ESTUDO DE JUNTAS ADESIVAS POR ENSAIOS NÃO DESTRUTIVOS COM
RADIAÇÕES IONIZANTES

André Maurício Rique da Silva

Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação em Engenharia
Nuclear, COPPE, da Universidade Federal
do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre
em Engenharia Nuclear.
Orientadora: Inayá Corrêa Barbosa Lima

Rio de Janeiro
Janeiro de 2015

ESTUDO DE JUNTAS ADESIVAS POR ENSAIOS NÃO DESTRUTIVOS
COM RADIAÇÕES IONIZANTES

André Maurício Rique da Silva

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO
LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE)
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM
CIÊNCIAS EM ENGENHARIA NUCLEAR.

Examinada por:
_____________________________________________________
Profa. Inayá Corrêa Barbosa Lima, D.Sc.

_____________________________________________________
Prof. Davi Ferreira de Oliveira, D.Sc

_____________________________________________________
Prof. Ricardo Tadeu Lopes, D.Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ ­ BRASIL
JANEIRO DE 2015

ii

Silva, André Maurício Rique da
Estudo

de

juntas

adesivas

por

ensaios

não

destrutivos com radiações ionizantes/ André Maurício
Rique da Silva. ­ Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2015.
XIII, 65 p.: il.; 29,7 cm.
Orientadora: Inayá Corrêa Barbosa Lima
Dissertação (mestrado) ­ UFRJ/ COPPE/ Programa
de Engenharia Nuclear, 2015.
Referências Bibliográficas: p. 43-48.
1. Raios X. 2. Microtomografia. 3. Radiografia. 4.
Junta colada. I. Lima, Inayá Corrêa Barbosa. II.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE,
Programa de Engenharia Nuclear. III. Título.

iii

Este trabalho é dedicado aos meus pais
À minha esposa e aos meus filhos.

iv

AGRADECIMENTOS
Ao Grande Arquiteto do Universo, Deus dos mundos, sem Ele não haveria existência.
Aos meus pais, Mauricia e Ayrton (in memorian) , pela orientação que deram-me na
vida, no carinho e amor.
A minha esposa Valéria, que me deu força na caminhada em todos os momentos,
onde a desistência não faz parte dessa família, cujo meu amor é infinito, e que
algumas vezes tive que dormir mais tarde pelo trabalho, desculpe-me foi necessário.
Amo muito você minha Rainha.
Ao meu filho Lucas, minha luz, pelas minhas ausências em alguns momentos, mas
que estive pronto para estudarmos quando necessário foi. Siga seu caminho e
acredite em você, não existe a variável tempo quando se quer aprender.
Ao meu filho João Pedro minha luzinha que tanto me ajuda, e que também estudamos
juntos em vários momentos, esse coroa continua estudando, não existe a variável
tempo quando se quer aprender, se liga ! Vocês são a minha vida, papai ama muito
vocês.
Ao meu chefe Ivantuil que é meu amigo, irmão e que sem o seu apoio não seria
possível essa realização, obrigado e TFA.
Aos companheiros de jornada Davi e Alessandra pelo apoio, paciência e orientação
nos trabalhos. Muito obrigado e boa sorte em suas vidas.
Ao Professor Ricardo que me ajudou no primeiro passo dessa caminhada, serei grato
por tudo, seu apoio foi fundamental nessa trajetória, pois sem ele nada aconteceria.

v

A Professora Inaya que me aceitou para seu orientando, obrigado pela ajuda, pelas
imagens bem elaboradas e sua precisão. Meu muito obrigado por tudo e pelo
aprendizado.
Ao amigo José Lopes, que foi fundamental nas atividades na secretaria, meu muito
obrigado e coma abacaxi !
Aos funcionários do Programa de Engenharia Nuclear/COPPE pela colaboração e
suporte.
Ao Programa de Engenharia Nuclear da COPPE/UFRJ, pela oportunidade de
realização deste trabalho.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico

e Tecnológico (CNPq) e à

Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
(FAPERJ) pelo apoio financeiro.
Ao CENPES/Petrobras e à empresa Ameron International pela oportunidade de
realização do projeto.
E a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a conclusão deste trabalho.

vi

Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)

ESTUDO DE JUNTAS ADESIVAS POR ENSAIOS NÃO DESTRUTIVOS COM
RADIAÇÕES IONIZANTES

André Maurício Rique da Silva

Janeiro/2015

Orientadora: Inayá Corrêa Barbosa Lima
Programa: Engenharia Nuclear

O objetivo principal deste trabalho foi a investigação das oclusões existentes nas
regiões das juntas adesivas de tubos poliméricos reforçados com fibra de vidro e
situações práticas que podem ser facilmente encontradas no trabalho de campo. Para
tal, foram confeccionados corpos de prova sem defeitos, com falta de adesivo, com
falta de adesão e com contaminates em sua superfície. A inspeção foi realizada
através de ensaios não destrutivos com radiações ionizantes, tais como tais como
Radiografia Computadorizada, Radiografia Digital e Micro-CT. Os resultados
mostraram que as três técnicas de imagem foram adequadas para a inspeção das
juntas coladas. Entretanto, a micro-CT fornece uma análise quantitativa de toda
microestrutura tridimensional, o que apresenta uma grande vantagem dessa
abordagem, levando a um melhor refinamento de exame. A variablidade de magnitude
das oclusões nos diferentes tipos de corpo de prova indica uma descontinuidade no
processo de fabricação.

vii

Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)

ADHESIVE JOINTS STUDY BY NON DESTRUCTIVE TESTING WITH IONIZING
RADIATION

André Maurício Rique da Silva

January/2015

Advisor: Inayá Corrêa Barbosa Lima
Department: Nuclear Engineering

The main objective of this work was the investigation of the occlusions presented
in the regions of adhesive bonded joints of polymeric tubes reinforced with fiberglass in
pratical situations that can be easily found in fieldwork. For that purpose, specimens
without deffects, with lack of adhesive, with non-adherence and with contaminants on
its surface were performed. The inspections was carried out by non-destructive testing
with ionizing radiation, such as, Computed Radiography, Digital Radiography and
Microtomography. The results showed that all three imaging techniques were suitable
for inspection of bonded joints. However, the microtomography provides quantitative
tridimensional analysis of the entire microstructure, which represents a great
advantage of using this aproach and sophisticated examinations. The variability of the
occlusions magnitute in all different types of specimen indicates discontinuities
associated with fabrication process.

viii

Índice
CAPITULO 1...................................................................................................................1
Introdução.......................................................................................................................1
CAPITULO 2 ..................................................................................................................4
Revisão Bibliográfica.......................................................................................................4
CAPITULO 3...................................................................................................................9
Fundamentos Teóricos....................................................................................................9
3.1 Materiais Compósitos.........................................................................9
3.2 Radiografia ......................................................................................12
3.3 Micro-CT...........................................................................................14
CAPITULO 4.................................................................................................................18
Materiais e Métodos......................................................................................................18
4.1.Amostras de GFRPs...............................................................18
4.2.Técnicas de Imagem..............................................................20
CAPITULO 5................................................. .......................................28
Resultados ...................................................................................................................28
CAPITULO 6.................................................................................................................42
Conclusão.....................................................................................................................42
CAPITULO 7.................................................................. ......................43
Referência Bibliográfica........................................................................ 43
APÊNDICE........................................................................................... 49

ix

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Uma junção colada com correspondência macho cônico e fêmea...............12
Figura 2 - Sistema da imagem de fósforo de armazenamento.. ............................13
Figura 3 - Exemplo de um sinograma...........................................................................15
Figura 4 - Dimensões e cortes dos tubos de 16 polegadas..........................................18
Figura 5 - Fotografia das amostras GFRPs inspecionadas nesse estudo ...................18
Figura 6- ­ Exemplificação dos cortes efetuados nas amostras GFRPs......................20
Figura 7 - Sistema compacto de CTSkyScan/Bruker, modelo 1173...........................23
Figura 8 ­ Ilustração do ROI analisado na quantificação de micro-CT da região da cola
para cada amostra.........................................................................................................25
Figura 9 ­ Exemplo de um histograma de uma imagem transversal de micro-CT da
junta colada, em que TH=42 é o limiar escolhido para binarização da imagem..........26
Figura 10 - Exemplo de uma imagem transversal de micro-CT da junta colada da
amostra 1-1...................................................................................................................27
Figura 11 - Imagem de RC para a amostra 1-1.............................................................28
Figura 12 - Imagem de RD para a amostra 1-1 cortada................................................29
Figura 13 - Reconstruções de micro-CT para a amostra 1-1........................................30
Figura 14 - Amostra 1-1 fotografia evidenciando a ROI investigada na RC, RD e microCT..................................................................................................................................31
Figura 15 - Amostra 3-1 fotografia evidenciando a ROI investigada na RC, RD e microCT..................................................................................................................................32

x

Figura 16 - Reconstruções de micro-CT para a amostra 3-1........................................33
Figura 17 - Amostra 7-1 fotografia evidenciando a ROI investigada na RC, RD e microCT..................................................................................................................................34
Figura 18 - Reconstruções de micro-CT para a amostra 7-1........................................35
Figura 19 - Amostra 6-4 fotografia evidenciando a ROI investigada na RC, RD e microCT..................................................................................................................................36
Figura 20 - Reconstruções de micro-CT para a amostra 6-4........................................37
Figura 21 - ­ Imagem 3D do VOI quantificado por micro-CT evidenciando a região das
oclusões (vermelho), a matriz do material (azul) e a cola (verde).................................39
Figura 22 - Histograma do diâmetro das oclusões existentes nas conexões das juntas
coladas obtido através de micro-CT..............................................................................40

xi

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Características de matrizes termorrígidas usadas em aplicações
Estruturais.....................................................................................................................10
Tabela 2 - Resumo dos parâmetros experimentais utilizados nas técnicas de imagem
para as amostras de GFRPs.........................................................................................21
Tabela 3 - Parâmetros de aquisição micro-CT..............................................................23
Tabela 4 - Parâmetros de reconstrução micro-CT........................................................24
Tabela 5 - Resultados da avaliação micro-CT 3D para oclusão apresentadas............38

xii

LISTA DE ABREVIAÇÕES
American Petroleum Institute

API

Bidimensional

2D

Compósito Reforçado com Fibra

FRC

Dispositivo de Carga Acoplada

CCD

Distância Fonte Detector

DFD

Distância Fonte Objeto

DFO

Ensaios Não Destrutivos

END

Elementos Finitos

EF

Feixe de Ion Focalizado

FIB

Fibra de Vidro Reforçada com Epóxi

GRE

Image Plate

IP

Laboratório de Instrumentação Nuclear

LIN

Luminescência Fotoestimulada

PSL

Microtomografia Computadorizada

Micro-CT

Orientação de Distribuição de Fibras

FOD

Parede Simples Vista Simples

PSVS

Plástico Reforçado com Fibra de Vidro

PRFV

Polímeros Reforçados com Fibras de Vidro

GFRPs

Programa de Engenharia Nuclear

PEN

Radiografia Computadorizada

RC

Radiografia Digital

RD

Região de Interesse

ROI

Transistor de Filme Fino

TFT

Tridimensional

3D

Tomografia Computadorizada

CT

Universidade Federal do Rio de Janeiro

UFRJ

xiii

Capítulo 1
Introdução
A indústria de tubos de fibra de vidro vem sendo solicitada a buscar inspeções
mais criteriosas com o intuito de melhorar a qualidade de seus produtos. Essa
demanda é convocada por parte do serviço atacadista de grandes empresas devido a
dinâmica do mercado e a reestruturação da indústria nacional. Sendo assim, vizando
minimizar prejuizos e possíveis perdas a busca por um melhor controle de qualidade
das mercadorias é fundamental.
Grande parte da infra-estrutura de dutos é construída a partir de aço carbono. O
aço é uma liga metálica composta por Ferro (Fe) e Carbono (C) podendo conter
composições diversas de outros elementos de ligas. Suas propriedades mecânicas
são sensíveis ao teor de carbono, de forma a classificação de seu tipo também ocorre
baseado nesse intervalo. Os aços de alta resitência e baixa liga fazem parte do grupo
de ligas com baixo teor de carbono. A maioria pode ter sua resistência aumentada
diante tratamento térmico, ademais são ductéis e podem ser usinávies. Os aços com
alto teor de carbono são os mais duros e mais resistentes, entretanto menos ductéis
(CALLISTER , 2002). Aços de maior resistência e tenacidade permitem a operação de
dutos sob pressões mais elevadas e a confecção de estruturas mais seguras.
Dependendo do tipo de aço algumas inclusões metálicas podem resultar na
diminuição das propriedaeds mecânicas e na aceleração do processo corrosivo,
especialmente nos de alta resistência. Os tubos utilizados na área de petróleo são
geralmente classificados segundo a Norma API (American Petroleum Institute) em
função da sua aplicação e resistência mecânica, tendo como finalidade fornecer
padrões adequados para o transporte de gás, água e óleo. Esse tipo de
aperfeiçoamento é de grande valia, significando que maiores volumes desses fluidos
podem ser disponibilizados a um preço menor por unidade de transporte. A crise
financeira global suplanta uma queda na demanda financeira por aço com objetivo de
de reduzir a exposição de dutos fabricados por esse tipo de material em ambientes
corrosivos. Uma forma de ultrapassar esse problema é a utilização de um outro
material com uma elevada resistência à corrosão, baixa densidade e boa propriedade
mecânica, tais como polímeros reforçados com fibras de vidro (GFRPs) (PRICE,
1

2002). Diferentes materiais poliméricos são selecionados para serem quimicamente
resistentes frente

ao fluido

transportado

e,

consequentemente,

não

serem

influenciados pelas condições de operação.
A estrutura dos compósitos é constituída por uma combinação de dois ou mais
produtos não solúveis entre si. Um de seus produtos é chamado de fase de reforço e
outro de matriz (ASTROM, 1997). Nesse contexto, é frequente o encontro na literatura
do termo "materiais compósitos" (material constituído de matriz polimérica e reforços
de vidro). Esses materiais podem possuir comportamento anisotrópico, ortotrópio ou
quase isotrópico, a depender do tipo e da direção preferencial das fibras, sendo o
compomente mais resistente e rígido do compósito (KAW, 2006). Os GFRPs
representam uma alternativa atraente para tubulações sujeitas a ambientes severos
internos ou externos em aplicações onshore ou offshore (LEES et al., 2006). Existem
vários tipos de uniões mecânicas ou coladas nesse tipo de tubulação podendo obter
classificação tais como, adesivadas, laminadas (hand layup ou spray up), ponto e
bolsa (quick-lock joint) com vedação elastomérica, flangeladas roscadas e outras. Em
conexões do tipo ponto e bolsa, por exemplo, a extremidade de um dos dutos, que tem
conicidade, é introduzida no duto subsequente, também apresentando conicidade,
mas de diâmetro um pouco maior. Eles são unidos por um adesivo polimérico
específico para este tipo de junção a uma determinada condição de temperatura de
operação (OLIVEIRA, 2010).
GFRPs, bem como qualquer outro tipo de material, podem adquirir danos. Sua
origem engloba todos os passos do processo de manufatura bem como outras
exposições ocorridas durante a instalação ou tempo de vida útil. No específico de
juntas coladas, os defeitos com maior possibilidade de ocorrer são as oclusões
(porosidades), trincas, falta de adesivo (quantidade de adesivo insuficiente, gerando
áreas com vazios) e falta de adesão (kissing bond) quando ocorre a não aderência do
adesivo a superfície.
A inspeção estrutural e a avaliação dos materiais que compõem as juntas dos
dutos são imperativas visto sua grande utilização na indústria brasileira. Os fatores
mais preocupantes associados a esses materiais estão relacionados à ocorrência de
descolamento e/ou perda de adesão caracterizada por excesso de poros na
composição

do

adesivo.

Os

ensaios

não-destrutivos

(END)

são

técnicas,

procedimentos ou processos empregados para garantir a qualidade e a confiabilidade
de máquinas, equipamentos e materiais sem danificá-los. Também são empregados
para proporcionar informações acerca de defeitos de um determinado produto bem
2

como sua monitoração de degradação. As principais técnicas de END compreendem
correntes parasitas, emissão acústica, líquido penetrante, partículas magnéticas,
ultrasom, termografia, ensaio visual, radioscopia, radiografia e gamagrafia. A
tomografia computadorizada (CT) é uma técnica de radiação ionizante que também
pode ser aplicada a indústria de END (REIMERS, GILBOY, GOEBBELS, 1984). A
técnica de microtomografia por transmissão de radiação X (micro-CT) vem sendo
empregada em END com a grande vantagem da inspeção de materiais diretamente
através do conhecimento volumétrico (CARMIGNATO, 2012, MACHADO, MACHADO,
LOPES, LIMA, 2013).
Nesse contexto, a proposta desse estudo foi realizar a caracterização das juntas
coladas de GFRPs através do levantamento de propriedades estruturais, tais como,
percentual de oclusões (porosidade total), falta de adesão e/ou adesivo, que são
evidenciados no momento de adesão das juntas coladas por motivos adversos ao
processo. Para tal investigação foram utilizadas as técnicas de radiografia e de microCT. Especificamente, foram utilizadas as técnicas de radiografia computadorizada
(RC), radiografia digital (RD) e micro-CT. As duas últimas técnicas utilizam detector
plano do tipo flat panel para registro da radiação. Os corpos de prova utilizados
possuíam 16 polegadas de diâmetro e os mesmos simularam condições reais da
junção de GFRPs, ou seja, falta de adesão/adesivo, contaminação de superfície e sem
defeitos.
A estrutura do texto dissertativo encontrada nesse documento foi produzida de
forma a satisfazer os objetivos do estudo, se inciando pela introdução do tema em
questão situada no presente capítulo. Posteriormente, sua divisão segue em cinco
partes distintas e um apêndice: Revisão de Literatura, Materiais e Métodos,
Resultados e Discurssão, Conclusões e Referências Bibliográficas. O apêndice consta
do trabalho submetido a publicação em periódico indexado.

3

Capítulo 2
Revisão Bibliográfica
REYNOLDS (1985) mostrou que materiais compósitos reforçado em fibra podem
requererem inspeção e controle de qualidade de tipos diferentes daquelas necessárias
por metais estruturais convencionais. Isso ocorre devido as técnicas especiais de
fabricação por meio do qual eles são empregados. As técnicas de END são
particularmente aptas a essa finalidade, pois o compósito pode variar de constituição
de ponto a ponto e a remoção de amostras para análise destrutiva não seria permitido
e nem útil. A qualidade das fibras usadas, bem como dos materiais de matriz podem
ser reguladas por amostragem e controle de processos, mas isso deixa muitos
significativos problemas com os compósitos , tais como a determinação de: (a) estado
de cura da matriz de resina; (b) a porosidade da matriz da resina; (c) fração de volume
de fibras; (c) a orientação da fibras e manta; (e) condições de interface fibra-matriz e a
detecção de: (f) delaminações e rachaduras translaminar; (g) inclusões exterior; (h) a
falta de ligação das chapas de camadas adjacentes ou outra estrutura.
SALVO et at. (2003) mostraram que a CT é uma técnica de END que fornece
informação 3D de materiais. Por conseguinte, é muito atraente em Ciência dos
Materiais já que a relação entre as propriedades macroscópicas e microestrutura de
um material é frequentemente necessário. Nesse trabalho foram apresentados os
resultados obtidos em várias investigações de materiais metálicos, tais como
deformação superplástico, materiais no estado semi-sólido e espumas metálicas.
Dependendo das características estudadas, foram utilizados vários modos de análise
de CT (modo de absorção convencional, com contraste de fase e holo-tomografia).
Além disso, a técnica de Micro-CT permitiu que se executassem experimentos in situ
pelo uso de um aparelho de teste mecânico ou uma fornalha.
SCHILLING et al. (2005), avaliaram as capacidades e limitações de micro-CT para
a caracterização dos danos e falhas internas, incluindo a delaminação e microfissuras,
em polímero de matriz de materiais compósitos reforçados com fibras. As amostras
com uma variedade de tipos de danos e geometrias, e de várias dimensões, foram
investigados para avaliar o efeito do sistema de resolução sobre a capacidade de
determinar a geometria interna de falhas. É dada especial atenção à detecção de
4

microfissuras, um assunto de interesse crítico no estudo de polímero de matriz
laminados compósitos reforçados com fibra. Os resultados demonstram que a microCT pode facilitar a caracterização da geometria interna de falhas, incluindo a
delaminação, o craqueamento matriz, e microfissuras, em laminados de polímero
reforçado com fibras. No entanto, é limitada devido à dependência do agente de
contraste, requerendo conectividade suficiente das fissuras e a penetração do corante.
A Micro-CT tem sido utilizada como uma base para a obtenção de modelos
microestruturalmente realistas através do método de elementos finitos (FE). Os efeitos
prejudiciais da porosidade foram examinados em vários sistemas. A combinação
dessa abordagem é uma boa ferramenta para investigação acadêmica, pois não só
fornece uma modelagem legitima das microestruturas, mas que permite a validação
dos modelos por ser capaz de medir em 3D a real deformação ao longo do tempo.
Como exemplo, o trabalho de FERRIE et at. (2006) utilizou micro-CT com radiação
Síncotron e a simulação em 3D, com aplicação de FE, na avaliação da transmissão da
fadiga de trinca. Especificamente, a aplicação de FE é usada para calcular os fatores
de intensidade de tensão ao longo da frente da trinca tendo em consideração a
geometria 3D extraída da micro-CT. A propagação de trincas por fadiga que foi
observada experimentalmente é comparado com simulações numéricas. Cada
imagem tomográfica 3D adquiridas durante o teste de fadiga mostra a forma da trinca
dentro da liga de alumínio. A fenda estudada, não obstante a sua pequena dimensão,
pode ser considerada microestruturalmente elástica , longa e linear. Durante a
propagação da trinca, nove exames foram realizados e renderizações 3D da
rachadura em diferentes estágios de sua evolução foram obtidos. Essa abordagem
pode ser usada para caracterizar in situ fissuras de fadiga existentes na maior parte
dos materiais opacos com uma resolução perto de 1 µm, o que é relevante para o
estudo da propagação da trinca.
PINCU (2008) evidenciou que a RD vem superando a radiografia convencional no
trabalho de campo, onde a radiografia digital portátil oferece muitos benefícios para os
usuários. A necessidade de inspeções de alta qualidade, aumentando a eficiência são
muito exigidos na indústria naval, como nas áreas de soldagem em navios onde são
formados longas filas para sua verificação e o processo é tedioso e em longo tempo.
Com a técnica de RD reduz significativamente o tempo de inspeção, pois não há
nenhuma

digitalização

ou

desenvolvimento

imediatamente na tela do computador.

5

e

as

imagens

são

adquiridas

Ensaios de RC e RD são práticas comuns na inspeção industrial. OLIVEIRA
(2010) estudou a viabilidade do emprego da técnica RC na detecção de
descontinuidades no adesivo polimérico empregado na união entre trechos de dutos
com GFRPs. Os testes em corpos de prova de diferentes diâmetros, com vários tipos
de descontinuidades na região do adesivo, foram realizados em laboratório e os
resultados de RC foram comparados com os resultados de radiografia convencional.
Após a validação, foram executadas radiografias com a técnica de RC em um circuito
hidráulico para verificar a detectabilidade de descontinuidades das juntas com a
presença de fluido no interior da tubulação, o que simula uma condição real de
funcionamento. Foram realizados ainda ensaios radiográficos adicionais inserindo
elementos externos ao adesivo objetivando sua atuação como agentes de contraste.
Os resultados obtidos com a técnica de RC mostraram as mesmas indicações que as
imagens de radiografia convencional, com redução da exposição em até 85 %. Os
resultados das imagens do circuito hidráulico mostraram que é possível detectar
defeitos mesmo com a presença de fluidos na tubulação, o que é de grande
importância para a inspeção de dutos em funcionamento.
A união de materiais com adesivo é definido como o processo de juntar peças
usando uma substância não-metálicas (adesiva), que sofre uma reação de
endurecimento físico ou químico, fazendo com que as partes se unam por meio de
aderência da superfície (aderência) e resistência interna (coesão) (GARCIA et al.,
2011).
OLIVEIRA et al. (2011) utilizaram RC para detectar descontinuidades em adesivos
poliméricos que são usados para unir segmentos de dutos feitos de resina epóxi
reforçada com fibra de vidro. Os testes foram realizados a fim de avaliar a detecção
das descontinuidades de certas articulações que contenham líquidos dentro dos dutos,
com o objetivo de simular condições reais de trabalho. Os resultados mostram que é
possível detectar defeitos mesmo em tubulações que contenham fluidos, o que é
altamente relevante para a inspeção operativa dutos feitos de materiais compósitos.
Na indústria do petróleo, materiais compósitos têm sido utilizados cada vez mais
frequentemente, especialmente no que diz respeito ao transporte de fluidos nos dutos.
DANCETTE et al. (2011) avaliaram pontos de solda de aço de alta resistência
utilizando micro-CT, metalografia e fractografia. Sua aplicação acentuada está
relacionada ao carro, onde possui vários pontos de solda. Um modelo FE foi
desenvolvido de modo a ilustrar a forma de como os mecanismos competem e levam
a um determinado tipo de falha. Regiões da solda são frequentemente mais sensíveis
6

a falhas interfaciais do que os aços macios convencionais. Foram identificados três
principais mecanismos de falha e zonas de falha: (i) a localização de deformações na
Base Metal/Sub-Critica Zona Afetada de Calor, (ii) o cisalhamento dúctil em torno da
solda da ponta do entalhe e (iii) fratura semiquebradiço no cordão de soldadura, a
partir da superfície de contato.
LORENZONI et al. (2013) quantificaram o volume de vazios (oclusões/porosidade)
e a área de superfície aderente resultante do passador de compósito reforçado com
fibras (FRC) utilizando Micro-CT. Arquitetura espacial tridimensional (3D) das
estruturas e a análise volumétrica revelou que 9,9% da resina foram compostos de
vazio e que a área ligada entre a dentina da raiz e cimento era 60,6% maior do que
entre o cimento e passador FRC.
BALDAN (2012) estudou a importância da aderência dos materiais quando são
colocados em contato. A aderência adequada entre eles é muito importante em
setores industriais, incluindo as indústrias automotiva e aeroespacial, aplicações
biomédicas, e microeletrônica. Esse estudo concluiu que a adesão é um fenômeno
complexo e uma série de fatores afetam a adesão, incluindo o tipo de aderente e
adesivo,superfície de pré-tratamento, a espessura da cola e colagem.
Os defeitos que são mais frequentemente encontrados em juntas coladas de
sistemas de tubulação com fibra de vidro reforçado com epóxi (GRE) são a falta de
adesivo, o descolamento e as delaminações. Essas características só podem ser
detectadas através de testes hidrostáticos ou em condições operacionais, devido a
vibrações induzidas. (LEES et al., 2006, BELLA et al., 2013, GARCIA et al., 2011,
TAKAHASHI, 2002). A maioria das falhas de serviço em sistemas desse tipo são
devido a erros cometidos durante a fase de montagem. Por exemplo, quando o
adesivo se desfaz ou perde o seu poder de adesão, a perda de pressão nas linhas
pode ocorrer, bem como vazamentos de óleo ou contaminação do óleo, o que pode
resultar em perdas de produtividade, danos ambientais e até mesmo acidentes
mortais. Por esses motivos existe uma necessidade de métodos de controle capazes
de avaliar tanto a integridade e a qualidade dos adesivos utilizados em tais juntas.
Devido às dificuldades e os altos custos implicados na interrupção dos processos de
produção comercial, muitas vezes é necessário que os métodos de END sejam
empregados na avaliação conjunta do processo.
LIMA et al. (2013) utilizaram RC, RD e Micro-CT de forma a realizar estudos em
inspeção e medidas de END para controle de juntas soldadas na área industrial. A
porosidade pode ser muito importante porque ela está relacionada com as
7

propriedades de liga e interliga, tais como a degradação de desempenho mecânico.
Nesse trabalho investigaram falhas críticas de soldagem, tais como rachaduras
longitudinal, sagital e transversal, a falta de penetração e porosidade. Técnicas digitais
representam um avanço na qualidade dos exames de imagem, especialmente por
Micro-CT 3D, permitindo a avaliação da distribuição de espessura e o percentual do
volume de material não destrutivo.
CRUPI et al. (2011) investigaram experimentalmente diferente tipos de
compósitos (compósitos laminados, sanduíches de espuma de PVC, alumínio espuma
e sanduíches tipo favo de mel, madeira laminada) submetidos a teste de impacto de
baixa velocidade e da análise de seus modos de colapso, bem como o estudo de sua
resposta estrutural em termos de capacidade de absorção de energia. O modo de
falha e os danos internos dos compósitos impactados foram investigados usando duas
técnicas experimentais: CT e termografia. Mostraram que a área danificada pode ser
facilmente detectada por meio de uma termocâmera durante o evento e as suas
dimensões podem ser confirmadas por meio de análise de CT, após a ocorrência do
evento.
MUHAMMAD et al. (2014), escreveram que a orientação do segmento de
distribuição de fibras é de fundamental importância e que a colocação das fibras não
pode ser controlada individualmente durante a fabricação e o tecido não pode ser
representado por um padrão de repetição geometrica. Esse parâmetro é uma das
principais propriedades de uma teia fibrosa ou tecido e a sua influência no
comportamento mecânico, transporte de fluidos, distribuição de tamanho dos poros,
impregnação de resina e a tradução das propriedades das fibras.

8

Capítulo 3
Fundamentos Teóricos
3.1 Os Materiais Compósitos
Os materiais compósitos são formados por uma estrutura de reforço inserida em
uma matriz, onde o produto final apresenta uma combinação de propriedades dos
seus constituintes. O reforço geralmente é feito por fibras, que apresentam alta
resistência à tração e a matriz une as fibras de forma a permitir que as tensões sejam
transferidas para a fibra, resultando num material reforçado (CALLISTER, 2002). O
compósito é projetado de modo que as cargas a que a estrutura é submetida em
serviço sejam suportadas pelo reforço. Suas propriedades dependem da matriz, do
reforço e da interface. Desta forma, muitas variáveis precisam ser consideradas ao se
projetar um compósito: o tipo de matriz (metálica, cerâmica e polimérica), o tipo de
reforço (fibras ou partículas), suas proporções relativas, a geometria do reforço,
método de cura e a natureza da interface. Cada uma destas variáveis deve ser
cuidadosamente controlada a fim de produzir um material estrutural otimizado para as
circunstâncias nas quais será usado (GIBSON, 1994).
Os materiais poliméricos são os mais usados em uma ampla diversidade de
aplicações dos compósitos, devido as suas propriedades à temperatura ambiente, da
sua facilidade de fabricação e de seu custo (CALLISTER, 2002). Os compósitos
poliméricos, também denominados plásticos reforçados, são materiais formados por
uma matriz polimérica e um reforço. Entre as vantagens do compósito polimérico
estão: baixo peso, resistência à corrosão e ótimas propriedades mecânicas quando
comparados com alguns materiais convencionais de engenharia.
A função da matriz polimérica assim como das demais matrizes é transferir o
carregamento aplicado no material para as fibras, mantê-las ancoradas e agrupadas, e
protegê-las contra danos superficiais (abrasão mecânica ou reações com o ambiente),
o que contribui no controle das propriedades do compósito (GIBSON, 1994). Elas
matrizes poliméricas podem ser termorrígidas ou termoplásticas. As termoplásticas
amolecem com o aquecimento e eventualmente fundem, e endurecem quando
resfriadas e as termorrígidas são formadas por uma reação química interna entre a

9

resina e o endurecedor ou a resina e o catalisador, sofrendo uma reação não
reversível formando um produto duro e infusível, que se degrada com o aquecimento
(PILATO et al., 1994). As resinas poliméricas termorrígidas mais amplamente
utilizadas para aplicações estruturais na indústria são as resinas poliéster, vinil éster e
epóxi. As poliéster e vinil éster tem um custo menor. Já as resinas epóxi são mais
caras e, além de aplicações comerciais, também são muito utilizadas em compósitos
de matriz polimérica para aplicações aeroespaciais, por que possuem melhores
propriedades mecânicas e melhor resistência à umidade do que as anteriores
(CALLISTER, 2002). Na tabela 1 pode ser observada as características de cada uma
dessas matrizes, sendo que cada uma delas apresenta características particulares
quanto ao processamento e desempenho (ASTROM, 2000).

Tabela 1 ­ Características de matrizes termorrígidas usadas em aplicações
Estruturais (adaptação de Astrom, 2000).
Sistema

Tipo de Resina

Tipo de Indicador
Volume de

Poliéster

Vinil Éster

Epóxi

Ortoftálica,

Époxi, novolac,

Epicloridrina/bifen

isoftálica,

resinas epóxi éster

ol-A

halogenada

de bifenol

Peróxido

Peróxido Orgânico

Orgânico

Aminas e ácidos
anidrido

7-9 %

7-9 %

1-4 %

Baixa

Média

Alta

Baixa

Média

Alta

Média

Média

Alta

Média

Alta

Média

Concentração
Adesão
Interfacial
Propriedades
Mecânicas
Resistência à
Fadiga
Resistência
Química

Um material de grande importância é a fibra de vidro Reforçado com epóxi (GRE),
que vem sendo utilizado onshore para aplicações de baixa e alta pressão com uma
10

grande variedade de fluídos, incluindo hidrocarbonetos (STRINGFELLOW, 1992). Já
nas aplicações offshore vem sendo utilizados somente em sistemas aquosos de baixa
pressão (GIBSON, 2000).
As fibras de vidro atuam como reforço estrutural dos laminados, proporcionando
aumento das propriedades mecânicas. Os diferentes tipos, formas de arranjo e
proporções dos reforços de fibras de vidro, conferem características e propriedades
físicas distintas para cada tipo de aplicação e construção exigida. Os principais tipos e
formas de reforços de fibras de vidro são: Fios contínuos, Fios picados, Mantas e
Tecidos. As principais características das fibras de vidro são: Altas propriedades
mecânicas, Baixo coeficiente de dilatação, Manutenção das propriedades em altas
temperaturas e Baixo peso específico.
Além das resinas e fibras de vidro, são utilizados outros componentes na
construção do PRFV. Esses componentes contribuem e também modificam as
propriedades físicas dos laminados, em função das características e necessidades de
aplicação, a saber.
Catalisadores e aceleradores: são substâncias com funções de promover a cura
ou polimerização das resinas poliméricas;
Estireno: participa do processo de cura e ajusta a viscosidade das resinas;
Absorvedores de Ultravioleta: são aditivos que absorvem a energia das radiações
ultravioleta;
Pigmentos e Corantes: são usados para colorir e proteger as estruturas de PRFV
contra os raios solares;
Cargas Minerais: podem ser usadas para reduzir a exotermia e ajustar
coeficientes de dilatação térmica;
Véu de Superfície: são utilizados para assegurar e garantir uniformidade de
espessura e alta concentração de resina no laminado interno (liner) dos equipamentos
em PRFV. Existem véus de polipropileno ou poliéster, e véus de fibras de vidro. O tipo
e quantidade de véu usado nos equipamentos de PRFV, dependem da agressividade
química do fluído.
Resinas epóxi são polímeros de peso molecular relativamente baixo capaz de ser
processado sob uma variedade de condições. Duas vantagens importantes dessas
resinas sobre resinas de poliéster não saturadas são: primeiro, estas podem ser
parcialmente curadas e armazenadas neste estado e segundo estas exibem pouco
encolhimento durante a cura. Entretanto, a viscosidade de resinas epóxi convencionais
é maior, e estas são mais caras comparadas com resinas poliéster. As resinas
11

curadas possuem alta resistência química e a corrosão, boas propriedades térmicas e
mecânicas, excelente adesão a uma variedade de substratos e boas propriedades
elétricas. Sua maior limitação é o alto tempo de cura e a baixa performance em
ambientes quentes e úmidos. Aproximadamente 45% do total de resinas epóxi
produzidas são usados em capas protetoras. Enquanto o restante é usado em
aplicações estruturais como laminados e compósitos, ferramentaria, moldagem,
fundição, construção, adesivos e CT (VARMA et al., 2000). A figura 1 mostra a seção
longitudinal de um duto de fibra de vidro reforçado com epóxi (GRE).

Figura1­ Uma junção colada com correspondência macho cônico e fêmea
(AMERON, 1994).

3.2 Radiografia
A radiografia convencional é o processo de obtenção de imagens bidimensionais
(2D) utilizando feixes de raios X juntamente com a combinação tela-filme como
receptor de imagem. Após a interação da radiação com o corpo de prova, a imagem
radiográfica é obtida. Essa imagem fornece informações pontuais dos detalhes
presentes no objeto inspecionado. Essa técnica é uma valiosa ferramenta na área
industrial, sendo destacada como evolução tecnológica a radiografia digital. Ela é hoje
uma realidade em diversos ambientes, sendo largamente encontrada em ensaios de
END. Nesse caso, os receptores de imagem utilizados convertem a radiação X de
forma indireta ou direta para que seja produzida a imagem digital. Dependendo desse

12

processo a técnica pode ser classificada como radiografia computadorizada (RC) ou
radiografia digital (RD).
Um sistema de radiografia computadorizada (RC) é constituído comumente por
uma unidade de computador, um scanner especial e uma placa de imagem de fósforo
(IP).O IP é um detector de radiação ionizante 2D que utiliza materiais fotoestimuláveis,
como por exemplo BaFX:Eu2+ (X = Cl, Br, I), que após sua exposição a radiação forma
a imagem latente. O processo que permite que as imagens sejam adquiridas por
essas placas é chamado luminescência fotoestimulada PSL (Photostimulated
Luminescence) (TAKAHASHI, 2002). Após o escanemanto por um scanner especial a
imagem latente é transformada em uma imagem radiográfica. O feixe do scanner é do
tipo laser (vermelho, = 680 nm), o qual é utilizado para estimular as partículas de
fósforo, levando-os a liberar a energia armazenada no seu interior e converter em luz
visível; este é o PSL. A intensidade do PSL é diretamente proporcional à quantidade
de fótons de raios X absorvida pelo armazenamento do fósforo. Tais fótons visíveis
são recolhidos por um guia de luz e transferidos para um tubo fotomultiplicador, em
que são transformados em sinal eletrônico, amplificado e transmitido a um conversor
analógico/digital. Como resultado, os sinais digitais formam uma imagem radiográfica
(SILVA, 2014). Um esquema didático desse processo pode ver visualizado na figura 2.

Figura 2- Sistema da imagem de fósforo de armazenamento (Mazur, 2006).

13

Sistemas de Radiografia Digital (RD) utilizam detectores de tela plana, chamados
flat panel, que possuem mecanismos integrado e diretos de leitura da radiação. Eles
foram introduzidos no mercado no final da década de 1990 com elemento detector
constituído de um transistor de filme fino (TFT - Thin Film Transistor). Fazem parte de
sua composição um camada de material cintilador e um fotodiodo. Mais
especificamente, os detectores do tipo flat panel são dispositivos de tela plana
baseado no arranjo de fotodiodos de silício amorfo (a-Si) e finos transistores em
combinação com cintiladores de iodeto de césio ativado com tálio (CsI(Tl)). Este
sistema de leitura eletrônica permite um processo de leitura ativa (LANÇA, 2009).

A inspeção radiografica é essencial para diversos ramos, pois é versátil, rápida e
econômica. No entanto, a CT é inerente quando se deseja o conhecimento de
medições em 3D. A TC é mais lenta em comparação com a RC/RD, mas por outro
lado, oferece uma melhor exatidão e é adequada para inspeções off-line (NEUBAUER,
1997).

3.3 Micro-CT
A técnica de CT é capaz de predizer a distribuição de toda estrutura interna ou de
superfície presente no corpo de prova, tornando-se uma técnica supeior a RC/RD.
Com o advento da tecnologia a evolução da obtenção de informações através de
imagens de raios X foi alcançada em TC, possibilitando a visualização de uma seção
plana do corpo de prova de forma e a localização exata de uma determinada
característica estrutural. É um método não destrutivo que produz imagens da estrutura
interna de um objeto, que não necessita de ser previamente modificado, ou seja, o
objeto inspecionado não precisa ser submetido a um método de preparação, tais como
impregnação, desbaste ou polimento (STOCK, 2008).
A concepção médica de CT é a mais conhecida pelo púbico em geral. Nesse
caso, o ensaio ocorre com o conjunto fonte de radiação e detector de imagem se
movimentando ao redor do paciente, o qual permanece imóvel durante o exame.
Entretanto, também é possível a obtenção de imagens de CT com o sistema fontedetector estático, de forma que o corpo de prova rotacione ao longo de seu eixo. Essa
é configuração básica encontrada nos equipamentos industriais, pois nesse último

14

caso não há a preocupação com limite de dose de radiação, fato primordial na área
médica.
A micro-CT é um progresso da CT no que diz respeito a resolução espacial da
imagem adquirida, podendo chegar até aproximadamente 1 µm (DUNSMUIR,1991). A
resolução espacial dos sistemas convencionais de TC ( da rodem de 0,5 mm­ 1,0 mm)
é tipicamente limitada pela geometria do feixe de raios X, juntamente com as
características do detector.
O princípio físico da micro-CT é o mesmo da CT de forma que uma série de
radiografias são obtidas e reconstruídas matematicamente para produzir a imagem
digital 3D, em que cada voxel (menor elemento de volume de uma imagem de CT)
está relacionado com a absorção de raios X. As representações 3Ds são processadas
digitalmente para se obter os parâmetros geométricos e/ou morfológicos quantitativos
relevantes, dependendo do foco de investigação (OLIVEIRA et al., 2011).
Um importante fator que determina a qualidade da imagem reconstruída é o
número de projeções coletadas na aquisição do conjunto de dados de micro-CT,
quando o corpo de prova é rotacionado ao longo do seu eixo principal (rotação de
360º). A distribuição obtida dos dados de projeções como uma função do ângulo de
projeção é chamada sinograma, e pode ser visto na figura 3.

Figura 3: Exemplo de um sinograma (FORSBERG, 2008).

Ao estudar um sinograma, também é possível detectar se o objeto estudado se
movimentou durante a varredura, o que induziria um movimento descontínuo das
15

características do objeto, para um número limitado de ângulos. Este movimento
indesejado resulta em artefatos no slice reconstruído.
A primeira etapa de Micro-CT é a aquisição, que tem como função converter uma
imagem em uma representação numérica adequada para o processamento digital
subseqüente. Este bloco compreende dois elementos principais. O primeiro é um
dispositivo físico sensível a uma faixa de energia no espectro eletromagnético (como
Raios X, ultravioleta, espectro visível ou raios infravermelhos), que produz na saída
um sinal elétrico proporcional ao nível de energia detectado. O segundo, o digitalizador
propriamente dito, converte o sinal elétrico analógico em informação digital, isto é, que
pode ser representada através de bits 0 s e 1 s. Um módulo de aquisição de imagens
é normalmente conhecido pelo nome de frame grabber. (MARQUES et al., 1999).
O processo de reconstrução de imagem é o próximo passo na linha de execução
do ensaio de Micro-CT e constitui um caminho matemático que envolve a obtenção
dos coeficientes de atenuação (x,y) a partir das medidas dos raios-soma. Dessa
forma, a CT fornece uma imagem da fatia do material inspecionado na forma dos seus
coeficientes de atenuação. A grande quantidade de dados medidos que são
necessários para diversas fatias de corte e, a complexidade dos algoritmos de
reconstrução para confecção das imagens, faz com que haja necessidade de
computadores rápidos de alta velocidade (LIMA, 2006).
A partir da obtenção das seções transversais (coronais ou sagitais), as imagens
de Micro-CT são processadas digitalmente para que o corpo de prova seja
devidamente caracterizado, a partir de avaliações tanto quantitativas quanto visuais.
Esse processo alarga o espectro da caracterização de materiais, pois permite fazer
medidas

impossíveis

de

serem

realizadas

manualmente,

atribuindo

maior

reprodutibilidade, confiabilidade e velocidade ao processo (GOMES, 2001). O
processamento de imagens digitais envolve procedimentos normalmente expressos
sob forma algorítmica. Em função disto, com exceção das etapas de aquisição e
exibição, a maioria das funções de processamento de imagens pode ser
implementada via software. O uso de hardware especializado para processamento de
imagens somente será necessário em situações nas quais certas limitações do
computador principal (por exemplo, velocidade de transferência dos dados através do
barramento) forem intoleráveis (MARQUES et al.,1999).
Para se alcançar os atributos quantitativos, as imagens de Micro-CT expressas
em tons de cinza são segmentadas. Todavia, para o sucesso da análise de micro-CT é
necessário que o processamento de imagem de segmentação seja adequado. A da
16

metodologia de segmentação depende da quantidade de fases que a amostra de
interesse possui, além do tamanho dos objetos individuais e do arranjo
espacial/formas (JUNGMANN, 2014). É uma tarefa difícil de implementar. Existem
diversas técnicas de segmentação baseadas em diferentes princípios (limiarização de
histograma, detecção de bordas, textura, morfologia matemática, etc). A mais clássica
e mais utilizada é a segmentação por faixa tonal, também chamada de limiarização ou
thresholding. A limiarização usa o tom de cinza dos pixels para distingui-los,
considerando como objetos, as regiões dos pixels contíguos com tom de cinza dentro
de uma faixa tonal delimitada a partir de um limiar ou tom de corte. O ponto mais
sensível da limiarização é a escolha correta dos tons de corte, ou seja, a seleção
adequada do valor do limiar que irá separar as diferentes fases pertencentes ao corpo
de prova.
O histograma da imagem é simplesmente um conjunto de números indicando o
percentual de pixels naquela imagem que apresentam um determinado nível de cinza.
Estes valores são normalmente representados por um gráfico de barras que fornece
para cada nível de cinza o número (ou o percentual) de pixels correspondentes na
imagem. Através da visualização do histograma de uma imagem obtemos uma
indicação de sua qualidade quanto ao nível de contraste e quanto ao seu brilho médio
(se a imagem é predominantemente clara ou escura) (MARQUES et al.,1999).

17

Capítulo 4
Materiais e Métodos
4.1. Amostras de GFRPs
As amostras utilizadas para realização dos ensaios de RC, RD e micro-CT são
compostas de materiais compósitos poliméricos. A concepção desses materiais
compósitos envolve uma camada interna rica em resina ester-vinílica (espessura de
0,25 mm ou 0,5 mm) juntamente com um reforço com véu de superfície (poliéster ou
vidro "C"), chamada de Liner, que é responsável pela contenção do ataque corrosivo
dos agentes químicos. Logo após essa camada, há uma camada intermediária
chamada de barreira química, também rica em resina ester-vinílica, porém com reforço
de fibras de vidro multidirecionais (manta ou chopped), bidirecionais (tecido ou woven
roving) ou unidirecionais (hooped glass). Existe um acabamento externo, igualmente
cheio da mesma resina, responsável pela proteção externa, que pode ser aditivada
com absorvedor de raios ultravioleta ou pigmentos de acordo com aplicação. Os dutos
foram fabricados por enrolamento filamentar e, após essa etapa foi efetuada a junção
dos trechos simulando uma situação real ocorrida em campo.
As inspeções de imagem foram realizadas no Laboratório de Instrumentação
Nuclear (LIN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pertencente ao
Programa de Engenharia Nuclear (PEN). Foram utilizadas quatro corpos de prova, que
consistem em juntas coladas de tubos GFRPs de diâmetro de 16 polegadas, cortadas
em ângulo de 60°. Elas foram inicialmente inspecionadas por RC e posteriormente
subdividivas em porções menores de aproximadamente 100 mm x 58 mm, de forma a
serem inspecionados por RD e Micro-CT.
A figura 4 ilustra um esquema didático a respeito dos cortes realizados nos corpos
de prova originais. A região evidenciada em vermelho diz respeito a junção do material
que foi executada através da sobreposição das extremidades das duas partes de
tubos.

18

Figura 4: Dimensões e cortes dos tubos de 16 polegadas.

A figura 5 apresenta as fotografias dos corpos de prova inspecionados nesse
estudo. Nota-se a evidência de uma região retangular, que diz respeito a região de
interesse (ROI) que foi avaliada por RD e Micro-CT. A amostra 1-1 foi confeccionada
sem a presença de defeitos, a amostra 3-1 possui falta de adesão, a amostra 7-1
simula a falta de adesivo e finalmente, a amostra 6-4 possui contaminantes em sua
superfície. A falta de adesão foi simulada inserindo uma fita adesiva na superfície da
junta em conjunto com a cola no momento da confecção, ao passo que na falta de
adesivo uma quantidade menor de cola (aproximadamente 30 %) a que o
procedimento padrão indica foi empregada além da falta de execução da sua
homegeneização por toda superfície.

Figura 5: Fotografia das amostras GFRPs inspecionadas nesse estudo utilizando
raios X: (a) Amostra 1-1 (sem defeitos incluídos em sua confecção), (b) Amostra 3-1
(falta de aderência), (c) Amostra 7-1 (falta de adesivo) e (d) Amostra 6-4
(contaminantes superfície). O retângulo evidenciado ilustra a ROI utilizada para
análise em RD e Micro-CT.
19

A Figura 6 ilustra mais especificamente as regiões das amostras inspecionadas
por RD e micro-CT.

Figura 6 ­ Exemplificação dos corpos de prova de GFRPs inspecionados por RD
e Micro-CT.

4.2. Técnicas de Imagem
As amostras foram inspecionadas utilizando três técnicas de imagem: RC, RD e
Micro-CT com a finalidade de investigar a região da junta colada em diferentes
situações que podem ser facilmente encontradas no trabalho de campo.
O objetivo dos ensaios de radiografia foi a avaliação de descontinuidades no
adesivo polimérico empregado na união entre trechos e dutos com matriz de resina.
Após essas inspeções a técnica de micro-CT foi empregada nas amostras cortadas
(figura 7) com a finalidade de avaliar quantitativamente as oclusões presentes nas
juntas coladas. A região de corte escolhida foi aquela que apresentou uma quantidade
significativa de defeitos evidenciados anteriormente na radiografia.
A tabela 2 apresenta o resumo dos parâmetros experimentais utilizados em RC,
RD e Micro-CT.

20

Tabela 2 ­ Resumo dos parâmetros experimentais utilizados nas técnicas de
imagem para as amostras de GFRPs.
Parâmetros

Micro-CT

CR

DR

CSD160

TU160-D03

L9181-02
Modelo tubo raios X
(Hamamatsu)
Técnica radiográfica

-

PSVS

PSVS

Tensão (kV)

130

55

60

Corrente (mA)

0,061

3,0

3,0

0,8

12,0

6,0

0,05

1,0

1,0

CRTower

DXR 250V Flat

Scanner

Panel

IPC Imaging Plate

2048 x 2048 Pixels

Tempo de Exposição
(s)
Tamanho Focal (mm)

CMOS Flat Panel
Detector
2240x2240 Pixels
Tamanho de pixel (m)

35,03

113,0

200,0

Número de quadros

5

-

10

DFD (mm)

364,0

1300,0

1000,0

DFO (mm)

258,3

1300,0

1000,0

A primeira inspeção realizada foi a RC, de forma que todo o corpo de prova
(amostras inteiras) foram investigados. Os ensaios foram feitos através da técnica de
Parede Simples Vista Simples (PSVS) e, para isso, foi utilizado um tubo de raios X de
potencial constante, modelo CSD 160, fabricado pela Balteau. Esse equipamento foi
parametrizado com uma tensão de 55 kV, uma corrente de 3 mA, tempo de exposição
de 12 s, tamanho focal 1 mm. O scanner utilizado foi o RC Tower (modelo GE),
tamanho de pixel de 113 m e o registro foi efetuado pelo IP IPC2 (modelo GE),
distância fonte-detector (DFD) igual a 1300 mm.
Na segunda etapa da inspeção foram feitas RD das amostras cortadas com
dimensões de 100 mm por 58 mm aproximadamente. Esse sistema também utiliza a
técnica PSVS, sendo utilizado um tubo de raios X do modelo TU160-D03 calibrado a
21

operar com tensão de 60 kV e uma corrente de 3 mA. O tempo de exposição utilizado
para o ensaio foi de 6 s, tamanho focal também de 1 mm. Nesse caso o detector
utilizado foi um Flat Panel (DXR 250V) com uma matriz de pixels de 2048 x 2048.

Para a análise das imagens de RC e RD foi utilizado o programa Isee!
(Alekseycuk A), que não é uma plataforma de domínio público, porém uma versão
demo é disponibilizada pelo Instituto Federal de Pesquisa de Materiais e Ensaios
(BAM - Federal Institute for Materials Research and Testing). Esse programa foi
desenvolvido com a finalidade da análise de imagens radiográficas para o sistema
operacional Microsoft Windows. Além de ser um visualizador de imagens possui o
objetivo de analisar quantitativamente imagens de alta resolução.

A última técnica aplicada foi a de micro-CT, utilizando um sistema de alta energia
(Skyscan/ Bruker, Bélgica - modelo 1173). Esse equipamento possui um tubo de
raios X microfocado (tamanho focal até 5 m) que pode operar até uma potência
máxima de 8 W, o qual foi calibrado para operar com uma tensão de 130 kV e uma
corrente de 61 µA. Esse sistema tem opção da colocação de filtros metálicos na saída
do feixe do tubo de raios X com a intenção de reduzir a contribuição de fótons de baixa
energia, a fim de minimizar os efeitos de endurecimento do feixe na amostra. Para tal,
no presente estudo foi utilizado 1,0 mm de espessura de alumínio. O tamanho do pixel
utilizado foi de 35 µm, fornecendo uma distância de fonte-amostra (DFO) e DFD iguais
a 258,3 mm e 364,0 mm, respectivamente. Nesse ensaio, tal como na RD, foi utilizado
um detector Flat Panel para registrar a transmissão do feixe de raios X. Em micro-CT a
matriz de pixels empregada foi de 2240 x 2240 pixels. As amostras foram rotacionadas
com passo de 0,50º num total de 360 ° e, em cada etapa da rotação, foram adquiridos
05 (cinco) quadros por projeção. A figura 7 apresenta as especificações do
equipamento de micro-CT e a tabela 3 um resumo dos parâmetros experimentais de
aquisição utilizados em micro-CT.

22

profundidade

Figura 7: Sistema compacto de CTSkyScan/Bruker, modelo 1173(Manual
SkyScan-Bruker).

Tabela 3: Parâmetros de aquisição micro-CT.
Parâmetros de Aquisição
Tensão (kV)

130

Corrente (µA)

61

Tamanho de pixel (µm)

35

Passo angular (graus)

0,5 de 360

Número de Quadros

5

Filtro Metálico

Al (1 mm de espessura)

Tempo de aquisição

48min46seg

Tamanho da matriz (pixels)

2240x2240

Número de Arquivos

720

o

Após a aquisição dos dados de micro-CT é necessário executar a sua
reconstrução.

Esse

procedimento

foi

realizado

com

auxílio

do

programa

®

NRecon/InstaRecon (versão 1.6.4.1) que é baseado no algoritmo de (FELDKAMP et
al., 1998). Os parâmetros experimentais utilizados nessa etapa estão descritos na
tabela 4.

23

Tabela 4: Parâmetros de reconstrução micro-CT.

O software CTAN® (CTAN, 2012) (v.1.13.2.0) foi utilizado para efetuar os
processamentos de imagens e as análises quantitativas de micro-CT. Os parâmetros
quantificados na micro-CT foram o volume total do volume de interesse (VOI) (TV,
mm3), o volume total dos objetos binarizados dentro do VOI (BV, mm3) e a
porcentagem do VOI que é ocupada pelos objetos binarizados (Obj.V / TV, %). As
quantificações foram executadas em 1864 (slices) fatias da amostra de 1-1 (fabricada

24

sem inserção de defeitos), 1955 da amostra 3-1 (sem adesivo), 2233 da amostra 7-1
(sem adesão) e 2090 da amostra 6-4 (com contaminação da superfície).
A ROI utilizada para a quantificação dos parâmetros geométricos foi escolhida
individualmente para cada amostra, de forma que fosse contemplada apenas a região
da conexão. Após a definição do ROI foi realizado um tratamento nas imagens
reconstruídas para aumentar a qualidade da imagem a ser quantificada. Podem ser
citadas algumas ferramentas que foram utilizadas nesse programa, tais como, a
utilização de filtros morfológicos, a execução da segmentação, o emprego de
operações morfológicas, tais como despeckle e shrink-wrap do ROI. Um exemplo de
execução dessas funções, por exemplo shrink-wrap do ROI está apresentada na figura
9. Com o ROI definido e o histograma ajustado utilizou-se essa função que aglomera
somente o volume de interesse, que nesse caso, é a cola adesiva da junta. Essa
metodologia foi necessária para que evitasse a quantificação de todos os poros de
toda a região observada. Essa função transforma a região de interesse, que antes era
irregular, igual à região da cola. Como resultado de imagem tem-se a figura 8a ,b,c e
d.

Figura 8 ­ Ilustração do ROI analisado na quantificação de micro-CT da região da cola
para cada amostra.

25

Entretanto, é importante observar o histograma para a escolha do nível de
limiarização (TH-Threshold) a fim de tornar as imagens reconstruídas em tom de cinza
binárias (preto/branco). Uma boa escolha deve ser feita para não subestimar ou
superestimar valores nas regiões binarizadas. Nesse estudo foi utilizado o método
global para a escolha do limiar TH, em cada uma das amostras analisadas. Essa
escolha foi efetuada de forma a se obter uma diferença mínima na imagem final,
quando as imagens original e binárias foram comparadas.
A figura 9 mostra um exemplo do layout do CTAn evidenciando a etapa da escolha
do TH através do histograma referente a amostra 1-1. Nele é possível observar o valor
escolhido de TH que, para nesse caso, valores maiores que 42 representam os pixels
preto (cola) e valores menores que 42 vão representar os pixels branco (poros). A
figura 10 ilustra a seção transversal da amostra 1-1 correspondente ao histograma
apresentado na figura 9. É possível observar a imagem original reconstruída em tons
de cinza e a imagem binarizada de acordo com o valor de TH escolhido.

Figura 9 ­ Exemplo de um histograma de uma imagem transversal de Micro-CT da
junta colada, em que TH=42 é o limiar escolhido para binarização da imagem.

26

a)

Poros

b)

Figura 10 ­ Exemplo de uma imagem transversal de Micro-CT da junta colada da
amostra 1-1 (a) imagem original e (b) imagem binária em que TH=42 é o limiar
escolhido para binarização da imagem.

27

Capítulo 5
Resultados
A imagem de RC da amostra 1-1 (figura 11) evidencia uma grande quantidade de
oclusões, cobrindo uma área considerável da parte superior da junta. Embora essa
amostra tenha sido fabricada sem defeitos, é possível observá-los em toda extensão
do corpo de prova. Essa observação foi feita na amostra com 16 polegadas de
diâmetro e, após a mesma efetuou-se um segundo corte com objetivo de inspecionar
mais detalhamente. A investigação do 2º corte ocorreu através da RD e da Micro-CT.
Esse mesmo procedimento foi realizado para todas as outras amostras. A imagem de
RD para essa mesma amostra está apresentada na figura12.

Figura 11 ­ Imagem de RC para a amostra 1-1.

28

Figura 12 ­ Imagem de RD para a amostra 1-1 cortada (2º corte).

Verifica-se uma melhor qualidade de imagem em RD quando comparada a RC.
Na RD utilizando do detector do tipo Flat Panel a conversão da radiação acontece de
forma direta, ou seja, a energia dos raios X é convertida diretamente em sinal elétrico.
A resposta em termo de imagem é mais rápida e mais nítida. Para a RC existe uma
pequena desvantagem com relação a RD, pois limita-se por fatores como tamanho do
foco do laser e o tamanho físico dos IPs.
Embora as técnicas de radiografia apresentadas nessa dissertação sejam prática
comum na indústria de END, não é possível analisar as características volumétricas
das regiões. Para tal, a micro-CT foi empregada. A figura 13 apresenta as imagens de
reconstrução da amostra 1-1. É possível visualizar o plano transaxial (X-Y), o plano
coronal (X-Z) e o plano sagital (Z-Y). Da mesma forma que nos resultados de RC e RD
foi possível observar as oclusões presentes nessa amostra, sendo evidenciadas como
espaços vazios (representados pelos pixels pretos).

29

Figura 13 ­ Reconstruções de Micro-CT para a amostra 1-1, evidenciando os
diferentes planos possíveis de serem visualizados.

30

A figura 14 apresenta um resumo dos resultados de imagem das três técnicas de
imagem utilizadas. Através da micro-CT é possível obter a localização das oclusões na
ROI investigada, que são evidenciadas pela cor vermelha.

Figura 14 ­ Amostra 1-1: (a) fotografia evidenciando a ROI investigada, (b) RC, (c) RD
e (d) Micro-CT.

Os resultados da amostra 3-1 (figura 16) mostram que apenas uma pequena
região apresenta uma área de oclusões (vazios). Entretanto, através das imagens de
radiografia, tanto RC quanto RD, não foi possível identificar uma nítida falta de
aderência (figura 15b,c) que, no momento da fabrição foi representada através da
inserção de fita adesiva na região da cola. Contudo, através da Micro-CT foi possível
visualizar tal característica, representada na imagem através das setas em evidência.
31

Figura 15 ­ Amostra 3-1: (a) fotografia evidenciando a ROI investigada, (b) RC, (c) RD,
(d) Micro-CT, (e) detalhe da falta de adesão em 2D da Micro-CT

A figura 16 apresenta mais claramente as visualizações em todos os planos da
ROI investigada. Nota-se a presença de oclusões circulares (regiões representadas
pelos pixels pretos ­ seta amarela) tais como as encontradas na amostras 1-1.
Também é possível observar um defeito bastante significativo na região próxima a da
cola (representada por *, em azul) e evidencia-se a presença da fita adesiva (o, em
vermelho) na junta colada. Os resultados de Micro-CT mais uma vez se mostram
superiores aos da radiografia, principalmente nesse caso, em que foi possível
constatar algumas regiões horizontais de vazios na matriz do material.

32

Figura 16 - Reconstruções de Micro-CT para a amostra 3-1, evidenciando os
diferentes planos possíveis de serem visualizados. ( oclusões, * defeito, o presença
da fita na junta).

A imagem da amostra 7-1 através da RC/RD (figura 17b,c) permite a visualização
de vazios, bem como as apresentadas na figura 18.

33

Figura 17 ­ Amostra 7-1: (a) fotografia evidenciando a ROI investigada, (b) RC, (c) RD
e (d) Micro-CT.

A Figura 18 apresenta as visualizações de Micro-CT dos planos transaxial,
coronal e sagital. É possível observar algumas oclusões na região da junta colada
(representadas por setas de cor amarela).

34

Figura 18 ­ Reconstruções de Micro-CT para a amostra 7-1, evidenciando as
oclusões (representadas pela seta em amarelo).

A amostra 6-4 não apresentou muitas regiões de oclusões. Através da radiografia
(figura 19b-c) foi possível observar alguns contaminantes presentes (visualizados em
um tom de cinza próxima a região do branco), mas não se observam oclusões, com
excessão da área da base (figura 19b).
35

Figura 19 ­ Amostra 6-4: (a) fotografia evidenciando a ROI investigada, (b) RC, (c) RD
e (d) Micro-CT.

A figura 20 apresenta detalhes das visualizações da amostra 6-4. É possível
observar a presença de um material de alta densidade (evidenciado pelas setas
brancas) na região de colagem.
As regiões representadas em 3D obtidas por Micro-CT das figuras 15, 16, 18 e 20
foram utilizadas para a avaliação quantitativa das oclusões presentes nas amostras.
Seus resultados estão na tabela 5. O parâmetro TV representa o volume total que foi
analisado, de acordo com a quantidade de slices utilizados. Obj.V refere ao volume
total de objetos binarizados dentro do VOI. Por conseguinte, foi possível obter a

36

porcentagem do objeto binarizado proporcional, presente dentro do VOI (Obj.V / TV). A
amostra de 1-1 apresenta um volume de oclusões igual a 863,4 mm3 o que representa
aproximadamente de 20% do volume total analisado. Este resultado pode ser
analisado como um grande problema na fabricação da amostras, uma vez a mesma foi
confeccionada sem nenhuma interferência no processo.

Figura 20 ­ Reconstruções de Micro-CT para a amostra 6-4, evidenciando as
oclusões (representadas pela seta em amarelo) e o material de alta densidade
(representados pelas setas em branco).
37

Tabela 5: Resultados da avaliação Micro-CT 3D para as oclusões.
AMOSTRAS
PARÂMETROS
1-1

3-1

7-1

6-4

1864

1955

2233

2090

4297,1

3565,2

3870,1

7450,0

Obj.V (mm )

863,4

83,7

52,4

46,5

Obj.V/TV (%)

20,1

2,4

1,4

0,6

Slices
3

TV (mm )
3

A figura 21 apresenta as visualizações obtidas a partir do VOI segmentado para
cada amostra. A cor vermelha representa as oclusões (poros) quantificadas, ao passo
que a cola está representada pela cor verde. Nesse caso a matriz está sendo
apresentada de forma transparente para que seja possível uma melhor visualização
das estruturas internas.

38

Figura 21 ­ Imagem 3D do VOI quantificado por Micro-CT evidenciando a região
das oclusões (vermelho), a matriz do material (azul) e a cola (verde).

A determinação da distribuição do diâmetro dessas oclusões também foi
avaliada e seus resultados se encontram na figura 22.

39

Figura 22 ­ Histograma do diâmetro das oclusões existentes nas conexões das juntas
coladas obtido através de Micro-CT.

A Amostra 7-1, que simula a falta de adesivo, apresentou uma maior frequêcia
de ocorrência de oclusões com tamanhos até 0,07 mm, o que pode ser atribuído a
menor quantidade de cola existente. Entretano a amostra 1-1 (teoricamente sem
defeitos) apresentou maior porosidade total que a amostra 3-1 (falta de adesão no
processo de junção dos materiais), sugerindo diferença de qualidade no processo de
fabricação dos corpos de prova. O aumento significativo na magnitude do diâmetro
40

das oclusões pode indicar uma descontinuidade no processso de adesão. Testes de
juntas coladas mostraram que quando os materiais compósitos são submetidos a
tensão exibem uma falha prematura de vazios (CHAI,1986). Estes vazios aparecem
devido ao aprisionamento de ar durante a mistura e / ou aplicação, que muitas vezes
produz micro-espaços no processo no adesivo, influenciando a resistência das juntas
coladas (KATNAM, 2011). Essas observações estão de acordo com os resultados
obtidos através das técnicas de imagem utilizadas nessa dissertação. É facilmente
notado que todas as amostras apresentam oclusões em suas conexões. A amostra 64 (contaminates superficie) apresentou uma distribuição de vazios de tamanhos
diversos e superiores ao intervalo compreendido entre 0,28 mm e 0,56 mm. Essa
magnitude numa alta frequencia pode influenciar o descolamento da junta e sua
resistência, sendo interessante acomplementação de outros estudos para uma
avaliação mais detalhada.
Na grande parte das situações de fabricação desses corpos de prova, o adesivo é
composto por um material que é diferente das partes aderentes da união. Por
conseguinte, as propriedades químicas diferem das propriedades mecânicas e as
propriedades comuns resultantes são altamente influenciadas por essa combinação
(ADAMS, 2005).
A resolução espacial empregada nesse estudo foi igual a 70 m, ou seja, não é
possível identificar objetos com dimensões menores que este valor. Os pixels pretos
visualizados dentro da cola, ou seja, as oclusões, foram denominados de poros.
Entretanto, eles podem representar também a falta de adesão da cola, pois a
diferença de contraste não é suficiente para a separação dessas duas características,
através desses resultados de Micro-CT. Isso ocorre porque o coeficiente de atenuação
da fita é muito próximo da cola e da região de vazios, fazendo com que no processo
de segmentação, não seja totalmente eficaz.

41

Capítulo 6
Conclusão
As

técnicas

de

imagem

de

radiografia

computadorizada,

digital

e

microtomografia foram adequadas para inspecionar as junções existentes em
amostras de juntas coladas reforçadas com fibra de vidro.
A falta de adesão, o qual consiste em pouca ou nenhuma adesão entre as
paredes do tubo e o adesivo, pode ser confirmada através dos modelos 3D de microCT. Entretanto, o espaço entre a camada adesiva e a parede do tubo não foi visível
nas radiografias de juntas, mesmo em amostras fabricadas com a quantidade correta
de adesivo. Isso porque as camadas foram sobrepostas na imagem.
A grande diferença entre as técnicas de radiografia e de Micro-CT está
relacionada a possibilidade de avaliação quantititava 3D da última técnica referida. Por
outro lado, a micro-CT requer um refinamento de operação para esse tipo de avaliação
o que muitas das vezes leva ao fatao dessa técnica não poder ser empregada em
tempo real na inspeção em campo de END.

42

Capítulo 7
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Dissertação

Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

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M.Sc.

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48

Apêndice
Nessa seção será apresentado o corpo do artigo que foi submetido a
publicação em periódico indexado. Até o presente momento o manuscrito foi aceito
com menores revisões na revista NIM B.
X-Ray Imaging Inspection of Fiberglass Reinforced By Epoxy Composite

A. M. Riquea, A. C. Machadoa, D. F. Oliveiraa,b, R. T. Lopesa, I. Limaa,1
a

Nuclear Instrumentation Laboratory, PEN/COPPE, Federal University of Rio de
Janeiro, Brazil; RJ, Brazil
b

Physics Institute, State University of Rio de Janeiro, Brazil.

Abstract

The goal of this work was to study the voids presented in bonded joints in order to
minimize failures due to low adhesion of the joints in the industry field. One of the main
parameters to be characterized is the porosity of the glue, since these pores are
formed by several reasons in the moment of its adhesion, which are formed by
composite of epoxy resin reinforced by fiberglass. For such purpose, it was used high
energy X-ray microtomography and the results show its potential effective in
recognizing and quantifying directly in 3D all the occlusions regions presented at glass
fiber-epoxy adhesive joints.

Keywords: X-ray, radiography, microtomography, bonded joint, fiberglass, epoxy.

1

Corresponding author at Instrumentation Laboratory, PEN/COPPE, Federal University of Rio de Janeiro, Brazil; P.O.Box.:
68.509, Zip Code: 21941.972, Rio de Janeiro ­ RJ, Brazil. Tel.: + 55 21 3938-7308, Fax: + 55 21 2562-8444, e-mail:
[email protected] (I.Lima)

49

1. Introduction
Much of the existing pipeline infrastructure is constructed from steel. Steel is
strong, mechanically robust and relatively inexpensive. However, large sums of money
are spent in order to reduce the exposure of steel pipelines to corrosive environments.
One way to overcome this problem is to use a material with good corrosion resistance,
such as glass fiber reinforced polymers (GFRPs), instead of steel. GFRPs represent an
attractive alternative for pipelines subjected to severe internal or external environments
in onshore or offshore applications [1].
The connections between the various parts of the ducts are made by quick lock
bounded joints. In ship construction the need to join different materials, such as the
bonding of the hull/deck, the sea chest, the portholes, the windshields, the panels of
cabins, etc. leads to choosing increasingly the adhesive joints [2].
Adhesive joining is defined as the process of joining parts using a non-metallic
substance (adhesive), which undergoes a physical or chemical hardening reaction
causing the parts to join together through surface adherence (adhesion) and internal
strength (cohesion). The significance of adhesive bonding as structure-joining
technology is increasing because of its numerous advantages with other joining
methods [3].
The defects which are most often found in Glass Reinforced Epoxy (GRE) pipe
systems are lack of adhesive, disbonding and delaminations in bonded joints, which
can only be detected through hydrostatic testing or in operational conditions due to
induced vibrations. Most of the service failures in composite materials systems are due
to mistakes made during the assembly stage [1-4].
When the adhesive comes apart or loses its adhesion power, pressure loss on
the lines can occur, as well as oil leaks or oil contamination, which can result in
productivity losses, environmental damages and even lethal accidents. Due to those
reasons, there is an urge for inspection methods capable of assessing both the
integrity and the quality of the adhesives used in such joints. Due to the difficulties and
the high costs implied in interrupting commercial production processes, it is often
required that non-destructive methods are employed for joint evaluation [1-4].
Currently, several non-destructive tests are used in order to inspect bonded
joints, however fewer are detached in the characterization of the composite materials.
50

Kissing bond, as well as, micro voids and cracks are very difficult to be detected and
identified using common non-destructive evaluation. Therefore, the purpose of this
paper is to develop inspection methodologies through digital imaging techniques
capable of identifying and quantifying defects in bonded joints. For such purpose, high
energy X-ray Microtomography and Computed and Digital radiographies were used.
A Computed Radiography (CR) system consists of a computer unit, CR scanner
and phosphor imaging plate (IP). An imaging plate is a 2D ionizing radiation detector
that utilizes photostimulable BaFX:Eu2+ (X = Cl; Br, I) in which, after radiographic
exposure, latent image is formed. The process that allows images to be acquired by
such plates is called photostimulated luminescence (PSL) [4]. When scanning
preexposed IP in CR scanner, the latent image is transformed into a radiographic
image by a red laser beam ( = 680 nm), which is used to stimulate the phosphor
particles, causing them to release the energy stored within them and convert it into
visible light; this is PSL. The intensity of the PSL is directly proportional to the amount
of X-ray photons absorbed by the storage phosphor. Such visible photons are collected
by a light guide and transferred to the photomultiplier tube, where they are transformed
into an electronic signal, which is amplified and forwarded to an analog-to-digital
converter. As a result, the digital signals (expressed in pixels) form a radiographic
image [5].
Digital radiography (DR) flat-panel systems with integrated readout mechanisms
were introduced in the market at the end of the 1990s. Flat-panel systems, also known
as large area X-ray detectors, integrate an X-ray sensitive layer and an electronic
readable system based on TFT arrays. Detectors using a scintillator layer and a lightsensitive TFT photodiode are called indirect conversion TFT detectors. This electronic
readable system allows an active readout process which is called active matrix readout
[6].
TFT arrays are typically deposited onto a glass substrate in multiple layers, with
readout electronics at the lowest level, and charge collector arrays at higher levels.
Depending on the type of detector being manufactured, charge collection electrodes or
light sensing elements are deposited at the top layer of this "electronic sandwich" [6].
Large area indirect conversion systems use scintillators such as cesium iodide
(CsI) or gadolinium oxisulphide (Gd2O2S) as an X-ray detector. When the scintillator
layer is exposed to X-rays the beam is absorbed and converted into fluorescent light
51

[7]. The fluorescent light emitted during the x-ray exposure illuminates the photo-diode
array freeing charge carriers (electrons or positively charged holes according to the
design). The quantity of charge carriers accumulating at each pixel is proportional to
the fluency of x-ray photons absorbed at that location [8].
Indirect conversion detectors are constructed by adding an a-Si photodiode
circuitry and a scintillator as the top layers of the TFT sandwich. The active area of the
detector is divided into an integrated array of image elements and each element
contains a photodiode and a TFT switch available for the readout process [6]. The
output signal is then amplified prior to digitization and transfer to the system computer
[8].
X-ray radiography inspection is commonly in the field. It is a versatile, speed
and economy for any kind of application. However, computed tomography (CT) is
required when becomes important the knowledge of 3D measurements are needed. CT
is slow compared with CR/DR, on the other hand offers better accuracy and it is suited
for off-line inspections [9].
It was shown that CT is a non-destructive technique that can be used in order to
obtain 3D information of materials [10]. This technique is very helpful in material
science

since

relationships

between

macroscopic

properties

and

material

microstructures are often necessary. In this sense, high resolution X-ray 3D computed
microtomography (microCT) and CR/DR can be as a non invasive technology and
open up a variety of applications.
MicroCT can be used to reconstruct interior structural details with a resolution
on a scale of interest for such evaluation [11]. It is a powerful technique used to
visualize and characterize the internal structure of objects. It is a non-destructive
method that produces images of the internal structure of an object which does not need
to be previously modified, i.e., the object inspected does not need to be subjected to a
preparation method such as impregnation, thinning or polishing [12]. In this technique,
contiguous sequential images are compiled in order to create 3D representations that
are digitally processed to obtain relevant quantitative geometric and/or morphologic
parameters, depending on the focus of the investigation [13]. The great advantage of
microCT is that quantitative information, such as, volume, size, shape, distribution and
anisotropy of bonded joints can be obtained through the entire 3D volume of the
specimens. In this context, the evaluation of epoxy fiber-glass microstructure of the

52

adhesive joints can be made via microCT in order to obtain a 3D interpretation.
2. Materials and Methods
2.1. Samples
The tests were carried out with three test samples, which consist in bonded
joints of 16-inch diameter pipes cut at an angle of 60°. They were firstly inspected by
CR and after that they were cut in pieces of approximately 100 x 58 mm in order to be
inspected with DR and microCT. Fig. 1 shows the cuts performed in test samples, while
Fig. 2 displays the test samples used in this work.

Figure 1 - Dimensions and cuts of the 16-inch pipes

Figure 2. Fiberglass reinforced epoxy composite specimens used in x-ray imaging
inspections. (a) Control sample, (b) sample with lack of adhesion and (c) sample with
lack of adhesive. The rectangular draw elucitade the region of interest used in the
evaluation of DR and microCT.

53

In this Fig. it is possible to visualize the rectangular Region of Interest (ROI) that
was evaluated by microCT. The ROIs were made in a way so as to present
discontinuities, which are often generated during the assembly phase. The samples
were named in the following way:
i.

control sample ­ a sample performed d according to the manufacturer's
procedure specifications;

ii.

sample with lack of adhesive ­ sample carried out with a smaller amount of
adhesive (30% less than the quantity recommended by the procedure), which
was unevenly spread over the surface, creating areas where it would not be fill
the space that it had to fill in order to bind the joint;

iii.

sample with lack of adhesion ­ sample made with the insertion of an adhesive
tape on the surface of the joint before applying the adhesive, generating thus an
area where the adhesive would not stick to the binding surface.

2.2 ­ Inspection Parameters
Table 1 presents the x-ray imaging inspection parameters and the equipments
used in the three steps of the image acquisition process. It was used single wall, single
image (SWSI) technique in radiography tests, which is one of the most widely used
procedure when both sides of the sample are accessible. In SWSI the x-ray source can
be placed inside (detector outside) or outside (detector inside) the duct. In this work,
CR-SWSI was performed with the source inside the specimens. In this one, the x-ray
source can be placed on the centerline and the film wrapped round the pipe and the
whole joint was inspected in one exposure, which makes the test more rapid and
cheap. For DR-SWSI inspection modern amorphous silicon flat panel detector was
used, which enables very short exposure times enabling the improvement on the final
image quality. CR and DR digital images were mathematically processed with the
ISee (version 10.1) software in order to improve their contrast, which facilitates the
identification of the defects in the samples.

54

Table 1. Inspection parameters.

Parameters

Computed

Digital

Radiography

Radiography

MicroCT

X-ray Model

SkyScan 1173

CSD160

TU160-D03

Radiographic Technique

-

SWSI

SWSI

Voltage (kV)

130

55

60

Current (mA)

0.061

3.0

3.0

Exposure Time (s)

0.8

12.0

6.0

Focal Size (mm)

< 0.005

1.0

1.0

Flat Panel

CRTower Scanner DXR 250V Flat Panel

Detector Type
2240x2240 Pixels IPC Imaging Plate

2048 x 2048 Pixels

Pixel Size (m)

35.03

113.0

200.0

Number of Frames

5

-

10

Source to Detector Distance (mm)

364.0

1300.0

1000.0

Source to Object Distance (mm)

258.3

1300.0

1000.0

MicroCT projection images were acquired with 0.50º step angle per frame for a
total circular orbit of 360° with the auxiliary of a 2240x2240 pixels flat panel detector.
The most obvious benefit of plat panel is the size and the weight; however, the final
images in microCT inspection with flat panel detectors are completely free from
distortions [14]. In order to reduce noise, 05 frames were averaged in order to form the
image. After the acquisition process, the images were rebuilt with Nrecon® Skyscan
[14] (version 1.6.9.4) and InstaRecon [15] (version 1.3.9.2) softwares, which have the
reconstruction algorithm based on filtered retroprojection [16].
After the reconstruction process, the evaluation was performed with some
image processing analysis [17], such as Kuwahara filter application, which is a
nonlinear filter that reduces image noise and also preserves border information. This

55

step must be performed before the segmentation procedure. It is important to highlight
that when the threshold (TH) value is applying on the RAW image, it will be created a
separation into two objects appurtenant to the ROI. This step is quite important
because the choice of the TH value is directly related to the accuracy of the
quantification development. In this study, global TH values equal to 37, 49 and 47
were used for the control sample, the sample with lack of adhesion and the sample
with lack of adhesive, respectively, considering a 0 to 255 gap. In this way, it was
possible to separate the voids (white voxels) from the glue (black voxels). The
parameters were quantified directly in 3D based on a model of the rendered surface
volume, which means that all objects in the ROI were analyzed together and the
integrated results were calculated as the total volume of all the objects. The
parameters quantified were the total volume of interest (TV, mm3), total binarized
object volumes inside the volume of interest (BV, mm3) and the percent of the VOI
which is occupied by the binarized objects, (BV/TV, %).
Another parameter analyzed was the voids size distribution of the sample. This
analysis was performed in 2D (slice by slice) and gives us a histogram with different
ranges of voids size as a result.

3. Results and Discussions
Figs. 3 to 5 display the qualitative results obtained through all three techniques
(CR, DR and microCT) for the control sample, as well as for the sample with lack of
adhesion and the sample with lack of adhesive, respectively.

CR image of the control sample (Fig. 3b) displayed a large quantity of voids
covering a considerable area of the upper part of the joint. The voids could be detected
thanks to a difference in gray values when compared to a homogeneous binding area,
such as the one observed on the lower part of the joint. DR image of this same sample
(Fig. 3c) identified the same behavior, indicating voids on the upper part of the joint in
contrast with the homogeneous region on the lower part. On such images, it was
possible to determine that the binding process was not adequate even though the
manufacturer's specifications were duly followed, since voids on the joint were found.

56

Figure 3. Control sample images: (a) sample photography, (b) CR uncut sample result,
(c) DR ROI (d) 3D model of the ROI from the microCT.

The sample with lack of adhesion presented only a small region in which the
voids can be observed (Fig. 4b,c), although it was not possible to identify a clear lack of
adhesion. Since this joint had the correct amount of adhesive and lacked only the
adhesion, the gap between the adhesive layer and the pipe wall was not visible in the
radiography, since the layers were overlaid in the image. This proves that radiography
is not an efficient technique for detecting this kind of defect.

57

Figure 4. Sample with lack of adhesion images: (a) sample photography, (b) CR uncut
sample result, (c) DR ROI, (d) 3D model of the ROI from the microCT and (e)
reconstructed image of transaxial section.

CR image of the sample with lack of adhesive (Fig. 5b) allowed merely the
visualization of voids in the joint for a small region in the lower left part of the sample. In
this sense, DR was performed only for a central part of the test sample and the results
shows that no significant amount of voids was found. However, the analysis of the
images' histograms showed that this sample has a different distribution than the other
two ones, since it presented a higher frequency of higher gray values for both
radiography techniques. This shows that, even though no regions with voids were
detected, the amount of adhesive used for manufacturing was lower than for the other
ones, reducing therefore the thickness of the material an increasing the transmitted
radiation intensity.

58

Figure 5. Sample with lack of adhesive images: (a) sample photography, (b) CR uncut
sample result, (c) DR ROI and (d) 3D model of the ROI from the microCT.

The results show that microCT technique was able to perform both qualitative
and quantitative evaluations. The qualitative results of the control sample, sample with
lack of adhesion and sample with lack of adhesive are shown in Figs. 2d, 3d and 4d,
respectively. Additionally, the 3D models of Fig. 5 show the different phases (different
materials) of the samples, which were nominated as matrix, glue and voids. The
quantitative 3D evaluation by microCT were obtained by processing the reconstructed
images and presented in Table 2 and Fig. 6. TV represents the total volume of the
volume of interest (VOI), while Obj.V refer to total volume of binary objects (in this case
the white voxels represent the voids) within the VOI. Consequently, it was possible to
obtain the proportional of the VOI was occupied by binary solid objects (Obj.V/TV).

59

Table 2. 3D quantification of the samples using micro-CT.
PARAMETERS

CONTROL
SAMPLE

LACK OF
ADHESION

LACK OF
ADHESIVE

Slices

1864

1955

2233

4297.08

3565.19

3870.13

Obj.V (mm )

863.40

83.73

52.44

Obj.V/TV (%)

20.09

2.35

1.35

3

TV (mm )
3

Figure 6. MicroCT 3D visualizations with the indication of the materials
composition.

The control sample shows occlusions of approximately 863.4 mm3 on average,
which represents about 20 % of the total volume analyzed. This result can be read as a
60

huge percentage of porosity.

Determination of voids size distribution is another

important parameter on geometric details of pore space. Fig. 7 show that the control
sample has a high void percentage with lower size ranges in relation to the other
samples. A significant increase in the magnitude of voids diameter can indicate
adhesion discontinuity. Glued joints tests showed that when composite materials are
subjected to tension they exhibit premature failure from voids [18]. These voids appear
due to air entrapment during mixing and / or application which often produces microvoid spaces in the adhesive process by influencing the strength of the glued joints [19].

Figure 7. Pore size histogram obtained from microCT evaluation.

The results show that 2.4 % of the analyzed volume of the sample with lack of
adhesion belongs to the occlusions. The interpretation of radiographic images was best
presented by microCT, because from the 3D model, we found that the horizontal voids
represented by the dark region of the radiographic image were a defect of the fiber and
not the glue. Fig. 7 shows that most of the voids found in this sample are in the
smallest size ranges. The quantification of TV, Obj.V, Obj V / TV by microCT technique
did not allow concluding whether the bonded joint has lack of adhesion or not, only by
visual inspection of the 2D image using microCT as Fig.4e. Adhesion is a very complex
61

phenomenon and is therefore beyond the reach of a single model or theory. The study
of adhesion involves several scientific fields, including macromolecular science,
physical chemistry of surfaces and interfaces, materials science, rheology, mechanics
and micromechanics of fracture [20].
The volume of voids in the sample with lack of adhesive was 83.7 mm 3, which
represents about 1.35% of the analyzed volume. The images and the histogram of void
sizes allow concluding that this sample presents voids spread in the entire glue and
with different sizes, characterized by the lack of adhesive. The histogram of voids sizes
indicates a larger amount of voids between 0 and 4.48 mm distributed in the entire
material. A volume reduction of the epoxy glue applied resulted in a void distribution of
40% with 0.07 mm diameter, 20% with 0.14 mm and 15% with 0.28 mm diameter. It
indicates that the joint bonded with little adhesive presents a high void index and may
compromise the uniformity of the joints physical and mechanical characteristics and
cause the structure discontinuity.
In most situations, the adhesive consists of a different material, which is
different from that of the joining adherends. Therefore, the chemical properties differ
from the mechanical properties and the resulting common properties are influenced by
this combination [20].
Pore presence may be related to impurities of the material or the cure of the
adhesive. Air entrapment during the mixture and/or application process often causes
micro voids in the adhesive bond line and influences the strength of the joints [21].
The microtomography technique allowed for the identification of the voids
present in the adhesive. It was observed that the control sample presented 20% of
voids with regard to the total volume of adhesive, while the samples with lack of
adhesion and lack of adhesive presented 2.3% and 1.3%, respectively.

4. Conclusions
By using radiography, the areas where there isnt any adhesive or where its
quantity is less than the recommended in the bonding standards could be displayed in
the images. These empty regions appear as black spots in the images due to lower
attenuation of radiation in these areas. Lack of adhesion, which consists in poor or no
adherence between the pipe walls and the adhesive, could not be visualized. , The

62

space between the adhesive layer and the pipe wall was not visible in the radiographs
of bonded joints with lack of adhesion although with the correct amount of adhesive
because the layers were overlaid in the image.
Microtomography was also able to detect the lack of adhesion between the
adhesive and the pipe wall, thus it proved to be more advantageous than the
radiographic technique for inspecting this kind of defect. Besides being capable of
detecting a larger range of discontinuities, it also enabled the quantification of such
defects. In this way, a final report on the interventions and maintenance operations of a
damaged piece of equipment based on microCT will be much more reliable and
precise.

Acknowledgements
This work was partially supported by Conselho Nacional de Desenvolvimento
(CNPq) and Fundação de Amparo à Pesquisa (Faperj). The author would like to thanks
Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES), which is a
Petrobras applied research complex, in order to provide the samples.

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