ARTIGOS CIENTÍFICOS

Revisão sistemática sobre o uso de células-tronco
mesenquimais em terapias de perdas ósseas
Systematic review of use of mesenchymal stem cells in bone loss therapies
Igor Iuco CASTRO-SILVA1, Lawrence Andrade Costa da Rocha COUTINHO2, José Mauro GRANJEIRO3

RESUMO
Terapias de perdas ósseas com células-tronco mesenquimais
sugerem uma promissora perspectiva de uso em cirurgias
orais reconstrutivas. O objetivo deste estudo foi realizar
um levantamento bibliográfico dos últimos 15 anos com
trabalhos experimentais temáticos para traçar um perfil
de metodologias e resultados alcançados nesta área. Um
destacável crescimento de publicações ocorreu em países
economicamente desenvolvidos. A medula óssea se mantém
como a principal fonte tecidual de células-tronco mesenquimais
(79,31%), caracterizadas por adesão, imunofenotipagem e
multipotência, capazes de promover a osteogênese in vitro.
Embora exista pluralidade de modelos experimentais in vivo
(espécies animais) e clínicos (sítios anatômicos), há prevalência
de testes pré-clínicos de terapia celular (27,03%), que indicam
boa bicompatibilidade tecidual e osteogênese aumentada
pós-enxerto. Estudos clínicos têm relatado resultados positivos
para o tratamento de defeitos periodontais, rebordo alveolar
deficiente, fenda alveolar congênita, defeitos cranianos
extensos, levantamento de seio maxilar e atrofia mandibular
pós-irradiação. Os biomateriais carreadores de células mais
utilizados foram biocerâmicas a base de hidroxiapatita
(11,16%), seguidos por polímeros a base de colágeno
(5,42%) ou poliácido lático (5,30%) e compósitos baseados
em fosfatos de cálcio (3,71%). Conclui-se que a utilização
de células-tronco mesenquimais representa novos e eficazes
procedimentos terapêuticos para regeneração óssea em
Odontologia e Medicina.

ABSTRACT
Bone loss therapies using mesenchymal stem cells suggest a
promising prospect for use in oral reconstructive surgeries.
The aim of this study was to review the literature of the
past 15 years with experimental theme to draw a profile of
methodologies and results achieved in this area. A remarkable
growth of publications occurred in economically developed
countries. The bone marrow remains the main source of
tissue mesenchymal stem cells (79.31%), characterized by
adherence, immunophenotyping and multipotency, which can
promote osteogenesis in vitro. Although there is a plurality of
experimental models in vivo (animal species) and clinical studies
(anatomical sites), there is prevalence of preclinical trials of
cell therapy (27.03%), indicating good tissue biocompatibility
and the highest osteogenesis after graft. Clinical studies have
related positive results in the treatment of periodontal defects,
alveolar ridge deficiency, congenital alveolar cleft, extensive
cranial defects, maxillary sinus lifting and mandibular atrophy
after radiation. The most used biomaterials as cell carriers
were hydroxyapatite-based bioceramics (11.16%) followed by
collagen- (5.42%) or poly lactic acid- (5.30%) based polymers
and calcium phosphates-based composites (3.71%). We
concluded that the use of mesenchymal stem cells represent
new and effective therapeutic tools for bone regeneration in
dentistry and medicine.
Key words: Stem cells. Biocompatible materials. Osteogenesis.

Palavras-chave: Células-tronco. Materiais biocompatíveis.
Osteogênese.

Endereço para correspondência:
Igor Iuco Castro-Silva
Laboratório de Bioengenharia, Biomateriais e Mineralização Biológica
Hospital Universitário Antônio Pedro
Rua Marquês do Paraná, 303 - 4º. andar - Emergência - Unidade de Pesquisa Clínica
24033-900 - Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
E-mail: [email protected]
Recebido: 19/07/2010
Aceito: 08/11/2010
1. Mestre em Patologia. Professor Substituto do Departamento de Biologia Celular e Molecular, Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil.
2. Especialista em Geriatria e Gerontologia. Fisioterapeuta Supervisor da Associação Fluminense de Reabilitação, Niterói, RJ, Brasil.
3. Professor Adjunto do Departamento de Biologia Celular e Molecular, Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil. Pesquisador-Sênior do
Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, Duque de Caxias, RJ, Brasil.

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Revisão sistemática sobre o uso de células-tronco mesenquimais em terapias de perdas ósseas

INTRODUÇÃO
O tratamento de defeitos ósseos extensos advindos de
traumas ou patologias constitui um desafio para a regeneração
tecidual, em especial para cirurgia craniomaxilofacial e ortopédica8.
Visando superar a morbidade de enxertos autógenos e as
limitações de enxertos alógenos, xenógenos e aloplásticos, têm se
desenvolvido muitos estudos relacionados à terapêutica com base
nos fundamentos da Bioengenharia, utilizando células-tronco
mesenquimais (CTM) e dispositivos implantáveis para favorecer
o processo regenerativo8,15. Estas células possuem capacidade de
autorenovação e diferenciação múltipla, vistas como reservatórios
presentes no corpo humano até que, sob estímulos locais, haja
mobilização e direcionamento ao reparo ósseo9.
Buscando traçar um perfil de metodologias utilizadas e graus
de eficácia em terapia celular segundo as publicações mais recentes,
o objetivo deste estudo retrospectivo foi analisar os trabalhos
realizados com a temática de CTM e terapia de perdas ósseas.

MATERIAL E MÉTODOS
Foi realizado um levantamento bibliográfico de artigos
publicados em periódicos entre janeiro de 1995 e dezembro de
2009, através do banco de dados eletrônico Pubmed (www.ncbi.
nlm.nih.gov), utilizando como descritores "mesenchymal stem
cell" e "bone". Em busca não-refinada, foi recuperado neste
período um expressivo número de referências bibliográficas
internacionais na língua inglesa (6.151). Para a padronização
de resultados, foram selecionados apenas artigos experimentais
e casos clínicos dentro da temática de reparo ósseo, o que
contabilizou um somatório final de 1.624 artigos distintos,
classificados nas seguintes variáveis: 1) distribuição temporoespacial das publicações temáticas, 2) tipo de CTM de acordo
com o período natal, 3) critério de identificação de CTM, 4)
fonte tecidual doadora de CTM, 5) modelo de caracterização
biológica (in vitro, in vivo ou clínica), 6) sítio anatômico receptor
de CTM, 7) modelo animal doador e receptor de CTM, 8) tipo
de biomaterial carreador de CTM e 9) tipos de defeitos ósseos
tratados com CTM.

RESULTADOS
As publicações científicas temáticas no período de 1995
a 2002 tenderam ao crescimento linear discreto, seguido por
aumento marcante até 2008 e um pico em 2009, com 1.624
artigos (100%) e caracterizando um comportamento polinomial
de segunda ordem (R = 0.981) (Figura 1).

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Figura 1 - Distribuição temporal das publicações científicas sobre
células-tronco mesenquimais e reparo ósseo.

Com relação à distribuição geográfica, os 10 paises
que produziram maior número de publicações dentro dos
parâmetros avaliados estão representados na Figura 2. O Brasil
ocupa o 19º lugar da lista geral, com 17 trabalhos (1,05% do
total), entretanto toma a liderança na América Latina, à frente
de países cuja taxa de publicação é inferior a 0,50%, como o
Chile (8 ou 0,49%) e a Argentina (1 ou 0,06%).

Figura 2 - Distribuição global das publicações científicas sobre
células-tronco mesenquimais e reparo ósseo.

Foi possível constatar a grande prevalência de estudos com
células-tronco mesenquimais adultas ou pós-natais (94,15%) em
comparação com as embrionárias ou pré-natais (7,88%).
A determinação fenotípica das CTM é difícil, pois elas
exibem uma morfologia fibroblastóide inespecífica. Os critérios
associativos mais usados para a identificação de CTM13, foram:
aderência (97,11%), imunofenotipagem (35,78%) e multipotência
(17,12%). Aderência é a fixação de CTM aos frascos plásticos para
cultura de células em poucas horas de contato. Imunofenotipagem
é a reação positiva entre um anticorpo-fluorocromo e um antígeno
de superfície específico de CTM (CD105, CD73 ou CD90), via
citometria de fluxo ou imunoistoquímica. Multipotência refere-se à
capacidade da CTM, sob condições apropriadas, de diferenciar-se
em pelo menos 3 tipos de células de mesma linhagem, que além de
osteoblastos podem gerar adipócitos, condroblastos, fibroblastos,
mioblastos, odontoblastos e endotélio; sua plasticidade pode
ainda se estender a outras linhagens, como a transdiferenciação
em neurônios, hepatócitos e células do pâncreas.

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Castro-Silva II, Coutinho LAC da R, Granjeiro JM

O isolamento de CTM tem sido realizado nos últimos 15
anos especialmente na medula óssea (79,31%). Fontes teciduais
alternativas incluem: tecido adiposo (6,65%), tecido muscular
(4,50%), sangue (2,52%) ou parede (1,54%) de cordão umbilical,
periósteo (3,02%), tecido ósseo (2,83%), tecido conjuntivo de
órgãos (pele: 0,86%; fígado: 0,49%; pulmão: 0,31%; mesênquima
do palato e timo: 0,25% cada; seio maxilar ou aorta: 0,12% cada;
tonsila palatina, intestino, baço, pâncreas, rim ou útero: 0,06%
cada), polpa dental de dentes permanentes (1,11%) ou decíduos
(0,49%), sangue periférico (1,48%), mórula ou blástula (1,23%),
âmnio (1,17%), placenta (1,11%), ligamento periodontal
(1,05%), sinóvia (0,86%) e papila dental (0,62%), dentre outras
fontes (tecido cartilaginoso: 0,25%, hematoma de fratura: 0,18%,
tendão: 0,06%) (Figura 3).

Os sítios anatômicos experimentais (estudos in vivo e clínicos)
já utilizados para enxerto de CTM e estudos de reparo ósseo podem
se classificar em: sistêmicos (0,95%), quando mostram alguma
patologia óssea generalizada, ectópicos (15,59%), próprios para
testes iniciais de biocompatibilidade, ou ortotópicos (21,04%),
ideais para avaliar o comportamento osteogênico no sítio-alvo do
enxerto de CTM, como demonstrados na Figura 5.
Os estudos in vitro (97,17%) demonstraram a capacidade de
diferenciação óssea de CTM em condições apropriadas, usando meio
de cultura (-MEM, DMEM, DMEM:HAMF12 ou -MEM:HAMF12)
suplementado com soro (fetal bovino ou autógeno, 10%),
dexametazona (10nM a 1µM), -glicerosfosfato (10 µM a 10 mM)
e ácido ascórbico (10 µM a 10 mM), onde a concentração usada dos
agentes osteoindutores é importante fator na modulação temporesposta. A confirmação funcional do processo de diferenciação de
CTM se dá pelo aumento da expressão de biomarcadores ósseos.
Marcadores iniciais do processo são: CBFA-1/RUNX-2, osterix,
TGF-, BMP-2, colágeno I, fosfatase alcalina, osteonectina e
osteopontina. Marcadores tardios são: osteocalcina, sialoproteína
óssea, osteoprotegerina, depósitos de cálcio intracelulares e nódulos
de mineralização23.

Figura 3 - Fontes teciduais de células-tronco mesenquimais.

A pluralidade de modelos experimentais (espécies animais
e sítios anatômicos) doadores e receptores de CTM também se
faz presente. A origem humana é o principal alvo de estudos
(53,02%), entretanto, a prevalência de animais de pequeno
porte (camundongos: 13,12%, coelhos: 6,72% e ratos: 5,14%)
como os maiores transplantados com CTM (xenógenas: 16,14%,
autógenas: 10,84% ou alógenas: 7,64%) configura a etapa de
testes pré-clínicos em que se encontram as terapias celulares,
com poucos estudos clínicos relatados (2,28%) (Figura 4).

Figura 4 - Modelos experimentais doadores e receptores de
células-tronco mesenquimais (CTM).

Figura 5 - Sítios anatômicos com enxerto de CTM para estudos
de reparo ósseo.

Os estudos in vivo (27,03%) mostraram biocompatibilidade
tecidual e osteogênese no sítio de implantação, ectopicamente ou
em defeitos ósseos induzidos. Enxerto de CTM em tecido subcutâneo
promoveu mineralização em curto período (a partir de 3 semanas),
constituindo um material bioativo e biocompatível (sem indução de
resposta inflamatória intensa, reação de corpo estranho exacerbada
e/ou focos de necrose)10,16. Em defeitos ósseos extensos ou críticos,
CTM mediam osteogênese de 4 a 12 semanas pós-enxerto, refletindo
o resultado positivo em defeitos cranianos22 e mandibulares12 como
potencial aplicação à cirurgia craniofacial, e em defeitos femorais20,
tibiais30 e radiais33 dentre outros, à cirurgia ortopédica.
A terapia celular usando CTM evolui no campo das pesquisas
clínicas voltadas para o reparo ósseo (2,28%), com os principais
progressos para a Odontologia demonstrados na Tabela 1.
Resultados promissores surgem no tratamento de deformidades
ósseas locais, de intensidade pequena (defeitos periodontais34) a
moderada-grande (perda óssea horizontal em rebordo alveolar31,
fenda alveolar18, traumatismos cranianos em crianças32) com bom
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padrão de reparo ósseo de 2 a 12 meses após o trauma, de acordo
com o tamanho da lesão. Cirurgias orais com finalidade protética,
tais como levantamento de seio maxilar28 e aumento vertical de
mandíbula17, que visam o ganho ósseo para posterior ancoragem de
implantes osseointegráveis de titânio, têm obtido boa previsibilidade
clínica utilizando enxertos associados a CTM, com a formação de
osso trabecular e lamelar 4 meses após o procedimento. De maior
interesse ortopédico, a distração óssea indicada para ganho ósseo
em comprimento em casos de pseudoartrose e acondroplasia foi
gradual e concomitante ao enxerto de CTM e demonstrou formação
de calo ósseo em tíbia e fêmur tratados21; de forma semelhante, lojas
ósseas após curetagem de lesão central demonstraram ossificação
em 4 semanas pós-enxerto25.
Tabela 1 - Potencial osteogênico de CTM em aplicações clínicas.
Tipo de defeito ósseo

Resultado pós-enxerto de CTM

Defeitos periodontais angulares

Ganhos clínico e radiográfico (4 mm)
em tecidos de inserção periodontal

Deficiência de rebordo alveolar31

Ganho ósseo conjunto a implantes
imediatos, com satisfatória osseointegração

Fenda alveolar congênita18

Fechamento maxilar unilateral quase
completo (79%) em 9 meses

Defeitos cranianos extensos32

Osteogênese quase completa em
defeitos de 12 a 20 cm de diâmetro
em infantes

Levantamento de seio maxilar28

Osteogênese trabecular/lamelar em
4 meses com satisfatória osseointegração

Atrofia mandibular pós-irradiação17

Ganho de 15 mm em altura óssea,
melhor consolidação de autoenxerto
e osseointegração

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Existem duas vias de distribuição de CTM: sistêmica, por
infusão sanguínea ou percutânea, baseada no homing que orienta
a migração destas células para o sítio-alvo a ser reparado, aplicável
em cirurgia cardiovascular9, ou tópica, que usa biomateriais
carreadores sólidos ou gelatinosos, e aplica-se às cirurgias
craniomaxilofacial e ortopédica8,15. As diferentes composições dos
biomateriais carreadores de CTM estão expressas na Figura 6, onde
se destaca o grupo das biocerâmicas, em especial a hidroxiapatita
(HA, 11,16%), seguido por polímeros a base de colágeno (5,42%)
e derivados de poliácido lático (PLA, 5,30%) e compósitos baseados
em conjugações a fosfatos de cálcio (3,71%).

Figura 6 - Biomateriais carreadores de células-tronco mesenquimais.

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DISCUSSÃO
O crescimento acelerado das publicações sobre CTM e reparo
ósseo é estimulado pela busca por melhor qualidade de vida,
em especial para a considerável população mundial idosa8, e
encorajado pelo aprimoramento tecnológico e maior investimento
dos países em pesquisas de ponta. Adicionalmente, o quadro
alarmante de edentulismo no Brasil se tornou um problema de
Saúde Pública, com uma grande demanda populacional carente
de reabilitação oral, e constituem hoje prioridade do Sistema
Único de Saúde os tratamentos odontológicos restauradores6.
O uso de CTM adultas tem vantagens frente ao de
embrionárias: aspectos legais e éticos não-limitantes de uso3,
maior facilidade para a coleta, técnica rápida e clinicamente
aplicável, não restrita ao âmbito de pesquisa como é o último
caso4. Entretanto, a proporção de CTM adultas é muito baixa
(0,001-0,01%) e decresce com a idade24. Desde o primeiro
isolamento de CTM em 1966 por Friedenstein e Petrakova14, a
medula óssea se mantém como a sua fonte mais prevalente,
considerada o padrão-ouro. Para o cirurgião-dentista, o
periósteo1 e a polpa dental7 representam fontes promissoras de
CTM, devido à facilidade de coleta e menor morbidade do sítio
doador do que a medula óssea humana11.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
regulamenta a coleta, o transporte e o armazenamento de
células-tronco humanas em biobancos5, assim como o seu
controle de qualidade e a sua utilização destinada à pesquisa
clínica e terapia2.
Esta modalidade terapêutica mostra segurança biológica,
embora a superação da barreira imunológica interespecífica no
caso de xenotransplantes de CTM seja um desafio26. Não foram
verificados casos de malignidade; CTM normais expressam
genes inibidores de tumorigênese em escala significantemente
maior do que os promotores deste processo27. Entretanto,
existem poucas investigações a longo prazo em humanos, que
devem ser conduzidas para melhor compreender sua efetividade
e distribuição após implantação.
As composições encontradas nos biomateriais carreadores
de CTM podem influenciar de diferentes formas o reparo
ósseo8,15,19, favorecendo adesão e proliferação celular (colágeno,
fibrina, cerâmica de alumina, plasma rico em plaquetas,
polietilenoglicol/PEG, poli--caprolactone/PCL, poliácido láticocoglicólico/PLGA, poli-N-isopropilacrilamida-co-ácido acrílico),
osteodiferenciação (colágeno, HA, beta-tricálcio fosfato/TCP,
outros fosfatos de cálcio, PEG), angiogênese (cola de fibrina),
penetração de células por poros (poligalactina 910), resistência
mecânica (fibra de titânio, cerâmica de alumina) e reabsorção
proporcional à reposição por novo osso (colágeno, TCP,
PLGA, matriz óssea desmineralizada). A união de composições
diferentes pode gerar um biomaterial melhorado (compósito)29,
sinergicamente favorável à ancoragem de CTM e potencializando
a osteogênese no sítio-alvo.

ARTIGOS CIENTÍFICOS

Castro-Silva II, Coutinho LAC da R, Granjeiro JM

CONCLUSÃO
Com base nos trabalhos avaliados pôde-se constatar que as
células-tronco mesenquimais têm sido amplamente estudadas
em pesquisas in vitro, in vivo e clínicas, demonstrando potencial
osteogênico e eficácia no tratamento de defeitos ósseos, o que
constitui perspectiva promissora para técnicas regenerativas em
Odontologia e Medicina. Ainda é um desafio o desenvolvimento
de carreadores para as células progenitoras, pois devem variar
de acordo com a aplicação desejada. É estratégica a realização
de estudos clínicos controlados e cegos a fim de avaliar o
reparo ósseo, bem como o custo efetividade dos procedimentos
de forma que os gestores em saúde possam tomar decisões
informadas com base em evidências científicas.

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