64º Congresso Nacional de Botânica

Belo Horizonte, 10-15 de Novembro de 2013

PROPAGAÇÃO VEGETATIVA DE ESPÉCIES NATIVAS DO ESTADO DO
ESPÍRITO SANTO PARA USO EM TÉCNICAS DE BIOENGENHARIA
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Priscila C. Patricio , Luciana D. Thomaz , Fabricio J. Sutili

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Transpetro; Herbário VIES/UFES; Dept. Ciências Florestais/UFSM; *[email protected]
foi acometida de grande incidência de fungos que
causaram necroses e apodrecimento de diversos
Introdução
propágulos, isso já foi observado em outras espécies [3]
Bioengenharia de Solos é uma ciência aplicada que
[6], sendo atribuído à desidratação ou hiper-hidratação
combina conceitos estruturais, biológicos e ecológicos
das plantas o aumento de ataques de patógenos [3]. A
para a construção de estruturas vivas para controle de
mortalidade das três espécies diferiu entre si (95% de
erosão, e assim, manutenção dos sedimentos e controle
confiança) aos 90 dias de plantio, sendo que P.
de inundações, principalmente em taludes fluviais. Na
heptaphyllum apresentou a menor taxa (16,67%),
Bioengenharia as plantas são um dos componentes mais
enquanto D. escastophyllum teve o maior número de
importantes do processo [2].
Os estudos sobre a
estacas mortas (73,3%).
capacidade das espécies nativas de se propagarem
Em S. tomentosa, foi observada a maior incidência de
vegetativamente ainda são poucos, tendo em vista a
calos aos 60 dias de plantio, em 23% das estacas,
existência de grande diversidade de espécies potenciais
estatisticamente igual ao de D. ecastophyllum (16,6%) no
nas florestas brasileiras. O objetivo desse estudo foi
mesmo período. Estacas de D. ecastophyllum,
avaliar a viabilidade da propagação vegetativa, por meio
consideradas mortas aos 90 dias de plantio, também
de estaquia caulinar, de três espécies nativas das
apresentarem calos necrosados e P. heptaphyllum não
restingas do Espírito Santo, com vistas à utilização destas
formou calos. Em relação ao enraizamento, somente S.
em técnicas de Bioengenharia.
tomentosa apresentou desenvolvimento de raízes, com
até 20% de enraizamento e regeneração, dando origem a
Metodologia
mudas sadias, isso se deve provavelmente a natureza
dos tecidos dessa planta pois, segundo a literatura [3] [5],
As espécies utilizadas foram Sophora tomentosa L.,
[4]
a menor lignificação dos tecidos das estacas
Dalbergia ecastophyllum (L.) Taub e Protium
semilenhosas facilita a passagem das raízes formadas no
heptaphyllum (Aubl.) Marchand, seguindo os critérios de:
periciclo. Numericamente não houve diferença entre as
rusticidade/capacidade de colonização de ambientes
taxas de enraizamento em relação ao tempo de plantio,
alterados; facilidade na obtenção de material para
aos 60 e 90 dias, uma vez que apresentaram o mesmo
propagação vegetativa (estacas) e indícios da família
valor (20%). A menor porcentagem de enraizamento foi
quanto à capacidade de reprodução assexuada. A coleta
verificada aos 30 dias após o início do experimento
do material vegetal foi realizada na primavera de 2012, na
(6,67%), também observado por outros autores [3] e [6].
APA de Setiba (Vila Velha e Guarapari/ES). As 90
estacas de cada espécie foram confeccionas
Conclusões
desprezando-se previamente as porções terminais ramos,
com 15 centímetros de tamanho, com corte em bisel na
O presente estudo revelou que a espécie Sophora
base e corte reto na porção superior, com diâmetros entre
tomentosa possui maior potencial de propagar-se
5 e 20 milímetros, [3]. Para o plantio, utilizaram-se
vegetativamente com vistas ao uso em técnicas de
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tubetes de polietileno de 300 cm contendo areia de rio
Bioengenharia, quando comparada às espécies Dalbergia
lavada como substrato. As estacas foram mantidas sob
ecastophyllum e Protium heptaphyllum, que não
sombrite para redução aproximada de 30% da
apresentaram resultados satisfatórios.
luminosidade. A manutenção da umidade foi realizada
com aspersão manual diária, duas vezes por dia. Após
Agradecimentos
30, 60 e 90 dias de implantação do experimento foram
realizados sorteios para seleção de 30 estacas por
Os autores agradecem a UFES e à UFSM, pelo apoio ao
espécie, estas foram removidas dos tubetes e lavadas
projeto.
com água para remoção cuidadosa do substrato. Foram
análisadas as taxas de sobrevivência, enraizamento,
Referências Bibliográficas
formação de calos e mortalidade, [4], por meio da TCR =
[(Mf xMi) / Mf] x 100, na qual Mf é a média final do
[1] Chambers, J.M. 1992. Statistical models in S. London,
parâmetro de interesse, Mi é a média inicial do parâmetro
Chapman & Hall.
de interesse [3]. Os dados foram analisados segundo um
[2] Eubanks, C. & Meadows, D. 2002. A soil bioengineering
Delineamento Inteiramente Casualizado, com 30
guide for streambank and lakeshore stabilization. San Dimas,
repetições/espécie para cada avaliação [5]. Para
US Dept. of Agriculture Forest Service, Technology and
avaliação das taxas de crescimento optou-se por intervalo
Development Program.
[3] Hartmann,H.T.; Kester,D.E.; Davies Jr., F.T. & Geneve, R.L.
de confiança de 95%, utilizando-se o aplicativo R [1].

Resultados e Discussão
As taxas de sobrevivência para P. heptaphyllum foi
constante para os três períodos de avaliação (30, 60 e 90
dias). Essa espécie apresentou até 86% e nunca inferior
a 76% de sobrevivência. S. tomentosa teve como taxa
máxima de sobrevivência 86% e mínima de 50%,
semelhante a outro estudo [5], essas espécies não
diferiram quanto a esse parâmetro a 95% de confiança.
Entretanto, D. ecastophyllum apresentou taxas de
sobrevivência sempre inferiores a 50%, uma vez que esta

2011. Plant propagation: principles and practices. 8th ed.
Prentice-Hall, New York.
[4] Mayers, J.L.S.; Cardoso, N.A.; Cuquel, F. & Bona, C. 2008.
Root formation in cuttings of two species of Calliandra
(Leguminosae-Mimosoideae). Rodriguésia 59: 487- 495.
[5] Paiva, H.N. & Gomes, J.M. 2011. Propagação vegetative de
especies florestais. Viçosa, UFV.
[6] Rosa, S.F. da & Durlo, M.A. 2009. Enraizamento de estacas
de duas espécies de Salix com vistas à estabilização de taludes
fluviais. Ciência Florestal 19: 53-60.