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UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA
INSTITUTO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOENGENHARIA

ADESLAINE NEGRINI RECHE

ANÁLISE ESPECTROSCÓPICA NO INFRAVERMELHO DO LEITE HUMANO CRU
E PROCESSADO/PASTEURIZADO
DE BANCO DE LEITE

São José dos Campos
2013

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Adeslaine Negrini Reche

ANÁLISE ESPECTROSCÓPICA NO INFRAVERMELHO DO LEITE HUMANO CRU
E PROCESSADO/PASTEURIZADO
DE BANCO DE LEITE

Dissertação apresentada ao programa de
Pós- Graduação em Bioengenharia, como
exigência parcial para obtenção do Título de
Mestrado Profissional em Bioengenharia.
Orientadora: Prof.ª Dra. Kumiko Koibuchi
Sakane

São José dos Campos
2013

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Ficha Catalográfica

Autorizo exclusivamente para fins Acadêmicos e científicos, a reprodução
total ou parcial desta dissertação, por processo fotocopiador ou transmissão
eletrônica.

Aluna: ________________________________________________________

Data: _________________________________________________________

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ADESLAINE NEGRINI RECHE

"ANÁLISE ESPECTROSCÓPICA NO INFRAVERMELHO DO LEITE HUMANO
CRU E PROCESSADO/PASTEURIZADO
DE BANCO DE LEITE"

Dissertação aprovada como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre
Profissional em Bioengenharia, do Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia,
do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba,
São José dos Campos, SP, pela seguinte banca examinadora:

Prof. Dra. Andreza Ribeiro Simioni _______________________________________

Prof. Dra. Andrea Santos Liu____________________________________________

Prof.Dra. Kumiko Koibuchi Sakane _______________________________________

Profª Dr. Sandra Maria Fonseca Da Costa
Diretor do IP&D - uniVap
São José dos Campos,

de Junho de 2013.

5

DEDICATÓRIA

Aos meus pais, João e Cleusa,
exemplos
de
honestidade,
humildade e perseverança.
Aos bebês e seus familiares.
Às doadoras de leite pelo grandioso
gesto
de
se
doarem
incondicionalmente.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, autor supremo da minha vida, sem O qual nada seria possível.

À Universidade do Vale do Paraíba, pela oportunidade em cursar Mestrado
Profissional em Bioengenharia, e à Universidade Estadual do Oeste do Paraná, pela
liberação de meu trabalho.

À minha orientadora Prof.ª Dra. Kumiko Koibuchi Sakane os meus sinceros
agradecimentos, pelo ensinamento, apoio e dedicação dispensados à concretização
deste trabalho, e acima de tudo pela paciência, pela acolhida e o abraço de incentivo
nos momentos difíceis.
A Patrícia Marcondes dos Santos, com quem tive a honra de conviver e partilhar a
execução dos experimentos. Sempre disposta a ajudar em tudo.

Ao Prof. Dr. Mituo Uehara de saudosa memória, exemplo de compromisso e
dedicação profissional.

À todos os professores e funcionários do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento IP&D da UniVap, que direta ou indiretamente, contribuíram para o desenvolvimento
desta pesquisa.

Aos companheiros de trabalho, particularmente aos do banco de leite humano que
me auxiliaram de maneira prestativa e significativa.
À minha família, meu "porto seguro".
Aos amigos: Karem Franciele, Patrícia de Fátima, Claudia, Mirian, Joelma, Greicy e
Francielle Rosa pelo companheirismo e incentivo. Deferência especial a Joelma que
tantas dificuldades enfrentamos juntas na caminhada deste mestrado.

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RESUMO
ANÁLISE ESPECTROSCÓPICA NO INFRAVERMELHO DO LEITE HUMANO CRU
E PROCESSADO/PASTEURIZADO
DE BANCO DE LEITE
Dada a grande importância do aleitamento materno, este trabalho teve como
objetivo analisar o leite humano cru e processado/pasteurizado de banco de leite,
relacionando fatores intrínsecos e extrínsecos a amamentação. Para realização do
mesmo houve o envolvimento do banco de leite de Cascavel assim como a coleta de
amostra de leite de doze doadoras, as quais tiveram seu leite identificado através de
números e letras. O trabalho pautou-se por uma análise das biomoléculas lipídios,
proteínas e lactose do leite humano cru e processado/pasteurizado, utilizando-se da
técnica de espectroscopia no infravermelho. Os espectros foram analisados por
meio de três métodos: 1. inspeção visual direta e comparação aos compostos
semelhantes; 2. cálculo das intensidades relativas das bandas de lipídios, proteínas
e lactose bem como coeficiente de variação ; 3. análise estatística multivariada.
Constataram-se: (a) a variação na composição das biomoléculas depois do
processamento/pasteurização, destacando maior alteração de quantidade nos
lipídios;
(b).o
leite
humano
torna-se
mais
homogêneo
após
processamento/pasteurização; (c) o tempo de lactação influenciou na variação da
composição de biomoléculas
nos leites crus e processados/pasteurizados.
Observou-se um aumento significativo de lipídios nos leites colostros a termo após o
processamento e pasteurização. A eficácia da espectroscopia no infravermelho em
conjunto com a análise estatística multivariada foi analisada. Os resultados
revelaram a discriminação espectral entre as amostras de leite, separando trinta e
cinco espectros de sete amostras em sete grupos distintos e detectando o caráter
intermediário do leite de transição.

Palavras-chave: Espectroscopia no Infravermelho, Leite Humano, Lipídios,
Proteínas, Lactose, banco de leite, processamento/pasteurização.

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ABSTRACT
INFRARED SPECTROSCOPIC ANALYSIS OF HUMAN MILK RAW AND
PROCESSED/PASTEURIZED FROM THE BANK OF MILK

Given the importance of breastfeeding, this study aimed to carry out an analysis of
the raw and processed/pasteurized human milk from the bank of milk, relating it to
the intrinsic and extrinsic breastfeeding factors. To its realization the milk bank of
Cascavel was involved and milk sample of twelve donors were collected, their milk
was identified by numbers and letters. The work was guided by an analysis of lipids,
proteins and lactose biomolecules in human milk, raw and processed/pasteurized,
using infrared spectroscopy technique. The spectra were analyzed by three methods:
1. direct visual inspection and comparison to similar compounds; 2. calculation of the
relative intensities of the bands of lipids, proteins and lactose as well as the
coefficient of variation; 3. multivariate statistical analysis. It was discovered that: (a)
there
is
a
variation
in
the
composition
of
biomolecules
after
processing/pasteurization, highlighting greater quantity change in lipids; (c) the
variation of the composition of biomolecules in raw milk and in processed/pasteurized
were influenced by the time of lactation. There was a significant increase of lipids in
the term colostrum milk after processing and pasteurization. The effectiveness of the
infrared spectroscopy was examined in conjunction with the multivariate statistic
analysis. The results revealed that spectral discrimination between the samples of
milk, separating thirty-five spectrums of the seven samples into seven distinct groups
and detecting the character of the intermediate transitional milk.

Key-words: Infrared Spectroscopy, Human Milk Lipids, Proteins, Lactose, milk bank,
processing/pasteurization.

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LISTA DE FIGURAS
Figura 1: A fisiologia da mama ................................................................................. 21
Figura 2: Fluxo de trabalho no BLH Fonte: BRASIL (2008). .................................... 32
Figura 3: Ordenha manual (BRASIL, 2011) ............................................................. 33
Figura 4: Espectro infravermelho de clorofórmio em transmitância ......................... 38
Figura 5: Espectro infravermelho de clorofórmio em absorbância .......................

39

Figura 6: Esquema ilustrado do procedimento para obtenção das amostras de
leite humano ............................................................................................................. 43
Figura 7: Esquema ilustrado do procedimento pra obtenção do leite liofilizado....... 46
Figura 8. Obtenção de pastilhas em KBr. ................................................................ 46
Figura 9: Espectros infravermelhos de leite humano cru ........................................ 50
Figura 10: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 1C e 1P. ........... 51
Figura 11: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 2C e 2P. .......... 52
Figura 12: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 3C e 3P. .......... 52
Figura 13: Espectros infravermelhos da amostra de leite humano 4C e 4P. .......... 53
Figura 14: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 5C e 5P. ........... 53
Figura 15: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 6C e 6P. ........... 54
Figura 16: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 7C e 7P. ........... 54
Figura 17: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 8C e 8P. .......... 55
Figura 18: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 9C e 9P. ........... 55
Figura 19: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 10C e 10P. ....... 56
Figura 20: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 11C e 11P. ....... 56
Figura 21. As bandas utilizadas nos cálculos de intensidades relativas................... 59
Figura 22. Variação média de lipídio, proteína e lactose por
processamento/pasteurização . ............................................................................... 60
Figura 23: Variações de lipídios no leite humano cru e processado/ pasteurizado.. 61
Figura

24:

Variações

de

proteínas

no

leite

humano

cru

e

10

processado/pasteurizado. ........................................................................................ 62
Figura 25: Variações de lactose no leite humano cru e processado/pasteurizado... 63
Figura 26 Coeficientes de variação de lipídios, proteína e lactose antes e após
processamento/pasteurização. ................................................................................ 64
Figura 27. Intensidades relativas I1747/I1548 das bandas de lipídio para amostras de
leite humano maduro e colostro. .............................................................................. 68
Figura 28 Intensidades relativas I1649/I1548 das bandas de proteína para amostras
de leite humano maduro e colostro. ......................................................................... 68
Figura 29 Intensidades relativas I1076/I1548 das bandas de lactose para amostras
de leite humano maduro e colostro. ....................................................................... 69
Figura 30 Coeficientes de variação de lipídio, proteína e lactose para amostras de
leite humano maduro e colostro. .............................................................................. 69
Figura 31 Intensidade relativa média das bandas de lipídio, proteína e lactose
para amostras de leite humano maduro e colostro. ................................................. 70
Figura 32- Espectros de leite humano cru, amostras diferentes de mesmas
doadoras. ................................................................................................................. 71
Figura 33: Dendrograma dos resultados da análise de sete amostras de leite
humano cru, contendo cinco espectros de cada, na região de lipídio, amida I e
lactose. ..................................................................................................................... 72

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Composição nutricional do leite humano em suas três fases .................. 23

Tabela 2: Número de onda e descrições aproximadas das bandas do leite
humano 6C ............................................................................................................. 58

Tabela 3: As intensidades relativas de lipídios, proteínas e lactose ........................ 59

Tabela 4: As intensidades relativas de lipídios, proteínas e lactose de leite
maduro de nutrizes que tiveram seu filho a termo. .................................................. 66

Tabela 5: As intensidades relativas de lipídios, proteínas e lactose de leite
colostro de nutrizes que tiveram seu filho a termo. .................................................. 67

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BLH

Banco de Leite Humano

C

Leite humano cru

CV

Coeficiente de Variação

DP

Desvio Padrão

Fiocruz

Fundação Oswaldo Cruz

IFF

Instituto Fernando Figueira

KBr

Brometo de Potássio

LH

Leite Humano

M

Valor médio

mL

Mililitro

MS

Ministério da Saúde

OMS

Organização Mundial da Saúde

P

Leite humano processado/pasteurizado

PNIAM

Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno

PT

Pré-termo

RN

Recém-nascido

RNBLH

Rede Nacional de Banco de Leite Humano

SBP

Sociedade Brasileira de Pediatria

UNICEF

Fundo das Nações Unidas para a Infância

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SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO....................................................................................................... 14
1.1 Objetivo Geral ............................................................................................ 15
1.2 Objetivos Específicos ............................................................................... 15
2 REVISAO DE LITERATURA ................................................................................ 16
2.1 Aleitamento materno, um pouco de sua história ................................... 16
2.2 Leite humano ............................................................................................. 20
2.2.1 Composição de leite humano ................................................................ 22
2.2.2. Água .................................................................................................... 24
2.2.3 Proteínas .............................................................................................. 25
2.2.4 Lipídios ................................................................................................. 26
2.2.5 Carboidratos/Lactose .......................................................................... 27
2.3 Fatores que alteram a composição do leite humano ............................. 28
2.3.1 Fatores intrínsecos .............................................................................. 28
2.3.2 Fatores extrínsecos............................................................................

29

2.4 Prematuridade e alimentação .................................................................. 29
2.5 Banco de leite humano ............................................................................ 30
2.5.1 Processamento leite humano ............................................................... 33
2.5.2 Doadoras de leite humano ................................................................... 36
2.6 Espectroscopia infravermelha ................................................................. 37
3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 41
3.1 Obtenção das amostras de leite humano ................................................ 41
3.2 Histórico das amostras ............................................................................ 44
3.3 Preparo das amostras ............................................................................... 45
3.4 Obtenção dos Espectros de Absorção no Infravermelho ..................... 47
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ......................................................................... 49
5 CONCLUSÕES .................................................................................................... 73
REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 75
REFERÊNCIAS CONSULTADAS ........................................................................... 80
ANEXO A - Comitê de Ética em Pesquisa ­ CEP ­ UNIOESTE ........................ 81
ANEXO B- Comitê de Ética em Pesquisa ­ CEP- UNIVERSIDADE DE
TAUBATÉ ................................................................................................................ 82

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1 INTRODUÇÃO

O aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo, afeto,
proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível, econômica e eficaz
intervenção para redução da morbimortalidade infantil (BRASIL, 2009). O leite
humano (LH) exclusivo é o alimento adequado para as crianças até os seis meses
de idade e é recomendado até os dois anos ou mais, concomitante com a introdução
gradativa de outros alimentos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2001).
De acordo com a Academia Americana de Pediatria (AAP), o Fundo das
Nações Unidas para Infância (UNICEF), o Ministério da Saúde (MS) e a Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP), o LH da própria mãe ainda é o alimento mais
adequado inclusive para lactentes em situações especiais, pré-termo (PT), baixo
peso (BP) e de risco (BRASIL, 2002).
Apesar do LH ser o alimento indicado, há bebês que estão clinicamente
inaptos para sugarem diretamente no seio materno, seja por PT, BP e de risco ou a
mãe ainda não apresenta produção láctea suficiente. Nesses casos a grande
maioria recebem um leite homólogo ao materno, provindo de doação feita ao Banco
de Leite Humano (BLH) por nutrizes que apresentam produção láctea excedente
(TAMES; SILVA, 2002).
O processamento/pasteurização do leite em BLH tem por finalidade a
qualidade sanitária do leite, preservar padrões de qualidade microbiológicos,
nutricionais, físico-químicas, fisiológica e imunológica. Assim esta técnica visa
oferecer o LH processado com qualidade certificada para a alimentação de recémnascidos (RN), especialmente os prematuros (HECK, 2011).
Estudar a composição do LH cru e processado/pasteurizado, bem como
relacionar sua composição ao estágio de lactação, faz em parte de estratégias que
estarão diretamente relacionadas à melhor adequação da dieta dos RN em situação
de risco. Dada à importância do LH para o lactente, faz-se necessário então o
estudo do leite de BLH.
Sendo assim a espectroscopia no infravermelho pode vir a contribuir nesta
tarefa. Ao mesmo que ela é uma técnica de "alta sensibilidade" na caracterizaçao e

15

detecção das mudanças nos grupos funcionais nos componentes biológicos
(STUART, 1997).

1.1 Objetivo Geral

Analisar o leite humano cru e processado/pasteurizado de banco de leite por
espectroscopia no infravermelho.

1.2 Objetivos Específicos

(a) Obter e caracterizar os espectros infravermelhos de LH cru e
processado/pasteurizado, ambos obtidos em Banco de Leite;
(b) Fazer um estudo comparativo sobre possíveis variações das biomoléculas
(proteínas,

lipídios

e

lactose),

a

nível

molecular,

entre

o

LH

cru

e

processado/pasteurizado;
(c) Avaliar relação entre o fator intrínseco da amamentação, tempo de
lactação e variação das biomoléculas (proteínas, lipídios e lactose), a nível
molecular, entre o LH cru e depois de processado/pasteurizado.

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2 REVISAO DE LITERATURA

2.1 Aleitamento materno, um pouco de sua história

A importância do LH para criança é amplamente registrada em diversas
publicações. Ele é completo, seus diversos nutrientes são suficientes para
proporcionar o adequado crescimento e desenvolvimento do ser humano (TAMEZ,
2005 e NÓBREGA, 2009).
O aleitamento materno promove qualidade de vida, repercute no curto, médio
e longo prazo, reduz mortalidade na infância protegendo contra diarreia, infecções
respiratórias, alergias, hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes, obesidade e
promove o crescimento adequado, desenvolvimento cognitivo e da cavidade bucal
(BRASIL, 2011a).
As proteínas, açúcares, gorduras, sais minerais e vitaminas estão presentes
em quantidade adequada para suprir as necessidades da criança (REGO, 2008). As
vantagens do aleitamento materno não se restringem somente ao lactente, mas
também aos pais e sociedade.
Segundo Giugliani (2005) o aleitamento materno é considerado estratégia de
saúde de grande benefício, pois diminui gasto das famílias, dos serviços de saúde e
sociedade em geral ao eliminar despesas com internamentos, leites artificiais e
mamadeiras. Além disso, de acordo com Albuquerque (2010) a lactação é um ato
ecológico, não agride a natureza e é totalmente renovável.
Na atualidade sabemos da importância da oferta de LH, como foi exposto, no
entanto, ao lançarmos o olhar sobre a trajetória do aleitamento materno através dos
tempos é evidente que o LH foi a principal fonte de nutrição das crianças. Contudo
diversos autores apontam que o alimento LH foi o mais utilizado, no entanto, a forma
de alimentar o RN sofre variações, dependendo de cada época, estando
intimamente ligado em hábitos culturais e sociais (SILVA, 1996; ALMEIDA; NOVAK,
2004; BOSI; MACHADO, 2005).
Assim, faz se necessário à compreensão da rede que se estende em torno do
aleitamento materno, isto é, como as crianças eram alimentadas no decorrer da

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história e como foi o processo para que hoje possamos ter amplo conhecimento
sobre aleitamento materno e incentivar esta prática.
Encontram-se registros da prática de aleitamento pela própria mãe ou por
amas de leite desde a antiguidade. As mulheres babilônias (2500 a. C.) e as
egípcias (1500 a. C) amamentavam as crianças por quase três anos, já as gregas e
romanas não amamentavam tão freqüentemente como os povos supracitados,
preferiam delegar a prática de aleitar para as amas de leite (VINAGRE; DINIZ,
2001).
Em escavações arqueológicas na Grécia (séc. V e VII) foram encontrados em
vários sítios arqueológicos recipientes próximos ao corpo de crianças, sugerindo que
os gregos ofertavam alimentos de outra fonte, além do leite materno (BOSI;
MACHADO, 2005).
Para Wickes (1952) o papiro de Ebers (1550 a.C.) é o mais antigo
enciclopédia médica do Egito que contém uma prescrição curta sobre aleitamento
materno. O mesmo traz instruções de como estimular a produção láctea. Este
processo constava no aquecimento de óleo dos ossos de peixe espada, e sua
fricção nas costas da lactante, ao mesmo tempo em que a mesma se mantivesse
sentada com as pernas cruzadas e comendo pão perfumado.
O grego Hipócatres (460 a 370 a. C), considerado o "pai da medicina"
reconheceu e escreveu sobre os benefícios da amamentação como dieta higiênica,
uma vez que observava maior taxa de mortalidade infantil entre lactentes que não
eram amamentados. Posteriormente Sorano (70 -130 d. C) escreve sobre o aspecto
cor, odor sabor e densidade do leite materno (VINAGRE; DINIZ, 2001).
No antigo testamento na Bíblia (BÍBLIA, 1999) há passagens que descrevem
a prática da amamentação e do desmame. No livro de Samuel (Samuel 1:20) consta
que este foi amamentado por sua mãe, sendo evidenciado por meio dos dizeres que
mencionam,
[...] faze o que bem te parecer em teus olhos, fica até que o desmames [...].
Assim ficou a mulher e deu leite a seu filho, até que o desmamou. No livro
de Genesis (21: 8) também é possível apontar o desmame de Isaque " [...] E
cresceu o menino, e foi desmamado [...](Samuel, 1:20) (BÍBLIA, 1999,).

Devido ao cristianismo, a proteção às crianças ascendeu, com consequente
incentivo à prática da amamentação. Constantino (315 d.C, imperador romano),

18

Carlos Magno (rei dos francos e imperador do ocidente) e o papa Inocêncio III (1198
d.C) promoviam proteção às crianças órfãs e abandonadas bem como o incentivo a
prática de amamentação (VINAGRE; DINIZ; VAZ, 2001).
Já na Europa no século XVI, para Bandinter (1985) as crianças não eram
valorizadas e a taxa de mortalidade infantil era alta. As mães da alta sociedade não
amamentavam seus filhos e era prática comum encaminharem crianças para casa
de amas de leite. Bossi e Machado (2005) apontam que as mulheres inglesas entre
1500 e 1700 não amamentavam.
No Brasil nos séculos XVI, XVII e anteriores, a amamentação era prática
comum, as índias tupinambás amamentavam seus filhos por um período de dois
anos ou mais. Culturalmente, o aleitamento materno era valorizado, sendo permitida
a suspensão deste ato quando ocorria doença grave (SILVA, 1990).
Quando os europeus chegaram ao Brasil trouxeram a cultura do desmame.
As mulheres europeias achavam que a amamentação era desnecessária, além do
mais, acreditavam que este ato enfraquecia a puérpera e interferia na vida social e
sexual do casal. Assim as europeias, no inicio da colonização brasileira, transferiram
as responsabilidades com alimentação de seus filhos, para as indígenas que eram
chamadas de saloias ou ama de leite brasileira. No entanto, devido à dificuldade de
domesticar os índios e pelas diferenças culturais, as amas de leite indígenas foram
sendo substituídas pelas escravas africanas (ALMEIDA, 1999).
Já as mulheres pobres da sociedade brasileira, no decorrer da história
amamentaram sua prole, e só o deixaram de fazer no início do século XX, quando
de acordo com Campestrini (1992), vários fatores influenciaram o desmame precoce
tais como: conceito de qualidade do leite fraco; a entrada da mulher no mercado de
trabalho; inexistência de exemplos no meio familiar; estímulo e divulgação da
alimentação artificial; pequena divulgação das vantagens do leite humano;
despreparo da equipe de saúde para estimular a amamentação.
A institucionalização do parto, segundo Lang (1999), foi outro agravante ao
desestimulo da amamentação, as puérperas eram afastadas de seus rebentos por
um período considerável, uma vez que os recém-nascidos deveriam ficar um tempo
sem serem amamentados, para avaliação, além de não se ter a prática de
alojamento conjunto obstétrico.

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Assim, no início do século XX com a industrialização e obtenção de leite em
pó, ocorreu o estímulo ao alimento artificial. Para Vinagre, Diniz e Vaz (2001) nesta
época a ênfase na alimentação infantil era a quantidade e não qualidade, o critério
para avaliar a adequação nutricional era o crescimento. Assim, como as fórmulas e
leite de vaca são mais calóricos, acreditavam ser alimento mais adequado para as
crianças.
Na realidade a indústria, visando lucro, montou um poderoso esquema
promocional para vender o leite em pó, que teve a conivência do Estado e apoio da
categoria médica. Nesta época, grande parte dos médicos brasileiros, mudaram sua
percepção sobre aleitamento materno e a indústria se apropriou da ciência da
nutrição. O Estado foi um dos apoiadores do consumo da fórmula, pois distribuía
gratuitamente leite em pó para ajudar as famílias de baixa renda (CARVALHO,
2005).
A desvalorização do aleitamento materno, não ocorreu somente no Brasil,
mas a nível mundial, o que rapidamente trouxe suas consequências. Em meados do
século XX, notou-se um aumento acentuado na mortalidade infantil mundial,
paralelamente com a diminuição da lactação materna. Este fato foi classificado, por
estudiosos, como a mais importante modificação da cultura humana, o que
representou um desperdício de um recurso natural de valor inestimável, sobretudo
nos países mais pobres que dele mais necessitavam (CAMPESTRINE, 1992).
Nóbrega (2009) ressalta ainda que o processo de industrialização propiciou o
alimento artificial, e que a falta de higiene e pequeno conhecimento científico no
preparo dos substitutos do leite humano proporcionaram o aumento da mortalidade
infantil.
Para Campestrini (1982), no Brasil no início da década de 1980, para cada
370 óbitos infantis, 350 eram alimentados com leites artificiais. Diante desse
contexto se iniciaram vários movimentos em prol da amamentação exclusiva,
mostrando a importância e os benefícios do leite materno para a díade mulher/mãe e
criança/filho. Atualmente a Organização Mundial de Saúde (OMS), Organizações
Não-governamentais e o Ministério da Saúde (MS), por meio das políticas nacionais
de Saúde vem cada vez mais estimulando e incentivando o aleitamento materno
exclusivo (MENCONI, 2005).

20

Dentre as ações, em 1981, houve o desenvolvimento do Programa Nacional
de Incentivo ao aleitamento materno (PNIAM) que levou a expansão e implantação
de novos BLH, esses, com objetivo de promover o aleitamento materno (NOVAK,
2011).
Assim, a importância do leite humano desenvolveu nacionalmente o
crescimento quantitativo dos BLH e profissionais da saúde trabalham com intuito de
oferecer um produto de qualidade certificada para suprir necessidades de crianças
internadas nas unidades neonatais e de pediatria (APRILE; FEFERBAUM, 2011).
De acordo com Brasil (2009) o aleitamento materno é a mais bem sucedida
estratégia para evitar mortes de crianças menores de 5 anos. Segundo a
Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef, próximo a seis milhões de vidas
de crianças estão sendo salvas todo ano, devido ao aleitamento materno/leite
humano.

2.2 Leite humano

O leite humano é definido como a secreção láctea produzida pela nutriz
(BRASIL, 2006), é um fluido extraordinário, contendo substâncias específicas para
espécie e para o organismo (MOURA, 2005).
É produzido por um complexo sistema neuroendócrino e é acumulado na
glândula mamaria antes da amamentação (NESTAREZ; NESTAREZ, 2010). O
sistema neuroendócrino envolve primeiramente o desenvolvimento da mama e após
lactogênese e lactopoese. A lactogênese é o início da produção de leite, ocorre logo
após o parto sobre comando do hormônio prolactina que é produzido pela hipófise.
Iniciada a lactação (lactogênese) ela é mantida (lactopoese) pela existência do
reflexo neurendócrino da sucção do mamilo pelo lactente ou manipulação, que age
no eixo hipotalâmico-hipofisário liberando prolactina e ocitocina (MONTENEGRO;
REZENDE FILHO, 2008).
O hormônio prolactina é responsável pela produção láctea (proteínas, caseínas,
ácidos graxos, lactose), e o hormônio ocitocina pela descida e ejeção do leite.
Simplificadamente a sucção do lactente desencadeia um reflexo hormonal que

21

culmina com liberação de prolactina e ocitocina responsáveis pela produção,
descida e ejeção do leite (MONTENEGRO; REZENDE FILHO, 2008). Este processo
pode ser visualizado na figura 1.
Figura 1: A fisiologia da mama.

Fonte: Montenegro, Rezende Filho (2008, p. 194).

O volume produzido de leite depende do quanto à criança suga e a frequência
das mamadas. Uma nutriz que amamenta exclusivamente normalmente produz mais
leite do que a necessidade de seu filho, chegando a 800 mL por dia no sexto mês de
lactação (BRASIL, 2011a).
A composição química e volume são variáveis, isto é, altera com o tempo de
amamentação, com a hora do dia, e com o tempo de mamada (início e fim), de
modo a se adaptar às características e a necessidades fisiológicas da criança
(MOURA, 2005).
Em relação ao tempo de lactação o leite passa por três fases e é classificado
em colostro, de transição e maduro. O colostro é o primeiro leite excretado, obtido
em média até o 7º dia após o parto; o leite de transição é o produto intermediário da
secreção lática da nutriz, entre o colostro e o leite maduro, obtido em média entre o
7º e o 15º dia após o parto; e o leite maduro é o produto da secreção lática da nutriz,
livre do colostro, obtido em média a partir do 15º dia após o parto (FIOCRUZ, 2004).

22

O colostro fornece proteção contra doenças infecciosas e é um fluido amarelo
e pegajoso, devido a maior concentração de imunoglobulina e de células brancas
(MELO, 2010). O mesmo é produzido em pequeno volume, mas supre a
necessidade do neonato. Contém mais proteínas e minerais e apresenta menor
concentração de lipídios e lactose do que o leite maduro (GUEDES, 2005).
Vale colocar neste momento que o leite de mães de recém-nascidos
prematuros apresenta composição diferenciada, indiferente de sua fase (BRASIL,
2009) este fator será abordado posteriormente. Para Lopes (2008), o colostro é
insubstituível, concentra fatores que levam a proteção e desenvolvimento do tubo
intestinal imaturo do recém-nascido, preparando-o para receber o leite maduro.
O leite de transição é o elo entre o colostro e o leite maduro (MOURA, 2005),
é a mistura do colostro com o leite maduro, com coloração amarelo claro (MELO,
2010). Neste período ocorre gradativamente diminuição da concentração de
imunoglobulinas e de proteínas e a taxa de gordura e lactose vão aumentando até
alcançar a composição do leite maduro (GUEDES, 2005).
O leite maduro também apresenta características especiais contém todos os
nutrientes necessários para o crescimento e para o desenvolvimento psíquico-motor
da criança e é branco leitoso. Altera sua constituição no decorrer da mamada
(MELO, 2010).

2.2.1 Composição de leite humano

O leite humano é um fluído de grande complexidade biológica, é uma
substância viva, tendo atividade protetora e imunomoduladora. É homogêneo e se
apresenta em três frações, sendo elas: emulsão, suspensão e solução. A emulsão é
a fase lipídica e nela se concentra os óleos, gorduras, ácidos graxos livres, as
vitaminas e demais constituintes lipossolúveis. Na fração suspensão se concentra as
proteínas e quase a totalidade do cálcio e fósforo. Já na fase solução a água é seu
constituinte principal, sendo formada também por vitaminas, minerais, carboidratos,
proteínas do soro, enzimas e hormônios (LAMOUNIER; VIEIRA ; GOUVÊA, 2009).
A tabela 1 apresenta a composição nutricional do leite humano em suas três fases
(colostro, leite de transição e leite maduro).

23

Tabela 1 ­ Composição nutricional do leite humano em suas três fases

24

Fonte: Calil et al. (2011).

Moura (2005) expõe que ele apresenta variação própria e tem mais de 200
substâncias e nem todas foram totalmente estudadas. Para Lang (1999) os
principais componentes do LH são água, lipídio, proteínas, carboidratos, vitaminas,
sais minerais, oligoelementos, hormônios, enzimas, fatores de crescimento, fatores
protetores e propriedade imunológica.
Dentre este, os componentes nutricionais mais abundantes do LH são: água,
proteínas, gorduras e açúcares.

2.2.2 Água

Constitui sua maior porção, em torno de 87%, e é disponível em quantidades
suficiente para suprir às necessidades do lactente, quando amamentado
exclusivamente (LANG, 1999).

25

2.2.3 Proteínas

Formada por conjunto de aminoácidos, são marcas registradas de cada
espécie. As proteínas do LH apresentam propriedades especificas para humanos,
são estruturais e qualitativas, elementos fundamentais para formação do arcabouço
corpóreo (LOPES, 2008). As mesmas se dividem em caseína e proteínas do soro
(alfa-lactoalbumina, lactoferina, lisozima, albumina, sérica e as imunoglobulina A, G
e M). No leite humano predomina as últimas, perfazendo 72% da proteína total do
leite, ao mesmo tempo que a caseína representa 28% (MOURA, 2005).
Dentre as proteínas do soro do leite humano, a maior parte é de alfalactoalbumina, componente essencial no transporte de ferro bem como no sistema
enzimático da síntese da lactose (CALIL; FALCÃO, 2003).
A caseína do leite humano tem papel importante na proteção intestinal, é de
fácil digestão e absorção (LOPES, 2008) o que reduz o tempo de esvaziamento
gástrico. Isso se deve formação de coalho mais leve com flóculos de fácil digestão
devido a sua baixa concentração (SILVA et al., 2007).

Ela também impede a

aderência de bactérias patogênicas às células da mucosa intestinal (LAMOUNIER;
VIEIRA; GOUVÊA, 2009).
Quando comparada ao leite de vaca, o LH tem menor concentração de
caseína, no entanto, ele é totalmente absorvido, já a metade da proteína do leite de
vaca passa pelo tubo digestivo sem aproveitamento (LOPES, 2008).
Todos os aminoácidos essenciais são encontrados no leite humano, dentre
eles a cistina e taurina, fundamentais para o desenvolvimento do Sistema Nervoso
Central. Para os prematuros, os mesmos têm importância vital, pois por deficiência
enzimática, eles não conseguem sintetizá-lo a partir de outros aminoácidos (SILVA
et al., 2007).
Os aminoácidos livres do leite humano, são componentes essenciais para o
desenvolvimento do recém-nascido, é o mais adequado as suas características
metabólicas, satisfazendo suas necessidades proteicas (CALIL; LEONE; RAMOS,
1992a).

26

2.2.4 Lipídios

Os lipídios variam de 3% a 5% do conteúdo total do LH, dentre os quais 98%
são formados por triglicerídios, 1% de fosfolipídios e 0,5 % de esteróis (SILVA et al.,
2007).
É rico em ácidos graxos, os livres representam 16,7% do total de ácidos
graxos da gordura láctea, deste total, 58% são insaturado e 42% são saturado
(LAMOUNIER; VIEIRA; GOUVÊA, 2009). Os mesmos têm papel importantíssimo
como fonte de calorias para o recém-nascido, e fornecem aproximadamente 50% da
energia total do leite (MOURA, 2005). Segundo Lopes (2008) servem de reservatório
de energia para o indivíduo e são essenciais no desenvolvimento do cérebro e de
todo o sistema nervoso central.
Citando Lamounier, Vieira e Gouvêa (2009) o recém-nascido, principalmente
o prematuro, apresenta imaturidade no sistema de secreção de lípase pancreática
bem como na conjugação de sais biliares. Assim apresenta dificuldade no processo
de absorção e digestão da gordura, o que é parcialmente compensada por lipases
linguais e gástricas e por uma lipase não específica adicional, encontrada na fração
não gordurosa do leite humano. E assim enfatizando esta teoria Lang (1999) afirma
que

por causa da lípase a gordura do leite é digerida e absorvida com maior

facilidade, no entanto, vale ressaltar que o processo de pasteurização destrói parte
desta enzima, diminuindo consideravelmente este processo.
Ainda em relação à concentração de gordura láctea, a mesma sofre variações
contínuas. Estudos de Bitman et al. (1983) comprovaram que o teor de gordura se
altera durante a lactação. No colostro por exemplo, esta gordura apresenta nível
mais baixo de concentração e vai aumentando gradativamente com o tempo de
lactação.
Complementando à ideia acima os autores Schanler e Hurst (1994 apud
VINAGRE; DINIZ, 2001) afirmam que a concentração de lipídios pode se alterar de
acordo com fatores intrínsecos pertinentes à amamentação, tais como: idade
gestacional, período de lactação, durante o dia, durante a mamada e finalizando de
nutriz para nutriz.

27

Para Lamounier, Vieira e Gouvêa (2009) se a dieta da nutriz for rica em
gordura animal, os ácidos graxos saturados estarão presentes em maior quantidade.
Caso esta dieta seja baseada em gordura de origem vegetal, o ácido linoleico e seus
derivados poliinsaturados se apresentando em maior quantidade. Caso a nutriz
tenha dieta rica em carboidratos, haverá predomínio de ácidos graxos.
Calil, Leone e Ramos (1992b) ressaltam ainda que, quando a dieta ingerida
pela nutriz for energeticamente equilibrada, a gordura de seu leite será semelhante,
no entanto, quando ocorre deficiência de ingestão calórica, há um mecanismo de
equilíbrio, os ácidos graxos do tecido adiposo são mobilizados e se incorporam ao
leite.

2.2.5 Carboidratos/Lactose

O LH é rico em lactose, e constitui cerca de 70% do conteúdo de carboidrato.
Os demais carboidratos (glicose, galactose, oligossacarídeos complexos e
glicoproteína) se apresentam em menores proporções (CALIL; LEONE; RAMOS,
1992b).
A lactose é um dissacarídeo composto de galactose e glicose. Este primeiro,
é constituinte dos galactolipídios essenciais para mielinização dos axônios (Sistema
Nervoso Central) e a glicose é usada como fonte de energia (MOURA, 2005). Ela
fornece aproximadamente 45% do conteúdo energético total do leite humano
(CALIL; LEONE; RAMOS, 1992b).
De acordo com Lopes (2008), a lactose é facilitadora da absorção de cálcio e
ferro no organismo e também desempenha função protetora do intestino, através de
sua fermentação, propiciando ambiente favorável à colonização intestinal com
Lactobacillus bifidus os quais protegem o trato intestinal da invasão por bactérias
patogênicas causadoras de diarreia uma das principais causas de morte infantil.
Segundo estudos realizados por Lamounier, Vieira e Gouvêa (2009) a
fermentação diminui o pH intestinal e cria ambiente ácido. Isto se deve à produção
de grande quantidade de ácido lático, acético, succínico, proporcionando ambiente
desfavorável para crescimento de enterobactérias causadoras de doenças.

28

Esta proteção contra diarreia, é fator importantíssimo. De acordo com Brasil
(2011a) quando as crianças não são amamentadas correm risco três vezes mais de
desidratarem e morrerem por diarréia quando comparadas com as que são
amamentadas exclusivamente.

2.3 Fatores que alteram a composição do leite humano

A quantidade de componentes do LH pode sofrer variações de acordo com
fatores intrínsecos e extrinsicos. Os fatores intrínsecos estão intimamente ligados à
produção láctea e os extrínsicos são consequentes à manipulação do produto nos
BLH (CALIL et al. 2011).

2.3.1 Fatores intrínsecos

Dentre os fatores intrínsecos temos:tempo de lactação e tempo de mamada
(início e fim), idade e paridade materna, estação do ano, região, dieta materna,
diferenças individuais, adequação do peso de nascimento à idade gestacional e
idade gestacional, entre outros (CALIL et al., 2011).
Para Nóbrega (2009) e Moura (2005) a nutriz produz leite adaptado às
necessidades

do

lactente

e

ocorrem

alterações

nas

concentrações

dos

componentes do leite, de acordo com as características e necessidades fisiológicas
da criança.
O tempo de lactação age diretamente nestas concentrações, o colostro (leite
até 7 dias após o parto) é rico em proteína, imunoglobulinas e vitamina A e contém
menos carboidratos e gordura que o leite maduro (leite produzido após 15 dias do
parto), consequentemente, o colostro é menos calórico do que o leite de transição e
maduro (LAMOUNIER; VIEIRA; GOUVÊA, 2009).
No decorrer da mamada o leite maduro muda sua constituição, no início da
mamada tem alto teor de água e é rico em fatores de proteção, sais minerais e
lactose tendo menor teor de gordura; já o leite maduro intermediário tem, maior

29

concentração de caseína e de hormônios de crescimento e teor de gordura
intermediário; e o leite maduro posterior é o leite do final da mamada é rico em
gordura, sacia e engorda a criança (MELO, 2010).
De acordo com Brasil (2011a), a concentração de gordura do leite materno
aumenta no decorrer de uma mamada, sendo o leite maduro posterior o mais rico
em calorias. A idade da nutriz é outro fator que pode interferir na concentração de
componentes do leite humano. Para Calil; Leone e Ramos (1992b) lactantes mais
novas podem apresentar níveis lácteos maiores de componentes como gorduras,
proteínas totais e imunes, minerais e oligoelementos.

2.3.2 Fatores extrínsecos

Sem o processamento do leite em BLH não seria possível à oferta de LH às
crianças que necessitam do mesmo para sobreviver. No entanto para Calil, Mattar,
Novak e Almeida (2011) as propriedades do LH processado/pasteurizado podem
variar

por

condições

extrínsecas

que

estão

diretamente

relacionadas

ao

processamento do leite em BLH.
Da mama materna ao final do processamento em BLH o leite é submetido a
procedimento tais como exposição a patógenos, extremos de temperatura
(congelamento e pasteurização) que podem alterar a composição láctea. No
processo de pasteurização estudos revelam que alguns dos fatores de proteção do
leite materno são totalmente ou parcialmente destruídos (BRASIL, 2011a).

2.4 Prematuridade e alimentação

Ao adentrarmos no assunto prematuridade, estima-se que mundialmente
nasçam 20 mil crianças pré-termo por ano, destas, um terço sobrevivem graças ao
avanço da neonatologia e criação das Unidades de Tratamento Intensivo Neonatal
aliado a uma alimentação adequada (BRASIL, 2011b).

30

Em se tratando de alimentação adequada para os prematuros inúmeros
estudiosos vêm se debruçando sobre esta temática, no entanto, atualmente a
literatura é quase unânime em recomendar leite materno para os recém-nascidos
pré-termo (PT), baixo peso (BP) e de risco (GIUGLIANE, 2002).
Consensualmente a Academia Americana de Pediatria, a UNICEF, o MS e a
SBP afirmam que o leite materno é o melhor alimento para o RN pré-termo,
principalmente o leite da própria mãe.
Os benefícios que o LH proporciona para o bebê PT, BP e de risco são
inegáveis. É essencial para o PT adaptar-se subitamente à vida extra uterina,
provendo-o não somente de nutrientes que favorecem a eutrofia, mas também com
uma gama de componentes bioativos moduladores do desenvolvimento neonatal
(BRASIL, 2011b).
Apesar do LH ser o alimento indicado, há bebês que estão clinicamente
inaptos para sugarem no seio materno, seja por PT, BP e de risco. Nesses casos
eles recebem um leite homólogo ao materno, proveniente de doação feita ao BLH
por nutrizes que apresentam produção láctea excedente (TAMES; SILVA, 2002).
Assim por meio do BLH é ofertado o LH para estas crianças, contribuindo com
a prevenção de doenças e a redução da mortalidade neonatal, cumprindo, assim,
com o compromisso estabelecido no pacto da saúde na Declaração do Milênio
(BRASIL, 2008).

2.5 Banco de leite humano

O BLH é definido pela Secretaria de Políticas de Saúde do MS e a FIOCRUZ
como centro especializado, responsável pela promoção e incentivo ao aleitamento
materno e execução de atividades de coleta, processamento controle de qualidade e
distribuição do LH (BRASIL, 2006). Uma das prioridades destas unidades é oferecer
o LH processado com qualidade certificada para a alimentação de recém-nascidos,
especialmente os PT (HECK, 2011).
O primeiro BLH brasileiro foi fundado em outubro de 1943. Teve como sede o
antigo Instituto Nacional de Puericultura que mais tarde viria a se transformar no

31

atual Instituto Fernando Figueira (IFF), sua principal função, na época, era a coleta e
distribuição para atendimento de casos especiais. Na realidade os BLH, no país,
surgiram em substituição às amas-de-leite e como alternativas para os casos de
falhas na administração de leite em pó, ou seja, quando o leite artificial causava
efeitos colaterais recorriam aos BLH (ALMEIDA, 1999).
Até meados da década de 1980 o Brasil contava com aproximadamente 10
BLH espalhados pelo seu território. Houve necessidade de expansão e reorientação
do trabalho realizado por funcionários do BLH, que se deu por meio de uma ação
conjunta realizada pela Fiocruz e o PNIAM. A partir de então, ocorreu padronização
e acentuado crescimento dos BLH e este passou a ser unidade de promoção e
incentivo

ao

aleitamento

materno

e

execução

de

atividades

de

coleta,

processamento controle de qualidade e distribuição do LH (MENCONI, 2005).
Em 1998 foi criada a Rede Nacional de Banco de Leite Humano (RNBLH), por
iniciativa da Fiocruz, por meio do BLH do IFF (NOVAK, 2011). Esta rede funciona
como comando central dos BLH e tem como objetivo geral: promover a ampliação
quali-quantitativa das atividades relacionadas ao funcionamento de BLH; implantar o
sistema nacional de informação e o programa de certificação de qualidade em BLH
(MENCONI, 2005).
A RNBLH conta com o maior número de BLH do mundo e tem sido
reconhecida internacionalmente por este crescimento e desenvolvimento. Em 2001
recebeu Prêmio de Saúde Sasakawa-OMS (GIUGLIANI, 2002). Historicamente, os
BLH no Brasil evoluíram significativamente tanto em quantidade quanto em
qualidade, promovendo saúde e diminuindo a mortalidade infantil (MENCONI, 2005).
A amamentação/LH reduziu em 13% a taxa de mortalidade infantil mundial
(BRASIL, 2011a). No ano de 2012, 298 BLH estavam cadastrados no sistema de
produção da RNBLH do Brasil-Rede BLH-BR (FIOCRUZ, 2012). Dentre as
atividades desempenhadas por profissionais que atuam em BLH faz-se necessário
destacar o trabalho técnico, ou seja, processamento do LH para garantir um
alimento seguro do ponto de vista físico-químico e microbiológico. Entende-se por
processamento o conjunto de procedimentos que visam manter o valor biológico do
LH ordenhado (BRASIL, 2006). A RNBLH normatiza as técnicas de processamento
do LH, que para ser apropriado para consumo segue o caminho desde a ordenha

32

até o porcionamento do mesmo (BRASIL, 2008). Este caminho pode ser melhor
visualizado na figura 2.
Figura 2- Fluxo de trabalho no BLH
Higiene pessoal

Recebimento ou coleta de leite humano ordenhado

Estocagem de leite humano ordenhado cru
ordenhado cru

Degelo e seleção

Classificação

Reenvase

Pasteurização

Liofilização (houver)

Controle de qualidade microbiológica

Estocagem de leite humano ordenhado pasteurizado

Distribuição

Porcionamento (quando ocorrer no BLH)
Fonte: Brasil (2008).

Para serem doadoras de LH as lactantes são cadastradas junto ao BLH após
avaliação clínica efetuada por medico e realização de exames laboratoriais.

As

mesmas receberão em seus domicílios ou no BLH, orientações quanto à técnica de

33

ordenha e estocagem do leite em seus lares. A ordenha pode ser preferencialmente
manual, conforme figura 3, ou com bombas tira-leite e quanto aos locais de coleta, a
mesma pode ser realizada no BLH, local de trabalho apropriado ou domicílio
(MENCONI, 2005). O assunto doadora será abordado em um tópico posterior.
Figura 3: Ordenha manual

Fonte: Brasil, (2011a)

2.5.1 Processamento leite humano

A ordenha e coleta manual de LH consistem na ação de manipular a mama
pressionando-a para extração do excesso de secreção láctea das nutrizes
(MENCONI, 2005; BRASIL, 2008). Em domicílio a doadora armazena este leite em
frascos de vidro esterilizados identificando-o e estocando-o no congelador. O
funcionário do BLH visita a doadora, recebe o leite e o transporta em caixa
isotérmica mantendo controle de temperatura. O leite é impróprio para doação após
15 dias de estocagem no domicílio (BRASIL, 2008).
No BLH o leite será submetido aos seguintes procedimentos:
Recepção e estocagem: o frasco de LH cru congelado proveniente de coletas
externas é avaliado quanto a sua integridade, vedação, identificação/rótulo. Este
será mantido a uma temperatura máxima de -3ºC até o momento da pasteurização
(BRASIL, 2008).

34

Degelo: é o processo controlado com o intuito de transferência de calor em
quantidade suficiente para mudança do LH da fase sólida para a líquida, não
permitindo que a temperatura final do produto exceda a 5°C. Este processo pode ser
realizado em banho-maria a uma temperatura de 40°C, ou em micro-ondas. Os
frascos devem ser agitados à medida que ocorre o descongelamento para
uniformizar o leite (BRASIL, 2008).
Seleção: nesta fase são avaliadas as condições de embalagem, presença, de
sujidades, cor e off-flavor (característica organoléptica não conforme com o aroma
original do LH ordenhado) (BRASIL, 2006). A técnica de off-flavor consiste em
segurar o frasco com LH e agitar vigorosamente e em campo de chama remover a
tampa do frasco e inspirar e relatar a impressão do aroma (BRASIL, 2008).
Classificação: compreende a verificação do período de lactação acidez Dornic e
crematócrito que nada mais é do que uma técnica analítica que permite o cálculo
estimado do conteúdo energético do LH ordenhado (BRASIL, 2006). O controle
físico-químico do LH, ou seja, avaliação do teor de gordura, o conteúdo energético e
a acidez do leite são importantes porque avalia as características que garantem o
valor nutricional do leite (MENCONI, 2005).
Reenvase: operação de mudança do leite humano da embalagem em que foi
colocado após a ordenha para a embalagem em que será pasteurizado (BRASIL,
2006). Este passo deve ser realizado com seguridade de esterilidade e pode ser
utilizado campo de chama ou a capela de fluxo laminar (BRASIL, 2008).
Pasteurização: é um tratamento térmico, conduzido a 62,5 0C por 30 minutos e tem
como objetivo a inativação de 100 % dos micro-organismos patogênicos e de
99,99% microbiota saprófita presentes LH. Adota como referência a inativação
térmica da Coxiellaburnetti (BRASIL,2006).Uma vez realizada a pasteurização e
controle de qualidade microbiológica pode-se assegurar a qualidade sanitária do
leite. Após pasteurização, o mesmo leite deve ser resfriado imediatamente a uma
temperatura igual ou inferior 5°C (BRASIL, 2008).
Controle de qualidade microbiológica: para validação da pasteurização é utilizada
à pesquisa de coliformes fecais totais por meio do caldo verde brilhante (MATTAR;
KUZUHARA; GOMES, 2010).

Os resultados serão positivos ou negativos para

presença de coliformes totais. Como a pasteurização, objetiva a eliminação de100%

35

das bactérias patogênicas, se não houver presença de coliformes o leite será próprio
para consumo (BRASIL, 2008).
Estocagem do leite humano pasteurizado: O mesmo deve ser armazenado em
freezer destinado somente à estocagem de leite humano pasteurizado, a uma
temperatura máxima de 10 °C, por até seis meses. Um controle de temperatura
rigoroso deve ser mantido (BRASIL, 2006). Todo leite estocado deve conter rótulo
com histórico da amostra e o resultado do controle físico-químico (MATTAR;
KUZUHARA; GOMES, 2010).
Distribuição: liberação de leite processado de acordo com os critérios de
prioridades e necessidades do receptor. Os critérios seguem a seguinte ordem: RN
prematuro ou de baixo peso, que não suga; RN infectado, especialmente com
enteroinfecções; RN em nutrição trófica; RN portador de imunodeficiência; RN
portador de alergia a proteínas heterológas; casos excepcionais e a critério médico
(BRASIL, 2008).
Porcionamento: é a aliquotagem do leite humano ordenhado para consumo de
acordo com a prescrição médica e/ou de nutricionista. O degelo deve ser realizado
em banho-maria com temperatura aproximada de 40ºC (BRASIL, 2006).
Após porcionamento, o leite é distribuído para os setores onde estão
internados os recém-nascidos que dele necessitam para sobreviver. A oferta do
leite é proporcionada pela equipe de enfermagem ou por mãe e demais familiares. A
forma de se ofertar a dieta depende do estado clínico do lactente e pode ser
ofertada via sonda, pelo método de gavagem simples ou contínua e via copinho e/ou
translactação (BRASIL, 2011b).
É imprescindível assegurar a qualidade do LH, que na maioria das vezes será
consumido por recém-nascidos que têm baixa resistência a infecções neonatais.
Suprir estes recém-nascidos com LH de qualidade é uma tarefa árdua e de grande
responsabilidade. Portanto é de importância vital que se mantenha o controle de
qualidade em todas as etapas do processamento do LH (NOVAK; ALMEIDA, 2011).

36

2.5.2 Doadoras de leite humano

As doadoras de LH são essenciais, sem elas não existiria o fornecimento de
leite do BLH para bebês PT, BP e de risco. As mesmas são mulheres sadias em
estágio de lactação e que apresentam produção de leite superior às exigências de
seus filhos, sendo que as mesmas se dispõem a doar o excedente por livre e
espontânea vontade (BRASIL, 2006).
Para Andreassa e Aprile (2011) as doadoras de leite atualmente substituem
as amas de leite do passado. De acordo com Martins Filho (2009) nos séculos XVIII
e XIX era prática bastante disseminada no Brasil a compra ou aluguel de ama de
leite, quando por algum motivo, as senhoras da elite não podiam ou não queriam
amamentar.
Esta prática louvável de doação, firmou-se no Brasil a partir da década de 80
pois na década de 40 tornou-se um lucrativo negócio, quando o litro de LH era
comercializado a trinta e cinco dólares o litro (CONGRESSO BRASILEIRO DE
BANCO DE LEITE HUMANO - III, 2002). Durante anos, previamente à
regulamentação do BLH, o aleitamento foi utilizado como forma de sustento para
algumas famílias. Era usual, mães carentes trocarem o LH ordenhado, por diversas
formas de pagamento (MENCONI, 2005).
Atualmente, as nutrizes não recebem pagamento algum pela oferta de LH.
São colaboradoras desta ação humana e social, que salva vidas. Em pesquisa
realizada por Galvão; Vasconcelos; Paiva (2006) e Alencar; Seidl (2009) os motivos
que levam à doação de LH são o altruísmo e o desconforto mamário ocasionado por
produção láctea excedente, que leva ao ingurgitamento mamário. Algumas até
relatam que inicialmente doavam por desconforto mamário, mas depois por terem
conhecimento da necessidade das crianças, passaram a doar por altruísmo.
Conforme dados da FIOCRUZ (2012), no ano de 2011 em todo território
nacional 168.998 crianças receberam leite doado por 166.345 nutrizes.

37

2.6 Espectroscopia infravermelha

A espectroscopia tem como principal objetivo a determinação dos níveis da
energia de átomos em moléculas, estuda a interação da radiação eletromagnética
com a matéria (SALA, 1996). Praticamente o que conhecemos sobre a matéria vem
da sua interação com a radiação eletromagnética.
A Espectroscopia no Infravermelho com Transformação de Fourier é uma
técnica relevante de análise, bastante utilizada para identificação de moléculas
orgânicas, através da avaliação de espectro. A observação de bandas espectrais de
absorção na região do infravermelho pode revelar informações a respeito das
vibrações moleculares, desta maneira, por meio da espectroscopia molecular podese investigar a geometria e as forças de interação entre os átomos que constituem a
molécula (STUART, 1997).
Certos grupos de átomos dão origem a bandas que ocorrem mais ou menos
na mesma região do espectro, independentemente da estrutura da molécula. Essas
bandas chamadas características permitem aos espectroscopistas a obtenção de
informações para fazer a identificação de estruturas. Esta identificação é muitas
vezes realizada pela comparação do espectro obtido com bancos de dados
existentes (SIVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2005).
A radiação infravermelha corresponde à parte do espectro eletromagnético
situada entre as regiões do visível e das micro-ondas. A mesma, pode ser
subdividida em três regiões: infravermelho próximo (14285-4000 cm-1) , infravermelho
médio (4000-400 cm-1) e infravermelho distante (< 400cm cm-1). Dentre estas três
partes, a mais utilizada para o estudo de moléculas orgânicas é a do infravermelho
médio (STUART, 1997).
Na faixa de 10 000 cm-1 a 100 cm-1 do espectro eletromagnético, a radiação
infravermelha converte-se, quando absorvida, em energia de vibração molecular. As
frequências de luz infravermelha que são absorvidas são aquelas que têm as
mesmas frequências dos modos vibracionais. O espectro vibracional aparece como
uma série de picos ou bandas as quais refletem o nível de energia vibracional da
molécula (SIVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2005).

38

A intensidade destes picos ou bandas no espectro pode ser visualizada no
eixo vertical e a posição das bandas, no eixo horizontal. Esta posição se apresenta
em número de ondas, e tem a unidade em centímetro inverso (cm-1). A intensidade
das bandas ainda pode ser apresentada como transmitância (T), conforme figura 4,
ou absorbância (A) conforme figura 5. A transmitância é a razão entre a intensidade
da radiação transmitida (I) por uma amostra e a intensidade da radiação incidente
(Io) e a absorbância é o logaritmo decimal do inverso da transmitância
(SILVERSTEIN, WEBSTER, KIEMLE, 2005).
Figura 4: Espectro infravermelho de clorofórmio em transmitância.
90
80
70

T%

60
50
40
30
20
10
4000

3600

3200

2800

2400

2000
-1

Número de Onda (cm )
Fonte: Mesquita et al. (2012)

1600

1200

800

39

Figura 5: Espectro infravermelho de clorofórmio em absorbância.
1,5

Absorbância

1,2

0,9

0,6

0,3

0,0
4000

3600

3200

2800

2400

2000

1600

1200

800

Número de Onda (cm-1)
Fonte: Mesquita et al. (2012).

A intensidade das bandas de absorção está diretamente relacionada a sua
concentração, o que permite uma análise quantitativa do composto (SILVERSTEIN;
WEBSTER; KIEMLE, 2005). Assim, quanto maior for a intensidade de uma banda,
maior será a concentração de determinado composto em um produto, e vice versa.
Nas biomoléculas, a maior absorção espectral está situada nas bandas
referentes às ligações N-H, C=O, C-O, C-H e P=O, presentes em lipídios proteínas,
açúcares e ácidos nucleicos. Assim, sistemas biológicos tais como proteínas,
lipídios, biomembranas, carboidratos e tecidos têm sido caracterizados com sucesso
utilizando a espectroscopia no Infravermelho (STUART, 1997).
Atualmente a obtenção de espectro por espectroscopia no infravermelho
envolve a preparação de amostras, operação de espectrofotômetro de infravermelho
com transformada de Fourier e familiarização com software de computador que
impulsiona o instrumento (STUART, 1997).
A grande vantagem da espectroscopia infravermelha atual para o estudo de
biomoléculas é a obtenção de espectros de boa qualidade com pequenas

40

quantidades (10-100 g) em meios diferentes e muitas vezes na presença de outras
biomoléculas. Com avanço de instrumentações computacionais, a superposição de
vários componentes presentes em biomoléculas pode ser analisada utilizando-se
diversos recursos matemáticos (MANTSCH; CHAPMAN, 1996).

41

3 MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo seguiu os princípios éticos, em conformidade com a Resolução
196/96 e suas complementares, exaradas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS),
que trata das pesquisas que envolvem seres humanos. O mesmo foi submetido ao
Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da Universidade Estadual do Oeste do Paraná
e Universidade de Taubaté, e foi aprovado respectivamente pelos pareceres
076/2012 (ANEXO A) e 111/2012 (ANEXO B).

3.1 Obtenção das amostras de leite humano

As doadoras coletaram, identificaram e armazenaram no congelador
doméstico o leite em frascos de vidros estéreis até posterior envio ao BLH. Nesta
unidade foram realizados registros das doadoras e as amostras foram mantidas
congeladas até o momento da pasteurização. Antes que a mesma ocorresse, o leite
passou pelo processo de degelo, o qual foi realizado em banho-maria a uma
temperatura de 40°C. Após este procedimento o material foi avaliado e reenvasado
de forma asséptica.
Na pasteurização, os frascos foram colocados em banho-maria até atingir
uma temperatura de 62,5 °C a qual foi mantida por um período de 30 minutos. Após
este procedimento, o leite foi resfriado imediatamente em banho de gelo a uma
temperatura inferior a 5°C. Levado a termo, o procedimento, as amostras foram
aprovadas pelo controle de qualidade microbiológica e armazenadas em freezer.
No presente trabalho foram utilizadas vinte e sete amostras de LH cru e
pasteurizado. No momento do reenvase foram coletadas as amostras de LH cru e
após pasteurização e controle de qualidade microbiológica, as amostras de LH
pasteurizado.
O material foi selecionado de acordo com as especificidades e objetivos do
trabalho proposto quais sejam: leite de indivíduos com filhos nascidos de diferentes
idades gestacionais (RN pré-termo e a termo), leite de indivíduos em diferentes
estágios de lactação (leite colostro, transição e maduro).

42

Assim, no total foram coletados 27 volumes de 10 mL em frascos de vidro
esterilizados, acondicionados em caixa térmica com gelo seco e transportado ao
Laboratório de Espectroscopia no Infravermelho da Universidade do Vale do Paraíba
- Univap na cidade de São José dos Campos, São Paulo. Estes foram mantidos
congelados á uma temperatura de -3 ºC. A sequência para obtenção das amostras
de leite humano está ilustrada na figura 6.
A identificação das amostras ocorreu através de numeração e letra, conforme
especificação: número de um a dezesseis, e letras C para leite cru e P designado
leite processado/pasteurizado.
Dentre as vinte e sete amostras, dezesseis são de LH cru ( 1C, 2C, 3C, 4C,
5C, 6C, 7C, 8C, 9C, 10C, 11C, 12C, 13C, 14C, 15C e 16C) e onze amostras de LH
pasteurizado (1P, 2P, 3P, 4P, 5P, 6P, 7P, 8P, 9P, 10P e 11P) de doze doadoras
cadastradas junto a um BLH na cidade de Cascavel, Paraná. As amostras 1 e 9 são
da mesma doadora identificadas através das iniciais ACRB. As amostras 12 C, 13C
e 14C são pertinentes à doadora de iniciais MT e as amostras 15 C e 16 C ,
identificam a doadora com iniciais MGG.
Para obtenção de 22 amostras de LH cru e pasteurizado (1C e 1P, 2C e 2P, 3C e
3P, 4C e 4P, 5C e 5P, 6C e 6P, 7C e 7P, 8C e 8P, 9C e 9P, 10C e 10P, 11C e 11P),
foram coletadas 10 mL da amostra cru, e após processamento/pasteurização mais
10 mL da mesma amostra. As demais amostras (12C,13C,14C,15C e 16C) foram
coletada somente no estágio de leite cru.

43

Figura 6: Esquema ilustrado do procedimento para obtenção das amostras de leite humano

Armazenamento do
leite em domicílio

Degelo

Leite congelado em
BLH

Reenvase e coleta de
amostra de leite cru

Banho de gelo
Pasteurização

Coleta de amostra de leite
pasteurizado

Amostra de leite

Transporte
Estocagem

44

3.2 Histórico das amostras

Abaixo, histórico das amostras utilizadas para comparação espectral entre
leite cru e processado/pasteurizado conforme citação:
Amostra 1C ­ 1P 7809 (ACRB): doadora com 25 anos, 53 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 40 semanas de gestação (a termo);
Amostra 2C ­ 2P 7775 (MPK): doadora com 32 anos, 4 dias de lactação (colostro),
criança nascida com 38 semanas de gestação (a termo);
Amostra 3C ­ 3P 7810 (JPV) : doadora com 33 anos,30 dias de lactação (leite
maduro ), criança nascida com 40 semanas de gestação (a termo);
Amostra 4C ­ 4P 2829 (FN): doadora com 27 anos, 362 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 40 semanas de gestação (a termo);
Amostra 5C - 5P 2828 (LAND) : doadora com 29 anos, 90 dias de lactação ( leite
maduro), criança nascida com 41 semanas de gestação (a termo);
Amostra 6C ­ 6P 1367 (IRSL): doadora com 19 anos, 12 dias de lactação (leite
transição), criança nascida com 30 semanas de gestação (pré-termo);
Amostra 7C ­ 7P 1368 (APF): doadora com 32 anos, 6 dias de lactação (colostro),
criança nascida com 37 semanas de gestação (a termo);
Amostra 8C ­ 8P 1369 (DLV): doadora com 30 anos, 19 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 25 semanas de gestação (pré-termo);
Amostra 9C ­ 9P 7774 (ACRB): doadora com 25 anos, 56 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 40 semanas de gestação (a termo);
Amostra 10C ­ 10P 7778 (CPC): doadora com 35 anos, 4 dias de lactação
(colostro), criança nascida com 40 semanas de gestação (a termo);
Amostra 11C ­ 11P 7776 (LS) : doadora com 20 anos, 6

dias de lactação

(colostro), criança nascida com 28 semanas de gestação (pré-termo);
O histórico das amostras de LH cru utilizado para a análise estatística
multivariada por agrupamento é apresentado a seguir:

45

Amostra 1C ­ 7809 (ACRB): doadora com 25 anos, 53 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 40 semanas de gestação (a termo);
Amostra 9C ­ 7774 (ACRB): doadora com 25 anos, 56 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 40 semanas de gestação (a termo);
Amostra 12C ­ 2816 (MT): doadora com 27 anos, 23 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 30 semanas de gestação (pré-termo).
Amostra 13C ­ 2817 (MT): doadora com 27 anos, 23 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 30 semanas de gestação (pré-termo).
Amostra 14C ­ 2819 (MT): doadora com 27 anos, 26 dias de lactação (leite
maduro), criança nascida com 30 semanas de gestação (pré-termo).
Amostra 15C ­ 2820 (MGG): doadora com 22 anos,10 dias de lactação (leite
transição ), criança nascida com 30 semanas de gestação ( pré-termo).
Amostra 16C ­ 2822 (MGG): doadora com 22 anos,10 dias de lactação (leite
transição ), criança nascida com 30 semanas de gestação ( pré-termo).
As amostras 1C e 9C foram introduzidas também na análise estatística
multivariada por agrupamento, por se tratar da mesma doadora.

3.3 Preparo das amostras

No laboratório, as amostras de LH foram descongeladas e

transferidas

individualmente para beckers de vidro. Em seguida foram liofilizadas no
Concentrador Plus com a função: dessecador / D ­ AQ (desiccator-aqueaus ), por 12
horas. Conforme figura 7.

46

Figura 7: Esquema ilustrado do procedimento pra obtenção do leite liofilizado.

Degelo

Leite em Becker

Liofilização

Foram utilizado técnica de pastilhas em brometo de potássio (KBr).Vinte e
sete pastilhas foram confeccionadas com concentração de 1mg de leite humano e
150 mg de KBr. A sequência de procedimentos para obtenção da pastilha consta na
figura 8.

Figura 8: Obtenção de pastilhas em KBr.

Pastilhador e almofariz
com pistilo

Prensa a vácuo

Pastilha em KBr

47

3.4 Obtenção dos Espectros de Absorção no Infravermelho

Foi obtido um total de cinquenta e sete espectros infravermelhos, sendo vinte
e dois dos leites 1C e 1P a 11C e 11P e mais trinta e cinco espectros dos leites 1C,
9C, 12C a 16 C.(cinco espectros de cada amostra para análise estatística
multivariada).
Os espectros infravermelhos no intervalo de 4000-400 cm-1 foram obtidos com
resolução de 4 cm-1 no modo de transmissão com 12 varreduras a temperatura
controlada de 18 a 20 oC. O espectrofotômetro utilizado foi Spectrum GX FT-IR da
PerkinElmer do IP&D, UNIVAP.
Os cinquenta e sete espectros de LH foram pré-processados com o software
Spectrum 5.3 da PerkinElmer, onde foram feitas as correções de linha de base,
suavização espectral através do algoritmo Savistzky Golay com 9 pontos, em
absorbância e normalização.
Os espectros foram analisados por meio de três métodos a saber: 1. inspeção
visual direta e comparação aos compostos semelhantes; 2. cálculo das intensidades
relativas das bandas de lipídio, proteína e lactose, bem como coeficiente de variação
; 3. análise estatística multivariada.
Depois de identificadas as bandas de proteínas, lipídios e lactose nos
espectros infravermelhos, as mesmas tiveram suas intensidade relativas calculadas
em relação a amida II, através do software Spectrum 5.3 da PerkinElmer.
Outrossim, os pares de espectros 1C e 1P a 11C e 11P foram utilizados para
analisar as variações de composições no leite cru entre doadoras, assim como a
alteração produzida pelo processamento/pasteurização.
Dando prosseguimento à pesquisa, os espectros foram organizados em dois
grupos: (I)1C e 1P, 3C e 3P , 4C e 4P, 5C e 5P, 9C e 9P ; (II) 2C e 2P, 7C e 7P,
10C e 10P. Os mesmos são respectivamente, leite humano maduro e leite humano
colostro de recém-nascido a termo, conforme foi especificado no histórico da
amostra. As variabilidades das amostras foram comparadas para diferentes estágios
de LH e as influências do processamento/pasteurização foram discutidas.

48

Com intuito de avaliar o fator intrínseco à amamentação, foram separadas
amostras de leite de indivíduos em diferentes estágios de lactação (leite colostro e
maduro) e idade gestacional da criança (a termo). Esta classificação consta no
histórico da amostra.
Foram comparadas as intensidades das bandas de lipídios, proteínas e
lactose das amostras do grupo (I), que são referentes ao leite de nutrizes que
tiveram seus filhos a termo, e em estágio de lactação maduro, e (II), os referentes
ao leite de nutrizes que tiveram seus filhos a termo e em estágio de lactação
colostro.
As amostras 1C, 9C, 12C, 13C, 14C, 15C e 16C foram avaliadas por análise
estatística multivariada, ocasião em que foi testado o potencial do uso desta técnica
para uma avaliação de semelhança entre as amostras da mesma doadora.
Foram utilizadas as técnicas de análise por componentes principais (PCA),
cujo objetivo é a obtenção de um pequeno número de combinações lineares
(componentes principais ­ PC's) de um conjunto de variáveis, que retenham o
máximo possível da informação contida nas variáveis originais; e a análise por
agrupamento hierárquico, onde se busca obter a melhor forma de agrupar um
conjunto de objetos compostos por variáveis conforme o grau de semelhança
(JOHNSON; WICHERN, 1992).
Para finalizar a análise estatística multivariada foi realizada no software
MINITAB 15, utilizando o algoritmo Ward para o agrupamento hierárquico (EVERITT,
1994; WARD, 1963).

49

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise de espectros consta de três partes:

(I) Os pares de espectros 1C e 1P a 11C e 11P foram utilizados para analisar as
variações de composições no leite cru entre doadoras e depois, alteração produzida
pelo processamento/pasteurização. O Coeficiente de Variação ( C V) foi calculado
para discutir a variabilidade das amostras.

(II) Os espectros foram divididos em dois grupos (1C e 1P, 3C e 3P , 4C e 4P, 5C e
5P, 9C e 9P ) e (2C e 2P, 7C e 7P, 10C e 10 P) a saber: leite humano maduro a
termo, e leite humano colostro a termo respectivamente. As variabilidades das
amostras foram comparadas em relação aos diferentes estágios do LH e as
influências do processamento/pasteurização foram discutidas.

(III) As amostras 1C, 9C, 12C, 13C, 14C, 15C e 16C foram avaliadas por análise
estatística multivariada. Sendo que a amostra 1 C e 9 C são da mesma doadora
com as iniciais ACRB, as amostras 12 C, 13C e 14C da doadora com as iniciais MT
e as amostras 15C e 16C da doadora com iniciais MGG. Foi testado o potencial do
uso desta técnica para discutir a semelhança entre as amostras da mesma doadora.

(I) Análise espectral de onze pares das amostras de leite humano antes e depois do
processamento/pasteurização.
A figura 9, mostra os espectros infravermelhos das amostras de LH cru. As
regiões de lipídio, proteínas e lactose estão assinaladas. Juntamente com água, as
biomoléculas, lipídios, proteínas e lactose são os componentes mais abundantes do
LH.
Por inspeção visual direta, nos espectros de LH cru é possível observar as
diferenças significativas nos contornos de bandas e/ou nas intensidades relativas
entre os picos, indicando variações na composição do leite materno entre os
indivíduos. A diferença nos contornos de bandas é observada até mesmo em

50

amostras diferentes de leite humano de um mesmo indivíduo, como são observados
nos espectros 1C e 9C.

Figura 9: Espectros infravermelhos de leite humano cru.

s
e
ios teína
tos
d
í
c
o
p
a
L
Li
Pr
11C
10C
9C
8C

T%

7C
6C
5C
4C
3C
2C
1C

4000

3600

3200

2800

2400

2000

1600

1200

800

Número de onda (cm-1)

Na figura 9 os espectros estão apresentados em transmitância (T) e os de
figuras 10 a 20, em absorbância (A).
A transmitância, é a razão entre a intensidade da radiação transmitida (I) por
uma amostra e a intensidade da radiação incidente (Io), e a absorbância é o
logaritmo decimal do inverso da transmitância (SILVERSTEIN, WEBSRER, KIEMLE,
2005).
O resultado observado no presente estudo, demonstra que a variabilidade da
composição do leite entre os indivíduos, pode ter sido influenciado pelos fatores
intrínsecos e extrínsecos à amamentação.

51

Os autores Calil, Mattar, Novak e Almeida, (2011); Lamounier, Vieira e
Gouvêa (2009) e Moura (2005) afirmam que tais fatores podem influenciar
diretamente na concentração de biomoléculas do leite humano.
Entre os fatores intrínsecos, cita-se tempo de lactação, momento de coleta
(antes e depois de mamada), idade gestacional, idade e paridade materna, dieta
materna, diferenças individuais, adequação do peso de nascimento à idade
gestacional (LAMOUNIER; VIEIRA; GOUVEIA, 2009; CALIL et al. 2011). E com
relação aos fatores extrínsecos, a maneira como foi manipulada tais leites em BLH
até o momento da coleta das amostras. De acordo com Borgo (2011) no decorrer do
processamento a falta de homogeneização do leite exerce importante influência na
quantidade de componentes, principalmente do lipídio.
As

figuras

10

a

20

contêm

pares

de

espectros

de

LH

cru

e

processado/pasteurizado. O leite utilizado em cada par de espectros é de uma
mesma amostra de leite, tendo sido retirado 10 mL antes do processamento/
pasteurização e mais 10 mL após.
Através das figuras 10 a 20 pode-se observar a clara discriminação entre os
contornos de bandas dos espectros do LH cru e processado/pasteurizado, indicando
diferença em suas concentrações.

Absorbância

Figura 10: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 1C e 1P.

1P

1C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

52

Absorbância

Figura 11: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 2C e 2P.

2P

2C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

Absorbância

Figura 12: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 3C e 3P.

3P

3C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

53

Absorbância

Figura 13: Espectros infravermelhos da amostra de leite humano 4C e 4P.

4P

4C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

Absorbância

Figura 14: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 5C e 5P.

5P

5C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

54

Absorbância

Figura 15: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 6C e 6P.

6P

6C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

Absorbância

Figura 16: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 7C e 7P.

7P

7C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

55

Absorbância

Figura 17: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 8C e 8P.

8P

8C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

Absorbância

Figura 18: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 9C e 9P.

9P

9C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

56

Absorbância

Figura 19: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 10C e 10P.

10P

10C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

Absorbância

Figura 20: Espectros infravermelhos de amostra de leite humano 11C e 11P.

11P

11C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

Número de onda (cm-1)

1600

1200

800

A tabela 2 apresenta as regiões em que se encontram as bandas
características de biomoléculas constituintes e suas atribuições aproximadas (Stuart,
1997; Mantsch e Chapman, 1996). Nela observa-se a predominância das bandas de
proteínas, lipídios e lactose.

57

Segundo Stuart (1997) na região de 3300 a 200 cm-1 podem surgir nove
bandas características de proteínas em ordem decrescente que são chamadas de
amida A, B e amidas I a VII. Neste trabalho foram identificadas amidas A, I, II e III.
A banda de amida A surge em torno de 3300 cm-1 e corresponde ao
estiramento da ligação N-H em ressonância com sobretons (duas vezes amida II).
Sua identificação é geralmente dificultada pela sobreposição das bandas intensas da
ligação O-H.
A banda de amida I ocorre na região de 1770 a 1600 cm-1 e corresponde a 80
% da vibração do estiramento C=O do grupo amida acoplado aos modos de
deformação angular no plano de N-H e modos de estiramento de C-N. O valor da
frequência desta vibração depende da natureza de ligação de hidrogênio envolvendo
grupos C=O e N-H.
A banda de amida II representa principalmente a deformação N-H (60%) com
estiramento da ligação C-N (40%). O desdobramento desta banda depende da
estrutura secundária da proteína.
A banda menos intensa de amida III foi identificada em torno de 1240 cm-1.
Esta corresponde a 30% do estiramento de C-N; 30% da deformação N-H; 10%
estiramento C=O; 10% da deformação O=C-N aproximadamente. É uma mistura de
vários modos vibracionais.
A região de 3000 a 2800 cm-1 se refere aos modos vibracionais dos grupos
CH2 e CH3 de ácidos graxos dos lipídios e podem ser avaliados em conjunto com a
região entre 1750 a 1700 os quais se referem aos modos vibracionais do grupo
éster, em particular o estiramento da ligação C=O.
Na região próxima a 1076 cm-1 é possível observar as bandas referentes à
lactose, que correspondem às vibrações das ligações C-O-C de polissacarídeos.
Como a intensidade de uma banda se relaciona com a quantidade, as bandas
encontradas em 1747, 1649 e 1076 cm1 nos espectros em absorbância, foram
escolhidas para calcular as intensidades relativas. As intensidades de 1747, 1649 e
1076 foram calculadas e divididas pela intensidade da de 1548 cm-1 de amida II
(MANTSCH; CHAPMAN, 1996). As bandas utilizadas nos cálculos de intensidades
relativas são mostradas na figura 21. Os resultados dos cálculos estão apresentados
na tabela 3.

58

Tabela 2: Número de onda e descrições aproximadas das bandas do leite humano
Número de onda (cm-1)

Modos normais e suas atribuições

Região 1: 4000 a 3000 cm-1
3379
3009

Estiramento da ligação O-H do grupo hidroxila; amida A
(proteína)

Região 2: 3000 a 2800 cm-1
1747

Estiramento de C=O do grupo éster (lipídios)

1649

Amida I (proteína)

1548

Amida II (proteína)

Região 4: 1500 a 1200 cm-1
1465

Deformação angular do grupo >CH2; deformação angular
assimétrica do grupo ­CH3 (lipídios).
Estiramento simétrico de COO- (aminoácidos)

1378

Amida III (proteína); estiramento assimétrico do PO2- (lipídios).

1239
Região 5: 1200 a 900 cm-1
1159
1116
1076

Estiramento simétrico do PO2- (lipídios)
Estiramento de CO (lactose)

1039
Estrutura das Biomoléculas:

Grupo Amida
de Proteína

Lipídios

Glicose

59

Figura 21. As bandas utilizadas nos cálculos de intensidades relativas
1,6
1,4
amida II proteína
1548 cm-1

Absorbância (u.a.)

1,2

lactose
1076 cm-1

amida I proteína
1649 cm-1

1,0
0,8

lipídio 1747 cm-1

0,6
0,4
0,2
0,0
4000

3500

3000

2500

2000

1500

1000

500

-1

Número de onda (cm )

Tabela 3. As intensidades relativas de lipídios, proteínas e lactose.
INTENSIDADE RELATIVA DAS BANDAS DE BIOMOLÉCULAS
Amostra de
Leite
Humano
7809
7775
7810
2829
2828
1367
1368
1369
7774
7778
7776

01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
(*M)
(**DP)

(***CV)
*Média

Lipídios
LH cru
1746C

Lipídios LH
pasteurizado
1746P

Proteínas
LH cru
1652C

Proteínas LH
pasteurizado
1652P

0,83
0,41
1,42
0,70
1,96
2,11
0,52
2,86
1,09
0,69
1,24
1,26
0,77
61,1

2,03
2,13
2,23
3,16
2,69
1,96
1,68
2,69
0,93
2,20
1,94
2,15
0,58
27,0

2,12
2,01
1,99
1,74
1,63
1,85
1,88
1,94
2,29
1,91
2,83
2,02
0,32
15,8

2,10
2,05
2,11
2,14
1,90
1,82
1,88
2,30
2,84
2,00
2,14
2,12
0,28
13,2

Lactose Lactose LH
LH cru pasteurizado
1072C
1072P

5,33
3,65
3,11
5,64
4,89
2,03
3,06
4,04
3,83
2,47
3,32
3,76
1,15
30,6

4,53
2,82
3,65
4,86
4,96
2,17
2,61
4,90
4,58
2,44
3,40
3,72
1,087
29,2

**Desvio Padrão

***Coeficiente de Variação

A figura 22 mostra a variação média das biomoléculas lipídio, proteína e
lactose entre os onze pares de amostras de leite, antes e depois do
processamento/pasteurização. Observamos a maior composição de lactose tanto no
leite cru como no processado/pasteurizado.

60

Figura 22. Variação média de lipídio, proteína e lactose por processamento/pasteurização.

Cru
Pasteurizado

4,0

Médias das Intensidades Relativas

3,5
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
Lipídeos

Proteínas

Lactose

Após processamento/pasteurização, em média, observou-se o aumento de
70,6 % de intensidade de lipídio e 4,95 % de proteína. Ao passo que na lactose, foi
observado um decréscimo de 1,06. Com base nestes dados pode-se apontar uma
maior alteração em relação à quantidade do componente lipídio, e poucas alterações
nas demais biomoléculas, conforme mostra a figura 22.
Dentre as amostras estudadas, oito apresentaram aumento de lipídios, e três,
diminuição dos mesmos após o processamento/pasteurização.

Em algumas

amostras tais como a 2, 4, 7 e 10 o aumento de lipídio após processamento foi mais
acentuado. Estas variações podem ser melhor visualizadas no histograma da figura
23.

61

Figura 23: Variações de lipídios no leite humano cru e processado/ pasteurizado

Cru
Pasteurizado

3,5
3,0

Intensidade relativa

2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

Amostras de Leite Humano

Quanto

à

intensidade

das

bandas

de

proteína

após

processamento/pasteurização, 63,6 % (sete amostras) aumentaram, 27,3% (três
amostras) diminuíram e 1% (uma amostra) não houve alteração da composição de
proteína. Essa variação pode ser melhor visualizada na figura 24.

62

Figura 24: Variações de proteínas no leite humano cru e processado/pasteurizado.

Cru
Pasteurizado
3,0

Intensidade relativa

2,5

2,0

1,5

1,0

0,5

0,0
1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

Amostras de Leite Humano

Em

relação

à

intensidade

das

bandas

de

lactose

no

LH

após

processamento/pasteurização constatou-se que: 55% (seis amostras) aumentaram
de intensidade, enquanto houve uma diminuição em 45% (cinco amostras). Estas
diferenças podem ser melhor visualizadas na figura 25.

63

Figura 25: Variações de lactose no leite humano cru e processado/pasteurizado.

Cru
Pasteurizado

6

Intensidade relativa

5

4

3

2

1

0
1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

Amostras de Leite Humano

Como os valores de desvio padrão são elevados, conforme tabela 02, tornase necessário o estudo da homogeneidade de dados. Para isso, foi feito o estudo de
Coeficiente de Variação (CV) (LARSON; FARBER, 2004).
A dispersão ou variabilidade dos dados em termos relativos a seu valor
médio, foi caracterizada por CV.
CV=

DP
x100%
M

onde DP é desvio padrão e M é o valor médio.
As amostras com maior valor de CV apresentam maior grau de dispersão ou
variabilidade.
Os resultados apresentados na tabela 2 mostram maior variabilidade nos
componentes de lipídios no leite cru, e com o processamento/pasteurização, seu
valor diminuiu de 61,1 para 27,0.

Suas reduções são menores para proteína e

64

lactose, com uma diminuição de 15,8 para 13,2 e 30,6 para 29,2, conforme
visualização na figura 26.

Figura 26: Coeficientes de variação de lipídios, proteína e lactose antes e após processamento
/pasteurização.
cru
pasteurizado
60

50

CV(%)

40

30

20

10

0
lipídio

proteína

lactose

Componentes de leite humano

Os resultados obtidos indicam alteração na composição do leite com o
processamento/pasteurização. A redução dos valores de CV mostra que as
composições de lipídios, proteínas e lactose se tornam mais homogêneas entre as
onze amostras analisadas. A maior diminuição de CV é observada em lipídio.
Assim, após o processamento/pasteurização o leite torna-se mais homogêneo
e perde suas características individuais. De acordo com Nóbrega (2009) e Moura
(2005) estas características individuais são de extrema importância, pois a nutriz
produz leite adaptado às necessidades do lactente, ou seja, ocorrem alterações nas
concentrações dos componentes do leite de acordo com as características da
criança.
Os resultados obtidos nesse trabalho mostram que o leite de BLH pode
perder suas características individuais após processamento/pasteurização.

65

II. Análise espectral das amostras de leite humano conforme o tempo de lactação
em recém-nascidos a termo
Dentre os fatores intrínsecos à amamentação o tempo de lactação pode
interferir diretamente na variabilidade das biomoléculas, lipídio, proteína e lactose.
Estas mudanças de composição são mais acentuadas devido a maior
variação do lipídio que é observada na maioria dos trabalhos científicos (RUEDA et
al., 1998).
Neste trabalho, podemos apontar tais resultados. Na figura 23, é possível
observar maior variabilidade na intensidade das bandas de lipídio entre as amostras
de leite humano cru quando comparados às intensidades de proteínas e lactose,
respectivamente nas figuras 24 e 25. Essas observações foram quantificadas por CV
mostradas na tabela 2.
Através das amostras analisadas neste trabalho, foi possível observar que o
leite maduro de nutrizes que tiveram seus filhos a termo (amostras 1, 3, 4, 5 e 9)
apresentaram em média as concentrações em ordem crescente de lipídio (1,20),
proteína (1,95) e lactose (4,56), conforme tabela 4.
Esta mesma observação aplica-se às amostras de leite colostro de nutrizes
que tiveram seus filhos a termo (amostras 2, 7 e 10) apresentaram em média as
concentrações em ordem crescente de lipídio (0,54), proteína (1,93) e lactose (3,07)
conforme tabela 5.
Portanto foi possível observar que tanto o leite maduro como o colostro de
nutrizes que tiveram seus filhos a termo, apresentaram maior concentração de
lactose quando comparados as demais biomoléculas. Quanto às variações de um
estágio para outro, colostro para maduro, mantiveram a proteína e houve aumento
de lactose e lipídio.
Tais achados são semelhantes aos que foram citados por Lamounier, Vieira e
Gouvêa (2009) e Nascimento, Issler (2003).
Como abordado anteriormente, sabe-se que o lipídio cru, em média, sofre
mais variações de composição quando comparada às demais biomoléculas. Bitman
et al. (1983) defendem a ideia que esta alteração ocorre por tempo de lactação, e no
colostro apresenta nível mais baixo de concentração a qual vai aumentando com o

66

tempo de lactação até se tornar leite maduro. Tais resultados corroboram com o
presente trabalho e podem ser visualizados nas tabelas 4 e 5 e figuras 27 e 31
Em relação ao leite maduro o maior valor de coeficiente de variação
encontrado para lipídio, mostra o maior grau de dispersão para o mesmo. No
processamento/pasteurização é reduzido o valor de coeficiente de variação para os
lipídios e lactose. A proteína apresenta menor valor de coeficiente de variação
comparada aos lipídios e lactose, apresentado maior homogeneidade no leite cru.
Após o processamento/pasteurização o valor de coeficiente de variação da lactose
é reduzido tornando as amostras mais homogêneas. Esses resultados são
apresentados na tabela 3 e antes da linha pontilhada vertical na figura 30.

Tabela 4: As intensidades relativas de lipídios, proteínas e lactose de leite maduro de
nutrizes que tiveram seu filho a termo.
INTENSIDADE RELATIVA DAS BANDAS DE BIOMOLÉCULAS
Amostra de Leite
Humano
01
03
04
05
09
(*M)
(**DP)
(***CV)
*Média

7809
7810
2829
2828
7774

Lipídios
LH cru
1746C

Lipídios LH
pasteurizado
1746P

Proteínas
LH cru
1652C

Proteínas LH
pasteurizado
1652P

Lactose
LH cru
1072C

Lactose LH
pasteurizado
1072P

0,83
1,42
0,70
1,96
1,09
1,20
0,51
42,5

2,03
2,23
3,16
2,69
0,93
2,21
0,84
38,0

2,12
1,99
1,74
1,63
2,29
1,95
0,27
13,8

2,10
2,11
2,14
1,90
2,84
2,22
0,36
16,2

5,33
3,11
5,64
4,89
3,83
4,56
1,06
23,2

4,53
3,65
4,86
4,96
4,58
4,52
0,52
11,5

**Desvio Padrão

***Coeficiente de Variação

No colostro o maior valor de coeficiente de variação encontrado para lipídio
mostra o maior grau de dispersão para o mesmo. No processamento/pasteurização
é reduzido o valor de coeficiente de variação para os lipídios e lactose. A proteína
apresenta menor valor de coeficiente de variação comparada aos lipídios e lactose,
mostrando maior homogeneidade no leite cru. A lactose e o lipídio após o
processamento/pasteurização apresentam menor valor de coeficiente de variação
tornando mais homogêneas as amostras. Resultados similares forma observados
para leite colostro conforme observados na tabela 5.

67

Tabela 5: As intensidades relativas de lipídios, proteínas e lactose de leite colostro de
nutrizes que tiveram seu filho a termo.
INTENSIDADE RELATIVA DAS BANDAS DE BIOMOLÉCULAS
Amostra de
Leite
Humano
02
07
10
(*M)
(**DP)
(***CV)
*Média

7775
1368
7778

Lipídi
os LH
cru
1746C

0,41
0,52
0,69
0,54
0,14
25,9

Lipídios LH
pasteurizado
1746P

2,13
1,68
2,20
2,00
0,28
14,0

Proteínas
LH cru
1652C

2,01
1,88
1,91
1,93
0,068
3,52

Proteínas LH
pasteurizado
1652P

2,05
1,88
2,00
1,98
0,087
4,39

Lactose
LH cru
1072C

3,65
3,06
2,47
3,07
0,59
19,2

Lactose LH
pasteurizado
1072P

2,82
2,61
2,44
2,63
0,19
7,22

**Desvio Padrão

***Coeficiente de Variação

Nas figuras 27 a 31, são mostradas as variações produzidas por processo de
pasteurização para amostras de leite humano maduro e colostro a termo.

As amostras de LH colostro e maduro a termo, em média apresentaram
aumento de lipídio e diminuição de lactose com o processamento/pasteurização.
Outrossim este resultado é mais acentuado para o leite colostro. Quanto a proteína
se mantém estável. Estas observações podem ser visualizadas nos histogramas das
figuras 27,28, 29 e 31.
O aumento dos lipídios pode interferir na digestão do recém-nascido a termo
ou pré-termo pois de acordo com Lamounier, Vieira e Gouvêa (2009) tais crianças
apresentam dificuldade no processo de absorção e digestão da gordura devido
imaturidade no sistema de secreção de lípase pancreática, o que é parcialmente
compensada por uma lípase não específica adicional, encontrada na fração não
gordurosa do leite humano. No entanto, Lang (1999) expõe que o processo de
pasteurização destrói parte desta enzima, diminuindo consideravelmente a
capacidade do recém-nascido digerir e absorver a gordura.
Assim conforme exposto este aumento de lipídio observado após o
processamento/pasteurização, pode interferir negativamente na digestão e absorção
da gordura pelo organismo do recém-nascido a termo e pré-termo, pela sua
dificuldade de digestão e absorção de gordura.

68

Figura 27: Intensidades relativas I1747/I1548 das bandas de lipídio para amostras de leite humano
maduro e colostro.

cru
pasteurizado

4,0
3,5
Leite humano maduro a termo

Leite humano colostro a termo

Intensidade I1747/I1548

3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1

4

3

5

2

9

7

10

Leite humano cru e pasteurizado

Figura 28: Intensidades relativas I1649/I1548 das bandas de proteína para amostras de leite humano
maduro e colostro.
cru
pasteurizado

3,5
Leite humano maduro a termo

3,0

Leite humano maduro a termo

Intensidade I1649/I1548

2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
1

3

4

5

9

2

Leite humano cru e pasteurizado

7

10

69

Figura 29: Intensidades relativas I1076/I1548 das bandas de lactose para amostras de leite humano
maduro e colostro.

cru
pasteurizado
Leite humano maduro a termo

6

Leite humano colostro a termo

Intensidade I1076/I1548

5

4

3

C

2

1

0
1

3

4

5

9

2

7

10

Leite humano cru e pasteurizado

Figura 30: Coeficientes de variação de lipídio, proteína e lactose para amostras de leite humano
maduro e colostro.

cru
pasteurizado
Leite maduro a termo

Leite colostro a termo

Coeficiente de variação (%)

40

30

20

10

0
lipídio

proteína

lactose

lipídio

proteína

Componentes de leite humano

lactose

70

Figura 31: Intensidade relativa média das bandas de lipídio, proteína e lactose para amostras de leite
humano maduro e colostro
cru
pasteurizado
leite maduro a termo

leite colostro a termo

Intensidade relativa média

4

3

2

1

0
lipídio

proteína

lactose

lipídio

proteína

lactose

Componentes de leite humano

(III) Análise Estatística Multivariada
Apesar da inspeção rápida dos espectros ter mostrado diferenças visuais
entre as amostras de leite de mães diferentes, foi utilizada a técnica de análise
estatística multivariada, na tentativa de verificar o quanto os espectros de leites são
semelhantes ou diferentes.
Dado um conjunto de objetos, cada qual é caracterizado por variáveis, a
análise estatística multivariada por agrupamento, procura descobrir um modo de
classificá-los conforme o grau de semelhança (JOHNSON; WICHERN, 1992). Os
métodos utilizados neste trabalho foi de hierárquico. Esta análise hierárquica de
agrupamento (Hierarchical Cluster Analysis ­ HCA) estabelece uma estrutura em
forma de árvore, podendo ser expressa na forma de dendrograma.
Foram analisadas as sete amostras de leite cru de três doadoras e obtidas
cinco espectros de cada amostra, no total de 35 espectros. Os espectros das três
mães são mostrados na figura 33.

71

Figura 32- Espectros de leite humano cru, amostras diferentes de mesmas doadoras.

16C

Absorbância

15C

14C
13C
12C

9C
1C
4000

3600

3200

2800

2400

2000

1600

1200

800

Número de onda (cm-1)

O resultado da análise estatística multivariada é mostrado no dendrograma da
figura 32, onde se pode verificar que houve uma clara discriminação entre os
espectros.

Os trinta e cinco espectros de sete amostras de três doadoras

separaram-se em sete grupos distintos, comprovando a eficácia do método
empregado em diferenciá-los.
O dendrograma da figura 32, mostra no nível da distância 3,36 u.a. a
discriminação de dois grupos, quais sejam:
(a) as amostras do leite maduro a pré-termo, obtidas nos horários e datas diferentes,
12C; 13C, 14C da mesma doadora, mais a amostra de transição, 15C;
(b) amostras do leite maduro a termo 9C e 1C obtidas nos horários e datas
diferentes da mesma doadora, mais a amostra de transição 16C.
Estes resultados sugerem as características intermediárias dos leites de
transição que gradativamente se transformam de um estágio para outro, não
apresentando composições bem definidas.

72

Figura 33: Dendrograma dos resultados da análise de sete amostras de leite humano cru, contendo
cinco espectros de cada, na região de lipídio, amida I e lactose.

Dendrograma

Distância

3,36

2,24

1,12

0,00

1 2 3 4 5 6 7 8 10 9 16 17 18 19 20 11 13 12 15 14 21 22 24 23 25 26 27 28 29 30 31 32 34 35 33

pré-termo
maduro
23 dias
12C

pré-termo pré-termo
maduro
transição
23 dias
10 dias
13C
15C

pré-termo pré-termo
maduro
transição
26 dias
10 dias
14C
16C

a termo
maduro
56 dias
9C

a termo
maduro
53 dias
1C

Macy e colaboradores citados por Lamounier, Vieira e Gouvêa (2009)
mencionaram que há individualidade de composição no leite de cada mulher,
ressaltando que foram observadas variações na composição no leite de uma mesma
mulher, de um dia para o outro, ou até mesmo, de um horário para outro. Yamawaki

et al. (2005) e Gross, Geller, e Tomarelli (1981) em seus estudos também chegaram
a tal conclusão.
As citações dos autores acima se coadunam com os resultados de nosso
estudo, o leite humano sofre alterações em sua composição devido a fatores
intrínsecos a amamentação. E em suma, a espectroscopia no infravermelho em
conjunto com a análise estatística multivariada foi capaz de detectar o caráter
intermediário de leite de transição.

73

5 CONCLUSÕES

De acordo com o trabalho em tela e literatura pertinente, conclui-se que:
As análises espectrais juntamente com os cálculos das intensidades relativas
das bandas de lipídios, proteínas e lactose, mostraram quantitativamente uma
variabilidade significativa de concentrações das biomoléculas entre as amostras de
leite obtidas em BLH, antes e depois do processamento/pasteurização. Destacando
maior alteração de quantidade nos lipídios Foi possível também detectar
variabilidade até mesmo em diferente amostra cru doada por um mesmo indivíduo.
Houve

maior

concentração

de

lactose

tanto

nas

amostras

crus

como

processadas/pasteurizadas.
O estudo da homogeneidade dos dados indicou que o leite tornou-se mais
homogêneo após processamento/pasteurização, e que esta alteração foi maior no
componente lipídio. Assim o leite de BLH pode perder suas características
individuais após processamento/pasteurização o que pode acarretar perdas para a
nutrição do recém-nascido, haja vista que cada individuo produz leite adaptado às
necessidades do lactente.
Em relação ao tempo de lactação, foram observados que em média o
colostro apresentou menor concentração de lipídio e lactose quando comparado ao
leite maduro. A proteína se manteve estável nos dois estágios do leite. Depois do
processamento/pasteurização, em média, ocorreram aumento de lipídio, diminuição
de

lactose

e

pequena

alteração

na

proteína.

Estas

variações

após

processamento/pasteurização foram mais acentuadas no colostro. O aumento de
lipídio pode interferir negativamente na digestão e absorção da gordura pelo
organismo do recém-nascido a termo e pré-termo, visto que, nos primeiros dias de
vida eles apresentam imaturidade no sistema de secreção de lípase pancreática
bem como na conjugação de sais biliares, responsáveis por digerir a gordura.
Em leite cru colostro e maduro, o lipídio apresentou maior heterogeneidade
quando

comparada

às

processamento/pasteurização

demais
o lipídio

biomoléculas.

Depois

do

e lactose do leite tornam-se mais

homogêneos, sendo que em leite maduro esta alteração é menor para os lipídios.

74

As proteínas apresentaram maior homogeneidade no leite cru, no leite maduro
assim como no colostro.
Quanto a análise estatística multivariada, em conjunto com a espectroscopia
no infravermelho revelou a discriminação entre as amostras de leite, separando
trinta e cinco espectros em sete grupos distintos, sendo capaz de detectar o caráter
intermediário do leite de transição.
Os resultados apresentados demonstraram coerência com o exposto na
literatura, verificou-se que a espectroscopia vibracional no Infravermelho é bastante
útil para analisar as amostras de leite humano bem como caracterizar seus principais
componentes, lipídios, proteína e lactose. Sugere-se o seguinte trabalho para o
futuro: analise espectroscópica infravermelha de leite humano de doadoras mães de
recém-nascidos a termo e pré-termo.

75

REFERÊNCIAS

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Dias. Manual de Aleitamento Materno. São Paulo: Atheneu, 2010.
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mulheres doadoras. Rev Saúde Pública, v. 43, n. 1, p.70, 2009.
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ANEXO A - Comitê de Ética em Pesquisa ­ CEP ­ UNIOESTE

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ANEXO B- Comitê de Ética em Pesquisa ­ CEP- UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ