Bioengenharia florestal
evolui com apoio de empresas
PAULO SOARES / USP ESALQ

Carlos Alberto Labate *

Material vegetal de eucalipto em avaliação; Laboratório Max Feffer de Genética de Plantas,
Departamento de Genética, USP ESALQ, 2005

Há sete anos, teve início uma parceria
para inovação tecnológica entre o Laboratório Max Feffer de Genética de Plantas ­ vinculado ao Departamento de
Genética da USP ESALQ ­ e a Suzano Papel e Celulose. Em 1998, foi aprovado,
com o apoio da Fapesp, um projeto voltado ao desenvolvimento de tecnologia
para transformação genética do eucalipto. Após dois anos, foram obtidas as primeiras plantas transgênicas de eucalipto, cujo método de transformação genética foi patenteado no INPI e PCT. Em
julho de 2004, a CTNBio-MCT aprovou o
pedido de instalação dos primeiros ensaios de campo utilizando essas plantas.
Com o sucesso dessa primeira iniciaVISÃO AGRÍCOLA Nº4

JUL | DEZ 2005

tiva, a Suzano resolveu financiar um
novo projeto objetivando alterar a composição química da madeira de eucalipto, por meio da biologia molecular. A primeira parte desse projeto consistiu na
clonagem de vários genes que regulam a
biossíntese de diversos polissacarídeos
da parede celular, como a celulose e as
hemiceluloses. A alteração na composição de polissacarídeos da parede celular
pode representar importante melhoria
no rendimento do processo de polpação
para a produção de celulose, além da
economia de milhões de dólares com a redução do uso de produtos químicos e produção de efluentes pela indústria. Além
disso, pode produzir papéis de melhor

qualidade, possibilitando à empresa ganhar novos mercados e alcançar maior
competitividade, principalmente na exportação.
Até o momento, foram clonados cinco
genes do eucalipto e de outras espécies
vegetais, utilizados na transformação
genética do eucalipto. Em janeiro de
2003, foi depositada no INPI e PCT a patente desse processo, que objetiva alterar a biossíntese dos carboidratos da
parede celula e, por conseqüência, a
composição química do eucalipto (com
a proteção dos genes isolados), as alterações de sua madeira, bem como do papel produzido a partir dela.
O aporte financeiro da empresa ao laboratório tem sido significativo, voltado
principalmente ao custo dos recursos
humanos, com a contratação de técnicos
de nível superior para as áreas de química da madeira, cultura de tecidos, bioinformática, além de oferta de bolsas para
iniciação científica. Os recursos concedidos pela Suzano Papel e Celulose também possibilitaram a compra de equipamentos, material de consumo, reforma e
ampliação do laboratório, permitindo a
formação de vários alunos de mestrado,
doutorado e iniciação científica na área
de biotecnologia florestal. Uma nova
etapa nessa interação universidade-empresa diz respeito ao desenvolvimento
de pesquisas nas áreas de genômica funcional e proteômica, para a identificação
de genes do eucalipto envolvidos na resistência a doenças.
*Carlos Alberto Labate é professor do
Departamento de Genética da USP ESALQ
([email protected]).

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