo de Hitler na Alemanha. A propaganda era imprescindível para a conquista das massas,
o objetivo da imprensa não era apenas de informar transmitindo os
fatos, mas estimular, incitar e mover as massas.
Didatismo e Conhecimento

22

HISTÓRIA
Governo Costa e Silva
O marechal Arthur Costa e Silva assume em 15 de março de
1967 e governa até 31 de agosto de 1969, quando é afastado por motivos de saúde. Logo nos primeiros meses de governo enfrenta uma
onda de protestos que se espalham por todo o país. O autoritarismo
e a repressão recrudescem na mesma proporção em que a oposição
se radicaliza. Costa e Silva cria o Fundo Nacional do Índio (Funai)
e o Movimento de Brasileiro de Alfabetização (Mobral).
Crescem as manifestações de rua nas principais cidades do
país, em geral organizadas por estudantes. Em 1968 o estudante
secundarista Édson Luís morre no Rio de Janeiro em confronto
entre polícias e estudantes. Em resposta, o movimento estudantil,
setores da Igreja e da sociedade civil promovem a Passeata dos
Cem Mil, a maior mobilização do período contra o regime militar.
Na Câmara Federal, o deputado Márcio Moreira Alves, do MDB,
exorta o povo a não comparecer às festividades do dia 7 da Independência. Os militares exigem sua punição. A Câmara não aceita
a exigência e o Congresso decreta o AI-5, em 13 de dezembro de
1968.
Em 17 de abril de 1968, 68 municípios, inclusive todas as capitais, são transformados em áreas de segurança nacional e seus
prefeitos passaram a ser nomeados pelo presidente da República.
Mais abrangente e autoritário de todos os outros atos institucionais, o AI-5 na prática revoga os dispositivos constitucionais
de 67. Reforça os poderes discricionários do regime e concede ao
exército o direito de determinar medidas repressivas específicas,
como decretar o recesso do Congresso, das assembléias legislativas estaduais e Câmaras municipais. O Governo pode censurar
os meios de comunicação, eliminar as garantias de estabilidade
do Poder Judiciário e suspender a aplicação do habeas-corpus em
casos de crimes políticos. O Ato ainda cassa mandatos, suspende
direitos políticos e cerceia direitos individuais.
Ditadura militar, esquerdas e sociedade no Brasil.
Quase ninguém quer se identificar com a Ditadura Militar no
Brasil nos dias de hoje. Sobre o período a memória adquiriu uma
arquitetura simplificada: de um lado, a ditadura, o reino da exceção, os chamados anos de chumbo. De outro lado, a nova república, regida pela Lei, a sociedade democrática.
Embora tenha desaparecido gradualmente, em ordem e paz, a
ditadura militar foi e tem sido objeto de escárnio, de desprezo, ou
de indiferença, estabelecendo-se uma ruptura drástica entre o passado e o presente, quando não o silêncio e o esquecimento de um
processo, contudo, tão recente, e tão importante, de nossa história.
Entretanto, se isto tudo corresponde à verdade, como explicar porque a ditadura não foi simplesmente derrotada?
Como compreender a permanência de lideranças e mecanismos de poder preservados e/ou construídos no período da ditadura,
pela ditadura e para a ditadura? E o que dizer da cultura política
autoritária, cuja vitalidade ninguém pode contestar?
Talvez seja necessário refletir sobre as raízes e os fundamentos históricos da ditadura militar, as complexas relações que se
estabeleceram entre ela e a sociedade, e, num contraponto, sobre o
papel desempenhado pelas esquerdas no período.
É o que o presente texto pretende fazer. Começando pelo início: o processo que desembocou na instauração da ditadura. Em
seguida, estudar o desenvolvimento dos governos ditatoriais, as
oposições de esquerda, os programas alternativos apresentados, o
impacto que tiveram, sempre no contexto de uma sociedade que,
afinal, nunca se rebelou de forma radical contra a Ordem vigente.
Didatismo e Conhecimento

E observar, finalmente, como se foi extinguindo a ditadura
militar, redefinindo-se, transformando-se, transitando para uma
democracia sob formas híbridas, mudando de pele como um camaleão muda de cores, numa lenta metamorfose, a ponto de provocar
polêmicas a respeito de quando, efetivamente, terminou.
Nossa escolha recai em 1979, quando deixou de existir o Estado de exceção, com a revogação dos Atos Institucionais, e foi
aprovada a Anistia, ensejando a volta do exílio dos principais líderes das esquerdas brasileiras. Daí em diante, abriu-se um período
de transição, até 1988, quando a aprovação de uma nova Constituição restabeleceu as condições de um pleno Estado de Direito
em nosso país.
E assim, da ditadura fez-se a democracia, como um parto sem
dor, sem grandiloquência, cordialmente, brasileiramente.
A vitória do movimento civil-militar que derrubou João Goulart em abril de 1964, praticamente sem resistência, constituiu uma
grande surpresa. Brasil e América Latina no contexto da luta pela
autonomia e pela afirmação de um projeto nacional-estatista.
Uma primeira chave, mais ampla, engloba a América Latina,
e, a rigor, o Terceiro Mundo em seu conjunto. Remete à questão da
viabilidade do projeto de construção da autonomia no contexto do
mundo capitalista. Com efeito, desde a Segunda Revolução Industrial, de fins do século XIX, frente às grandes potências capitalistas, colocou-se para uma série de sociedades o desafio de construir
uma inserção autônoma no mercado capitalista internacional.
Na rede armada pelo processo de internacionalização do capital (comércio de mercadorias e exportação de capitais), combinada
com a expansão territorial, sobretudo das potências europeias, laços apertados de dependência foram tecidos, dificultando, às vezes
impedindo, nas regiões da África, Ásia e América Latina, a conquista de uma real autonomia política e econômica, mesmo entre
aqueles países que não chegaram a ser transformados em colônias
diretas (caso da China), ou que já tinham deixado de sê-lo (caso de
quase todos os países da América Latina).
A I Grande Guerra e as convulsões subsequentes dos críticos
anos 20 e 30 (emergência da revolução russa, surgimento dos fascismos, crise geral das economias liberais) abriram brechas nestes
laços de dependência, permitindo a estruturação de projetos autonomistas, assumindo, quase sempre, um caráter nacional-estatista.
A proposta republicana de Sun Yat-sen na China, a modernização
da Turquia, liderada por Mustapha Kemal, o Partido do Congresso
na Índia, o nacionalismo mexicano de Ernesto Cárdenas, o Estado
Novo Varguista, tinham este sentido: explorar os espaços criados
pelo enfraquecimento das potências, ou/e a rivalidade entre elas,
para lograr margens de autonomia.
Para além de suas diversidades, estas diferentes iniciativas
esboçaram o projeto ambicioso de construir um desenvolvimento
nacional autônomo no contexto do capitalismo internacional, baseado nos seguintes elementos principais: um Estado fortalecido
e intervencionista, um planejamento mais ou menos centralizado,
um movimento, ou um partido nacional, congregando as diferentes
classes em torno de uma ideologia nacional e de lideranças carismáticas, baseadas numa íntima associação, não apenas imposta,
mas também concertada, entre Estado, Patrões e Trabalhadores.
Era aí disseminada a crítica aos princípios do capitalismo liberal e à liberdade irrestrita dos capitais. Em oposição, defendia-se a
lógica dos interesses nacionais e da justiça social, que um Estado
intervencionista e regulador tratariam de garantir.No transcurso da
II Guerra Mundial, as circunstâncias obrigariam as grandes potências a conciliar com estes projetos. Depois da conflagração, contudo, novas circunstâncias imporiam redefinições de rumos.
23

HISTÓRIA
O enfraquecimento das potências européias e do Japão, e a
estruturação de poderosos movimentos de libertação nacional
pareciam abrir um horizonte favorável, inclusive porque as duas
grandes superpotências resultantes do conflito mundial - os EUA e
a URSS -, embora com intenções diversas, estavam também interessadas na fim dos velhos impérios coloniais. Este último aspecto,
contudo, apresentava ambiguidades, porque tanto os EUA como a
URSS cultivavam ambições universais e, na lógica da bipolaridade
da Guerra Fria, pretendiam reduzir as margens de autonomia já
conquistadas ou a conquistar.
Mas as coisas não se passaram da mesma forma nas várias
regiões do mundo.
Na Ásia, a derrota do Japão e a presença de fortes movimentos
de libertação nacional, ensejaram a conquista de margens consideráveis de autonomia, expressas na independência de uma série de
povos e no triunfo da revolução chinesa.
No mundo muçulmano, os movimentos autonomistas tornaram-se irreversíveis na primeira metade dos anos 50, com o nasserismo, e, um pouco mais tarde, através da revolução argelina e
do socialismo árabe. Na África negra, a partir da independência de
Ghana, em 1957, desencadeou-se uma grande onda de independências. Todo este processo abriu horizontes - e grandes esperanças - para a construção dos projetos autonomistas. A conferência
de Bandung, realizada em 1955, estabeleceria os marcos iniciais
desta utopia terceiro-mundista, um dos componentes essenciais
das relações internacionais até os anos 60 e parte dos anos 70. Ela
se baseava na crença de que seria possível alcançar o sonhado desenvolvimento autônomo com base num projeto nacional-estatista.
Na América Latina, entretanto, as coisas tomaram outros rumos. Em virtude da maior presença dos EUA, do pouco peso da
URSS, das opções definidas pela maior parte das elites dominantes da área, de certas tradições culturais, os projetos autonomistas
construídos com algum êxito até 1945 tenderam a perder fôlego e
vigor. Houve resistências, sem dúvida.
O peronismo na Argentina, a revolução boliviana, o aprismo
no Peru, o movimento democrático-popular na Venezuela, o nacionalismo mexicano, o varguismo e o trabalhismo no Brasil, além
de uma série de movimentos e experimentos na América Central,
como o liderado por J. Arbenz na Guatemala, atestam a força acumulada e as raízes sociais e históricas, em nosso continente, do
programa nacional-estatista, em luta pela conquista da autonomia.
Entretanto, a proposta de um desenvolvimento dependente e
associado aos capitais internacionais ganhou força ao longo dos
anos 50, quando novas reestruturações da divisão internacional
do trabalho permitiram a alguns países mais importantes do continente - Brasil, Argentina, México - disporem de condições para
emprender surtos industrializantes.
As alianças então constituídas, e as expectativas geradas, pelo
menos em alguns países que puderam registrar altos níveis de crescimento econômico, como, por exemplo, o Brasil dos 50 anos em
5 de Juscelino Kubitschek, minaram, mas não chegaram a destruir
as bases constituídas pela tradição nacional-estatista. Com efeito,
nem todos os dados estavam ainda jogados.
A vitória da revolução cubana, em 1959, a da revolução argelina, em 1962, o processo de independências nacionais na África
negra e no mundo árabe e muçulmano, a luta revolucionária no
Vietnã, retomada a partir dos começos dos anos 60, entre muitos
outros acontecimentos, conferiram novo alento aos movimentos
nacional-estatistas latino-americanos.
Didatismo e Conhecimento

O enfrentamento entre Cuba e os poderosos Estados Unidos da
América empolgavam as correntes nacionalistas, que se reconheciam como parte da nuestra América, um sonho de José Martí, que
muito se assemelhava, nas condições da América Latina, ao espírito afro-asiático formulado em Bandung. Assim, numa perspectiva
mais ampla, histórica, a revolução cubana pode ser avaliada como
um elo a mais da longa luta dos movimentos nacional-estatistas
latino-americanos pela conquista de margens de autonomia. Nesta
mesma perspectiva, o caráter socialista do regime político e social
cubano deveria ser comprendido muito mais como uma imposição
da pressão e do cerco dos EUA - e da necessária aliança de defesa
com a URSS - do que como uma evolução consciente e estruturada
da própria revolução.
Neste contexto internacional abriu-se uma conjuntura de grandes lutas sociais, até então inédita na história da república brasileira. O marco inicial foi a renúncia do presidente Janio Quadros,
em agosto de 1961.
1961-1964: a derrota histórica do projeto nacional-estatista
Janio fora eleito, em outubro de 1960, articulando um leque de
forças: oligarquias liberais, classes médias, amplos contingentes
de trabalhadores. Estavam todos, por diferentes razões, descontentes com os rumos da sociedade. A euforia desenvolvimentista, da
segunda metade dos anos 50, cedera lugar à apreensão face às contradições que se acumulavam: o ritmo de crescimento diminuíra,
crescera a inflação, intensificara-se o cortejo de desajustes próprios
de épocas de transformações aceleradas.
Como resultado, desgastaram-se as forças e os partidos que
haviam comandado até então o país, criando-se na sociedade uma
atmosfera geral a favor de mudanças. Era preciso renovar a vida
política do país. Janio, líder carismático por excelência, soube
encarnar estes anseios pelo novo, tão próprios da cultura política
brasileira.
Mas o governo, iniciado em janeiro de 1961, cedo pareceu
uma potência que não se realizava. A política econômica, na linha
da ortodoxia monetarista, desagradava o setor industrial. A política externa independente irritava os setores conservadores sem
angariar o apoio das esquerdas, desprezadas por Janio. Quanto aos
trabalhadores, frente à inflação crescente, recebiam promessas de
austeridade...
O presidente parecia apostar apenas no diálogo direto com a
sociedade, exercitando seu inegável carisma. Reclamava de restrições e alegava carecer de plenos poderes, e foi com a perspectiva
de obtê-los que renunciou, em agosto de 1961, num golpe bem
urdido (surpreendeu a todos), mas pessimamente executado - não
havia nenhum dispositivo organizado para aproveitar-se da situação de caos e de quase guerra civil em que o país mergulhou por
quase duas semanas.
Os ministros militares tentaram impedir a posse do vice-presidente eleito, João Goulart, líder do Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB). No entanto, frente ao movimento de resistência, houve um
acordo em que ambos os lados recuaram.
Afinal, Jango assumiu o governo, em 7 de setembro de 1961,
mas no quadro de um parlamentarismo híbrido, associando um
presidente enfraquecido e um parlamento fraco. Quanto aos golpistas, tiveram as posições preservadas, não sendo punidos.
Alguns aspectos da crise merecem ser destacados. Primo, a
improvisação do veto à posse de Jango, devida à própria surpresa
com que foram colhidos os ministros militares pela renúncia do
presidente Janio Quadros, aliada à indecisão e às divisões das eli24

HISTÓRIA
tes dominantes, constituíram fatores fundamentais para o fracasso
da tentativa de golpe. Segundo o protagonismo dos movimentos
populares, que entraram na cena política em defesa da posse de
Goulart. Na sequência, eles não se deixariam tão facilmente afastar
do palco. Tertio, o fato essencial de que estes movimentos haviam
partido para a luta em defesa da democracia, da lei e da ordem
constitucional. Em outras palavras, a luta se travara em defesa da
ordem legal.
Com a posse de João Goulart, tornou-se possível reatualizar a
hipótese do projeto nacional-estatista. Com efeito, se o desenvolvimentismo de JK, como já referido, abalara alguns de seus fundamentos, não o superara. Quanto a Janio Quadros não teve sequer
tempo, ou condições, para elaborar alguma alternativa. Ressurgia
assim uma possibilidade que muitos imaginavam definitivamente
enterrada.
As agitações sociais ampliaram-se, num crescendo, alcançando trabalhadores urbanos e rurais, assalariados e posseiros, estudantes e graduados das forças armadas, configurando uma redefinição do projeto nacional-estatista, que passaria a incorporar uma
ampla - e inédita - participação popular. Talvez exatamente por
causa disto, mudaram o tom e o sentido do discurso: ao contrário
de certa tradição conciliatória, típica do estilo de Getulio Vargas,
os obstáculos deveriam agora ser removidos, e não evitados, os
alvos, abatidos, e não contornados.
E assim tomou corpo o programa das reformas de base.
A reforma agrária, para distribuir a terra, com o objetivo de
criar uma numerosa classe de pequenos proprietários no campo. A
reforma urbana, para planejar e regular o crescimento das cidades.
A reforma bancária, com o objetivo de criar um sistema voltado
para o financiamento das prioridades nacionais. A reforma tributária, deslocando a ênfase da arrecadação para os impostos diretos,
sobretudo o imposto de renda progressivo. A reforma eleitoral, liberando o voto para os analfabetos, que constituíam, então, quase
metade da população adulta do país. A reforma do estatuto do capital estrangeiro, para disciplinar e regular os investimentos estrangeiros no país e as remessas de lucros para o exterior. A reforma
universitária, para que o ensino e a pesquisa se voltassem para o
atendimento das necessidades sociais e nacionais. Instaurou-se um
amplo debate na sociedade sobre o assunto.
Nas ruas, nas greves e nos campos, agitavam-se os movimentos sociais, reivindicando, radicalizando-se. Entretanto, em sentido contrário, mobilizavam-se resistências expressivas. A análise
das eleições de 1962, cerca de um ano após a posse de Jango, que
renovaram a Câmara Federal, parte do Senado e mais um conjunto
importante de governos estaduais, evidenciou a força das direitas e
da opinião conservadora.
No Congresso Nacional, embora o Partido Trabalhista Brasileiro e outros partidos reformistas menores houvessem registrado
avanços relevantes, o PSD e a UDN nucleavam ampla maioria
conservadora. Nas eleições para os governos dos Estados, se as
esquerdas tinham conseguido êxito em Pernambuco e no Rio de
Janeiro, elegendo Miguel Arraes e Badger da Silveira, às direitas
haviam elegido I. Meneghetti no Rio Grande do Sul, Ademar de
Barros, em São Paulo, e Carlos Lacerda, no então recém-fundado Estado da Guanabara. Sem contar o fato de que outros importantes Estados, como Minas Gerais e Paraná, já eram governados
por lideranças conservadoras (Magalhães Pinto e Ney Braga). A
tradução política destas eleições, no que diz respeito às reformas,
poderia ser assim resumida: elas não seriam aprovadas legalmente
pelas instituições representativas.
Didatismo e Conhecimento

Nas margens da Lei, restara a expectativa de viabilizar as
reformas através do restabelecimento dos plenos poderes presidenciais de Jango. O plebiscito sobre a questão, antecipado para
janeiro de 1963, resultara, de fato, numa vitória consagradora para
Jango. Mas gerou, em seguida, grandes frustrações porque o Plano Trienal, formulado por Celso Furtado e apresentado por Jango
não chegou a durar três meses, atolando o projeto reformista num
impasse histórico.
A sociedade dividirá-se.
De um lado, o movimento reformista, tendo como núcleo amplo contingentes de trabalhadores urbanos e rurais, além de estudantes e graduados das forças armadas. Com o tempo, passaram
a defender o recurso à força, sintetizado na agressiva palavra de
ordem: reforma agrária na lei ou na marra.
De outro lado, numa outra frente social, aliavam-se as elites
tradicionais, grupos empresariais modernizantes, grande parte das
classes médias e até mesmo setores populares, toda uma constelação de profissões e atividades beneficiadas pelo dinamismo da
economia brasileira.
Neste conjunto extremamente heterogêneo, todos sentiam
obscuramente que um processo radical de redistribuição de riqueza e poder na sociedade brasileira, em cuja direção apontava o
movimento reformista, iriam atingir suas posições, rebaixando-as.
E nutriam um grande Medo de que viria um tempo de Desordem
e de Caos, marcado pela subversão dos princípios e dos valores,
inclusive dos religiosos. A ideia de que a civilização ocidental e
cristã estava ameaçada no Brasil pelo espectro do comunismo ateu
invadiu o processo político, assombrando as consciências.
Nunca seria demais recordar a importância da conjuntura internacional da guerra fria: a invasão frustrada de Cuba por exilados
financiados e armados pelos norte-americanos, o lançamento da
Aliança para o Progresso, com propostas reformistas moderadas
para conter a onda radical e comunizante, a crise dos foguetes,
levando o mundo à beira de uma guerra atômica, a expulsão de
Cuba da Organização dos Estados Americanos no contexto de uma
grande ofensiva guerrilheira em todo o continente. Complementavam o quadro a vitória da revolução argelina (1962), a retomada da
guerra do Vietnã (1960), o processo das independências na África
(primeira metade dos anos 60).
Os movimentos e lideranças partidários das reformas, que
haviam originalmente construído sua força na luta pela posse de
Jango, na defesa da ordem constituída e da legalidade, tinham evoluído para uma linha ofensiva. E assim, quem estava em linhas de
defesa, passou ao ataque, imaginando ter chegado a sua hora.
Enquanto isto, do outro lado, notórios conspiradores de todos
os golpes, desde que se fundara aquela república em 1945, encontravam-se agora defendendo a constituição e a legalidade da
ordem vigente. Entretanto, armavam o bote. E assim, quem sempre
atacara, passara agora à defensiva, esperando a sua hora. E afinal a
hora chegou, para todos, em março de 1964.
Depois de longos meses de indecisão, Jango resolveu partir
para a ofensiva. Dispôs-se a liderar um conjunto de grandes comícios para aumentar a pressão pelas reformas. O primeiro - foi
o único - realizou-se em 13 de março de 1964. Um sucesso. Reuniram-se todas as esquerdas, mais de 350 mil pessoas, na defesa
exaltada das reformas.
A reação veio imediata. No dia 19, em São Paulo, desenrolouse uma primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade. As
direitas unidas, alarmadas, também foram às ruas, cerca de 500 mil
pessoas. Outras marchas se seguiram em várias cidades. As forças
da contra-reforma.
25

HISTÓRIA
Ao contrário do que se poderia imaginar, às grande palabras
do comício do 13 de março e das primeiras Marchas da Família,
seguiu-se uma espécie de letargia, uma espécie de pausa.
A crise na Marinha mudou o foco do processo político. Em
vez de um enfrentamento entre projetos políticos, entre reforma
e contra-reforma, uma luta entre os defensores da hierarquia e da
disciplina nas Forças Armadas e os que desejavam subverter estes
valores. Um desastre político para Jango e para as forças reformistas, cujo dispositivo militar começou a ruir.
Jango foi fugindo do cenário aos soluços: Brasília, Porto Alegre, Montevidéu,. deixando atrás de si um rastro de desorientação
e desagregação. Apavorado com a hipótese de uma guerra civil
que não desejava, decidiu nada decidir e saiu da História pela
fronteira com o Uruguai. As esquerdas não ofereceram resistência,
quedando-se aparvalhadas, desmoralizadas.
As direitas saudaram nas ruas a vitória imprevista. Uma grandiosa Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, com centenas de milhares de pessoas, no Rio de Janeiro, comemorou a
derrocada de Jango, das reformas e do projeto nacional-estatista
que encarnavam.
A primeira grande dificuldade dos vitoriosos foi definir uma
identidade política positiva.
Com efeito, formara-se, para derrubar o governo de Jango,
uma ampla frente, com denominadores comuns muito genéricos:
salvar o país da subversão e do comunismo, da corrupção e do populismo. E restabelecer a democracia. Funcionando como cimento, unindo a todos, o Medo de que um processo radical pudesse
levar o país à desordem e ao caos.
Assim, as eleições previstas para 1965 e 1966 não dariam
chance para os agora vencidos recobrarem suas posições. Assim
pensavam os líderes civis do movimento. Havia, finalmente, os
que imaginavam ter um projeto alternativo à situação existente.
Pretendiam destruir, em seus fundamentos, a ordem e as tradições
nacional-estatistas que Jango representava, e pôr no lugar uma alternativa internacionalista-liberal, centrada na abertura econômica
para o mercado internacional, no incentivo aos capitais privados,
inclusive estrangeiros, numa concepção diferente do papel do Estado na economia, mais regulador do que intervencionista.
Tais perspectivas tinham sido elaboradas no âmbito do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais, o IPES, uma organização
que reunia lideranças civis e militares e que desempenhara um
importante papel na vitória do golpe. Na desordem que se seguiu
à derrocada de Jango, houve uma espécie de disputa surda entre
lideranças e dispositivos alternativos. Rapidamente o poder efetivo passou para uma Junta Militar, reunindo chefes militares das
três Armas, o autodenominado Comando Supremo da Revolução.
Poucos dias depois, em 9 de abril, a Junta editou um Ato Institucional que instaurou o estado de exceção no país. Decretaram a
cassação de mandatos eletivos e a suspensão de direitos políticos,
atingindo centenas de pessoas. Ao mesmo tempo, um processo de
caça às bruxas desencadeou-se pelo país afora, com prisões, censura a publicações e intimidações de toda a ordem.
Aquilo, decididamente, não parecia um golpe na tradição latino-americana. Os homens do Comando Supremo falavam em
nome de uma revolução, querendo explicitar a perspectiva de que
não tinham promovido uma intervenção de caráter passageiro, mas
algo mais profundo. O que, exatamente, poucos, talvez nem eles
mesmos, naquele momento, saberiam dizer.
Didatismo e Conhecimento

O problema é que o processo todo fora consumado, não em
nome de uma revolução, mas no dos valores da civilização cristã e
da democracia. Era necessário, portanto, conferir legitimidade ao
novo poder e definir alguém com qualificações para assumir a presidência da república. Foi nestas circunstâncias que o nome do general Castelo Branco apareceu. Tinha prestígio entre seus pares e
conexões com o IPES, o dispositivo organizado que, inegavelmente, naquele momento, era o mais articulado em termos políticos.
Afinal, depois de complicadas negociações, o general foi eleito pelo Congresso Nacional, já depurado por dezenas de cassações
de direitos políticos. A seu lado, como vice-presidente, a figura de
José Maria Alkmin, velha raposa do PSD, amigo e correligionário
de Juscelino Kubitscheck, que participou também da trama, pensando estar assegurando seu futuro político.
Assim, desde a própria gênese, aquele processo armou um imbróglio maior que o marcaria até o fim de seus dias. De um lado,
em função da proposta de destruir pela raiz o antigo regime representado por Jango, o Ato Institucional, a exceção, a revolução, a
ditadura. De outro, em virtude da necessidade de considerar o conjunto de forças que haviam se reunido para aquele desfecho, o respeito pela democracia, por seus valores e por suas formas e ritos.
Castelo Branco pareceu naquele momento sintetizar estes dois
lados dificilmente compatíveis. Por isso foi eleito pelo Congresso,
mas não eram muitos os que sabiam com clareza quais eram os
seus planos para o país.
Entre os homens políticos e na sociedade em geral é comum a
percepção de que tudo é possível fazer a partir do poder, sobretudo
de um poder centralizado e forte por tradição. Na História, muitos
líderes, inclusive revolucionários, aprenderam à própria custa que
não é bem assim. Se houvesse necessidade, a trajetória do governo
Castelo Branco seria uma boa ilustração a respeito dos limites de
um poder aparentemente incontrastável.
O seu internacionalismo rompia com o nacional-estatismo e
defendia o alinhamento com os EUA, num projeto de integração
do Brasil no chamado mundo ocidental e de abertura do país aos
fluxos do capital internacional. O que se traduziu numa política
econômica segundo os padrões monetaristas ortodoxos, na assinatura de um generoso acordo de investimentos, numa lei de remessa
de lucros convidativa, e no reescalonamento das dívidas com os
bancos privados e as instituições internacionais, afastando o espectro da moratória.
Havia um projeto ambicioso de estabilizar a economia e as
finanças, constituir um autêntico mercado de capitais no país, incentivar as exportações e atrair vultosos investimentos de capitais
privados. Apesar do apoio do governo norte-americano e das instituições internacionais, o fluxo, esperado, de capitais internacionais
não apareceu, frustrando as expectativas de Castelo Branco e de
sua equipe.
Em certa medida, por causa disto, a política econômica não
apresentou resultados convincentes. A inflação baixava, mas não
era domada: 86% em 1964, 45% em 1965, 40% em 1966. O crédito, escasso, provocava quebras no comércio e na indústria, ensejando críticas de comerciantes e industriais, que mobilizavam
suas poderosas organizações, pressionando o governo. Quanto aos
assalariados, tinham reajustes bem inferiores aos índices inflacionários.
Por outro lado, a repressão desatada punha em frangalhos os
valores liberais e democráticos com os quais o governo dizia-se
comprometido. As centenas de cassações e as operações desastradas de censura causavam escândalo e desgaste.
26

HISTÓRIA
Formou-se, assim, uma atmosfera de descontentamento: não
somente entre os derrotados, mas mesmo em setores da grande
frente que havia apoiado o golpe. Líderes civis do movimento vitorioso, preocupados com a impopularidade do governo, começaram a criticar a política econômica e a pedir a cabeça dos seus
responsáveis. Tais dissonâncias geravam brechas por onde penetraram as críticas de estudantes e intelectuais.
Os humoristas e cartunistas exprimiam a maré montante do
desagrado da sociedade diante de um regime que se configurava,
cada vez mais, como uma ditadura militar. No teatro, na música
de protesto, no cinema, nas artes plásticas, também ecoavam as
perplexidades e as amarguras de amplos setores sociais.
Elas também seriam agitadas pelos estudantes universitários.
De forma molecular formou-se uma oposição crescente, vindo daí
as primeiras manifestações públicas de repulsa ao governo. Também foram os estudantes universitários que constituíram a principal base social do processo de rearticulação das esquerdas organizadas, postas, todas, na clandestinidade desde abril de 1964.
Entretanto, de modo geral, todo este movimento crítico tinha
duas grandes limitações.
A primeira era de ordem social. Os trabalhadores urbanos e
rurais não tinham vez, nem voz, naquelas criticas. A maior parte
simplesmente acomodou-se à nova situação. Outros setores, mais
participantes nas lutas pelas reformas de base, encontravam-se desorientados, envolvidos na amargura das ilusões perdidas.
De outro lado, do ponto de vista do conteúdo, as críticas
elaboradas concentravam-se nas incongruências do regime, provocando o riso. Apostava-se numa espécie de beco-sem-saída. A
obtusidade daqueles gorilas seria incapaz de dirigir um país grande
e complexo como o Brasil. Seriam obrigados a recuar, pela força
das circunstâncias. Ou aquilo tudo explodiria, reabrindo horizontes para a única alternativa possível: as reformas de estrutura. Formou-se uma utopia do impasse, numa linha de continuidade com
o que havia de mais extremado na conjuntura anterior ao golpe
militar. Com esta crença se organizaria a autodenominada esquerda revolucionária, ou nova esquerda.
Para ela, a ditadura era uma tragédia, mas tinha uma virtude:
a de limpar os horizontes, removendo da cena política as tradições
moderadas, soterradas sob os escombros da derrota política. Agora, não mais seria possível cultivar ilusões. As massas se transformariam em classes, e a revolução, a autêntica revolução, poderia
despontar como hipótese. Nestas construções, distantes da dinâmica da sociedade, era impossível perceber que, no emaranhado
contraditório das políticas da ditadura, tomava corpo um processo
de modernização conservadora.
O governo Castelo Branco encerrou-se em meio ao descrédito, sobretudo depois de um novo Ato Institucional, o AI-2, editado sob sua direta responsabilidade depois da derrota eleitoral nas
eleições para os governos de Minas Gerais e Guanabara em 1965.
Com o novo Ato, reinstaurou-se o estado de exceção, a ditadura
aberta. Com ele na mão, o ditador cometeu as arbitrariedades que
lhe pareceram necessário: milhares de cassações, deposição de
governantes legalmente eleitos, recesso do Congresso Nacional,
extinção dos partidos políticos tradicionais, imposição de eleições
indiretas para governadores e presidente da república, entre muitas
e muitas outras decisões de caráter ditatorial.
Atropelando a tudo e a todos, acumulando desgastes, Castelo
Branco acabou perdendo o controle da própria sucessão, obrigado
a aceitar a candidatura do ministro do exército, Costa e Silva.
Didatismo e Conhecimento

O general-presidente ainda tentou legar uma armadura jurídico-constitucional ao país com uma nova Constituição, uma nova
Lei de Imprensa e uma nova Lei de Segurança Nacional. Mas
a aprovação a toque de caixa por um Congresso encolhido não
conseguiu legitimar seus propósitos. É certo que se realizaram as
eleições legislativas de 1966, quando estrearam os novos partidos,
criados à sombra do arbítrio, a Aliança Renovadora Nacional/
ARENA e o Movimento Democrático Brasileiro/MDB. Mas nem
com muito boa vontade se poderia dizer que foram eleições livres
e democráticas. Não gratuitamente os votos nulos e brancos alcançariam proporções inéditas.
De sorte que, em seu ocaso, o governo associou-se à repressão
e à recessão, tornando impopular um movimento que, no nascedouro, dispunha de substancial apoio, embora heterogêneo. Entretanto, é importante sublinhar que a maior parte das oposições
ao governo era moderada, não assumindo programas radicais. O
que se desejava era o restabelecimento da democracia, mas sem
embates violentos ou o recurso à força que, aliás, nos arraiais oposicionistas, era inexistente.
O programa internacionalista-liberal, apesar de coerente, não
vencera os obstáculos. Fora mais fácil derrubar homens do que
transformar estruturas. É verdade que todos os anéis tinham sido
salvos, e postas certas bases econômico-financeiras e institucionais que serviriam aos governos seguintes. Contudo, mais de vinte
anos ainda se passariam para que as plataformas defendidas por
Castelo Branco, em sua inteireza, se reatualizassem com chances
de concretização. Neste sentido, Castelo Branco foi um precursor,
um neoliberal avant la lettre.
No imediato, as atenções agora se voltavam para o novo general-presidente, Costa e Silva, inclusive porque o homem vinha com
promessas de reconciliação democrática e de desenvolvimento.
No discurso de posse, como Castelo Branco, e como os sucessores, Costa e Silva prometeu democracia, diálogo e desenvolvimento.
Em 1967, o país já registrou um razoável crescimento: 4,8%.
No ano seguinte, em 1968, quase o dobro: 9,3%, tendo o conjunto da atividade industrial alcançado o patamar de 15,5%, puxado
pela construção civil, com 17% de crescimento. A decolagem era
produto da combinação das medidas do governo com uma série
de condições favoráveis, internas (ociosidade do parque industrial,
demanda reprimida, saneamento financeiro executado pelo governo anterior) e externas (início de um boom espetacular no mercado
internacional: entre 1967 e 1973, o comércio mundial cresceu a
uma taxa de 18% ao ano).
Entretanto, a insatisfação acumulada - e represada - durante o
governo anterior, tenderia agora a desaguar em protestos e movimentos públicos.
Na própria frente que protagonizou o golpe apareceram divisões: a Frente Ampla, formada ao longo de 1967, a oposição
liberal de parte importante da grande imprensa, e a passagem de
setores minoritários, mas expressivos, da Igreja Católica para posições hostis ao Poder.
Na área intelectual, eram visíveis as manifestações críticas ao
governo, embora também se fizessem presentes expressões, senão favoráveis, ao menos complacentes, com o sistema político
em vigor ou com a ordem vigente. Assim, ao lado da música de
protesto, sempre lembrada, é preciso recordar outras propostas incompreensíveis a um gênero de oposição mais ortodoxa, como o
tropicalismo.
27

HISTÓRIA
Além disso, havia todo um conjunto, de grande sucesso, de
mídia e de público, como a chamada Jovem Guarda, para quem as
lutas políticas passavam literalmente à côté. Não eram nem contra,
ou a favor delas, muito pelo contrário... e nem por isso recebiam
menos atenção, ou aplausos. Do mesmo modo, em relação ao cinema, há uma constante ênfase em certos filmes e autores, como Os
Fuzis, de Rui Guerra, ou Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, uma cinematografia de resistência, como se dizia na
época, com alta qualidade artística, contudo, reduzido público. Os
campeões de bilheteria eram Roberto Farias com um filme sobre
Roberto Carlos, melhor bilheteria de 1968, ou José Mojica Marins,
cujos filmes de terror (Esta noite encarnarei no teu cadáver) transformavam-se em grandes sucessos.
Ambiguidades que merecem ser consideradas na avaliação
dos movimentos da opinião pública, sobretudo porque as grandes
massas populares, sem recursos para ir às salas de cinema, embalavam-se nas novelas - que então iniciavam sua trajetória de sucesso -, nos shows de variedades e nos programas humorísticos das
TVs - que só muito raramente, e de forma indireta, ingressavam na
seara das lutas políticas. De sorte que, a rigor, apesar da agitação
crescente, o poder, apoiado agora nos índices de crescimento econômico, parecia ter reservas apreciáveis para enfrentar o descontentamento existente na sociedade.
Já em 1967, primeiro ano do governo Costa e Silva, o diálogo
prometido não ocorreu, mas, sim, a repressão, face às pressões do
único movimento social ativo- estudantil. No ano seguinte, este
movimento tomou outro vulto, sobretudo no primeiro semestre,
culminando o processo na chamada passeata dos Cem Mil, no Rio
de Janeiro, que unificou as lutas estudantis com os protestos dos
intelectuais.
No conjunto, o movimento social dos estudantes tinha um
marcado caráter sindical, mas suas manifestações públicas, agora,
se inseriam no contexto do ano quente de 1968. Por outro lado,
organizações revolucionárias clandestinas, que controlavam quase
todas as entidades representativas, apareciam nas manifestações
com propósitos de enfrentamento, inclusive armado, que ultrapassavam o escopo próprio do movimento.
A polícia política e mesmo alguns analistas, mais tarde, confundiram os dois processos que, no entanto, precisam ser deslindados - o movimento social estudantil, em sua autonomia, de caráter
basicamente sindical, e as organizações revolucionárias clandestinas, já decididas, em função de sua evolução interna, à luta armada
com o sistema.
São estas organizações, da esquerda revolucionária, que,
desde 1965, e ainda com mais força em 1967 e 1968, se lançarão
às ações armadas. Eram pequenas ações, e minúsculas, as organizações envolvidas, mas, pelo ineditismo e pelo simbolismo do
desafio, provocavam uma imensa repercussão mediática e na sociedade. O fenômeno se nutria de duas grandes referências já aqui
indicadas: a da utopia do impasse, ou seja, a ideia de que o governo
não tinha condições históricas de oferecer alternativas políticas ao
país; e a de que as grandes massas populares, desiludidas com os
programas reformistas, tenderiam a passar para expectativas e posições radicais de enfrentamento armado, revolucionário.
Já no segundo semestre do próprio ano de 1968, os estudantes
davam sinais de recuo. Somente os setores mais radicais, alguns
poucos milhares de jovens, mantinham o ânimo, frente à repressão. O canto de cisne ocorreu quando da dissolução, pela polícia,
do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, interior de São Paulo, em
Didatismo e Conhecimento

outubro de 1968, tendo sido presas centenas de lideranças estudantis.Nesta altura, as oposições liberais e moderadas já estavam sem
rumo, privadas da Frente Ampla, proibida desde o mês de abril.
Dispunham ainda de um partido, o MDB, mas ele estava ainda profundamente desacreditado.
Pois foi exatamente neste momento que o governo intensificou
a ofensiva. Tomando como pretexto a recusa do Congresso em autorizar o processo do deputado Márcio Moreira Alves, acusado de
ter feito um discurso ultrajante às Forças Armadas, o general-presidente decretou um novo Ato Institucional, o de n. 5, em dezembro
de 1968, reinstaurando, de modo inaudito, o terror da ditadura.
Na verdade, visando muito mais os componentes insatisfeitos
da grande e heterogênea frente que apoiara o golpe de 1964 do que
os estudantes, já derrotados. A situação criada favoreceu aparentemente as propostas radicais da esquerda revolucionária. Sob o AI-5,
era como se estivessem realizando as condições da utopia do impasse. O advento do tudo ou nada.
Assim, entre 1969 e 1972, desdobraram-se ações espetaculares
de guerrilha urbana: expropriações de armas e fundos, ataques a
quartéis, sequestros de embaixadores. Os revolucionários chegaram a ter momentos fulgurantes, mas, isolados, foram cedo aniquilados. Na sequência, entre 1972 e 1975, seria identificado, caçado
e também destruído um foco guerrilheiro na região do Araguaia,
na fronteira do Pará, Maranhão e Goiás, reunindo algumas dezenas
de guerrilheiros, na tentativa mais consistente da esquerda revolucionária.
A sociedade assistiu a todo este processo, como se fosse uma
plateia de um jogo de futebol. Ou espectadores de um filme, ou de
uma novela de TV. Às vezes, muitos pareciam simpatizar com o
lado dos revolucionários. Mas não raramente, outros tantos os denunciavam, apontando-os, e a seus esconderijos, à polícia. A rigor,
para a grande maioria da população, aquela guerra como a chamava
os revolucionários e a polícia política, era algo que não conseguiam
compreender, quanto mais, participar.
Por outro lado, também não é certo que houvesse simpatias pelos métodos brutais empregados pela polícia política, embora a sociedade brasileira já tivesse então aprendido e até hoje isto continua
a conviver serenamente com a tortura, mas desde que empregada
contra os chamados marginais. Sempre que este jogo sujo se passasse fora das vistas, e longe dos ouvidos, seria possível sustentar
que os excessos eram ignorados e a sociedade, inocente.
Aquela luta desigual acabou em massacre. Os grupos e organizações revolucionárias equivocaram-se de sociedade e de tempo
histórico - e pagaram com a existência - física e política - pelos
erros cometidos.À sombra desta derrota, e sob as asas de terror do
AI-5, construiu-se um país próspero e dinâmico.
Num contexto internacional extraordinariamente favorável,
que não se repetiria nas décadas seguintes, e apoiadas por um conjunto de medidas e incentivos estatais, o capitalismo brasileiro deu
um gigantesco salto para frente.
A sinfonia dos índices anuais de crescimento do Produto Nacional Bruto/PNB era doce música para todos os que se beneficiavam: 9,5% (1970), 11,3% (1971), 10,4% (1972), 11,4% (1973). Na
ponta, a indústria, registrando taxas de 14% anuais, com destaque
para as duas locomotivas do processo: a indústria automobilística, com taxas anuais de 25,5%, e a de eletroeletrônicos, de 28%.
Mesmo os setores menos dinâmicos, como o de bens de consumo
popular, apresentavam índices inusitados: 9,1%, em média, para o
período.
28

HISTÓRIA
As exportações registraram aumentos de 32% ao ano, o que
ensejou um ritmo equivalente de crescimento das importações.
Mais do que aumentos quantitativos, promoviam-se mudanças
qualitativas. Na indústria (a Petroquímica), na infraestrutura (telecomunicações, rodovias, complexo hidrelétrico), nas finanças, na
agricultura (soja), no comércio internacional (proporção crescente
de manufaturados na pauta de exportações).
Rompendo com os propósitos internacionalistas-liberais do
governo Castelo Brancos, o Estado, incentivava, regulava, financiava, protegia e intervinha ativamente nos mais variados setores.
Com base no Estado e nos capitais privados nacionais e estrangeiros, formou-se uma aliança de interesses e de recursos que
exacerbaria os traços esboçados pelo governo de JK, na segunda
metade dos anos 50.
O país, comparado metaforicamente a um imenso canteiro de
obras, foi tomado por incontida euforia desenvolvimentista: Pra
Frente, Brasil; Ninguém mais segura este país; Brasil, terra de oportunidades, Brasil, potência emergente. Para os que discordavam, a
porta de saída: Brasil ame-o, ou deixe-o.
A conquista do tricampeonato mundial, no México, em 1970,
foi uma benção para estes propósitos, inclusive porque foi a primeira vez que um campeonato mundial de futebol foi transmitido
ao vivo para todo o país.
A doença e o posterior afastamento do general Costa e Silva,
em julho-agosto de 1969, complicada com a entronização de uma
Junta Militar, em virtude do impedimento do vice-presidente, Pedro Aleixo, legalmente eleito, evidenciou mais uma vez o caráter
ditatorial do regime. Os métodos através dos quais o novo general
presidente foi escolhido por uma inédita votação entre os oficiaisgenerais também não convenceram. Não adiantou muito reconvocar o congresso, fechado desde dezembro de 1968, para eleger o
general Garrastazu Médici, pois ninguém tinha dúvidas de que sua
verdadeira unção tinha sido feita pelo Alto Comando das Forças
Armadas. Ele já fora escolhido, antes de ser eleito.
O prejuízo que isto causava à imagem internacional do país era
agravado pelas denúncias a respeito do emprego da tortura como
política de Estado.
Num outro plano, os êxitos econômicos não conseguiam disfarçar as desigualdades sociais que começaram, no início ainda dos
anos 70, a serem denunciadas por insuspeitos organismos internacionais. Como disse o próprio general-presidente Médici, embora a
economia estivesse bem, o povo, ou pelo menos grande parte dele,
ia mal.
A propaganda oficial anunciava periodicamente programas sociais, mas havia qualquer coisa ali que não funcionava. O Programa
de Integração Nacional/PIN, com base na construção de mais uma
gigantesca estrada, a Transamazônica, e a instalação de centenas de
milhares de camponeses sem-terra nordestinos em agrovilas, acabou transformado em mais um plano de atração de grandes empresas para investimentos agropecuários.
Em 1974, quando o programa foi definitivamente cancelado,
em vez da promessa inicial de um milhão de famílias, havia apenas cerca de 6 mil instaladas. O ambicioso projeto de erradicar o
analfabetismo, o Mobral, cuja meta era alfabetizar 8 milhões de
adultos entre 1971 e 1974, acabou também sendo melancolicamente abandonado, muitos anos mais tarde. Os alfabetizados do Mobral não sabiam ler, nem sequer assinar o nome. O mesmo destino
teve o Plano Nacional de Saúde, o PIS-PASEP, o Projeto Rondon,
e outros mais, como a tentativa de estruturar um sistema nacional
de instrução moral e cívica que orientasse aquelas gentes nos bons
caminhos da moral e dos bons costumes.
Didatismo e Conhecimento

Nas eleições legislativas de 1970, houve o troco: novamente,
uma enorme proporção de votos nulos e brancos, cerca de 30%,
ainda em maior número do que em 1966. Entretanto, o regime confortava-se em suas maiorias, ganhas, sobretudo no Brasil profundo, e nos grotões dos interiores e das cidades menores.
Mas seria um erro, não raramente cultivado, o de estabelecer
polaridades entre um Brasil arcaico, favorável à ditadura, e um
Brasil moderno, partidário do progresso e da democracia. Inclusive porque a ditadura transformara-se num dos mais poderosos
fatores de modernização.
Os funcionários públicos, principalmente os das estatais, viveram também um período favorável, apoiados em planos assistenciais, como se, para eles, não tivessem desaparecido as tradições
e as benesses típicas da tradição nacional-estatista. Do mesmo
modo, importantes setores de trabalhadores autônomos e de operários qualificados, sobretudo os empregados em grandes empresas
de capital internacional, beneficiavam-se de condições particulares, de modo nenhum extensivas a toda a sociedade.
Os pequenos posseiros e proprietários de terra, que perderam
sua pouca terra, os trabalhadores sem qualificação adaptada à sede
de lucro dos capitais, que ficavam à margem, constituindo vastos
contingentes, mal-chamados de excluídos, porque eram legítimo
produto do sistema e, como tal, estavam nele incluidíssimos, embora, cada vez mais, aparecessem como descartáveis.
Entretanto, para além da contabilidade dos ganhos e perdas
materiais, havia um processo não mensurável em réguas ou em
números, o da integração do país pelas redes de TV, principalmente pela rede Globo. Aí estava o lazer fundamental da população.
O mundo das novelas, principalmente. E o das variedades, e o do
telejornalismo. Aquela teia conseguiu estabelecer uma notável interlocução com a sociedade, confortando, integrando, embalando,
anestesiando, estimulando, modernizando.
Os anos 70, considerados como anos de chumbo, tendem a
ficar pesados como o metal da metáfora, carregando para as profundas do esquecimento a memória nacional. Eles precisam ser
revisitados, pois foram também anos de ouro, descortinando horizontes, abrindo fronteiras, geográficas e econômicas, movendo
as pessoas em todas as direções dos pontos cardeais, para cima e
para baixo nas escalas sociais, anos obscuros para quem descia,
mas cintilantes, para os que ascendiam. Naquelas areias movediças havia os que afundavam, mas também os que emergiam, em
busca de referências, querendo aderir. Anos prenhes de fantasias
esfuziantes, transmitidas pelas TVs em cores, alucinados anos 70,
dançados ao som dos frenéticos dancing' days.

29

HISTÓRIA
nos. Porque infelizmente ainda assistimos a um processo em que
muitos empregos estão sendo gerados para pessoas de fora de Pernambuco. Os incentivos fiscais devem estar sempre associados a
um compromisso de geração de emprego em Pernambuco. Quem
quiser ter incentivo, precisa ter um compromisso com o emprego
dos pernambucanos, porque esta é a forma de garantir com que
este desenvolvimento se faça de forma integrada, oferecendo oportunidades a todos", discursou Armando.
Enfatizando que a Força Sindical tem entre suas bandeiras o
desenvolvimento econômico, o emprego e a qualificação profissional, Aldo Amaral disse que, após um amplo processo de consultas
e debates, a entidade optou pelo apoio aos projetos de Armando
e João Paulo e, no plano nacional, caminhar com a candidatura à
reeleição da presidente Dilma.
"A Força Sindical de Pernambuco optou por continuar no
lado das suas bandeiras. Se temos a oportunidade de reelegermos
a presidente Dilma, por que não lutarmos por este objetivo? Se em
Pernambuco um ciclo político finda, por que vamos interromper
a continuidade do desenvolvimento? Então, confio que Dilma e
Armando continuarão a contribuir para o desenvolvimento de Pernambuco", afirmou Aldo, lembrando ainda das contribuições dos
governos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma ao Estado.
PDT com Armando ­ Presente ao encontro, o deputado
federal Paulo Rubem voltou a reforçar que o PDT vai caminhar
com Armando e João Paulo em Pernambuco e com a reeleição da
presidente Dilma no plano nacional. Rubem falou sobre a última
reunião do partido, realizada em Brasília, onde os apoios foram
debatidos.
"Na última quarta-feira o PDT se reuniu em Brasília e, durante mais de seis horas, fizemos um profundo debate sobre nossa
participação nesta eleição. A partir daí tiramos a decisão de apoiar
a reeleição de Dilma. Quanto a Pernambuco, discutimos a importância de termos uma aliança única que possa, em Pernambuco,
assim como nós demais estados, onde o PDT não terá candidato
próprio a governador, usar de uma única expressão da matemática,
que é a soma. Nós entendemos que a campanha nacional deve ser
acompanhada pelos palanques estaduais", recordou.
O senador Armando Monteiro recebeu em seu escritório político, no Recife, nesta segunda-feira (31), doze representantes de
sindicatos dos trabalhadores de Pernambuco. Ligados aos setores
metalúrgico, gráfico, têxtil, de petróleo e borracha, os sindicalistas
estiveram em reunião com o senador para discutir a consolidação
do processo de reindustrialização do Estado, iniciado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e continuado pela presidente Dilma Rousseff.
O vice-presidente da CUT e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Alberto Alves (Betão), afirmou que o
objetivo do encontro foi discutir a importância de uma aliança que
garanta a manutenção e ampliação do processo de industrialização
do Estado. "Este processo iniciado por Lula não foi concluído e
precisamos de bons parceiros, como o senador Armando Monteiro,
para consolidar esta industrialização e ampliar em Pernambuco a
geração de empregos em um ambiente de trabalho decente".
O ex-presidente da CUT e membro do Sindicato da Borracha,
Carlos Padilha, disse que o encontro com Armando reuniu o macro setor de indústria da CUT e que o intuito foi abrir um canal
de diálogo permanente com Armando Monteiro. No encontro, os
sindicalistas entregaram ao senador um documento da Federação
Única dos Petroleiros (FUP) em defesa da Petrobras.

PROCESSO POLÍTICO EM PERNAMBUCO
(2001-2015):

O pré-candidato ao Governo de Pernambuco, senador Armando Monteiro (PTB), deu continuidade, na Mata Norte, ao roteiro de
diálogos que tem mantido com a população de todas as regiões do
Estado. Na noite desta segunda-feira (12), Armando esteve em Timbaúba, onde falou para mais de 400 pessoas na sede da AABB e
ouviu relatos das dificuldades enfrentadas pela população da região.
Satisfeito com o resultado do encontro, Armando ressaltou
que os próximos meses darão à Zona da Mata uma oportunidade
para que a sociedade se mobilize através da população e de suas lideranças. "Está na hora de exigir que os pré-candidatos coloquem
definitivamente a Zona da Mata na agenda do desenvolvimento
de Pernambuco. É o momento para que assumam compromissos
públicos com esta região", afirmou.
Para Armando, a Zona da Mata precisa de um plano de reestruturação produtiva, "com investimentos em infraestrutura, ampliação da oferta de cursos de qualificação, aposta em novas alternativas econômicas e novas pólos de desenvolvimento, aproveitando
inclusive o polo automotivo que está se instalando em Goiana".
O pré-candidato ao governo ouviu dos pequenos comerciantes
presentes no encontro relatos de dificuldades de atuação no município, que já foi um grande polo calçadista no Estado. Armando
falou sobre suas iniciativas no Senado Federal em favor dos micro
empresários e disse que os pequenos comerciantes precisam de
mais estímulos. "Precisamos criar um ambiente favorável para o
micro e o pequeno empresário. Tem gente agora que mudou de
lado, pois antes era treinado para só cobrar impostos. Defendo que
os impostos devem ser pagos, mas de acordo com a realidade das
empresas, dos micro e pequenos empresários", defendeu.
Nas três últimas semanas, Armando já esteve em mais de 20
municípios de Pernambuco, ouvindo a sociedade e lideranças políticas, seja em plenárias do projeto Pernambuco 14, ou em agendas
de reuniões com segmentos específicos. Neste final de semana,
estão programados novos encontros em Caruaru, Santa Cruz do
Capibaribe e Surubim, no Agreste do Estado.
O pré-candidato ao Governo de Pernambuco, o senador Armando Monteiro (PTB), e o pré-candidato ao Senado, deputado
federal João Paulo (PT), foram recebidos na manhã desta segunda-feira (14), por representantes de 130 sindicatos que reúnem
cerca de 1 milhão de trabalhadores associados à Força Sindical
em Pernambuco. O evento aconteceu em um hotel no Recife e foi
organizado pelo presidente da entidade no Estado, Aldo Amaral,
pré-candidato a deputado federal pelo PRB, partido que na ultima
semana também declarou apoio a Armando e João Paulo. Participaram do ato mais de 500 pessoas.
Em seus discursos, Armando, João Paulo e Aldo ressaltaram
que a aliança foi firmada em torno, principalmente, de temas como
a geração de empregos de qualidade no Estado e a ampliação dos
programas de qualificação profissional, como o Pronatec.
"Se há uma bandeira que nós reúne, que faz com que possamos hoje celebrar esta convergência e esta parceria, é uma aliança
pró-emprego. Nós queremos gerar empregos para os pernambuca-

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O senador Armando Monteiro classificou o encontro como
muito interessante e disse que o fundamental foi debater sobre uma
aliança que deve ser construída em torno do emprego industrial
em Pernambuco. "Todos reconhecem que Pernambuco está vivendo um processo de relançamento da indústria, mas para que este
processo seja sustentável nós temos que fazer uma aliança para
consolidar estes empreendimentos que estão se implantando em
Pernambuco, e preencher alguns elos da cadeia produtiva. Então,
foi esta a nossa conversa, sobre aquilo que representa uma convergência de posições", afirmou o senador.
Armando cita várias oportunidades para a ampliação da matriz industrial e dos empregos no Estado: "Nestas novas plantas industriais que estão chegando, por exemplo, há muitos espaços para
você poder preencher. Nós podemos ter ainda aqui, por exemplo,
uma indústria de segunda e terceira gerações, a partir da planta petroquímica, a indústria de plástico, de pré-forma. Nós podemos fazer um polo para construir equipamentos para esta área de petróleo
e offshore, pois nós temos esta vocação, nós podemos fazer ainda
muito para relançar a indústria têxtil em Pernambuco, podemos
ampliar a presença de Pernambuco na fabricação de componentes
para o setor automotivo, podemos fazer mais na chamada indústria
de navipeças, ou seja, peças para a indústria naval", exemplificou.
Por fim, o senador destacou a importância de um debate sobre
como fazer no Estado uma maior associação entre incentivos fiscais e a geração de empregos para os pernambucanos.
Em entrevistas a rádios do Estado na manhã desta segunda-feira (24), o senador Armando Monteiro (PTB) comemorou a aliança
com o PT para o processo eleitoral em 2014 e para a construção de
uma nova agenda para o desenvolvimento de Pernambuco.
"É um momento importante e agora abre-se uma nova etapa
nesse processo, vamos ampliar essa aliança de forças para poder
oferecer um palanque forte à reeleição da presidente Dilma em
Pernambuco e, ao mesmo tempo, um palanque que possa oferecer
a Pernambuco uma nova proposta, uma proposta que aponte para
o futuro", afirmou.

nesse processo, vamos ampliar essa aliança de forças para poder
oferecer um palanque forte à reeleição da presidente Dilma em
Pernambuco e, ao mesmo tempo, um palanque que possa oferecer a Pernambuco uma nova proposta, uma proposta que aponte
para o futuro. O que eu digo sempre é que os pernambucanos se
tornaram mais exigentes em relação ao futuro, todos sabem que
o Estado avançou, mas sabem também que o Estado tem muitos
problemas ainda. E para consolidar esse processo de crescimento,
temos muito trabalho pela frente na infraestrutura, na educação, na
saúde, na necessidade de fazer um desenvolvimento mais equilibrado, porque há regiões de Pernambuco onde esses investimentos
não chegaram. Portanto, é essa agenda desafiadora que nós vamos
discutir olhando para o futuro".
Quem tem condições de conduzir Pernambuco
Armando Monteiro ­ "O processo está se iniciando agora,
vamos ter um processo aberto em que, a partir das convenções, vamos fazer um debate sobre as questões de Pernambuco e então o
povo de Pernambuco vai julgar de maneira soberana para decidir
quem é que reúne as condições para conduzir Pernambuco nesse
novo tempo que, como eu disse, nos desafia. Pernambuco teve um
impulso de crescimento nos últimos anos, mas Pernambuco ainda
tem muitos problemas. Então, é esse debate que eu espero que se
faça, um debate de alto nível, que respeite a opinião pública de Pernambuco e, pra isso, vamos nos colocar com muito entusiasmo".
PT vai decidir nome ao Senado
Armando Monteiro ­ "Eu acho que o nome do deputado
João Paulo é um nome que tem uma densidade indiscutível pelo
que representa, a sua grande liderança popular, a sua experiência
como ex-prefeito do Recife tendo largamente aprovadas as suas
gestões. Então, é um nome que se coloca com muita força. No
entanto, este processo tem que ser definido pelo Partido dos Trabalhadores, que vai nos apontar e indicar o companheiro que se
credencia aos olhos do partido para compor a chapa. Estaremos,
evidentemente, sempre dispostos a acolher a indicação do PT. Portanto, vamos respeitar essa indicação. Mas não há nenhuma dúvida
que o nome de João Paulo se coloca com muita força, desponta
como um nome natural".

Confira abaixo algumas declarações feitas por Armando:
Decisão do PT
Armando Monteiro ­ "Tínhamos muita confiança de que, ao
final, iriamos confirmar essa aliança e havia muitas razões para
confiar nisto ao longo do processo, tendo em vista a manifestação
de várias lideranças e o diálogo que fiz com vários setores do partido". Então, ao final, foi confirmada essa nossa expectativa e, o
que é mais importante, por uma larga margem e por um processo
essencialmente democrático em que todos foram ouvidos, todos
puderam se expressar. Houve um calendário que foi rigorosamente
observado, ninguém atropelou o calendário. Portanto, fico feliz de
verificar que essa decisão se deu de forma democrática, aberta,
transparente, e isso é claro que fortalece o projeto porque o PT é
um partido que tem um enraizamento na sociedade brasileira, que
tem uma trajetória, uma marca.

O PT e o aumento do tempo de televisão na campanha
Armando Monteiro ­ "Acho que esse é um subproduto, o
primeiro é o conteúdo político da aliança, mais importante que o
tempo de televisão é o simbolismo desta aliança de podermos estar
juntos com forças que fizeram um papel muito importante nessas
transformações que ocorreram no Brasil e em Pernambuco. Então,
o conteúdo político é o que tem de mais importante. Agora, há
também um subproduto importante que é o fato de que o Partido
dos Trabalhadores, como tem uma bancada muito expressiva e numerosa na Câmara, é um dos partidos que tem mais tempo de televisão individualmente, então não teremos problemas de tempo de
televisão. Teremos um tempo mais que suficiente pra poder fazer,
pra divulgar nossas mensagens e pra fazer uma campanha absolutamente eficiente na comunicação. Quero lembrar que até em episódios passados, mas recentes aqui em Pernambuco, partidos que
tiveram até um tempo muito inferior ao que vamos ter, ao final,
puderam também de forma eficiente divulgar suas mensagens e até
consagrarem-se nas urnas como partidos vitoriosos. Portanto, esta
questão do tempo de televisão é muito importante, você precisa ter

O PT em Pernambuco
Armando Monteiro ­ "Os pernambucanos associam muito
as conquistas que ocorreram nos últimos anos ao apoio fundamental que recebemos dos governos federais nos últimos 12 anos, no
governo de Lula e que teve continuidade no governo de Dilma.
Portanto, o Partido dos Trabalhadores está associado a essas conquistas. É um momento importante e agora abre-se uma nova etapa
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um tempo mínimo, teremos um tempo muito superior ao tempo
mínimo necessário, para que a disputa possa se dar de forma equilibrada em relação à comunicação e a divulgação das mensagens".
Recife ­ Pré-candidato a governador, o senador Armando
Monteiro (PTB) tem certeza de que o fundamental no debate eleitoral no Estado, em 14, é discutir os desafios do desenvolvimento
de Pernambuco nos próximos anos. "Precisamos olhar para o futuro do nosso Estado, ter um debate sobre os problemas, os desafios e as potencialidades", afirmou Armando, durante entrevista
ao programa de Geraldo Freire, na Rádio Jornal, no Recife, nesta
segunda-feira (24).
O senador falou também sobre a formação do palanque de
apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff em Pernambuco,
sobre o processo de escolha do candidato adversário e o precário
debate entre a necessidade de um perfil técnico ou político. "O
fundamental nesse processo é que se possa aliar experiência, capacidade de articulação e um sentido de direção. Outra questão também muito importante é a capacidade de caminhar com as próprias
pernas, ter um sentido de independência, que é tão importante e
algo tão caro a Pernambuco", acrescentou.

pacidade de articulação e um sentido de direção. Porque o político
é aquele que sabe, em determinadas circunstâncias, definir prioridades e aliar a essa experiência sensibilidade. E acho ainda que
há uma questão também muito importante, que é a capacidade de
caminhar com as próprias pernas, ter um sentido de independência
que é tão importante e algo tão caro a Pernambuco".
O sr. diz então que o outro candidato é um poste?
Armando Monteiro ­ "Não, eu não digo isso. Eu tenho respeito pelas pessoas e esse processo que culminou com a indicação
é um processo que foi acompanhado por vocês, que, em última
instância, indicou que não havia uma candidatura natural nesse
campo. Tanto que se assistiu a um processo curioso em que havia
exposição de nomes, frituras, vetos. Mas isso não importa! O que
importa é que ao final essa escolha foi definida e, a partir de agora, definidas as pré-candidaturas e confirmadas nas convenções,
esse crivo muda. Não é mais um grupo fechado, não é mais um
processo que se dá dentro de um grupo. Aí, sim, nós temos que
ter um crivo da opinião pública, porque é ela que vai efetivamente
fazer um julgamento da habilitação do candidato. Portanto, aí, esse
outro campo, é um campo essencialmente democrático. E aí só o
debate, o contraditório, a discussão das questões de Pernambuco é
que ao final vão orientar esse processo. Eu quero dizer é que você
nomeia secretário, mas ninguém nomeia governador. Governador
quem elege é o povo".

Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
A construção da aliança ao governo
Armando Monteiro ­ "Eu estou construindo no nosso campo
aquelas alianças, evidentemente que o parceiro preferencial é o
PT, e isso caminha muito bem pelo calendário que foi estabelecido aqui pela direção nacional e regional do PTB. Portanto, nós
aguardamos com muita tranquilidade que esse processo se conclua
agora em março, e tenho recebido manifestações já muito positivas
de lideranças do partido em Pernambuco. Tenho mantido contato
também com outras legendas, com outros partidos, para que a gente possa concluir esses entendimentos e oferecer um expressivo
leque de alianças para fortalecer esse projeto".

Sobre a política econômica
Armando Monteiro ­ "O importante é que a presidente Dilma tem dado sinais da disposição de conter as pressões inflacionárias. Tem fatores climáticos, tem fatores sazonais, mas o fato é o
seguinte: ela não tem medido esforços para combater. Veja que a
taxa de juros vem sendo elevada praticamente há seis meses, exatamente para conter as pressões inflacionárias. Mesmo não sendo
simpático aumentar os juros, ela tem feito isso, é um remédio duro,
mas que precisa ser utilizado. Porque o pior dos cenários é o que
você indicou, é o povo sentir que vai perdendo o poder de compra
porque os bens ficam mais caros e evidentemente a renda real do
trabalhador diminui. Por outro lado, o governo anunciou agora um
programa de redução de gastos, de despesas, corte no orçamento.
Então, acho que o efeito combinado desses cortes, da política fiscal, com esse aperto que foi dado na política monetária, tudo isso
vai garantir que tenhamos um quadro de inflação absolutamente
controlado. E que a inflação possa ceder mais e mais. Portanto,
esse é o compromisso fundamental da presidente Dilma. Porque,
ao longo de todo governo dela, os trabalhadores tiveram ganhos
reais, ou seja, os ganhos ficaram acima da inflação. Portanto, ela
não irá permitir que a inflação termine por confiscar ou diminuir a
renda do trabalhador. Esse é um compromisso fundamental".

Um palanque forte para a reeleição da presidente Dilma
Armando Monteiro ­ "Tenho a impressão que nós vamos
ter aí surpresas nesse processo. Quero lembrar que as convenções
só ocorrem em junho, ou seja, as alianças só são formalizadas em
junho. Portanto, há muito ainda o que acontecer pela frente. Portanto, continuamos ainda muito tranquilos dentro desse calendário
que foi estabelecido, conversando com todas as legendas, preferencialmente as legendas do nosso campo. Quando eu digo as do
nosso campo são aquelas que estão alinhadas ao campo nacional
com a candidatura da presidente Dilma. Portanto, vamos aí concluir esse processo, de modo a que tenhamos um amplo leque de
alianças e uma chapa forte porque o nosso compromisso aqui, fundamentalmente, é fazer esse palanque da reeleição da presidente
Dilma".
Experiência política x perfil técnico
Armando Monteiro ­ "Eu acho esse debate precário. Acho
que você tem aí um debate sobre Pernambuco, sobre os problemas,
os desafios, as potencialidades, olhando para o futuro de Pernambuco. Evidentemente que aquele candidato que tem experiência
politica, que já tem uma visão do processo politico e que ao mesmo tempo valoriza o processo técnico, porque hoje as escolhas, as
decisões políticas têm que ser informadas tecnicamente, portanto,
o fundamental nesse processo é que se possa aliar experiência, caDidatismo e Conhecimento

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Didatismo e Conhecimento

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HISTÓRIA
ANOTAÇÕES

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Didatismo e Conhecimento

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