Laboratórios Abertos 2011

Editado por:
Departamento de Engenharia Química e Biológica
Instituto Superior Técnico

Edição de:
Maria Amélia Lemos, Cristina Gomes de Azevedo

Com a participação do Departamento de Bioengenharia

Com a colaboração de:
Núcleo de Engenharia Química
Núcleo de Engenharia Biológica

Capa:
Maria Amélia Lemos, Cristina Gomes de Azevedo
Fevereiro 2011

ISBN: 978-989-96933-1-9

ÍÍnnddiiccee
Índice........................................................................................................................................3
Programa..................................................................................................................................4
Experiências no Laboratório.....................................................................................................5
Módulo I ­ Química e Engenharia Química .............................................................................5
Experiências no Laboratório...................................................................................................33
Módulo II ­ Ciências Biológicas e Bioengenharia ..................................................................33
Equipa ....................................................................................................................................39
Escolas Participantes .............................................................................................................42
Laboratórios Abertos vistos pela Objectiva ............................................................................43
Memórias da visita aos "Laboratórios Abertos Júnior 2011" no IST...................................43
Cativar os Alunos para a Química ......................................................................................44
Concurso de Fotografia ­ Química é Arte ..........................................................................45
Patrocínios .............................................................................................................................57

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Horário
Manhã

9:30 h ­ 11 h

Tarde

14:00 h ­ 15:30 h

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Módulo I ­ Química
·

A Paleta Química das Cores

·

O Arco-Íris da Química

·

À Descoberta da Química Orgânica

·

Show do Azoto

Ou
Módulo II ­ Ciências Biológicas e Bioengenharia
·

Processos Biológicos: Pequena Escala, Grandes Aplicações

·

Os Micróbios são Nossos Amigos

Actividades
Experiências no laboratório
(Módulo I ou II)
Experiências no laboratório
(Módulo I ou II)

E
Exxppeerriiêênncciiaass nnoo LLaabboorraattóórriioo
M
Móódduulloo II ­­ Q
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Quuíím
miiccaa ee E
Ennggeennhhaarriiaa Q
Quuíím
A Química, e a Engenharia Química, através de experiências lúdicas, coloridas, misteriosas,
saltitonas, como forma de conhecer o Mundo que nos rodeia, de melhorar a nossa vida
quotidiana e levar a uma diversão de base científica.

A Paleta Química das Cores
A Química é uma ciência que tem sem dúvida um elevado impacto visual quando as
reacções químicas envolvem mudanças de cor entre os reagentes e os produtos da
reacção. Em particular, há reacções em que intervêm substâncias com um comportamento
interessante e a que se chamam indicadores ácido-base, ou indicadores de pH. Através do
uso destes compostos orgânicos, usualmente com elevado peso molecular, é possível
planear algumas experiências no laboratório como, por exemplo, escrever mensagens
secretas ou fazer um desenho invisível que posteriormente será revelado a cor. Também se
pode verificar a acidez ou a basicidade correspondente a um dado produto utilizado no
nosso quotidiano doméstico como, por exemplo, vinagre, farinha Maizena, pasta de dentes
ou lixívia, ou então compreender porque é perigoso fazer misturas das lixívias normal e
correspondente gentil de forma a tentar melhorar a limpeza. Se estes são alguns dos
ensaios possíveis em laboratório, em termos da natureza há uma grande diversidade de
aplicações destes indicadores ácido-base, já que são eles que explicam a grande variedade
de cores de frutas, flores e folhas que vão do vermelho-alaranjado, ao vermelho vivo, roxo e
azul.
Este tópico inclui as seguintes experiências:
·

Arte alcalina

·

A couve roxa

·

Incompatibilidade das lixívias

Arte alcalina

Sílvia Chaves
Centro de Química Estrutural, Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa
A arte (do latim Ars, que significa técnica e/ou habilidade) é geralmente entendida como a
actividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita a partir de emoções e/ou
ideias e de modo a dar um significado único e diferente a cada obra de arte produzida. A
capacidade de cada ser para se tornar um artista depende evidentemente das suas ideias,
criatividade e imaginação, mas a parte que interessa aqui realçar é que a química (do
egípcio keme, que significa terra) pode também desempenhar um papel no processo de
apresentação da obra final.

O que se propõe nesta experiência é que se dê azo à imaginação, ou então se escreva
simplesmente uma mensagem, com uma solução incolor, após o que a folha de papel é
colocada numa estufa durante cerca de 1 minuto. Decorrido este período, o que foi
escrito/desenhado é revelado em cor carmim, depois de borrifar o papel com outra solução
incolor.
O que acontece? Porquê o nome de "Arte alcalina"?
O que se passa é que neste ensaio se escreve/desenha com uma solução incolor de
fenolftaleína (um conhecido indicador ácido-base) e depois se revela a cor carmim
borrifando a folha de papel com uma solução incolor de hidróxido de sódio (NaOH) que é
uma solução básica, também chamada de alcalina, o que explica o nome "Arte alcalina".
Então o que é um ácido?
Ácido pode ser definido como toda a substância que em solução aquosa liberta iões H+. Um
exemplo é o ácido clorídrico (HCl):
HCl H+ + Cl-.
E uma base?
Uma base será uma substância capaz de aceitar
iões H+. Um exemplo é a amónia (NH3):
NH3 + H+ NH4+.

O que significa pH?
O pH refere-se a uma medida que indica se uma
solução é ácida (pH < 7), neutra (pH

= 7) ou

básica/alcalina (pH > 7). Segundo a tabela ao lado,
são exemplos de ácidos o sumo de limão, a cocacola e o vinagre, o leite e a água pura são neutros,
enquanto a água do mar e o sabonete de mãos
são exemplos de produtos básicos/alcalinos.

Voltando agora ao ensaio com a fenolftaleína, esta é um indicador ácido-base, o que
significa que é um composto que tem a particularidade de apresentar cores diferentes

consoante adquire iões H+ ou não. Assim, ela é incolor em soluções ácidas (em que recebe
iões H+) e carmim em soluções básicas (em que esses H+ são removidos), sendo a sua
zona de viragem de cor a pH 8,3 -10, apresentando nessa zona um tom rosa pálido. Como a
solução de hidróxido de sódio usada para borrifar o papel tem um pH superior a 10, é
revelado o desenho/mensagem no tom carmim característico da fenolftaleína na forma
básica. Pode então dizer-se que a fenolftaleína tem cores distintas consoante o seu estado
de protonação. Concretamente, em meio básico, são removidos os dois protões dos grupos
hidroxilo e o anel central da fenolftaleína abre. Esta nova forma desprotonada da
fenolftaleína tem cor carmim.

Totalmente incolor

Nitidamente carmim

8,3

10,0

pH

A couve roxa

Sílvia Chaves
Centro de Química Estrutural, Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.
As antocianinas são pigmentos responsáveis por uma grande variedade de cores de frutas,
flores e folhas. Estes pigmentos mudam de cor com o pH (maior ou menor acidez). É por
isso que as hortênsias podem ser azuis ou cor-de-rosa, conforme o sítio onde são
plantadas, ou conforme o que se põe na terra do canteiro do jardim. Outras flores e folhas,
como por exemplo as azáleas, hibiscos e a couve roxa, também apresentam pigmentos
desde tipo.
As antocianinas podem ainda ser utilizadas como corantes alimentares (E 163 corante
vermelho), visto que os corantes alimentares sintéticos têm vindo a ser proibidos por razões
de segurança.

Graças, então, às propriedades das antocianinas, é possível utilizar um extracto natural de
couve roxa como indicador de pH (ou seja, da acidez ou da alcalinidade) de uma solução e
construir uma escala própria de pH, com diversas gradações de cor.

pH
1-5
6-7
8-10
11-12
> 13

Cor das
antocianinas
vermelho/rosa
violeta
azul
verde
amarelo

Nesta experiência é preparado um extracto de couve roxa, por maceração de pedaços de
folha em álcool, e seguidamente é analisada a acidez/basicidade de vários produtos de uso
doméstico corrente (vinagre, fermento, farinha Maizena, pasta de dentes, líquido limpavidros, lixívia).

Incompatibilidade das lixívias

Clementina Teixeira
Centro de Química Estrutural, Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.
Já ouviu dizer lá em casa que a limpeza é mais eficiente se forem misturadas uma lixívia
normal e a correspondente lixívia gentil? Espera-se que NUNCA tenha ouvido tal
comentário, e já vai perceber porquê!
Uma lixívia normal é constituída por uma solução de hipoclorito de sódio (NaClO), enquanto
uma lixívia gentil é uma solução que, entre outros constituintes, contém água oxigenada
(H2O2). Com umas gotas de solução de fenolftaleína pode-se verificar que a lixívia normal é
básica (cor carmim do indicador), enquanto a lixívia gentil é ácida (indicador permanece
incolor).

As duas lixívias são incompatíveis e a sua mistura é nociva. Com efeito, ao misturar as
duas lixívias, verifica-se a libertação de gases (cloro e oxigénio) que ficam aprisionados no
detergente formando uma grande quantidade de espuma compacta que costuma
entusiasmar as pessoas por lhe atribuírem qualidades sépticas excepcionais. Pretende-se
aqui alertar para aspectos de segurança visto que o cloro é um gás altamente tóxico e
corrosivo, agindo principalmente sobre os olhos e sistema respiratório, e podendo chegar a
ser fatal no caso de concentrações elevadas.
A reacção que ocorre é uma reacção química dita redox, visto que ocorre a transferência de
electrões entre os reagentes.
2 NaClO (aq) + H2O2 (aq) Cl2 (g) + O2 (g) + 2 NaOH (aq)
Para provar que esta reacção se dá podem juntar-se umas gotas de fenolftaleína à mistura
das duas lixívias e verificar o aparecimento da cor carmim característica de um meio básico
(comprovativo da formação da base NaOH).

O Arco-Irís da Química
Composição colorida: a química é arte!
Cristina Gomes de Azevedo
Centro de Química Estrutural, Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.
Maria Amélia Lemos
Centro de Engenharia Biológica e Química, Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia,
Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto Superior Técnico, Av. Rovisco
Pais 1, 1049-001 Lisboa.
A cor assume um papel fundamental na química.
A utilização da cor por parte da química pode ser encarada de diversas perspectivas.
Frequentemente a cor é um objectivo mas também é a ferramenta chave por excelência, no
diagnóstico dos fenómenos/reacções químicas. Quer no fabrico de tintas, pigmentos ou
corantes quer nas reacções químicas que ocorrem com aparecimento/desaparecimento ou
mudanças de coloração, a química é uma ciência repleta de cor.
Como seria a química sem cor? Muitos factos permaneceriam imutáveis outros não, mas de
certeza a química seria uma ciência muito menos atractiva.
Neste conjunto de experiências os estudantes são convidados a fazer arte no laboratório! A
mistura de cores deixada ao critério individual tem um enorme impacto visual que se
pretende seja uma força motivadora e um estímulo na procura do "porquê" e na
interpretação dos efeitos observados.
Os conceitos ilustrados nestas experiências envolvem as noções de misturas homogéneas e
heterogéneas líquidas, solubilidade e miscibilidade.
As misturas homogéneas apresentam composição uniforme (a olho nu não se distinguem os
seus componentes) e as misturas heterogéneas apresentam composição não uniforme
(distinguem-se os seus componentes a olho nu). Exemplos da primeira são soluções
aquosas de álcool etílico (a água e o etanol estão tão bem misturados que a composição da
mistura é uniforme) e exemplos da segunda são uma mistura de água e azeite (o azeite não
se mistura com a água, e fica separado desta). O álcool é miscível com a água enquanto o
azeite é imiscível. As forças intermoleculares entre as moléculas de água são do mesmo
tipos das que existem entre as moléculas de etanol e assim as moléculas de água
estabelecem com o etanol também o mesmo tipo de interacções. Daqui resulta a
miscibilidade dos dois líquidos. Já entre azeite e água a situação é diferente. As interacções

entre moléculas de água-água é diferente das moléculas de azeite-azeite e os dois líquidos
são imiscíveis. O azeite não se mistura e, por ser menos denso, fica por cima da água.
Assim a água e o etanol formam uma mistura homogénea líquida, enquanto a água e o
azeite constituem uma mistura heterogénea.
Uma palavra mais vulgar para designar uma mistura homogénea é solução. O componente
em maior quantidade designa-se solvente e o outro soluto. Embora as misturas
homogéneas possam ocorrer em qualquer estado físico usa-se normalmente a palavra
solução para soluções líquidas. Pode-se obter uma solução a partir de um soluto sólido que
ao dissolver-se no solvente (líquido) passou a fazer parte da solução líquida.
O fenómeno da dissolução resulta da interacção soluto-solvente. Quando uma substância (o
soluto) se dissolve noutra (solvente) as partículas do soluto dispersam-se neste último. Isto
significa que as forças intermoleculares (as forças de interacção) entre as moléculas de
soluto são semelhantes às que existem entre as moléculas de solvente, o que permite que
se estabeleçam interacções soluto-solvente do mesmo tipo. A solubilidade de um
determinado composto num solvente pode resumir-se na chamada regra de ouro da
solubilidade: "igual dissolve igual". Assim, a imiscibilidade entre 2 líquidos resulta do facto de
cada um ter um diferente tipo de forças intermoleculares.
Sobre a bancada do laboratório os alunos vão encontrar várias soluções de diferentes cores.
As misturas heterogéneas em causa são constituídas por 2 fases, uma fase orgânica
(formada por diclorometano ou éter de petróleo) e uma fase aquosa. No caso do conjunto
diclorometano/água a fase orgânica, por ser mais densa, fica por baixo da fase aquosa.
Para o par éter de petróleo/água a posição relativa inverte-se. A coloração da fase aquosa é
dada por corantes alimentares, enquanto a cor rosa da fase orgânica se deve à dissolução
de uma pequena quantidade de cristais de iodo. Para cada mistura, estas 2 fases imiscíveis,
sob a acção de forte agitação mecânica, através de um agitador magnético, interpenetramse, produzindo vórtices coloridos com um efeito atractivo muito agradável. A diferente
densidade relativa das 2 fases reflecte-se no tipo de resultados. Os estudantes têm a
oportunidade de variar a velocidade de agitação para cada conjunto de soluções vendo o
efeito que isso provoca na separação de fases.

Ainda no âmbito da "química é arte" realizar-se-ão experiências em que o aluno produz a
sua composição colorida. Faz-se a adição, gota a gota, de diferentes soluções de
indicadores corados (fluoresceína, vermelho congo, azul de metileno e carmim indigo) a
uma solução aquosa. A sua diferente densidade e o facto de mistura não ocorrer
instantaneamente traduz-se numa separação momentânea das soluções adicionadas. A
quantidade de indicador, a velocidade de adição e as correntes de convecção que se vão
gerar dentro da solução vão determinar os efeitos obtidos, sendo que o contraste de cores
produz sempre um resultado "artístico".

No intuito de distinguir a composição colorida mais atraente tirar-se-ão fotografias à "obra de
arte" de cada grupo de alunos e, no final dos "Laboratórios Abertos Júnior 2011", será eleita
a vencedora.
Mais detalhes em: "Spectacular Chemical Experiments", Herbert W. Roesky, 2007, WileyVCH Verlag GmbH & KGaA, Weinheim

Um mistério colorido

Maria Amélia Lemos, Francisco Lemos
Centro de Engenharia Biológica e Química, Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia,
Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto Superior Técnico, Av. Rovisco
Pais 1, 1049-001 Lisboa.
A visão é um dos mais importantes órgãos sensoriais do corpo humano e permite-nos ter
uma imagem muito detalhada do ambiente que nos rodeia.
Muito daquilo que vemos, e muita da tecnologia que utilizamos para
visualizar imagens, tem a ver quer com a forma como os objectos
enviam a luz para os nossos olhos quer com a forma como os
nossos olhos interpretam a informação que lhes chega.
Neste pequeno "Mistério Colorido" pretende-se ilustrar as duas
principais formas pelas quais os objectos enviam luz para o meio
que os rodeia.
A luz que nos chega de um objecto pode ter essencialmente duas
origens ­ ou é originada directamente pelo objecto (que a emite) ou
pode ser luz originada por outra fonte e que foi reflectida pelo
objecto. Quando olhamos à nossa volta a maior parte do que
vemos é luz reflectida ­ os objectos são iluminados pelo sol e
reflectem uma parte da luz que recebem, absorvendo outra. O facto
de absorverem uma parte e reflectirem outra tem a ver com a
estrutura da superfície do objecto e com a composição química
deste. Em particular a cor de que nos apercebemos da luz que
atravessa uma solução depende fortemente da composição química desta, e os químicos
utilizam este facto para obter informação sobre a composição dos materiais.
O exemplo mais evidente de um objecto que emite a sua própria luz é o sol, mas muitos
outros estão à nossa volta, como os televisores e os ecrãs de computadores. Em relação a
estes, a luz que emitem depende também da sua composição
química (é assim que os astrónomos analisam a composição
química das estrelas).
A luz do sol é composta por uma grande variedade de cores
(associadas ao comprimento de onda da radiação) e os nossos
olhos evoluíram de forma a interpretar a luz que vem do sol como
sendo branca. O desequilíbrio entre as várias cores é interpretado pelos nossos olhos de

forma a identificarmos várias cores, o que é normalmente representado pela chamada "rosa
das cores". Algumas destas cores não correspondem efectivamente a cores reais,
identificáveis com comprimentos de onda bem definidos ­ por exemplo, a cor designada por
magenta é, na verdade, identificável com a ausência de verde na luz branca mas não pode
ser atribuída a uma cor do espectro.
Todos estes factos são utilizados na tecnologia com que
lidamos todos os dias. Uma televisão apresenta uma
enorme variedade de cores mas, no entanto, só é capaz
de emitir três cores diferentes ­ o vemelho, o verde e o
azul (RGB ­ Red Green Blue) e é a composição destas
Pormenor de um ecrã de
televisão

três cores primárias que originam todo o espectro de
cores que vemos.

Pelo contrário, quando imprimimos uma fotografia
(ou pintamos um quadro), as cores são geradas por
absorção de luz e não por emissão ­ as tintas que
vamos colocar no papel removem algumas das
componentes da luz incidente. Assim, ao contrário
do processo aditivo que é utilizado nos ecrãs de
televisão, a impressão é feita por um processo
subtractivo e as impressoras utilizam normalmente
um

outro

conjunto

de

cores,

as

cores

complementares ­ o ciano, o magenta e o amarelo,
às quais é normalmente acrescentado o preto

Uma palete de tintas

(CMYK ­ Cyan Magenta Yellow BlacK).
Vamos agora olhar para o balão que preparámos incidindo sobre ela uma luz forte. Se
olharmos para o balão do lado em que incide a luz, a solução no seu interior parece ter um
verde forte, opaco e brilhante; pelo contrário, se olharmos para ela do lado oposto à luz a
solução parece ser de um vermelho profundo e transparente.
Esta garrafa contém duas substâncias dissolvidas. Uma é um composto fluorescente que,
quando sujeito a iluminação, emite num comprimento de onda verde, o que confere à
garrafa o tom verde brilhante que se observa do lado em que ela é iluminada. A outra
substância é um corante que absorve alguns comprimentos de onda, apresentando um tom
azul-avermelhado; é a combinação da luz que é absorvida por este corante e pelo composto
fluorescente que confere o tom vermelho à solução quando observada do lado oposto à
iluminação.
Para saber mais - T.T. Earles, A. Pearson, D. Blackman, J. Chem. Ed., 71(1994) 767.

Bolinhas Saltitonas
Ana Maria Carmo e Ana Sara Knittel
Alunas de Mestrado Integrado Engenharia Biológica, Departamento de Engenharia Química
e Biológica, Instituto Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.
Pedro T. Gomes
Centro de Química Estrutural, Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.

Qual a criança que nunca tenha corrido na tentativa de apanhar aquelas pequenas e
coloridas bolas que, como que por "magia", saltavam incessantemente?
Quantas dessas crianças não terão questionado o que teriam as "bolas saltitonas" (Fig. 1)
de diferente em comparação com as outras? Possivelmente esta questão é daquelas que
por vezes acompanha muitas pessoas até à idade
adulta, e que agora nos propomos a esclarecer.
Para as conseguir, junta-se dois líquidos num
copo de precipitação, uma solução aquosa de
silicato de sódio e etanol, usando uma espátula
para os misturar bem. Curiosamente, da junção
destas duas substâncias obtém-se um "sólido"!
O silicato de sódio (Na2SiO3) em solução aquosa
encontra-se na forma de um polímero incolor,

Figura 1 ­ Bolas Saltitonas

bastante viscoso e de aspecto opalescente, conhecido por vidro líquido ("water glass").
Também se pode encontrar anidro, na forma de um sólido branco.
Em solução, o silicato de sódio dissocia-se nos iões Na+ e SiO32-. Este último, em meio ácido
reage com os catiões H+ e forma o ácido silícico (H2SiO3), muito usado para a síntese de
sílica gel cuja principal aplicação é a absorção de humidade.
Existem várias formas moleculares de silicato de sódio, sendo que nesta experiência utilizase meta-silicato de sódio, que apresenta a seguinte estrutura polimérica:

Figura 2 ­ Estrutura monomérica (esquerda) e polimérica (direita) do meta-silicato de sódio

O etanol, ou álcool etílico, (C2H5OH) é uma substância orgânica com inúmeras aplicações
no nosso quotidiano (Fig. 3).

Figura 3 - Estrutura química bi- e tridimensional do etanol

O etanol possui na sua estrutura um protão relativamente ácido, que se encontra ligado ao
átomo de oxigénio, que vai reagir com os grupos laterais básicos ­O-Na+ do silício da cadeia
polimérica, gerando grupos ­OH e o ião etóxido (C2H5O-). Este último vai substituir
nucleofilicamente outros grupos laterais ­O-Na+ e/ou ­OH aos átomos de silício da cadeia
polimérica inorgânica, dando origem a um polímero orgânico, que pertence à categoria dos
poli(siloxanos) ou silicones (Fig. 4).

Figura 4 ­ Reacções que ocorrem na formação do gel derivado da mistura entre a solução aquosa de
meta-silicato de sódio e o etanol

As bolas saltitonas resultam de reacções de condensação entre as cadeias de poli(siloxano)
formadas em solução, ocorrendo a formação de ligações cruzadas ­ "cross-links" ­ o que dá
origem à formação de um material elastomérico (Fig. 4).
Nestas reacções de substituição e de condensação há a formação de outros produtos como
o hidróxido de sódio e a água (Fig. 4). O hidróxido de sódio é extremamente irritante para a
pele e em especial para os olhos, podendo provocar graves lesões na córnea, pelo que se
deve vestir luvas e óculos de protecção.
Os "cross-links" não são mais do que ligações covalentes ou iónicas entre macromoléculas.
No entanto, têm consequências muito interessantes nas características do novo material.
Uma dessas características, muito relevante para as nossas bolinhas, é a diminuição da
liberdade de movimentos das moléculas devido à formação de uma rede macromolecular.
Apesar de os cross-links serem fulcrais, se a sua densidade for muito elevada, a rigidez do
polímero também o vai ser (rede densa). Portanto, polímeros com uma baixa densidade de
cross-links (rede folgada) apresentam características como maior maleabilidade e
elasticidade, sem as quais as bolas saltitonas não existiriam, pois nem teriam a sua forma,
nem saltariam.
Não só a baixa densidade de ligações cruzadas mas também a própria estrutura molecular
proporcionam que as cadeias funcionem como pequeníssimas molas que absorvem a
energia do impacto quando a bola bate numa superfície e a impelem de volta (Fig. 5).

Figura 5 ­ Bolas Saltitonas em acção

Note-se que, apesar de a partir da mistura destes dois líquidos se obter uma substância
aparentemente sólida, na realidade trata-se de um gel, ou seja, um polímero que devido às
ligações cruzadas ficou como que inchado, retendo nos espaços entre as moléculas, o
solvente (água) (Fig. 6).

Figura 6 ­ Representação esquemática da formação e estrutura do gel

Como já foi referido, durante da formação da rede polimérica final, esta perde fluidez,
embora possa ainda ser deformada. Por esta razão, as bolas adquirem a forma do
recipiente onde se encontram.
Com um carácter puramente lúdico, antes de misturar as substâncias podem adicionar-se
corantes (por exemplo corantes alimentares, por serem menos tóxicos) para tornar as
bolinhas mais divertidas e apelativas (Fig. 1).

· Allcock, H. R.; Lampe, F. W.; Mark, J. E. Contemporary Polymer Chemestry (3ª ed.). New Jersey.: Pearson
Education, Inc., 2003.
·

Billmeyer, F. W. Textbook of Polymer Science. Interscience Publishers, 1962.

·

Stevens, M. P. Polymer Chemistry, an introduction. (3rd ed.). New York.: Oxford University Press, Inc.,
1999.

·

Young, R. J.; Lovell, P. A. Introduction to Polymers (2ª ed.). Cheltenham.: Nelson Thornes, Ltd., 2002.

·

Gelest, Inc. Reactive Silicones: Forging new polymer links. <
http://www.gelest.com/gelest/forms/GeneralPages/literature.aspx> [in 21.1.2012].

·

Ophardt, C. E. Virtual Chembook
[in 21.1.2012].

À Descoberta da Química Orgânica
Dulce Elisabete Bornes Teixeira Pereira Simão
Centro de Química Estrutural, Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.
Matéria é tudo o que ocupa espaço e possui massa. Toda a matéria é constituída por
moléculas que por sua vez é constituída por conjuntos de átomos ligados entre si. Os
materiais podem classificar-se em substâncias (compostos) puras e em misturas de
substâncias. A Química Orgânica é a química dos compostos de carbono e é a base de toda
a vida na terra. Existe uma enorme variedade de compostos orgânicos. Estes podem ser
obtidos a partir de produtos naturais por extracção, ou a partir de outros produtos químicos
por reacção, conhecida como síntese orgânica. Deste modo podem obter-se novas
moléculas, úteis no desenvolvimento de novos materiais, fármacos e outras biologicamente
activas. Neste módulo pretende-se mostrar como se isolam substâncias de produtos
naturais e como se podem preparar outras que podem ou não existir na natureza através de
transformações químicas (reacções). Este tópico inclui as seguintes experiências:
Extracção do limoneno a partir do óleo de laranja:
O limoneno é um composto orgânico constituído por átomos de carbono e hidrogénio
(substância composta) e é o principal constituinte do óleo de laranja, um produto da indústria
de sumos. É obtido por extracção mecânica da casca de laranja e é usado como
aromatizante nas indústrias farmacêutica, de cosmética e alimentar. O óleo de laranja
contém 95% de limoneno, e outros compostos, num total de cerca de 30 constituintes.

limoneno

Nesta experiência, mostra-se como isolar o limoneno1 do óleo de laranja obtido na indústria
(Sumol), por destilação por arrastamento de vapor (Figura 1). O destilado (água e limoneno)

é passado para uma ampola de decantação (Figura 2) onde se processa uma decantação
em funil para separação dos dois líquidos imiscíveis e com diferentes densidades.

Figura 1 - Destilação por arrastamento de vapor do óleo de laranja.

Figura 2 - Separação do
limoneno (Inês Pinto,
MEB 3º ano)

[1] O.S. Rothenberger et al., J. Chem. Ed., 1980, 57 (10), 741.
Extracção da clorofila dos espinafres:
Os principais pigmentos existentes nas folhas de espinafres são os compostos orgânicos:
clorofila a, b e o -caroteno. A clorofila é um composto foto receptor da luz visível, essencial
para a realização da fotossíntese.

clorofila a

-caroteno

clorofila b

Nesta experiência vamos isolar estes pigmentos das folhas de espinafres2, através de uma
técnica denominada extracção em soxhlet (Figura 3). As folhas de espinafres depois de
submetidas a esta extracção ficam completamente descoloridas (Figura 4).

Figura 3 - Extracção da

Figura 4 - Espinafres antes e depois da extracção

clorofila em soxhlet

Em seguida, separa-se o solvente por destilação recorrendo a um evaporador rotativo
(Figura 5).

Figura 5 - Destilação num evaporador rotativo

Deste modo obtém-se o chamado extracto que
consiste numa mistura de clorofila a, b, -caroteno
além de outras substâncias em menor quantidade.
Estes compostos podem ser separados através de
cromatografia

em

coluna,

onde

as

diferentes

substâncias se separaram devido às diferentes
capacidades

(polaridades)

de

se

fixarem

(adsorverem) num material sólido (Figura 6).
[2] D.J. Waddington; H. S. Finlay, Organic Chemistry
through Experiment, Mills and Boon

Ltd, London,

1977, 168.

Figura 6 ­ coluna de cromatografia
para separação das várias
substâncias dos espinafres.

Síntese de um corante azul (índigo)
O índigo ou anil (nome tradicional português) é o corante mais antigo conhecido que foi
usado pelos antigos egípcios que conheciam o processo de isolamento a partir de plantas
das espécies Indigofera (Indigofera tinctoria) e teve grande importância na economia da
época antiga e medieval. Mais recentemente, foi usado para tingir os casacos azuis
fornecidos pelos Franceses aos Americanos durante a Revolução Americana e para tingir a
roupa de ganga, na altura usada só como fato de trabalho.

Uma reacção química é uma transformação química onde há a formação de novas
substâncias (produtos de reacção) com propriedades diferentes das iniciais (reagentes). A
descoberta da reacção que origina este corante, desenvolveu muito a investigação em
química orgânica. Nesta experiência, mostra-se como se sintetiza um composto orgânico.
O

O
H

H
N

CH 3COCH 3
NaOH

NO 2

N
H
O

2-nitrobenzaldeído
(reagente)

Índigo
(produto da reacção)

Os reagentes desta reacção são o 2-nitrobenzaldeído, acetona e hidróxido de sódio. Depois
de se adicionarem os reagentes, passados alguns segundos, observa-se a precipitação do
índigo (Figura 7). Este corante é isolado por filtração em vácuo3 (Figura 8). O corante obtido
é exactamente igual ao que é extraído da planta e pode ser utilizado para tingir um tecido.

Figura 7 ­ Precipitação do índigo

Figura 8 ­ Filtração em vácuo

[3] Harwood; C. J. Moody and J. M. Percy, Experimental Organic Chemistry, Blackwell
Science, 2ª Ed. 1999, 622-623.

Síntese de um polímero (Nylon)
O
Cl
Cl

NH2

H2N

O

O

O
H
N

H
N

N
H
O

n

N
H
O

O nylon é uma fibra sintética com grande interesse industrial por ser muito resistente e
flexível. Foi descoberto na tentativa de encontrar um material sintético com propriedades
semelhantes às da seda. O nylon é um polímero, ou seja é constituído por grandes
moléculas (macromoléculas) formadas através de uma reacção denominada polimerização
onde se dá a reacção entre moléculas menores (monómeros) para formar o polímero. Este
polímero é uma poliamida, porque contêm grupos ­CO­NH­ na sua cadeia principal de
carbono. Nesta experiência este polímero vai ser sintetizado utilizando como reagentes o
cloreto do ácido adípico e o 1,6 diamino-hexano. O fio de nylon é puxado com uma pinça à
medida que se vai formando e pode ser enrolado numa proveta de plástico grande ou num
sistema apropriado de roldana4 (Figura 9).

Figura 9 ­ Formação do fio de nylon
(http://joelgordon.photoshelter.com)

[4] K. J. Saunders, Organic Polymer Chemistry, Chapman and Hall,2ª ed., 1988, 191.

Purificação do ácido benzóico por recristalização
O ácido benzóico é um composto orgânico muito utilizado como aditivo alimentar na
indústria. É um sólido que, quando puro se apresenta sob a forma de cristais brancos.
O

OH

O principal método de purificação deste composto bem como de qualquer sólido é a
recristalização5, que consiste na dissolução do composto a purificar no mínimo de um
solvente adequado a quente (Figura 10), filtração a quente para separação das impurezas
insolúveis (Figura 11) e arrefecimento da solução com a cristalização do composto mais
puro.

Figura 10 ­ Aquecimento para dissolução do ácido

Figura 11 - Filtração a

benzóico em água.

quente.

[5] A.I. Vogel, Vogel's Textbook of Practical Organic Chemistry, Longman Scientific and
Technical, 5ª Ed. 1989, 135.
Purificação da acetona
A acetona é muito utilizada para remover o verniz das unhas por ser um bom solvente. Por
esse motivo é também muito utilizada no laboratório. A acetona que é utilizada em reacções,
extracções e purificações é recolhida com impurezas. No entanto, ela pode ser de novo
utilizada se for purificada, para isso recorre-se a uma destilação fraccionada6 (Figura 12)
onde se separa a acetona de outras substâncias com pontos de ebulição diferentes.

Figura 12 ­ Destilação fraccionada da acetona

[6] Organikum, Química Orgânica Experimental, Fundação Calouste Gulbenkian, 2ª Ed.
1997, 57.
Quarto escuro
Observação de compostos orgânicos sob uma lâmpada de ultra violeta como por exemplo, o
quinino existente na água tónica (Figura 13), a clorofila extraída anteriormente, a
fluoresceína (Figura 14) muito utilizada para detecção de águas subterrâneas, exames
oftalmológicos (angiogramas) e como marcador biológico, como por exemplo em química
forense. Existem também compostos fluorescentes em notas, cartas de condução e outro
tipo de documentos(Figura 15). Este tipo de análise é de igual modo usado em investigação
criminal para verificação da validade de papel-moeda e de diversos documentos.

Figura 13 ­ Água tónica sob luz natural e sob luz ultra violeta.

Figura 14 ­ Solução básica de fluoresceína sob luz natural e sob luz ultra violeta.

Figura 15 ­ Vários documentos e notas sob luz natural e sob luz ultra violeta.

CO2, o Mau da Fita - Experiências com Neve Carbónica, Bolas de Sabão e
Azoto Líquido
Clementina Teixeira*, Vânia André*
*Centro de Química Estrutural, Departamento de Engenharia Química e Biológica, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.
O dióxido de carbono sólido, também conhecido por neve carbónica ou gelo seco, enriquece
os shows de azoto e permite realizar muitas outras experiências de microscopia química:
observação da formação de microcristais de gelo à lupa estereoscópica; reacções de ácidobase com NaOH, em presença de indicador universal, também ao microscópio. Muitas
destas experiências, filmagens incluídas, encontram-se provisoriamente publicadas na Web
[1], apenas pedimos ao leitor alguma paciência na sua consulta. As microfotografias das
reacções permitem construir padrões giríssimos que podem ser estampados em T-shirts,
quadros, marcadores de mesa, calendários, etc. Alguns exemplos destes trabalhos incluídos
no projecto "IST Microfashion", serão apresentados na exposição "Artesãos do Século XXI".
Algumas das experiências do "Show de azoto" podem ser realizadas com CO2 (c), fornecido
na forma de palitos que sublimam à temperatura de -78ºC, à pressão de 1 atmosfera.
Nessas condições e abaixo do ponto triplo, dá-se a sublimação sem passar pelo estado
líquido, daí a designação de gelo seco [1]. Eis uma listagem das experiências feitas em
muitos dos nossos shows e aulas de Laboratório de Química Geral:
Experiência do balão ligado ao Kitasato. Colocando alguns palitos de CO2 (c) num
kitasato numa montagem idêntica à do show de azoto, com um balão adaptado no braço
lateral, pode-se encher o balão, soltá-lo para que rodopie no ar e, até, rebentar o balão, o
que leva muito mais tempo do que no caso do azoto líquido.
Experiência da luva cheia. Introduzem-se numa luva de latex palitos de gelo seco e fechase a luva com um nó. O gelo seco vai sublimando com uma expansão formidável. Ao fim de
algum tempo a luva gigante estoura espectacularmente! Se a luva cheia de CO2 (g) for
mergulhada em N2 (l), o gás volta a solidificar, dado que a temperatura baixa a -196ºC.
Agitando a luva com o sólido, obtemos um ruído semelhante ao das maracas.
Banho de espuma. Palitos de gelo seco em água quente com detergente, fazem bolhas
que rebentam e rodopiam. Os palitos ficam rodeados de gelo por solidificação da água. Com
um corante vermelho a experiência torna-se ainda mais apelativa.
Gelo seco em proveta ou balão com indicador de lírio ou indicador universal. Os
palitos são introduzidos num balão volumétrico ou proveta cheios com solução de NaOH

contendo cerca de 6 mL de indicador universal. À medida que se dá a reacção de ácidobase as cores vão variando do roxo para o verde, amarelo, laranja e finalmente vermelho
quando a solução fica ácida. Ao mesmo tempo, os vapores sublimados descem em nuvens
brancas espessas arrastando gotículas de água, mostrando também que o CO2 (g) tem uma
densidade superior à do ar. O indicador universal pode ser substituído pelo suco de lírios
roxos esmagados, que têm as mesmas propriedades da couve roxa.
Gelo seco em garrafa de champanhe. Introduzindo palitos de CO2 (c) numa garrafa de
champanhe com água, obtemos água carbonatada que funciona como uma gasosa e
podemos simular o estouro equivalente à abertura de uma garrafa de champanhe.
Gelo seco ao microscópio. Observando um palito de gelo seco com uma lupa
estereoscópica obtemos cristais de neve e correntes de CO2 (g) a sublimar, que fazem
lembrar uma tempestade polar.
Caldeirão das bruxas. Experiência em que se misturam: água quente com corante;
preparado de bolas de sabão gigantes com detergente, glicerina e totocola (solução de
álcool polivinílico); palitos de gelo seco e finalmente azoto líquido. Mas que show!
Bolas de sabão gigantes. As receitas foram publicadas anteriormente [2,3] mas a adição
de totocola à solução de detergente com glicerina torna-as muito mais resistentes e
aderentes à lã. Podem-se fazer jogos de soap-ball num tapete de feltro de lã, e fazer
batimentos com luvas de lã, sendo o record de 110 toques de Carolina Belchior.
As regras de segurança para o manuseamento do gelo seco são idênticas às do show de
azoto (óculos de protecção e luvas) e além disso convém que a sala seja arejada, pois o
dióxido de carbono em grandes concentrações é irritante.
[1] C. Teixeira, http://web.ist.utl.pt/clementina/microscopiaquimica1
http://web.ist.utl.pt/clementina/microscopiaquimica4
http://web.ist.utl.pt/clementina/microscopiaquimica5
http://web.ist.utl.pt/clementina/microscopiaquimica6
[2] M.N.B. Santos, C. Teixeira, "Bolas de Sabão: preparação, estrutura e propriedades",
Química, Boletim da Sociedade Portuguesa de Química, 94, 31-36, 2004.
[3] C. Teixeira, S. Chaves, http://web.ist.utl.pt/clementina/Bolasdesabao,
http://web.ist.utl.pt/clementina/Bolasdesabao1.

E
Exxppeerriiêênncciiaass nnoo LLaabboorraattóórriioo
M
Móódduulloo IIII ­­ C
Biiooeennggeennhhaarriiaa
Ciiêênncciiaass B
Biioollóóggiiccaass ee B
Se a Química permite colocar as Moléculas ao nosso serviço, a biotecnologia alarga o
campo para pôr os organismos biológicos (também compostos de moléculas!) ao trabalho.
Vamos ver os micro-organismos que nos rodeiam e como os aplicamos...

Os Micróbios São Nossos Amigos
"Pequeno texto de introdução"
Miguel Teixeira
Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia (IBB), Departamento de Bioengenharia, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.
Neste módulo reuniu-se uma série de experiências e demonstrações que
pretendem desmistificar o conceito de que micróbios são todos maus!
Reuniu-se, nesse sentido, uma série de exemplos de microorganimos, de
bactérias a fungos, que têm elevado impacto positivo na nossa vida
cotidiana, e até na nossa saúde. Alguns dos exemplos incluem
organismos cujo estudo está em curso no Grupo de Ciências Biológicas
do IST.
Microorganismos ao serviço do ano
Neste conjunto de experiências, pretende-se dar a conhecer os estudos que estão a ser
levados a cabo no grupo de ciências biológicas do IST, no âmbito
dos mecanismos de infecção bacterianos de células eucariotas:
humanas e de plantas.
Numa primeira exposição, os visitantes verão exemplos de fungos
(bolores) com elevado interesse clínico e biotecnológico. Por
exemplo, verão colónias da levedura Saccharomyces cerevisiae,
famosa como levedura do pão e da cerveja, e dos fungos
filamentosos Penicillium chrysogenum, que produz o antibiótico
natural penicilina G, e Penicillium roqueforti, componente de cheiro e odor intenso do queijo
Roquefort.
Um segundo exemplo, é o caso da bactéria fixadora de azoto Sinorhizobium meliloti que
infectam raízes de plantas da espécie Medicago sativa. As bactérias entram nas raízes das
plantas, aí se instalando e constituindo nódulos visíveis a olho nu (se forem grandes e
rosados, o processo de fixação de azoto está em curso ­ Figura à esquerda). Esses nódulos
são fábricas onde as bactérias produzem azoto numa forma em que a planta hospedeira
possa assimilá-lo. Em contrapartida recebem do hospedeiro uma fonte de carbono. Esta
relação simbiótica é de elevado interesse agrícola, na medida em que oferece alternativas
naturais ao uso de fertilizantes em solos pobres em azoto. Esta é a motivação mais forte
para se procurar compreender o funcionamento da fixação biológica de azoto.

Por fim, os visitantes poderão experimentar a vizualização ao microscópio de bactérias que
se encontram nos iogurtes. Neste momento, nomes como L. casei (Lactobacilus casei) e
"Bifidus activo" (Bifidobacterium longun) já não são desconhecidos, uma vez que a
existência destas bactérias nos iogurtes é indicada como prova de qualidade nos anúncios
correspondentes, em particular como ajudantes do processo digestivo. De facto, ambas as
espécies existem habitualmente no nosso trato intestinal e favorecem a digestão, eliminação
de compostos tóxicos e produção de vitaminas que são prontamente absorvidas.

Produção microbiológica de gelano

O gelano é um agente gelificante com interesse comercial, produzido com elevado
rendimento pela estirpe bacteriana Sphingomonas
elodea ATCC31461 (veja colónias mucosas isoladas
na figura à direita). É um polímero de açúcares
utilizado como substituinte de agar e de outras gomas
tradicionais, com aplicações várias nas indústrias
farmacêutica, cosmética e alimentar como agente
espessante e gelificante. Os visitantes terão a
oportunidade de recuperar o gelano produzido numa
cultura de S. elodea realizada em meio líquido
obedecendo ao seguinte protocolo:
1 - Pipetar 2 ml de cultura para um tubo de ensaio.
2 ­ Adicionar 3 ml de etanol.
3 ­ Agitar até obter um precipitado de cor amarelada.
4 ­ Decantar o etanol e substituir por novo.
5 ­ Com o auxílio de uma vareta de vidro, recolher o
precipitado e secá-lo (Figura à esquerda).

Processos Biológicos: Pequena Escala, Grandes Aplicações
Pedro Fernandes, Marco Marques, I. Filipa Ferreira, Carla Carvalho
Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia (IBB), Departamento de Bioengenharia, Instituto
Superior Técnico, Av. Rovisco Pais 1, 1049-001 Lisboa.
Este módulo pretende ilustrar alguma das abordagens inovadoras na área da
Bioengenharia, com vista ao estabelecimento de novos paradigmas nos processos de
produção de bens e de energia, de modo a assegurar a sustentabilidade dos mesmos. No
IST a pesquisa científica integrada neste contexto tem incidido, entre outros, no
desenvolvimento de novos conceitos para o desenho e conceção de reatores, e na busca de
novas estratégias para a produção de energias renováveis. No primeiro caso, procuram-se
metodologias e equipamentos que permitam agilizar a transposição da pesquisa em
laboratório para a correspondente implementação em ambiente industrial. Correntemente
considera-se o uso de micro-reatores, quer como ferramenta para um rápido e económico
desenvolvimento de bioprocessos, quer como elemento base para implementação de
processos industriais, pela simples utilização de múltiplas unidades operando em paralelo.
No segundo caso, pretende-se desenvolver métodos geradores de energia baseados em
matrizes biológicas.
Micro-processos para macro-escala
A biocatálise é uma das áreas da Bioengenharia, centrada no uso de catalisadores
biológicos, as enzimas, de modo a promover a transformação química de uma dada
molécula, o substrato, numa outra, o produto. Atendendo ao elevado custo de diversas
enzimas utilizadas em processos de interesse industrial, é imprescindível a sua recuperação
e reutilização, sem o que não existe a garantia de criar um processo de transformação
economicamente viável. Por outro lado, os critérios de qualidade em diversos sectores
produtivos onde o uso de enzimas está integrado, impedem a presença de material proteico
no produto obtido. Uma forma de satisfazer estes requisitos consiste na imobilização da
enzima, ou seja, no seu aprisionamento numa matriz, sem prejuízo da sua função catalítica
mas assegurando a sua eficaz separação do meio reaccional. Após imobilização, o
biocatalisador assim formulado, é colocado num micro-reator. Na presente experiência, este
conceito será ilustrado pela hidrólise enzimática da sacarose, um dissacárido composto por
uma molécula de frutose e uma molécula de glucose, usando como biocatalisador a enzima
invertase imobilizada numa matriz de álcool polivinílico [1]. A reacção de hidrólise é

realizada em contínuo utilizando um micro-reactor, neste caso um vaso com cerca de 5
mililitros de volume útil. O produto resultante é um xarope de glucose e de frutose. Para
aferir da eficácia da transformação é efectuado uma análise através de um método
espetrofotométrico. Neste método é utilizado um reagente, o ácido dinitrosalicílico, que não
reage com a sacarose mas reage com a frutose, originado um produto de côr vermelhoacastanhada.

Invertase imobilizada em álcool polivinílico

Microreator contendo invertase imobilizada
em álcool polivinílico
H

OH
H

H
OH

HO
O
H
H

O
H HO

OH
H
OH

+ H2 O

O

HO
H

OH

H
OH

H

Sacarose

OH
H

OH
O
H HO

+

H

HO
OH

HO

OH

OH

Glucose

OH

H
OH

H

Frutose

Microreator acoplado a bomba peristáltica
para circulação de solução de substrato

Referências:
[1] P. Fernandes, M.P.C. Marques, F. Carvalho, J.M.S. Cabral, "A simple method for
biocatalyst immobilization using PVA-based hydrogel particles" J Chem Technol Biotechnol
84 (2009) 561-564.
Produção de energia com bactérias
Algumas estirpes bacterianas têm a capacidade de alterar a carga da sua superfície em
resposta às condições do meio em que crescem. As células de Rhodococcus erythropolis
conseguem mudar a carga da superfície de acordo com a fonte de carbono usada para o
seu crescimento [1]. Dependendo do substrato de crescimento dado a essas bactérias, é
possível gerar células com carga positiva ou negativa, permitindo a produção de
electricidade.

Nesta experiência serão medidos alguns parâmetros (por exemplo a voltagem e amperagem
da corrente eléctrica gerada) que demonstram que é possível produzir energia com
bactérias.

Referências:
[1] C.C.C.R. de Carvalho, L-Y. Wick, H.J. Heipieper, "Cell wall adaptations of planktonic and
biofilm Rhodococcus erythropolis cells to growth on C5 to C16 n-alkane hydrocarbons" Appl.
Microbiol. Biotechnol. 82 (2009) 311­320.

E
Eqquuiippaa

Coordenação

Logística

Maria Amélia Lemos

Conceição Venâncio

Cristina Gomes de Azevedo
Módulos

Apoio na Realização

Carla Carvalho

Leonel Nogueira

Clementina Teixeira

Marta Coelho

Cristina Gomes de Azevedo

Nuno Simões

Dulce Simão

Isabel Leiria

Maria Amélia Lemos

Jorge Teixeira

Miguel Teixeira

Elisabete Bartolomeu

Pedro Fernandes

Susana Martins

Sílvia Chaves

Apoio Laboratorial
Alexandre Lemos

Bernardo Almeida

Ana Braz

Bruno Oliveira

Ana Cartaxo

Carlos Silva

Ana Cruz

Carmen Matos

Ana Knittel

Carolina Belchior

Ana Maria Carmo

Catarina Barata

Ana Marta Mansinho

Catarina Leitão

Ana Marta Martinho

Catarina Seita

Ana Patrícia Courela

Catarina Serineu

Ana Rita Santos

Cláudia Henriques

Ana Sofia Borrego

Duarte Ferreira

Ana Sofia Carlos

Emanuel Lopes

André Fernandes

Emeline Santos

André Fontes

Fátima Carvalho

Bárbara Silva

Filipa Almeida

Bárbara Simões

Filipa Coelho

Filipa Martins

Marina Padurean

Filipe Coelho

Marta Smith

Frederico Francela

Miguel Almeida

Gonçalo Fonte

Nuno Araújo

Gonçalo Forjaz

Patrícia Santos

Inês Almeida

Pedro Chaínho

Inês Lino

Ricardo Leandro

Inês Silva

Rita Franco

Isabel Oliveira

Rui Santos

Joana Figueiredo

Sandra Silva

Joana Mendes

Sara Mesquita

Joana Reis

Sara Pedro

Joana Tavares

Sofia Silva

João Bernardo

Susana Santos

Lara Costa

Teresa Carvalho

Leonor Silva

Teresa Reis

Mafalda Dias

Teresa Roque

Mafalda Lancinha

Teresa Torres

Mafalda Santos

Tiago Dias

Margarida Gomes

Tiago Ribeiro

Margarida Marques

Vasco Manaças

Maria João Cruz

Vasco Martins

E
Essccoollaass P
Paarrttiicciippaanntteess
·

Escola Alemã

·

Escola EB 2,3 de Pedro de Santarém

·

Escola EB 2,3 de Porto Alto

·

Escola Secundária Alfredo da Silva

·

Escola Secundária Anselmo de Andrade

·

Escola Secundária Comandante Conceição Silva

·

Escola Secundária D. Filipa de Lencastre

·

Escola Secundária Eça de Queiróz

·

Escola Secundária Gil Vicente

·

Escola Secundária Padre António Vieira

LLaabboorraattóórriiooss A
Abbeerrttooss vviissttooss ppeellaa O
Obbjjeeccttiivvaa
Memórias da visita aos "Laboratórios Abertos Júnior 2011" no IST
"Assim quis o clima que, a 14 de Fevereiro, percorrêssemos a pé do Filipa para o IST
debaixo de chuva intensa.
Com os pés molhados, a cabeça fresca e a mente alerta, os alunos do 5ºC ouviram,
observaram, questionaram e colocaram "mãos à obra" face às experiências que lhes foram
oferecidas.
Como seria de esperar, as memórias que subsistem são díspares entre os géneros.
Dizem elas:
"Um colega desenhou um coração com um pincel molhado em fenolftaleína; depois os
monitores do IST puseram a folha num forno cerca de 30 segundos; quando tiraram de lá o
desenho, puseram-no numa cabina e borrifaram-no com um produto que o deixou cor de
rosa."

Dizem eles:
"Gostámos muito das actividades que fizemos e das bolinhas que nos ofereceram."

Diz a turma:
"Agradecemos a todos os que nos proporcionaram esta visita enriquecedora e gostaríamos
de voltar no próximo ano."
5ºC - Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre ­ Lisboa

Cativar os Alunos para a Química
O sucesso de iniciativas como os Laboratórios Abertos depende, em primeiro lugar da
organização, mas também do empenho e dedicação de todos os voluntários que neles
participaram. No entanto os alunos que nos visitaram não foram os únicos que beneficiaram
destas actividades. Também para nós, voluntários, experiências como esta são muito
importantes quer a nível pessoal, quer académico uma vez que nos enriquecem e
contribuem para o desenvolvimento de competências como a oralidade e a interacção com
públicos alvo diferentes, exigindo um esforço suplementar para adequar a nossa
mensagem.
O nosso principal objectivo era cativar os alunos para a Química, o que à primeira vista
poderá parecer algo quase utópico, mas com alguma dose de diversão e entusiasmo
revelou-se possível.
Pela primeira vez esta iniciativa estendeu-se a alunos do 2º ciclo. Público-alvo mais
acessível pois, devido à idade e ao facto de nunca terem estudado Química, a curiosidade e
o interesse eram muitos. A nós competia-nos transportar até eles o "bichinho da Química",
que a todos nos contagiou. Assim, na nossa opinião, este era também o público mais
exigente, pois era fundamental que a primeira abordagem à Química fosse memorável.
Depois de bolas saltitonas, azoto líquido e alguma fenolftaleína foram várias as crianças que
com um largo sorriso comentaram uns com os outros que quando crescessem, afinal era
aqui que queriam estar.
No final, questionamo-nos se haverá melhor recompensa do que ver os nossos objectivos
serem cumpridos, e percebemos que a maior e mais inesperada foi sentirmos que os
Laboratórios Abertos foram, também para nós voluntários, como que uma incubadora para o
desenvolvimento do tal "bichinho da química".
Ana Knittel e Ana Carmo
Alunas do Mestrado Integrado em Engenharia Biológica
1º Ano

Concurso de Fotografia ­ Química é Arte
Melhores fotografias pela composição de cores

Escola Básica 2,3 Comandante Conceição Silva

Fusão
Grupo de: André Ferreira
Escola Secundária D. Filipa de Lencastre

Áquacores
Grupo de: Tânia Nunes
Escola Secundária Padre António Vieira

Fantasma em formação
Grupo de: Rodrigo Moreira

Grupo de: Bruno Ribeiro

Escola Secundária Anselmo de Andrade

Grupo de: David Rebelo, João Moriés

Grupo de: Sofia Fonseca, Rita Gomes

Escola Secundária Eça de Queirós

Grupo de: Ricardo Duarte, Mariana Dias,

Grupo de: Fábio Machado, Sérgio

Cristiana Apostolov, Carolina Correia,

Carvalho, Fábio Sousa, João Cunha, Lisa

Maria Borges, Ana Almeida, Claúdia

Kubi, Sheila Rodrigues

Raquel

Escola Secundária Eça de Queirós

Escola EB 2,3 de Porto Alto

Grupo de: Cristiana Diogo, Luciana Silva,

Grupo de: Bruno Inácio, Nelson

Andreia Pardal, Beatriz Catalão, Luísa

Anastácio, Tomás Rego

Saraiva, Catarina Luz
Escola Alemã

Escola Secundária Gil Vicente

Grupo de: Bernardo Krohh

Grupo de: Hugo Esteves, Ana Sofia,
Beatriz Sabugueiro

Escola Secundária Gil Vicente

Grupo de: Gonçalo Duarte, Carolina

Grupo de: Mariana Oliveira, Raquel Silva,

Romano, Ana Augusto, Ana Rosa

Maria Tomásio

Escola Secundária Gil Vicente

Grupo de: André Morais, André Santos,

Grupo de: Andreia Cunha, Claúdia

Cristina Mpululu

Moreira, Beatriz Lima, Ramona Izvernari

Escola Secundária Gil Vicente

Grupo de: Beatriz Batista, Sara Ferreira,

Grupo de: Nuno Antunes, Miguel Garcia,

Tiago Alves, Duarte Nunes, Luís Gomes

Ruben Alexandre, Hugo Leal, Luka
Draganic

Escola Secundária Alfredo da Silva

Grupo de: Pedro Gomes

Grupo de: Rita Gonçalves

Melhores fotografias pelo aspecto dinâmico

Escola Básica 2,3 Comandante Conceição Silva

Explosão de cores

Vulcão Das Cores

Grupo de: Beatriz Matos

Grupo de: Rafael Bailão

Escola Secundária D. Filipa de Lencastre

Escola Secundária Padre António Vieira

Corpo verde andante

H2O em fogo

Grupo de: Diogo Queirós

Grupo de: Teresa Gonçalves

Escola Secundária Padre António Vieira

Grupo de: Ricardo Monteiro

Grupo de: Diogo Filipe

Escola Secundária Anselmo de Andrade

Grupo de: Mariana Silva, Jónatas Miguel

Grupo de: Diogo Fortunato, Jacira Paulo,
Débora Simões

Escola Secundária Eça de Queirós

Grupo de: Beatriz Antunes, Beatriz Dias,

Grupo de: Nuno Rolo, Catarina Marques,

Fátima Pires, Bárbara Gonçalves, Bruna

Fábio Dores, Pedro Robalo, Diogo Dias,

Pereira

João Cardoso

Grupo de: Bruna Rolo, Carina Cunha,

Grupo de: Diogo Fernandes, Jessica Vaz,

Silvana Tavares, Tatiana Mourato, Raquel

Diana Fernandes, Mariana Ribeiro,

Santos, Daniela Melo

Renata Silva, Solange Alves

Escola EB 2,3 de Porto Alto

Escola Alemã

Grupo de: Daniela Gonçalves, Francisco

Grupo de: Mariana Campos

Delgado, João Dias, José Pinho
Escola Secundária D. Filipa de Lencastre

Grupo de: Ângelo Lopes

Grupo de: Diana Silva

Escola Secundária D. Filipa de Lencastre

Escola Secundária Gil Vicente

Grupo de: Catarina Alemão

Grupo de: Rodrigo Macedo, Miguel
Correia, Danilson Almada, Rúben
Fonseca

Escola Secundária Gil Vicente

Grupo de: Inês Frias, Patrícia Silva,

Grupo de: Hugo Santos, Francisco

Catarina Ribeiro

Candeias, Mauro Amaro, Miguel Oliveira

Escola Secundária Alfredo da Silva

Grupo de: Miguel Roque, António Nunes,

Grupo de: Paulo Palma

Diogo Camarão, Rodrigo Bento, André
Alcântara
Escola Secundária Gil Vicente

Grupo de: Iara Maurício, Marta Silva,

Grupo de: Patrícia Rima, Nazaré da Silva,

Magda Vaz, Ana Rita Julião, Bruna

Hugo Soares, João Oliveira

Sequeira

Escola Secundária Gil Vicente

Grupo de: Ângela Mendes, Francisco

Grupo de: Bárbara Freitas, Leonardo

Alves, Marta Dias, Bernardo Vaz, Diogo

Ramos, Ticiana Aguiar, Ana Catarina

Lourenço

Amaral, Joana Sobreiro

Grupo de: Artur Miranda, Yohanson
Borowik, Marta Pires, Beatriz Amaral,
Daniela Sofia

P
Paattrrooccíínniiooss