UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
ENGENHARIA MECÂNICA

INFLUÊNCIA DA VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO
E/OU RUÍDO NA AUDIÇÃO DE INDIVÍDUOS
SENTADOS

JULIANA GONÇALVES DORNELA

Belo Horizonte, 25 de Fevereiro de 2011

Juliana Gonçalves Dornela

INFLUÊNCIA DA VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO
E/OU RUÍDO NA AUDIÇÃO DE INDIVÍDUOS
SENTADOS

Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas
Gerais, como registro parcial à obtenção do título de Mestre
em Engenharia Mecânica.
Área de Concentração: Bioengenharia
Orientadora: Profª. Maria Lúcia Machado Duarte. PhD
Universidade Federal de Minas Gerais

Belo Horizonte
Escola de Engenharia da UFMG
2011

Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica
Universidade Federal de Minas Gerais
Av. Antônio Carlos, 6627 ­ Pampulha ­ 31.270-901 ­ Belo Horizonte ­ MG
Tel.: +55 31 3409-5145 ­ Fax.: +55 31 3443-3783

www.demec.ufmg.br - E-mail:[email protected]

INFLUÊNCIA DA VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO
E/OU RUÍDO NA AUDIÇÃO DE INDIVÍDUOS
SENTADOS
JULIANA GONÇALVES DORNELA
Dissertação defendida e aprovada em 25 de fevereiro de 2011, pela Banca Examinadora
designada pelo Colegiado do Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica da
Universidade Federal de Minas Gerais, como parte dos requisitos necessários à obtenção
do título de "Mestre em Engenharia Mecânica", na área de concentração de
"Bioengenharia".

___________________________________________________________
Profª. Dra. Maria Lúcia Machado Duarte
Orientadora ­ Ph.D., Depto. de Engenharia Mecânica, UFMG

____________________________________________________________
Prof. Dr. Lázaro Donadon
Examinador ­ Ph.D., Depto. de Engenharia Mecânica, UFMG

____________________________________________________________
Prof. Dr. Eduardo Bauzer Medeiros
Examinador ­ Ph.D., Depto. de Engenharia Mecânica, UFMG

____________________________________________________________
Profa. Dra. Luciana Macedo
Examinadora M.Sc. ­ Departamento de Fonoaudiologia , UFMG

____________________________________________________________
Profa. Dra. Sirley Alves da Silva Carvalho
Examinadora Dra. ­ Departamento de Fonoaudiologia , UFMG
I

AGRADECIMENTOS

À Maria Lúcia pelos ensinamentos.
Ao Dr. Marco Aurélio pelas orientações rápidas, porém de extrema
importância.
Ao Professor Lázaro pelo apoio e orientaçãoes, principalmente no momento
dos testes.
A toda equipe do Hospital

das

Clínicas

setor de Audiologia e

Otorrinolaringologia pelo acolhimento e compreensão.
Aos colegas que trabalharam ou ainda trabalham no GRAVISH: Rafael, Camila,
Bárbara, em especial aos colegas Magno e Larissa, que ajudaram e estiveram firmes em
todos os momentos de testes e análises e contribuíram grandemente para que eu concluísse
essa etapa.
Aos voluntários que foram todos fundamentais e imprescindíveis para se
chegar às conclusões deste trabalho.

Meus sinceros agradecimentos.

II

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................. IV
LISTA DE TABELAS ................................................................................................. V
LISTA DE GRÁFICOS ........................................................................................... VIII
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ................................................................ IX
RESUMO ..................................................................................................................... X
ABSTRACT.............................................................................................................. XII
1

INTRODUÇÃO ............................................................................................. 1
1.1

Considerações Iniciais e Relevância Do Trabalho ..................................... 1

1.2

Justificativa Do trabalho ............................................................................. 2

1.3

Objetivos ..................................................................................................... 3

1.4

Estrutura do Trabalho ................................................................................. 3

2

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA....................................................................... 5
2.1

Mudança Temporária de Limiar Auditivo - MTL ...................................... 5

2.2

Vibrações de Corpo Inteiro ­ VCI .............................................................. 7

2.3

2.4

2.5
3

2.2.1

Efeitos extra-auditivos da VCI na Saúde ........................................ 9

2.2.2

Efeitos da VCI na audição ............................................................ 11

Níveis de Pressão Sonora Elevados ­ NPSE ............................................ 15
2.3.1

Efeitos extra-auditivos do NPSE na saúde ................................... 15

2.3.2

Efeitos do NPSE na audição ......................................................... 17

Efeitos do NPSE e VCI combinados ........................................................ 21
2.4.1

Efeitos extra-auditivos do NPSE e VCI........................................ 22

2.4.2

Efeitos auditivos da combinação de NPSE e VCI ........................ 23

Audição interaural e entre gêneros ........................................................... 28
METODOLOGIA ........................................................................................ 31

3.1

Introdução ................................................................................................. 31

3.2

Seleção dos voluntários ............................................................................ 31

3.3

Exames auditivos ...................................................................................... 32
3.3.1

Meatoscopia .................................................................................. 32

3.3.2

Audiometria Tonal ........................................................................ 33

3.3.3

Emissões Otoacústicas por Produto de Distorção (EOAPD)........ 34
I

3.4

Avaliação das queixas auditivas e extra-auditivas .................................... 38

3.5

Exposições a vibração de corpo inteiro (VCI) .......................................... 38
3.5.1

Descrição dos equipamentos e dos testes de VCI ......................... 40

3.6

Exposições a NPSE (ruído)....................................................................... 42

3.7

Exposições a NPSE e VCI simultaneamente ............................................ 44

4

RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................... 45
4.1

Justificativa para o tamanho da amostra ................................................... 45

4.2

Testes estatísticos ...................................................................................... 45

4.3

Análises Estatísticas .................................................................................. 48
4.3.1

Entre Gênero Feminino e Masculino ............................................ 48

4.3.2

Interaural ....................................................................................... 49

4.3.3

Após as exposições à VCI isolada ................................................ 52

4.3.4

Após as exposições ao NPSE isolado ........................................... 56

4.3.5

Após exposição à combinação de VCI e NPSE ............................ 61

4.3.6

Após exposição à combinação de VCI e NPSE em relação ao

obtido após exposição ao NPSE isolado. ..................................................... 66
4.3.7

Boxplot dos resultados dos exames auditivos realizados pré e

pós exposições .............................................................................................. 69
4.4

5

6

Análise das queixas auditivas e extra-auditivas ........................................ 83
4.4.1

Queixas após exposições à VCI isolada ....................................... 83

4.4.2

Queixas após exposição à NPSE isolado ...................................... 86

4.4.3

Queixas após exposição à NPSE e VCI Combinados................... 87

CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS .............................................. 91
5.1

Conclusões ................................................................................................ 91

5.2

Sugestões para trabalhos futuros............................................................... 93
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................... 95

ANEXO A ­ CARTA DE AUTORIZAÇÃO DO COEP ......................................... 109
ANEXO B ­ ANAMNESE....................................................................................... 110
ANEXO C ­ TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(TCLE) ............................................................................................................................... 113
Objetivos e justificativa ................................................................................... 113
Informações Gerais .......................................................................................... 113
Coleta de dados ­ Procedimento Experimental ............................................... 113
ANEXO D - INFORMAÇÕES TÉCNICAS DO AUDIÔMETRO ......................... 116
II

ANEXO E - MODELO DE AUDIOGRAMA ......................................................... 117
ANEXO F - INFORMAÇÕES TÉCNICAS DO APARELHO DE EOAS .............. 118
ANEXO G ­ QUESTIONÁRIO QUEIXAS AUDITIVAS E EXTRAAUDITIVAS ...................................................................................................................... 119
ANEXO H - INFORMAÇÕES TÉCNICAS DOS EQUIPAMENTOS
UTILIZADOS NAS EXPOSIÇÕES A VCI...................................................................... 120
H.1 Acelerômetro triaxial .............................................................................. 120
H.2 Acelerômetro Piezelétrico ­ Mono-axial ................................................ 120
H.3 Amplificador de Sinais ........................................................................... 120
H.4 Excitador ................................................................................................. 122
H.5 Analisador de Sinais ............................................................................... 122
H.6 Condicionador de Sinais ......................................................................... 123
H.7 Placa de Aquisição de sinais ................................................................... 123
ANEXO I ­ INFORMAÇÕES TÉCNICAS DO PROTETOR AUDITIVO ............ 124

III

LISTA DE FIGURAS
FIGURA3.1 - Audiômetro AC33 utilizado na audiometria e teste de NPSE ..................... 33
FIGURA 3.2 ­ Fone de ouvido TDH39 utilizado nos exames de audiometria e testes
com NPSE. .................................................................................................................. 34
FIGURA 3.3 ­ Representação da orelha e suas subdivisões .............................................. 35
FIGURA 3.4 ­ Representação da cóclea, parte da orelha interna, com foco nas
células ciliadas externas responsáveis pelas emissões otoacústicas (EOA's) ............ 35
FIGURA 3.5 ­ Aparelho de EOAPD utilizado na pesquisa ............................................... 37
FIGURA 3.6 ­ Grafico Dp-gram ­ Equipamento AUDX .................................................. 37
FIGURA 3.7 ­ Desenho esquemático do sistema vibratório .............................................. 41
FIGURA 3.8 ­ Foto da montagem...................................................................................... 41

IV

LISTA DE TABELAS
TABELA 3.1 - Exposição permissível em função do nível de ruído ................................. 43
TABELA 4.1 - Análise estatística dos limiares auditivos de referência para o exame
de audiometria, comparação entre gênero. ................................................................. 49
TABELA 4.2 - Análise estatística das amplitudes de referência para o exame de
EOA, comparação entre gênero .................................................................................. 49
TABELA 4.3 - Análise estatística dos limiares auditivos de referência para o exame
de audiometria, comparação entre orelhas direita (OD) e esquerda (OE) .................. 50
TABELA 4.4 - Análise estatística dos amplitudes de referência para o exame de
EOA, comparação entre orelhas direita (OD) e esquerda (OE) .................................. 51
TABELA 4.5 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria após 1ª
exposição à VCI isolada em relação aos valores de referência .................................. 53
TABELA 4.6 - Análise estatística comparando os resultados da EOA após 1ª
exposição à VCI isolada em relação aos valores de referência .................................. 53
TABELA 4.7 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria após 2ª
exposição à VCI isolada em relação aos valores de referência .................................. 54
TABELA 4.8 - Análise estatística comparando os resultados da EOA após 2ª
exposição a VCI isolada em relação aos valores de referência .................................. 54
TABELA 4.9 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria após 1ª
exposição ao NPSE isolado em relação aos valores de referência ............................. 56
TABELA 4.10 - Análise estatística comparando os resultados da EOA após 1ª
exposição ao NPSE isolado em relação aos valores de referência ............................. 57
TABELA 4.11 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria após 2ª
exposição ao NPSE isolado em relação aos valores de referência ............................. 57
TABELA 4.12 - Análise estatística comparando os resultados da EOA após 2ª
exposição ao NPSE isolado em relação aos valores de referência ............................. 58
TABELA 4.13 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a
1ª e 2ª exposição ao NPSE isolado ............................................................................. 60
TABELA 4.14 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 1ª e 2ª
exposição ao NPSE isolado ........................................................................................ 61
TABELA 4.15 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a
1ª exposição combinada NPSE + VCI e o valor de referência ................................... 62
V

TABELA 4.16 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 1ª
exposição combinada NPSE + VCI e o valor de referência ....................................... 63
TABELA 4.17 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a
2ª exposição combinada NPSE + VCI e o valor de referência ................................... 63
TABELA 4.18 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 2ª
exposição combinada NPSE + VCI e o valor de referência ....................................... 64
TABELA 4.19 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a
1ª e 2ª exposição combinada NPSE + VCI ................................................................. 65
TABELA 4.20 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 1ª e 2ª
exposição combinada NPSE + VCI ............................................................................ 65
TABELA 4.21 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a
1ª exposição combinada NPSE + VCI e 1ª exposição ao NPSE ................................ 66
TABELA 4.22 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 1ª
exposição combinada NPSE + VCI e 1ª exposição ao NPSE..................................... 67
TABELA 4.23 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a
2ª exposição combinada NPSE + VCI e 2ª exposição ao NPSE ................................ 68
TABELA 4.24 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 2ª
exposição combinada NPSE + VCI e 2ª exposição ao NPSE..................................... 68
TABELA 4.25 ­ Variabilidade dos dados após cada exposição para audiometria em
250 Hz ......................................................................................................................... 71
TABELA 4.26 - Variabilidade dos dados após cada exposição para audiometria em
500 Hz ......................................................................................................................... 72
TABELA 4.27- Variabilidade dos dados após cada exposição para audiometria em
750 Hz ......................................................................................................................... 73
TABELA 4.28 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAP em 750
Hz ................................................................................................................................ 73
TABELA 4.29 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em
1000 Hz ....................................................................................................................... 74
TABELA 4.30 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 984
Hz ................................................................................................................................ 75
TABELA 4.31- Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 1500
Hz ................................................................................................................................ 75
TABELA 4.32- Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em
2000 Hz ....................................................................................................................... 76
VI

TABELA 4.33- Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 2016
Hz ................................................................................................................................ 77
TABELA 4.34 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em
3000 Hz ....................................................................................................................... 78
TABELA 4.35 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em
3000 Hz ....................................................................................................................... 78
TABELA 4.36 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em
4000 Hz ....................................................................................................................... 79
TABELA 4.37 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em
3984 Hz ....................................................................................................................... 80
TABELA 4.38 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em
6000 Hz ....................................................................................................................... 81
TABELA 4.39 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em
6000 Hz ....................................................................................................................... 81
TABELA 4.40 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em
8000 Hz ....................................................................................................................... 82
TABELA 4.41- Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 7969
Hz ................................................................................................................................ 83
TABELA 4.42 ­ Relação das queixas auditivas e extra-auditivas após as exposições
à VCI isolada .............................................................................................................. 84
TABELA 4.43 ­ Relação das queixas auditivas e extra-auditivas após as exposições
ao NSPE isolado ......................................................................................................... 86
TABELA 4.44 ­ Relação das queixas auditivas e extra-auditivas após as exposições
combinada NSPE + VCI ............................................................................................. 88
TABELA 4.45 ­ Relação das queixas extra-auditivas após as exposições à VCI e à
NSPE + VCI ............................................................................................................... 89
TABELA 4.46 ­ Relação das queixas auditivas e extra-auditivas após as exposições
à NPSE e à NSPE + VCI ............................................................................................ 90
Tabela E.1 ­ Acelerômetro triaxial ..................................................................................... 120
Tabela E.2 ­ Acelerômetro piezelétrico ............................................................................. 120
Tabela E.3 ­ Especificações do amplificador ..................................................................... 121
Tabela E.4 ­ Especificações técnicas do excitador............................................................. 122

VII

LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 4.1 ­ Modelo de gráfico Boxplot ..................................................................... 70
GRÁFICO 4.2 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 250 Hz .............................. 71
GRÁFICO 4.3 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 500 Hz .............................. 71
GRÁFICO 4.4 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 750 Hz .............................. 72
GRÁFICO 4.5 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 750 Hz .................................... 73
GRÁFICO 4.6 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 1000 Hz ............................ 74
GRÁFICO 4.7 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 984 Hz .................................... 75
GRÁFICO 4.8 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 1500 Hz .................................. 75
GRÁFICO 4.9 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 2000 Hz ............................ 76
GRÁFICO 4.10 ­ Resultados da EOAPD na freqüência 2016 Hz ..................................... 77
GRÁFICO 4.11 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 3000 Hz .......................... 77
GRÁFICO 4.12 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 3000 Hz ................................ 78
GRÁFICO 4.13 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 4000 Hz .......................... 79
GRÁFICO 4.14 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 3984 Hz ................................ 80
GRÁFICO 4.15 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 6000 Hz .......................... 81
GRÁFICO 4.16 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 6000 Hz ................................ 81
GRÁFICO 4.17 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 8000 Hz .......................... 82
GRÁFICO 4.18 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 7969 Hz ................................ 83
GRÁFICO 4.19 ­ Sintomas presentes significativamente após 1ª e 2ª exposição à
VCI.............................................................................................................................. 85
GRÁFICO 4.20 ­ Sintomas presentes significativamente após 1ª e 2ª exposição à
NPSE........................................................................................................................... 87
GRÁFICO 4.21 ­ Sintomas presentes significativamente após exposição à 1ª e 2ª
NPSE+VCI ................................................................................................................. 88

VIII

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CCE

Células ciliadas externas

COEP

Comitê de Ética em Pesquisa

dB

Decibel

dB NA

Decibel Nível de Audição

dB NPS

Decibel Nível de Pressão Sonora

EAV

Valor de Exposição para Ação (Exposure Action Value)

ELV

Valor de Exposição Limite (Exposure Limit Value)

EOAPD

Emissões Otoacústicas por Produto de Distorção

Hz

Hertz

ISO

International Organization for Standardization

kHz

Kilohertz

MAE

Meato acústico externo

MTL

Mudança Temporária de Limiar

NPS

Nível de Pressão Sonora

NPSE

Nível de Pressão Sonora Elevado

NR

Norma Regulamentadora

PAIR

Perda auditiva Induzida por Ruído

rms

Raíz Média Quadrática (root mean square)

VCI

Vibração de Corpo Inteiro

VDV

Valor Dose de Vibração (Vibration Dose Value)

VMB

Vibração de Mãos e Braços

IX

RESUMO
Os riscos físicos, ruído e vibrações de corpo inteiro (VCI), são freqüentemente
encontrados em ambientes ocupacionais. Entretanto, os efeitos da VCI isolada e da
combinação (VCI e ruído) na audição humana são pouco estudados ou claros. Dessa
forma, o objetivo principal deste trabalho foi verificar os efeitos da VCI e ruído, isolados e
combinados, na audição humana. Adicionalmente, como objetivos secundários, foram
investigados também sintomas auditivos e extra-auditivos presentes após estas exposições,
se há diferenças entre a audição de homens e mulheres e entre orelha direita e esquerda.
Dezenove voluntários (10 homens e 9 mulheres), adultos jovens saudáveis foram
submetidos a todas as seguintes situações de testes: 1) apenas ruído (duas exposições de 18
minutos cada, à Níveis de Pressão Sonora Elevados (NPSE) (ruído branco a 96 dB(A)); 2)
apenas vibração (duas exposições de 18 minutos cada, à VCI (eixo z, 5 Hz a 2,12 m/s2
rms)) e 3) vibração + ruído (duas exposições de 18 minutos cada à NPSE e VCI
simultaneamente, com as mesmas características anteriormente descritas). Houve um
intervalo de 10-12 minutos entre a 1ª e 2ª exposição a cada estímulo. A audição dos
voluntários foi avaliada através dos exames de audiometria e Emissões Otoacústicas por
Produto de Distorção (EOAPD). O resultado dos exames realizados antes dos testes foi
utilizado como valor de referência. A comparação dos exames realizados pré e pósexposição visou verificar a ocorrência de alterações temporárias da audição. Os resultados
foram analisados estatisticamente através dos testes T de Student, Wilcoxon e MannWhitney, dependendo do objetivo a ser verificado. Os resultados indicaram que a VCI
isolada não ocasionou alteração auditiva temporária significativa, enquanto tanto o ruído
isolado, quanto a combinação (NPSE + VCI) provocaram tais alterações, principalmente
nas freqüências agudas entre 2000 Hz - 8000 Hz. A combinação não foi significativamente
pior que a exposição à NPSE isolado, ou seja, não foi observado efeito sinérgico da
combinação (NPSE+VCI). Após as exposições à VCI não foram observados sintomas
auditivos, apenas extra-auditivos, como cansaço, dor na coluna e desatenção. Após as
exposições à NPSE observou-se presença dos sintomas auditivos zumbido, plenitude
auricular e sensação de piora da audição, e os sintomas extra-auditivos cansaço, irritação,
nervosismo, ansiedade e desatenção. Após as exposições à NPSE+VCI os mesmos
sintomas auditivos constatados após NPSE estiveram presentes e praticamente os mesmos
sintomas extra-auditivos detectados após VCI estiveram presentes. Não houve diferença
entre a audição de homens e mulheres, como também não houve diferença entre a audição
X

da orelha direita e esquerda para a audiometria. Entretanto para a EOAPD observou-se que
em 3984 Hz a orelha esquerda foi melhor que a direita e em 6000 Hz a orelha direita foi
melhor que a esquerda. Portanto, este resultado foi útil na seleção dos dados para análise
estatística, enquanto foram pouco conclusivos quanto à existência ou não de diferença
entre as amplitudes de resposta da EOAPD, sendo necessária uma amostra mais
representativa para se chegar à conclusão de tal magnitude.

Palavras Chaves: Vibração de Corpo Inteiro (VCI), nível de pressão sonora elevado
(NPSE), ruído, Mudança Temporária de Limiar (MTL), queixas auditivas, queixas extraauditivas.

XI

ABSTRACT
The physical risks, noise and whole body vibration (WBV) are often found in
occupational environment. However, the effects of WBV isolated and the combination
(WBV+ noise) on human hearing are poorly studied and unclear. Therefore, the main
objective of this study was to investigate the effects of WBV and noise, isolated and
combined, on human hearing. Besides, as secondary objectives, to verify also what hearing
and non-hearing symptoms can occur after these exposures; if there are differences
between the hearing of male and female or between right and left ears. Nineteen volunteers
(10 males and 9 females) healthy young adults underwent all the following test conditions:
1) only noise (two exposures of 18 minutes each to high Sound Pressure Levels (SPL)
(white noise at 96 dB(A)); 2) only vibration (two exposures of 18 minutes each to WBV
(z-axis, 5 Hz at 2.12 m/s2 rms) and 3) noise + vibration (two exposures of 18 minutes each
to WBV + SPL simultaneously, with the same previous characteristics). There was a 10-12
minute's interval between the 1st and 2nd exposure to each stimulus. The volunteers'
hearing was assessed by the audiometry and the otoacoustic emission distortion product
(DPOAE) exams. The exams carried out before the tests were used as reference ones. A
comparison of the exams performed before and after the exposures aimed at verifying the
occurrence of temporary hearing changes. The results were analyzed statistically using the
T-Student, Wilcoxon and Mann-Whitney tests, according to the study objective. The
results indicated that WBV alone did not cause significant temporary hearing shift,
whereas both noise and the combination (WBV+SPL) caused such shift, particularly at
high frequencies between 2000 Hz - 8000 Hz. The combination was not significantly
worse than the noise exposure alone, in other words, there was no synergic effect of the
combination (WBV+SPL). After the exposures to WBV it was not observed hearing
symptoms, only extra-auditory ones, such as fatigue, back pain and inattention. After the
exposures to SPL it was noted the presence of the auditory symptoms tinnitus, ear fullness
and hearing worsening feeling, and the extra-auditory symptoms fatigue, irritability,
nervousness, anxiety and inattention. After the exposures to WBV+SPL the same hearing
symptoms found after the SPL exposures were present and the same extra-auditory
symptoms detected after the WBV exposures were present. There was no difference
between male and female hearing, as there was no difference between right and left ear
hearing by audiometry. However for the DPOAE it was observed that at 3984 Hz the left
XII

ear was better than the right ear and at 6000 Hz the right ear was better than the left.
Therefore, this result was useful for the data selection for the statistical analysis, although
unreliable as to whether there is difference between the amplitudes of responses the
DPOAE, needing a larger sample to achieve a conclusion of such magnitude.

Key words: whole body vibration (WBV), high sound pressure level (SPL), noise,
Temporary Threshold Shift (TTS), hearing symptoms, extra-auditory symptoms.

XIII

1

INTRODUÇÃO

Neste capítulo serão abordadas as considerações iniciais sobre o tema para
subsidiar a relevância do trabalho. Em seguida, será apresentada a justificativa para
realização da pesquisa, seguida dos objetivos do trabalho e a estrutura do documento.

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS E RELEVÂNCIA DO TRABALHO
A evolução industrial e tecnológica modificou, de forma considerável, os
meios de trabalho. Estes passaram de artesanal para industrial e foram aprimorados com a
introdução da informática nos sistemas de produção. Diante de tantas modificações, o
trabalhador encontra-se cada vez mais exposto a riscos ocupacionais e, conseqüentemente,
a comprometimentos em sua saúde e qualidade de vida.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde
e dos Ambientes de Trabalho (DIESAT, 2008) com base em dados do Ministério da
Previdência somente no ano de 2008 foram registrados no Brasil 545.268 casos de
acidentes ocupacionais e 18.576 casos de doenças ocasionadas pelo trabalho, sendo que os
casos de acidentes e doenças ocupacionais registrados relacionados ao comprometimento
da audição e equilíbrio foram 39.519 e 127, respectivamente. É importante ressaltar que
esta estatística de acidentes ocupacionais diz respeito somente aos casos registrados na
Previdência Social. Porém, não existe no Brasil um levantamento dos casos relacionados às
exposições à vibração, como mostrado recentemente em um levantamento feito nos
Estados Unidos quanto à influência da Vibração de Corpo Inteiro (VCI) entre os
profissionais de saúde e de segurança do trabalho (Paschold e Sergeev, 2009). Levando-se
em consideração o grande número de casos de acidentes ocupacionais no país e baseado no
levantamento apresentado por Paschold e Sergeev (2009), torna-se extremamente relevante
o conhecimento dos riscos ocupacionais, dentre eles, vibração e ruído, como forma de
prever melhor os seus efeitos na saúde humana. Quando estes riscos estão relacionados à
audição dos trabalhadores, a interação ou a interdisciplinaridade entre as ciências,
fonoaudiologia e engenharia, é um fator que contribui significativamente para evolução
desses conhecimentos.
Sabe-se que a vibração de corpo inteiro é um risco físico que além de estar
freqüentemente presente em muitos locais de trabalho como, indústrias de transporte,
1

construção civil, mineradoras, máquinas agrícolas, encontra-se também no cotidiano das
pessoas.
De acordo com Silva (2002) e Santos Filho et al. (2003), na maior parte dos
veículos, como caminhões e ônibus, encontram-se níveis de VCI acima dos permitidos
segundo normas internacionais, a saber, ISO 2631-1 (1997/2010) e Diretiva Européia
(2002).
Segundo Kelsey e Hardy (1975) e Paschold e Sergeev (2009), estudos indicam
o aumento significativo de dores lombares em pessoas que trabalham predominantemente
sentadas em ambientes expostos à vibração, como por exemplo, os motoristas de veículos.
Bovenzi e Hulshof (1999), Rehn et al. (2000), Hoy e Murabarak (2000), Tripeti, Cantio e
Saffioti (2000) salientam que motoristas de tratores, de caminhões de lixo e veículos fora
de estrada, apresentam maior incidência de desordens na região lombar do que outros
trabalhadores não expostos a vibração ocupacional.
Os efeitos da VCI no desencadeamento de desordens na coluna vertebral
(Bovenzi e Hulshof, 1999; Lings e Lebouef-Yde, 2000; Gallais e Griffin, 2006), sistema
muscular-esquelético, circulatório, reprodutivo e urinário são bem conhecidos (Seidel e
Heide, 1986; Griffin, 1996). Já os efeitos da VCI no sistema auditivo humano são pouco
pesquisados e não são claros. Por outro lado, os efeitos dos Níveis de Pressão Sonora
Elevados (NPSE) na audição humana e seus níveis de segurança são bem estabelecidos e
conhecidos cientificamente (Eleftheriou, 2002; Harger e Barbosa-Branco, 2004; Guerra et
al., 2005; Mc Reynolds, 2005; Marques e Costa, 2006; Cortês-Andrade, Souza e Frota
2009).
Por meio deste estudo pretende-se entender os reais efeitos da Vibração de
Corpo Inteiro (VCI) na audição humana, tanto na forma isolada, quanto associada ao ruído.
Isto porque, geralmente, a exposição à VCI é associada à exposição ao ruído, sendo a
combinação desses riscos ocupacionais uma das mais comuns em ambientes de trabalho
(Seidel et al. 1989, 1992 e 1997). Dessa maneira, conhecendo-se os verdadeiros efeitos
desses riscos ocupacionais torna-se possível a promoção, prevenção e controle da saúde
dos trabalhadores nos ambientes ocupacionais de forma mais eficiente e eficaz.

1.2 JUSTIFICATIVA DO TRABALHO
A justificativa para este trabalho resume-se nos apontamentos descritos no item
1.1, em que os dados estatísticos evidenciados por DIESAT (2008) mostram altos índices
2

de doenças ocupacionais no Brasil. Além disso, há também uma grande ocorrência dos
riscos ocupacionais VCI e ruído no cotidiano de trabalhadores, sendo de extrema
importância o conhecimento de tais riscos físicos para a prevenção e controle da saúde
ocupacional. Portanto, há necessidade de se conhecer os reais efeitos dos riscos
ocupacionais, VCI e a sua associação com o Nível de Pressão Sonora Elevado (NPSE) na
audição humana e na saúde em geral.
Este trabalho, além disso, pretende verificar o que pode ter ocorrido na
pesquisa de Izumi (2006), já que esta encontrou que VCI (eixo z, 6 Hz, 2,45 m/s2) não
ocasiona Mudança Temporária do Limiar (MTL) e quando combinada com Nível de
Pressão Sonora Elevado (NPSE) não tem efeito sinérgico, mas antagônico na freqüência de
4 kHz, discordando assim da maior parte da literatura existente.

1.3 OBJETIVOS
Este trabalho tem como objetivos principais:
1) Verificar os efeitos na audição humana dos agentes físicos VCI e NPSE
isolados e associados, através da analise da Mudança Temporária de Limiar
auditivo (MTL).
2) Verificar se há efeito cumulativo na audição após exposições consecutivas à
VCI e NPSE isolados e combinados.
3) Pesquisar as queixas auditivas e extra-auditivas causadas pela exposição à VCI
e NPSE isolados e combinados.
Como objetivos secundários:
4) Analisar se há diferença auditiva entre gênero feminino e masculino em
condições de normalidade, ou seja, sem presença de nenhum estímulo externo.
5) Analisar se há diferença auditiva entre orelha direita e esquerda em condições
de normalidade.

1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO
Este trabalho encontra-se estruturado da seguinte forma:
3

·

No Cap. 2 é apresentada uma revisão bibliográfica sobre os principais temas
necessários para justificar a metodologia deste trabalho, além daqueles necessários para
a correta interpretação dos resultados obtidos. Inicialmente é apresentada revisão sobre
mudança temporária de limiar auditivo. Posteriormente, são abordados trabalhos sobre
VCI, NPSE, e efeito combinado, considerando dentro de cada um destes agentes
físicos, de forma individual, os trabalhos que abordam efeitos auditivos e extraauditivos de cada um deles, para posterior comparação com os resultados obtidos neste
trabalho. Em seguida, são abordados trabalhos sobre audição interaural e entre gêneros.

·

O Cap. 3 aborda a metodologia adotada. Neste é informado onde os testes foram
realizados e sua devida aprovação pelo comitê de ética em pesquisa (COEP). É
fornecida informação sobre a seleção dos voluntários e os exames auditivos utilizados.
Em seguida é apresentada informação sobre como foram avaliadas as queixas auditivas
e extra-auditivas, seguida da informação sobre cada um dos testes realizados
(considerando cada agente físico). Nesta etapa são descritos também os equipamentos
utilizados.

·

No Cap. 4 são apresentados os resultados e discussões com apresentação das análises
estatísticas, dos resultados obtidos durante os testes e a interpretação dos resultados,
comparando-os com os encontrados na literatura.

·

No Cap. 5 são apresentadas as conclusões concernentes com os objetivos deste trabalho
e sugestões para trabalhos futuros.

4

2

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Neste capítulo serão abordados por meio de uma revisão bibliográfica, aspectos
sobre a mudança temporária do limiar auditivo (MTL), vibração de corpo inteiro (VCI),
níveis de pressão sonora elevados (NPSE), sintomas/queixas auditivas e extra-auditivas
decorrentes da exposição à VCI e NPSE, além de relatos de diferença auditiva entre gênero
feminino e masculino e orelha esquerda e direita.

2.1 MUDANÇA TEMPORÁRIA DE LIMIAR AUDITIVO - MTL
Godoy (1991) conceitua a Mudança Temporária de Limiar (MTL), também
conhecida como TTS (Temporary Threshold Shift), como uma redução do limiar auditivo
logo após a exposição ao ruído. Esta diminuição da audição é temporária e pode ser
acompanhada por zumbidos, tendendo a normalizar após algumas horas de cessada a
exposição.
Russo e Santos (1993) consideram a MTL, ou fadiga auditiva fisiológica, uma
diminuição gradual da sensibilidade auditiva decorrente de exposições a ruídos contínuos e
intensos, sendo que essa alteração normaliza-se após um período de repouso auditivo.
Katz (1999) relata que numa MTL, a sensibilidade pode variar de poucos
decibels dentro de uma faixa estreita de freqüência em relação às alterações que causam
surdez temporária. O autor ainda ressalta que, apesar de ser difícil obter informações a
partir de investigações sistemáticas sobre a relação entre a exposição ao ruído e a MTL,
dados relativos a esta são utilizados para prognosticar os efeitos danosos do ruído,
baseando-se na suposição de que os mesmos processos envolvidos no desenvolvimento da
MTL estão envolvidos também no processo da Mudança Permanente de Limiar (MPL).
Para Pekkarinen (1995), a MTL medida em estudos laboratoriais, envolvendo humanos e
animais, pode trazer evidências indiretas da mudança permanente de limiar (MPL).
A MTL tem sido utilizada em várias pesquisas como forma de verificar as
alterações auditivas que diversos agentes, como ruído e vibrações, podem causar. Para
Kinsler et al. (1982), a MTL é muito utilizada em pesquisas laboratoriais humanas e
animais por fornecer inferências acerca da mudança permanente de limiar auditivo.
Segundo Musiek e Rintelmann (2001), tanto as alterações temporárias da
audição, quanto as permanentes, acontecem pela exposição prolongada a níveis de ruído
5

que causam mudanças vasculares na orelha interna. Toda exposição que seja capaz de
induzir uma MTL em curto prazo é potencialmente capaz de levar a problemas
permanentes em longo prazo. Porém, tal fato é considerado mais como um sinal de alerta,
não como uma medida quantitativa, ou seja, uma MTL grande em curto prazo não significa
uma perda permanente da mesma forma.
Hamernik, Ahroon e Patterson (2002) pesquisaram a relação entre MTL e MPL
em chinchilas logo e 24 horas após exposição a ruído. Os autores encontraram por meio
dos testes audiométricos uma relação consistente entre MTL e MPL evidenciando que em
animais expostos por muitos anos a ruído equivale a aproximadamente (0,7)MTL24 medida
após 8 horas de exposição ao mesmo ruído.
De acordo com Kinsler et al. (1982), na MTL, a orelha reduz a sensibilidade
auditiva quando exposta a sons intensos, reduzindo o limiar de audibilidade de acordo com
a intensidade e duração do estímulo. Depois de cessado o estímulo, a orelha se recupera
totalmente após determinado período.
Sobre o tempo de medida da MTL é indicado que as maiores amplitudes, que
são os piores limiares, são observáveis 2 minutos após o término da exposição, Kinsler et
al (1982).
Para Russo e Santos (1993), a maior parte da MTL tende a ser recuperada nas
primeiras duas a três horas após o término do estímulo. Sabe-se que para a completa
recuperação dos limiares auditivos é necessário que o indivíduo fique em repouso auditivo.
Dessa forma, a portaria nº 19 da NR-7 (Ministério do Trabalho/Brasil, 1998) indica que
para a realização de exames audiométricos de referência é necessário um repouso auditivo
de 14 horas entre o exame e a última exposição à NPSE.
Segundo o Ministério da Saúde/Brasil (2006) as variações na MTL são
controversas, mas em geral, observa-se que a MTL começa a partir da exposição a 75
dB(A).
Apesar das características que ocasionam a MTL e a sua recuperação ainda não
estarem bem definidas, sabe-se que os fatores que a influenciam, como: duração,
freqüência e intensidade de exposição, estão também envolvidos na produção de uma
mudança permanente de limiar (MPL). Deste modo, os dados sobre a MTL têm sido de
grande utilidade no prognóstico dos efeitos prejudiciais do ruído. Mills, Adkins e Gilbert
(1981), por exemplo, verificaram em seus estudos que os valores de MPL provocada pelo
ruído em 4000 Hz, após 10 anos de 8 horas diárias de exposição, eram aproximadamente
idênticos aos valores de MTL medidos após 8 horas de exposição.
6

Portanto, nesta pesquisa a MTL será utilizada como método comparativo para
inferir sobre os efeitos dos agentes testados, ou seja, VCI e NPSE isolados e combinados
na audição humana. Aumento da MTL significa dizer que houve uma piora auditiva para
os exames de audiometria e potencial evocado, enquanto que para o exame de EOA referese piora auditiva como diminuição das amplitudes das respostas medidas em bandas de 1/3
de oitava das emissões otoacústicas produzidas na orelha interna.

2.2 VIBRAÇÕES DE CORPO INTEIRO ­ VCI
As vibrações são movimentos oscilatórios que acontecem em qualquer corpo
dotado de massa e elasticidade. Dessa forma, máquinas, equipamentos e pessoas podem
sofrer vibrações (Thomson, 1978).
Utiliza-se o termo Vibração de Corpo Inteiro (VCI), quando o corpo está
suportado em uma superfície vibrante e esta atinge o corpo como um todo (Griffin, 1996).
Segundo Rao (2003) a vibração gerada por motores pode causar desconforto às
pessoas e quando presentes em painéis de instrumentos pode provocar mau funcionamento
ou dificultar a leitura dos medidores. Assim, uma das importantes finalidades dos estudos
das vibrações consiste em reduzi-las. Além de desconforto, a vibração, dependendo das
suas características, poderá ser inclusive prejudicial à saúde humana (Griffin, 1996;
Bovenzi e Hulsof, 1999; Gallais e Griffin, 2005), apesar de atualmente estar sendo
utilizada como fins terapêuticos ou para ganho de força (Mikael et al, 2010).
As características dinâmicas básicas das vibrações são: amplitude, freqüência,
direção e duração. Para que se tenha pesquisas confiáveis envolvendo os efeitos das
vibrações na saúde, conforto e realização de tarefas é necessário que essas características
dinâmicas básicas estejam devidamente descritas (Griffin, 1996; Rauch et al, 2010,
Lorenzen et al, 2008).
Em relação à amplitude das vibrações esta pode ser definida pela quantificação
em deslocamento, velocidade ou aceleração do movimento, sendo a unidade internacional
para medidas em aceleração metros por segundo ao quadrado - m/s². Para exposição
humana a recomendação é medir a amplitude da aceleração em valores de raiz média
quadrática (Griffin, 1996), ou na sua terminologia em inglês root-mean-square (rms), que
será utilizada no decorrer deste texto.
A freqüência consiste no número de ciclos por unidade de tempo. Sua unidade
no sistema internacional é ciclos por segundo (cps) ou Hertz (Hz). De acordo com Griffin
7

(1996), a resposta humana e o grau de vibração que é transmitido para o corpo dependem
diretamente da freqüência da vibração. Portanto, o efeito da VCI na saúde, atividades e
conforto geralmente é avaliado na faixa de freqüência entre 0,5 a 100 Hz (Griffin, 1996;
ISO 2631-1, 1997/2010).

FIGURA 2.1­ Eixos de vibração considerados em estudos de Vibração de Corpo Inteiro (VCI)
FONTE ­ ISO 2631-1, 1997

Em relação à direção da vibração a norma internacional ISO 2631-1 (2010),
estabelece um sistema de coordenada baricêntrico em que a origem do sistema de
coordenadas é o ponto entre a superfície vibratória e o corpo. Os eixos são considerados a
partir do indivíduo (conforme mostrado na FIGURA 2.1), sendo o eixo x de trás para
frente do corpo, o eixo y, da esquerda para a direita e o eixo z (vertical), que foi utilizado
nesta pesquisa é de baixo para cima, no sentido da cabeça, independente da posição em que
o corpo se encontra. Portanto, considera-se como sentido positivo do eixo, a regra da mão
direita (Beer e Johnston, 1982).
A duração da vibração refere-se ao tempo da exposição. Segundo Griffin
(1996) as respostas aos estímulos vibratórios dependem diretamente da sua duração. Tanto
a ISO2631-1 (1997/2010), quanto a Diretiva Européia (2002) apresentam uma relação
utilizada para avaliar os efeitos da VCI na saúde em função do tempo de exposição onde é
levado em consideração, além deste, a amplitude de vibração. Quanto maior o tempo de
exposição, menor a amplitude que as pessoas podem ficar expostas.

8

2.2.1

Efeitos extra-auditivos da VCI na Saúde
Devido às dificuldades na realização de exposições a VCI em laboratórios é

difícil estabelecer todos os efeitos desse tipo de vibração no corpo humano (Izumi, 2006).
Seidel e Heide (1986), por meio de uma revisão bibliográfica a respeito dos
estudos que avaliaram os efeitos da VCI na saúde, realizaram um levantamento e
descreveram algumas desordens provocadas pela VCI: desordens no sistema reprodutivo
feminino (em que mulheres expostas a níveis acima do limite estabelecido pela ISO 2631
(1997) estão propicias a desenvolver deficiências no ciclo menstrual, complicações na
gravidez, anomalia na posição dos órgãos femininos); desordens no sistema nervoso (como
degeneração da espinha dorsal, distúrbio de suprimento sanguíneo cerebral, dores de
cabeça, irritabilidade, principalmente em freqüências acima de 20 Hz); desordens no
sistema circulatório (como hipertensão) e desordens na coluna vertebral.
Griffin (1996) expõe que são vários os efeitos da VCI na saúde, dentre eles
tem-se que amplitudes moderada a alta de VCI produzem respostas cardiovasculares
similares às que ocorrem durante uma atividade física moderada, com aumento da
freqüência cardíaca, respiratória, pressão sanguínea, ventilação pulmonar, dentre outros.
Além disso, a exposição à VCI pode ocasionar mudanças na constituição sanguínea ou
plasmática, desordens posturais, gastrointestinais, lombares, cervicais, musculares e no
sistema reprodutor.
Os efeitos nocivos da VCI mais comumente pesquisados são as desordens
lombares, Seidel e Heide (1986), Griffin (1996), Sorainen et al. (1998), Bovenzi e Hulshof
(1999), Lings e Lebouef-Yde (2000), Palmer et al. (2000), Mabbott, Foster e McPhee
(2001), Lenzuni e Pieroni (2003), Goglia e Grbac (2005) e Gallais e Griffin (2006).
Bovenzi (1996), Rehn et al. (2005), Hoy e Murabarak (2000) e Tripeti, Cantio
e Saffiot (2000) encontraram que motoristas de tratores, caminhões de lixo e veículos fora
de estrada, apresentam maior incidência de desordens na região lombar quando
comparados à outros trabalhadores não expostos a vibração ocupacional.
De acordo com Magnusson e Pope (1998) um aumento significativo das
desordens lombares, baseados em exames clínicos, foi encontrado em operadores de serras
elétricas e motoristas de tratores.
São vários os sintomas relacionados a exposição à VCI relatados na literatura.
Mabbott, Foster e McPhee (2001) mostraram que motoristas em geral sofrem de fadiga e
ainda consideraram como queixas relacionadas a exposição à vibração: desordens nas
9

articulações, músculos, desordens da circulação sangüínea, alterações cardiovasculares,
respiratórias, endócrinas e metabólicas, problemas no sistema digestivo, prejuízo na visão
e/ou equilíbrio, interferência em atividades, desconforto, dor lombar por degeneração
vertebral precoce, além de fadiga muscular e rigidez.
Vários destes problemas são reportados também no "Guia de Boas Práticas
VCI" (European Comission, 2006) onde é mostrado que há uma alta prevalência de dores
lombares, hérnia de disco e degeneração da espinha em indivíduos expostos a VCI. Além
disso, essa exposição pode ocasionar desordens digestivas, circulatórias dentre outras.
Duarte e Dornela (2010) por meio de pesquisa bibliográfica constataram que a
maioria dos estudos que investigaram os efeitos da VCI na circulação sanguínea encontrou
que na faixa de freqüência entre 5 - 60 Hz, amplitude de aceleração de 2,22 - 3 m/s2,
deslocamento de 2 - 6 mm, a VCI ocasiona aumento do fluxo sanguíneo nos membros
inferiores, sendo que apenas alguns relatam em membros superiores. Porém, os estudos
nessa área são escassos, pouco objetivos e restritos na sua maioria aos membros inferiores.
O contrário se verifica com os estudos existentes sobre desordens lombares e VCI cujos
efeitos maléficos já estão bem estabelecidos.
Segundo Fernandes e Morata (2002) a VCI pode causar sensação de
desconforto e mal humor. Para Pekkarinen (1995) a VCI causa estresse em geral. Izumi,
Mitre e Duarte (2006) em pesquisa bibliográfica encontraram que as seguintes queixas
extra-auditivas estão presentes em indivíduos expostos a VCI: desconforto, cansaço,
irritabilidade, dor lombar, desordens de coluna, náusea, vômito, redução do desempenho.
De acordo com a Diretiva Européia (2002), para se evitar problemas de saúde
devido as exposições às vibrações, deve-se respeitar os seguintes valores estabelecidos de
acordo com o tipo de agente causador da vibração, ou seja, VCI ou VMB (Vibração de
Mãos e Braços): o EAV (Exposure Action Value ou Valor de Exposição para Ação) e o
ELV (Exposure Limit Value ou Valor de Exposição Limite). O EAV é o valor total de
exposição diária a partir do qual o empregador deve tomar medidas preventivas e
implementar programas para redução dos níveis de vibração, cujo valor para VCI
corresponde a 0,5 m/s² para 8 horas de exposição (ou VDV de 9,1 m/s1,75). O ELV referese a níveis que em nenhuma situação devem ser excedidos para uma exposição total diária
de 8 h, cujo valor para VCI é de 1,15 m/s² para 8 horas de exposição (ou VDV de 21
m/s1,75).
Apesar da diretiva européia fixar valores de EAV e ELV para 8 horas de
exposição, é possível estimar a aceleração rms ponderada para um dia de trabalho de 8
10

horas considerando-se dados de exposição obtidos para menos de 8 horas, conforme
mostrado pela EQ. (2.1):
a
T1 = w 2
a w1

e


T2 (8h )


(2.1)

Onde aw2 é o valor recomendado na diretiva (para o EAV ou ELV), aw1 é o
valor medido, e = 2 quando se utiliza amplitude máxima rms, e e = 4 quando se utiliza
VDV (Rehn et al. 2005; ISO 2631-1, 1997). T1 é o tempo estimado para a jornada de
trabalho e T2 para a jornada padrão de 8 horas.
Nesta pesquisa utilizou-se o valor de aw como sendo a amplitude rms
ponderada em freqüência. Este valor é baseado na potência de dois do histórico no tempo
de aceleração, em qualquer uma das 3 direções perpendiculares, ou seja, direções x-, y- ou
z-, conforme mostrado na ISO 2631-1(1997) e na EQ. (2.2), sendo que o eixo com maior
valor é considerado na EQ. (2.1):
1 T

a w = 0 a w2 (t ) dt
T


2.2.2

1/ 2

[ m/s 2 ]

(2.2)

Efeitos da VCI na audição
Trata-se de um tema pouco estudado, sendo escassas e pouco conclusivas as

pesquisas sobre os efeitos da VCI isolada na audição.
Os trabalhos serão apresentados em ordem cronológica e as características e
resultados enfatizados serão relativos aos efeitos da VCI isolada na audição.
Okada et al.(1972) pesquisaram os efeitos da VCI e ruído na audição por meio
da MTL. Esta foi mensurada através de audiometria sendo pesquisados os limiares
somente nas freqüências de 1 e 4 kHz. A amostra foi composta por cinco estudantes
saudáveis do sexo masculino. Cada voluntário foi exposto às seguintes condições de VCI:
a) 5, 10 e 20 Hz com amplitude de 500 cm/s2; b) 2, 5 e 10 Hz com amplitude de 100 cm/s2;
c) 10 e 20 Hz e amplitude de 1000 cm/s2. Cada voluntário foi exposto a 20 minutos de VCI
e após a audiometria continuaram a exposição por mais 40 minutos. Os resultados
indicaram que na condição b) os valores de MTL foram muito pequenos e não
significativos. Já na condição a) os valores de MTL foram maiores e estatisticamente
significantes em 5 Hz, em 10 Hz os valores de MTL foram menores e em 20 Hz não

11

constatou-se significância estatística. Na condição c) os valores de MTL também foram
significativos, sendo que na freqüência de 20 Hz e com amplitude maior ocasionou
maiores valores de MTL quando comparado com a situação a) em que a amplitude foi
menor. Dessa forma, os autores mostraram que a VCI ocasiona MTL, sendo que à medida
que se aumenta a amplitude, maior são os valores de MTL na audição humana. Além disso,
os autores inferiram que na freqüência ressonante do corpo humano de 5 Hz foi observado
construção de vasos capilares nos dedos, portanto, o aparecimento da MTL pode estar
relacionado a distúrbios do fluxo sanguíneo periférico na orelha interna.
Yokoyama, Osako e Yamamoto (1974) pesquisaram em oito indivíduos os
efeitos da vibração e ruído isolados e combinados na audição. Os limiares auditivos
somente da orelha direita foram pesquisados em 4 kHz por meio da audiometria. Os
sujeitos ficaram expostos a VCI senoidal nas freqüências de 5 Hz e amplitude de 6 mm e
16,7 Hz com amplitude de 3 mm, durante 20 minutos cada exposição. Após as exposições
não foram encontradas diferenças significantes na MTL, mas na freqüência de 5 Hz
observou-se uma leve melhora do limiar auditivo, aproximadamente 3 dB menor que o
limiar inicial. Já na freqüência de 16,7 Hz foi observado um leve, mas não significativo
aumento da MTL após 20 minutos de exposição. Os autores sugeriram que a VCI na
freqüência de 5 Hz de acordo com a literatura gera movimentos da cabeça com
deslocamento ressonante dos órgãos da região torácico-abdominal, por isso que nessa
freqüência não foi observado diminuição da sensibilidade auditiva. Já a VCI em torno de
16,7 Hz ocasiona ressonância maior na região do pescoço e cabeça sendo plausível o
resultado de uma leve MTL nessa freqüência. Além disso, segundo os autores a VCI pode
ocasionar diminuição do suprimento sanguíneo nessa região excitada, pescoço/cabeça,
ocasionando assim um déficit sanguíneo na orelha. Dessa forma, os autores concluíram que
os efeitos da VCI na audição podem variar de acordo com as condições experimentais,
podendo a VCI melhorar, não afetar ou piorar a audição humana.
Hamernik et al. (1980) pesquisaram os efeitos da VCI e ruído de impulso
isolados e combinados na audição de três grupos contendo 10 chinchilas cada grupo. A
exposição à VCI senoidal teve duração de uma hora, freqüência de 30 Hz e amplitude de
1g rms. Após 30 dias de exposições a MTL e a MPL desses animais nas freqüências de
0,5-8 kHz foram medidas por meio do exame de potencial evocado auditivo. Os autores
encontraram que VCI isolada não ocasionou MTL e MPL estatisticamente significante.
Manninen e Ekblom (1984) pesquisaram os efeitos da VCI isolada e
combinada com ruído na MTL e postura corporal de 10 voluntários do sexo masculino
12

utilizando como avaliação dos limiares auditivos nas freqüências de 4 e 6 kHz a
audiometria. A estimulação vibratória constou de VCI senoidal na freqüência de 5 Hz,
amplitudes de 2,12 m/s2 e 2,44 m/s2 no eixo Z, sendo aplicada 3 exposições consecutivas
de 16 minutos, com período de descanso de 15 minutos. Os resultados indicaram que a
VCI isolada com amplitude de 2,44 m/s2 aumentou os valores de MTL levemente, ou seja,
piorou a audição, enquanto a VCI na amplitude de 2,12 m/s2 pareceu diminuir os limiares
auditivos, ou seja, melhorou a audição.
Manninen (1985) avaliou a MTL de sujeitos expostos a VCI e ruído isolado e
combinado por meio de audiometria tonal. A amostra constou de 108 voluntários expostos
a VCI senoidal de 5 Hz no eixo-Z, amplitude de 2,12 m/s2, sendo aplicada 3 exposições
consecutivas de 16 minutos com período de descanso de 15 minutos. Após a primeira
exposição à VCI foi encontrado efeito individual significativo na MTL em 4 kHz, já na
segunda e terceira exposições os efeitos na MTL mantiveram-se, ou seja, não aumentaram
com o decorrer das exposições.
Hamernik et al. (1989) pesquisaram os efeitos da VCI e ruído na audição de 82
Chinchilas. Todos os animais foram expostos durante 5 dias a VCI nas freqüências de 30
Hz e amplitude de 3 g rms e 20 Hz com amplitude de 1,3 g rms. A MTL foi medida por
meio do exame de potencial evocado auditivo. Os autores concluíram que não houve
mudanças significativas na audição dos animais após exposição à vibração.
Seidel et al. (1992) avaliaram a audição de 12 sujeitos submetidos a VCI e
ruído por meio de um exame de potenciais evocados de longa latência (auditory-event
related brain potentials - ERP). As exposições à VCI senoidal tiveram como características
a freqüência de 2,01 Hz e amplitude de 2 m/s2 sendo realizadas 2 exposições de 11 minutos
cada, com intervalo entre elas de 4 minutos. Os resultados indicaram que a VCI isolada
não ocasionou efeitos significativos na audição.
Soliman et al. (2003) estudaram os efeitos da VCI e ruído na audição de 40
porquinhos da índia saudáveis, sendo que 10 desses animais foram expostos a VCI na
freqüência de 6 a 8 Hz durante 6 horas/dia em 4 semanas consecutivas. Os autores
encontraram que a VCI isolada não ocasionou MTL, mas aumentou as amplitudes das
respostas detectadas pelo exame de EOAPD. Entretanto, apesar de não ter sido encontrado
efeitos danosos no exame, uma análise microscópica da orelha interna (cóclea) mostrou
que as células ciliadas externas estavam normais, enquanto as células ciliadas internas
estavam com aparentes áreas necrosadas.

13

Bochnia et al. (2005) que trata o efeito da VCI na audição como risco isolado,
utilizou porquinhos-da-índia como amostra. Foi avaliada a audição dos porquinhos-daíndia expostos a VCI na freqüência de 10 Hz e amplitude de 14 m/s2 rms por períodos de
30, 90 e 180 dias, sendo 3 horas/dias de exposição. A MTL foi avaliada por um teste de
microfonia coclear. Todos os grupos analisados apresentaram MTL na freqüência de 4
kHz. As lesões cocleares foram visivelmente mais evidentes na porção coclear superior
(células ciliadas internas e externas), se espalhando gradualmente em direção à base,
afetando a audição especialmente nas freqüências baixas e médias. As bainhas de mielina
dos nervos auditivos também se apresentaram danificadas, sendo que todos os danos
observados foram diretamente proporcionais ao tempo de exposição. Os resultados dessa
pesquisa fundamentam o mecanismo fisiopatológico da perda auditiva causada por
vibrações, ou seja, os danos na orelha interna podem causar piora na audição,
principalmente em freqüências médias e baixas.
Izumi, Mitre e Duarte (2006) por meio de levantamento bibliográfico sobre os
efeitos da VCI na audição mostraram que a VCI afeta a audição.
Izumi (2006) pesquisou os efeitos da VCI e ruído isolados e combinados na
audição de 10 voluntários do sexo masculino e 3 do feminino. A MTL foi mensurada por
meio dos exames de audiometria tonal e EOAPD. A exposição à VCI senoidal foi na
freqüência de 6 Hz, amplitude 2,45 m/s2 e durante 18 minutos. Os resultados encontrados
mostraram que VCI isolada não ocasiona MTL.
TABELA 2.1 ­ Quadro comparativo quanto aos níveis de VCI que ocasionaram piora da audição e aqueles
que não ocasionaram.

Níveis de VCI utilizados nos estudos que

Níveis de VCI utilizados nos estudos que

encontraram piora auditiva

não encontraram alteração da audição

·

5m/s², 5 e 10 Hz, 60 minutos

·

1m/s², 2, 5 e 10 Hz, 60 minutos

·

10m/s², 10 e 20 Hz, 60 minutos

·

6 mm, 5 Hz, 20 minutos

·

3mm, 16,7 Hz, 20 minutos

·

9,8 m/s², 30 Hz, 1hora/30 dias

·

2,44 m/s², 5Hz, 48 minutos

·

29,4m/s², 30 Hz, 5 dias

·

2,12 m/s², 5Hz, 48 minutos

·

12, 74 m/s,² 20 Hz, 5 dias

·

14 m/s², 10 Hz, 3horas/dia, 30, 60 e 90 ·

2m/s², 2,01Hz, 22 minutos

dias

·

6-8 Hz, 6 horas/dia em 4 semanas

·

2,45 m/s², 6 Hz, 18 minutos

14

A TABELA 2.1 resume os níveis de VCI utilizados nos estudos encontrados na
literatura. Observa-se que a literatura é bastante controversa e nada clara, quanto aos níveis
que ocasionam ou não ocasionam alteração da audição. Tanto amplitudes elevadas quanto
baixas de VCI podem provocar ou não piora auditiva.

2.3 NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA ELEVADOS ­ NPSE
Segundo Gerges (1992) o som caracteriza-se por flutuações de pressão em um
meio compressível, porém, não são todas as flutuações de pressão que ocasionam a
sensação de audição quando atingem a orelha humana. A sensação sonora somente
acontece quando as freqüências destas flutuações estiverem dentro de determinadas faixas
de valores. De acordo com Santos e Matos (1994) essa faixa, em orelha normal, varia em
média de 16 a 20.000 Hz.
O Nível de Pressão Sonora (NPS) pode ser definido como uma relação
logarítmica e representa a pressão sonora, em decibels (dB), referente a um nível fixo de
pressão (20µPa). A EQ. (2.3) representa a definição de NPS:

NPS = 10 log

P2
P
= 20 log
2
P0
P0

(2.3)

Onde: P0 = 0,00002 [Pa] é o valor de referência e corresponde ao limiar da audição em 1
kHz.
NPSE é utilizado em referência a níveis sonoros acima de 80 dB(A). É o nível
recomendado por normas de segurança da Fundacentro - NHO-01 (2001) em postos de
trabalho em que pessoas ficam expostas a ruído (Izumi, 2006).
Ruído é um sinal acústico aperiódico caracterizado por elevados níveis de
pressão sonora, sendo considerado um som indesejável e a forma mais freqüente de
poluição sonora (Nepomuceno, 2004; Ligocki, Teixeira e Parreira, 2008). Desta forma,
ruído e NPSE serão considerados sinônimos neste trabalho.
2.3.1

Efeitos extra-auditivos do NPSE na saúde
Os distúrbios atribuídos a exposição à NPSE são dependentes de fatores como:

freqüência do ruído, intensidade, duração, ritmo, assim como a susceptibilidade individual
e a atitude de cada indivíduo frente ao som. Acredita-se que o estímulo auditivo antes de
15

atingir o córtex cerebral, passa por inúmeras estações subcorticais em particular das
funções vegetativas, o que explica os efeitos extra-auditivos do ruído. Dessa forma, o ruído
pode afetar outros órgãos do corpo humano por meio de um mecanismo indireto, ativando
ou inibindo o sistema nervoso central e periférico (Medeiros, 1999).
Quick e Laperosa (1981) relataram a presença das seguintes queixas mais
frequentes em indivíduos expostos a níveis elevados de pressão sonora: cefaléia, distúrbio
gástrico e nervosismo.
Gomes et al. (1983) em seu estudo encontraram queixas como cansaço,
desatenção, insônia, cefaléia, ansiedade, depressão, estresse e mudanças de humor em
sujeitos submetidos a altos níveis de pressão sonora.
Fiorini, Silva e Bevilacqua (1991) afirmam que o ruído pode perturbar o
trabalho, o descanso, o sono, e a comunicação nos seres humanos além de causar reações
psicológicas e fisiológicas.
Segundo Gerges (1992) têm-se como efeitos extra-auditivos do ruído a
aceleração da pulsação, aumento da pressão sangüínea, estreitamento dos vasos
sangüíneos, sobrecarga cardíaca, secreções anormais de hormônios, tensões musculares,
fadiga mental, frustração, nervosismo, irritabilidade e até prejuízo do desempenho no
trabalho.
Seligman (1993) encontrou como queixa mais freqüente em sujeitos
submetidos a ruído, a irritabilidade, seguida da hipertensão arterial, cefaléia, tontura,
dispnéia, cansaço, taquicardia, enjôos, dores gástricas, dores nas costas, dor de garganta e
outras alterações cardíacas.
De acordo com Medeiros (1999) as principais queixas extra-auditivas relatadas
por trabalhadores expostos a ruído ocupacional são: cansaço, estresse, irritação, ansiedade,
nervosismo, depressão, desatenção, problema gastrointestinal, dores musculares e insônia.
Segundo Pimentel, Souza e Alvares (2000), ruídos de 50 dB(A) tem
característica perturbadora, porém adaptável, ruídos de 55 dB(A) são excitantes, causando
estresse leve e desconforto, ruídos de 65 dB(A) incidem em estresse degradativo do
organismo e ruídos de 80 dB(A) provocam liberação de morfinas biológicas no corpo,
causando certa dependência orgânica.
Nudelmann et al. (2001) salientam os seguintes sintomas extra-auditivos
devido a exposição a ruído: perturbações no sono, manifestações neurológicas (como
tremores nas mãos e dilatação da pupila), dificuldades no equilíbrio e na marcha,
alterações no trato digestivo e problemas comportamentais.
16

Zannin et al. (2002) analisaram o incômodo provocado por ruído urbano à
população de Curitiba. A pesquisa foi realizada por meio de 860 questionários. Os
principais sintomas encontrados foram: irritabilidade 58%, baixa concentração 42%,
insônia 20% e dores de cabeça 20%.
Mc Reynolds (2005) encontrou em indivíduos expostos a ruído de aeronaves
relatos de doenças cardiovasculares, hipertensão, distúrbios do sono, fadiga, frustração,
estresse e depressão.
Segundo o Ministério da Saúde/Brasil (2006) sintomas como cefaléia, tontura,
irritabilidade, problemas digestivos, entre outros podem ser encontrados em sujeitos
expostos a ruído.
Diante da literatura estudada observa-se a presença de inúmeras queixas/
sintomas relativos aos sistemas extra-auditivos em sujeitos expostos a NPSE, sendo os
mais freqüentes, cefaléia, cansaço, estresse, irritabilidade e distúrbios gástricos que serão
também avaliados nesta pesquisa.
2.3.2

Efeitos do NPSE na audição
Perda total ou parcial da audição é uma condição incapacitante, pois limita ou

impede o indivíduo de exercer plenamente o seu papel na sociedade, comprometendo o
desempenho adequado das atividades da vida diária e as relações familiares, sociais e de
trabalho. Entre as diversas causas da perda auditiva está a exposição ao NPSE. Este é um
dos agentes físicos, freqüentemente presente no ambiente de trabalho, que age
discretamente na saúde do trabalhador. Uma vez que a sua forma de agressão não é
dolorosa, o sujeito se adapta rapidamente à situação insalubre a que está exposto (Didoné,
2004).
Segundo a Portaria n° 19 da NR-7 (Ministério do Trabalho/Brasil, 1998), a
perda auditiva causada por NPSE tem características definidas, sendo do tipo
neurossensorial, decorrente da exposição prolongada e sistemática, além de irreversível e
progressiva com o tempo de exposição. Essa portaria considera que, em indivíduos
normais, as respostas dos limiares auditivos, medidos por via aérea, em qualquer
freqüência testada do audiograma devem ser menores ou iguais a 25 dB Nível de Audição
(NA). Considera também que indivíduos com limiares menores que 25 dB(NA) podem ter
um desencadeamento de perda auditiva ocupacional caso um exame anterior comprove que

17

houve piora nos limiares dos exames comparativos, mesmo sem ultrapassar o limite de 25
dB(NA).
No início da perda auditiva ocupacional é possível detectar alterações nos
limiares nas freqüências agudas entre 3 e 6 kHz e após anos de exposição, a perda atinge as
freqüências graves 0,25; 0,5; 1 e 2 kHz (Nudelmann et al.1997).
Os danos cocleares causados pela exposição à NPSE são decorrentes de
alterações vasculares que afetam o suprimento de sangue para a cóclea e suas estruturas,
(Hungria, 1972; Nudelmann et al., 1997; Katz, 1999; Musiek e Rintelmann, 2001).
Segundo Pimentel, Souza e Alvares (2000), ruídos de 100 dB(A) podem causar
perdas auditivas irreversíveis.
De acordo com o Ministério da Saúde/ Brasil (2006) sintomas auditivos como
zumbido, perda auditiva, intolerância a sons intensos podem ser encontrados em indivíduos
expostos a ruído.
Dias et al. (2006) verificaram a relação entre perda auditiva induzida por ruído
e ocorrência de zumbido em trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. Foi observado
que a prevalência de zumbido aumenta de acordo com a evolução do dano auditivo e o
tempo de exposição ao ruído.
Ogido, Costa e Machado (2009) avaliaram a prevalência de sintomas auditivos
e vestibulares em 175 trabalhadores expostos a ruído ocupacional durante um tempo médio
de 15,75 anos. Observou-se a presença de zumbido em 81%, perda auditiva em 74% e
vertigem em 13,2%.
Grande parte dos estudos que avaliou a VCI na audição também investigou o
NPSE isolado e combinado com a VCI. Dessa maneira, nesta seção serão apresentados
apenas os resultados relativos aos efeitos do NPSE isolado na audição.
Okada et al. (1972) pesquisou os efeitos do ruído e VCI isolados e combinados
na audição por meio da MTL. Esta foi mensurada através de audiometria sendo
pesquisados os limiares somente nas freqüências de 1 e 4 kHz. A amostra foi composta por
cinco estudantes saudáveis do sexo masculino. Cada voluntário foi exposto às seguintes
condições de ruído: 1) exposição ao próprio ruído do vibrador de 81 dB durante 20 e 40
minutos; 2) exposição ao ruído de alto falante de 101 dB associado ao ruído do vibrador de
81 dB durante 20 minutos. Os autores não encontraram diferença significativa da MTL em
nenhuma das situações.
Yokoyama, Osako e Yamamoto (1974) pesquisaram em oito indivíduos os
efeitos da vibração e ruído isolados e combinados na audição. Os limiares auditivos
18

somente da orelha direita foram pesquisados em 4 kHz por meio da audiometria. Os
sujeitos ficaram expostos a ruído branco na intensidade de 82 dB durante 20 minutos. Foi
constatada a presença de MTL de 5 dB e o tempo de recuperação do limiar auditivo foi de
aproximadamente 5 minutos.
Kan (1980) avaliou a mudança temporária da audição em motoristas de
caminhão comparando resultados da avaliação audiométrica. Observou-se que os
audiogramas realizados antes e depois do percurso mostraram déficit na audição dos
motoristas.
Manninen e Ekblom (1984) avaliaram por meio da audiometria os efeitos do
ruído e VCI isolados e combinados na MTL de 10 voluntários nas freqüências de 4 e 6
kHz. Na exposição à NPSE isolado utilizou-se ruído branco a 90 dB(A) sendo aplicada 3
exposições consecutivas de 16 minutos com período de descanso de 15 minutos. Os
resultados indicaram que a MTL após exposição na freqüência de 6 kHz foi maior que a
MTL na freqüência de 4 kHz para NPSE isolado.
Manninen (1984) estudou os efeitos do ruído e VCI na MTL utilizando
audiometria para a detecção da MTL nas freqüências de 4 e 6 kHz. A amostra foi composta
por 90 voluntários do sexo masculino e a exposição à NPSE isolado constou de ruído
branco a 90 dB(A), durante 3 exposições consecutivas de 16 minutos com período de
descanso de 15 minutos. O NPSE mostrou um efeito estatisticamente significante na MTL
nas freqüências de 4 e 6 kHz.
Manninen (1985) avaliou a MTL de sujeitos expostos a ruído e VCI isolados e
combinados por meio da audiometria tonal. A amostra constou de 108 voluntários expostos
a NPSE do tipo ruído branco a 90 dB(A), sendo aplicada 3 exposições consecutivas de 16
minutos, com período de descanso de 15 minutos entre elas. Após a primeira exposição à
NPSE efeito significativo maior foi encontrado na MTL em 4 e 6 kHz quando comparado
com a segunda e terceira exposição cujos efeitos foram menores.
Hamernik et al. (1989) pesquisaram os efeitos da VCI e ruído na audição de 82
Chinchilas. Todos os animais foram expostos durante 5 dias a ruído nas intensidades de 95,
113, 119 e 125 dB(NPS). A MTL foi medida por meio do exame de potencial evocado
auditivo. Após exposições a NPSE valores significativos de MTL foram encontrados.
Seidel et al. (1992) avaliaram a audição de 12 sujeitos submetidos a ruído e
VCI isolados e combinados. As exposições a ruído isolado tiveram como características
ruído branco a 60 e 80 dB(A) sendo realizadas 2 exposições de 11 minutos cada com
intervalo entre elas de 4 minutos. Para medição da audição utilizou o exame de potenciais
19

evocados de longa latência (auditory-event related brain potentials - ERP). Foi observado
que após cada exposição a ruído houve piora significativa da audição.
Engdahl (1996) pesquisou os efeitos do NPSE na audição de 8 sujeitos
utilizando para medição da MTL o exame de emissões otoacústicas por produto de
distorção-EOAPD na faixa de freqüência de 0,7 - 6 kHz. Os sujeitos foram expostos a 102
dB de ruído durante 10 minutos. Após exposição a ruído foi observado uma diminuição da
amplitude de resposta em toda a faixa de freqüência avaliada.
Araújo (2002) analisou a ocorrência de alterações auditivas em decorrência da
exposição à NPSE em trabalhadores de metalúrgica. Foram avaliados 187 trabalhadores de
uma indústria metalúrgica por meio de questionário e audiometria. A audiometria
constatou que 21% dos trabalhadores tiveram alterações dos limiares auditivos devido à
exposição ocupacional a ruído. Os sintomas auditivos presentes de forma significativa
foram: zumbido 13%, hipoacusia 7%, sensação de plenitude auricular 4% e tontura 12%.
Soliman et al. (2003) pesquisaram os efeitos do ruído e VCI isolados e
combinados na audição de 40 porquinhos da índia utilizando para avaliação da audição o
exame de EOAPD. Na exposição a ruído 10 animais foram expostos a ruído branco na
intensidade de 100 dB (NPS) durante 6 horas/dia por 4 semanas. Após a exposição a ruído
as amplitudes do exame de EOAPD foram significantemente reduzidas em relação aos
valores encontrados no grupo controle exceto na freqüência de 1006 Hz, representando,
portanto, uma piora auditiva.
Alvarenga et al. (2003) analisaram a amplitude da EOAPD em indivíduos com
histórico de exposição a ruído e chumbo isolados e combinados. Em relação à exposição a
ruído isolado foram avaliados 21 trabalhadores. Das orelhas avaliadas 55% apresentaram
perda auditiva e as amplitudes médias no exame de EOAPD para as freqüências de 1, 2, 3,
4 e 6 kHz foram respectivamente 4,63 dB(NPS); 1,71 dB(NPS); 0,16 dB(NPS); -1,34
dB(NPS) e -3,74 dB(NPS). Os autores constataram também que a amplitude da EOAPD
em indivíduos expostos a ruído foram menores quando comparado aos expostos a ruído e
chumbo simultaneamente, além de que a pesquisa das emissões otoacústicas pode estar
alterada nos indivíduos expostos a ruído, mesmo naqueles com limiares auditivos dentro da
normalidade, até 25 dB(A).
Izumi (2006) pesquisou os efeitos do NPSE e VCI isolados e combinados na
MTL de 13 sujeitos. Cada voluntário foi exposto a ruído branco a 100 dB(A) durante 15
minutos. Após exposição à NPSE isolado foi constatado MTL estatisticamente

20

significativa na faixa de freqüência de 0,5 ­ 8 kHz para a audiometria e em todas as
freqüências avaliadas na EOAPD.
Pfeiffer et al. (2007) estudaram a MTL de músicos após exposição a NPSE de
um show de rock. A amostra foi composta por seis músicos que estavam expostos a ruído
igual a 98,5 dB e os limiares auditivos foram mensurados por meio do exame de
audiometria na faixa de freqüência de 0,5 ­ 8 kHz. Após a exposição, 67% dos músicos
queixaram-se de zumbido. Encontrou-se também diferença estatisticamente significante
dos limiares auditivos na orelha direita nas freqüências de 0,5 Hz e entre 3 ­ 6 kHz e na
orelha esquerda em 4 kHz.
Gonçalves et al. (2009) pesquisaram a presença de sintomas/sinais auditivos
em 50 integrantes de uma banda militar com tempo médio de atuação na banda de 14,2
anos. Nos ensaios foram constatados níveis de 90,1 a 110,3 dB(A). A queixa mais relatada
entre sujeitos na faixa etária de 11-20 anos foi o zumbido (83,3%), além de outros também
presentes, como otalgia (23%), dificuldade para ouvir (54%) e tontura (6%). Foi observado
também que 32% dos integrantes tinham alterações auditivas.
A TABELA 2.2 abaixo resume os níveis de pressão sonora utilizados nos
estudos. Verifica-se que a literatura é clara quanto aos níveis de ruído que ocasionam
alterações auditivas.
TABELA 2.2 ­ Níveis de Pressão Sonora que provocaram e não provocaram piora da audição

·

Níveis de Pressão Sonora que

Nível de Pressão Sonora que não

ocasionaram piora auditiva

ocasionou piora auditiva

60 ­ 110,3 dB(A)

·

81 dB(A)

2.4 EFEITOS DO NPSE E VCI COMBINADOS
De acordo com Griffin (1996) quando existe associação de fatores é preciso
saber se o efeito combinado será correspondente aos efeitos de cada um em separado.
Geralmente a combinação pode resultar em: a) efeito aditivo (quando os efeitos são
maiores do que os agentes isolados, mas não mais do que a soma dos efeitos de cada fator
isolado), b) efeito sinérgico (quando a combinação causa efeitos maiores do que a soma
dos efeitos isolados de cada agente), c) efeito antagônico (quando o efeito da combinação é
menor do que um dos agentes isolados), d) ausência de efeitos (quando esses são iguais aos
efeitos de cada fator isolado).
21

Segundo Seidel et al. (1989, 1992 e 1997) a associação de ruído e vibrações
corresponde a combinação de fatores físicos mais comum nos ambientes de trabalho e os
efeitos dessa associação podem ser físicos e/ou psicológicos, dependendo do tipo e tempo
de exposição.

2.4.1

Efeitos extra-auditivos do NPSE e VCI
Neste item serão abordados apenas os efeitos extra-auditivos dos trabalhos,

visto que os efeitos auditivos serão abordados no próximo item.
Manninen (1984) estudou os efeitos da VCI isolada e combinada com ruído na
MTL, freqüência cardíaca e pressão sanguínea de 108 voluntários. A estimulação
vibratória constou de VCI senoidal na freqüência de 5 Hz e VCI estocástica na faixa de
freqüência de 2,8-11,2 Hz, ambas com amplitude de 2,12 m/s2 no eixo Z, e o ruído branco
a 90 dB, sendo aplicadas 3 exposições consecutivas de 16 minutos, com período de
descanso de 15 minutos. Maiores mudanças nos valores da freqüência cardíaca e pressão
sanguínea foram observadas após as exposições combinadas.
Seidel et al. (1997) avaliaram subjetivamente os efeitos do ruído combinado
com VCI em 12 sujeitos. Foi observada a presença de estresse em todas as situações de
associação de NPSE e VCI, mas o estresse aumentou na pior situação de exposição, a
saber, 83 dB(A) e VCI a 1,06 m/s2.
Fernandes e Morata (2002) investigaram as queixas de trabalhadores expostos
a combinação de NPSE e vibração. A amostra foi composta por 35 trabalhadores expostos
a VCI e ruído simultaneamente com uma média diária de exposição de sete horas e ruído
na intensidade de 92 dB(A). Não foi informada a característica da VCI. Os trabalhadores
foram investigados por meio de questionário. As queixas extra-auditivas mais comuns
foram: nervosismo, ansiedade, cefaléia, problemas visuais, problemas de coluna, zumbido
e desatenção.
Ljungberg, Neely e Lundstrom (2004) pesquisaram os efeitos subjetivos do
ruído e VCI combinados. A amostra foi composta por 54 sujeitos expostos as seguintes
situações: a) ruído a 77 dB(A) e VCI senoidal em 16 Hz e 1 m/s2; b) ruído a 81 dB(A) e
VCI em 16 Hz e 1,6 m/s2; c) ruído a 86 dB(A) e VCI em 16 Hz e 2,5 m/s2. Todas essas
situações durante 20 minutos. A situação c) de maior intensidade de ruído e VCI ocasionou
maiores níveis de estresse e aborrecimento.
22

2.4.2

Efeitos auditivos da combinação de NPSE e VCI
Conforme já mencionado, neste item serão abordados os efeitos auditivos dos

trabalhos pesquisados. Okada et al. (1972) pesquisou os efeitos da VCI e ruído na audição
por meio da MTL. Esta foi mensurada através da audiometria sendo pesquisados os
limiares somente nas freqüências de 1 e 4 kHz. A amostra foi composta por cinco
estudantes saudáveis do sexo masculino. Cada voluntário foi exposto às seguintes
condições de VCI: a) 5, 10 e 20 Hz com amplitude de 500 cm/s2; b) 2, 5 e 10 Hz com
amplitude de 100 cm/s2; c) 10 e 20 Hz e amplitude de 1000 cm/s2, todos combinados com
ruído na intensidade de 101 dB. Cada voluntário foi exposto a 20 minutos da combinação
VCI e ruído, e após a audiometria continuaram a exposição por mais 40 minutos. Os
autores encontraram que a MTL aumenta com a combinação de VCI e ruído, ou seja, é
evidente o efeito sinérgico da VCI, e na combinação de ruído e VCI a 500 cm/s2 na
freqüência de 5 Hz os valores da MTL foram mais severos quando comparado a ruído ou
VCI isolados.
Yokoyama, Osako e Yamamoto (1974) pesquisaram os efeitos da vibração e
ruído isolados e combinados na audição de oito indivíduos. Os limiares auditivos somente
da orelha direita foram pesquisados em 4 kHz por meio da audiometria. Os sujeitos
ficaram expostos a ruído branco na intensidade de 82 dB combinado com VCI nas
freqüências de 5 Hz e amplitude de 6 mm e 16,7 Hz com amplitude de 3 mm durante 20
minutos. Os autores encontraram que após a exposição simultânea com VCI na freqüência
de 5 Hz houve MTL de 12 dB, mostrando ser a combinação significativamente maior
quando comparado a ruído isolado. O tempo para recuperação do limiar auditivo também
foi maior, em torno de 7 minutos. Após exposição simultânea com VCI na freqüência de
16,7 Hz observou-se MTL de 13 dB e tempo de recuperação da audição de 9 minutos.
Dessa forma, observa-se efeito sinérgico da combinação ruído e VCI na audição, sendo
que esta última exposição causou mais sensibilidade auditiva quando comparado com as
exposições a ruído isolado e combinado com VCI em 5 Hz.
Hamernik et al. (1980) pesquisaram os efeitos da VCI e ruído de impulso,
isolados e combinados na audição de três grupos contendo 10 chinchilas cada grupo. Após
30 dias de exposição a MTL e a MPL dos animais, nas freqüências de 0,5-8 kHz, foram
medidas por meio do exame de potencial evocado auditivo. Os animais foram expostos
durante 1 hora a combinação de VCI senoidal em 30 Hz e 1 g rms e ruído impulsivo a 155

23

dB. Os resultados indicaram que a combinação ocasionou valores maiores de MTL e MPL
quando comparado com ruído e VCI isolados.
Manninen (1983a) avaliou os efeitos da VCI combinada com NPSE na MTL de
370 voluntários por meio da audiometria nas freqüências de 4 e 6 kHz. A VCI
caracterizou-se por ser senoidal, no eixo Z. Na freqüência de 5 Hz a amplitude foi de 2,12
m/s2 e na freqüência de 10 Hz a amplitude foi 2,65m/s2. Já o ruído teve intensidades de 90
e 98 dB(A). Foram aplicadas 3 exposições consecutivas de 16 minutos com período de
descanso de 15 minutos. A combinação VCI e ruído ocasionou maior aumento da MTL se
comparado com ruído isolado. Além disso, os valores da MTL após a terceira exposição
foram maiores que após a primeira e segunda exposição.
Manninen (1983b) pesquisou os efeitos do ruído combinado com VCI na MTL
em 11 sujeitos. As exposições consistiram em VCI senoidal no eixo-Z a 2,12 m/s2 em 5
Hz, e ruído nas intensidades de 75, 85 e 95 dB(A). Na combinação de VCI e ruído mais
intenso observou-se uma clara tendência do aumento da MTL.
Manninen e Ekblom (1984) pesquisaram os efeitos do ruído e VCI isolados e
combinados na MTL e postura corporal de 10 voluntários do sexo masculino utilizando a
audiometria como avaliação dos limiares auditivos nas freqüências de 4 e 6 kHz. A
estimulação vibratória constou de VCI senoidal na freqüência de 5 Hz, amplitudes de 2,12
m/s2 e 2,44 m/s2 no eixo Z, e ruído branco a 90 dB(A), sendo aplicada 3 exposições
consecutivas de 16 minutos com período de descanso de 15 minutos. Os valores da MTL
em 4 e 6 kHz aumentaram consideravelmente mais rápido quando comparado com a
exposição a ruído isolado.
Manninen (1984) estudou os efeitos da VCI e ruído isolados e combinados na
MTL de 90 voluntários do sexo masculino utilizando audiometria nas freqüências de 4 e 6
kHz. A estimulação vibratória constou de VCI senoidal na freqüência de 5 Hz e VCI
estocástica na faixa de freqüência de 2,8-11,2 Hz, ambas com amplitude de 2,12 m/s2 no
eixo Z, e ruído na intensidade a 90 dB(A), sendo aplicada 3 exposições consecutivas de 16
minutos, com período de descanso de 15 minutos entre elas. A combinação ocasionou
aumento estatisticamente significativo da MTL na freqüência de 6 kHz.
Manninen (1985) avaliou a MTL de sujeitos expostos a combinação de VCI e
ruído, por meio da audiometria tonal. A amostra constou de 108 voluntários expostos a
VCI senoidal em 5 Hz no eixo-Z e estocástica em 2,8-11,2 Hz, ambas com amplitude de
2,12m/s2, e ruído branco a 90 dB(A), sendo aplicada 3 exposições consecutivas de 16
minutos, com período de descanso de 15 minutos entre elas. As mudanças dos limiares
24

tornaram-se mais claras com o aumento do número de exposições. Aumento dos valores da
MTL após exposição combinada foram detectados nas freqüências de 4 e 6 kHz.
Manninen (1986) pesquisou os efeitos do ruído e VCI isolados e combinados
na MTL de sete indivíduos. Foram utilizados VCI no eixo-Z, senoidal em 5 Hz e
estocástica entre 1,4-11,2 Hz, ambas com amplitude de 2,12 m/s2 e ruído branco a 90
dB(A). Foram aplicadas 3 exposições consecutivas de 16 minutos com período de descanso
de 15 minutos entre elas. Os resultados indicaram que a exposição combinada de NPSE e
VCI proporcionou um aumento significativo dos limiares auditivos e maiores quando
comparado aos efeitos do NPSE isolado, portanto, piorando a audição. Os valores de MTL
aumentaram mais intensamente na primeira exposição.
Hamernik et al. (1989) pesquisaram os efeitos da VCI e ruído na audição de 82
Chinchilas. Todos os animais foram expostos durante 5 dias a VCI nas freqüências de 30
Hz com amplitude de 3 g rms e 20 Hz com amplitude de 1,3 g rms, associado com ruído
nas intensidades de 95, 113, 119 e 125 dB(NPS). A MTL foi medida por meio do exame de
potencial evocado auditivo e constatou-se que a associação de VCI e NPSE causou efeitos
estatisticamente significativos nas medidas auditivas e ocasionou maiores perdas de células
ciliadas externas presentes na orelha interna.
Seidel et al. (1992) avaliaram a audição de 12 sujeitos submetidos a VCI e
ruído por meio de um exame de potenciais evocados de longa latência (auditory-event
related brain potentials - ERP). As exposições combinadas tiveram como características:
VCI senoidal na freqüência de 2,01 Hz e amplitude de 2 m/s2 e ruído do tipo branco a 60 e
80 dB(A), sendo realizadas 2 exposições de 11 minutos cada, com intervalo entre elas de 4
minutos. A combinação teve um forte efeito nas respostas auditivas, sendo observadas
dificuldades na discriminação do sinal acústico e efeito sinérgico dessa combinação.
Pekkarinen (1995) por meio de revisão bibliográfica sobre os efeitos da VCI e
ruído combinados na audição constatou que em cinco estudos laboratoriais com humanos a
MTL foi aumentada pela combinação de VCI (2-10 Hz e 10m/s2) e ruído (90 dB(A)).
Fernandes e Morata (2002) investigaram a audição e as queixas auditivas de 35
trabalhadores expostos por 7 horas diárias a combinação de NPSE e VCI. Foi detectada
presença de 23% de sujeitos com queixas de zumbido. Dos indivíduos expostos a VCI e
NPSE no período de 0-10 anos, 49% apresentaram alguma alteração auditiva. Já os
trabalhadores expostos de 11-26 anos, 52% tiveram alteração da audição.
Soliman et al. (2003) estudaram os efeitos da VCI e ruído isolados e
combinados na audição de 40 porquinhos da índia saudáveis, sendo que 10 desses animais
25

foram expostos a combinação de VCI na freqüência de 6 a 8 Hz e ruído do tipo branco a
100 dB(NPS) durante 6 horas/dia em quatro semanas consecutivas. Na exposição
combinada foram detectados mais efeitos danosos na cóclea e diminuição das amplitudes
de todas as freqüências no exame de EOAPD, quando comparado com exposição a ruído
isolado.
Freitas e Nakamura (2003) investigaram a incidência de sintomas e perda
auditiva em 104 motoristas de ônibus de motores dianteiros com um ano ou mais de
trabalho que cumpriam uma jornada de 44 horas semanais. Do total de motoristas
avaliados, 19% apresentaram perda auditiva, sendo 12% na orelha direita e 15% na
esquerda. Observou-se também presença de zumbido em 8% dos trabalhadores.
Silva e Mendes (2005) pesquisaram os efeitos da exposição de motoristas de
ônibus a VCI e ao ruído na audição. A amostra foi composta por 190 motoristas, sendo 105
com três anos ou menos de exposição e 85 com mais de cinco anos. Os motoristas
permaneciam expostos a VCI na amplitude média de 0,85 m/s2 (valor esse acima do limite
estabelecido pela ISO 2631-1 (1997) para saúde) e ruído na intensidade média de 83,6
dB(A) para motoristas de ônibus com motor dianteiro e 77 dB(A) para motoristas que
operam ônibus com motor traseiro. Foram realizados dois modelos de análises de dados.
Pelo modelo de análise de regressão multivariada, não houve interação entre VCI e ruído.
Já na análise univariada, os dados foram sugestivos da existência de um efeito combinado
entre VCI e ruído na audição.
Izumi, Mitre e Duarte (2006) por meio de levantamento bibliográfico sobre os
efeitos da VCI na audição encontraram nos estudos analisados que a VCI atua de forma
sinérgica com o ruído, potencializando os danos auditivos causados pelo ruído.
Izumi (2006) em seu estudo sobre os efeitos da VCI e NPSE na audição de 13
indivíduos encontrou que a combinação, tanto no exame de audiometria, quanto no de
EOAPD, ocasiona MTL significativa, porém essa mudança não foi pior quando comparada
a exposição de NPSE isolado. Foi constatado que na freqüência em torno de 4 kHz os
valores de MTL foram significantemente menores na exposição combinada quando
comparado a exposição de NPSE isolado, ou seja, não foi encontrado efeito sinérgico, mas
sim antagônico na freqüência de 4 kHz na audiometria e 3640 Hz na EOAPD.
A TABELA 2.3 resume os valores de VCI e ruído utilizados nos estudos.
Verifica-se que a literatura é clara quanto aos efeitos da combinação VCI + NPSE na piora
auditiva.

26

TABELA 2.3 ­ Níveis de VCI e NPSE simultâneos que ocasionaram e não ocasionaram piora da audição.

Níveis de VCI e NPSE simultâneos que

Nível de VCI e NPSE simultâneos que

ocasionaram piora auditiva

não ocasionaram piora auditiva
·

·

NPSE: 77 dB(A) e 83,6 dB(A)
(ruído branco)

NPSE: 82 dB (ruído branco)
VCI: 6 mm em 5 Hz e 3 mm em

16,7 Hz, eixo-z, sentado

VCI: 0,85 m/s2
Duração: 8h/dia

Duração: 20 min
·

NPSE: 155 dB (ruído branco)
VCI: 1g rms em 30 Hz, eixo-z,

sentado
Duração: 1h

·

NPSE: 90 e 98 dB(A) (ruído
branco)
VCI: 2,12 m/s2 em 5 Hz e 2,65

m/s2 em 10 Hz, eixo-z, sentado
Duração: 48 min

·

NPSE: 75, 85 e 95 dB(A) (ruído
branco)
VCI: 2,12 m/s2 em 5 Hz, eixo-z,

sentado
Duração: 48 min

·

NPSE: 90 dB(A) (ruído branco)
VCI: 2,12 m/s2 e 2,44 m/s2 em 5

Hz, eixo-z, sentado
Duração: 48 min

·

NPSE: 90 dB(A) (ruído branco)
VCI: 2,12 m/s2 em 5 Hz (senoidal)

e entre 2,8-11,2 Hz (estocástico) , eixo-z,
sentado
Duração: 48 min

·

NPSE: 90 dB(A) (ruído branco)
VCI:

2,12

m/s2

em

5

Hz

(senoidal) e entre 1,4-11,2 Hz (estocástico) ,

27

eixo-z, sentado
Duração: 48 min

·

NPSE: 95, 113, 119 e 125 dB(NPS)
(ruído branco)
VCI: 3g rms em 30 Hz e 1,3g rms

em 20 Hz, eixo-z, sentado
Duração: 5 dias

·

NPSE: 60 e 80 dB(A) (ruído
branco)
VCI: 2 m/s2 em 2,01 Hz, eixo-z,

sentado
Duração: 22 min.

·

NPSE: 90 dB(A) (ruído branco)
VCI: 10 m/s2 entre 2-10 Hz, eixo-

z, sentado
Duração: não informada

·

NPSE: 100 dB(NPS) (ruído branco)
VCI: amplitude não informada

entre 6-8 Hz, eixo-z, sentado
Duração: 6h/dia, durante 4 semanas

·

NPSE: 100 dB(A) (ruído branco)
VCI: 2,45 Hz, eixo-z, sentado
Duração: 15 min. (NPSE), 18 min.

(VCI)
No. de exposições: 1x

2.5 AUDIÇÃO INTERAURAL E ENTRE GÊNEROS
A maior parte das pesquisas que comparou a audição entre os sexos também
comparou a audição entre orelha direita e esquerda, por isso nesta seção serão abordadas
ambas as comparações.

28

Corrêa Filho et al. (2002) estimaram a prevalência de perda auditiva em 108
motoristas de ônibus urbano e constataram que não houve diferença significativa quanto a
lateralidade da perda auditiva.
Sahyeb, Costa Filho e Alvarenga (2003) estudaram o comportamento dos
limiares auditivos de alta freqüência em 50 indivíduos jovens (24 do sexo masculino e 26
do feminino) e audiologicamente normais. Para avaliação utilizou-se audiometria. Os
resultados encontrados mostraram que não houve diferença significativa na audição de
homens e mulheres e entre orelha esquerda e direita.
Oda, Bernardi e Azevedo (2003) pesquisaram em 40 sujeitos normo-ouvintes
(20 do sexo feminino e 20 do sexo masculino) o limiar auditivo em relação às variáveis
sexo e orelha por meio do exame de audiometria tonal. Os resultados indicaram que para
audiometria de tom puro, a população masculina apresentou na freqüência de 4000 Hz
resultado na orelha direita estatisticamente melhor que na orelha esquerda. Já a população
feminina apresentou nas freqüências de 1000 e 6000 Hz, orelha esquerda estatisticamente
melhor que a direita. Para audiometria de tom modulado foi constatado que a população
masculina na freqüência de 2000 Hz teve orelha esquerda melhor que direita e na
população feminina essa mesma diferença foi detectada nas freqüências de 3000 Hz e 6000
Hz. Em relação à diferença entre os sexos, na audiometria tonal, observou-se significância
estatística na orelha direita somente na freqüência de 500 Hz e na orelha esquerda somente
na freqüência de 2000 Hz. Em ambas as orelhas o homem apresentou melhores limiares
auditivos. Concluiu-se que lado é uma variável significante e o sexo masculino apresentou
limiares médios melhores que os do sexo feminino.
Retamal et al. (2004) avaliaram os limiares auditivos em 45 indivíduos normoouvintes (19 do sexo feminino e 26 do sexo masculino) por meio da audiometria. Os
autores não encontraram diferenças estatisticamente significantes entre sujeitos do sexo
feminino e masculino e entre orelha direita e esquerda.
Freitas e Nakamura (2004) investigaram a incidência de perda e sintomas
auditivos em 104 motoristas de ônibus de motores dianteiros com um ano ou mais de
trabalho que cumpriam uma jornada de 44 horas semanais. Do total de motoristas
avaliados que apresentaram perda auditiva, observou-se prevalência de 12% na orelha
direita e 15% na esquerda.
Martinho, Zeigelboim e Marques (2005) pesquisaram o perfil audiológico de
66 sujeitos (22 do sexo feminino e 44 do masculino) sem queixa auditiva por meio da
audiometria. Não houve diferença estatisticamente significativa interaural no sexo
29

masculino, mas houve diferença significante interaural no sexo feminino, sendo que a
orelha direita, somente na freqüência de 11.200 Hz, apresentou piores limiares que a
esquerda. Houve diferença estatisticamente significante entre sexos somente na orelha
direita e nas freqüências de 10 e 16 kHz, com melhor resultado para o sexo masculino.
Silva e Feitosa (2006) estudaram os limiares auditivos de 64 sujeitos
normoacústicos por meio da audiometria. Foi observada diferença estatisticamente
significante entre os gêneros, sendo que o sexo feminino apresentou limiares menores na
faixa de freqüência entre 3 e 10 kHz.
Lopes et al. (2007) investigaram os limiares auditivos de 30 crianças normoouvintes de 7 a 13 anos sendo 18 do gênero masculino e 12 feminino por meio de
audiometria. Houve diferença estatisticamente significante entre as médias na orelha
esquerda e direita nas freqüências de 9 e 11,2 kHz.
Barbosa de Sá et al. (2007) analisaram a audição de 51 indivíduos adultos
jovens normo-ouvintes (32 mulheres e 19 homens) por meio da audiometria tonal. Houve
diferença estatisticamente significativa entre orelha direita e esquerda somente nas
freqüências de 11 e 12 kHz e não foi observado diferença entre os gêneros.
Carvalho et al. (2007) investigaram os limiares auditivos de 74 sujeitos adultos
jovens normais audiologicamente (26 homens e 48 mulheres) utilizando audiometria. Foi
observada diferença estatisticamente significativa entre homens e mulheres nas freqüências
altas de 9 a 20 kHz, exceto na freqüência de 16 kHz. Não houve diferença entre os limiares
das orelhas esquerda e direita.
Santos e Ferreira (2008) avaliaram os limiares auditivos em 4.837 sujeitos
(4.266 homens e 571 mulheres) expostos a ruído ocupacional utilizando audiometria tonal.
Foram constatados piores limiares na orelha direita e em relação ao sexo as mulheres
apresentaram diferença significativa na faixa de 0,5 a 2 kHz e os homens de 3 a 6 kHz.

30

3

METODOLOGIA

Neste capítulo será apresentada a metodologia adotada para a realização dos
testes experimentais com todo o embasamento necessário para a seleção dos voluntários,
exames auditivos utilizados, para a escolha dos níveis utilizados e procedimentos gerais
adotados.

3.1 INTRODUÇÃO
Trata-se de um estudo transversal cuja coleta de dados foi realizada no período
de abril a julho de 2010 no Ambulatório de Audiologia do Hospital das Clínicas/UFMG.
Essa pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade
Federal de Minas Gerais ­ COEP/UFMG- sob o parecer de nº ETIC 0497.0.203.000-09,
conforme pode ser visto no Anexo A.

3.2 SELEÇÃO DOS VOLUNTÁRIOS
A população desta pesquisa foi composta por adultos jovens com audição
dentro dos padrões de normalidade, sem histórico de exposição ocupacional a ruído e/ou
vibração. A amostra constou de 19 voluntários, sendo 10 homens e 9 mulheres, com idade
média de 23,6 anos (desvio padrão de 5,3), peso médio de 68,3 quilos (desvio padrão de
15,8) e altura média de 1,70 metros (desvio padrão de 0,10).
Cada voluntário foi submetido a anamnese (Anexo B), onde se questionou
sobre a saúde auditiva em geral, hábitos, riscos ocupacionais e sobre eventuais fatores que
impossibilitassem sua participação ou afetassem os resultados dos testes de alguma forma.
Os voluntários considerados aptos após a entrevista da anamnese receberam todas as
orientações relacionadas aos testes por escrito e, após concordarem em participar e estarem
cientes de todo o procedimento, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE), cujo modelo encontra-se no Anexo C.

31

3.3 EXAMES AUDITIVOS
Cada voluntário submeteu-se a uma avaliação audiológica que contemplou
meatoscopia, audiometria e emissões otoacústicas por produto de distorção (EOAPD) para
verificação das condições auditivas e também para determinação de referências para
futuras comparações pós-testes.
Caso algum voluntário apresentasse alteração nos exames auditivos e
problemas de saúde conforme as recomendações de Griffin (1996) seria excluído da
amostra, pois a presença de tais características poderia mascarar os resultados obtidos na
pesquisa. Entretanto, não houve exclusão entre os voluntários inicialmente selecionados.
Alterações temporárias da audição foram mensuradas por meio da MTL e para
a sua detecção no momento de maior amplitude é recomendado sua mensuração 2 minutos
após cessada cada exposição (Kinsler et al. 1982), conforme mostrado no item 2.1.
Manninen (1983a, 1983b, 1984, 1985, 1986) em seus estudos obteve precisão no tempo de
controle entre o término das exposições e a medição da audição, pois o teste auditivo
utilizado foi somente a audiometria em apenas duas freqüências específicas. Já nesta
pesquisa utilizou-se 2 diferentes tipos de exames auditivos e um número maior de
freqüências foram avaliadas. Porém, procurou-se controlar o tempo dos intervalos entre os
exames, realizando a audiometria imediatamente após cada exposição, o que ocasionou a
realização do exame das EOAs aproximadamente 3 minutos após cada exposição. Além
disso, o tempo mínimo de 14h de repouso auditivo entre as exposições foi respeitado, pois
é imprescindível que exista esse tempo de modo a permitir a completa recuperação da
orelha após as estimulações a ruído de acordo com a NR-7 (Ministério do
Trabalho/Brasil,1998).
A seguir a descrição dos testes audiológicos realizados.
3.3.1

Meatoscopia
Meatoscopia é um exame de referência que consiste na investigação luminosa

do meato acústico externo (MAE). É importante que o MAE esteja livre de quaisquer
tipos de obstruções para que sejam realizados os exames audiológicos (audiometria tonal e
Emissões Otoacústicas por produto de distorção) de maneira eficaz para avaliação da
capacidade auditiva dos voluntários.

32

Os indivíduos com presença de anormalidades identificadas na meatoscopia
foram encaminhados ao médico Otorrinolaringologista para avaliação e conduta.

3.3.2

Audiometria Tonal
Audiometria tonal é um exame subjetivo da audição, ou seja, depende da

resposta do indivíduo, sendo importante a explicação precisa por parte do fonoaudiólogo.
O exame é realizado com fones de ouvido, em cabina acústica e consiste em determinar o
limiar auditivo, ou seja, a menor intensidade sonora perceptível ou a menor intensidade
sonora necessária para provocar a sensação auditiva no indivíduo em uma série de
freqüências (Frota, 1998).
Para minimizar os efeitos subjetivos/objetivos como calor, luminosidade,
ruído, etc., as audiometrias foram realizadas no mesmo ambiente, em equipamento
devidamente calibrado, com o mesmo fonoaudiólogo e as devidas orientações foram
fornecidas aos voluntários de forma que estes se familiarizassem com o procedimento para
realização do exame. Sendo assim, cada voluntário foi orientado sobre como proceder nos
dias antecedentes aos testes, como repouso adequado, evitar lugares ruidosos ou de música
amplificada que poderiam provocar MTL e conseqüentemente mascarar os resultados da
pesquisa.
Utilizou-se o mesmo audiômetro devidamente calibrado - AC33-Interacoustics
de dois canais com fones TDH 39 - (ver FIGURA 3.2 e FIGURA ) para realização dos
exames audiométricos por via aérea e para a geração do ruído para os testes que envolviam
NPSE. Ver Anexo D referente às especificações técnicas do mesmo.

FIGURA 3.2 - Audiômetro AC33 utilizado na audiometria e teste com NPSE

33

FIGURA 3.3 ­ Fone de ouvido TDH39 utilizado nos exames de audiometria e testes com NPSE.

Os limiares auditivos de cada voluntário, pesquisados pela técnica descendente
(Frota, 1998), foram registrados em um audiograma (modelo de audiograma no Anexo E).
As freqüências avaliadas via aérea foram: 0,25; 0,5; 0,75, 1; 2; 3; 4; 6 e 8 kHz e os
resultados foram classificados de acordo com o grau da audição, normal ou alterados,
segundo a classificação de Lloyd e Kaplan (1978). Aqueles que apresentassem alteração no
exame de referência seriam excluídos, entretanto, todos os voluntários estavam dentro dos
padrões de normalidade no exame audiométrico, ou seja, os limiares auditivos, nas
freqüências citadas acima, encontravam-se abaixo ou até 25 dB(NA), conforme Portaria n0
19 da NR-7 (Ministério do Trabalho/Brasil, 1998).
Foram realizados dois exames de audiometria em cada voluntário no 1º dia de
testes, portanto, antes de todas as exposições (ou seja, VCI, NPSE ou VCI+NPSE), de
modo a se obter uma média que foi utilizada como valor de referência para posterior
comparação com os exames pós-exposições.
3.3.3

Emissões Otoacústicas por Produto de Distorção (EOAPD)
As emissões otoacústicas foram primeiramente observadas pelo inglês David

Kemp, em 1978, o qual as definiu como liberação de energia sonora originada na cóclea,
que se propaga pela orelha média, até alcançar o conduto auditivo externo (Kemp et al.
1986).
O funcionamento auditivo normal inclui o mecanismo coclear passivo e ativo
que dependem da intensidade do estímulo sonoro que chega até a orelha interna. Sons
acima de 40-60 dB(NPS) acionam na cóclea o mecanismo passivo. Essa energia sonora é
suficiente para mover os cílios das células ciliadas internas, o que leva à despolarização da
própria célula e liberação de neurotransmissores que produzem um potencial de ação no
nervo acústico, transmitindo a mensagem auditiva até o sistema nervoso central. Já sons
34

abaixo de 40 dB(NPS) acionam o mecanismo de audição ativo. Essa energia sonora
recebida não é suficiente para estimulação direta das células ciliadas internas. Porém, essa
energia é suficiente para movimentar os cílios das células ciliadas externas, abrindo os
canais de potássio, o que despolariza a célula e muda o seu comprimento. A mudança de
comprimento provoca maior movimento do ducto coclear, o que gera inclinação dos
estereocílios das células ciliadas internas, transmitindo então a mensagem auditiva até o
sistema nervoso central. Esse mecanismo ativo é conhecido como amplificador coclear
(Frota, 1998; Musiek e Rintelmann, 2001). Para melhor visualização e ilustração das
estruturas responsáveis pelas emissões otoacústicas segue a FIGURA 3.4 representando a
orelha humana e suas subdivisões e a FIGURA 3.5 representando parte da orelha interna,
região coclear.

FIGURA 3.4 ­ Representação da orelha e suas subdivisões
FONTE: http://www.telexbr.com.br/mockup/aura/php/informacao2.php?id=7

FIGURA 3.5 ­ Representação da cóclea, parte da orelha interna, com foco nas células ciliadas externas
responsáveis pelas emissões otoacústicas (EOA's)
FONTE: Weng et al (2003) - software "Homem virtual: Audição"

35

As EOAs, ou seja, a energia liberada e transmitida de volta ao conduto auditivo
externo onde podem ser mensuradas, são resultado da amplificação da movimentação do
ducto coclear devido ao processamento ativo dos sons feito pelas células ciliadas externas
Figueiredo (2003).
Há dois tipos de EOAs, as espontâneas e as evocadas. As espontâneas
consistem no mecanismo natural de amplificação coclear e as evocadas são provocadas em
resposta a um estímulo acústico. No presente trabalho optou-se por realizar a pesquisa das
EOAs do tipo Produto de Distorção (EOAPD), pois esta é uma avaliação que monitora um
amplo espectro de freqüência, 750 Hz- 7969 Hz, e é capaz de identificar disfunções
cocleares iniciais antes de ocorrerem lesões ocasionadas por exposição a ruído.
Segundo Fiorini e Parrado-Moran (2005), um dos testes mais promissores para
o diagnóstico audiológico tem sido o de EOA. Trata-se de um exame que começou
recentemente a ser utilizado para diagnóstico e monitoramento de perdas auditivas
ocupacionais. É um exame objetivo, simples, rápido, não invasivo e pode ser realizado em
qualquer faixa etária, sendo que a EOAPD utilizada nesta pesquisa permite investigar
respostas nas freqüências de 750 Hz a 8000 Hz.
No exame de emissão otoacústica por produto de distorção (EOAPD) são
apresentados estímulos sonoros simultaneamente nas frequências f1 e f2. O resultado é
uma intermodulação, que é o produto de distorção na freqüência resultante de maior
resposta. A melhor amplitude de resposta do exame ocorre na freqüência equivalente a 2f1f2 e o protocolo geralmente utilizado para mensurar as emissões incorpora uma razão entre
as freqüências (f1/f2) de 1,22 (Fiorini e Parrado-Moran, 2005). As respostas auditivas
também podem variar de acordo com a intensidade dos estímulos sendo a intensidade em f1
igual a L1 e a intensidade em f2 igual a L2. As intensidades podem variar, por exemplo:
L1=L2 ou L1>L2 (Figueiredo, 2003). Stover et al. (1996) constataram que os estímulos
acústicos nas intensidades de L1= 65 dB(NPS) e L2 = 55dB(NPS) são mais eficazes para
gerar resposta acima de 500 Hz. Dessa forma, utilizou-se neste trabalho os valores de
intensidade mencionados por Stover et al. (1996). O estímulo sonoro foi transmitido por
uma sonda que é colocada no conduto auditivo externo por meio de uma oliva em espuma.
Esta mesma sonda também funciona como um microfone e capta a resposta coclear sendo
essa resposta a EOAPD.
Nesta pesquisa, para o registro das emissões otoacústicas por produto de
distorção utilizou-se o equipamento AUDX ­ Bio-logic® (ver FIGURA 3.6), cujas
características técnicas estão apresentadas no Anexo F. O critério utilizado para considerar
36

as EOAPD presentes foi a relação sinal/ruído de fundo até 6 dB(NPS) (Musiek e
Rintelmann, 2001). Este critério de presença/ausência de emissões otoacústicas foi
considerado somente na seleção dos valores de referência de cada voluntário, ou seja, se
em uma determinada freqüência algum indivíduo tivesse ausência de resposta em
condições normais, o que é natural de ocorrer, o sujeito seria excluído da amostra somente
nesta frequência. É importante deixar claro que o objetivo de se utilizar o exame de
EOAPD nessa pesquisa é monitorar a audição por meio da variação das amplitudes das
respostas das emissões otoacústicas verificando se há piora estatisticamente significativa
destas após cada exposição aos agentes vibração e/ou ruído.

FIGURA 3.6 ­ Aparelho de EOAPD utilizado na pesquisa

FIGURA 3.7 ­ Grafico Dp-gram ­ Equipamento AUDX

O exame de EOAPD foi realizado em cabina acústica e registrado no gráfico
Dp-gram que apresenta as amplitudes das respostas medidas (ver FIGURA 3.7). Neste, os
eixos das abscissas e ordenadas correspondem, respectivamente, a freqüência e
37

intensidade, onde a linha com legenda DP representa as amplitudes da EOA em cada
frequência e a linha com legenda NF corresponde ao registro do ruído de fundo do
ambiente em que o exame é realizado. L1 e L2 representam as intensidades utilizadas.
Foram realizados inicialmente, na condição de normalidade, ou seja, no 1º dia
de testes antes de todas as exposições (VCI, NPSE ou VCI+NPSE), dois exames de
EOAPD em cada voluntário de forma consecutiva e o valor médio foi utilizado como valor
de referência, para posterior comparação com os exames pós-exposições.

3.4 AVALIAÇÃO DAS QUEIXAS AUDITIVAS E EXTRA-AUDITIVAS
A fim de se investigar as prováveis queixas auditivas e extra-auditivas que
possam estar presentes após as exposições à VCI, NPSE ou a combinação destes dois
estímulos, utilizou-se como instrumento investigatório o questionário elaborado pela
pesquisadora, baseado em sintomas normalmente reportados na literatura. Este foi
preenchido duas vezes para cada tipo de estímulo, visto que foram aplicados em dois
momentos distintos como será descrito nos itens que se seguem (itens 3.5, 3.6 e 3.7).
Portanto, os questionários foram preenchidos logo após o primeiro e segundo momento de
cada estímulo. Tratou-se de um questionário objetivo, com opções de respostas que se
resumiam em sim ou não e que continha os sintomas tanto relacionados à audição (como
zumbido, dor de ouvido, entre outros); como relacionados à saúde em geral (como dor de
cabeça, dor na coluna, desatenção, cansaço, dentre outros). O modelo deste questionário
encontra-se no Anexo G.

3.5 EXPOSIÇÕES A VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO (VCI)
Os valores de VCI utilizado neste trabalho, tanto no que se refere à freqüência,
quanto à amplitude, foram baseados em situações cotidianas, ocupacionais e em pesquisas
similares a este trabalho (Manninen 1986, 1985, 1984, 1983a e 1983b; Manninen e
Ekblom, 1984; Seidel et al. 1992; Izumi, 2006) que serviram como base para a
metodologia utilizada.
Como mostrado no item 2.2, na maior parte deles, os valores de frequência
foram abaixo de 8 Hz. Balbinot (2001), Scarlett e Stayner (2005) e Rehn et al. (2005)
evidenciaram que para grande parte dos veículos em situações reais, a freqüência onde
ocorre o pico máximo de amplitude está em torno ou abaixo de 6 Hz.
38

É importante ressaltar que o Valor de Exposição Limite (ELV), recomendado
pela Diretiva Européia (2002) foi considerado para garantir a segurança dos voluntários.
Portanto, para a determinação do tempo e amplitude de vibração a serem utilizados,
respeitado o limite de ELV estabelecido pela Diretiva européia, usou-se a EQ. ((2.1))
repetida abaixo e a calculadora "Whole body vibration calculator" (HSE, 2006). Neste
caso, e foi igual a 2, por estar se procurando o valor de amplitude e não o valor dose de
vibração (VDV).
a
T1 = w 2
a w1

e


T2 (8h )


(2.1)

Esta calculadora consiste em uma planilha por meio da qual é possível
determinar a amplitude ou o tempo de vibração a ser utilizado equivalente a oito horas de
trabalho fixando-se a outra variável. Esta leva em consideração que quando existe mais de
um período de exposição, deve-se considerar o somatório de todas as exposições, conforme
mostrado no adendo de 2010 da norma ISO2631-1 de 1997 (ISO2631-1, 2010). Além
disto, esta fórmula foi reestruturada na ISO2631-1 (2010) para incluir a exposição nos 3
eixos perpendiculares, ou seja:

Al (8) = kl

1
2
a wli
Ti

T0 i

(3.1)

Onde:
awli = amplitude ponderada em freqüência rms, determinada em um período de tempo Ti
l = x, y, z
kl = 1,4 (eixos -x e -y) e 1 (eixo-z)
T0 = duração de referência 8h (28.800 s)
Na ISO2631-1 (2010) existe uma menção explícita que para ambientes ocupacionais
os resultados devem ser comparados aos valores legais como aqueles estabelecidos na
Diretiva Européia (2002). Além disto, nesta é mencionado que para avaliações de saúde,
deve-se considerar o eixo com maior amplitude.
Então, levando-se em consideração a EQ.(3.1) e a planilha de cálculo mencionada
acima, foi estipulado um tempo de 18 minutos para cada exposição, sendo que cada
voluntário foi submetido a duas exposições de VCI com amplitude de 2,12 m/s2 rms no
39

eixo Z e intervalo de 10 minutos entre elas. Desta maneira, considerando que a excitação é
aplicada no eixo-z, utilizando o T1 = 18 min e o aw1 = 2,12 m/s2 na EQ. (3.1) chega-se a um
aw2 = 0,41 m/s2 para a primeira exposição e um aw2 = 0,58 m/s2 para a segunda exposição.
Desta forma, 1ª exposição foi inferior ao valor de EAV (valor de exposição para ação) de
0,5 m/s2 e a 2ª exposição foi inferior ao valor de ELV (valor de exposição limite) de 1,15
m/s2 indicados na Diretiva Européia, garantindo assim a segurança dos voluntários. Além
disto, com estes dois níveis de exposição total, é possível se comparar os resultados
encontrados com aqueles obtidos na pesquisa de Izumi (2006), que também utilizou um
valor de exposição total inferior ao EAV, e na pesquisa de Manninen (1984, 1985), que
utilizou valores de exposição total superiores ao EAV.
3.5.1

Descrição dos equipamentos e dos testes de VCI
Utilizou-se uma plataforma vibratória composta por uma chapa de aço com

dimensões 750 x 1000 x 3 mm e bordas dobradas, apoiada sobre quatro molas de
compressão também de aço com diâmetro médio da espira de 76 mm, altura de 350 mm,
diâmetro do arame de 6 mm e 9 espiras. As molas eram guiadas por tubos de PVC externos
a um tubo de aço soldado em uma base plana de metal de modo a garantir o movimento
vertical da mola. O excitador da marca Dynamics Solution®, modelo VTS150, foi
instalado sob a chapa. Para transmitir o movimento do excitador à chapa, usou-se uma
haste de aço que garantiu a transmissão contínua da oscilação do excitador para a chapa,
uma vez que estava fixada tanto no excitador quanto na chapa. Em cima dessa montagem
apoiou-se uma cadeira metálica, com assento e encosto de madeira sem qualquer
acolchoamento, onde o voluntário permaneceu sentado.
Um desenho esquemático da montagem pode ser visto na FIGURA 3.8, assim
como uma foto da mesma na FIGURA 3.9.

40

FIGURA 3.8 ­ Desenho esquemático do sistema vibratório

FIGURA 3.9 ­ Foto da montagem

O sinal senoidal de 5 Hz foi gerado por uma placa de aquisição de sinais NI
SPEEDY 33 e amplificado por dois amplificadores (Crown
Crown Amplifier® CE2000 e Bruel
&Kjaer, modelo 2718) devido a potência necessária
necessária para excitação. Em seguida este sinal
era transmitido ao excitador.
excita
Para evitar superaquecimento do excitador, foi utilizado um
sistema de ventilação (Blower
Blower)) que ficou ligado durante todo o teste. Sobre o assento da
cadeira colocou-se
se um acelerômetro
acelerômet tri-axial
axial APTechnologies® AP5213 embutido em
adaptador de assento padronizado e ligado a um analisador de sinais de quatro canais com
ponderações da norma ISO 2631-1
2631 (1997) para vibrações de corpo inteiro,
inteiro modelo Maestro
da marca 01dB,, que foi utilizado para verificar o nível de amplitude que estava sendo
enviado ao voluntário durante os testes.
testes. Sob o assento da cadeira colocou-se
colocou
um
acelerômetro mono-axial
axial (acelerômetro de controle) e o sinal medido por esse
acelerômetro seguia para um condicionador de sinais PCB Piezotronics ­ model 482A22.
41

Após ser condicionado o sinal seguia para a placa de aquisição de sinais NI SPEEDY 33
fechando assim a malha de controle. Essa placa também estava conectada a um
computador tornando possível monitorar todo o sistema e fazer, quando necessário,
modificações em alguns parâmetros de controle (como ganho do controlador, valor de
referência) ou de excitação (como freqüência), dentre outros. Uma descrição mais
detalhada sobre os equipamentos pode ser vista no Anexo H.
Nas exposições a VCI isolada, os voluntários utilizaram protetores auriculares
da marca Elvex (ver Anexo I para detalhes), para garantir que o efeito auditivo medido
fosse resultado exclusivo da VCI, sem interferências de ruído externo, visto que o sistema
de ventilação (Blower) gera um ruído em torno de 70 dB.
Na exposição à VCI isolada, o voluntário (sempre utilizando o protetor
auricular) permaneceu sentado na cadeira posicionada sobre a plataforma vibratória
descrita acima. Após os 18 minutos de estimulação o voluntário seguia para a realização
dos exames auditivos comparativos, audiometria e EOAPD, respectivamente, e
preenchimento do questionário sobre sintomas auditivos/extra-auditivos. Após dez minutos
o voluntário retornava para a plataforma e, novamente, após 18 minutos de estimulação
seguia para os mesmos exames auditivos comparativos finais e preenchimento do
questionário.

3.6 EXPOSIÇÕES A NPSE (RUÍDO)
O nível de ruído utilizado foi determinado baseado em normas ocupacionais
que determinam um valor limite de exposição em função do tempo de exposição de modo
a se ter preservada a saúde auditiva. Além disto, de modo a permitir uma comparação com
estudos semelhantes a este trabalho (Manninen 1986, 1985, 1984, 1983a e 1983b; Seidel et
al. 1992; Izumi, 2006) os níveis utilizados foram similares. Porém deve-se ressaltar que o
objetivo do trabalho é verificar a ocorrência de MTL diante do NPSE e, portanto, utilizouse um valor onde pretendia-se que tal fenômeno estivesse presente.
De acordo com a Fundacentro ­ Norma de Higiene Ocupacional ­ NHO
(2001), os valores de exposição diária de um trabalhador em ambientes com ruído é
calculado considerando como referência uma dose diária de 100% de exposição a valores
de 85 dB(A) durante 8 horas de trabalho. A TABELA 3.1 apresenta a relação do tempo
máximo diário de exposição permissível em função do nível de ruído apresentado nesta
norma.
42

Nesta pesquisa, assim como foi feito para a VCI, para o NPSE também foram
realizadas duas exposições com intervalo de 10-12 minutos. Cada exposição à NPSE
correspondeu a 96 dB(A) durante 18 minutos, sendo esse nível equivalente a uma dose
diária de 100%. Ressalta-se que o nível utilizado nesta pesquisa seguiu os padrões
estipulados pela Fundacentro (2001), que são muito menores que os níveis estabelecidos
pela NR-15 (Ministério do Trabalho/Brasil, 1978). Dessa forma, a segurança dos
voluntários foi garantida. O ruído selecionado foi de banda larga do tipo ruído branco,
onde a energia sonora é distribuída uniformemente ao longo do espectro de freqüências
audíveis (20 a 20000 Hz) em intensidades equivalentes (Everest, 2001). A utilização do
ruído branco foi com o objetivo de permitir a estimulação da cóclea de forma uniforme a
fim de averiguar os efeitos em uma grande gama de freqüências. Além disto, este ruído
abrange também aqueles encontrados em ambientes industriais, além de que estudos
anteriores também utilizaram o mesmo tipo de ruído (Manninen, 1983a, 1983b, 1984,
1985, 1986; Figueiredo, 2003, Zhu et al., 1997), o que facilita a comparação.
TABELA 3.1 - Exposição permissível em função do nível de ruído

Nível de ruído dB(A)
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
100

Tempo máximo diário
permissível (Tn) [minutos]
1.523,90 (25h:23min:54s)
1.209,52 (21h:30min:31,2s)
960,00 (16h)
761,95
604,76
480,00 (8h)
380,97
302,38
240,00 (4h)
190,48
151,19
120,00 (2h)
95,24
75,59
60,00 (1h)
47,62
37,79
30,00 (1/2h)
23,81
18,89
15,00 (1/4h)

FONTE ­ Fundacentro (2001).

43

O sinal do ruído de banda larga foi gravado através de um computador para um
MP3 player e transmitido ao mesmo audiômetro utilizado nos exames de audiometria tonal
(AC33- Interacoustics). O audiômetro recebeu o sinal ruidoso, ajustou sua intensidade e
transmitiu esse sinal aos fones do tipo TDH-39 devidamente regulados e calibrados.
Nas exposições à NPSE, o voluntário após os 18 minutos de estimulação
seguia para a realização dos exames auditivos comparativos, audiometria e EOAPD
respectivamente, e preenchimento do questionário sobre sintomas auditivos/extraauditivos. Após dez minutos o voluntário retornava para a plataforma e, novamente, após
18 minutos de estimulação seguia para os mesmos exames auditivos comparativos finais e
preenchimento do questionário.

3.7 EXPOSIÇÕES A NPSE E VCI SIMULTANEAMENTE
Na estimulação combinada foram utilizados os mesmos equipamentos e as
mesmas características (nível e duração) de vibração e ruído usados nas exposições
isoladas.
Nas duas exposições a NPSE associado à VCI o voluntário recebeu a
estimulação auditiva (NPSE) concomitantemente à estimulação de VCI e após os 18
minutos de estimulação, o voluntário seguia para a realização dos exames auditivos
comparativos, audiometria e EOAPD, e preenchimento do questionário sobre sintomas
auditivos/extra-auditivos. Após dez minutos, o voluntário retornava para a plataforma e,
novamente, após 18 minutos da estimulação combinada, seguia para a realização dos
mesmos exames auditivos comparativos finais e preenchimento do questionário.

44

4

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Neste capítulo serão apresentados os testes estatísticos utilizados, os resultados
encontrados e suas respectivas discussões. Serão mostradas as considerações sobre o
tamanho da amostra e outros aspectos necessários para execução e interpretação das
análises estatísticas. Serão apresentados tanto os resultados dos exames auditivos, quanto
das queixas auditivas e extra-auditivas encontradas após cada exposição aos agentes físicos
estudados (VCI, NPSE ou a combinação NPSE + VCI).

4.1 JUSTIFICATIVA PARA O TAMANHO DA AMOSTRA
Houve grande dificuldade para a composição da amostra, já que para a
participação nesta pesquisa foi necessário o comparecimento dos voluntários em três dias
distintos, além de haver também os limitadores de idade e doenças auditivas pregressas que
excluíram voluntários da amostra.
Além disto, não houve nenhum tipo de ressarcimento aos voluntários que
participaram da pesquisa.
Porém, como estava previsto ressarcimento ao hospital onde foram realizados
os exames, houve necessidade de se limitar o número de voluntários a um mínimo
imprescindível para se poder atingir os objetivos mínimos do trabalho.
Desta forma, conseguiu-se uma amostra composta por 19 voluntários, sendo 10
homens e 9 mulheres (de modo a se comparar também os resultados entre gênero). Os
testes estatísticos utilizados nesta pesquisa para análises dos dados são adequados para
pequenas amostras, apresentando assim resultados confiáveis para os dados coletados.
Além disto, pode-se perceber que a grande maioria dos trabalhos nesta área de
VCI envolve em torno de 8-30 voluntários (Rakjeda et al. 2010), estando portanto, a
amostra escolhida dentro deste intervalo.

4.2 TESTES ESTATÍSTICOS
Para as análises estatísticas apresentadas nesta pesquisa, foi utilizado o
Software Estatístico SPSS® versão 18.0.
Entretanto, antes da explanação sobre os testes estatísticos utilizados julga-se
necessário esclarecer os tipos de dados analisados e seus tratamentos para uma correta
45

análise estatística. Os dados obtidos dos exames auditivos, audiometria e emissão
otoacústica por produto de distorção, em decibels - dB(A) e dB(NPS) - estão em escala
logarítmica, e como para o software estatístico usado não há como informá-lo que os dados
estão nesta escala, para não se cometer erros de análise usando a escala errada, foi
necessário mudá-la de logarítmica para linear (Izumi, 2006). Dessa forma, o software
estatístico que está adequado para analisar dados em escala linear, o fará corretamente não
prejudicando a obtenção de resultados estatisticamente corretos. Para a conversão dos
resultados audiométricos em dB(A) para valores lineares utilizou-se a EQ. (4.1):
Valor linear = 0,00002 x 10 ((dBA ­ ponderação)/20)

(4.1)

Sendo que os valores de ponderação são específicos e dados para cada
freqüência avaliada, conforme mostrado na EQ. (4.2) (Izumi, 2006; Wolfe, 2006), onde f é
a freqüência linear em questão (em Hz). O valor 0,00002 acima corresponde ao valor de 20
µPa mostrado na EQ. (2.3) para conversão de dB(A) para dB(NPS) inicialmente.

ponderação =

12200 2 f 4
( f 2 + 20,6 2 ) ( f 2 + 12200 2 ) ( f 2 + 107,7 2 ( f 2 + 737,9 2 )

(4.2)

Para a conversão dos resultados da EOA em dB(NPS) para valores lineares
utilizou-se a EQ. (4.3):
Valor Linear = 10 dBNPS/20

(4.3)

Inicialmente realizou-se o teste estatístico de normalidade Shapiro-Wilk que é
usado para determinar se um conjunto de dados de uma dada variável aleatória, é bem
modelada por uma distribuição normal ou não (Vieira, 1980). No caso desta pesquisa este
teste verificou se as amostras dentro dos exames de audiometria e de emissão otoacústica
seguiam uma distribuição normal. Foi observado que a amostra para o exame de
audiometria não seguiu a distribuição normal, mas para o exame de emissão otoacústica a
amostra se enquadrou na normalidade. Diante disso, testes estatísticos diferentes foram
usados para ambos os exames auditivos, ou seja, testes não-paramétricos para a
audiometria e testes paramétricos para EOA.
Para análise estatística dos dados relacionados aos sintomas auditivos e extraauditivos, dados obtidos pelo exame de audiometria e para constatação se houve diferenças
estatísticas entre orelha direita e esquerda utilizou-se o teste não-paramétrico de Wilcoxon.
De acordo com (Siegel, 1975 e Vieira, 1980, 2004), o teste não paramétrico de Wilcoxon é

46

adequado para populações que não se enquadram no padrão de distribuição normal, para
amostras pequenas e dependentes e para comparação de dados pareados que é exatamente
o caso dos dados desta pesquisa citados neste parágrafo. Este teste estatístico realiza as
análises baseando nos valores de mediana da amostra.
Já para análise estatística dos dados relacionados ao exame de emissão
otoacústica utilizou-se o teste estatístico paramétrico T de Student para observações
pareadas que baseia suas análises considerando as médias. Todo teste paramétrico exige
que as amostras tenham distribuição normal, especialmente se tiverem uma dimensão
inferior a 30. Além disso, o teste T de Student permite comparações de dados par a par e de
dados pertencentes aos mesmos indivíduos expostos a mais de uma situação, a fim de
verificar os efeitos antes e após algum tratamento (Vieira, 1980).
Para verificar se houve diferenças entre os sexos nos exames de audiometria e
EOA em todas as freqüências utilizou-se o teste de Mann-Whitney. Este teste estatístico é
aplicado para duas amostras independentes e pequenas como é caso da comparação entre
sexos e realiza as análises se baseando nos valores de mediana (Vieira, 2004).
Para os três testes estatísticos (Wilcoxon, T de Student e Mann-Whitney) foram
consideradas:
·

hipótese nula (H0): ausência de diferenças entre os resultados dos exames;

·

hipótese alternativa (H1): presença de diferença estatisticamente significante entre os
resultados.
Os resultados significativos foram representados pelo nível de significância

igual ou menor a 0,05 (p-valor), ou seja, o nível de confiança dos resultados que forem
significativos é de 95%.
Para os exames de audiometria, H1 consiste em pesquisar se o exame pós-teste
apresentou limiares maiores do que a referência, ou seja, VCI, NPSE ou NPSE+VCI >
referência. Já para os exames de EOAs o contrário é verdadeiro, ou seja, H1 pesquisa se o
exame pós-teste apresentou resultados menores do que a referência, uma vez que para esse
exame, se busca a diminuição na amplitude da resposta da orelha após o estímulo, ou seja,
VCI, NPSE ou NPSE+VCI < referência.
Os resultados também serão apresentados em gráficos chamados "Boxplots",
onde há a representação dos valores medidos em quartis de variação. Este tipo de gráfico é
útil na representação das medidas obtidas nesta pesquisa uma vez que além dos quartis, ele
representa também os valores extremos da amostra (Triola, 1999).

47

4.3 ANÁLISES ESTATÍSTICAS
4.3.1

Entre Gênero Feminino e Masculino
Optou-se neste tipo de análise verificar se houve diferença estatisticamente

significativa entre os gêneros, apenas para os valores obtidos como referência, tanto para
os exames de audiometria quanto de EOA. Conforme já mencionado a população estudada
consistiu de 10 homens e 9 mulheres. O teste estatístico utilizado para tal análise como
mencionado na seção anterior foi o teste não-paramétrico de Mann Whitney.
A TABELA 4.1 e a TABELA 4.2 apresentam o resultado da análise estatística
para os valores auditivos de referência detectados pela audiometria e EOA,
respectivamente, para comparação entre o sexo feminino e masculino. Nestas, a hipótese
H1 refere-se à presença de diferenças entre a audição de homens e mulheres nos exames de
referência.
Analisando estas tabelas, foi observado neste estudo que não há diferença entre
audição de homens e mulheres em condições normais, ou seja, sem exposição a nenhum
tipo de agente físico, corroborando com os achados de Sahyeb, Costa Filho e Alvarenga
(2003); Retamal et al. (2004) e Barbosa de Sá et al. (2007). Por isso nesta pesquisa as
análises estatísticas subseqüentes foram realizadas considerando-se a amostra como um
todo, ou seja, homens e mulheres juntos. Desta forma, o tamanho da amostra para as
demais análises estatísticas, ou seja, verificação da influência dos vários agentes físicos
(VCI, NPSE ou combinação), momentos da exposição e orelha, torna-se maior, pois serão
analisados os 19 voluntários conjuntamente.
A literatura é controversa quanto à existência de diferença entre a audição de
homens e mulheres sendo que há estudos que observam diferença entre gêneros como os
de Oda, Bernardi e Azevedo (2003); Martinho, Zeigelboim e Marques (2005); Silva e
Feitosa (2006) e Carvalho et al. (2007), mas outros, como os citados acima, não encontram
tal diferença. Acredita-se que para se alcançar resultados fidedignos e conclusivos quanto à
existência ou não de diferença entre a audição de homens e mulheres, uma amostra grande
e consideravelmente representativa da população deva ser utilizada nas pesquisas.

48

TABELA 4.1 - Análise estatística dos limiares auditivos de referência para o exame de audiometria,
comparação entre gênero.
H1= existe diferença entre limiares auditivos do sexo masculino e feminino para Audiometria
Resultados
Mediana
Mediana
sexo
sexo
feminino
masculino
7,854
5,683
7,854
6,427
5
6,427

Frequência

n
Feminino

n
Masculino

P-valor

250 Hz

9

500 Hz
750 Hz

9
9

10
10
10

0,642
0,582
0,737

1000 Hz

9

10

0,473

2,854

6,427

Não

2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

9
9
9
9
9

10
10
10
10
10

0,108
0,538
0,698
1
0,38

0
5
5
7,854
10

5
0
2,854
6,427
10,683

Não
Não
Não
Não
Não

Conclusão
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Mann Whitney.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.2 - Análise estatística das amplitudes de referência para o exame de EOA, comparação entre
gênero
H1= existe diferença entre valores auditivos do sexo masculino e feminino para EOA
Resultados

Frequência
750 Hz
984 Hz
1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

n
n
Feminino Masculino
8
8
9
9
9
9
9
8

5
10
10
10
10
10
9
9

P-valor
0,558
0,79
0,744
0,165
0,568
0,191
0,102
0,441

Mediana sexo Mediana sexo
feminino
Masculino
8,077
10,105
10,227
10,502
7,082
10,5
4,009
2,084

7,767
6,986
11,8
7,657
5,387
6,08
-2,991
1,257

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Mann Whitney.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

4.3.2

Interaural
Novamente, analisou-se se há diferenças significativas entre os valores

auditivos apenas dos exames de referência da orelha direita e esquerda, tanto para

49

audiometria, quanto EOAPD. O teste estatístico de Wilcoxon foi utilizado para tal análise
como mencionado na seção 4.2.
A TABELA 4.3 e a TABELA 4.4 apresentam o resultado da análise estatística
entre as orelhas para os exames de audiometria e EOA, respectivamente. Nestas, a hipótese
H1 refere-se à presença de diferenças entre a audição da orelha direita e esquerda.
Observou-se que para o exame de audiometria tonal não houve diferença
estatística entre os limiares auditivos da orelha direita e esquerda corroborando com os
achados de Corrêa Filho et al. (2002); Sahyeb, Costa Filho e Alvarenga (2003); Retamal et
al. (2004) e Carvalho et al. (2007).
Entretanto, para os exames de EOAPD verificou-se diferença estatisticamente
significativa entre os valores de amplitude das respostas das emissões otoacústicas da
orelha direita e esquerda somente nas freqüências de 3984 Hz e 6000 Hz. A orelha
esquerda apresentou mediana superior quando comparada com a orelha direita em 3984 Hz
e a orelha direita apresentou valor de mediana maior que a orelha esquerda em 6000 Hz.
Para a freqüência de 3984 Hz e 6000 Hz na orelha esquerda a mediana foi de 9,46
dB(NPS) e 1,72 dB(NPS) respectivamente. Para a orelha direita constatou-se os seguintes
valores de mediana, 8,80 dB(NPS) em 3984 Hz e 2,13 dB(NPS) em 6000 Hz.
TABELA 4.3 - Análise estatística dos limiares auditivos de referência para o exame de audiometria,
comparação entre orelhas direita (OD) e esquerda (OE)
H1= existe diferença entre limiares auditivos da orelha direita e esquerda para Audiometria
Resultados
Mediana
Mediana
orelha
orelha
P-valor
Conclusão
Frequência
n
direita
esquerda
250 Hz

19

500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

19
19
19
19
19
19
19
19

0,277
0,776
0,438
0,9
0,407
0,76
0,932
0,124
0,246

6,36
7,85
5
5
2,85
2,85
2,85
7,85
10

5
6,36
2,85
5
2,85
0
5
10
10

Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

50

TABELA 4.4 - Análise estatística dos amplitudes de referência para o exame de EOA, comparação entre
orelhas direita (OD) e esquerda (OE)
H1= existe diferença entre valores auditivos da orelha direita e esquerda para EOA

Frequência

n

P-valor

750 Hz
984 Hz
1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

19
19
19
19
19
19
19
19

0,638
0,569
0,327
0,642
0,811
0,01 *
0,02 *
0,906

Resultados
Mediana
Mediana
orelha
orelha
direita
esquerda
8,38
9,17
11,45
10
6,42
8,8
2,13
1,41

6,01
8,9
11,31
9,8
7,08
9,46
1,72
1,26

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Não
Sim - OE > OD
Sim - OD > OE
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

A literatura também é bastante controversa quanto à definição se existe ou não
diferença entre a audição da orelha direita e esquerda. Não foram encontrados estudos que
avaliavam diferença entre orelha direita e esquerda utilizando o exame de EOAPD, mas
houve estudos utilizando principalmente audiometria de alta freqüência que encontraram
diferença entre orelha direita e esquerda (Oda, Bernardi e Azevedo, 2003; Martinho,
Zeigelboim e Marques, 2005; Lopes et al., 2007; Barbosa de Sá et al., 2007 e Santos e
Ferreira, 2008).
Dessa forma, como para o exame de audiometria não se observou nos limiares
de referência diferença significativa entre as orelhas, optou-se então, por considerar nas
análises estatísticas os limiares auditivos da orelha direita. Como para o exame de EOAPD
foi observado diferença significativa entre as orelhas nas freqüências de 3984 Hz e 6000
Hz, então, optou-se por realizar somente na freqüência de 3984 Hz as análises estatísticas
considerando a orelha esquerda, já que esta apresentou melhores valores de amplitudes.
Entretanto, para as demais freqüências optou-se por considerar nas análises a orelha direita.
Isto porque no caso de 6000 Hz por esta orelha ter apresentado melhores valores de
amplitude e, nos demais casos, pelo fato da orelha direita ter apresentado um menor
número de ausência de respostas no exame de EOAPD (dos voluntários conforme descrito
no item 3.3.3) quando comparada com a orelha esquerda.

51

4.3.3

Após as exposições à VCI isolada
Nesta seção serão apresentados os resultados das análises estatísticas e as

respectivas discussões para os exames de audiometria e EOAPD dos indivíduos expostos à
VCI isolada. Deve-se lembrar que, conforme mostrado nos itens 4.3.1 e 4.3.2, serão
considerados na amostra toda a população estudada e, para a maioria dos casos, os valores
obtidos para os exames realizados na orelha direita apenas. Além disto, por se tratar de
amostra pareada não paramétrica para a audiometria foi utilizado o teste de Wilcoxon que
analisa as medianas e para a EOA, como é pareado paramétrico, foi utilizado o teste T de
Student que analisa as médias, conforme mencionado no item 4.2
Abaixo segue a TABELA 4.5 e a TABELA 4.6 relativas aos resultados das
análises estatísticas dos exames de audiometria e EOAPD, respectivamente, após a 1ª
exposição à VCI isolada. Em seguida, a TABELA 4.7 e a TABELA 4.8 apresentam os
resultados para os mesmos tipos de análise, porém, considerando agora a 2ª exposição à
VCI isolada. Todos estes resultados foram comparados com os valores obtidos para os
exames de referência. Nas tabelas são apresentados os p-valores e quando o teste for não
paramétrico (audiometria) as medianas referentes à referência e ao pós exposição, e
quando o teste for paramétrico (EOA) as médias referentes à referência e ao pós exposição.
Deste modo é possível verificar tanto a influência deste tipo de agente físico (VCI), quanto
do momento de exposição. Isto porque, para o momento, na 1ª exposição o nível de
vibração equivalente à 8h foi inferior ao EAV da Diretiva Européia (2002) e na 2ª
exposição este valor foi ultrapassado (ver item 3.5). Antes da análise dos resultados, devese observar que o tamanho da amostra utilizado para as análises estatísticas dos exames de
EOA muitas vezes foi inferior a 19 voluntários (total utilizado). Isto porque para alguns
voluntários existiu ausência de respostas auditivas no exame de referência, o que é natural
de acontecer, conforme mostrado no item anterior, apesar da orelha escolhida ter sido
aquela onde foi encontrado o maior número de respostas. Por isso o número de voluntários
em cada exame e em cada freqüência pesquisada está representado claramente nas tabelas.
Observou-se que a 1ª e 2ª exposição à VCI, no nível, frequência e duração
utilizados (a saber, eixo-z, 2,12 m/s2, 5 Hz e 18 minutos cada exposição, com 10 minutos
de intervalo entre elas), não ocasionou alteração auditiva estatisticamente significativa em
relação aos valores medidos como referência. Estes achados corroboram com os estudos de
Yokoyama, Osako e Yamamoto (1974); Hamernik et al. (1980); Manninen e Ekblom
(1984); Hamernik et al. (1989); Seidel et al. (1992); Soliman et al. (2003) e Izumi (2006)

52

que também ao pesquisarem os efeitos da VCI na audição humana e em animais não
observaram mudança significativa.
TABELA 4.5 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria após 1ª exposição à VCI isolada
em relação aos valores de referência

H1= 1ª Exposição à VCI > Referência

P-valor

Resultados
Mediana Mediana 1ª
Conclusão
Referência
VCI

Frequência

n

250 Hz

19

0,983

6,37

5

Não

500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

19
19
19
19
19
19
19
19

0,669
0,572
0,099
0,813
0,172
0,269
0,286
0,501

7,85
5
5
2,85
2,85
2,85
7,85
10

5
5
5
5
0
5
10
10

Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.6 - Análise estatística comparando os resultados da EOA após 1ª exposição à VCI isolada em
relação aos valores de referência

H1= 1ª exposição à VCI < Referência
Resultados
P-valor

Média
Referência

Média 1ª
VCI

Conclusão

Frequência

n

750 Hz

13

0,862

6,83

6,92

Não

984 Hz

18

0,614

8,77

8,87

Não

1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

19
19
19
19
18
17

0,26
0,848
0,575
0,849
0,338
0,611

10,29
8,57
5,3
8,83
-0,82
-0,33

11,11
8,53
5,91
7,7
-1,63
-2,82

Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível
de significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

53

TABELA 4.7 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria após 2ª exposição à VCI isolada
em relação aos valores de referência

H1= 2ª Exposição à VCI > Referência

P-valor

Resultados
Mediana
Mediana 2ª
Referência
VCI

Conclusão

Frequência

n

250 Hz

19

0,601

6,37

5

Não

500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

19
19
19
19
19
19
19
19

0,223
0,834
0,147
0,619
0,608
0,078
0,381
0,776

7,85
5
5
2,85
2,85
2,85
7,85
10

5
5
5
0
5
0
10
10

Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o
nível de significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.8 - Análise estatística comparando os resultados da EOA após 2ª exposição a VCI isolada em
relação aos valores de referência
H1= 2ª exposição à VCI < Referência
Resultados
P-valor

Média
Referência

Média 2ª VCI Conclusão

Frequência

n

750 Hz

13

0,637

6,83

7,28

Não

984 Hz

18

0,88

8,77

8,4

Não

1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

19
19
19
19
18
17

0,581
0,864
0,999
0,71
0,77
0,212

10,29
8,57
5,3
8,83
-0,82
-0,33

10,63
8,14
5,02
7,74
-0,43
-1,9

Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível
de significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

Yokoyama, Osako e Yamamoto (1974) concluíram que a VCI pode não alterar
ou pode piorar a audição dependendo dos níveis utilizados, sendo importante observar

54

também se a freqüência de vibração utilizada equivale à freqüência de ressonância da
região estimulada, ou seja, região da orelha/cabeça/pescoço no caso deste estudo. Isto
porque na freqüência de ressonância, mesmo sendo utilizadas amplitudes menores de VCI,
podem ser observadas alterações auditivas leves, como foi verificado por Yokoyama,
Osako e Yamamoto (1974). Sendo assim, acredita-se que o nível de VCI utilizado nesta
pesquisa não foi suficiente para ocasionar alteração temporária da audição de forma
significativa. Vários estudos biodinâmicos apontam a freqüência de ressonância da cabeça
como sendo em torno de 25 Hz (Anflor, 2003; Bruel&Kjaer, 1982) e a freqüência do
ombro na faixa de 4-5 Hz (Anflor, 2003; B&K, 1982). Porém, não foram encontrados
valores para a frequência de ressonância da orelha ou pescoço. Entretanto, estudos
mostram que a maior transmissibilidade assento-cabeça para indivíduos sentados está na
faixa de 4-6 Hz (Rakajeda et al, 2010), faixa esta que inclui a freqüência utilizada no
presente estudo.
Entretanto, há na literatura estudos que observaram alterações auditivas após
exposição à VCI (Okada et al., 1972; Manninen e Ekblom, 1984; Manninen, 1985;
Bochnia et al., 2005 e Izumi, Mitre e Duarte, 2006). Porém destes cinco estudos que
observaram tal alteração, três (Okada et al.1972; Manninen e Ekblom 1984 e Bochnia et al.
2005) utilizaram níveis totais de exposição à VCI superiores ao usado nesta pesquisa,
conforme mostrado no item 2.2. Além disso, Okada et al.(1972) observaram que quanto
maior a amplitude da vibração, maior é a alteração auditiva, sendo que em amplitudes
baixas pode ser que não seja detectada piora auditiva significativa.
Portanto, considerando-se que os níveis totais de exposição à VCI adotados
estão abaixo dos valores de ELV (Valor Limite de Exposição) estabelecidos pela Diretiva
Européia (2002) como sendo seguros para saúde, pode-se considerar que para perda
auditiva, tal valor realmente parece ser seguro para a freqüência de vibração considerada.
Entretanto, cabe ressaltar que os valores de ELV estabelecidos pela Diretiva Européia
(2002) são geralmente obtidos considerando-se todas as frequências presentes na faixa de
interesse do estudo, ou seja, de 0,5 ­ 100 Hz para VCI (ISO 2631-1, 1996) e não apenas
em um valor como foi o adotado nesta pesquisa que utilizou metodologia similar aos
demais estudos encontrados. Desta forma, pode ser que para outros valores de frequência o
mesmo não ocorra.

55

4.3.4

Após as exposições ao NPSE isolado
Nesta seção serão apresentados os resultados e as discussões dos resultados dos

exames de audiometria e EOAPD dos indivíduos expostos ao ruído isolado, observando-se
os mesmos comentários feitos para as análises estatísticas quando da exposição à VCI
isolada (item 4.3.3).
Abaixo segue a TABELA 4.9 e a TABELA 4.10 relativas aos resultados das
análises estatísticas dos exames de audiometria e EOAPD, respectivamente, após a 1ª
exposição ao ruído isolado. Em seguida a TABELA 4.11 e a TABELA 4.12 apresentam os
resultados dos mesmos tipos de análise, porém, considerando agora a 2ª exposição ao
ruído. Como no caso da VCI isolada, todos os resultados apresentados foram comparados
com os valores obtidos para os exames de referência. Deste modo é possível verificar tanto
a influência deste tipo de agente físico (NPSE), quanto do momento de exposição. Isto
porque, para o momento, na 1ª exposição o nível de ruído equivalente à 8h foi inferior ao
estabelecido por norma (Fundacentro, 2001) e na 2ª exposição este valor foi igualado (ver
item 3.6, TABELA 3.1). Antes da análise dos resultados, deve-se observar que novamente
o tamanho da amostra utilizado para as análises estatísticas dos exames de EOA em
algumas freqüências foi inferior a 19 voluntários que foi o total de voluntários utilizado.
Isto porque para alguns voluntários existiu ausência de resposta, conforme já mencionado,
apesar da orelha escolhida ter sido aquela onde foi encontrado o maior número de
respostas.
TABELA 4.9 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria após 1ª exposição ao NPSE
isolado em relação aos valores de referência
H1= 1ª Exposição à NPSE > Referência
Resultados
Frequência
250 Hz
500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

n
19
19
19
19
19
19
19
19
19

P-valor

Mediana
Referência

0,102
0,794
0,394
0,394
0,001*
0*
0*
0*
0,001 *

6,37
7,85
5
5
2,85
2,85
2,85
7,85
10

Mediana
1ª NPSE
5
5
5
10
10
15
20
25
20

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.

56

- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.10 - Análise estatística comparando os resultados da EOA após 1ª exposição ao NPSE isolado
em relação aos valores de referência
H1= 1ª exposição à NPSE < Referência
Resultados

Frequência

n

750 Hz
984 Hz
1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

13
18
19
19
19
19
18
17

P-valor

Média
Média 1ª
Conclusão
Referência NPSE

0,036 *
0,113
0,946
0,030 *
0,243
0,08
0,07
0,047 *

6,83

5,44

8,77

7,41

10,29
8,57
5,3
8,83
-0,82
-0,33

9,89
7,25
4,72
6,9
-2,14
-3,78

Sim
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Sim

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.11 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria após 2ª exposição ao NPSE
isolado em relação aos valores de referência

H1= 2ª Exposição à NPSE > Referência
Resultados
Frequência
250 Hz
500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

n
19
19
19
19
19
19
19
19
19

P-valor

Mediana
Referência

0,030 *
0,021 *
0,14
0,169
0*
0*
0*
0*
0,001 *

6,37
7,85
5
5
2,85
2,85
2,85
7,85
10

Mediana
Conclusão
2ª NPSE
10
Sim
10
Sim
10
Não
10
Não
15
Sim
15
Sim
25
Sim
25
Sim
20
Sim

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

57

TABELA 4.12 - Análise estatística comparando os resultados da EOA após 2ª exposição ao NPSE isolado
em relação aos valores de referência
H1= 2ª exposição à NPSE < Referência
Resultados

Frequência

n

750 Hz
984 Hz
1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

13
18
19
19
19
19
18
17

P-valor

Média
Referência

0,030*
0,222
0,118
0*
0,023 *
0,07
0,032 *
0,05 *

6,83

8,77
10,29
8,57
5,3
8,83
-0,82
-0,33

Média 2ª
Conclusão
NPSE
4,37
7,11
8,88
6,07
2,72
6,62
-2,91
-4,65

Sim
Não
Não
Sim
Sim
Não
Sim
Sim

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

Observou-se que na 1ª exposição ao ruído isolado no exame de audiometria
tonal (TABELA 4.9) houve alteração temporária do limiar auditivo (MTL) de forma
significativa na faixa de freqüência de 2000 Hz a 8000 Hz. Foram observadas maiores
mudanças auditivas nas freqüências de 4000 Hz cujos limiares de 50% da população
alcançaram 20 dB(A) e em 6000 Hz, 25 dB(A). A maior diferença entre os valores pósexposição e de referência ocorreu nestas duas freqüências sendo esta diferença de 17,15
dB(A). No exame de EOAPD (TABELA 4.10) foi constatada alteração auditiva
significativa apenas nas freqüências de 750 Hz, 2016 Hz e 7969 Hz. A maior redução da
amplitude auditiva, ou seja, diminuição desta, foi observada na freqüência de 7969 Hz que
apresentou diferença entre o valor pós-exposição e referência de -3,45 dB(NPS). Tal
acontecimento, ou seja, a piora significativa da audição nas freqüências agudas (3000,
4000, 6000 Hz) corresponde ao que se observa na audição de indivíduos expostos a ruído
ocupacional que desenvolvem perda auditiva induzida por ruído (PAIR), cuja característica
básica é a ocorrência da perda auditiva inicialmente nas freqüências agudas.
Na 2ª exposição ao ruído, no exame de audiometria (TABELA 4.11) observouse MTL significativa na mesma faixa de freqüência observada na 1ª exposição e também
nas freqüências de 250 Hz e 500 Hz. Foram observadas também as maiores mudanças
auditivas nas mesmas freqüências acometidas após a 1ª exposição, 4000 Hz e 6000 Hz
ambas com mediana de 25 dB(A). Entretanto, a maior diferença entre valor pós-exposição
58

e referência está na freqüência de 4000 Hz com 22,15 dB(A), enquanto na freqüência de
6000 Hz permanece a diferença de 17,15 dB(A). No exame de EOAPD (TABELA 4.12) as
mesmas freqüências também continuaram alteradas com a inclusão na 2ª exposição das
freqüências de 3000 Hz e 6000 Hz. Novamente na freqüência de 7969 Hz houve a maior
diminuição da amplitude das emissões otoacústicas sendo a diferença entre o valor pósexposição e a referência de -4,32 dB(NPS). Tais achados concordam com os estudos de
Yokoyama, Osako e Yamamoto (1974); Kan (1980); Manninen e Ekblom (1984);
Manninen (1984); Manninen (1985); Hamernik et al. (1989); Seidel et al. (1992); Engdahl
(1996); Araújo (2002); Soliman et al. (2003); Alvarenga et al. (2006); Izumi (2006);
Pfeiffer et al. (2007) e Gonçalves et al. (2009) que também verificaram alterações auditivas
em humanos e animais expostos a ruído isolado.
Verificou-se também que a maior parte das alterações nos limiares auditivos
foi nas freqüências agudas entre 2000 Hz e 8000 Hz. Tal achado concorda com Nudelmann
et al. (1997) que relataram ser possível no início das perdas auditivas ocupacionais a
detecção de alterações auditivas nas freqüências agudas e após anos de exposição, a
detecção de alterações auditivas também nas freqüências graves.
Fisiopatologicamente sabe-se que o ruído intenso causa rupturas mecânicas na
membrana basilar e nas células sensoriais auditivas com consequente lesões nas células
ciliadas externas (Barros et al. 2007). A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é
neurossensorial e atinge inicialmente as freqüências agudas, sendo geralmente as células
ciliadas externas as primeiras a serem lesadas (Vinck et al. 1999; Coelho et al. 2010),
portanto, como nesta pesquisa realizou-se a monitoração da mudança temporária da
audição o que aconteceu foram comprometimentos temporários das CCE's, o que
ocasionou no exame de EOAPD uma redução nas amplitudes das respostas das emissões
otoacústicas nas freqüências agudas.
É importante ressaltar que o nível de pressão sonora utilizado nesta pesquisa,
ou seja, 96 dB(A) durante 36 minutos (Fundacentro, 2001), foi inferior ao estipulado pela
NR-15 (Ministério do Trabalho/Brasil, 1978), que é de 104 dB(A) durante 35 minutos.
Como foi observado, tal valor já foi suficiente para ocasionar alterações auditivas
temporárias significativas. Dessa forma, é de extrema importância uma observação
atenciosa e rigorosa por parte dos profissionais de segurança do trabalho e empresários em
geral quanto à escolha e cumprimento de normas de segurança, pois até que ponto garantese a saúde auditiva de um trabalhador que diariamente permanece exposto a determinados
níveis de intensidade sonora que ocasionam alterações auditivas temporárias?

59

Abaixo segue a TABELA 4.13 e a TABELA 4.14 referentes à comparação da
1ª exposição versus a 2ª exposição ao ruído isolado, tanto para o exame de audiometria,
quanto para o exame de EOAPD, respectivamente. Tal comparação foi feita de forma a
verificar se há efeito cumulativo após as exposições. Considerou-se para audiometria como
H1 (ou seja, diferença estatisticamente significativa) a 2ª exposição ao NPSE > 1ª
exposição. Para EOAPD, H1 foi considerado como a 2ª exposição ao NPSE < 1ª exposição
ao NPSE.
Pôde-se verificar que a audição após a 2ª exposição à NPSE não foi
significativamente pior quando comparada com a 1ª exposição considerando-se tanto o
exame de audiometria quanto o de EOAPD. Tal achado corrobora com o estudo de
Manninen (1985) que observou não haver efeito cumulativo após três exposições à NPSE.
TABELA 4.13 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a 1ª e 2ª exposição ao
NPSE isolado

H1= 2ª Exposição à NPSE > 1ª Exposição à NPSE
Resultados
Mediana 1ª Mediana 2ª
P-valor
Frequência
n
NPSE
NPSE
250 Hz
19
0,181
5
10
19
0,077
5
10
500 Hz
750 Hz
19
0,598
5
10
1000 Hz
19
0,829
10
10
2000 Hz
19
0,383
10
15
3000 Hz
19
0,525
15
15
4000 Hz
19
0,373
20
25
6000 Hz
19
0,294
25
25
8000 Hz
19
0,345
20
20

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

60

TABELA 4.14 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 1ª e 2ª exposição ao NPSE
isolado
H1 = 2ª Exposição à NPSE < 1ª Exposição à NPSE
Resultados
Média 1ª
Média 2ª
n
P-valor
Frequência
NPSE
NPSE
750 Hz
13
0,27
5,44
4,37
984 Hz
7,11
18
0,99
7,41
1500 Hz
19
0,1
9,89
8,88
2016 Hz
19
0,06
7,25
6,07
3000 Hz
19
0,15
4,72
2,72
3984 Hz
19
0,28
6,9
6,62
6000 Hz
18
0,31
-2,14
-2,91
7969 Hz
17
0,73
-3,78
-4,65

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

4.3.5

Após exposição à combinação de VCI e NPSE
Nesta seção serão apresentados os resultados das análises estatísticas e suas

discussões para os exames de audiometria e EOAPD dos indivíduos expostos a
combinação de ruído e VCI. Os mesmos comentários feitos para as exposições isoladas à
VCI e NPSE continuam válidos.
Abaixo segue a TABELA 4.15 e a TABELA 4.16 relativas aos resultados das
análises estatísticas dos exames de audiometria e EOAPD, respectivamente, após a 1ª
exposição à NPSE+VCI em relação aos valores de referência. Em seguida a TABELA 4.17
e a TABELA 4.18 apresentam os resultados para o mesmo tipo de análise para os exames
de audiometria e o EOAPD, respectivamente, após a 2ª exposição à NPSE+VCI.
Observou-se que no exame de audiometria tonal após a 1ª e 2ª exposição à
NPSE+VCI houve alteração temporária do limiar auditivo de forma significativa em todas
as freqüências avaliadas (250 Hz - 8000 Hz). Foram observadas maiores mudanças
auditivas nas freqüências de 3000 Hz, 4000 Hz e 6000 Hz cujos limiares de 50% da
população alcançaram 15 dB(A), 20 dB(A) e 20 dB(A), respectivamente. A maior
diferença entre os valores auditivos pós-exposição e de referência ocorreu em 4000 Hz
sendo esta diferença de 17,15 dB(A). No exame de EOAPD após a 1ª exposição foi
constatada alteração auditiva significativa nas freqüências de 2016 Hz e 3984 Hz e após a
61

2ª exposição à NPSE+VCI, a alteração significativa continuou somente na freqüência de
3984 Hz. A maior alteração de amplitude auditiva, ou seja, diminuição desta, foi observada
na freqüência de 3984 Hz cuja amplitude média registrada após 1ª exposição foi 7,33
dB(NPS) e após 2ª exposição foi 6,21 dB(NPS). A maior diferença entre o valor pósexposição e referência ocorreu nesta freqüência de 3984 sendo esta diferença de -1,5
dB(NPS) após a 1ª exposição e -2,62 dB(NPS) após a 2ª exposição à combinação
NPSE+VCI. Estes achados corroboram com os estudos de Yokoyama, Osako e Yamamoto
(1974); Manninen (1983a); Manninen (1983b); Manninen e Ekblom (1984); Manninen
(1984); Manninen (1985); Manninen (1986); Hamernik et al. (1989); Seidel et al. (1992);
Pekkarinen (1995); Fernandes e Morata (2002); Soliman et al. (2003); Freitas e Nakamura
(2003); Silva e Mendes (2005); Izumi, Mitre e Duarte (2006) e Izumi (2006) que também
verificaram alterações auditivas em humanos e animais expostos a combinação de ruído e
VCI. Entretanto, não está sendo avaliado aqui qual o efeito da exposição combinada, se
sinérgico, antagônico, etc., conforme descrito no item 2.4. Tal avaliação será feita no item
4.3.6.
Como a VCI isolada não ocasionou alteração auditiva, supõe-se que as
alterações auditivas detectadas após as exposições combinadas (NPSE+VCI) sejam
devidas ao agente ocupacional ruído.
TABELA 4.15 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a 1ª exposição combinada
NPSE + VCI e o valor de referência

H1= 1ª Exposição à NPSE + VCI > Referência
Resultados

Frequência

n

250 Hz

19
19
19
19
19
19
19
19
19

500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

P-valor

Mediana
Referência

0,001 *
0,01 *
0,028 *
0,018 *
0*
0*
0*
0*
0,05 *

6,37
7,85
5
5
2,85
2,85
2,85
7,85
10

Mediana 1ª
Conclusão
NPSE+VCI
15
15
10
10
10
15
20
20
15

Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

62

TABELA 4.16 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 1ª exposição combinada NPSE
+ VCI e o valor de referência

H1= 1ª exposição à NPSE + VCI < Referência
Resultados

Frequência

n

750 Hz
984 Hz
1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

13
18
19
19
19
19
18
17

P-valor
0,339
0,308
0,271
0,003 *
0,109
0,007 *
0,469
0,506

Média
Referência

Média 1ª
Conclusão
NPSE+VCI

6,83

8,77
10,29
8,57
5,3
8,83
-0,82
-0,33

5,9
8,39
9,74
7,2
3,97
7,33
-1,71
-2,54

Não
Não
Não
Sim
Não
Sim
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.17 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a 2ª exposição combinada
NPSE + VCI e o valor de referência

H1= 2ª Exposição à NPSE + VCI > Referência
Resultados
P-valor
Frequência

n

250 Hz

19
19
19
19
19
19
19
19
19

500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

Mediana Mediana 2ª
Conclusão
Referência NPSE+VCI

0,002 *
0,037 *
0,05 *
0,05 *
0*
0*
0*
0*
0,007 *

6,37
7,85
5
5
2,85
2,85
2,85
7,85
10

10
10
10
10
10
15
20
20
20

Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

63

TABELA 4.18 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 2ª exposição combinada NPSE
+ VCI e o valor de referência

H1= 2ª exposição à NPSE + VCI < Referência
Resultados

Frequência

n

750 Hz
984 Hz
1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

13
18
19
19
19
19
18
17

P-valor

Média
Média 2ª
Conclusão
Referência NPSE+VCI

0,336
0,902
0,802
0,053
0,298
0,007 *
0,108
0,138

6,83

8,77
10,29
8,57
5,3
8,83
-0,82
-0,33

5,74
8,98
10,51
7,84
5,19
6,21
-1,81
-3,42

Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

Abaixo segue a TABELA 4.19 e a TABELA 4.20 referentes à comparação da
1ª exposição versus a 2ª exposição à NPSE+VCI tanto para o exame de audiometria quanto
para o exame de EOAPD, respectivamente. Para verificar se há efeito cumulativo após as
exposições, adotou-se para audiometria H1 como sendo a 2ª exposição à NPSE+VCI > 1ª
exposição, e para EOAPD, H1 como sendo a 2ª exposição à NPSE+VCI < 1ª exposição à
NPSE+VCI.
Verificou-se a confirmação da hipótese H1, apenas na freqüência de 6000 Hz,
onde o limiar auditivo foi significativamente pior após a 2ª exposição à NPSE+VCI
considerando-se o exame de audiometria, evidenciando o efeito cumulativo. Tal achado
corrobora com os estudos de Manninen (1983a e 1985) que observaram maiores valores de
MTL após a terceira exposição à NPSE+VCI.
No exame de EOAPD não foi observado diferença significativa. Tal achado
corrobora com outro estudo de Manninen (1986) que observou não haver efeito cumulativo
após as três exposições à NPSE+VCI. Supõe-se que não foi encontrado efeito cumulativo
na freqüência de 6000 Hz neste exame, pois este foi realizado após a audiometria, ou seja,
aproximadamente 4 minutos após cada exposição. Então acredita-se que a MTL não tenha
sido registrada no momento de sua maior amplitude, que a literatura considera 2 minutos
após a exposição (Kinsler, 1982). Desta forma, é interessante colocar aqui como sugestão
para uma próxima pesquisa, realizar primeiramente o exame de EOAPD, ou seja, este logo
64

após cada exposição,para verificação de tal hipótese, já que os resultados da audiometria
logo após cada exposição já estão catalogados nesta pesquisa.
TABELA 4.19 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a 1ª e 2ª exposição
combinada NPSE + VCI

H1= 2ª Exposição à NPSE + VCI > 1ª Exposição à NPSE + VCI
Resultados
Mediana 1ª
Mediana 2ª
P-valor
Conclusão
Frequência
n
NPSE+VCI
NPSE+VCI
250 Hz
19
0,937
15
10
Não
500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz

19
19
19
19
19
19
19

0,342
0,512
0,234
0,571
0,443
0,081
0,049 *

15
10
10
10
15
20
20

10
10
10
10
15
20
20

Não
Não
Não
Não
Não
Não
Sim

8000 Hz

19

0,074

15

20

Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.20 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 1ª e 2ª exposição combinada
NPSE + VCI

H1 = 2ª Exposição à NPSE + VCI < 1ª Exposição à NPSE + VCI
Resultados
Frequência

n

P-valor

Média 1ª
NPSE+VCI

Média 2ª
NPSE+VCI

Conclusão

750 Hz
984 Hz
1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

13
18
19
19
19
19
18
17

0,897
0,19
0,204
0,099
0,225
0,506
0,486
0,127

5,9
8,39
9,74
7,2
3,97
7,33
-1,71
-2,54

5,74
8,98
10,51
7,84
5,19
6,21
-1,81
-3,42

Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

65

4.3.6

Após exposição à combinação de VCI e NPSE em relação ao obtido após
exposição ao NPSE isolado.
Para verificar se a combinação NPSE+VCI foi pior que a exposição ao NPSE

isolado, realizou-se uma comparação entre os resultados de cada uma dessas exposições.
Nesta pesquisa não foi constatado também efeito antagônico, ou seja, a
exposição à NPSE isolado não foi pior que a combinação NPSE+VCI. Tal achado discorda
de Izumi (2006), único estudo que encontrou tal efeito apenas na freqüência de 4000 Hz.
TABELA 4.21 e a TABELA 4.22 referentes à comparação da 1ª exposição à
NPSE+VCI versus a 1ª exposição à NPSE, tanto para o exame de audiometria, quanto para
o exame de EOAPD, respectivamente. Em seguida a TABELA 4.23 e TABELA 4.24
apresentam a comparação da 2ª exposição à NPSE+VCI versus a 2ª exposição à NPSE,
tanto para o exame de audiometria, quanto para o exame de EOAPD, respectivamente.
Constatou-se que a combinação NPSE e VCI, tanto no exame de audiometria,
quanto no exame de EOAPD, não foi estatisticamente pior para a audição quando
comparada com a exposição à NPSE isolado. Sendo assim, não se observou neste estudo
efeito sinérgico da combinação NPSE e VCI na audição. Tal achado concorda com o
estudo de Izumi (2006) que também não observou efeito sinérgico dessa combinação
(NPSE+VCI). Entretanto, tais achados discordam dos estudos de Yokoyama, Osako e
Yamamoto (1974); Manninen (1983a); Manninen e Ekblom (1984); Manninen (1986);
Seidel et al. (1992); Pekkarinen (1995) e Soliman et al. (2003) que observaram um prejuízo
auditivo, ou seja, efeito sinérgico após a combinação (ruído e VCI) quando comparado a
ruído isolado.
Acredita-se que não foi observado efeito sinérgico da combinação (VCI +
NPSE) na audição, pois o nível de vibração utilizado não foi o suficiente para provocar
piora auditiva significativa. Dessa forma, a soma dos dois agentes ocupacionais não seria
mais prejudicial para audição que o ruído isolado, pois somente este foi capaz de ocasionar
piora auditiva significativa.
Nesta pesquisa não foi constatado também efeito antagônico, ou seja, a
exposição à NPSE isolado não foi pior que a combinação NPSE+VCI. Tal achado discorda
de Izumi (2006), único estudo que encontrou tal efeito apenas na freqüência de 4000 Hz.

66

TABELA 4.21 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a 1ª exposição combinada
NPSE + VCI e 1ª exposição ao NPSE

H1 = 1ª Exposição à NPSE + VCI > 1ª Exposição à NPSE

Frequência

n

P-valor

250 Hz

19
19
19
19
19
19
19
19
19

0,212
0,13
0,157
0,067
0,932
0,23
0,147
0,082
0,162

500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

Resultados
Mediana 1ª Mediana 1ª
NPSE+VCI
NPSE
15
5
15
5
10
5
10
10
10
10
15
15
20
20
20
25
15
20

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.22 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 1ª exposição combinada NPSE
+ VCI e 1ª exposição ao NPSE
H1 = 1ª Exposição à NPSE + VCI < 1ª Exposição à NPSE
Resultados
Média 1ª
Média 1ª
P-valor
Frequência
n
NPSE+VCI
NPSE
750 Hz
13
0,573
5,9
5,44
984 Hz
18
0,724
8,39
7,41
1500 Hz
19
0,285
9,74
9,89
2016 Hz
19
0,762
7,2
7,25
3000 Hz
19
0,65
3,97
4,72
3984 Hz
19
0,853
7,33
6,9
6000 Hz
18
0,31
-1,71
-2,14
7969 Hz
17
0,06
-2,54
-3,78

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

67

TABELA 4.23 - Análise estatística comparando os resultados da audiometria entre a 2ª exposição combinada
NPSE + VCI e 2ª exposição ao NPSE

H1 = 2ª Exposição à NPSE + VCI > 2ª Exposição à NPSE
Resultados
Frequência

n

250 Hz

19
19
19
19
19
19
19
19
19

500 Hz
750 Hz
1000 Hz
2000 Hz
3000 Hz
4000 Hz
6000 Hz
8000 Hz

P-valor

Mediana 2ª Mediana 2ª
NPSE+VCI
NPSE

0,086
0,299
0,381
0,389
0,975
0,235
0,344
0,22
0,12

10
10
10
10
10
15
20
20
20

10
10
10
10
15
15
25
25
20

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).
TABELA 4.24 - Análise estatística comparando os resultados da EOA entre a 2ª exposição combinada NPSE
+ VCI e 2ª exposição ao NPSE

H1 = 2ª Exposição à NPSE + VCI < 2ª Exposição à NPSE
Resultados

Frequência

n

750 Hz
984 Hz
1500 Hz
2016 Hz
3000 Hz
3984 Hz
6000 Hz
7969 Hz

13
18
19
19
19
19
18
17

P-valor

Média 2ª
Média 2ª
NPSE+VCI
NPSE

0,332
0,242
0,212
0,23
0,416
0,957
0,239
0,664

5,74
8,98
10,51
7,84
5,19
6,21
-1,81
-3,42

4,37
7,11
8,88
6,07
2,72
6,62
-2,91
-4,65

Conclusão
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- O número de voluntários está representado na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste T de Student.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

68

4.3.7

Boxplot dos resultados dos exames auditivos realizados pré e pós exposições
Nesta seção serão apresentados os resultados gráficos por freqüência em forma

de boxplot pré- e pós-exposições, referentes ao exame de audiometria, medida em dB(A), e
ao exame de EOAPD, medida em dB(NPS). Este tipo de representação é bastante rica no
sentido de informar a distribuição de um conjunto de dados e sua variabilidade (Magalhães
e Lima, 2001). Este tipo de gráfico representa os dados em quartis, sendo o 1º quartil (Q1)
referente a 25% da amostra, o 2º quartil (Q2) ou mediana refere-se a 50% e o 3º quartil
(Q3) refere-se à 75% da amostra. Os valores extremos inferiores e superiores se estendem,
respectivamente, do 1º quartil até o menor valor não inferior a Q1 - 1.5(Q3-Q1) e do 3º
quartil até o maior valor não superior a Q3 + 1.5(Q3-Q1). Os valores inferiores a Q1 1.5(Q3-Q1) e superiores a Q3 + 1.5(Q3-Q1) são representados individualmente no gráfico,
sendo estes valores caracterizados como outliers. Estes são representados nos gráficos por
círculos e considerados dados fora do padrão ou atípicos em relação aos valores obtidos
(Pagano e Gauvreau, 2004). Logo após cada gráfico serão mostradas também tabelas
referentes aos gráficos com os valores de amplitude interquartil correspondentes a cada
exposição representada graficamente. Amplitude interquartil é dada como a diferença entre
o 3º quartil e o 1º quartil (Q3-Q1) e representa simplesmente a variabilidade de 50% dos
dados (Magalhães e Lima, 2001), ou seja, no caso desta pesquisa significa em qual
exposição, considerando metade dos dados, houve maior dispersão. É importante ressaltar
que em termos de conclusões fonoaudiológicas, para esta pesquisa, a amplitude interquartil
não traz conclusões importantes, apenas complementa uma informação básica fornecida
pelo boxplot, sobre dispersão de dados. A informação de valor conclusivo e importante,
para este estudo, fornecida pelo boxplot é representada pela mediana, que significa o valor
medido de 50% da população estudada. No caso desta pesquisa a mediana refere-se aos
limiares auditivos para audiometria e as amplitudes auditivas para o exame de EOAPD em
50% da amostra avaliada. É importante deixar claro também que a presença de outliers é
normal, para o tipo de dado trabalhado neste estudo que são os limiares e amplitudes
auditivas, já que há indivíduos que ouvem melhor ou pior que outros, mesmo apresentando
limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade. O GRÁFICO 4.1 representa um
modelo de boxplot com suas respectivas características descritas acima.

69

GRÁFICO 4.1 ­ Modelo de gráfico Boxplot
FONTE: http://sites.google.com/site/marcosfs2006/grafBoxplot_1.png

Ressalta-se
se novamente que o objetivo deste estudo no caso da audiometria é
verificar se houve MTL de forma significativa,
significativa independente
dependente se os limiares foram piores
ou não que 25 dB(A), que é o limite de normalidade.
normalidade Acima
cima deste valor considera-se
considera perda
auditiva. No caso da EOAPD o objetivo é verificar se houve diminuição significativa das
amplitudes da EOA,, especificamente das células ciliadas externas (CCE's), encontradas
na orelha interna e responsável pela emissão otoacústica.
Nos gráficos a seguir, cada Box é relativo a um tipo de exposição, sendo
portanto considerados: os valores de referência, 1ª e 2ª exposições à VCI, 1ª e 2ª
exposições ao NPSE e 1ª e 2ª exposição combinadas de NPSE + VCI.
O GRÁFICO 4.2 apresenta
presenta os resultados dos exames de audiometria para cada
exposição naa frequência de 250 Hz. A TABELA 4.25 representa os valores de amplitude
interquartil (Q3-Q1) respectivos.
Verifica-se
se que após as exposições à VCI praticamente não houve alteração do
limiar auditivo, ao contrário do que se observa
observa após as exposições à NPSE e NPSE+VCI.
Pode-se notar que o limiar auditivo médio de referência apresentado por 50% da população
que foi 6,377 dB(A), após 2ª exposição à NPSE piorou e passou a ser10 dB(A) e após a 1ª
exposição NPSE+VCI também piorou passando para 15 dB(A),, além de uma maior
variabilidade dos dados nestas exposições ter sido constatada como se observa na
TABELA 4.25.

70

GRÁFICO 4.2 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 250 Hz
TABELA 4.25 ­ Variabilidade dos dados após cada exposição para audiometria em 250 Hz

Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

5

5

5

10

10

10

10

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

O GRÁFICO 4.3 apresenta os resultados dos exames de audiometria para cada
exposição na frequência de 500 Hz. A TABELA 4.44 representa os valores de amplitude
interquartil (Q3-Q1) respectivos.

GRÁFICO 4.3 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 500 Hz

71

TABELA 4.26 - Variabilidade dos dados após cada exposição para audiometria em 500 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

7,15

5

5

5

5

15

10

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

Nesta freqüência resultados semelhantes à freqüência de 250 Hz foram
observados, ou seja, após as exposições à VCI praticamente não houve alteração do limiar
auditivo, ao contrário do que se observa após as exposições à NPSE e NPSE+VCI. O
limiar auditivo de referência de até 50% da população, ou seja, a mediana que foi 7,85
dB(A) após 2ª exposição à NPSE piorou e passou a ser 10 dB(A) e após a 1ª exposição à
NPSE+VCI também piorou e passou para 15 dB(A). Pela TABELA 4.26 observa-se uma
maior variabilidade de dados nas exposições combinadas.
O GRÁFICO 4.4 e GRÁFICO 4.5 apresentam para cada exposição na
freqüência de 750 Hz os resultados dos exames de audiometria e EOAPD,
respectivamente. A TABELA 4.27 e a TABELA 4.28 apresentam os valores de amplitude
interquartil (Q3-Q1) respectivos.
Novamente observa-se que para a audiometria (GRÁFICO 4.4), após as
exposições à VCI não houve alteração significativa do limiar auditivo, ao contrário do que
se observa após as exposições à NPSE e NPSE+VCI. O limiar auditivo de referência de até
50% da população foi de 5 dB(A) e após 2ª exposição à NPSE e 1ª e 2ª exposição à
NPSE+VCI piorou e passou a ser 10 dB(A), além de uma maior variabilidade dos dados
nestas exposições ter sido constatada.

GRÁFICO 4.4 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 750 Hz

72

TABELA 4.27- Variabilidade dos dados após cada exposição para audiometria em 750 Hz
Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

6,49

5

10

5

10

10

10

Amplitude
Interquartil

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

Para o exame de EOAPD (GRÁFICO 4.5) também não se observa diminuição
significativa das amplitudes das emissões otoacústicas após exposições à VCI. Entretanto,
após as exposições à NPSE e NPSE+VCI, verifica-se diminuições das amplitudes das
emissões otoacústicas de maneira mais acentuada, sendo que a amplitude média de
referência de até 50 % da população foi de 7,76 dB(NPS) e após 2ª exposição à NPSE e 1ª
exposição à NPSE+VCI passou a ser 4,9 dB(NPS) e 5,5 dB(NPS). Em relação à
variabilidade dos dados nas exposições combinadas (NPSE+VCI) a dispersão foi maior
(TABELA 4.28).

GRÁFICO 4.5 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 750 Hz
TABELA 4.28 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAP em 750 Hz

Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

6,6

6,35

6,15

6,2

2ª NPSE 1ª Combinação 2ª Combinação
6,5

6,8

7,4

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

O

GRÁFICO

4.6,

GRÁFICO

4.7

e

GRÁFICO

4.8

apresentam,

respectivamente, os resultados dos exames de audiometria para a freqüência de 1000 Hz e
EOAPD para as freqüências de 984 Hz e 1500 Hz para cada exposição. A TABELA 4.29,
a TABELA 4.30 e a TABELA 4.31 apresentam os valores de amplitude interquartil (Q3Q1) respectivos.
73

Observa-se que para a audiometria após as exposições à VCI não houve
alteração significativa do limiar auditivo, ao contrário do que se observa após as
exposições à NPSE e NPSE+VCI. A mediana referente ao limiar auditivo de referência foi
5 dB(A) e após as exposições à NPSE e à NPSE+VCI piorou e passou à ser 10 dB(A).
Uma maior variabilidade dos dados pode ser observada na 1ª exposição combinada como
mostra a TABELA 4.29.
Para o exame de EOAPD nas freqüências de 984 Hz e 1500 Hz praticamente
não se observa diminuição acentuada das amplitudes das emissões otoacústicas após
exposições à VCI, NPSE e NPSE+VCI. Uma maior dispersão dos dados foi observada na
2ª exposição à NPSE na freqüência de 984 Hz e na 2ª exposição à VCI em 1500 Hz.

GRÁFICO 4.6 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 1000 Hz
TABELA 4.29 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em 1000 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

7,85

5

5

5

5

10

5

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

74

GRÁFICO 4.7 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 984 Hz
TABELA 4.30 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 984 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

7,3

7,1

6,9

7,6

8,2

1ª Combinação 2ª Combinação
6,1

5,6

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

GRÁFICO 4.8 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 1500 Hz
TABELA 4.31- Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 1500 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

9,04

7,8

9,4

4,7

7,9

1ª Combinação 2ª Combinação
8,6

6,8

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

O GRÁFICO 4.9 e o GRÁFICO 4.10 apresentam os resultados dos exames de
audiometria para a freqüência de 2000 Hz e EOAPD para a freqüência de 2016 Hz,
75

respectivamente, para cada exposição. A TABELA 4.32 e a TABELA 4.33 apresentam os
valores de amplitude interquartil (Q3-Q1) respectivos.
Constata-se que para a audiometria (GRÁFICO 4.9) após as exposições à VCI
não houve alteração significativa do limiar auditivo. Após as exposições à NPSE e
NPSE+VCI, em que o limiar auditivo de referência foi em torno de 3 dB(A), após a 2ª
exposição à NPSE piorou e passou a ser 15 dB(A), e após a 1ª e 2ª exposição à NPSE+VCI
também piorou passando a 10 dB(A). Uma maior dispersão dos dados foi encontrada na 2ª
exposição à VCI como verifica-se na TABELA 4.32.

GRÁFICO 4.9 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 2000 Hz
TABELA 4.32- Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em 2000 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

10

10

15

5

5

10

10

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

Para o exame de EOAPD (GRÁFICO 4.10) também não se observa diminuição
das amplitudes das emissões otoacústicas após as exposições à VCI. Porém, após as
exposições à NPSE e NPSE+VCI verifica-se diminuições das amplitudes das emissões
otoacústicas, sendo que a mediana relativa a amplitude de referência foi de 9,8 dB(NPS) e
após 2ª exposição à NPSE e 1ª exposição à NPSE+VCI passou a ser 5,9 dB(NPS) e 6,4
dB(NPS), respectivamente. Para o exame de EOAPD também observou-se maior
variabilidade dos dados na 2ª exposição à VCI.

76

GRÁFICO 4.10 ­ Resultados da EOAPD na freqüência 2016 Hz
TABELA 4.33- Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 2016 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

7,85

7,1

9

7,7

7,3

1ª Combinação 2ª Combinação
5,4

7,7

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

O GRÁFICO 4.11 e o GRÁFICO 4.12 apresentam os resultados dos exames de
audiometria e EOAPD para a freqüência de 3000 Hz, respectivamente, para cada
exposição. A TABELA 4.34 e a TABELA 4.35 apresentam os valores de amplitude
interquartil (Q3-Q1) respectivos.

GRÁFICO 4.11 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 3000 Hz

77

TABELA 4.34 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em 3000 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

6,37

5

5

10

5

5

5

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

Verifica-se que para a audiometria (GRÁFICO 4.11) após as exposições à VCI
não houve alteração significativa do limiar auditivo. O contrário, ou seja, alteração auditiva
acentuada, se observa após as exposições à NPSE e NPSE+VCI. O limiar auditivo de
referência foi em torno de 3 dB(A) e após as exposições à NPSE e à NPSE+VCI piorou e
passou à ser 15 dB(A) em ambos os casos. Uma maior dispersão dos dados foi encontrada
na 1ª exposição à NPSE como evidencia a TABELA 4.34.

GRÁFICO 4.12 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 3000 Hz
TABELA 4.35 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 3000 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

11,4

6,5

9,4

6,5

12,6

1ª Combinação 2ª Combinação
7,5

8

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

Para o exame de EOAPD (GRÁFICO 4.12) também praticamente não se
observa diminuição das amplitudes das emissões otoacústicas após exposições à VCI.
Entretanto, após as exposições à NPSE e NPSE+VCI verifica-se diminuições dessas
amplitudes, em que a amplitude de referência em torno de 6,5 dB(NPS), após 2ª exposição
à NPSE e 1ª exposição à NPSE+VCI piorou passando a ser 4 dB(NPS). Para o exame de
EOAPD encontrou-se uma maior dispersão dos dados na 2ª exposição à NPSE.

78

O GRÁFICO 4.13 e o GRÁFICO 4.14 apresentam os resultados dos exames de
audiometria para a freqüência de 4000 Hz e EOAPD para a freqüência de 3984 Hz,
respectivamente, para cada exposição. A TABELA 4.36 e a TABELA 4.37 representam os
valores de amplitude interquartil (Q3-Q1) respectivos.
Observa-se que para a audiometria (GRÁFICO 4.13) após as exposições à VCI
não houve alteração significativa do limiar auditivo. Entretanto, alteração auditiva
acentuada se observa após as exposições à NPSE e NPSE+VCI, em que o limiar auditivo
médio de referência em 50% da população foi de 2,85 dB(A), após a 1ª e 2ª exposição à
NPSE piorou passando a ser 20 dB(A) e 25 dB(A) respectivamente, e após a 1ª e 2ª
exposição à NPSE+VCI passou à ser 20 dB(A). Maior variabilidade dos dados foi
observada na 2ª exposição à NPSE como mostra a TABELA 4.36.

GRÁFICO 4.13 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 4000 Hz
TABELA 4.36 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em 4000 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

5

5

5

10

15

5

10

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

Para o exame de EOAPD (GRÁFICO 4.14) também praticamente não se
observa diminuição das amplitudes das emissões otoacústicas após exposições à VCI.
Entretanto, após as exposições à NPSE e NPSE+VCI verifica-se diminuições dessas
amplitudes, em que a amplitude média de referência em torno de 9,5 dB(NPS), após 2ª
exposição à NPSE e 1ª exposição à NPSE+VCI passou a ser 7,5 dB(NPS) e após 2ª

79

exposição à NPSE+VCI passou a 7 dB(NPS). Para EOAPD uma maior variabilidade dos
dados foi encontrada nas exposições à NPSE.

GRÁFICO 4.14 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 3984 Hz
TABELA 4.37 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 3984 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

7,21

6,4

7,7

11,1

11

1ª Combinação 2ª Combinação
7,8

7,9

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

O GRÁFICO 4.15 e o GRÁFICO 4.16 apresentam os resultados dos exames de
audiometria e EOAPD para a freqüência de 6000 Hz, respectivamente, para cada
exposição. A TABELA 4.38 e a TABELA 4.39 apresentam os valores de amplitude
interquartil (Q3-Q1) respectivos.
Observa-se que para a audiometria (GRÁFICO 4.15) após as exposições à VCI
não houve alteração significativa do limiar auditivo. Contudo, alteração auditiva acentuada
se observa após as exposições à NPSE e NPSE+VCI. O limiar auditivo de referência para
50% da população foi de 7,85 dB(A) e após as exposições à NPSE e à NPSE+VCI piorou
passando a ser 25 dB(A) e 20 dB(A), respectivamente. Nesta freqüência maior
variabilidade dos dados foi observada nas exposições à VCI e NPSE isolados.

80

GRÁFICO 4.15 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 6000 Hz
TABELA 4.38 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em 6000 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

7,5

15

15

15

15

10

15

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

GRÁFICO 4.16 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 6000 Hz
TABELA 4.39 - Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 6000 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

16,28

10,55

8,85

14,15

9,23

1ª Combinação 2ª Combinação
11,63

12,8

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

81

Para o exame de EOAPD (GRÁFICO 4.16) também praticamente não se
observa diminuição das amplitudes de resposta após exposições à VCI. Entretanto, após as
exposições à NPSE e NPSE+VCI verifica-se diminuições importantes das amplitudes das
emissões otoacústicas. A mediana correspondente a amplitude de referência de 50% da
população foi de 2,13 dB(NPS), após a 2ª exposição à NPSE e 2ª exposição à NPSE+VCI a
resposta auditiva piorou e passou a ser -1,65 dB(NPS) e -1,45 dB(NPS), respectivamente.
Em relação à dispersão dos dados no exame de EOAPD para esta frequência observou-se
variabilidade maior das amplitudes de referência.
O GRÁFICO 4.17 e o GRÁFICO 4.18 apresentam os resultados dos exames de
audiometria para a freqüência de 8000 Hz e EOAPD para a freqüência de 7969 Hz,
respectivamente, para cada exposição. A TABELA 4.40 e a TABELA 4.41 apresentam os
valores de amplitude interquartil (Q3-Q1) respectivos.
Constata-se que para a audiometria (GRÁFICO 4.17) após as exposições à VCI
não houve alteração significativa do limiar auditivo. Entretanto, alteração auditiva
acentuada se observa após as exposições à NPSE e NPSE+VCI. O limiar auditivo de
referência para 50% da população foi de 10 dB(A), após as exposições à NPSE e à
NPSE+VCI a audição piorou e os limiares passaram a ser 20 dB(A). Os dados relativos aos
exames de referência foram os que mais variaram, como se observa na TABELA 4.40.

GRÁFICO 4.17 ­ Resultados da audiometria na freqüência de 8000 Hz
TABELA 4.40 - Variabilidade dos dados após cada exposição para Audiometria em 8000 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

1ª Combinação

2ª Combinação

12,8

5

10

10

10

10

10

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

82

Para o exame de EOAPD (GRÁFICO 4.18) não houve diminuição significativa
das amplitudes das emissões otoacústicas após exposições. A amplitude de referência
detectada em 50% da população avaliada foi de 1,41 dB(NPS). Diminuição mais acentuada
desta amplitude foi observada somente após 2ª exposição à NPSE cuja mediana, ou seja, o
valor que representa a amplitude de EOA de 50% da população foi -2 dB(NPS). Os dados
relativos às exposições combinadas (NPSE+VCI) foram os que mais variaram, como se
verifica na TABELA 4.41.

GRÁFICO 4.18 ­ Resultados da EOAPD na freqüência de 7969 Hz
TABELA 4.41- Variabilidade dos dados após cada exposição para EOAPD em 7969 Hz
Amplitude
Interquartil

Referência

1ª VCI

2ª VCI

1ª NPSE

2ª NPSE

12,07

15,25

17,85

17,2

18,95

1ª Combinação 2ª Combinação
20,35

19,75

Nota: Amplitude interquartil = (Q3-Q1)

4.4 ANÁLISE DAS QUEIXAS AUDITIVAS E EXTRA-AUDITIVAS
Neste item serão apresentadas as análises estatísticas sobre os sintomas
auditivos e extra-auditivos questionados após cada tipo de exposição.
4.4.1

Queixas após exposições à VCI isolada
Para análise estatística dos sintomas auditivos utilizou-se o teste pareado não

paramétrico de Wilcoxon. Considerou-se que antes das exposições os indivíduos não

83

apresentaram nenhum tipo de queixa auditiva ou extra-auditiva (saúde em geral), já que um
dos critérios para participação na pesquisa é que todos os indivíduos sejam saudáveis.
Correlacionou-se então a ausência de sintomas pré-exposições com presença de algum tipo
de sintoma pós exposições. A hipótese H1 considerou se há algum tipo de sintoma presente
após as exposições. Abaixo serão apresentadas as tabelas com todos os sintomas
pesquisados e o número de indivíduos que os apresentaram após cada exposição. Em
seguida os gráficos serão apresentados somente com as queixas estatisticamente presentes
após cada exposição.
TABELA 4.42 ­ Relação das queixas auditivas e extra-auditivas após as exposições à VCI isolada
H1: Existe algum tipo de sintoma presente após às exposições à VCI

Sintomas Pesquisados
Zumbido
Tonteira
Otalgia
Plenitude auricular
Piora da audição
Dor de cabeça
Náusea
Cansaço
Irritação
Nervosismo
Ansiedade
Desatenção
Dor nos ombros
Dor na coluna
Dor abdominal
Dor no pescoço
Dor região diafragmática

n
2
1
0
0
1
0
0
5
1
1
2
4
2
2
2
1
0

1ª Exposição à VCI

2ª Exposição à VCI

Resultados

Resultados

P-valor

Conclusão

0,157
0,317
1
1
0,317
1
1
0,025 *
0,317
0,317
0,157
0,046 *
0,157
0,157
0,157
0,317
1

Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
Não

n
2
0
0
0
2
3
1
8
1
1
3
3
2
4
2
1
0

P-valor

Conclusão

0,157
1
1
1
0,157
0,083
0,317
0,005*
0,317
0,317
0,083
0,083
0,157
0,046 *
0,157
0,317
1

Não
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Não

Nota:
- Somente o número de voluntários que apresentaram sintomas após as exposições está representado
na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

84

%

Voluntários

Sintomas presentes após 1ª e 2ª
exposição à vibração de corpo inteiro
(VCI)
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0

1ª VCI
2ª VCI

Cansaço

Desatenção

Dor na coluna

GRÁFICO 4.19 ­ Sintomas presentes significativamente após 1ª e 2ª exposição à VCI

A TABELA 4.42 apresenta todos os sintomas pesquisados e o número de
indivíduos que os apresentaram, após a primeira e segunda exposição à VCI isolada, sendo
que somente os sintomas estatisticamente presentes estão mostrados no GRÁFICO 4.19.
Pode-se

observar

que

não

houve

presença

de

sintomas

auditivos

estatisticamente significativos após a 1ª e 2ª exposição à VCI. Na literatura também não foi
encontrado nenhum estudo que investigou ou detectou presença de queixas auditivas após
VCI isolada.
Porém, queixas extra-auditivas como cansaço, desatenção e dor na coluna
foram significativamente detectadas após as exposições. Cansaço esteve estatisticamente
mais significante na 2ª exposição, evidenciando uma evolução no aumento do número de
pessoas com esta queixa, concordando com o encontrado por Izumi, Mitre e Duarte (2006).
Dor na coluna também esteve presente de forma estatisticamente significante após 2ª
exposição à VCI, corroborando com os achados de Seidel e Heide (1986); Griffin (1996);
Sorainen et al. (1998); Bovenzi e Hulshof (1999); Lings e Lebouef-Yde (2000); Palmer et
al. (2000); Mabbott et al. (2001); Lenzuni e Pieroni (2003); Goglia e Grbac (2005); Gallais
e Griffin (2006); European Comission (2006) e Izumi, Mitre e Duarte (2006). Já o sintoma
desatenção esteve presente significativamente somente após a 1ª exposição, fato este que
pode ser associado justamente a este momento da exposição. Após a 1ª exposição os
voluntários, já cientes dos sintomas, ficariam mais atentos. Porém, não foi questionado aos
mesmos tal possibilidade, sendo apenas uma suposição.

85

4.4.2

Queixas após exposição à NPSE isolado
A TABELA 4.43 apresenta todos os sintomas pesquisados após a primeira e

segunda exposição à NPSE isolado, sendo que somente os sintomas estatisticamente
presentes estão apresentados no GRÁFICO 4.20.
Observa-se a presença estatisticamente significante dos seguintes sintomas
auditivos: zumbido, plenitude auricular e sensação de piora da audição. Esses resultados
concordam com Araújo (2002); Ministério da Saúde/ Brasil (2006); Dias et al. (2006);
Pfeiffer et al. (2007); Ogido, Costa e Machado (2009); Gonçalves et al. (2009). Zumbido e
plenitude auricular pioraram com a 2ª exposição à NPSE, ou seja, houve um aumento do
número de sujeitos com essa queixa após a 2ª exposição, evidenciando efeito cumulativo
para esses sintomas. Já a sensação de audição pior esteve presente em um número maior de
indivíduos após a 1ª exposição, o que indica uma aparente acomodação auditiva em alguns
sujeitos devido à 1ª exposição.
TABELA 4.43 ­ Relação das queixas auditivas e extra-auditivas após as exposições ao NSPE isolado

H1: Existe algum tipo de sintoma presente após às exposições à NPSE

Sintomas Pesquisados
Zumbido
Tonteira
Otalgia
Plenitude auricular
Piora da audição
Dor de cabeça
Náusea
Cansaço
Irritação
Nervosismo
Ansiedade
Desatenção
Dor nos ombros
Dor na coluna
Dor abdominal
Dor no pescoço
Dor região diafragmática

n
13
1
1
11
12
2
0
4
4
4
6
2
0
0
0
0
0

1ª Exposição à NPSE

2ª Exposição à NPSE

Resultados

Resultados

P-valor

Conclusão

n

P-valor

Conclusão

0*
0,317
0,317
0,001 *
0,001 *
0,157
1
0,046 *
0,046 *
0,046 *
0,014 *
0,157
1
1
1
1
1

Sim
Não
Não
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
Não

14
2
1
12
11
2
0
6
5
5
8
6
0
0
0
0
0

0*
0,157
0,317
0,001 *
0,001 *
0,157
1
0,014 *
0,025 *
0,02 5*
0,005 *
0,014 *
1
1
1
1
1

Sim
Não
Não
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
Não

Nota:
- Somente o número de voluntários que apresentaram sintomas após as exposições está representado
na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

86

%

Voluntários

Sintomas presentes após 1ª e 2ª
exposição à nivel de pressão sonora
elevado (NPSE)
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0

1ª NPSE
2ª NPSE

GRÁFICO 4.20 ­ Sintomas presentes significativamente após 1ª e 2ª exposição à NPSE

Os sintomas extra-auditivos presentes de maneira estatisticamente significante
após as duas exposições foram: cansaço, irritação, nervosismo e ansiedade, e o sintoma
desatenção esteve significativamente presente apenas após a 2ª exposição. Esses achados
corroboram com os encontrados por Quick e Laperosa (1983); Fiorini et al. (1991); Gerges
(1992); Seligman (1993); Medeiros (1999); Zannin et al. (2002); Mc Reynolds (2005) e
Ministério da Saúde/ Brasil (2006). Pode-se ver que, comparativamente a exposição à VCI
isolada, houve um aumento de queixas tanto auditivas, quanto extra-auditivas, tendo sido
algumas delas específicas ao tipo de exposição (como dor de coluna para VCI e sintomas
auditivos para NPSE). Além disto, a porcentagem de voluntários que tiveram os sintomas
foi muito maior para a exposição ao NPSE. Adicionalmente, a desatenção que para VCI foi
significante apenas para 1ª exposição, para o NPSE foi o oposto, ou seja, esteve presente
apenas para 2ª exposição.
4.4.3

Queixas após exposição à NPSE e VCI Combinados
A TABELA 4.44 apresenta todos os sintomas pesquisados após a primeira e

segunda exposição à NPSE e VCI simultâneos, sendo que somente os sintomas
estatisticamente significativos estão apresentados no GRÁFICO 4.21.
Estiveram significativamente presentes após as duas exposições combinadas
zumbido, plenitude auricular e sensação de audição pior. A presença de tais sintomas após
exposição combinada de VCI e NPSE corrobora com os achados de Fernandes e Morata
(2002) e Freitas e Nakamura (2004). O zumbido foi a única queixa auditiva que

87

permaneceu constante, ou seja, após a 2ª exposição não houve aumento do número de
pessoas com tal queixa, evidenciando que não houve efeito cumulativo para este sintoma.
TABELA 4.44 ­ Relação das queixas auditivas e extra-auditivas após as exposições combinada NSPE + VCI
H1: Existe algum tipo de sintoma presente após às exposições à NPSE+VCI

Sintomas Pesquisados
Zumbido
Tonteira
Otalgia
Plenitude auricular
Piora da audição
Dor de cabeça
Náusea
Cansaço
Irritação
Nervosismo
Ansiedade
Desatenção
Dor nos ombros
Dor na coluna
Dor abdominal
Dor no pescoço
Dor região diafragmática
Nota:

1ª Exposição à NPSE + VCI

2ª Exposição à NPSE + VCI

Resultados

Resultados

n
11
0
2
5
7
2
0
5
3
2
3
6
1
3
3
1
0

P-valor

Conclusão

n

P-valor

Conclusão

0,001 *
1
0,157
0,025 *
0,008 *
0,157
1
0,025 *
0,083
0,157
0,083
0,014 *
0,317
0,083
0,083
0,317
1

Sim
Não
Não
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
Não

11
0
1
6
9
2
0
7
2
2
3
7
0
2
5
0
0

0 ,001*
1
0,317
0,014 *
0,003 *
0,157
1
0,008 *
0,157
0,157
0,083
0,008 *
1
0,157
0,025 *
1
1

Sim
Não
Não
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Sim
Não
Não

- O número de voluntários que apresentaram sintomas após as exposições está representado
na coluna n.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

%

Voluntários

Sintomas presentes após exposição à
VCI+NPSE
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0

1ª VCI + NPSE
2ª VCI + NPSE

GRÁFICO 4.21 ­ Sintomas presentes significativamente após exposição à 1ª e 2ª NPSE+VCI

88

As

queixas

extra-auditivas

cansaço

e

desatenção

foram

constatadas

significativamente após as duas exposições, estas queixas também foram encontradas por
Fernandes e Morata (2002). A queixa dor abdominal esteve presente de forma
estatisticamente significante apenas após a 2ª exposição, acredita-se que principalmente a
freqüência de vibração utilizada, 5 Hz, que é a responsável pela maior transmissibilidade
assento-cabeça para indivíduos sentados (Rakajeda et al, 2010), contribuiu para a presença
deste sintoma.
Pode-se observar que houve uma maior diversificação de queixas extraauditivas após exposição à NPSE isolado. Além disso, após exposição à VCI isolada e à
VCI e NPSE combinados praticamente as mesmas queixas extra-auditivas estiveram
presentes, sendo exceção a queixa dor abdominal que esteve presente somente após 2 ª
exposição combinada. Observou-se também que as mesmas queixas auditivas presentes
após exposição à NPSE isolado estiveram presentes após a combinação (NPSE+VCI).
Diante disso, optou-se por comparar somente as queixas auditivas e extraauditivas presentes significativamente e comuns entre as exposições, para verificar se uma
exposição pode ser estatisticamente mais prejudicial que outra no que diz respeito ao
aparecimento dos mesmos sintomas. Para tal comparação o mesmo teste estatístico,
Wilcoxon, utilizado para as análises dos sintomas será aplicado aqui.
Como as exposições à VCI e à NPSE+VCI apresentaram somente queixas
extra-auditivas em comum, então a TABELA 4.45 apresenta a relação entre estas queixas
após as exposições à VCI e à NPSE+VCI. Nesta tabela são apresentados além do p-valor o
número de indivíduos que apresentaram as queixas pós exposição. A hipótese H1 indica
que a exposição à NPSE+VCI é mais prejudicial que a exposição à VCI isolada no
aparecimento de sintomas.
TABELA 4.45 ­ Relação das queixas extra-auditivas após as exposições à VCI e à NSPE + VCI
H1: Exposição à NPSE+VCI é mais prejudicial que VCI isolado no aparecimento de sintomas
1ª VCI versus 1ª NPSE+VCI
2ª VCI versus 2ª NPSE+VCI
Resultados
Resultados
n
n
n
1ª NPSE
n
2ª NPSE

VCI
+VCI
P-valor
Conclusão

VCI
+VCI
P-valor Conclusão
Sintomas Pesquisados
Cansaço
5
5
1
Não
8
7
0,48
Não
0,414
Não
0,317
Não
Desatenção
4
6
3
7

Nota:
- Somente o número de voluntários que apresentaram sintomas após cada exposição está representado
na coluna n referente a sua respectiva exposição.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.

89

- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

Observa-se que a exposição combinada não é mais prejudicial no aparecimento
de sintomas extra-auditivos quando comparada à exposição à VCI isolada. Dessa forma,
neste estudo verificou-se que ambas exposições possuem o mesmo poder para contribuição
do aparecimento dos sintomas relacionados na tabela.
Como as exposições à NPSE e à NPSE+VCI apresentaram tanto queixas
auditivas quanto extra-auditivas em comum, então a TABELA 4.46 apresenta a relação
entre estas queixas após as exposições à NPSE e à NPSE+VCI. Nesta tabela são
apresentados além do p-valor o número de indivíduos que tiveram as queixas pós
exposição. A hipótese H1 indica que a exposição à NPSE é mais prejudicial que a
exposição à NPSE+VCI no aparecimento de sintomas.
Verifica-se que a exposição à NPSE isolado foi significativamente mais
prejudicial que a exposição combinada após as duas exposições somente para o
aparecimento do sintoma auditivo plenitude auricular, ou sensação de orelha tampada.
Supõe-se que em alguns indivíduos a vibração na exposição combinada possa ter
contribuído para mascarar ou aliviar o aparecimento de sintomas.
TABELA 4.46 ­ Relação das queixas auditivas e extra-auditivas após as exposições à NPSE e à NSPE + VCI
H1: Exposição à NPSE é mais prejudicial que NPSE+VCI no aparecimento de sintomas
1ª NPSE + VCI versus 1ª NPSE
2ª NPSE + VCI versus 2ª NPSE

Sintomas Pesquisados
Zumbido
Otalgia
Plenitude auricular
Piora da audição
Cansaço
Desatenção

n
1ª NPSE
13
1
11
12
4
2

Resultados
n
1ª NPSE +
VCI
P-valor
11
0,157
0,564
2
0,014*
5
0,059
7
0,705
5
0,102
6

Conclusão
Não
Não
Sim
Não
Não
Não

Resultados
n
n
2ª NPSE +
2ª NPSE
VCI
P-valor
14
11
0,083
1
1
1
0,014 *
12
6
0,48
11
9
0,705
6
7
0,655
6
7

Conclusão
Não
Não
Sim
Não
Não
Não

Nota:
- Somente o número de voluntários que apresentaram sintomas após cada exposição está representado
na coluna n referente a sua respectiva exposição.
- O nível de significância (p-valor) refere-se ao teste de Wilcoxon.
- Os resultados significativos foram identificados com asteriscos, de acordo com o nível de
significância, a saber: p-valor < 0.05 * (nível de confiança de 95%).

90

5

CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS

Neste capítulo serão descritas as conclusões referentes aos resultados
encontrados nesta pesquisa e sugestões para trabalhos futuros.

5.1 CONCLUSÕES
As conclusões serão apresentadas de acordo com os objetivos respectivamente
elencados no capítulo 1.

1. O nível de vibração de corpo inteiro (VCI) utilizado (2,12m/s2, 5 Hz, eixo-Z, 2
exposições de 18 minutos com intervalo de 10-12 minutos) não ocasionou alteração
temporária da audição de forma significativa. O nível de pressão sonora (NPSE)
utilizado (2 exposições à 96 dB(A) durante 18 minutos com intervalo de 10-12
minutos) ocasionou alteração temporária da audição significativa, principalmente nas
freqüências agudas. Na freqüência de 6000 Hz para audiometria os limiares auditivos
de 50% da população estudada alcançou 25 dB(A), nível este considerado limite para
audição normal. A combinação de VCI e NPSE na mesma intensidade e duração
descritos acima também alterou temporariamente a audição de maneira significativa,
sendo que nas freqüências de 4000 Hz e 6000 Hz na audiometria os limiares auditivos
de 50% da amostra alcançaram 20 dB(A). Quando foi comparada a exposição ao NPSE
isolado

com

a

combinação

(NPSE+VCI),

observou-se

que

esta

não

foi

significativamente pior que aquela, ou seja, não houve um efeito sinérgico dessa
combinação na audição. Os resultados da EOA foram coerentes com os encontrados na
audiometria no que diz respeito às maiores alterações auditivas terem sido detectadas
nas freqüências agudas em ambos os exames.
2. Não foi constatado efeito cumulativo das exposições, ou seja, a 2ª exposição à NPSE e
à NPSE+VCI não foi significativamente pior que a 1ª exposição desses respectivos
estímulos. Como para exposição à VCI isolada não houve alteração auditiva, não se
justifica comentar sobre seu efeito cumulativo.

91

3. Após as exposições à VCI isolada, sintomas auditivos significativos não foram
relatados pelos voluntários, porém sintomas extra-auditivos como cansaço, desatenção
e dor na coluna foram significantemente detectados. Após as exposições ao ruído
isolado os sintomas auditivos que estiveram presentes foram zumbido, plenitude
auricular e sensação de audição pior; e os sintomas extra-auditivos significativos foram
cansaço, irritação, nervosismo, ansiedade e desatenção. Finalmente, após as exposições
à NPSE+VCI observou-se presença significativa dos seguintes sintomas auditivos:
zumbido, plenitude auricular e sensação de audição pior. Já os extra-auditivos foram
cansaço, desatenção e dor abdominal, Deste modo, os mesmos sintomas auditivos
presentes aqui na exposição combinada estiveram também presentes após as
exposições ao NPSE, e praticamente os mesmos sintomas extra-auditivos na exposição
combinada estiveram presentes após as exposições à VCI. Entretanto, ainda assim as
exposições à NPSE isolado provocaram maior aparecimento de sintomas extraauditivos que as outras exposições. Pode-se notar que o número de voluntários que
reportou sintomas auditivos após a exposição combinada foi menor do que para a
exposição ao NPSE, visto que para exposição à VCI tais sintomas não foram
encontrados de forma significativa. Além disto foi verificado que a exposição a NPSE
isolado foi significativamente mais prejudicial que a combinação somente no
aparecimento do sintoma plenitude auricular. Portanto, apesar da combinação ter
ocasionado tanto sintomas presentes após NPSE quanto sintomas presentes após VCI
pode-se considerar que ela não foi tão prejudicial, ao contrário, ajudou a minimizar a
ocorrência de alguns sintomas que apareceram após exposição o ruído isolado.
Entretanto, recomenda-se aumentar o tamanho da amostra para que tais conclusões
possam ser mais confiáveis. Sabe-se que para o tipo de teste utilizado na análise dos
sintomas (Teste não-paramétrico de Wilcoxon), quando é encontrada diferença
significativa, significa que realmente os resultados foram diferentes. Entretanto, a
recíproca não é verdadeira, ou seja, é possível encontrar um falso positivo devido ao
tamanho da amostra.
4. Dentre os 19 indivíduos avaliados, 10 homens e 9 mulheres, não houve diferença
estatisticamente significante entre a audição do gênero feminino e masculino quando
foram avaliados os limiares de referencia. Deste modo, não se julgou necessário fazer a
análise após cada uma das exposições.

92

5. Não foi constatada diferença estatística entre a audição da orelha direita e esquerda
para o exame de audiometria tonal. Para o exame de EOAPD foi observada diferença
significante entre a audição da orelha direita e esquerda somente nas freqüências de
3984 Hz e 6000 Hz,sendo que, na freqüência de 3984 Hz a orelha esquerda apresentou
amplitudes de EOA melhores que a orelha direita, e na freqüência de 6000 Hz a orelha
direita apresentou amplitudes de EOA melhores que a esquerda. Estes resultados foram
úteis para embasar quanto aos dados que seriam analisados estatisticamente.
Entretanto, recomenda-se um aumento amostral para ser possível concluir com
exatidão e fidedignidade se há diferença interaural. Novamente, tais conclusões foram
obtidas considerando-se apenas os limiares de referência.
Verifica-se que a literatura é controversa quanto aos reais efeitos do risco
ocupacional VCI na audição. Portanto, são extremamente necessárias pesquisas que
investiguem tais efeitos, dando atenção especial às diferentes freqüências de vibração
utilizadas, já que há estudos (Yokoyama, Osako e Yamamoto, 1974) que em freqüências
diferentes foram encontrados também efeitos diferentes, mesmo em amplitudes menores.
Nesta pesquisa procurou-se utilizar a freqüência de excitação na região onde ocorre a
máxima transmissibilidade assento-cabeça (Rakjeda et al, 2010) por se considerar que seu
efeito fosse amplificado. Além disto, a freqüência utilizada corresponde aquela encontrada
em grande parte dos veículos para onde é encontrado o maior pico de amplitude (Balbinot,
2001). O valor de amplitude utilizado foi determinado considerando-se os limites
estabelecidos pela Diretiva Européia (2002) como seguros para saúde.
Quanto ao NPSE é importante alertar os trabalhadores e profissionais
relacionados à segurança do trabalho em indústrias, quanto aos limites de tolerância ao
ruído estipulados pelas normas de segurança. Isto porque até que ponto pode-se garantir a
saúde auditiva de um trabalhador que exposto a níveis de NPSE que mesmo tolerado por
normas, ocasiona MTL diariamente? Apesar de não haver comprovações científicas de que
a MTL evolui para uma MPL, há indícios e hipóteses científicas (Pekkarinen, 1995 e Katz,
1999) de que seja possível a evolução de uma MTL para MPL.

5.2 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS
·

Aumentar a amostra de modo que ela seja representativa da parcela da população que
permanece diariamente exposta aos riscos ocupacionais VCI e ruído.
93

·

Aumentar a amostra para se chegar a conclusões reais quanto à existência ou não de
diferença na audição de homens e mulheres.

·

Aumentar a amostra para se chegar a conclusões reais quanto à existência ou não de
diferença de limiar auditivo entre orelha direita e esquerda.

·

Pesquisar os efeitos da VCI na audição utilizando a freqüência de ressonância da
cabeça com diferentes níveis de amplitude.

·

Tentar desenvolver mecanismos que meçam o quanto da VCI realmente atinge a orelha
de modo a se fazer melhores correlações entre os resultados obtidos.

·

Pesquisar os efeitos da VCI, ruído e combinação (VCI e ruído) utilizando além da
audiometria e EOAPD, o exame de EOA transientes.

·

Pesquisar os efeitos da VCI, ruído e combinação (VCI e ruído) utilizando somente o
exame de EOA.

·

Monitorar os níveis de VCI que um determinado grupo de trabalhadores esteja exposto
in loco e reproduzi-los em laboratório de maneira controlada.

·

Pesquisar os efeitos da VCI na audição e equilíbrio de indivíduos em pé.

94

6

1.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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95

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108

Anexo A ­ CARTA DE AUTORIZAÇÃO DO COEP

109

Anexo B ­ ANAMNESE
Anamnese
ID do Voluntário:
Este questionário tem como objetivo verificar a aptidão do voluntário para participação da
pesquisa a ser desenvolvida pelos membros do Grupo de Acústica e Vibrações em Seres
Humanos (GRAVISH/UFMG) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), intitulada

Análise da Mudança Temporária de Limiar Auditivo de Indivíduos Expostos a
Vibrações de Corpo Inteiro (VCI) e Níveis de Pressão Sonora Elevados (NPSE). Os
pesquisadores se comprometem a tomar todas as medidas necessárias para garantir a
segurança do voluntário nos testes, conforme recomendação da ISO13090-1.
As informações aqui prestadas serão de uso exclusivo dos pesquisadores, sendo mantidas
em total sigilo. A fidelidade nas respostas será de vital importância para a pesquisa. As
informações aqui prestadas são de sua inteira responsabilidade.
Idade:
Escolaridade:
Profissão:
É exposto a ruído ocupacional?

(

) Sim

(

) Não

É necessário o uso de protetores auriculares?

(

) Sim

(

) Não

Caso positivo, faz uso freqüente?

(

) Sim

(

) Não

Tempo:

É exposto a algum tipo de vibração no ambiente ocupacional?
(

) Sim

(

) Não

(

) Sim

(

) Não

Era necessário o uso de protetores auriculares?

(

) Sim

(

) Não

Caso positivo, fazia uso freqüente?

(

) Sim

(

) Não

Tempo:
Tipo:
- Histórico Ocupacional:
Já foi exposto a ruído ocupacional?
Tempo:

110

Já foi exposto a algum tipo de vibração no ambiente ocupacional?
(

) Sim

(

) Não

Você pratica ou já praticou tiro ao alvo?

(

) Sim

(

) Não

Serviu exército?

(

) Sim

(

) Não

Tempo:
Tipo:
- Exposição extra-laboral:

Freqüenta discoteca ou locais onde tem música amplificada?
(

) Sim. Freqüência: _______________________

(

) Não

(

) Não

(

) Não

Faz uso de equipamentos de música com fone de ouvido?
(

) Sim. Freqüência: _______________________

Pratica alguma atividade barulhenta?
(

) Sim. Especificar: _______________________

- Saúde geral:
Tem problema de pressão?
(

) Alta

(

) Baixa

(

) Sim

(

) Não

Sarampo

(

) Sim

(

) Não

Caxumba

(

) Sim

(

) Não

Rubéola

(

) Sim

(

) Não

Meningite

(

) Sim

(

) Não

Diabetes?

(

) Não

Já teve:

Doenças respiratórias?
(

) Sim. Especificar: _______________________

(

) Não

(

) Não

(

) Não

(

) Não

(

) Não

Doenças gastrointestinais?
(

) Sim. Especificar: _______________________

Doenças ou deficiências musculares ou esqueléticas?
(

) Sim. Especificar: _______________________

Sente dores de cabeça freqüentes?
(

) Sim. Especificar: _______________________

História de trauma ou cirurgia recente?
(

) Sim. Especificar: _______________________

Apresenta algum tipo de prótese?
111

(

) Sim. Especificar: _______________________

(

) Não

Sente algum problema de saúde que não tenha sido mencionado?
(

) Sim. Especificar: _______________________

(

) Não

(

) Não

(

) Não

Já fez uso de medicamento por tempo prolongado?
(

) Sim. Especificar: _______________________

Faz uso de algum medicamento?
(

) Sim. Especificar: _______________________

- Saúde auditiva:
Tem dor de ouvido?

(

) Sim

(

) Não

(

) Não

(

) Não

(

) Não

Quando:
Teve inflamação de ouvido?
(

) Sim. Com que freqüência: _______________________

Tem zumbido:
(

) Sim. Especificar: _______________________

Sente tonteiras:
(

) Sim. Especificar: _______________________

Você percebeu alguma mudança na sua audição após doença, tomar medicamentos ou
outra situação?
(

) Sim. Especificar: ____________________________

(

Alguma pessoa na família nasceu com dificuldade auditiva? (

) Sim

) Não

( ) Não

Grau de parentesco:
- Somente para as mulheres:
Está grávida?
(

) Sim. Especificar tempo:____________

(

) Não

(

) Não sei

Tem problemas hormonais?
(

) Sim. Especificar: _____________ Faz tratamento? ________________

(

) Não

O voluntário abaixo assinado se responsabiliza pelas informações fornecidas. As respostas
fornecidas determinarão a continuidade do voluntário na pesquisa, conforme descrito no
"Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)"
Ass: ___________________________________________________
Belo Horizonte ____/____/____.

112

Anexo C ­ TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(TCLE)
Para atender a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde
Antes de aceitar em participar dessa pesquisa, é necessário que você, voluntário, leia e compreenda a
explicação a seguir sobre os procedimentos propostos.
Este documento tem como objetivo explicar-lhe em linhas gerais, os procedimentos que serão
adotados para obtenção dos dados necessários a pesquisa "Análise da Mudança Temporária de Limiar
Auditivo de Indivíduos Expostos a Vibrações de Corpo Inteiro (VCI) e Níveis de Pressão Sonora Elevados
(NPSE)".
A pesquisa será desenvolvida pela aluna de mestrado Juliana Gonçalves Dornela, juntamente com
demais membros do Grupo de Acústica e Vibrações em Seres Humanos (GRAVISH/UFMG) do Departamento de
Engenharia Mecânica (DEMEC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a orientação da
Profa. Maria Lúcia Machado Duarte (Ph.D.), responsável principal pelo projeto, a qual qualquer problema
pode ser reportado. Seus contatos são: [email protected], 3409-5453 (sala, com secretária eletrônica),
3409-4853 (laboratório). Outro pesquisador responsável pela pesquisa é o médico otorrinolaringologista, Dr.
Marco Aurélio Rocha Santos ([email protected], 3221-3814), sendo que problemas de saúde
podem ser esclarecidos pelo mesmo. Dúvidas referentes a ética desta pesquisa podem ser solicitadas ao
COEP-UFMG (Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG na Av. Antônio Carlos, 6627 - Unidade
Administrativa II (prédio da Fundep), 2º andar, sala 2005 r­ Campus Universitário, assim como pelo email
[email protected] ou telefones: 3409-4592.

OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA
O projeto aqui apresentado tem como objetivo estudar a influência das vibrações de corpo inteiro
(VCI) e ruído na audição. Para tal, será utilizada a Mudança Temporária de Limiar (MTL) Auditivo, que é
uma leve e temporária alteração nos limiares de audição. Pode ser causada por vários agentes e é utilizada nas
pesquisas como um meio de prever qual o dano que esses agentes podem causar na audição das pessoas. A
alteração causada é temporária porque passado certo tempo, a audição retorna completamente ao normal.
Saber qual o efeito das vibrações na audição tem relevância se considerarmos o contexto
ocupacional, indivíduos que trabalham diariamente expostos a esse risco podem estar sujeitos a problemas.
Conhecer melhor esses problemas permite criar medidas de promoção, prevenção e proteção que porventura
sejam necessárias.

INFORMAÇÕES GERAIS
Serão realizados testes laboratoriais, utilizando-se uma plataforma vibratória e equipamentos para
aplicar e medir a vibração e ruído. Em nenhuma situação os níveis de vibração e freqüências utilizadas serão
superiores aos recomendados por norma, tais como a ISO2631-1 (1997) ou a Diretiva Européia 2002/44/EC
(2002) de modo a garantir a segurança dos voluntários. Também serão respeitadas as recomendações da
norma ISO13090-1 (1998), e as normas do ministério do trabalho quanto aos níveis de ruído (NR-15).
É importante salientar que o voluntário a qualquer momento pode solicitar aos responsáveis pela
pesquisa sua exclusão. A desistência ou recusa em participar não trará prejuízos acadêmicos ou de outra
natureza. Os dados fornecidos pelos voluntários durante sua seleção serão mantidos em sigilo, assim como os
dados obtidos durante a realização dos testes que serão divulgados de forma anônima. Nenhum tipo de
ressarcimento ou indenização está previsto aos voluntários que participarem da pesquisa.

COLETA DE DADOS ­ PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
A primeira etapa da coleta de dados será a leitura e assinatura deste Termo de Compromisso Livre e
Esclarecido (conhecido como TCLE).
Além da explicação aqui apresentada, antes do início dos testes, os pesquisadores fornecerão uma
explicação verbal acerca dos mesmos de modo a esclarecer os voluntários sobre os procedimentos adotados e
elucidar quaisquer dúvidas que por ventura venham a persistir. Entretanto, a qualquer momento durante a
pesquisa, os voluntários poderão solicitar informações adicionais. Caso algum termo "técnico" não fique claro

113

ao voluntário, o mesmo poderá solicitar explicação sobre o mesmo. Este termo de consentimento, assim como
a explicação mais detalhada do procedimento a ser adotado, ficará por conta da aluna de mestrado Juliana
Gonçalves Dornela, a quem as dúvidas devem ser dirigidas. Durante os testes ela será a pessoa responsável
perante os voluntários.
Caso o voluntário concorde na sua participação, será aplicada uma anamnese, onde o mesmo
fornecerá informações sobre suas condições de saúde, segundo recomendações da norma ISO13090-1 (1998)
- "Mechanical Vibration and Shock ­ Guidance on Safety Aspects of Tests and Experiments with People". Os
resultados desta anamnese determinarão a continuidade de participação do voluntário na pesquisa. Caso não
haja nenhum impedimento, dar-se-á prosseguimento as etapas seguintes, assim descritas:
No primeiro dia de testes cada voluntário passará por uma bateria de exames audiológicos, de modo
a verificar se realmente não possuem nenhum problema auditivo prévio. Caso seja detectado algum problema,
os mesmos serão excluídos já nesta etapa. Os testes audiológicos realizados serão: meatoscopia, audiometria
tonal e emissões otoacústicas por produto de distorção.
Segue-se a descrição detalhada de cada exame:
1) Meatoscopia: inspeção luminosa do canal auditivo externo, para tal, utiliza-se um otoscópio.
2) Audiometria tonal: teste que define os limiares de audição, ou seja, qual é o som mais baixo que
o paciente escuta. É realizado com fones de ouvido, dentro de uma cabine audiométrica, o
paciente escuta o estímulo sonoro e deve responder positivamente.
3) Emissões Otoacústicas: mede a integridade da orelha interna. Utiliza-se uma oliva (borrachinha)
na orelha para se realizar o exame. O paciente apenas escuta uma série de sons, mas não é
necessário fazer nada.
Todos os exames são rápidos e inofensivos ao paciente.
Depois de realizados os exames audiológicos, no plano de coleta de dados que se pretende seguir,
cada pessoa participará de três sessões de teste, divididas em três dias distintos, conforme descrito abaixo. O
tempo estimado para cada uma das exposições e a intensidade dos sinais serão estabelecidos de acordo com os
achados da literatura e normas vigentes::
1) Exposição a Níveis de Pressão Sonora Elevados (NPSE):
O voluntário se encontrará sentado e serão colocados fones de ouvido através do qual será fornecido
um estímulo sonoro cuja intensidade e tempo serão definidos de modo a causar uma MTL de acordo com as
normas de saúde vigentes (NR-5 do ministério do trabalho). Depois de passados dois minutos, será novamente
submetido aos exames de audiometria tonal e emissões otoacústicas que serão posteriormente comparados aos
exames iniciais tomados como referência para cada voluntário.
2) Exposição a vibrações de corpo inteiro (VCI):
O voluntário estará sentado em uma cadeira colocada sobre uma placa com área aproximadamente
igual a 0,7 m². A placa estará apoiada em quatro molas de compressão com altura igual a 270,0 mm quando
descarregada e até 90,0 mm quando carregada. A cadeira apresentará encosto e não será acolchoada, pois isso
alteraria os resultados encontrados. Este conjunto (pessoa, cadeira, placa e molas) será submetido à vibração,
na direção vertical, em freqüência, amplitude e tempo definidos de acordo com a bibliografia consultada e
geralmente encontrada em ambientes de trabalho. Serão respeitados os limites estabelecidos pela Diretiva
Européia de 2002 que é quem trata deste assunto em ambientes de trabalho. Após a exposição, o voluntário
será novamente submetido aos exames de audiometria tonal e emissões otoacústicas para comparação com os
exames de referência. Nesta etapa, de modo a ser possível a comparação com a bibliográfica consultada e
tentando se responder porque as conclusões obtidas em estudo anterior foram divergentes destas bibliografias,
pode ser necessário mais de uma exposição por teste, sendo neste caso, feita a avaliação auditiva após cada
exposição.
3) Exposição a VCI e NPSE simultâneos:
Nesta última situação de exposição, os voluntários serão expostos às mesmas condições anteriores,
porém, concomitantemente. O paciente estará sentado na cadeira sobre a placa vibrante com os fones de
ouvido emitindo ruído. Após a exposição o voluntário será novamente submetido aos exames de audiometria
tonal e emissões otoacústicas para comparação com a referência.
A ordem dos testes descrita acima poderá ser alterada sem nenhum prejuízo ao voluntário ou aos
dados obtidos.
De modo a se ter maior número de dados para serem trabalhados, após cada uma das exposições
descritas acima será aplicado um novo questionário verificando a presença de efeitos auditivos e extraauditivos devido a exposição. Por ser um procedimento que depende da participação e consentimento do
voluntário, foi incluído também neste TCLE.
A análise dos dados obtidos será feita de forma estatística. É importante salientar que esta etapa será
feita a posteriori, não sendo mais necessária a presença do voluntário.

114

NOME:
TELEFONE:
Email:
Número de identificação do voluntário (ID do voluntário):

Declaração de consentimento
1.1) Eu, abaixo assinado, aceito ser voluntário nos experimentos mencionados
acima, durante o período de
/
/
a
/
/
.
1.2) Explicações acerca dos testes, a natureza da vibração/choque a ser utilizada,
assim como dos níveis de ruído, e os potenciais riscos e precauções tomadas contra
eles me foram fornecidas;
1.3) Embora tenha aceitado participar para o propósito dos testes na(s) hora(s),
local(is) requeridos pelo(s) pesquisador(es), eu entendo que tenho o direito de me
excluir dos testes e que não tenho nenhuma obrigação para dar razões para isto ou
participar novamente dos mesmos. Estou ciente que a desistência ou recusa em
participar não me trará prejuízo acadêmico ou de outra natureza.
1.4) Eu aceito observar todas as normas vigentes no local dos testes. Portanto, aceito
respeitar as instruções dadas a mim pelo(s) pesquisador(es) referentes a segurança,
garantindo apenas o meu direito de exclusão dos testes declarado acima.
1.5) Eu entendo que a aceitação dos riscos não me exime dos direitos legais e
possíveis compensações.
Ao assinar este termo de compromisso livre e esclarecido (TCLE) para participação nos testes da
pesquisa "Análise da Mudança Temporária de Limiar Auditivo de Indivíduos Expostos a Vibrações de
Corpo Inteiro (VCI) e Níveis de Pressão Sonora Elevados (NPSE)", eu, abaixo assinado, estou de acordo
com os procedimentos de testes a que serei submetido.

________________________________________________
Assinatura do Voluntário

Pesquisador Maria Lúcia M. Duarte

Pesquisador Marco Aurélio Rocha

____________________________
Pesquisador Juliana G. Dornela
Belo Horizonte,

/

/

.

115

Anexo D - INFORMAÇÕES TÉCNICAS DO AUDIÔMETRO
Audiômetro AC33 Interacoustics
Audiômetro portátil de 2 canais independentes
Freqüências: 125/250/500/750/1000/1500/2000/3000/4000/6000/8000/12000 Hz
Via Óssea: 250/500/750/1000/2000/3000/4000/6000/8000 Hz
Comunicação do computador: Interface interna RS232C que permite o
computador bem como o monitor controlar o AC33.
Dimensões: 48x40x15 cm
Peso: 9 Kg
Potência: AC 50-60 Hz., 100-120 V, 200-240 V
Consumação: Máx. 140VA
Fones de ouvido audiométricos TDH39
Condutor ósseo B71
Microfone em forma de pescoço de ganso
Botão da resposta do paciente APS3
Amplificador de força externa AP70 2x70 watt
Alto-falante ALS7 FF (AP70)
Monitoramento e mascaramento para a inserção do fone de ouvido
Canal 1: Entrada: Tom, Microfone, Fita/CD 1 + 2; Saída: Esquerda, Direita, Óssea
(Esquerda/Direita), Campo livre 1 + 2, Fone de inserção
Canal 2: Entrada: Tom, Microfone, Fita/CD 1 + 2, NB, SN, BB; Saída: Esquerda, Direita,
Óssea, Campo livre 1 + 2, Fone de inserção
Estímulos do tom: Manual, contínuo, único e pulsando
Fala: Ao vivo, fita ou CD
Intensidade: AC: -10 a 120 dB HL em 1 ou em etapas de 5 dB
BC: -10 a 80 dB em 1 ou em etapas de 5 dB
Fala para frente: 0-110 dB SPL

116

Anexo E - MODELO DE AUDIOGRAMA
Data: ____/____/____
Nome:____________________________________________Repouso
Audiômetro: _____________

Auditivo:
Fabricante:_____

________
Data

calibração:

____/____/____
Meatoscopia: OD: _________________________________OE: _____________

TRAÇADO AUDIOMÉTRICO
Freqüência em kHz
0,25

0,5

1

2

3

4

6

8

-10
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
110
120
130

SÍMBOLOS
Respostas presentes

OD

OE

OD

OE

Via de Condução
Aérea
Respostas ausentes
Via de Condução
Óssea

117

Anexo F - INFORMAÇÕES TÉCNICAS DO APARELHO DE EOAS
Equipamento: AUDX SCOUT SPORT
Fabricante: Biologic
Apresenta dois tipos de sinais, o produto de distorção e os cliks (utilizados na pesquisa de
emissões evocadas Transientes). Portátil e de fácil utilização com resultados objetivos.
Utiliza baterias recarregáveis, memória para 10 testes no aparelho, microfone protegido,
novo e melhorado, com a ponta fácil de limpar e que dificulta entupimento ou
contaminações.
Protocolo de teste para exame EOA por Produto de Distorção Teste diagnóstico:
Tipo display: DP-Gram
Eixo horizontal: F2 freqüência
Freqüência inicial (Hz): 8000
Freqüência final (Hz): 750
Razão F1/F2: 1.22
Nível L1(dB): 65
Nível L2(dB): 55
Pontos por oitava: 2
Limite tempo ponto (segundos): 20
Amplitude mínima PD (dB): -5.0
Ruído (dB): -17.0
Razão sinal/ruído (dB): 6.0

118

Anexo G ­ QUESTIONÁRIO QUEIXAS AUDITIVAS E EXTRAAUDITIVAS
Nome (iniciais):
Idade:

Data:
Tipo Estimulação: ( )1ª vez Ruído ( ) 2ª vez Ruído
( )1ª vez Vibração ( ) 2ª vez Vibração
( )1ª vez ruído + vibração ( ) 2ª vez ruído +vibração
Fatores Auditivos

Apresentou após exposição:
1. Zumbido

( )sim

( )não

2. Tonteira

( )sim

( )não

3. Dor de ouvido

( )sim

( )não

4. Sensação de ouvido tampado (plenitude auricular)
5. Percebeu alguma diferença na audição?

( )sim

( )sim

( )não

( )não ( )melhorou ( )piorou

Fatores Extra-Auditivos
Apresentou após exposição:
1. Dor de cabeça

( )sim

( )não

2. Náusea/enjôo

( )sim

( )não

3. Cansaço

( )sim

( ) não

4. Irritação

( )sim

( )não

5. Nervosismo

( )sim

( )não

6. Ansiedade

( )sim

( )não

7. Fadiga mental/desatenção

( )sim

( )não

8. Dor nos ombros

( )sim

( )não

9. Dor na coluna

( )sim

( )não

10. Dor na região abdominal

( )sim

( )não

11. Dor no pescoço

( )sim

( )não

12. Dor

na

região

do

diafragma

(

)sim

(

)

não

119

Anexo H -

INFORMAÇÕES

TÉCNICAS

DOS

EQUIPAMENTOS

UTILIZADOS NAS EXPOSIÇÕES A VCI

H.1

Acelerômetro triaxial

Modelo: AP 2083
Nº de série: 5019
Informações técnicas:
Tabela H.1 ­ Acelerômetro triaxial

Sensibilidade Axial (mV/g)
Sensibilidade transversa relativa (%)
Voltagem (suply voltage) (V)
Corrente (suply current) (mA)
Nível de ruído (g)
Saída bivolt (V)
Impedância de saída ()
Escala de Amplitude (pico g)
Frequência de ressonância (kHz)
Escala de Frequencia (Hz) ±1dB
Escala de Temperatura (ºC)
Peso sem o cabo (gramas)
Material

H.2

X: 10,2 /Y: 9,9 /Z: 10,0
X: 70 dB
2,4,8 ohms
4, 8 ohms
± 10mV
20 k ohms, 10
k ohms
26 dB
32,1 dB
50/60 Hz,
100-240 VAC
90 W
Ventilador
proporcional
48,3cm x
13,34cm x
31,11cm
20, 98 Kg

Bruel e Kjaer Modelo 2718
Freqüência de resposta: -10 Hz a 20 kHz ( ± 0.5 dB )
-4Hz a 40 kHz ( ± 3dB )
Resposta de fase:
Peso Total: 11 Kg
Voltagem máxima: 40 dB (+- 1 dB)
Impedância de entrada:15 k
121

Impedância de saída: -< 0.04_( 10Hz a5kHz )
- < 0.08_( 5 kHz a20kHz)

H.4

Excitador

Modelo: VTS 150
Tabela H.4 ­ Especificações técnicas do excitador

Força máxima (Pico Seno)
Ventilador para amplificador
Ventilador para o vibrador
Curso (p-p)
Velocidade
Aceleração máxima
Peso da armadura
Rigidez da suspensão
Primeira ressonância principal
Escala de freqüência
Impedância nominal
Potência

H.5

150 lbf
incluso
Incluso
1,0"
70 ips
110 g
.71 lbs
40 lbs/in
5400 Hz
2 - 8500 Hz
6 ohms
28 A/ 120 V
15 A/ 240 V

Analisador de Sinais

Modelo: Maestro WB
Possui 4 canais compatível com acelerômetro triaxial permitindo medição nos três eixos de
vibração simultaneamente. Memória de 2 MB para aproximadamente 999 medições que
podem ser descarregadas em computador por uma porta serial para o software incluso (dB
MAESTRO) de análise e armazenamento.
Em cada versão o Maestro possui as seguintes características gerais :
· Alimentação para sensores pré-amplificados (tipo ICP®).
· Calibração por sensibilidade e por calibrador externo.
· 2MB de memória para armazenamento de dados.
· Porta serial RS232C para descarregamento dos dados armazenados na
memória.
· Saídas de sinais AC para cada canal.
As Configurações possíveis com o Maestro são:

122

· WB ­ Corpo Inteiro ("Whole Body") (3 canais) ­ para medições de vibrações do corpo
humano (WB) e da Transmissibilidade Efetiva de Aceleração para o Assento (opção
SEAT). Medição VDV e MTVV.
· HA ­ Mãos e Braços (3 canais) ­ para medições de vibrações de Mãos e Braços (H&A).
· VIB (1 canal) ­ Para medições de Vibração em geral.
· NO (1 canal) ­ Para medições de Ruído.

H.6

Condicionador de Sinais

PCB Piezotronics - Modelo: 482A22
4 canais
Resposta de alta Freqüência: >1000 kHz
Resposta de baixa Freqüência: < 0,1 Hz
Corrente de excitação constante: 2 a 20 mA
Descarga constante de tempo: 10 a 15 segundos

H.7

Placa de Aquisição de sinais

NI Speedy 33 ­National Instrumensts
Taxa de amostragem suportada 8 kHz, 18kHz, 24 kHz, 36 kHz e 48 kHz
Memória (on chip-RAM): 34K x 32
Memória (Flash): 512K x 8
Processador digital de sinal (DSP): TMS320VC33
Possui Conector USB
Temperatura de operação: 0 a 55 °C

123

Anexo I ­ INFORMAÇÕES TÉCNICAS DO PROTETOR AUDITIVO
Tipo do Equipamento: PROTETOR

AUDITIVO HB-25

Natureza: Importado
Descrição do Equipamento:

protetor auditivo, circum-auricular, constituído por duas conchas de

plástico, revestida com almofadas de espuma em suas laterais (que entram em contato com
a cabeça do usuário) e no interior das conchas. Possui também um arco que serve para
manter as conchas firmemente selada contra a região das orelhas do usuário.
Dados Complementares
Norma:

ANSI S3.19- 1974

Fabricante: Elvex
Aprovado:

Corporation

proteção auditiva do usuário contra ruídos superiores à 85 dB, conforme tabela de

atenuação a seguir.
Laudo/Atenuação
Tipo do Laudo: Laboratório
Laboratório: NVLAP#0437

Frequência (Hz):

125

Atenuacão (dB):

13,1

19,8

29,3

37,6

36,7

33,3

36,3

36,6

35,6

25

Desvio Padrão:

2,0

1,7

1,8

1,8

2,0

2,2

2,9

4,0

2,1

-

250

500

1000

2000

3150

4000

6300

8000

NRRsf

124