mestres da cardiologia

Adib Jatene: ícone da medicina
comemora 80 anos

Como
reconhecimento
pela sua
contribuição
para o
desenvolvimento
da ciência,
recebeu mais de
uma centena de
homenagens, a
mais recente da
Assembleia
Legislativa
de São
Paulo.

O professor Adib Domingos Jatene completou
80 anos de idade no dia 4 de junho e os 12 mil
associados da SBC cumprimentam pela data
aquele que é o exemplo pelo qual se guiam
cardiologistas do Brasil inteiro.

como oxigenadores de bolhas e de membrana
e a válvula de disco basculante, que patenteou
e, sob licença, é produzida no exterior. A oficina
transformou-se, mais tarde, no Centro Técnico
de Pesquisas e Experimentos.

Nascido no Acre, na cidade de Xapuri, Jatene
graduou-se em Medicina pela USP em 1923, onde
também fez pós-graduação, sob orientação do
professor Euryclides de Jesus Zerbini. O trabalho
pioneiro de Jatene começou em 1955, porém,
em Uberaba. Lá ele se tornou professor de
Anatomia Topográfica da Faculdade de Medicina
do Triângulo Mineiro e iniciou a cirurgia torácica
na região e, ainda muito jovem, construiu seu
primeiro modelo de coração-pulmão artificial.

Jatene foi ainda fundador do Hospital do Coração
e diretor do Instituto do Coração. Inovador
no campo da cirurgia de revascularização
do miocárdio e da cirurgia de cardiopatias
congênitas, descreveu a técnica de correção de
transposição dos grandes vasos da base ­ batizada
de Operação de Jatene.

Ao voltar a São Paulo, em 1958, para o Hospital
das Clínicas (HC) e para o Dante Pazzanese,
continuou a inovar. Os desafios que enfrentava
eram tantos, que em 1961 Jatene deixou o HC
para se dedicar exclusivamente ao
Dante Pazzanese, onde foi chefe
do Laboratório Experimental e
de Pesquisa, chefe da Seção
de Cirurgia, diretor médico e
posteriormente diretor-geral,
cargo no qual desenvolveu a
Oficina de Bioengenharia.
Nessa oficina, foram planejados
e desenvolvidos equipamentos

Personalidade científica
É autor de quase 300 trabalhos publicados em
revistas indexadas e membro de mais de 30
entidades científicas de vários países. Como
reconhecimento pela sua contribuição para o
desenvolvimento da ciência, recebeu mais de uma
centena de homenagens em vários países, entre
as quais a Ordem Nacional do Mérito Científico
com a classe Grã-Cruz.
Um dos mais votados entre as personalidades que
influenciaram o século XX no projeto O Brasileiro
do Século, Jatene tem mais mérito ainda por ter
chegado a secretário de estado e, por duas vezes,
ao Ministério da Saúde, tendo nascido em berço
pobre. Seu pai, seringueiro libanês, morreu de
malária quando Adib tinha apenas dois anos, e ele
afirma sempre que deve muito à mãe que, com
os proventos de um armarinho, o mandou a São
Paulo fazer o segundo grau.
Jatene não conta as cirurgias que realizou, mas
já operou quase 20 mil corações e as realizadas
por equipes que chefiou passam de 100 mil.
Curiosamente, sempre achou que seria melhor
engenheiro do que médico, tanto que chegou
ao último ano da Faculdade de Engenharia
antes de desistir e entrar na Medicina, "sem
fazer cursinho".

O problema do pobre
não é ser pobre, mas
é que seus amigos
também são pobres e, na
necessidade, o pobre não
tem a quem recorrer
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Jornal SBC 94 - Jul/Ago 2009

mestres da cardiologia

Foto: Osmar Bustos

A Assembleia Legislativa do
Estado de São Paulo também
prestou
homenagem
a
Adib Jatene. À solenidade,
proposta pelo deputado Fausto
Figueira,
compareceram
as maiores autoridades da
saúde, além do presidente e
diretores da SBC. Coube a um
dos filhos, o cirurgião Fabio
Jatene, falar sobre a vida do
pai. O orador citou a frase
que sintetiza a preocupação
social de Jatene tão repetida
que constou igualmente nos
pronunciamentos dos dois
oradores que se seguiram ­
José Eduardo Sousa e Protasio
Lemos da Luz: "o problema do pobre não é ser pobre, mas é que seus amigos também são pobres e, na
necessidade, o pobre não tem a quem recorrer".

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