UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS
PROGRAMA DE PÓS­GRADUAÇÃO EM GEOMÁTICA

GEOTECNOLOGIAS APLICADAS À ÁREA
AMBIENTAL: ESTUDO DE CASO NAS
MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS DA SANGA DA
TAQUARA E DO ARROIO INHAMANDÁ NO
MUNICÍPIO DE SÃO PEDRO DO SUL-RS

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Sonia Mari Fogiato

Santa Maria, RS, Brasil
2006

GEOTECNOLOGIAS APLICADAS À ÁREA AMBIENTAL:
ESTUDO DE CASO NAS MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS
DA SANGA DA TAQUARA E DO ARROIO INHAMANDÁ NO
MUNICÍPIO DE SÃO PEDRO DO SUL-RS

por

Sonia Mari Fogiato

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado do
Programa de Pós-Graduação em Geomática, Área de Concentração:
Tecnologia da Geoinformação, da Universidade Federal de Santa Maria
(UFSM, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre em Geomática.

Orientador: Prof. Dr. Rudiney Soares Pereira

Santa Maria, RS, Brasil
2006

Universidade Federal de Santa Maria
Centro de Ciências Rurais
Programa de Pós­Graduação em Geomática

A Comissão Examinadora, abaixo assinada,
aprova a Dissertação de Mestrado

GEOTECNOLOGIAS APLICADAS À ÁREA AMBIENTAL: ESTUDO DE
CASO NAS MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS DA SANGA DA
TAQUARA E DO ARROIO INHAMANDÁ NO MUNICÍPIO DE
SÃO PEDRO DO SUL-RS

elaborada por
Sonia Mari Fogiato

como requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre em Geomática

COMISSÃO EXAMINADORA:
_________________________________________________
Rudiney Soares Pereira, Dr. (Presidente/Orientador-UFSM)
_________________________________________________
Carlos Alberto da Fonseca Pires, Dr. (UFSM)
_________________________________________________
Enio Giotto, Dr. (UFSM)
Santa Maria, 16 de outubro de 2006.

Quando se viaja
em direção a um objetivo
é muito importante prestar atenção no caminho.
O caminho é que sempre nos
ensina a melhor maneira de chegar, e nos
enriquece, enquanto o estamos cruzando.

Paulo Coelho (O Dicionário de um Mago)

AGRADECIMENTOS

À Universidade Federal de Santa Maria pela oportunidade de participar de
maneira gratuita do Programa de Pós-Graduação em Geomática;
Ao professor Dr. Rudiney Soares Pereira pela orientação, receptividade e
amizade dedicada durante a realização do Curso;
À Comissão examinadora desta dissertação: Prof. Dr. Carlos Alberto da
Fonseca Pires, Prof. Dr. Enio Giotto e Prof. Dr. José Américo de Mello Filho; pela
leitura e também sugestões;
Aos professores que ministraram aulas e aos funcionários do Curso que
contribuíram com amizade, presteza e conhecimento;
Aos colegas e amigos do Curso, que tornaram este tempo inesquecível, em
especial, Isabel, Maria Elaine, Jurandir, Glênio e Alarico.
À minha família, pelo incentivo mantendo sempre acesa a importância deste
trabalho;
A todos que de alguma forma contribuíram para a realização do Curso e desta
dissertação.

RESUMO
Dissertação de Mestrado
Programa de Pós­Graduação em Geomática
Universidade Federal de Santa Maria
GEOTECNOLOGIAS APLICADAS À ÁREA AMBIENTAL: ESTUDO DE
CASO NAS MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS DA SANGA DA
TAQUARA E DO ARROIO INHAMANDÁ NO MUNICÍPIO DE
SÃO PEDRO DO SUL-RS
Autora: Sonia Mari Fogiato
Orientador: Prof. Dr. Rudiney Soares Pereira
Data e local da defesa: Santa Maria, 16 de outubro de 2006.
A degradação ambiental, através do uso incorreto e indiscriminado dos
recursos naturais, vem exigindo uma revisão profunda da relação homem x
natureza. O desenvolvimento da agropecuária e a intensa urbanização nos últimos
tempos, provocou graves desequilíbrios, com alterações nas propriedades físicoquímicas e biológicas dos elementos da natureza. Considerando essa problemática,
a presente pesquisa tem como objetivo aplicar geotecnologias à área ambiental,
visando conhecer os impactos da ação antrópica nas Microbacias Hidrográficas da
Sanga da Taquara e do Arroio Inhamandá, localizadas no município de São Pedro
do Sul-RS. Para a execução do estudo, foram utilizados dados pré-existentes,
pesquisa de campo e técnicas computacionais. Entre as técnicas computacionais,
destaca-se o uso do Spring 4.2 na elaboração do mapa base e mapas temáticos
como: clinográfico, áreas de preservação permanente (APP) e uso da terra. O
levantamento do uso da terra levou em consideração as imagens dos satélites
LANDSAT-7 ETM+ (1999) e CBERS-2 (2005). A partir do cruzamento das APP com
o uso da terra percebeu-se que de 1999 para 2005 a área urbana passou de 17,51
para 23,38ha; a área com culturas obteve crescimento, passando de 574,35 para
1.027,07ha; em contrapartida, os campos que ocupavam 500,15ha, apresentaram,
em 2005, apenas 120,07ha. As florestas tiveram uma queda menor, passando de
757,54 para 742,22ha. A água, assim como em toda a área de estudo, mostrou uma
significativa redução; em 1999, ocupava 74,23ha e em 2005, 11,04ha. Portanto, a
área escolhida possui problemas ambientais, em especial na zona urbana, onde se
evidenciou a deposição de resíduos em locais inapropriados, a localização de
residências em áreas de risco, além do esgoto lançado em córregos que permeiam a
cidade. Esses problemas interferem na qualidade de vida da população e também
na qualidade da água superficial e subterrânea das microbacias. Sugere-se que haja
uma maior preocupação em gerenciar de modo sustentável os recursos naturais da
área, em especial os recursos hídricos, evitando maiores danos ao ambiente.
Palavras-chave: geotecnologias, impacto ambiental, bacia hidrográfica, recursos
naturais.

ABSTRACT
Dissertation of Master's Degree
Program of Masters Degree in Geomatics
Universidade Federal Santa Maria
GEOTECHNOLOGIES APPLIED TO THE ENVIRONMENTAL AREA: I
STUDY OF CASE IN THE HIDROGRAFIC BASINS OF INHAMANDÁ
AND TAQUARA STREAMS IN THE MUNICIPAL DISTRICT OF
SÃO PEDRO DO SUL ­ RIO GRANDE DO SUL STATE
Author: Sonia Mari Fogiato
Advisor: Prof. Dr. Rudiney Soares Pereira
Date and place of defense: Santa Maria, October, 16 of 2006.
The environmental degradation, through the incorrect and indiscriminate natural
resources use, is demanding a deep revision of the relationship between man and
nature. In the last times the development of the farming and the intense urbanization
provoked serious unbalances to the nature elements with its physiochemical and
biological properties alterations. Considering that problem, this present research has
as objective applies geotechnologies to the environmental area, seeking to know the
impacts of the antropic action in the Taquara and Inhamandá stream catchments,
located in the Municipal District of São Pedro do Sul ­ Rio Grande do Sul State. They
were used pre existent data, field research and computational techniques for the
execution of the study. Among the computational techniques, it stands out the use of
Spring 4.2 Software in the elaboration of the base map and thematic maps as:
clinographic, permanent preservation areas (PPA) and earth use. The earth use
rising took into account the LANDSAT-7 ETM+ (1999) and CBERS-2 (2005) satellites
images. Starting from the crossing of PPA with the earth use was noticed that of
1999 to 2005 the urban area passed from 17.51 to 23.38ha; the area with cultures
obtained growth, passing from 574.35 to 1,027.07ha; in compensation, the fields that
were occupied 500.15ha, they presented, in 2005, only 120.07ha.The forests had a
smaller fall, passing from 757.54 to 742.22ha. The water, as well as in the whole
study area, it showed a significant reduction; in 1999, it occupied 74.23ha and in
2005, 11.04ha. Therefore, the chosen area possesses environmental problems,
especially in the urban district, where the deposition of residues was evidenced in
inadequate places, and the location of residences in risk areas, besides the sewer
thrown at the two streams that permeate the city. Those problems interfere in the
population's life quality and also in the surface and underground water quality in the
micro basins. Its suggests that must have a larger concern in managing in a
maintainable way the natural resources of the area, especially the hydrics resources,
avoiding larger environmental damages.
Keywords: Geotechnologies, environmental impact, hydrographic basin, natural
resources.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Localização da área em estudo ..................................................................6
Figura 2 - Afluente da Sanga da Taquara, receptor de esgoto..................................11
Figura 3 - Arquitetura de SIG ....................................................................................19
Figura 4 - Captação e registro da REM pelo sensor .................................................21
Figura 5 - Interação da REM com o objeto................................................................22
Figura 6 - Curvas típicas de reflectância espectral para água, solo e vegetação......24
Figura 7 - Fluxograma das fases de desenvolvimento da pesquisa..........................27
Figura 8 - Fases para elaboração do mapa base......................................................28
Figura 9 - Mapa base da área em estudo .................................................................30
Figura 10 - Mapa das áreas de preservação permanente.........................................34
Figura 11 - Mapa clinográfico da área em estudo .....................................................40
Figura 12 - Mapa de uso da terra - 1999...................................................................42
Figura 13 - Mapa de uso da terra - 2005...................................................................44
Figura 14 - Moradia precária na margem do Arroio Inhamandá................................45
Figura 15 - Visão lateral da moradia (acúmulo de lixo) .............................................46
Figura 16 - Integração dos dados: uso da terra (1999) X APP..................................48
Figura 17 - Integração dos dados: uso da terra (2005) X APP..................................49
Figura 18 - Curso d'água com as margens desmatadas em função da rizicultura ....51

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Principais culturas encontradas no município de São Pedro do Sul ..........8
Tabela 2 - População do município de São Pedro do Sul .........................................10
Tabela 3 - Alterações físico-químicas decorrentes da ação antrópica no ambiente..14
Tabela 4 - Distribuição das classes de declividade na área em estudo ....................38
Tabela 5 - Uso da terra nas Microbacias em estudo (1999/2005).............................43
Tabela 6 - Integração dos dados: uso da terra (1999/2005) X APP ..........................50

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................1
2. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA .................................5
2.1. Localização da área em estudo .....................................................................5
2.2. O município de São Pedro do Sul .................................................................7
2.2.1. Aspectos históricos ....................................................................................7
2.2.2. Aspectos econômicos ................................................................................7
2.2.3. Aspectos físicos .........................................................................................8
2.2.4. A zona urbana de São Pedro do Sul ........................................................10
3. REVISÃO DE MATRÍZES TEÓRICAS .................................................................12
3.1. Os estudos sobre o meio ambiente ............................................................12
3.2. A legislação ambiental .................................................................................15
3.3. Bacias hidrográficas.....................................................................................16
3.4. Geoprocessamento e sistema de informações geográficas (SIG) ...........18
3.5. Sensoriamento remoto.................................................................................21
4. METODOLOGIA ...................................................................................................26
4.1. Procedimentos metodológicos....................................................................26
4.1.1. Materiais utilizados...................................................................................27
4.1.2. Mapa base ...............................................................................................28
4.1.3. Mapa clinográfico .....................................................................................31
4.1.4. Mapa de áreas de preservação permanente............................................32
4.1.5. Mapa de uso da terra ...............................................................................35
4.1.6. Mapas de conflito de uso da terra x APP .................................................36
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................37
5.1. Mapa clinográfico .........................................................................................37
5.2. Mapas de uso da terra ..................................................................................41
5.3. Uso da terra X APP .......................................................................................46
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES ............................................52
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS .......................................................................55

CAPÍTULO I

1. INTRODUÇÃO

As relações entre o homem e a natureza são tão antigas quanto a sua própria
existência. As características envolvidas nessas relações foram modificadas com o
passar do tempo e impostas sobretudo pelo processo de desenvolvimento
econômico.
A partir do modo de produção capitalista o meio natural foi notoriamente mais
explorado e transformado pelo homem, que buscava estabelecer melhores
condições de vida, alimentação, moradia e, principalmente, a obtenção de lucros.
O homem, procurando minimizar custos e maximizar benefícios, ocupou o
espaço geográfico irracionalmente. Através da intensificação dos processos de
industrialização, urbanização e agricultura avançada, alterou de maneira irreversível
o cenário da Terra. Juntamente com o desmatamento, a ocupação de áreas de risco,
desenvolveu processos erosivos no solo, e contribuiu para a deterioração dos
recursos naturais e o comprometimento das reservas de água.
Nesse sentido, a busca pelo equilíbrio entre o crescimento socioeconômico e a
conservação ambiental tornou clara a necessidade do aproveitamento dos recursos
naturais. Quanto a ocupação do espaço, esta deve acontecer de maneira planejada
e integrada, dentro dos limites conservacionistas do meio.
A partir da Primeira Conferência Mundial do Meio Ambiente (Estocolmo,1972)
as discussões sobre a questão ambiental alcançaram novas proporções, enfatizando
a necessidade de mudança na atitude e no estilo de desenvolvimento em benefício
da humanidade. Essas discussões foram reforçadas na ECO/92 (Brasil), ressaltando

2

o desenvolvimento sustentável, onde a proteção do meio ambiente precisa se
constituir em um elemento integrante do processo de desenvolvimento, não devendo
ser, portanto, considerada de forma isolada.
O uso sustentável dos recursos naturais tem suscitado grande preocupação,
pois esses são considerados como base do desenvolvimento da sociedade
moderna. Muitos são os desafios para solucionar os problemas decorrentes da
degradação ambiental. A complexidade do gerenciamento e planejamento ambiental
cresce devido à diminuição da disponibilidade de recursos como água e solo, e
principalmente, com a percepção inadequada da sociedade para com os recursos
naturais.
Assim, para ocorrer o desenvolvimento correto das atividades humanas o
conhecimento dos recursos naturais (solos, clima, vegetação, relevo) e das
características

socioeconômicas

(população,

produção,

uso

atual)

torna-se

indispensável. Permite avaliar o potencial de uso das terras necessário à
identificação das áreas passíveis de utilização e as áreas que devem ser
preservadas.
Diante dessa necessidade, os estudos referentes aos impactos causados pela
ação antrópica proporcionam uma avaliação qualitativa e quantitativa da forma como
se processam. Visam minimizar os danos ambientais e garantir um ecossistema
equilibrado com o desenvolvimento eficaz e sustentável nas suas diversas fases.
Deste modo, os problemas ambientais começam a ser considerados na escala
da bacia hidrográfica ou ainda a nível municipal. Sendo assim, muitos pesquisadores
chamam a atenção para a bacia hidrográfica como unidade de análise da superfície
terrestre, onde é possível reconhecer e estudar as inter-relações existentes entre os
diversos elementos da paisagem e os processos que atuam na sua esculturação
(Botelho, 1999).
O planejamento de uma bacia hidrográfica é primordial em uma sociedade que
faz uso crescente de seus recursos naturais. A bacia hidrográfica tende a ser
ocupada de forma desordenada, inclusive avançando sobre áreas de preservação
ou impróprias para o uso.
Segundo Browner (1996) o planejamento em nível de bacia hidrográfica
permite concentrar esforços na resolução de problemas prioritários em uma área
geograficamente definida pela sua rede hidrográfica, tomando em consideração os
fluxos de água superficial e em profundidade.

3

Atualmente, a questão ambiental é alvo de constantes preocupações, em
especial no que se refere às políticas e ações desenvolvidas nos países do mundo
inteiro. Conseqüentemente, deve ser analisada com eficiência e rapidez. Para tanto,
a ciência busca, através de metodologias específicas, indicar algumas formas para
que o poder público possa interferir na racionalidade do processo, maximizando o
aproveitamento dos recursos sem, no entanto, comprometer a sobrevivência da
humanidade.
As ciências que tratam da interação homem-natureza podem se valer de seus
campos de conhecimento para realizar pesquisas sobre o desenvolvimento
socioeconômico e a utilização correta dos recursos naturais, visando o planejamento
ambiental. Essas práticas buscam recuperar o meio físico, controlar problemas
ambientais e planejar as intervenções humanas, levando em consideração a
fragilidade de cada ambiente.
Nesta perspectiva, deve-se incluir a análise dos diferentes componentes do
meio ambiente, incluindo o meio físico, a ocupação humana e suas inter-relações.
Desse modo, podem-se interligar estudos ambientais com tecnologias como
sensoriamento remoto e sistemas de informações geográficas (SIG).
Diagnósticos ambientais, ordenamento territorial e avaliação de impactos
ambientais podem ser estudados e compreendidos por geotecnologias, desde que
haja uma visão interdisciplinar da questão ambiental com a questão social.
Devido à complexidade e a dimensão dos procedimentos envolvidos neste tipo
de estudo é muito importante a aplicação de técnicas de geoprocessamento com um
sistema de informações geográficas. O SIG reúne aplicativos que permite coletar,
armazenar, recuperar, transformar, inferir e representar visualmente dados espaciais
e também estatísticos ou textuais a ele relacionado, a partir de uma base de dados
georreferenciados.
Com base nos dados disponíveis o processo de planejamento é facilitado, uma
vez que tais dados podem ser sobrepostos, comparados e avaliados de maneira
rápida e sistêmica. Por meio da determinação de áreas homogêneas, classificadas
de acordo com suas características singulares, é possível realizar ações que
previnam a degradação como também ações voltadas para a recuperação do meio
ambiente.
Na perspectiva de contribuir com estudos desta natureza, o presente trabalho
tem como objetivo geral aplicar geotecnologias no estudo dos impactos causados

4

pela ação antrópica nas áreas de preservação permanente das Microbacias
Hidrográficas da Sanga da Taquara e do Arroio Inhamandá, localizadas no município
de São Pedro do Sul.
Como objetivos específicos, estabeleceram-se:
Identificar, conforme a legislação ambiental, as áreas de preservação
permanente;
Classificar o uso e ocupação da terra nas microbacias hidrográficas;
Verificar a dinâmica de uso e ocupação da terra entre 1999 e 2005;
Identificar os impactos causados pela ação antrópica nas áreas de
preservação permanente entre 1999 e 2005.
Partindo deste pressuposto, o trabalho está estruturado em seis capítulos, que
no âmbito geral expõem os seguintes tópicos:
O primeiro capítulo traz a introdução, apresentando uma breve discussão sobre
a problemática, bem como o objetivo geral e os objetivos específicos.
O segundo capítulo apresenta a localização geográfica e a caracterização geral
da área em estudo, enfatizando os aspectos históricos, econômicos e físicos.
O terceiro capítulo expõe a revisão bibliográfica sobre os conceitos básicos da
pesquisa e assuntos relacionados à compreensão do tema.
O

quarto

capítulo

tem

como

propósito

descrever

os

procedimentos

metodológicos e as técnicas adotadas para o desenvolvimento da pesquisa.
O quinto capítulo mostra os resultados obtidos, bem como a análise dos
mesmos.
Por fim, o sexto capítulo apresenta as considerações finais, buscando sintetizar
os aspectos mais importantes da pesquisa.

CAPÍTULO II

2. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA

2.1. Localização da área em estudo
A figura 1 mostra que o recorte espacial escolhido para o desenvolvimento da
pesquisa compreende as Microbacias Hidrográficas da Sanga da Taquara e do
Arroio Inhamandá, que possuem uma área de 17.349,37ha, dos quais 1.500
pertencem à zona urbana. Esta área localiza-se na porção meridional do município
de São Pedro do Sul, entre as coordenadas geográficas de 29°33'49,7'' a
29°42'11,1'' de Latitude Sul e, 54°07'0,5'' a 54°18'28,6'' de Longitude Oeste, fazendo
parte da Depressão Central.
A zona urbana desse município encontra-se inserida no divisor de águas
dessas duas microbacias, justificando assim, a importância dos estudos de impacto
ambiental. Atualmente, a zona urbana está dividida em 3 bairros, 1 loteamento e 8
vilas: Maturino Bello, Riveira e Nova Alemanha (Bairros); Paulo Tietze (loteamento);
Gaúcha, Linhares, Oliveira, Progresso, Santo Antonio, Schimidt, Santa Luzia e Trevo
(vilas).

6

Figura 1 - Localização da área em estudo

7

2.2. O município de São Pedro do Sul
2.2.1. Aspectos históricos

Em 1687, o território de São Pedro do Sul, que até então era sede da antiga
redução de São Miguel, foi escolhido para sediar um importante posto da grande
Estância de São Pedro. O local escolhido foi o Cerro da Ermida, por sua posição
privilegiada e estratégica (Leal, 1996).
Mais tarde, em 1801, a região das Missões foi conquistada e Manuel dos
Santos Pedroso, um dos conquistadores, recebeu de presente a Estância de São
Pedro, na parte meridional do atual município como recompensa aos valiosos
serviços prestados à Coroa Portuguesa.
No ano de 1858, Santa Maria passou a município e, em 1861, foi criado o 3°
Distrito de Santa Maria. Com sede na antiga Estância de São Pedro, o3º Distrito
passou a se chamar Rincão de São Pedro.
Segundo Leal (1996), a partir de 1875, vieram os primeiros colonos alemães,
aos quais o Governo Provincial concedeu lotes (mediante pagamento) na parte
coberta por florestas. Provavelmente, a partir de 1900, teve início a colonização
italiana.
Em 1925, foi enviado ao Dr. Borges de Medeiros um memorando contendo 833
assinaturas dos habitantes dessa área, solicitando a emancipação. Somente em 22
de março de 1926, através do Decreto Estadual n° 3624, o 3° Distrito e parte do 6°
Distrito de Santa Maria passaram a constituir o Município de São Pedro. Mais tarde,
29 de dezembro de 1944, pelo Decreto Estadual n° 720, o Município passou a
denominar-se São Pedro do Sul (Leal, 1996).

2.2.2. Aspectos econômicos

De um modo geral, o município de São Pedro do Sul tem sua economia
baseada no setor primário, através da agricultura e da pecuária de corte e de leite. O
cultivo de arroz, destinado ao mercado nacional, é o mais expressivo, sendo a base
da economia local. As culturas de feijão e milho são destinadas ao consumo próprio,

8

sendo comercializado apenas o excedente. A pecuária está voltada ao mercado
regional.
Conforme pode ser visualizado na tabela 1, a produção primária (arroz e soja)
do município sofreu uma grande queda durante a década de 90, devido a
emancipação do Distrito de Toropi. A cultura do milho também apresentou
oscilações ao longo dos anos, tendo a menor produção no ano de 2004 e 2005.
Tabela 1 - Principais culturas encontradas no município de São Pedro do Sul

Produto

1991

Quantidade produzida (Toneladas)
2000
2001
2002
2003
2004

Arroz
Milho
Soja

25.000
16.500
16.500
5.600
6.290
9.600
9.350
1.050
1.470
Fonte: IBGE ­ Produção Agrícola Municipal
Organização: Sonia Mari Fogiato

22.083
6.240
1.700

18.469
8.400
2.625

23.200
1.980
3.120

2005
24.000
3.150
3.600

No setor secundário é possível citar a existência de fábricas de esquadrias de
ferro e madeira, engenhos de beneficiamento de arroz e fábricas de calçados, que
empregam mão-de-obra familiar, com pouca ou nenhuma qualificação.
O setor terciário restringe-se a atender as necessidades da população
residente no interior e na sede do Município e em localidades vizinhas, que se
utilizam do comércio, dos serviços bancários e dos profissionais liberais.
Neste sentido, os setores secundário e terciário se desenvolvem na cidade
dentro das medidas estabelecidas pelo setor primário, ou seja, as atividades
industriais e comerciais estão voltadas somente para satisfazer as necessidades de
produtos e serviços em nível local.

2.2.3. Aspectos físicos

Segundo a FIBGE, o município apresenta uma área total de 873,59 Km² e está
localizado na região central do Estado do Rio Grande do Sul, na faixa de transição
entre o Planalto Meridional Brasileiro e a Depressão Central.
Desta forma, ao norte do município encontra-se o Rebordo do Planalto,
configurando uma região serrana, modelada por rochas vulcânicas da Formação
Serra Geral, com desníveis acentuados, apresentando as maiores altitudes, com
pontos de até 400 metros. Em relação aos solos, é possível mencionar que nessa

9

área aparecem os Litólicos Eutróficos, os Distróficos e Cambissolos Eutróficos
(caracterizados pelas irregularidades altimétricas). Também ocorrem as associações
de solos mediamente profundos, originários de rochas derivadas de sucessivos
derrames vulcânicos. Além disso, ressalta-se a presença da Formação Botucatu
bordejando a Formação Serra Geral (Reetz, 1999).
Em contrapartida, a porção centro-sul do município apresenta um relevo
suavemente ondulado, sem grandes variações altimétricas. Assim, predominam as
amplas e alongadas formas de topos convexos ou planos conhecidas regionalmente
por

coxilhas.

Nesta

área

encontram-se

solos

profundos,

Podzólicos

e

secundariamente os brunizém; ocorrem ainda os Planossolos nos terraços e
planícies fluviais, e os Planossolos Eutróficos, derivados de sedimentos aluviais e
depositados ao longo dos cursos d'água (Brutti, 2002).
Em relação à hidrografia do município, destacam-se os rios Toropi e IbicuíMirim, pertencentes à Bacia Hidrográfica do Rio Ibicuí, apresentando um elevado
número de arroios e sangas, entre elas: o Arroio Inhamandá e a Sanga da Taquara.
Quanto ao padrão de drenagem, destaca-se o padrão dentrítico, em função de sua
estrutura geológica e geomorfológica, os rios caracterizam-se por apresentarem
vales amplos e canais de escoamento pouco profundos (Raffaelli, 2000 apud Justos,
1990).
No que se refere à cobertura vegetal do município, merece destaque a Floresta
Subcaducifólia Subtropical, que apesar de apresentar certa exuberância, não
alcança grande porte; também aparecem as Florestas Ciliares ou Mata Galeria, que
acompanham os cursos d'água. Os campos naturais, denominados regionalmente
de Campos Finos da Campanha são característicos, ocorrendo nos demais
municípios vizinhos (Rambo, 1994).
O clima de São Pedro do Sul pode ser caracterizado como mesotérmico úmido,
que conforme a classificação de Köoppen apud Ayoad (1986) apresenta temperatura
média anual de 19°C, podendo oscilar entre 40°C (máxiam no verão) e ­2°C
(mínima no inverno). Esta classificação ainda considera o clima local como Cfa1, que
apresenta chuvas durante todos os meses do ano, sem estações secas; os índices

1

C-temperatura média dos meses mais frios entre 3°C e 18°C, e o mês mais quente superior a 10°C;
f-nenhuma estação seca, úmido o ano inteiro;
a-verão quente com temperatura média do mês mais quente superior a 22°C.

10

pluviométricos anuais variam entre 1500mm a 1600mm. Os ventos predominantes
são de leste e sudoeste (EMATER, 1994).

2.2.4. A zona urbana de São Pedro do Sul

A mobilidade espacial da população do município de São Pedro do Sul não é
diferente da situação dos pequenos municípios brasileiros no que se refere aos
índices de crescimento e distribuição urbana e rural.
Nas últimas décadas, a população total do município tem apresentado um
constante decréscimo; em contrapartida, verifica-se que a população urbana vem
demonstrando um relativo crescimento conforme pode ser observado na tabela 2.
Tabela 2 - População do município de São Pedro do Sul

Ano
1970
1980
1991
2000

Pop. Urbana(hab.)
6.019
7.865
9.939
11.831

Pop. Rural(hab.)
15.796
13.127
10.442
5.158

Total
21.815
20.992
20.381
16.989

Fonte: FIBGE
Organização: Sonia Mari Fogiato

Os principais motivos que levaram à diminuição da população foram o êxodo
rural e a emancipação político-administrativa do Distrito de Toropi, no ano de 1996.
Com base no que foi exposto, percebe-se que a população urbana praticamente
dobrou em 30 anos e a população rural apresentou uma redução de 32,6%.
O crescimento da população urbana e conseqüente falta de ampliação na infraestrutura fez com que problemas urbanos surgissem nesta cidade. O abastecimento
de água é realizado pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan)
através de cinco poços artesianos localizados na área urbana; a água é tratada
durante a coleta com substâncias de desinfecção e, posteriormente, é distribuída
aos domicílios, sendo o excesso armazenado em dois reservatórios.
Em alguns pontos da cidade a rede é antiga, possuindo mais de 20 anos.
Atualmente, este fato está acarretando problemas, pois necessita de constantes
reparos e traz transtorno para a população, devido à falta de água temporária. O

11

abastecimento de água também é proveniente de poços artesianos particulares,
construídos nas residências.
Segundo a Prefeitura Municipal, com o aumento da população urbana, o
problema que mais se agravou está relacionado ao saneamento básico,
especialmente a rede de esgoto. De acordo com o engenheiro responsável1, a
prefeitura municipal não possui dados a este respeito.
A canalização do esgoto pluvial é realizada pela Corsan; o esgoto domiciliar
não passa por nenhum tipo de tratamento e na maioria dos casos, está ligado ao
esgoto pluvial que é depositado nas sangas próximas à sede, como a Sanga da
Taquara. Em outros casos, o esgoto é liberado a céu aberto, tendo também como
destino final os córregos e sangas que passam pela cidade; em alguns domicílios
existe a fossa séptica (poço negro).
Abaixo, através da figura 2, é possível visualizar um dos córregos que passa
dentro da cidade e que recebe praticamente todo o esgoto da parte oeste. Em
relação à coleta de lixo, a mesma é feita diariamente por uma empresa particular
(PRT ­ Prestação de Serviços e Limpeza Ltda) contratada pela Prefeitura.

Figura 2 - Afluente da Sanga da Taquara, receptor de esgoto
Fonte: Trabalho de campo ­ Maio/2006

1

Jonathan Beltrame ­ Engenheiro Civil

CAPÍTULO III

3. REVISÃO DE MATRÍZES TEÓRICAS

Neste capítulo, desenvolve-se uma revisão das matrizes teóricas considerando
os estudos sobre o meio ambiente, a legislação ambiental, a bacia hidrográfica como
unidade de planejamento, além dos conceitos relacionados às geotecnologias.

3.1. Os estudos sobre o meio ambiente
Considerando o homem como parte integrante da natureza e que a
humanidade necessita dos recursos naturais (ar, água, terra, vegetais e animais)
para sobreviver, obrigatoriamente todas as atividades humanas estão relacionadas
com o ambiente (natural). Por isso, as questões ambientais constituem campos de
interesse de diversas ciências.
A ação do homem no planejamento e desenvolvimento da ocupação do espaço
terrestre requer cada vez mais uma visão ampla sobre as necessidades da
população. Essa visão, juntamente com o conhecimento sobre o comportamento dos
processos naturais no ambiente, permite racionalmente conciliar a necessidade
crescente com recursos limitados.
Deste modo, é preciso determinar o aproveitamento com base na pesquisa e
planejamento adequados. Sabe-se que todo ecossistema tem suas características
próprias, as quais o tornam mais ou menos conveniente para um determinado
aproveitamento.

13

Assim, projetos com múltiplas finalidades tendem a ser desenvolvidos. Tais
projetos podem fornecer indicativos concretos para a condução racional do uso e
manejo de recursos naturais renováveis com vistas à sua preservação.
Segundo Beltrame (1994) o planejamento do uso dos recursos naturais tornase cada vez mais urgente. O levantamento dos integrantes do meio físico e o
diagnóstico dos mesmos exigem metodologias de trabalho que permitam uma visão
global e integrada de determinada realidade.
Em outras palavras, o ser humano constrói seu habitat quando se organiza em
termos de habitação, educação, saúde, saneamento, energia, comunicação,
produção e lazer. O território possui características físicas, biológicas e antrópicas,
as quais são afetadas, em maior ou menor escala, pelos equipamentos que nele são
introduzidos: casas, fábricas, usinas, escolas, cidades, pólos industriais, sistemas de
saneamento e outros. E é através dessas características e singularidades que o
território transformado responderá ao ser humano.
De acordo com Collares (2000) as mudanças decorrentes dessas respostas
são chamadas de alterações ambientais, as consideradas mais significativas são
denominadas impactos. Esse autor ainda inclui no conceito de impacto ambiental um
fator de julgamento, qualificando-o em positivo ou negativo.
O impacto positivo resulta de uma melhoria da qualidade de uma característica
ambiental, ou seja, ocorre quando as atividades humanas instaladas são
compatíveis com a estrutura biofísica e com a capacidade de troca de energia do
ambiente. O impacto negativo resulta de um dano à qualidade de uma variável
ambiental, isto é, ocorre quando as necessidades humanas atendidas através da
implantação dos equipamentos que formam o seu habitat preferencial interferem
negativamente sobre os fundamentos vitais da estrutura biofísica do ambiente.
Dentre as atividades que podem provocar alterações no ambiente, pode-se
citar como mais importantes àquelas advindas da agropecuária, da urbanização e da
industrialização. A partir da tabela abaixo é possível perceber os principais
elementos alterados pelas atividades mencionadas anteriormente.

14

Tabela 3 - Alterações físico-químicas decorrentes da ação antrópica no ambiente

Alterações físicas
Atividade
Urbanização
Agropecuária
Indústria
Turismo

Relevo

Cobertura
vegetal

Solo

X
X

X
X

X
X
X
X

Alterações químicas
Desnidade
de
drenagem
X
X

Ar

Solo

Água

X

X
X
X

X
X
X

X
X

X

Fonte: FAO, 1995 (Adaptado)
Organização: Sonia Mari Fogiato

Neste sentido, Moreira (2002 apud CONAMA Resolução 001/86, Art. 1°) define
o conceito de impacto ambiental como sendo qualquer alteração das propriedades
físicas, químicas e biológicas do meio ambiente. Esta alteração pode ser causada
por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que,
direta ou indiretamente afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do
meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais.
Portanto, há a necessidade de se conhecer a cobertura vegetal e o tipo de uso
da terra para se estabelecer as potencialidades e as fragilidades do meio ambiente.
A intervenção humana na paisagem resulta em complexas variações em sua
fisiologia, pois o homem apenas apropria-se dos recursos naturais sem importar-se
com o cenário futuro espontâneo (Ross, 1995).
Para Orellana (1981) a cultura da sociedade, o modo de vida, os desejos, a
habilidade e o conhecimento adquirido através de gerações, indicam a extensão na
qual o meio natural será utilizado, onde essa idéia leva a concepção de organização
espacial.
Ao ser colonizado ou ocupado um determinado espaço geográfico, o primeiro
elemento da natureza a ser agredido é a vegetação. São desmatadas áreas
principalmente para a prática da agricultura, a instalação de casas e a utilização de
lenha como fonte de energia.
Além da retirada da cobertura vegetal, outros problemas ocorrem. O solo
exposto sofre maior impacto da chuva e a erosão acaba causando muitas mudanças
nas características dos rios. O assoreamento, a poluição hídrica, a lixiviação do solo,
os deslizamentos de terra, as cheias, a contaminação dos lençóis freáticos, são
alguns exemplos decorrentes da retirada da vegetação. Ao se caracterizar os

15

processos físicos da degradação ambiental, deve-se levar em conta os critérios
sociais que relacionam a terra com o seu uso.
Segundo Guerra e Cunha (1999) chuvas concentradas, encostas sem
vegetação, agricultura em locais inadequados, práticas inadequadas de deposição
de resíduos, são algumas condições que podem acelerar a degradação da
paisagem. O desmatamento e as práticas agrícolas, bem como a expansão urbana
nas áreas de encostas (ocupação desordenada do espaço) e a industrialização
intensificada são exemplos de atividades humanas que desestabilizam essas áreas
provocando alterações negativas na paisagem.

3.2. A legislação ambiental
O ponto de partida para a implantação da política ambiental no Brasil ocorreu
após a Primeira Conferência das Nações Unidas em Estocolmo (1972), e surgiu
devido a pressão exercida por organizações internacionais insatisfeitas com a
ausência de políticas e legislação especificamente ambiental no país.
Em 1981, novos rumos foram dados à política ambiental através da Lei
Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938), que tinha como propósito preservar,
melhorar e recuperar a qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar no
país condições de desenvolvimento socioeconômico.
O resultado da promulgação dessa lei foi a criação do Conselho Nacional do
Meio Ambiente (CONAMA) destinado à formação de diretrizes para a Política
Nacional do Meio Ambiente; e a formação do Sistema Nacional do Meio Ambiente
(SISNAMA), constituído por órgãos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios e por fundações instituídas pelo poder público, responsável pela proteção
e melhoria da qualidade ambiental.
Outro importante instrumento em defesa do meio ambiente foi instituído em
1985 (Lei 7.347), autorizando a Ação Civil Pública, onde o Ministério Público passou
a apresentar-se como curador do meio ambiente e também como autor em ações
relacionadas a degradação do meio ambiente. Assim, tornou-se um aliado do
cidadão comum preocupado com as questões ambientais.
Em 1988, a Constituição Federal dedicou um capítulo às questões relativas ao
meio ambiente. Fez referência explícita ao direito coletivo a um meio ambiente
protegido, atribuindo responsabilidade administrativa, civil ou criminal em relação

16

aos danos a ele causados. De lá até os dias atuais ocorreram várias mudanças
administrativas nos organismos responsáveis por ditar as regras relacionadas ao
meio ambiente, provocadas pelos diferentes governos.
Em 1989, extinguiu-se a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) e criouse a Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ­
IBAMA (Lei 7.735). Em 1990, foi criada a Secretaria Nacional do Meio Ambiente,
alterando as estruturas e atribuições do SISNAMA e do CONAMA (Decreto 99.274).
Em 1992, o governo de Itamar Franco elevou a Secretaria Nacional do Meio
Ambiente à categoria de Ministério do Meio Ambiente, e em 1993, à Ministério do
Meio Ambiente e da Amazônia Legal. Em 1995, o presidente Fernando Henrique
Cardoso o transformou em Ministério do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e da
Amazônia Legal.
Em 1997, a respeito de medidas que preconizassem o planejamento ambiental,
foi sancionada a Política Nacional dos Recursos Hídricos, tendo como princípios a
adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento, usos múltiplos da
água, reconhecimento da água como bem finito e vulnerável, entre outros.
Em 1998, a legislação ambiental foi reforçada com a promulgação da Lei dos
Crimes Ambientais (Lei 9.605), onde os princípios assegurados pela Constituição
Federal passaram a ser disciplinados e regulamentados. A lei trata das condutas e
atividades consideradas prejudiciais ao meio ambiente, que passam a ser punidas
civil, administrativa e criminalmente, obrigando o autor da conduta a promover a
recuperação do dano e a responder com o pagamento de multa, prestação
pecuniária e processo criminal.

3.3. Bacias hidrográficas
A adoção da bacia hidrográfica como unidade de gestão e planejamento
ambiental é uma realidade em muitos países e vem ganhando força no Brasil,
principalmente a partir da Lei 9.433, de 1997. Esta lei instituiu a Política Nacional
dos Recursos Hídricos, estipulando uma atuação descentralizada e participativa nos
processos de gestão.
A nova legislação prevê a criação de comitês e agências de bacias e a
participação de organizações civis no planejamento ambiental e na elaboração de
planos diretores para as bacias hidrográficas. Profissionais ligados às geociências

17

devem ter participação efetiva neste âmbito, para o estabelecimento de diagnósticos
ambientais e proposição de medidas corretivas.
O conhecimento das características do meio físico é fundamental para o
entendimento dos fenômenos naturais, que podem ser deflagrados, induzidos ou
acelerados pela intervenção humana. Neste contexto, a utilização da bacia
hidrográfica como unidade de estudo em planejamento ganha importância, uma vez
que segundo Guerra e Cunha (1999) essas possuem uma visão conjunta do
comportamento das

condições naturais

e das

atividades humanas nelas

desenvolvidas.
Lanna (1995) propõe a adoção da unidade territorial "bacia hidrográfica" como
uma das alternativas para o planejamento e gerenciamento ambiental, destacando
algumas vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens, argumenta que a rede de
drenagem de uma bacia hidrográfica pode ser capaz de indicar relações de causa e
efeito, particularmente aquelas que envolvem o meio hídrico. Dentre as
desvantagens, argumenta que nem sempre os limites municipais e estaduais
respeitam os divisores da bacia.
Botelho (1999) ainda complementa argumentando que, tendo sua delimitação
baseada em critérios geomorfológicos (delimitada sobre uma base cartográfica que
contenha cotas altimétricas) a bacia hidrográfica leva vantagem sobre unidades de
planejamento definidas por outros atributos, cujos traçados dos limites podem ser
bastante imprecisos. Por exemplo, as unidades definidas por atributos climáticos, ou,
ainda, baseadas nos tipos de vegetação, que pode não cobrir a paisagem de forma
contínua.
Com o uso da bacia hidrográfica como unidade de estudo, os processos de
erosão e/ou conservação podem ser vistos, não de forma isolada, mas fazendo parte
de um sistema. A utilização de bacias hidrográficas pode ajudar a colocar em foco
muitos problemas e conflitos ambientais cuja resolução necessite de uma
abordagem integrada (Bassi, 1990).
Neste sentido, Tucci (1993) salienta que a ação do homem, no planejamento e
desenvolvimento da ocupação do espaço da Terra, requer cada vez mais uma visão
ampla. Deve considerar as necessidades da população, os recursos terrestres e
aquáticos disponíveis e o comportamento dos processos naturais na bacia
hidrográfica, para racionalmente compatibilizar necessidades crescentes com
recursos limitados.

18

3.4. Geoprocessamento e sistema de informações geográficas (SIG)
O geoprocessamento é uma tecnologia interdisciplinar, que permite a
convergência de diferentes disciplinas científicas para o estudo de fenômenos
ambientais e urbanos. Neste sentido, tem como objetivo principal fornecer
ferramentas computacionais para que os diferentes analistas determinem as
evoluções espacial e temporal de um fenômeno geográfico e as inter-relações entre
diferentes fenômenos.
Segundo Câmara e Medeiros (1998) o geoprocessamento utiliza técnicas
matemáticas e computacionais para o tratamento de informações geográficas e, tem
influenciado de maneira crescente as áreas da Cartografia, análise de recursos
naturais, transportes, comunicações, energia e planejamento urbano e regional.
Nos países de grande dimensão e com carência de informações adequadas
para

tomada

de

decisões

sobre

problemas

urbanos

e

ambientais,

o

geoprocessamento apresenta um enorme potencial, principalmente se baseado em
tecnologias de custo relativamente baixo, em que o conhecimento é adquirido
localmente.
Os instrumentos computacionais do geoprocessamento, chamados de
sistemas de informações geográficas (SIG), permitem a realização de análises
complexas ao integrar dados de diversas fontes e ao criar bancos de dados
georreferenciados. O SIG torna possível ainda a automatização da produção de
documentos cartográficos.
Segundo Moreira (2003) pode-se dizer que um SIG é composto de cinco
componentes independentes, porém interligados uns aos outros através de funções
específicas. De acordo com a figura 3, os componentes do SIG são:
- interface: conjunto de funções que servem como suporte de entrada e
integração de dados;
- entrada e integração de dados: a entrada refere-se a todos os aspectos de
aquisição de dados espaciais; a integração de dados refere-se a conversão de
formato e identificação do local do objeto nos dados originais, de maneira
sistemática;
- consulta e análise espacial: possibilita a manipulação do conjunto de dados,
para gerar novas informações;

19

- visualização e plotagem: serve para visualizar e plotar os dados, sejam
espaciais ou alfanuméricos;
- bancos de dados geográficos: é um conjunto de arquivos estruturados, de
forma a facilitar o acesso a algumas informações que descrevem determinadas
entidades do mundo real.

Figura 3 - Arquitetura de SIG
Fonte: ASSAD, E. D.; SANO, E. E. Sistema de Informações Geográficas: aplicações
na agricultura. 1998

De acordo com Câmara e Medeiros (1998) o SIG corresponde a um sistema
que efetua tratamento computacional de dados geográficos. Os dados tratados em
geoprocessamento têm como principal característica a diversidade de fontes
geradoras e de formatos apresentados.
Assim, é possível indicar como características principais do SIG: a integração,
numa única base de dados, das informações espaciais provenientes de dados
cartográficos, dados de censo e cadastro urbano e rural, imagens de satélite, redes
e modelos numéricos de terrenos. O SIG também oferta mecanismos para combinar
as várias informações, através de algoritmos de manipulação e análise, bem como
para consultar, recuperar, visualizar e plotar o conteúdo da base de dados
georreferenciados.

20

Do ponto de vista da aplicação, utilizar um SIG implica em escolher as
representações computacionais mais adequadas para capturar a semântica de seu
domínio de aplicação. Do ponto de vista da tecnologia, desenvolver um SIG significa
oferecer o conjunto mais amplo possível de estruturas de dados e algoritmos
capazes de representar a grande diversidade de concepções do espaço (Câmara e
Medeiros, 2001).
Devido a sua ampla gama de aplicações, onde estão incluídos temas como
agricultura, floresta, cartografia, cadastro urbano e redes de concessionárias, há
pelo menos três grandes maneiras de utilizar um SIG: como ferramenta para
produção de mapas; como suporte para análise espacial de fenômenos ou como um
banco de dados geográficos, com funções de armazenamento e recuperação da
informação espacial.
Podem ser citados como principais dados utilizados em um SIG: mapas
temáticos, mapas cadastrais, redes, imagens de sensoriamento remoto e modelos
numéricos de terreno (MNT).
Os mapas temáticos descrevem, de forma qualitativa, a distribuição espacial de
uma grandeza geográfica. Os mapas cadastrais consideram cada elemento como
objeto geográfico, possuindo atributos e podendo estar associado a várias
representações gráficas. Quanto à rede, esse conceito está associado a informações
de serviço de utilidade pública (água, luz, telefone), redes de drenagem e rodovias.
No modelo numérico do terreno existe a representação quantitativa de uma
grandeza que varia continuamente no espaço (comumente são usados para gerar
mapas topográficos, projetos de estradas e barragens).
Finalmente, as imagens representam formas de captura indireta de informação
espacial. Armazenados como matrizes, cada elemento de imagem (pixel) tem um
valor proporcional à energia eletromagnética refletida ou emitida pela área da
superfície terrestre correspondente. Pela natureza do processo de aquisição de
imagens, os objetos geográficos estão contidos na imagem, sendo necessário
recorrer a técnicas de fotointerpretação e de classificação para individualizá-las.
Além dos tipos de dados citados acima, merecem destaque os tipos de
representação computacional dos mapas. Existem duas grandes classes: as
vetoriais e as matriciais.
As representações vetoriais consideram três elementos gráficos: ponto, linha e
área. A topologia define as relações invariantes da rotação, translação e escala

21

entre as entidades gráficas no mapa, como adjacência, proximidade e pertinência.
Um ponto é um par ordenado (x, y) de coordenadas geográficas. As linhas são um
conjunto de pontos conectados. As áreas ou polígonos são representados pela lista
de linhas que a compõem.
Nas representações matriciais o espaço é representado como uma matriz
P(m,n) composta de colunas e linhas, onde cada célula possui um número de linha,
um número de coluna e um valor correspondente ao atributo estudado ,e cada célula
é individualmente acessada pelas suas coordenadas. Essa representação supõe
que o espaço pode ser tratado como uma superfície plana, onde cada célula é
associada a uma porção do terreno.

3.5. Sensoriamento remoto
Segundo Novo (1998) sensoriamento remoto pode ser definido como sendo a
utilização conjunta de modernos instrumentos (sensores), equipamentos para
processamento e transmissão de dados e plataformas (aéreas e espaciais), com o
propósito de estudar o ambiente terrestre por meio do registro e da análise das
interações entre a radiação eletromagnética (REM) e as substâncias componentes
do planeta Terra em suas mais diversas manifestações.
O sensoriamento remoto permite a aquisição de informações sobre objetos,
áreas ou fenômenos pela utilização de sensores, sem que haja contato direto com
eles (Figura 4).

Figura 4 - Captação e registro da REM pelo sensor
Fonte: http://www.lab.etfto.gov.br/~erikapires/SensoriamentoRemoto.

22

Os sensores captam informações resultantes da interação da REM com os
objetos e fenômenos da superfície terrestre. Essa energia pode ser refletida,
transmitida, absorvida ou emitida pela superfície (Figura 5).

Figura 5 - Interação da REM com o objeto
Fonte: http://www.lab.etfto.gov.br/~erikapires/SensoriamentoRemoto.

A partir dessas interações, pode-se derivar informações importantes sobre as
características físicas e químicas dos alvos em estudo. A energia captada pelos
sensores pode ser oriunda de uma fonte externa ao alvo (sol), interna (energia
térmica própria dos alvos) ou ainda proveniente do próprio sensor (Lazzarotto,
2003).
O principal objetivo do sensoriamento remoto, segundo Lazzarotto (2003), é
expandir a percepção sensorial do ser humano, seja através da visão sinóptica
(panorâmica) proporcional, pela aquisição aérea ou espacial da informação, seja
pela

possibilidade

de

se

obterem

informações

em

regiões

do

espectro

eletromagnético inacessíveis a visão humana.
Assim, sensoriamento remoto está diretamente ligado à detecção da radiação e
medida das características do objeto proveniente da superfície terrestre e a
transformação da radiação (energia) proveniente do sol, para posterior transmissão
e registro.
O resultado deste processo consiste nas imagens de satélite, que são
armazenadas como matrizes, e cada elemento da imagem é denominado pixel. Os
objetos geográficos imageados estão contidos na imagem de satélite e, para
classificá-los individualmente, é preciso recorrer a técnicas de fotointerpretação ou

23

de classificação digital. As imagens de satélite, ao serem analisadas e/ou
interpretadas, podem ser descritas por certas características importantes, como:
resolução espectral e comportamento espectral dos alvos.
De acordo com Lazzarotto (2003), em sensoriamento remoto, o termo
resolução pode se desdobrar em quatro diferentes parâmetros: espacial, espectral,
radiométrica e temporal.
A resolução espacial é definida pela capacidade do sistema sensor em
"enxergar" objetos na superfície terrestre, quanto menor o objeto possível de ser
visto, maior a resolução espacial.
A resolução espectral é o conceito inerente às imagens multiespectrais de
sensoriamento remoto. É definida pelo número de bandas espectrais de um sistema
sensor e pela largura do intervalo de comprimento de onda coberto por cada banda.
A resolução radiométrica é definida como a menor diferença de brilho que um
sistema sensor é capaz de perceber. Ela determina se o alvo pode ser visto na
imagem, em função de seu contraste com os alvos vizinhos.
A resolução temporal é definida como a freqüência com a qual um sistema
sensor é capaz de imagear um mesmo alvo. Ela determina o período mínimo a ser
aguardado para um novo imageamento de determinado alvo.
O comportamento espectral dos alvos é a resposta espectral da área da
superfície terrestre observada por cada sensor. Deve-se saber a forma como o
objeto está situado no terreno, o que responde a radiância quando submetido a
irradiância solar.
A forma como esse alvo na superfície responde em relação a irradiância, em
uma determinada faixa do espectro eletromagnético é chamada Assinatura
Espectral, é o que distingue um alvo de outro, possibilitando a identificação na
imagem de satélite. A assinatura espectral de alguns componentes da natureza é
mostrada a seguir através da figura 6.

24

Figura 6 - Curvas típicas de reflectância espectral para água, solo e vegetação
Fonte: apud Fonseca, L. M. G., INPE, 2000

Cada vez mais aumentam os usuários das imagens de satélite, pois qualquer
que seja a atividade, ela de alguma maneira requer o conhecimento do uso da terra
em determinada área.
A utilização do sensoriamento remoto vem aumentando no que se refere a
técnicas para o planejamento e monitoramento ambiental, pois proporciona um
diagnóstico rápido e preciso dos principais usos e ocupações da terra de uma
determinada área.
Atualmente o sensoriamento remoto, juntamente com o SIG, está cada vez
mais presente através do processamento digital de imagens, como recurso para a
realização dos cruzamentos entre diferentes mapas temáticos.
Inúmeras são as vantagens proporcionadas por esta ferramenta, pois obtem-se
uma ampla variedade de informações e dados sobre o registro de uso da terra.
Pode-se elaborar projetos para o planejamento e monitoramento ambiental, como
também destacar outras áreas com problemas de riscos ambientais e/ou dados
básicos necessários para determinadas áreas.

25

A análise o e monitoramento do uso da terra por meio do sensoriamento
remoto dá origem a informações atualizadas de uso e revestimento da terra. Estas
informações podem ser usadas no inventário de recursos naturais, controle de
inundações, identificação de áreas com processos erosivos avançados, avaliação de
impactos ambientais (Lazzarotto, 2003).
Para Rosa (1995) o sensoriamento remoto é uma técnica de muita utilidade,
permitindo em curto prazo, a aquisição de uma imensa quantidade de dados a cerca
de registros de uso da terra. Por sua vez, o levantamento do uso da terra é de
grande importância, pois os efeitos do uso desordenado causam deterioração do
ambiente.
A utilização do SIG associado ao sensoriamento remoto é eficaz na definição e
localização de áreas onde estejam ocorrendo deteriorações do meio ambiente. Os
processos de desenvolvimento e ocupação do espaço pelas atividades humanas
têm solicitado uma necessidade crescente de estudos de elementos da paisagem
que subsidiam a elaboração de planos da relação homem e natureza, a fim de
minimizar a degradação ambiental (Christofoletti et al, 1993).

CAPÍTULO IV

4. METODOLOGIA

4.1. Procedimentos metodológicos
A metodologia foi desenvolvida a partir da necessidade de avaliar as condições
ambientais presentes na área e com o intuito de atingir os objetivos propostos. A fim
de facilitar o entendimento dos procedimentos metodológicos o trabalho foi dividido
em fases, as quais estão apresentadas resumidamente na figura 7.
A primeira fase se constituiu em uma abrangente revisão bibliográfica sobre o
tema abordado, tendo como propósito alicerçar o desenvolvimento teóricometodológico da pesquisa. Entre os principais temas destacam-se: meio ambiente,
uso da terra, bacia hidrográfica, geoprocessamento, etc.
A segunda fase esteve ligada ao levantamento de dados e informações a
respeito do município de São Pedro do Sul, priorizando as Microbacias em estudo e
a zona urbana. Neste momento, também foi realizado o trabalho de campo com o
objetivo de identificar os problemas ambientais mais significativos da área.
A terceira fase esteve centrada na elaboração dos mapas temáticos através de
softwares específicos, utilizando-se de cartas topográficas e imagens de satélite. A
elaboração desses mapas foi indispensável para alcançar os objetivos propostos na
pesquisa.
A fase seguinte teve como prioridade a análise dos dados obtidos, procurando
fornecer um tratamento estatístico através de tabelas e mapas, os quais permitiram
identificar os principais problemas ambientais na área eleita para a pesquisa.

27

FASES DA PESQUISA

Revisão
Bibliográfica

Levantamento de
dados e pesquisa de
campo

Elaboração do
material cartográfico

Análise dos dados

Considerações finais
Figura 7 - Fluxograma das fases de desenvolvimento da pesquisa
Organização: Sonia Mari Fogiato

A partir da análise dos resultados obtidos, realizou-se a última fase da
pesquisa, consistindo nas considerações finais e também algumas sugestões para
melhorar a qualidade ambiental da área. Para a compreensão da metodologia desta
pesquisa, a seguir apresentam-se os materiais e os procedimentos técnicos
adotados para a obtenção e tratamento dos dados na geração das informações.

4.1.1. Materiais utilizados
A fim de obter as informações úteis ao desenvolvimento da pesquisa foi
necessário utilizar várias ferramentas cartográficas e computacionais. Desta forma, a
seguir apresentam-se os procedimentos técnicos utilizados na execução da
pesquisa e seus respectivos materiais.
Os materiais cartográficos que subsidiaram a elaboração dos mapas temáticos
das Microbacias Hidrográficas da Sanga da Taquara e do Arroio Inhamandá foram:
Carta Topográfica de Mata, Folha SH.21-X-D-VI-1 (MI ­ 2964/1), Escala
1:50.000;
Carta Topográfica de São Pedro do Sul, Folha SH.21-X-D-VI-2 (MI- 2964/2),
Escala 1:50.000;

28

Imagem de satélite LANDSAT-7 ETM+, datada de 24/10/1999, bandas 3, 4 e 5;
Imagem de satélite CBERS-2, datada de 20/11/2005, bandas 2, 3 e 4.

Em relação aos demais materiais de apoio, utilizaram-se os seguintes:
- GPS (Sistema de Posicionamento Global) de navegação Garmin 12XL;
- Aplicativos computacionais Spring 4.2, Adobe Photoshop, Coreo Draw 12,
Microsoft Excel e Microsoft Word XP;
- Computador Pentium 2.8 GHZ, HD 80 Gb, 512 Mb de memória RAM;
- Câmera fotográfica digital 6.6 Mega Pixels;
- Impressora HP 3650 Deskjet, formato A4;

4.1.2. Mapa base
Para delimitar a área em estudo elaborou-se o mapa base (Figura 9), utilizando
cartas topográficas da DSG (Diretoria do Serviço Geográfico do Exército), sendo as
cartas de Mata folha SH.21-X-D-VI-1 (MI-2964/1) e São Pedro do Sul, folha SH.21X-D-VI-2 (MI-2964/2), ambas na escala 1:50.000. Como critério para delimitar a área
considerou-se o espaçamento das curvas de nível e os valores altimétricos. Os
principais procedimentos adotados para elaboração do mapa base podem ser
visualizados na figura 8.

MAPA BASE

Carta Topográfica
Mata

MOSAICO

Carta Topográfica
São Pedro do Sul

Digitalização via
tela do computador

Limite da área
Estradas

Planos de
Informação

Rede de
drenagem
Vias urbanas

Figura 8 - Fases para elaboração do mapa base
Organização: Sonia Mari Fogiato

29

Assim, para obter o mapa base, as cartas topográficas foram transferidas do
modo analógico para digital raster via scaner. Em meio digital fez-se o mosaico das
cartas topográficas com o programa Computacional Adobe Photoshop.
No aplicativo Impima do SIG Spring fez-se a mudança do arquivo TIFF para
GRIB e no Programa Computacional Spring 4.2 (Sistema de Processamento de
Informações Georreferenciadas), realizou-se o registro (georreferenciamento) da
imagem para posteriormente fazer a digitalização, via tela do computador dos
seguintes planos de informação: limite da área, estradas, rede de drenagem e vias
urbanas. A edição do mapa foi realizada por meio do aplicativo Scarta do SIG Spring
e Corel Draw.

30

Figura 9 - Mapa base da área em estudo

31

4.1.3. Mapa clinográfico
O mapa clinográfico ou de declividade tem a finalidade de indicar a inclinação
das vertentes, através do espaçamento das curvas de nível, e foi elaborado com
base na metodologia de De Biasi (1992).
O número de classes de declividade representadas no mapa foi influenciado
pelas características topográficas da área e pelos objetivos da pesquisa. Neste
trabalho foram usados os seguintes intervalos:
1 ­ Classe < 5%;
2 ­ Classe de 5-12%;
3 ­ Classe de 12-30%;
4 ­ Classe de 30-47%;
5 ­ Classe > 47%.
Para a geração do mapa clinográfico, inicialmente fez-se a digitalização das
curvas de nível em MNT (Modelo Numérico de Terreno), a partir das quais criou-se a
grade triangular (TIN), com base na triangulação Delaunay. Esta serviu de base para
a geração do mapa clinográfico. Após, fez-se o fatiamento das classes de
declividade. Esta foi gerada usando-se a média ponderada por cota e por quadrante
como critério de interpolação. O fatiamento consiste em gerar uma imagem temática
a partir de uma grade retangular, que se trata de um modelo numérico que
representa mais fielmente possível o relevo. Os temas da imagem temática
resultante correspondem a intervalos de valores de cotas, denominados no Spring
de fatias.
Desta forma, um plano de informação da categoria numérica originará um
plano de informação de categoria temática representando um aspecto particular do
modelo numérico de terreno. Conseqüentemente, a cada fatia deve-se associar uma
classe temática previamente definida no esquema conceitual do Banco de Dados
ativo, estabelecendo-se assim as diferentes classes de declividade para a área em
estudo. Por fim, para a edição do mapa final utilizaram-se o aplicativo Scarta e
programa Corel Draw 12.

32

4.1.4. Mapa de áreas de preservação permanente
Para executar a delimitação das áreas de preservação ambiental referente à
rede hidrográfica, executou-se mapa de distância a operação Temático. O
processamento inicia-se com a rede hidrográfica ativa, posteriormente na operação
temático seleciona-se a opção mapa de distância. A partir deste, faz-se a seleção do
elemento e a entidade definida como linha. Na tela seleciona-se os canais para
posteriormente determinar a distância de preservação. Na seqüência definiu-se o
plano de informação para armazenar o mapa de preservação permanente.
Partindo deste pressuposto, o plano de informação sobre as áreas de
preservação permanente (APP) foi elaborado a partir da rede hidrográfica (definida
no mapa base), com base na legislação vigente (Código Florestal), considerando
como de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação
natural situadas:
- ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em
faixa marginal cuja largura mínima seja de 30 (trinta) metros para os cursos d'água
de menos de 10 (dez) metros de largura;
- ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;
- nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água",
qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinqüenta)
metros de largura;
- nas encostas ou partes destas com declividade superior a 45º, equivalente a
100% na linha de maior declive.

Dessa maneira, com base na hidrografia foi gerado um mapa de distância de
30 metros em relação a cada lado da margem dos cursos d'água e de 50 metros em
torno das nascentes e açudes, gerando as APP visualmente identificadas para
preservação dos recursos hídricos de acordo com a lei.
Após esta etapa, este mapa foi cruzado com o mapa das áreas com
declividade superior a 47%, definida também como área de preservação
permanente.
Considerando que a área total das duas Microbacias chega a 17.349,37ha, é
possível mencionar que as áreas de preservação permanente ocupam cerca de
11,08% do total, ou seja, 1.923,79ha.

33

Destaca-se que a faixa marginal de 30 m no decorrer dos cursos d'água foi a
principal contribuidora para alcançar este percentual, uma vez que existe um grande
número de córregos devido ao padrão dentrítico de drenagem.
As declividades acima de 47% encontram-se, principalmente, na porção norte
das microbacias em virtude da configuração geomorfológica, caracterizada como
Rebordo do Planalto. A distribuição das áreas de preservação permanente pode ser
visualizada na figura 10.

34

Figura 10 - Mapa das áreas de preservação permanente

35

4.1.5. Mapa de uso da terra
O mapa de uso da terra foi elaborado para dois períodos em meio digital, com
base na imagem do satélite LANDSAT-7 ETM+, datada de 24/10/1999, bandas 3, 4
e 5. A composição 3, 4 e 5 foi escolhida por discriminar melhor os limites entre o solo
e a água, com a vegetação. E a imagem CBERS-2, datada de 20/11/2005, bandas
2, 3 e 4.
A classificação digital de imagens é o processo de extração de informação
sobre as mesmas para se reconhecer padrões e objetos homogêneos. Os métodos
de classificação são usados para mapear áreas da superfície terrestre que
apresentam um mesmo significado em imagens digitais. Neste caso, optou-se pela
classificação

digital

supervisionada

e

parâmetros

estatísticos

de

Máxima

Verossimilhança com classificação "pixel a pixel". Nessa, parte-se inicialmente
coletando amostras sobre a área a ser classificada, sendo que as mesmas serviram
de base para que o programa computacional realizasse a classificação.
A classificação supervisionada é a mais comumente utilizada para extração de
informações temáticas referentes ao uso da terra. Para efetuar este tipo de
classificação necessita-se de um conhecimento prévio sobre a área a ser
classificada. As informações conhecidas serão convertidas em amostras de
treinamento, que representam o comportamento médio de cada uma das classes a
serem mapeadas.
O método de Máxima Verossimilhança tem como suporte matemático a
estatística paramétrica multivariada, onde as classes são definidas com base nas
amostras de treinamento, pelos vetores das médias e matrizes de covariância.
As classes de uso da terra foram estabelecidas com base na área em estudo e
nos objetivos do trabalho. Assim identificou-se cinco classes de uso da terra, sendo
elas: culturas, campo, floresta, água e área urbana. Vencida a etapa de
classificação, partiu-se para a edição do mapa no aplicativo Scarta e no Corel Draw.
Para identificar o uso da terra, partiu-se do georreferenciamento das imagens
para os dois períodos. Foram geradas imagens sintéticas referentes à composição
colorida, realçada pela técnica de Ampliação Linear de Contraste, visando melhorar
a qualidade visual e destacar as feições de interesse, de modo a facilitar
posteriormente, a coleta de amostras de treinamento na etapa de classificação de
imagens.

36

De posse de uma legenda pré-estabelecida, definida com base na experiência
dos analistas e no trabalho de campo, foram adquiridas amostras de treinamento e
teste na imagem, as quais foram submetidas a uma avaliação do desempenho. Este
procedimento ocorreu através da análise individual de cada classe e suas
respectivas amostras utilizando limiar de aceitação de 99,9%. Com a conclusão
dessas etapas, realizou-se o mapeamento para as classes, visando a criação das
imagens temáticas finais do ano de estudo.
Para a obtenção dos produtos temáticos finais, o trabalho de campo contribuiu
de modo significativo, uma vez que possibilitou o reconhecimento da paisagem da
área em estudo, através da correlação das feições presentes na imagem com os
padrões de cobertura vegetal e uso da terra observados no campo. Nesta ocasião
foram também coletadas informações gerais, relativas ao uso da terra e referente às
áreas de preservação permanente.
A partir da disponibilidade dos dados e informações de interesse, foram
efetuadas as análises derivadas da quantificação das áreas das classes, bem como
da dinâmica de tais feições e a partir do cruzamento da imagem classificada, obtida
para o ano de estudo, com base na distribuição espacial das informações temáticas,
possibilitando verificar as condições ambientais das microbacias.

4.1.6. Mapas de conflito de uso da terra x APP
Os mapas de conflito foram gerados com base nos mapas de uso da terra dos
anos de 1999 e 2005, respectivamente, com o mapa das áreas de preservação
permanente, a partir da integração de planos de informação pré-estabelecidos no
aplicativo computacional Spring 4.2.
A integração dos dados foi feita automaticamente, uma vez que os planos de
informação possuíam formatos idênticos, a mesma georreferência e extensão. A
partir disso, foi possível visualizar espacialmente os tipos de uso da terra no decorrer
das áreas de preservação permanente.
Neste sentido, no procedimento levou-se em consideração a área marginal de
30 metros ao longo da drenagem, 50 metros em torno de nascentes e açudes, além
das áreas com declividades superiores a 47%.
A fim de facilitar a demonstração dos resultados obtidos, optou-se também em
efetuar a tabulação dos dados.

37

CAPÍTULO V

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Considerando os objetivos do trabalho percebeu-se que nas Microbacias
Hidrográficas da Sanga da Taquara e do Arroio Inhamandá existe uma forte
intervenção humana, principalmente através da agricultura e da ocupação urbana.
Partindo do mapa base, exposto no capítulo anterior, foi possível confeccionar
os demais mapas que subsidiaram a análise que segue.
Os mapas elaborados no presente trabalho apresentam os elementos básicos
para o estudo da dinâmica espacial, evidenciando a análise ambiental. Nesta
perspectiva, de acordo com as informações obtidas através da revisão bibliográfica,
aplicação de técnicas e metodologias auxiliadas por informações colhidas em
trabalho de campo, verificou-se a existência de fatores que diferenciam o espaço
onde estão inseridas as Microbacias Hidrográficas da Sanga da Taquara e do Arroio
Inhamandá.

5.1. Mapa clinográfico
O mapa clinográfico (Figura 11) apresenta grande importância, uma vez que
possibilita delimitar a declividade de determinada área para, posteriormente, definir
corretamente o uso e ocupação da mesma. Neste caso, as áreas com declividade
superior a 47%, consideradas também como de preservação permanente, serão
somadas ao mapa das demais áreas de preservação permanente, e servirão para a
integração com os mapas de levantamento do uso da terra de 1999 e 2005.

38

Analisando a tabela 4, verifica-se que as microbacias em estudo são
caracterizadas, principalmente, por uma declividade abaixo dos 12%. Neste sentido,
a classe 1 ( 47%

170,62

0,98

17.349,37

100

Total
Organização: Sonia Mari Fogiato

Já a classe 2 (5-12%) participa com 24,22%, o que corresponde a uma área de
4.202,20ha. De Biasi (1992) afirma que essa faixa define o limite máximo do
emprego de mecanização da agricultura, tanto no preparo quanto no cultivo da terra,
desde que não seja muito intenso.
As demais classes de declividade não apresentam uma participação muito
significativa. Assim, a classe 3 (12-30%), com 11,68%, abrange uma área de
2.026,55ha, e é considerada o limite máximo para a ocupação antrópica sem
restrições. As terras localizadas nesta classe deverão ter o controle da erosão nas
encostas; o plantio deverá ser realizado com a ajuda das curvas de nível com
barreiras e terraceamentos, a fim de evitar a perda da fertilidade; também é
permitido o reflorestamento planejado e as culturas permanentes.
Em relação a classe 4 (30-47%), que possui um percentual de 2,19 e que
equivale a 380,75ha, o Código Florestal Brasileiro afirma que esta área só pode ser

39

utilizada para o reflorestamento e o cultivo de vegetação permanente; a exploração
da floresta deverá ser planejada e sustentada por cobertura vegetal.
Analisando a classe 5 (>47%) percebe-se que é nesta declividade que ocorrem
os principais problemas ambientais, mesmo possuindo apenas 0,98% da área, o que
significa dizer 170,62ha. Nesta classe, seguindo as instruções do Código Florestal
Brasileiro, é proibida a derrubada de florestas, sendo permitida apenas a extração
de toras com uso racional.
Em relação ao relevo, o mesmo é caracterizado como sendo montanhoso e,
portanto, área de preservação permanente, já que apresenta sérios problemas de
erosão e instabilidade de vertentes, decorrentes do uso incorreto como o
desmatamento. Na área em estudo, esta classe localiza-se, em especial, na porção
norte caracterizada como a faixa de transição entre o Planalto e a Depressão Central
(Figura 11).

40

Figura 11 - Mapa clinográfico da área em estudo

41

5.2. Mapas de uso da terra
As duas microbacias em estudo têm em comum a localização da zona urbana
do município de São Pedro do Sul na maioria de suas nascentes. Isso já pode ser
considerado um problema ambiental, uma vez que ocorre a ocupação urbana em
áreas de preservação ambiental.
Partindo deste pressuposto, o levantamento de dados sobre o uso da terra é
necessário para as análises dos problemas ambientais, constituindo pré-requisito
para a melhor utilização do espaço. Assim, com a utilização dos recursos técnicos,
os planejadores e pesquisadores poderão trabalhar questões relacionadas ao
espaço físico-econômico de uma região sem que este espaço físico sofra
conseqüências danosas em função da ação antrópica.
A análise do uso da terra nas Microbacias Hidrográficas da Sanga da Taquara
e do Arroio Inhamandá não se restringe somente à zona urbana de São Pedro do
Sul, mas também a zona rural, que apresenta uma ocupação importante, devido a
sua proximidade com a cidade. Nesta perspectiva, analisou-se o uso da terra nos
anos de 1999 (Figura 12) e 2005 (Figura 13), a fim de constatar a dinâmica espacial
e conseqüentes danos ambientais na área em estudo.
Com o propósito de facilitar o andamento das análises, foram classificados
cinco tipos de uso nas microbacias, sendo: água, urbano, culturas, florestas e
campos.
Conforme pode ser constatado na tabela 5, para o ano de 1999 as classes
mais significativas foram os campos e as culturas, apresentando respectivamente,
38,29 e 37,88%; isso significa um total de 13.214,49ha.
À medida que se analisa o mapa clinográfico isso é justificável, uma vez que as
classes com declividades menores que 12% superam mais de 80% de toda a área,
facilitando, portanto, a ocorrência dos campos e o desenvolvimento de culturas. A
data da imagem também é um elemento a ser considerado (outubro/1999), pois
nesta época, a maioria das lavouras já estava sendo preparada para o plantio.
Em relação ao ano de 2005, as características mencionadas anteriormente
foram modificadas. A área de culturas aumentou consideravelmente alcançando
57,66% do total das microbacias, enquanto a de campos diminuiu, representando
somente 15,72%.

42

Figura 12 - Mapa de uso da terra - 1999

43

Isso ocorreu porque, os campos, característicos das coxilhas encontradas na
Depressão Central, são propícios para o desenvolvimento de lavouras. Pela data da
imagem (novembro/2005) grande parte das lavouras já deveria estar pronta para ser
plantada,

ocupando

assim,

algumas

porções

consideradas

como

campos

anteriormente. Outro fator que contribuiu diz respeito ao aumento da área plantada
da cultura de soja, que nos anos anteriores apresentou grande valorização no
mercado agrícola.
Analisando a classe de florestas, percebe-se que entre 1999 e 2005 houve um
pequeno aumento de 3,08% da área ocupada, passando de 3.672,74 para
4.208,10ha. Este fato está relacionado à conscientização dos habitantes para a
preservação do meio ambiente, conhecimento da lei dos crimes ambientais e
também a maior fiscalização por parte dos órgãos competentes. Em algumas
propriedades ocorreu a expansão de áreas com árvores exóticas, como o eucalipto e
o pinus, que se adaptam facilmente nesta região.
Tabela 5 - Uso da terra nas Microbacias em estudo (1999/2005)

Classes
Água

1999
Área (ha)
134,00

2005
Área (%)
0,77

Área (ha)
73,74

Área (%)
0,42

Urbano

328,13

1,89

336,78

1,95

Culturas

6.570,98

37,88

10.003,54

57,66

Florestas

3.672,74

21,17

4.208,10

24,25

Campos

6.643,51

38,29

2.727,21

15,72

Total

17.349,37

100

17.349,37

100

Organização: Sonia Mari Fogiato

Visualizando os mapas, percebe-se que esse aumento ocorreu principalmente
na porção norte das microbacias, onde se apresentam as maiores declividades. Em
torno de alguns açudes e nas margens do curso principal do Arroio Inhamandá é
possível constatar um pequeno aumento da mata ciliar, incluída na classe de
florestas.

44

Figura 13 - Mapa de uso da terra - 2005

45

Em relação à água, representada pelos cursos d'água, açudes e barragens,
verificou através da tabela 5 que em 1999 esta classe apresentava 0,77% do total da
área, no ano de 2005, este percentual chegou a 0,42%, diminuindo quase pela
metade. Esta queda está relacionada principalmente ao período de estiagem
verificado em 2005, que desencadeou uma série de danos ao setor agropecuário e
conseqüentemente aos habitantes desta área e demais regiões do Rio Grande do
Sul.
A classe de uso urbano tem aumentado, principalmente em virtude da elevação
no número da população urbana nos últimos 30 anos. Ao analisar a tabela, nota-se
que de 1999 para 2005 a área passou de 328,13 para 336,78ha. Como em outras
cidades brasileiras, a periferia foi ganhando novos habitantes, principalmente de
baixa renda, caracterizando assim, a deficiência do poder público em garantir
necessidades básicas do cidadão, como a moradia e o saneamento básico.
Na cidade de São Pedro do Sul, este fenômeno pode ser demonstrado através
das figuras 14 e 15, onde catadores de lixo ocupam residências precárias ao longo
das margens do curso principal do Arroio Inhamandá, acarretando não só um
problema social, mas ambiental, uma vez que lançam neste curso d'água o esgoto e
o lixo dispensado por eles.

Figura 14 - Moradia precária na margem do Arroio Inhamandá
Fonte: Trabalho de Campo ­ Maio/2006

46

Figura 15 - Visão lateral da moradia (acúmulo de lixo)
Fonte: Trabalho de Campo ­ Maio/2006

No entanto, verificou-se em campo, que outras áreas estão sendo ocupadas
por novas residências, cujos proprietários possuem maior poder aquisitivo. Nestas
áreas, já está ocorrendo a ampliação da infra-estrutura básica, através da instalação
da rede de esgoto e da abertura e calçamento de novas ruas.

5.3. Uso da terra X APP
Com o propósito de alcançar os objetivos propostos no trabalho, a análise que
segue está relacionada à integração dos mapas de uso da terra (anos de 1999 e
2005) com as áreas de preservação permanente (APP), pré-estabelecidas como
aquelas situadas ao longo das margens dos cursos d'água, nascentes e açudes,
além daquelas consideradas com declividade superior a 47%.
Neste sentido, além dos mapas confeccionados, o uso de tabelas é importante,
à medida que expõe em números e porcentagens a evolução ou o retrocesso de
determinado uso nas Microbacias Hidrográficas da Sanga da Taquara e do Arroio
Inhamandá.

47

As figuras 16 e 17 demonstram um quadro diversificado de utilização das áreas
que deveriam ser ocupadas apenas por florestas. Assim, em uma primeira análise já
é possível identificar conflitos promovidos pela ação antrópica, tanto pelo
desenvolvimento da agricultura quanto pela ocupação urbana.
A partir da quantificação dos dados, percebe-se que as APP nas microbacias
significam 1.923,79ha, correspondendo a 11,08% do total. Desses, 170,62ha estão
localizados na classe com declividade superior a 47% e os demais se encontram na
faixa marginal dos cursos d'água, açudes e nascentes, onde se concentram as
matas ciliares e topos de morros, sendo proibida a sua ocupação e seu
desmatamento, podendo acarretar a erosão do solo.
Analisando a tabela 6 verifica-se que a classe água obteve 74,23 e 11,04ha;
respectivamente, para o ano de 1999 e 2005, isso significa uma redução em relação
à área total nas microbacias. Conseqüentemente, esta classe obteve um percentual
de 3,86 (1999) e 0,57 (2005) do total das APP, mantendo as mesmas características
dos mapas de uso da terra para as duas microbacias em estudo, ou seja,
apresentou uma forte queda na sua área total em virtude das estiagens após 1999,
em especial no ano de 2005.
Ainda segundo a tabela 6, em relação à ocupação urbana, no ano de 1999 esta
classe ocupava 0,91% das APP, ou seja, 17,51ha; até o ano de 2005, a ocupação
urbana obteve um crescimento de 0,3%, passando a tomar 23,38ha.
Este aumento, no intervalo de seis anos, só reforça o crescimento dos
problemas ambientais na cidade de São Pedro do Sul, uma vez que a zona urbana
se amplia perifericamente e as áreas a serem ocupadas correspondem
principalmente às várzeas dos cursos d'água da Sanga da Taquara e do Arroio
Inhamandá.
Além disso, a localização da zona urbana nas nascentes destes cursos d'água
põe em risco a qualidade da água superficial e em profundidade, já que nesta região
existem locais de afloramento do Aqüífero Guarani. O leito dos rios também corre o
risco de assoreamento pela erosão decorrente da retirada da cobertura vegetal para
o desenvolvimento da agricultura e ocupação urbana.

48

Figura 16 - Integração dos dados: uso da terra (1999) X APP

49

Figura 17 - Integração dos dados: uso da terra (2005) X APP

50

Os principais afluentes utilizados para o despejo de esgoto consistem nos da
margem esquerda da Sanga da Taquara e nos da margem direita do Arroio
Inhamandá. Este fato é decorrente da ausência de infra-estrutura adequada e,
conseqüentemente, causa um problema social e ambiental, que serão agravados
futuramente. A distribuição destes cursos d'água pode ser facilmente verificada nas
figuras anteriores.
Tabela 6 - Integração dos dados: uso da terra (1999/2005) X APP

Classe

1999

2005

Área (ha)

Área (%)

Área (ha)

Área (%)

Água

74,23

3,86

11,04

0,57

Urbano

17,51

0,91

23,38

1,21

Culturas

574,35

29,85

1.027,07

53,39

Florestas

757,54

39,38

742,22

38,58

Campo

500,15

26,00

120,07

6,25

Total

1.923,79

100

1.923,79

100

Organização: Sonia Mari Fogiato

Analisando a classe culturas verifica-se que em 1999 ela ocupava 574,35ha,
representando 29,85% de toda a área de preservação permanente; até 2005 esta
classe obteve um crescimento superior a 23%, passando a ocupar 1.027,07ha. A
partir disso, constata-se que a área destinada para a agricultura passou a contribuir
ainda mais com os danos ambientais. Entre as culturas desenvolvidas nestas duas
microbacias destaca-se a do arroz, que também é a mais significativa do município.
A figura 18 mostra as margens de um dos afluentes da Sanga da Taquara
totalmente desmatado em função da rizicultura.

51

Figura 18 - Curso d'água com as margens desmatadas em função da rizicultura
Fonte: Trabalho de Campo ­ Maio/2006

Em contrapartida, a classe de florestas diminuiu, passando de 757,54ha (1999)
para 742,22ha (2005). Esta pequena queda representou um percentual de 0,8%,
evidenciando assim, uma situação contrária àquela encontrada na área total das
microbacias em estudo, onde a mesma classe apresentou um pequeno crescimento
(3,08%).
A situação mencionada acima permite constatar que a área de florestas cedeu
lugar principalmente ao desenvolvimento de culturas. Partindo deste pressuposto,
evidencia-se que as culturas tiveram o maior aumento em relação a área ocupada,
pois a classe campos obteve um decréscimo de 19,75% nas APP, ou seja, em 1999
ocupava 500,15ha (26%) passando a ocupar apenas 120,07ha em 2005 (6,25%).

CAPÍTULO VI

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES

O esgotamento dos recursos naturais é um dos resultados de uma imensa lista
de riscos e impactos inerentes às atividades humanas, além do desmatamento, da
erosão dos solos e, principalmente o agravamento dos conflitos de uso da terra.
Esses conflitos estão diretamente ligados a dinâmica econômica e social, uma vez
que a ocupação da terra se dá pelas atividades agrícolas e pecuárias e pela
ocupação urbana, por exemplo.
O uso inapropriado da terra conduz à exploração ineficiente e à degradação
dos recursos naturais, à pobreza e outros problemas sociais. É neste risco de
degradação que se encontra a raiz da necessidade da avaliação e do planejamento
do uso da terra.
Neste sentido, ao analisar a dinâmica do uso da terra nas Microbacias
Hidrográficas da Sanga da Taquara e do Arroio Inhamandá, percebeu-se que nesta
área existe a transformação do meio ambiente pela ação antrópica, tendo como
princípio os problemas ambientais resultantes da sobrevivência humana, a ocupação
territorial desorganizada, em áreas consideradas de risco e de preservação
permanente.
Através da confecção dos mapas e da tabulação dos dados evidenciou-se que
a área em estudo tem como agravante a localização da zona urbana de São Pedro
do Sul, prejudicando tanto os cursos d'água da Sanga da Taquara quanto os do
Arroio Inhamandá.

53

O principal dano corresponde à qualidade da água, decorrente do recebimento
direto do esgoto e da canalização realizada nos cursos d'água ao longo da zona
urbana. A utilização da água para as lavouras de arroz também é prejudicial, se
tornando, portanto, mais um fator comprometedor dos recursos hídricos e da vida ali
existente.
O desmatamento nas margens dos rios, sendo área de preservação
permanente é um dos fatores responsáveis pelo assoreamento do leito e,
conseqüentemente, de alguns açudes que recebem a contribuição dessas águas.
Esses problemas interferem principalmente na qualidade de vida da população
urbana mais carente e em relação ao ambiente, prejudicam consideravelmente a
água superficial, comprometendo a qualidade da água subterrânea encontrada
nestas microbacias.
Sugere-se que haja uma maior preocupação sobre estes aspectos, pois os
resultados obtidos podem ser utilizados como alerta para gerenciar de modo
sustentável os recursos naturais da área, em especial os recursos hídricos.
O desmatamento nas encostas e topos de morros também ocorre, devido à
ocupação para pequenas práticas agropecuárias ou simplesmente para a
comercialização da madeira nativa; com o passar do tempo isso promove os
deslizamentos de terra.
Conforme a exposição dos dados, de 1999 para 2005, houve mudanças no tipo
de uso encontrado nas APP. A área urbana passou de 17,51 para 23,38ha; a área
com culturas também apresentou crescimento, as culturas ocupavam primeiramente,
574,35ha e em 2005 passaram a abranger 1.027,07ha; em contrapartida, os campos
tinham anteriormente 500,15ha e em 2005 passaram a ocupar 120,07ha.
Do mesmo modo, a classe que também apresentou queda, porém em menor
grau, está representada pelas florestas, passando de 757,54 para 742,22ha. A água,
assim como em toda a área em estudo, mostrou uma significativa redução. Em
1999, ocupava 74,23ha e em 2005, 11,04ha. Como já foi mencionado anteriormente,
esta queda é explicada pelas seguidas estiagens verificadas ao longo do período
analisado, principalmente no ano de 2005.
Deste modo, a recuperação de áreas degradadas é necessária para evitar
mudanças no ecossistema local, que promovem diversos desequilíbrios ambientais.
Essas áreas devem ser recuperadas, com a implantação de cobertura florestal. A

54

cobertura florestal em áreas de preservação é de fundamental importância na
conservação do solo contra agentes erosivos.
O crescente interesse pelo turismo rural e pelo ecoturismo possibilita a
exploração turística das propriedades rurais, em razão das paisagens de beleza
cênica que se encontram no Rebordo do Planalto e principalmente pela ocorrência
de fósseis vegetais e animais por toda a área do município de São Pedro do Sul.
Portanto, ao analisar o uso da terra, conclui-se que é preciso adotar medidas
que promovam a utilização correta das áreas com elevadas declividades e ao longo
dos cursos d'água, a fim de preservar o solo e a vegetação, usando métodos
diferenciados de conservação dependendo da área a ser ocupada.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS

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