Universidade do Vale do Paraíba
Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento
Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia

ROLAND FREIRE DE OLIVEIRA

ANÁLISE DAS AMOSTRAS COMERCIALIZADAS DO ANESTÉSICO
SEVOFLUORANO POR ESPECTROSCOPIA VIBRACIONAL NO
INFRAVERMELHO COM TRANSFORMADA DE FOURIER (FT-IR)

São José dos Campos, SP
2016

ROLAND FREIRE DE OLIVEIRA

ANÁLISE DAS AMOSTRAS COMERCIALIZADAS DO ANESTÉSICO
SEVOFLUORANO POR ESPECTROSCOPIA VIBRACIONAL NO
INFRAVERMELHO COM TRANSFORMADA DE FOURIER (FT-IR)

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação
em
Bioengenharia,
como
complementação dos créditos necessários para
obtenção do título de Mestre em Engenharia
Biomédica
Orientador: Prof. Dr. Milton Beltrame Junior.
Coorientadora: Profa. Dra. Kumiko Koibuchi
Sakane

São José dos Campos, SP
2016

Espaço para a Folha de Termo de autorização de divulgação da Obra

Espaço para Folha da Univap

Aos meus avós
pelos exemplos de superação e retidão moral.
Aos meus Pais
pela formação que puderam me proporcionar.
A minha esposa
Kamily
pelo amor, paciência e suporte em todas as horas.
As minhas filhas
Eduarda e Giovana
por me darem a certeza do dever de continuar sempre.

Agradecimentos

Saber agradecer.
Saber agradecer é ter a humildade de reconhecer que nada podemos sozinhos.
É entender que para concluir um trabalho muitos outros já fizeram uma parte dele
para você. Somos apenas uma pequena peça de um todo dessa grande Obra que é
construída todos os dias.

Meus sinceros agradecimentos: a toda equipe da Anestesioclin que me proporcionou
o tempo necessário para esse estudo; aos funcionários e professores da Univap
pela dedicação e amor com que trabalham e tanto me ajudaram; aos meus
companheiros de curso que sempre dividiram e acrescentaram informações; a
minha família por compreender minha ausência; e a todos aqueles que de uma
forma visível ou não puderam contribuir para mais essa etapa da minha vida.

Análise das amostras comercializadas do anestésico sevofluorano por
espectroscopia vibracional no infravermelho com transformada de Fourier (ft-ir)
RESUMO
O Sevofluorano é um anestésico inalatório para uso em ambiente hospitalar,
principalmente para a indução anestésica em crianças e pacientes incapazes, deve
ter a capacidade de uma rápida indução à inconsciência e anestesia geral,
possibilitando maior facilidade para obtenção de acesso venoso destes pacientes,
assim como, menor trauma para este subgrupo. Esse produto é comercializado em
três diferentes formas: Marca Referência, Genérica ou Similar. O controle de
qualidade destas substâncias é realizado por métodos de ensaios quantitativos e
poucos qualitativos. Esse estudo tem como objetivo comparar os espectros
vibracionais no infravermelho em diferentes amostras comercializadas da substância
Sevofluorano. A obtenção do Espectro do Sevofluorano foi a partir de amostras
recolhidas, de forma aleatória, de doações de Hospitais, foram anotados os números
de lote, data de fabricação e validade de cada amostra das três marcas distintas e
padronizado o frasco de armazenamento das amostras coletadas. Foram adquiridos
três espectros de cada amostra através da célula para líquido do aparelho
espectrofotômetro Spotlight 400 FT-IR da Perkin-Elmer do IP&D - Univap. As três
amostras comercializadas apresentam em sua composição de 100% de
sevofluorano, os espectros encontrados se assemelham em vários aspectos sem
diferenças significantes com exceção na faixa de 1500cm-1 a 1700cm-1 onde foi
encontrada diferença significativa entre uma das marcas comercializadas das outras
duas marcas. A espectroscopia vibracional no infravermelho pode ser uma
alternativa interessante para ensaios de identificação em princípio ativos puros,
como em nossa amostra de Sevofluorano.
Palavras chaves: Sevofluorano, Espectroscopia Vibracional, Anestésico Inalatório.

Analysis of the commercialized samples of the sevoflurane anesthetic by Fourier
Transform Infrared Spectroscopy
ABSTRACT
The sevoflurane is an inhalational anesthetic for use in a hospital environment,
especially for induction of anesthesia in children and patients unable must be
capable of rapid induction of unconsciousness and general anesthesia, enabling
easier to obtain venous access these patients, as well as less trauma for this
subgroup. This product is marketed in three different ways: Reference Brand,
Generic or Similar. The quality control of these substances is carried out by methods
of quantitative assays and few qualitative. This study aims to compare the vibrational
spectrum bands in the infrared in different samples of sevoflurane marketed
substance. Obtaining Sevofluorane spectrum was from samples obtained randomly
Hospitals donations were recorded batch numbers, date of manufacture and validity
of each sample of three distinct brands and standardized storage jar of the samples.
Three spectra of each sample through the cell for liquid spectrophotometer device
Spotlight 400 FT-IR Perkin-Elmer IP & D, belonging to Univap were purchased. The
three marketed samples present in the composition of 100% sevoflurane, the spectra
found are similar in many respects no significant differences except in the range
1500-1700 cm-1 where we found a significant difference between the peak the other
two peaks. Vibrational infrared spectroscopy can be an interesting alternative for
identification tests in principle pure active as in our sample of sevoflurane.
Keywords: Sevoflurane, Vibrational Spectroscopy, Inhalational Anesthetic.

LISTA DE FIGURAS:

Figura 1. Evolução anestésicos inalatórios. Fonte: Livro anestesia Inalatoria ­ SBA18
Figura 2. Estrutura do Sevofluorano.......................................................................... 19
Figura 3. Espectro eletromagnético........................................................................... 23
Figura 4 Modos vibracionais de H2O (Silverstein) .................................................... 25
Figura 5. - foto dos frascos para obtenção de amostras, em detalhe frasco com a
tampa com visitador. ............................................................................................... 29
Figura 6. Foto da embalagem de coleta lacrada estéril com sistema de rastreamento.
.................................................................................................................................. 30
Figura 7. Aparelho Espectrofotômetro ....................................................................... 31
Figura 8. Célula própria para líquido para uso no aparelho de espectroscopia. ....... 32
Figura 9. Espectro da amostra ­ I (1,2,3) .................................................................. 36
Figura 10. Espectro da amostra ­ II (1,2,3) ............................................................... 37
Figura 11. Espectro amostra - III (1,2,3) ..................................................................... 37
Figura 12. Espectro com 0,1ml de amostra com identificações das bandas
semelhantes. ............................................................................................................. 38
Figura 13. Espectro da amostra ­ I (4,5,6) ................................................................ 39
Figura 14 Espectro da amostra ­ II (4,5,6) ................................................................ 40
Figura 15. Espectro da amostra ­ III (4,5,6) .............................................................. 41
Figura 16. Ampliação do espectro da região entre 1700 cm-1 e 1500 cm-1 do
Medicamento I ........................................................................................................... 42
Figura 17. Ampliação do espectro da região entre 1700 cm-1 e 1500 cm-1 do
Medicamento II .......................................................................................................... 42
Figura 18. Ampliação do espectro da região entre 1700 cm-1 e 1500 cm-1 do
Medicamento III ......................................................................................................... 43
Figura 19. Espectro ampliado, comparação de medicamentos I, II e III na região de
1700 e 1500 cm-1 ...................................................................................................... 43
Figura 20. Histograma área relativa entre as bandas de 1620 cm-1 e 1569 cm-1 ...... 45
Figura 21. Gráfico dos componentes principais. ....................................................... 47
Figura 22. Dendograma das amostras de Sevofluorane. .......................................... 47

LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Tipos de Anestesia e suas subdivisões. .................................................... 15
Tabela 2. Características Fisico-químicas do Sevofluorano ...................................... 20
Tabela 3. Tabela de atribuições, número de ondas e descrição aproximada do
espectro do Sevofluorane com 0,1 ml da amostra representada na figura 12,
segundo Barbosa, 2011. ........................................................................................... 39
Tabela 4. Áreas Relativas das Amostras entre 1620 e 1590 cm-1. ............................ 45

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANS ­ Agência Nacional de Saúde Suplementar
ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária
CFM ­ Conselho Federal de Medicina
CME ­ Central de Materiais Especiais
DOU ­ Diário Oficial da União
FDA ­ Food and Drug Administration
FT-IR - Espectroscopia Infravermelha com Transformada de Fourier
IP&D ­ Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento
MIR ­ Mid Infra Red
MS ­ Ministério da Saúde
PCA ­ Análise por Componentes Principais
PC's ­ Componentes Principais
PEN ­ Naftaleno de Polietileno
ppm ­ Partes por milhão
REBLAS ­ Rede Brasileira de Laboratórios de Analíticos em Saúde
SAESP ­ Sociedade de Anestesia do Estado de São Paulo
SBA ­ Sociedade Brasileira de Anestesiologia
SDH ­ Santos Dumont Hospital
SUS ­ Sistema Único de Saúde
UNIVAP ­ Universidade do Vale do Paraíba
USP ­ US Pharmacopeial Convention (Convenção farmacopéia Americana)

SUMÁRIO:

1

Introdução: ........................................................................................................ 14

1.1 Anestesia Geral: ............................................................................................... 16
1.2 Anestesia Geral Inalatória. ................................................................................ 17
1.2.1 Anestésicos Inalatórios..................................................................................... 18
1.3 Sevofluorano ..................................................................................................... 19
1.4 Indústrias Farmacêuticas e o Controle sobre as medicações. .......................... 21
1.5 Espectroscopia Vibracional. .............................................................................. 23
2

Objetivos: .......................................................................................................... 27

2.1 Objetivo Geral do Estudo: ................................................................................. 27
2.2 Objetivos Secundários: ..................................................................................... 27
3

Metodologia: ..................................................................................................... 28

3.1 Local do Estudo: ............................................................................................... 28
3.2 Ética do Estudo. ................................................................................................ 28
3.3 Princípio Ativo: .................................................................................................. 28
3.4 Padrão do Frasco de Coleta das Amostras. ..................................................... 28
3.5 Obtenção e armazenamento das amostras: ..................................................... 29
3.6 Preparação das amostras para a célula própria para Líquidos. ........................ 31
3.7 Obtenção dos Espectros e Metodologia para Análise dos Espectros. .............. 33
4

Resultados: ....................................................................................................... 36

4.1 Inspeção Visual................................................................................................. 36
4.1.1 Espectros com 0,1 ml de amostra. ................................................................... 36
4.1.2 Espectros com 0,2 ml de amostra. ................................................................... 39
4.2 Cálculo das Intensidades Relativas das Bandas e dos seus Coeficientes de
Variação. ................................................................................................................... 44
4.3 Análise Estatística Multivariada. ....................................................................... 46

5

Discussão: ........................................................................................................ 48

6

Conclusão: ........................................................................................................ 50
Referências ....................................................................................................... 51

14

1 INTRODUÇÃO

Na área da saúde existem diversas condições patológicas ou eventos físicos
que necessitam de intervenção cirúrgica para a melhora ou correção do estado
enfermo do paciente (SABISTON; TOWNSEND, 2005). Esses eventos podem ser
emergenciais, necessitando de rápida intervenção ou situações que podem esperar
tempo hábil para programar uma cirurgia, também denominado de procedimentos
eletivos (SABISTON; TOWNSEND, 2004; SCHARTZ et al., 1996).
No Brasil são realizadas, em média, cerca de 2,4 milhões de cirurgias eletivas
ao ano apenas no setor público, no âmbito do SUS, segundo fontes do Portal da
Saúde (BRASIL, 2013; 2014; 2015).
No setor privado esses dados não são tão precisos. Os últimos dados
disponibilizados pela ANS, Agencia Nacional de Saúde, são referentes ao mapa
situacional de 2012, onde houve cerca de 1,5 milhão de cirurgias eletivas naquele
ano (BRASIL. ANS, 2016). Dentro destas informações estão excluídas as cirurgias
de urgência e os partos cesáreos que necessitam de anestesia.
Por isso, de um modo pouco específico, devido à dificuldade na obtenção de
dados fidedignos de números absolutos mal disponibilizados tanto pelas entidades
públicas quanto as privadas, podemos apenas estimar que no Brasil somando os
setores públicos e privados sejam realizadas, no mínimo, quatro milhões de cirurgias
de caráter eletivo por ano. Podendo esse número estar muito subestimado e
alcançar valores ainda maiores devido a um cenário que o número da população
que possui um convênio médico é de 49 milhões de usuários (BRASIL. ANS, 2016)
mapa situação maio de 2016, num total de 205 milhões de habitantes (BRASILIBGE, projeção para maio de 2016) correspondendo a aproximadamente 24% na
média nacional. E é justamente sobre essa parcela da população, que tem maior
oportunidade de acesso às novas tecnologias e tratamentos, que faltam melhores
dados. Assim, esse número deve ser bem maior do que o declarado.
Uma vez decidida à necessidade de uma intervenção cirúrgica para a sua
realização é necessário o emprego de anestesia por um profissional médico
anestesiologista, que em condições ideais, poderá preparar o paciente para o ato

15

operatório, assim como, escolher a melhor estratégia para o plano anestésico destes
pacientes (SAESP, 2011).
A escolha da técnica anestésica para a cirurgia pode depender de diversos
fatores. Desde o tipo de cirurgia, localização do sítio cirúrgico, seu carácter eletivo
ou emergencial, as condições clínicas do paciente, medicações por ele utilizada,
dentre outros fatores (BARASH et al., 2004; MILLER, 2010).
Essas técnicas anestésicas, ou os tipos de anestesia, podem ser
classificados de um modo amplo para efeitos didáticos como: Anestesia Local,
Sedação, Bloqueios e Anestesia Geral. A anestesia local pode ser feita pelo próprio
cirurgião, sem a necessidade de um médico anestesista. A sedação é uma técnica
para diminuir o estado de ansiedade em procedimentos de pequeno e médio porte, e
pode ser classificada como: consciente, superficial ou profunda. Os bloqueios
podem ser loco-regionais, troncular ou de neuro-eixo. E por fim, a Anestesia Geral
pode ser subdividida em endovenosa total, balanceada, Inalatória, combinada ou
condutiva (MILLER, 2010; SAESP, 2011). Em diversas situações pode haver a
necessidade

de

misturar

mais

de

uma

destas

técnicas

buscando

uma

complementação anestésica ou uma melhor analgesia pós-operatória. A tabela 1
apresenta tipos de Anestesia e suas subdivisões.
Tabela 1. Tipos de Anestesia e suas subdivisões.
Local
Sedação
Bloqueios
Sem a necessidade
Com a participação
Com a participação
do Anestesiologista
do Anestesiologista
do Anestesiologista
Exceção quando há
a necessidade de
monitorização.
Realizada pelo
Cirurgião

Geral
Com a participação
do Anestesiologista

Consciente

Loco-Regional

Endovenosa Total

Superficial

Troncular

Balanceada

Profunda

Neuro-eixo

Inalatória
Combinada
Condutiva

Fonte: Adaptado a partir dos dados dos livros textos Morgan e Mikhail (2002) e Saesp (2011).

16

1.1 ANESTESIA GERAL

A Anestesia Geral, segundo Barash e colaboradores, é uma técnica
anestésica que usa medicamentos para promover uma completa abolição da
consciência e, consequentemente da memória, ausência do sentimento de dor, e um
estado de intenso relaxamento muscular. Objetivos necessários durante um
procedimento cirúrgico invasivo (BARASH et al, 2004).
A abolição do nível de consciência é importante para a manutenção da
homeostase do corpo durante o ato operatório, pois impede as respostas
autonômicas e as

influências

dos aspectos fisiológicos

da liberação de

neurotransmissores e corticoides endógenos ligados ao stress (GUYTON; HALL,
2011).
Assim

como

a

sensação

de

dor

também

alteram

as

respostas

simpaticomiméticas com repercussões na frequência cardíaca, pressão arterial,
frequência e volume respiratórios, entre outros (GUYTON; HALL, 2011, BARASH et
al 2004).
A monitorização dos sinais vitais é de extrema importância para a segurança
do paciente e de grande valia para os profissionais envolvidos na execução do ato.
A importância da necessidade da vigilância constante para a segurança do paciente
foi reconhecida pelo CFM, Conselho Federal de Medicina, com a resolução 1802/06
que determina a obrigatoriedade de em qualquer procedimento que envolva um
anestesiologista em Anestesia Geral ter como monitorização mínima para a
realização de uma cirurgia geral:
um Aparelho de Cardioscopia;
um aparelho de oximetria de pulso;
um aparelho de medição da pressão arterial não invasiva;
e de um aparelho de capnografia.

17

Além das normas de conduta e a responsabilização dos profissionais e dos
serviços de saúde envolvidos no ato operatório (BRASIL. CFM, 2006). (Resolução
1802/06 ­ DOU, Diário oficial da União 01/11/2006).
A Anestesia Geral pode ser dividida conforme a técnica escolhida em
Endovenosa Total, Balanceada, Inalatória, Combinada ou Condutiva.
Na Anestesia Endovenosa Total utilizamos uma técnica com medicações de
uso endovenoso de curta ou ultracurta duração e de fácil reversão, aplicados por
meio de bombas de infusão alvo-controlada (modelos matemáticos de acordo com
peso x altura x idade), que permite atingir os níveis desejados das concentrações
das drogas no plasma sanguíneo de acordo com a farmacocinética de cada droga
(BAGATINI, 2011).
1.2 ANESTESIA GERAL INALATÓRIA

Foi a primeira técnica descrita da Anestesia com sucesso, e reaplicável, da
era moderna, onde em 1846, Willian Morton demonstrou a anestesia com Éter no
Massachusetts General Hospital para a extração dentária de um voluntário com total
inconsciência e sem estímulo doloroso (CALVERLEY, 1985; MAIA; FERNANDES
2002).
Durante as décadas seguintes vários outros anestésicos inalatórios foram
desenvolvidos e sintetizados, cada qual com suas características físico-químicas,
onde poderiam ser classificados em três grandes classes: Hidrocarbonados, Éteres
e outros (gases não baseados em carbono) (BARASH et al., 2004; CALVERLEY,
1985).
A técnica de anestesia inalatória consiste na utilização de gases anestésicos,
geralmente na forma líquida, são extremamente voláteis e com baixos pontos de
ebulição, que em vaporizadores próprios e calibrados tem a característica físicoquímica de mudar do estado líquido para o gasoso para poder se misturar ao
oxigênio. Através de um circuito de cânulas e mangueiras próprias dos aparelhos
anestésicos essa mistura é entregue sob máscara na face do paciente para
inalação, criando um circuito fechado. Dessa forma ao respirar essa mistura o

18

paciente é induzido ao sono e a profundidade anestésica (BARASH et al., 2004;
MORGAN; MIKHAIL, 2002; MANICA, 1997; SAESP, 2011).
1.2.1 Anestésicos Inalatórios

Conforme já dito antes, durante décadas foram desenvolvidos e sintetizados
vários gases com a finalidade anestésica. Dentre os mais importantes na evolução
da anestesia, podemos citar durante o período entre 1840-1950: o Clorofórmio,
Ciclopropano e Etileno (hidrocarbonados); Éter, Enflurano e Methoxifluorano
(Éteres); e o Óxido Nitroso. No período seguinte entre 1951-1990: O Halotano
(primeiro anestésico inalatório não explosivo ­ hidrocarbonado), Isofluorano e
fluroxano (Éteres) e o Xenônio (Gás com características clínicas muito favoráveis,
porém de difícil obtenção na atmosfera). No período de 1990 ­ 2010: Sevofluorano e
o Desflurano (Éteres), (CALVERLEY, 1985; MAIA; FERNANDES, 2002) conforme
pode ser visto na figura 1.
Figura 1. Evolução anestésicos inalatórios.

Fonte: Cavalcanti e Vane (2007)

Os principais objetivos na escolha de um gás para administração da técnica
de anestesia inalatória são: Proporcionar uma rápida indução anestésica,
principalmente no caso de indução inalatória pura; reduzir as oscilações ("vales e
picos") na concentração anestésica durante a indução venosa e manutenção
inalatória; bloquear a possibilidade de consciência por profundidade anestésica

19

inadequada; promover recuperação rápida no final do procedimento anestésico
(STRUYS, MORTIER, 2001; EGER, 1994).

1.3 SEVOFLUORANO

O Sevofluorano é um anestésico volátil de fácil vaporização quando misturado
ao oxigênio em vaporizadores calibrados específicos para uso desse gás
anestésico. Ele deve produzir amnésia, inconsciência, analgesia e relaxamento
muscular, que significa a base de toda Anestesia Geral Inalatória (JOO; PERKS,
2000).
Deve ser manipulado apenas por médicos treinados e especializados, em
especial, anestesiologistas, em ambiente intra-hospitalar com todo o suporte
específico para o seu uso com segurança (SBA; SAESP, 2011).
O Sevofluorano é um derivado do éter metil isopropílico, conhecido como um
metil isopropil éter fluorado, quimicamente identificado como éter fluorometil 1 - 2, 2,
2 trifluoro etílico, a composição de sua fórmula molecular é (CF3)2-CH-O-CH2-F,
conforme visto na figura 2, e não contém nenhum aditivo ou conservante químico em
sua produção. A tabela 2 apresenta algumas características físico-químicas do
componente Sevofluorano.

Figura 2. Estrutura do Sevofluorano

20

Tabela 2. Características Fisico-químicas do Sevofluorano
Ponto de Ebulição

58,6 oC

Pressão de Vapor a 20 oC

157 mmHg

Massa Molecular

200,05 g/mol

Coeficiente de Partição a 37 oC:

água/gás 0,63
cérebro/gás 1,15
Óleo/gás 47,2 - 53,9
Sangue/gás 0,63 - 0,69

Coeficientes médios de partição componentes/gás a 25oC, para
polímeros geralmente usados em equipamentos médicos:
Borracha condutiva 14,0
Borracha butil 7,7
Cloreto PolivinÌlico 17,4
Polietileno 1,3

É um produto considerado seguro pela maioria dos autores, pois não é
inflamável, não é explosivo e também não é irritante às vias aéreas (NOCITI, 1998;
PORTELLA, 2010). É um produto de utilização intrahospitalar, de venda restrita com
retenção de receita especial e deve obedecer aos critérios de comercialização e
fiscalização como substância "C1" conforme a portaria da Vigilância Sanitária nº 344,
de 12 de maio de 1998 (BRASIL, DOU de 19/05/1998).
Essa substância foi sintetizada pela primeira vez no início da década de 1970,
porém os estudos clínicos para utilização em humanos só ocorreram no fim da
década de 1980, após duas transferências de patentes, e liberadas para o uso em
1990 no Japão, cinco anos antes da liberação para uso e comercialização, em 1995,
nos Estados Unidos pela sua agência controladora - FDA (Food and Drug

21

Administration) (NOCITI, 1998). No Brasil, começam as primeiras pesquisas e
utilizações na mesma época, entre os anos de 1996 a 1998, onde encontramos
publicações dos primeiros trabalhos nacionais para avaliar e validar seus efeitos
clínicos (NOCITI, 1998).
O Sevofluorano é envasado na forma de um líquido claro, incolor e
acondicionado em três tipos diferentes de recipientes, conforme a Indústria
fabricante. Pode estar acondicionado em frascos plásticos constituídos de naftalato
de polietileno (PEN), contendo alto teor de água (pelo menos 300 ppm) ou em
frascos de vidro âmbar USP tipo III, contendo baixo teor de água (65 ppm) e por fim
acondicionado em frascos de vidro âmbar USP tipo III, contendo 0,026% de
propilenoglicol (PORTELLA, 2010).
A bula registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que
acompanha as embalagens das três marcas existentes no mercado, publica que a
composição do composto é formada por 100% de Sevofluorano, com apenas uma
das marcas mostrando uma pequena composição de 0,026% de propilenoglicol, que
pode sugerir uma possível pequena contaminação no processo de síntese, que de
acordo com o seu percentual, se torna irrelevante neste estudo (BRASIL. AGENCIA
NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2014).

1.4 INDÚSTRIAS FARMACÊUTICAS E O CONTROLE SOBRE AS MEDICAÇÕES

Todas as três amostras das marcas, objeto do estudo, estão oficialmente
regulares com a legislação vigente no Brasil para a produção e comercialização dos
produtos, são detentoras de registro junto a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) e Ministério da Saúde (MS). Faz parte dessa análise para a ratificação do
Registro a verificação do Composto junto a algum dos laboratórios da rede REBLAS
(Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde).
A Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (REBLAS) é
constituída por laboratórios analíticos, públicos ou privados, habilitados pela
ANVISA, capazes de oferecer serviços de interesse sanitário com qualidade,
confiabilidade, segurança e rastreabilidade (ANVISA ­ site). A Habilitação concedida

22

relaciona o Código REBLAS ao endereço e ao escopo analítico do laboratório e seus
critérios são estabelecidos pela Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 12, de
16 de fevereiro de 2012 (Diário Oficial da União 22/02/2012). O laboratório habilitado
pode exibir o logotipo da REBLAS em relatórios de ensaios ou estudos, por meio
impresso ou eletrônico, desde que relacionados ao seu escopo habilitado. É vedado
o uso do logotipo da ANVISA, estando o autor sujeito a penalidades legais, além do
cancelamento da habilitação.
Há três formas de apresentação dos medicamentos na atual legislação
brasileira.
Medicamento Referência, ou Inovador, de Marca ou Original. São os
medicamentos originais, sintetizado pelo laboratório dono da patente, por meio de
investimentos

em

pesquisas.

Sua

eficácia,

segurança,

qualidade

e

biodisponibilidade, são comprovadas e reconhecidas pela autoridade sanitária
nacional (ANVISA, 2016).
Os medicamentos Similares apresentam o mesmo fármaco, concentração,
forma farmacêutica e via de administração que o medicamento de Referência ou de
Marca, mas não tem comprovada sua bioequivalência (ANVISA, 2016).
No Brasil, a partir de fevereiro de 1999, com a promulgação da Lei 9.787,
também conhecida como Lei dos genéricos, foi criada a terceira forma de
apresentação de medicamentos para serem comercializadas. Os laboratórios que
desejassem, poderiam fabricar e/ou comercializar medicamentos cujas patentes já
estivessem expiradas ou renunciadas, desde que seguissem as seguintes regras: o
produto teria que ser igual ou comparável ao de referência em quantidade de
princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, modo de administração e
qualidade, comprovando sua eficácia, segurança e qualidade através de testes de
biodisponibilidade e equivalência terapêutica. Não poderiam constar nomes de
marcas comerciais, apenas o nome do princípio ativo da medicação e teria que
conter um grande G (genérico) na sua embalagem (BRASIL, 1999).
No Brasil, a síntese e a comercialização do Sevofluorano, alvo deste estudo,
são realizadas por apenas três Indústrias Farmacêuticas diferentes, e não

23

associadas, onde a primeira e mais antiga é a detentora da marca referência, a
segunda produz a forma Genérica enquadrado na Lei 9.787, de 1999 e a terceira
produz uma forma similar da medicação.
Para garantir o controle de qualidade destes fármacos a indústria produtora
ou seus laboratórios verificadores habilitados utilizam de ensaios de identificação e
ensaios de potência (GIL, 2008).

1.5 ESPECTROSCOPIA VIBRACIONAL.

A radiação infravermelha corresponde aproximadamente às regiões entre
14290 cm-1 e 200 cm-1. A região situada entre 4000 cm-1 e 400 cm-1 recebe o nome
de infravermelho médio; 14290 cm-1 e 4000 cm-1, infravermelho próximo e
finalmente, a região correspondente a 700 cm-1 a 200 cm-1, infravermelho distante.
Estas regiões estão situadas dentro do espectro eletromagnético entre as regiões do
visível e das micro-ondas, como ilustrado na figura 3 (SILVERSTEIN; WEBSTER;
KIEMLE, 2005).

Figura 3. Espectro eletromagnético.

Fonte: Adaptado de Horst (2011)

A radiação infravermelha converte-se em energia de vibração molecular
quando absorvida por uma molécula. O espectro vibracional aparece como uma
série de bandas porque cada mudança de nível vibracional corresponde uma série
de mudanças de nível de energia rotacional. A frequência ou o comprimento de onda
de uma absorção depende das massas dos átomos, das constantes das ligações e

24

da geometria dos átomos. Embora o espectro infravermelho seja característico da
molécula como um todo, certos grupos de átomos dão origem a bandas que surgem
mais ou menos na mesma frequência, independentemente da estrutura da molécula
(SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2005). É justamente a presença dessas
bandas características de grupos que permite a obtenção de informações para
identificação de estruturas.
As intensidades das bandas podem ser expressas como transmitância ou
absorbância. A transmitância é a razão entre a energia radiante transmitida por uma
amostra e a energia radiante incidente. A absorbância é o logaritmo decimal do
inverso de transmitância; isto é, A=log10 (1/T) (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE,
2005).
Entre os modos de vibrações os mais conhecidos são estiramento da ligação
ao longo do eixo da ligação que faz com que a distância Interatômica aumente e
diminua alternadamente e as vibrações de deformação angular que envolve variação
dos ângulos de ligação (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2005).
Somente as vibrações que levam à alteração rítmica do momento dipolar da
molécula são observadas no Infravermelho. Assim as ligações polares apresentam
as bandas mais intensas nos espectros infravermelhos. Os grupamentos funcionais
que têm momento de dipolo intenso dão origem, em geral, a absorções intensas no
infravermelho (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2005).
O número de graus de liberdade de uma molécula é igual ao número total de
graus de liberdade de seus átomos. Cada átomo possui três graus de liberdade
correspondentes às coordenadas do sistema cartesiano (x,y,z) necessárias para
descrever suas posições. Se uma molécula possui N átomos, então ela apresenta
3N graus de liberdade. No caso das moléculas não-lineares, três dos graus de
liberdade correspondem ao movimento de rotação e três a translação. Então as
moléculas não-lineares presentam 3N-6 graus de liberdade de vibrações. As
moléculas lineares têm 3N-5 graus de liberdade de vibração pois dois graus de
liberdade são necessárias para descrever a rotação. A molécula de água mostrada
na figura 4 apresenta 3 átomos portanto N=3 e substituindo na expressão 3N-6

25

temos três modos de vibração. A figura 4 mostra esses três modos de vibrações da
molécula de água (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2005).
Figura 4 Modos vibracionais de H2O (Silverstein)

Nota:

Estiramento

assimétrico

(3756

cm-1)

Deformação

angular(1596

cm-1)

Estiramento

-1

simétrico(3632 cm )
Fonte: Silverstein,

Webster e Kiemle (2007)

Cada modo vibracional apresenta sua frequência de vibração chamada de
fundamental. No entanto, nos espectros infravermelhos muitas vezes é observado
número diferente dos valores teóricos de bandas, como por exemplo:
(1) A não-observação de vibrações fundamentais que não provocam
alteração no momento dipolar da molécula.
(1) Vibrações fundamentais muito fracas para serem observadas;
(2) Vibrações fundamentais próximas que sobrepõem;
(3) Ocorrência de bandas degeneradas em moléculas de alta simetria;
(4) Ocorrência de vibrações harmônicas (múltiplos de uma dada frequência
fundamental) e de combinações (a soma de duas outras vibrações)
Desta forma, podemos dizer que não existem regras rígidas para a
interpretação de um espectro de infravermelho. Como o tratamento rigoroso e
matemático das vibrações de moléculas complexas é pouco prático, costuma-se
interpretar o espectro a partir de comparações empíricas com outros espectros e da
extrapolação de resultados obtidos com moléculas mais simples (STUART, 2004).

26

Compara-se o espectro de uma substância desconhecida ao de um composto
padrão e uma correlação pico a pico é uma importante evidência para a identidade
das amostras.
A espectroscopia vibracional no infravermelho pode ser uma alternativa
interessante para ensaios de identificação, como uma nova forma de controle de
qualidade, para essas substâncias com princípio ativo puro, como em nossa amostra
de Sevofluorano. Entretanto, em ensaios de quantificação do princípio ativo nas
amostras de medicamentos ainda é pouco aplicada (GIL, 2008; FIORENTIN, 2014).

27

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL DO ESTUDO

Esse estudo tem como objetivo comparar as bandas de espectro vibracional
no

infravermelho

em

diferentes

amostras

comercializadas

da

substância

Sevofluorano.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Comparar e analisar as bandas de espectros vibracionais das amostras de
Sevofluorane encontradas no Brasil para uso Hospitalar, sob o ponto de vista de sua
qualificação como marca referência, Genérica e Similar.

28

3 METODOLOGIA

Nesta parte, serão apresentados a descrição dos materiais e métodos que
nortearam os estudos.

3.1 LOCAL DO ESTUDO

O presente trabalho foi realizado no Laboratório de Espectroscopia no
Infravermelho e no Laboratório de Síntese Orgânica do Instituto de Pesquisa &
Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), na cidade de São
José dos Campos, Estado de São Paulo.

3.2 ÉTICA DO ESTUDO

A obtenção dos Espectros do Sevofluorane foi a partir de amostras obtidas de
forma aleatória de doações de Hospitais, sem qualquer envolvimento dos
representantes comerciais ou funcionários da produção de qualquer uma das três
Indústrias produtoras da substância em estudo, visando a imparcialidade na
manutenção de conduta ética, sem conflitos de interesses, do estudo com os
laboratórios.

3.3 PRINCÍPIO ATIVO

As informações contidas nas bulas do medicamento e sites dos três
fabricantes refere que todas as amostras contêm 100% do princípio ativo.

3.4 PADRÃO DO FRASCO DE COLETA DAS AMOSTRAS

Primeiramente houve uma padronização dos frascos para a coleta das
amostras, o mesmo modelo de frasco foi utilizado para obtenção e armazenamento
de todas as amostras coletadas.
Foram utilizados frascos do tipo Vial Chromacol de vidro borosilicato, com
capacidade de 20 ml, com bocal rosqueável Headspace que contem uma tampa

29

com visitador (Tampa com rosca metálica, Sun-Sri, para Vial Headspace, com septo
de silicone/teflon) para facilitar a obtenção das amostras por punção com agulha e
seringa, sem a necessidade da abertura do frasco para a coleta das amostras,
conforme podemos observar na figura 5.

Figura 5. - frascos para obtenção de amostras, em detalhe frasco com a tampa com
visitador.

Diminuindo os riscos, devido ao isolamento, de erros nas amostras por
possíveis contaminantes.

3.5 OBTENÇÃO E ARMAZENAMENTO DAS AMOSTRAS

A coleta das amostras foi feita de forma uniforme para todas as três marcas.
A captação foi realizada na exata abertura do selo de lacre de invólucro de cada
embalagem de sevofluorano, das respectivas marcas, e foram coletados 15 ml da
substância e prontamente acondicionados e fechados nos frascos próprios

30

uniformes. No momento da obtenção das amostras foram anotados os números de
lote, data de fabricação e validade de cada amostra das três marcas distintas.
Esses frascos foram previamente preparados para receber as amostras.
Primeiro foram limpos com água corrente, secados com jato de ar comprimido. Após
essa etapa foi realizada uma segunda lavagem com acetona e novamente secados
com jato de ar comprimido. Após a etapa de retirada de possíveis impurezas, os
frascos foram embalados com lacre quente e esterilizados, em ciclo longo, em
autoclave ciclo/lote 8959/9 no Hospital Santos Dumont (SDH), na Central de
Materiais Especiais (CME) em 22/10/2014 com validade até 22/04/2015, para que
não houvesse nova contaminação. Como pode-se observar na figura 6.

Figura 6. Embalagem de coleta lacrada estéril com sistema de rastreamento.

As embalagens, contendo os frascos estéreis, só foram abertas no momento
da coleta das amostras e logo após os frascos foram fechados e assim mantidos. As
amostras foram manipuladas e mantidas armazenadas em temperatura média entre
15 e 25 oC. Não houve abertura nem para a coleta de material para análise. A coleta
foi feita por punção com seringas do tipo plástica e agulhas estéreis (30x7) retiradas

31

das embalagens de fábrica somente no momento da manipulação do material para
por as amostras na célula própria para líquido do espectrofotômetro.

3.6 PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS PARA A CÉLULA PRÓPRIA PARA
LÍQUIDOS

As análises das amostras foram feitas em uma célula própria para líquido
"path

cell"

com

0,1114

mm

de

espessura

compatível

com

o

aparelho

espectrofotômetro utilizado que foi o Spotlight 400 FT-IR da Perkin-Elmer do Instituto
de Pesquisa e Desenvolvimento (IP&D), da Universidade do Vale do Paraíba
(Univap), como pode-se observar na figura 7.

Figura 7. Aparelho Espectrofotômetro

Antes da utilização da célula para líquido, em destaque na figura 8, ela
precisou ser preparada para não haver contaminação com outros agentes. A
limpeza foi realizada com acetona. A sua escolha foi devido as suas características

32

como solvente e sua volatilidade, além de se poder checar a contaminação das
análises, pois sua estrutura de ligação carbono oxigênio, carbonila (C=O), não
aparece nas estruturas do Sevofluorano, difere das amostras analisadas e aparece
com facilidade em banda separada nos espectros caso haja contaminação
(SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2005).
Figura 8. Célula própria para líquido para uso no aparelho de espectroscopia.

Após a limpeza com acetona foi utilizado jato de ar sob pressão para a
secagem no interior da célula. E por fim, foi lavada a célula com a mesma
substância da amostra a ser analisada naquele momento, realizado novo secamento
com jato de ar sob pressão, para enfim injetar 0,2 ml de amostra da substância para
obtenção do espectro.

33

A cada medida para obtenção de espectro das amostras, essa rotina de
limpeza da célula foi realizada seguindo todos os passos já descritos acima.
Somente após essa rotina era inserido nova amostra para análise na célula.
Uma particularidade, nessas medidas, foi o fato das amostras serem
extremamente voláteis, com ponto de ebulição em 58,6 oC (bula dos medicamentos),
houve portanto a necessidade de obter um mecanismo com tampas rosqueáveis na
célula própria para líquidos, afim de diminuir o máximo possível a perda da
substância das amostras para o ambiente. Além disso, houve a necessidade de se
realizar medidas com volumes diferentes até chegar ao valor ideal de 0,2 ml como
padrão para obtenção dos espectros com intensidade total; e 0,1 ml para os
espectros com intensidade parcial.
A necessidade de obter um espectro com 50% do valor padronizado da
amostra foi para poder observar uma área específica abaixo de 1.500 cm-1 que por
ser de grande intensidade houve dificuldades para identificação das bandas.
Portanto, desta maneira, ficou mais fácil sua visualização sem extrapolações de
imagem.

3.7 OBTENÇÃO DOS ESPECTROS E METODOLOGIA PARA ANÁLISE DOS
ESPECTROS

Para a obtenção dos espectros das amostras foi utilizado o software próprio
desenvolvido pelo fabricante do aparelho (spectrum). A primeira etapa foi o ajuste
das lentes para o disparo do laser, em MIR, com comprimento de onda entre 4000450 cm-1. O próximo passo é a realização de background sem amostras no sistema
óptico para calibração do aparelho e a retirada do padrão da humidade do ar que
poderia interferir na leitura do scan das amostras (BARBOSA, 2007).
Somente após essas etapas foi inserida a célula, já preparada com as
amostras das substâncias, para a varredura do laser calibrado para 30 Scan por
amostra.
Foram obtidos três espectros de cada amostra com 0,2 ml e 0,1 ml num total
de dezoito espectros, no intervalo de 4.000 ­ 450 cm-1, a temperatura ambiente, e

34

umidade do ar inferior a 40%, que foram analisados nos softwares Spectrum 5.2 e
Origin 7.5 para adquirir as imagens finais. Os espectros obtidos foram preparados
através do algoritmo de Savistzky Golay para as análises matemáticas corrigindo
linhas de base, suavização espectral, normalização e colocação em transmitância
(STUART, 2004).
As análises dos espectros foram realizadas por três diferentes formas:
Inspeção visual direta e comparação das bandas entre as amostras;
cálculo das intensidades relativas das bandas em destaque e dos seus
coeficientes de variação;
e por fim, análise estatística multivariada.
Dentro

da

análise

estatística

multivariada

foram

feitas análise

por

componentes principais (PCA), cujo objetivo é a obtenção de um pequeno número
de combinações lineares, componentes principais (PC's) de um conjunto de
variáveis, que retenham o máximo possível da informação contida nas variáveis
originais (SANTOS, 2011); e a análise por agrupamento hierárquico, onde se busca
estabelecer a melhor forma de agrupar um conjunto d e objetos compostos por
variáveis conforme o grau de semelhança (JOHNSON; WICHERN, 1992).
Na análise por componentes principais foram obtidos os três primeiros
resultados calculados a partir da matriz de covariância formada pelos dados
espectrais. Esses PC's serviram de entrada para a análise de cluster utilizando-se o
algoritmo Ward, conhecido também como "variância mínima", onde são formados
grupos unidos de forma a produzir o mínimo de aumento da variância
(heterogeneidade), logo, esse pode ser considerado como o mais eficiente método
de agrupamento para este conjunto de dados (EVERRITT, 1994; WARD, 1963). No
programa Minitab 15.1 foram realizadas as análises estatísticas multivariadas
utilizando o intervalo espectral de 1700 a 1500 cm-1, e os resultados expressos na
forma de dendrograma, que é uma representação gráfica dos resultados obtidos
com a análise hierárquica de agrupamento (ROMESBURG, 1990).

35

No Brasil, só existem três indústrias produtoras do Sevofluorano e cada uma
delas produz uma única apresentação desta substância. Uma marca referência, uma
marca Genérica e uma marca Similar. Para não haver influência nas análises e para
garantir o anonimato dos fabricantes optou-se em classificar cada amostra,
aleatoriamente, com algarismos romanos I, II, III. E as amostras da mesma marca
com números aramaicos 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Ou seja, I-1, I-2, I-3, I-4, I-5, I-6, II-1, II-2, II3, II-4, II-5, II-6, III-1, III-2, III-3, III-4, III-5 e III-6 num total de dezoito espectros.

36

4 RESULTADOS

4.1 INSPEÇÃO VISUAL.

4.1.1 Espectros com 0,1 ml de amostra.

Foram obtidos os espectros médios das três amostras de Sevofluorane.
Primeiramente com 0,1 ml, espectros de intensidade parcial. Que apresentou as
seguintes características visto nas figuras 9, 10 e 11.

Figura 9. Espectro da amostra ­ I (1,2,3)
1
80

Transmitância (%)

70
60
50
40
30
20
10
4000

3500

3000

2500

2000

1500
-1

Número de onda (cm )

1000

500

37

Figura 10. Espectro da amostra ­ II (1,2,3)

2
80

Transmitância (%)

70
60
50
40
30
20
10
4000

3500

3000

2500

2000

1500

1000

500

Número de onda (cm-1)

Figura 11. Espectro amostra - III (1,2,3)
3
80

Transmitância (%)

70
60
50
40
30
20
10
4000

3500

3000

2500

2000

1500
-1

Número de onda (cm )

1000

500

38

A análise pela inspeção visual direta demonstra uma similaridade muito
grande entre as três diferentes formas do sevofluorano, onde possibilita identificar as
seguintes bandas: 1371 cm -1, 1302 cm-1, 1238 cm-1, 1219 cm-1, 1180 cm -1, 1131
cm-1, 1100 cm-1, 1030 cm-1 e 903 cm-1. Como demostrado na figura 12 e
discriminados na tabela 3.

Figura 12. Espectro com 0,1ml de amostra com identificações das bandas semelhantes.

80

Med 3

Transmitância (%)

70
60

9

50
1
8

40

7
5
6
2
4

30

3

20
10
4000

3500

3000

2500

2000

1500

Número de onda (cm-1)

1000

500

39

Tabela 3. Atribuições, número de ondas e descrição aproximada do espectro do
Sevofluorane com 0,1 ml da amostra representada na figura 12.
Número

N de onda

Atribuição aproximada

1

1371

Estiramento da ligação C-C

2

1302

Estiramento da ligação C-C

3

1238

Estiramento da Ligação C-F

4

1219

Estiramento da Ligação C-F

5

1180

Estiramento da Ligação C-F

6

1131

Estiramento da Ligação C-O

7

1100

Estiramento da Ligação C-O

8

1030

Deformação Angular C-O-C

9

903

Deformação angular do Esqueleto do Composto

Fonte: Barbosa, (2007).

Nessas bandas praticamente não há diferença entre as áreas das três
amostras. Porém, quando melhor a observação da região de impressão digital do
espectro, região de 1700 cm-1 a 1500 cm-1, pode-se observar, já através de inspeção
visual, diferenças significativas nas intensidades relativas das bandas.

4.1.2 Espectros com 0,2 ml de amostra

Foram obtidos os espectros médios das três amostras de Sevofluorano, desta
vez, com 0,2 ml, espectros de intensidade total, que apresentou as seguintes
características visto nas figuras 13, 14 e 15.

40

Figura 13. Espectro da amostra ­ I (4,5,6)
80
70

Transmitância (%)

60
50
40
30
20
10
0
4000

3500

3000

2500

2000

1500

1000

500

1000

500

-1

Número de onda (cm )

Figura 14 Espectro da amostra ­ II (4,5,6)
80
70

Transmitância (%)

60
50
40
30
20
10
0
4000

3500

3000

2500

2000

1500
-1

Número de onda (cm )

41

Figura 15. Espectro da amostra ­ III (4,5,6)
80
70

Transmitância (%)

60
50
40
30
20
10
0
4000

3500

3000

2500

2000

1500

1000

500

-1

Número de onda (cm )

A análise por inspeção visual destes espectros mostra grande similaridade
entre as amostras, porém quando melhor observada a região de impressão digital do
espectro, região de 1700 a 1500 cm-1, há uma forte evidência de diferença
significativa na intensidade relativas das bandas em 1620 cm-1 e 1569 cm-1.
O critério de escolha para estas bandas foi por apresentarem uma área de
absortividade molar elevada, não apresentar sobreposição com outros picos de
outros componentes da amostra e apresentar uma curva de calibração linear da
absorção versus a concentração. Essa escolha é importante para análise
quantitativa, pois essa banda será utilizada na realização dos cálculos (STUART,
2004). No estudo realizado as bandas escolhidas foram a de 1620 cm-1 e 1569 cm-1,
referente ao modo vibracional do estiramento da ligação (C-H) (SILVERSTEIN;
WEBSTER; KIEMLE, 2005). Essa escolha foi justificada pela localização dessa
banda numa região relativamente livre de bandas de grandes intensidades, 1500 e
900 cm-1, observadas nos espectros com 0,1 ml. (SILVERSTEIN; WEBSTER;
KIEMLE, 2005).

42

Para um melhor entendimento e análise foi ampliada a região do espectro
entre 1700 cm-1 e 1500 cm-1 como demonstrado nas figuras 16, 17 e 18 a seguir:

Figura 16. Ampliação do espectro da região entre 1700 cm-1 e 1500 cm-1 do
Medicamento I
1

Transmitância (%)

60

50

40
1700

1680

1660

1640

1620

1600

1580

1560

1540

1520

1500

-1

Número de onda (cm )

Figura 17. Ampliação do espectro da região entre 1700 cm-1 e 1500 cm-1 do
Medicamento II
2

Transmitância (%)

60

50

40
1700

1680

1660

1640

1620

1600

1580

1560
-1

Número de onda (cm )

1540

1520

1500

43

Figura 18. Ampliação do espectro da região entre 1700 cm-1 e 1500 cm-1 do
Medicamento III

3
65

Transmitãncia (%)

60

55

50

45

40
1700

1680

1660

1640

1620

1600

1580

1560

1540

1520

1500

-1

Número de onda (cm )

Esta ampliação fortalece a impressão, ainda pela inspeção visual, de que há
diferenças significativas entre as três amostras de sevofluorano das bandas em
1620 cm-1 e 1569 cm-1. Na figura 19 pode-se comparar melhor estas diferenças
através da sobreposição dos três espectros em um único gráfico.

44

Figura 19. Espectro ampliado, comparação de medicamentos I, II e III na região de 1700 e
1500 cm-1
3
2
1

Transmitância (T%)

60

50

40
1700

1650

1600

1550

1500

-1

Número de onda (cm )

4.2 CÁLCULO DAS INTENSIDADES RELATIVAS DAS BANDAS E DOS SEUS
COEFICIENTES DE VARIAÇÃO

Com a ajuda dos recursos técnicos do uso dos softwares Spectrum 5.2 e
Origin 7.5, foi possível obter as áreas de determinada banda pelo cálculo da integral
da curva dos pontos relacionados para as bandas.
Os espectros na região de 1668 cm-1 a 1542 cm-1 foram utilizados para o
cálculo das áreas. Foi feito o cálculo das áreas respectivas de cada banda e depois
é feita a razão entre as áreas para determinarmos a intensidade relativa. As bandas
escolhidas foram 1620 cm-1 e 1590 cm-1, pois são as que apresentam intensidades
relativas diferentes nos três medicamentos (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE,
2005).
A representação desse cálculo pode ser observada na tabela 4 a seguir:

45

Tabela 4. Áreas Relativas das Amostras entre 1620 e 1590 cm-1.

Medicamento 1
Medicamento 2
Medicamento 3

A1620
= 0,8989
A1590
A1620
= 1,070
A1590
A1620
= 1,6967
A1590

Os Cálculos das áreas relativas entre as bandas de 1620 cm-1 e 1569 cm-1
mostram uma maior similaridade entre as amostras de números 1 e 2; e variações
significativas destas duas primeiras comparadas com a amostra de número 3. Os
resultados são mostrados na figura 20 na forma de um Histograma.

Figura 20. Histograma área relativa entre as bandas de 1620 cm-1 e 1569 cm-1
1,8
1,6
1,4

Área relativa

1,2
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
1

2

Medicamentos

3

46

Repetindo os mesmos resultados na forma numérica do que já havia sido
proposto na análise de inspeção visual. Ou seja, as duas primeiras amostras com
maior proximidade de áreas relativas em comparação com a terceira amostra.
4.3 ANÁLISE ESTATÍSTICA MULTIVARIADA

A análise multivariada estuda simultaneamente conjuntos de variáveis que
possuem ou não relações de interdependência. Essa técnica tem sido aplicada em
diversas áreas como medicina, sociologia, educação, economia, biologia e outras
(JOHNSON, WICHERN, 1992; SANTOS, 2011).
Uma das técnicas de análise multivariada é a análise de agrupamento. A
análise de agrupamento utiliza um número de variáveis para estabelecer um modo
de agrupar objetos semelhantes na mesma classe de objetos (SANTOS, 2011).
Para reunir objetos semelhantes torna-se necessária adotar medidas para
avaliar o quanto tais objetos são semelhantes ou diferentes. Sendo a medida de
similaridade ou dissimilaridade, a premissa mais importante da análise de
agrupamento (AAKER; KUMAR; DAY, 2001).
Neste estudo para a análise de agrupamento foram utilizados os seguintes
parâmetros: medida de similaridade, distância euclidiana, a mais utilizada em análise
de agrupamento (CORMACK, 1971); como algoritmo para o agrupamento
hierárquico, o Ward; e determinação do número de clusters a serem formados, foi
utilizada o nível de similaridade igual a 90% (CORMACK, 1971;).
Os resultados da análise de agrupamento podem ser expressos na forma de
Dendrogramas. O Dendrograma é uma representação gráfica dos resultados obtidos
com a análise hierárquica de agrupamento (ROMESBURG, 1990).
Como já descrito anteriormente na análise por componentes principais foram
obtidos os três primeiros componentes principais calculados a partir da matriz de
covariância formada pelos dados espectrais. Esses PC's serviram de entrada para a
análise de cluster utilizando-se o algoritmo Ward, conhecido também como
"variância mínima", onde são formados grupos unidos de forma a produzir o mínimo

47

de aumento da variância. A figura 21, mostra nitidamente a escolha de três PC's
para a formação do dendrograma.
O Dendrograma da figura 22 mostra a clara discriminação das amostras de
sevofluorane comercializadas obtidas a partir da análise de cluster realizada em três
espectros de cada amostra.
Figura 21. Gráfico dos componentes principais.

Figura 22. Dendrograma das amostras de Sevofluorane.

48

5 DISCUSSÃO
Na análise por Inspeção visual, nota-se grande similaridade na maioria das
bandas dos espectros entre todas as três amostras diferentes da Substância
Sevofluorano. Principalmente quando usado os valores de 0,1 ml de amostra, na
célula própria para líquidos, afim de obter os espectros.
Com esse volume de amostra pode-se perceber bandas características na
mesma posição e intensidade semelhantes nas três amostras, com exceção da
região entre 1.700 cm-1 e 1.500 cm-1, onde constatou-se uma diferença entre as
mesmas.
Para obter uma intensidade maior das bandas espectrais dessa região
específica e realizar uma análise mais precisa foi utilizado um volume maior de
amostra, 0,2 ml de Sevofluorano na célula própria para líquidos. O resultado foi bem
satisfatório para a faixa de onda desejada, mesmo com a perda visual (ou "estouro")
com extrapolação das bandas abaixo de 1.500 cm-1, ficou evidente que havia
diferença entre as intensidades relativas das bandas de 1.620 cm-1 e 1.569 cm-1
entre as três amostras distintas.
Para destacar essa região entre 1.700 cm-1 e 1.500 cm-1, que foi denominada
de impressão digital do espectro, por ser a região que melhor caracterizou a
diferença entre as amostras, foi feita a ampliação e sobreposição dos espectros para
poder ter a certeza de que essa diferença era significativa ao ponto de podermos
continuar com mais duas formas de análises (STUART, 2004; SILVERSTEIN;
WEBSTER; KIEMLE, 2005).
Sendo assim, para corroborar com as observações visuais foi decidido a
necessidade de calcular as áreas relativas das bandas de 1.620 cm-1 e 1.569 cm-1
entre as três amostras distintas.
O cálculo das intensidades relativas das Bandas e dos seus coeficientes de
variação na região de 1700 cm-1 e 1500 cm-1 mostrou uma diferença significativa no
resultado do cálculo das áreas relativas das bandas escolhidas (1.620 cm-1 e 1.590
cm-1) entre as três amostras diferentes de Sevofluorane.

49

A razão entre as áreas relativas das bandas escolhidas mostrou que duas das
amostras, amostras I e II, ficam com valores muito próximos entre si, mostrando uma
similaridade grande entre estas duas amostras. Enquanto que a terceira amostra,
amostra III, se mostrou bem isolados os seus valores em comparação com as duas
primeiras amostras. Identificando uma distinção entre esta amostra em comparação
com as duas primeiras.
Além destas duas formas de estudo (Inspeção visual e cálculo das
intensidades relativas das bandas em destaque e dos seus coeficientes de variação)
foi realizado o estudo de estatística multivariada para poder melhor caracterizar a
relação de similaridade das amostras.
Os resultados das análises de agrupamento demonstram que no estudo de
estatística multivariada se confirmam os resultados encontrados com os dois
primeiros métodos de análise, inspeção visual e estudo das áreas relativas das
bandas 1.620 cm-1 e 1.569 cm-1. Pode-se ver uma distância menor de similaridade e
um agrupamento próximo entre os medicamentos I e II. E uma maior distância
destes dois com o medicamento III, mostrando uma não similaridade ou similaridade
distante deste último composto com os dois primeiros (AAKER; KUMAR; DAY 2001).
Portanto, em todos os três métodos propostos para este estudo encontramse os mesmos resultados. Uma maior semelhança e similaridade entre as amostras
de Sevofluorane denominadas como I e II. E encontramos uma diferença
significativa entre as amostras de Sevofluorane denominadas como I e II da amostra
de Sevofluorane denominada como III.

50

6 CONCLUSÃO
A

proposta

deste

estudo

foi

de

analisar

as

diferentes

amostras

comercializadas do medicamento anestésico inalatório Sevofluorane pelo método de
espectroscopia vibracional no Infravermelho com transformada de Fourier (FT-IR).
As análises dos espectros encontrados consistiram em 3 diferentes métodos:
inspeção visual, cálculo da intensidade relativa de bandas marcadoras com seus
coeficientes de variação e análise estatística multivariada.
Em todas as análises os resultados confluíram para o mesmo entendimento,
de que há diferença significativa entre as amostras. Sendo que duas delas nos
parece mais semelhantes entre si e uma terceira amostra bem diferente das demais.
Um próximo passo, inclusive como sugestão para trabalhos futuros, seria o
estudo desta diferença entre as amostras e uma possível correlação clínica com
pacientes submetidos a utilização desse Anestésico Inalatório.
Através dos resultados obtidos é possível dizer que a espectroscopia
vibracional do infravermelho com transformada de Fourier é um método eficaz para
análise de medicamentos não somente no estado sólido, mas também no estado
líquido como o exemplo das amostras utilizadas.
Neste estudo, apesar de encontrar resultados conflitantes com o esperado na
literatura em relação a disponibilidade das formas comercializadas, por motivos
éticos, não ficou identificado qual amostra estudada pertence a qual laboratório
fabricante da substância Sevofluorane. Pelo mesmo motivo também não houve
identificação de qual amostra seria a marca referência, a marca genérica ou a marca
similar, pois cada empresa só fabrica uma destas marcas, e assim, ficaria
identificável essa classificação.

51

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