BIOENGENHARIA DOS SOLOS PARA ESTABILIZAÇÃO DE TALUDES
APLICADA NAS INDÚSTRIAS NUCLEARES DO BRASIL ­ INB
Dário Magalhães Dias1, Edvaldo Cruz dos Santos2, Devson Paulo Palma Gomes. 1

Resumo: A crescente pressão e controle por parte de órgãos públicos fiscalizadores e ao interesse da
população em geral em benefício do meio ambiente, tem-se fomentando a discursão pela busca de
técnicas de recuperação de áreas degradadas por atividades de mineração como ocorre nas Indústrias
Nucleares do Brasil ­ INB na cidade de Caetité-Ba. O uso de técnicas de bioengenharia de solos como
biomantas e hidrossemeadura, constitui-se uma importante ferramenta na busca da recuperação dessas
áreas por conseguir em uma relação de custo-benefício viável, a efetiva estabilização de taludes
formados nos depósitos de estéreis da mineração e na consequente eliminação ou minimização de
ações erosivas no ambiente em que se deseja restaurar.
Palavras-chave: Bioengenharia dos solos, INB, PRAD.

INTRODUÇÃO
A reabilitação ambiental, que até pouco tempo não era levada em consideração, é hoje
uma das ferramentas de descomissionamento de um empreendimento e começa a fazer parte
de todos os projetos mineiros tecnicamente bem elaborados, especialmente em função de
exigências legais rigorosas que tem cobrado deste setor uma atenção especial ao conceito de
ecoeficiência e sustentabilidade. Atualmente qualquer empreendimento mineiro é precedido
de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente
(RIMA), que objetivam conhecer os possíveis impactos sobre a área a ser explorada e buscar
soluções, economicamente viáveis para tentar reduzir a ação destes impactos.
A mineração requer uma área relativamente grande para que possa depositar os
rejeitos de rochas que são oriundas de seu sistema de lavra. Os taludes formados com o
empilhamento do estéril da mineração requer proteção imediata contra o efeito dos agentes
erosivos, processos de deslocamento e mobilização de partículas necessitando de ações que
minimizem esta ação erosiva e dinamize sua interação com o meio em que está inserido.
Como estabilizar taludes nas formas convencionais de engenharia civil é em geral muito cara,
abordaremos aqui técnicas de bioengenharia dos solos que de forma eficiente conseguem
1

Graduandos de Engenharia Ambiental. ([email protected]).Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia, Praça Primavera, 40, Campus de Itapetinga, BA, Brasil.
2
Técnico em Agropecuária, graduado em Administração, Mestrando em Ciências Ambientais, responsável pelo
Horto Florestal CPRAT-M das Indústrias Nucleares do Brasil-INB. Faz. Cachoeira s/nº Estr. de Min. Radioativos
Caetité-Ba.

controlar os processos erosivos e de infiltração e desestabilização dos taludes formados no
depósito de estéreis de mineração.
Para fins ilustrativos de uso e adequação das técnicas de bioengenharia, apresentamos
como estudo de caso as ações das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), na cidade de Caetité ­
BA para compreendermos melhor o funcionamento e acessibilidade no desenvolvimento de
ações que compõe o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas, em especial na
estabilidade geológica dos taludes de Estéreis.
Dentro do contexto descrito e pela relevância observada com relação às preocupações
ambientais, tem-se por objetivo estudar a recuperação de áreas degradadas pelas atividades
relacionadas à extração mineral, com ênfase na aplicabilidade de técnicas viáveis de
Bioengenharia dos solos e otimização de operações nos processos de depósito final dos
resíduos de lavra e processamento mineral.
LEGISLAÇÂO AMBIENTAL
A recuperação da área degradada por um determinado empreendimento, neste caso a
mineração, pode ser entendida como o conjunto de ações necessárias para que a área volte a
estar apta para algum uso produtivo em condições de equilíbrio ambiental ou estabilidade
geológica, física e química, quando for o caso, afim de que se possa estabelecer neste local
uma unidade de conservação ambiental com condições e recursos para que a fauna, flora e
solo estejam em equilíbrio e em condições de sustentabilidade.
Desta forma diversa leis regulamentam sobre a necessidade de o empreendimento
tentar aproximar as características ambientais existentes nos locais antes da implantação das
mesmas, garantindo que as condições de regeneração voluntária da natureza sejam
estabelecidas. Estas leis fazem parte da Constituição federal e Estadual e são reafirmadas pela
Lei Orgânica do Município de Caetité onde se encontra a exploração do minério Urânio, para
fins energéticos nucleares.
O Decreto Nº 97.632 da Constituição Federal, de 10 de abril de 1989, que dispõe sobre
a regulamentação do artigo 2º, inciso VIII, da Lei Nº 6.938, determina:
Art. 1º - Os empreendimentos que se destinem à exploração de recursos minerais
deverão, quando da apresentação do Estudo de Impacto Ambiental - EIA e do
Relatório de Impacto Ambiental - RI MA, submeter à aprovação do órgão
ambiental competente um plano de recuperação de área degradada.

Em

seu

Art.

2º,

o

mesmo

decreto

define

o

conceito

de

degradação:

(...) são considerados como degradação os processos resultantes dos danos ao
meio ambiente, pelos quais se perdem ou se reduzem algumas de suas
propriedades, tais como, a qualidade ou capacidade produtiva dos recursos
ambientais.

Por fim, em seu Art. 3º, o decreto estabelece a finalidade do Plano de Recuperação de
Áreas Degradadas:
A recuperação deverá ter por objetivo o retorno do sítio degradado a uma forma
de utilização, de acordo com um plano para o uso do solo, visando à obtenção de
uma estabilidade do meio ambiente.

A lei Orgânica do Município de Caetité (cidade onde a INB - Indústrias Nucleares do
Brasil estão implantadas), reafirmando o que diz a constituição federal, no campo específico
sobre meio ambiente estabelece:
Na seção IV do artigo 172º:
IV ­ exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de
impacto ambiental, a que se dará publicidade;

No mesmo artigo ainda determina:
§2º- Aquele que explorar recursos minerais, inclusive na extração de areia,
cascalho ou pedreiras, fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de
acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da
lei.

Desta forma o empreendimento com atividades lesivas ao meio ambiente é
responsável pela ação que possibilite a restauração ou a minimização por meio de soluções
técnicas do ambiente na forma igual ou parecida antes do inicio das atividades de exploração
por parte deste empreendimento.
PRAD - PROGRAMAS DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

Na mineração, o programa de recuperação de áreas degradadas é parte das operações
de lavra e beneficiamento e representa a minimização de resíduos sólidos e efluentes nocivos
ao meio ambiente. Em um contexto geral, estes programas são muito mais voltados para
aspectos do solo e da vegetação, muito embora possam contemplar também, direta e
indiretamente, a reabilitação ambiental da água, do ar, da fauna e do ser humano. Esta
recuperação visa à integração destas áreas exploradas ao meio físico e biológico para que
estas possam ser usadas novamente ou quando não, estas localidades não ponham em risco a
saúde e a segurança pública e do meio ambiente.
A área recomposta por mais bem executado que seja o PRAD não poderá ser como a
de antes das atividades minerais; mas pode, em certos casos, ser melhorada, conforme o
referencial adotado e os interesses das comunidades da região.
As medidas de recuperação exigem soluções especiais adaptadas às especificidades de
cada local e ação das atividades degradadoras. Essas soluções são baseadas em observações
de campo e de literatura técnica e envolvem aspectos do meio físico, químicos e biológicos.
De forma geral, as principais áreas de um empreendimento mineiro onde medidas de
recuperação podem ser aplicadas, segundo Oliveira Jr, são:
ÁREAS LAVRADAS: Algumas das medidas usualmente empregadas são:
retaludamento, revegetação (com espécies arbóreas nas bermas e herbáceas nos taludes) e
instalação de sistemas de drenagem em frentes de lavra desativadas. A camada de solo
superficial orgânico pode ser retirada, estocada e reutilizada para as superfícies lavradas ou de
depósitos de estéreis e/ou rejeitos. A camada deste solo pode ser usada como remodelamento
de superfícies topográficas e paisagens, contenção ou retenção de blocos rochosos instáveis,
redimensionamento de cargas de detonação em rochas e outras.
ÁREAS DE DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS: As medidas usualmente
empregadas

são:

revegetação

dos

taludes

e

depósitos

de

estéreis

ou

rejeitos,

redimensionamento e reforço de barragens de rejeito (com a compactação e sistemas de
drenagens no topo);instalação, à jusante do sistema de drenagem da área, de caixas de
sedimentação e/ou novas bacias de decantação de rejeitos; redimensionamento ou construção
de vertedouros em barragens de rejeito; tratamento de efluentes (por exemplo: líquidos ou
sólidos em suspensão) das bacias de decantação de rejeitos; tratamento de águas lixiviadas em
pilhas de rejeitos ou estéreis; tratamento de águas subterrâneas contaminadas.
ÁREAS DE INFRAESTRUTURA E CIRCUNVIZINHAS. Algumas medidas
possíveis são: captação e desvio de águas pluviais; captação e reutilização das águas utilizadas
no processo produtivo, com sistemas adicionais de proteção dos cursos de água naturais por

meio de canaletas, valetas, murundus ou leiras de isolamento; coleta (filtros, caixas de brita,
etc.) e tratamento de resíduos (esgotos, óleos); dragagem de sedimentos em depósitos de
assoreamento; implantação de barreiras vegetais; execução de reparos em áreas
circunvizinhas afetadas pelas atividades de mineração, entre outras.
No processo de extração mineral, a restauração da área explorada constitui um
impasse, pois é algo impossível de acontecer, uma vez que restaurar implica na reprodução
exata das condições do ambiente antes da alteração sofrida. A reabilitação, que segundo
Kopezinski (2000) parece ser a proposta mais próxima da realidade, está ligada ao uso e
ocupação do solo, ou seja, uma reutilização do local minerado como área de lazer, residencial,
comercial, industrial, entre outros. Já a recuperação, por sua vez, implica em colocar no local
alterado condições ambientais as mais próximas possíveis das condições anteriores.
O programa de recuperação de áreas degradadas devem atender as necessidades
regionais, proporcionando a minimização dos impactos negativos sobre a área explorada e
devem estar em constante monitoramento para garantir a interação de fauna e flora e a
restauração dos processos ecológicos essenciais, promovendo o manejo ecológico das
espécies e ecossistemas.
BIOENGENHARIA DOS SOLOS NA ESTABILIZAÇÃO DE TALUDES E
CONTROLE DE EROSÕES
As técnicas de bioengenharia de solos podem constituir a única alternativa técnica
viável para a execução de obras de proteção de taludes e controle de erosão em locais onde o
acesso de maquinário é difícil ou inviável.
Para Kruedener (1951) o uso da vegetação tem sido usado na engenharia desde muito
tempo, para controlar processos erosivos e como proteção e reforço em obras civis, sendo
denominadas de técnicas de bioengenharia de solos.
O princípio básico que norteia a bioengenharia de solos compreende a utilização de
elementos inertes como: concreto, madeira, aço e fibras sintéticas em sinergismo com
elementos biológicos como a vegetação. São utilizados conhecimentos de engenharia civil,
agronômica e a biologia de modo a ser completa a ação de estabilizar as camadas superficiais
dos solos propensas a ações erosivas das águas e de deslizamentos. Para isso utilizam-se as
raízes e o caule como elementos estruturais e mecânicos para contenção e proteção de solo,
em diferentes arranjos geométricos, atuando assim, no fortalecimento do solo, na melhoria das
condições de drenagem e na retenção das movimentações da terra.

A bioengenharia pode ser considerada uma ciência multidisciplinar, pois a sua efetiva
aplicação requer conhecimento e ações integradas de diversas áreas como a engenharia a
pedologia, geotécnica, hidráulica e hidrogeologia além de aspectos do meio biótico estudados
na biologia e ecologia.
As raízes das plantas associado à vida existente nos solos pode promover sua
estabilização em camadas superficiais até 1,5 metros. No entanto é de fundamental
importância a escolha das espécies vegetais que serão usadas nas técnicas de bioengenharia
para a recuperação de áreas degradadas. Davide (1999), afirma:
A escolha de espécies vegetais para utilização em recuperação de áreas
degradadas deve ter como ponto de partida estudos da composição florística das
matas remanescentes da região. A partir destes levantamentos, experimentos
silviculturais devem ser montados procurando explorar a variação ambiental e
níveis de tecnologia, sendo que as espécies pioneiras e secundárias iniciais
deverão ter prioridade na primeira fase da seleção de espécies.

Em um estudo da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (1999), a autora
Clarice Glufke cita alguns critérios para seleção das espécies afirmando:
O estudo das áreas florestais, o conhecimento das fases sucessionais e das
relações ecológicas é essencial para a escolha correta das espécies a serem
utilizadas na recuperação de áreas degradadas. Esta observação auxilia no sucesso
da atividade, visto que a utilização de plantas adequadas ao local permite que a
própria natureza encarregue-se dos passos subsequentes da sucessão.

Deve-se ressaltar que o uso de vegetação inadequada para serem usadas nas técnicas
de bioengenharia dos solos pode causar efeitos indesejáveis, como: sobrecargas em taludes,
sombreamento e eliminação de vegetação rasteira, além de caso tenha raízes muito profundas
proporcionar infiltrações e consequente desestabilização dos taludes. O recomendável é que a
vegetação seja a mesma que existia na região em que se quer recuperar e que
preferencialmente sejam rasteiras quando os taludes tenham muita inclinação afim se evitar
tais transtornos.
As soluções de bioengenharia destinadas à estabilização superficial de taludes e
processos erosivos requerem uma boa gestão integrada de conhecimentos e técnicas afim de
que rupturas ou deslizamentos destes taludes possam ser cancelados já que caso isto ocorra

será necessários intervenções convencionais da engenharia civil que é caracterizada pelos
custos elevados.
O conceito de erosão é essencialmente um processo de desgaste da superfície e/ou
arrastamento das partículas do solo por agentes, tais como a água das chuvas (hídrica), ventos
(eólica) ou outros agentes geológicos, incluindo processos como o arraste gravitacional.
Basicamente designa o processo ou conjunto de processos, tais como desgaste, transporte e
acumulação, que transformam e modelam a superfície da Terra.
Quando se evita o desgaste ou desagregação ou assoreamento evita-se a erosão e este é
o objetivo das soluções de bioengenharia de solos. Para isto as raízes das plantas são usadas
para estabilizar estes taludes evitando a erosão pelos agentes geológicos, pois reduz ou retarda
o escoamento superficial da precipitação do local e dificulta a desagregação por meio dos
ventos.
Como em qualquer outro projeto de engenharia, o plano, as ações e técnicas da
bioengenharia dos solos deve constar de desenhos em plantas, seções e detalhes além de
relatório e memorial de calculo e quantitativos de valores agregados e custos de todo o
processo. Cada etapa e especificações técnicas de execução das obras e materiais devem
constar no projeto inicial de forma que todos os aspectos sejam conhecidos para que se possa
conseguir êxito na realização efetiva das mesmas e o processo de controle e qualidade sejam
assegurados e garantidos.
Nos projetos de bioengenharia é comum a utilização de biomantas, telas vegetais e
fibras, telas biotêxtil e fibratêxtil, que em conjunto reforçam a estabilidade dos taludes. Além
disso, é necessário a execução de um projeto que vise a drenagem interna e superficial por
meio de construção de canaletas, caixas, drenos, e galerias. Pelo fato de serem utilizados, na
maioria das vezes materiais locais, como madeira, pedras, composto orgânico, palha, cipó,
dentre outros, para uso como grampeadores de solo ou até mesmo como biomantas e esteiras
entrelaçadas os custos de transporte são reduzidos, além de gerarem benefícios locais.
Ao contrário dos sistemas tradicionais, as técnicas de bioengenharia de solos são mais
resistentes, devido à habilidade da vegetação de crescimento e regeneração. Estas são,
portanto, na maioria dos casos, as soluções de menor custo e de maior adequabilidade
ambiental, que atende à crescente demandam e ao interesse geral em benefício do meio
ambiente.

Fig. 1 ­ Aplicação de biomantas e recuperação da área ao longo do tempo

INB - INDÚSTRIAS NUCLEARES DO BRASIL
A INB - Indústrias Nucleares do Brasil - é uma empresa de economia mista, vinculada
a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a CNEN e subordinada ao Ministério de Minas e
Energia do governo federal. Criada em 1988, a INB é responsável por parte do ciclo do
Programa Brasileiro de Energia Nuclear, respondendo pela exploração do Urânio (U), desde a
mineração e beneficiamento primário e também pela produção e montagem dos elementos
combustíveis que acionam os reatores das usinas nucleares de Angra I e Angra II.
A exploração do minério acontece hoje apenas no Estado da Bahia, com uma mina de
exploração a céu aberto. Esta mina fica localizada próxima às cidades de Lagoa Real e
Caetité, no sudoeste do Estado, a 757 km de Salvador. Com uma área de influencia da
empresa em cerca de 1900 hectares a Unidade de Concentrado de Urânio - URA ­ constitui-se
uma das mais importantes províncias uraníferas brasileiras. Por ser uma instalação nuclear o
empreendimento têm que seguir as Normas de Garantia da Qualidade para a Segurança de
Usinas Nucleoéletricas e outras instalações da CNEN, e a Norma CNEN ­ NN ­ 1.16/2000.
No entanto para a obtenção da Licença Prévia de funcionamento, juntamente com a licença
ambiental de operação, a INB teve que apresentar um programa de descomissionamento que
descreve as ações de recuperação das áreas degradadas durante e após o fim das atividades da
mineração na Unidade de Concentrado de Urânio (URA) em Caetité ­ BA.
Como a mina é a céu aberto, o urânio é obtido na área de lavra com a utilização de
bananas de dinamite, que reduz o tamanho das rochas para obtenção do mineral em
quantidade viável economicamente. Neste processo, diversas rochas com granulometria
variada com ausência de urânio em quantidades aproveitáveis são direcionadas para o
deposito de estéril para serem incorporadas ao Programa de Recuperação de Áreas
Degradadas.

TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO EM TALUDES USADAS NO PROGRAMA
DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS DA INB
Conforme previsto na legislação, os empreendimentos que se destinem a exploração
mineral deverão apresentar um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) para o
órgão ambiental competente que junto com o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de
Impactos sobre o Meio Ambiente, o EIA/RIMA, formará um conjunto necessário para a
obtenção e renovação da licença de funcionamento do empreendimento.
As áreas que estarão em processo de recuperação correspondem aos setores de
exploração mineira que se verifica a degradação como: Cavas a céu aberto, depósito de rochas
estéreis, áreas das bacias de rejeitos e áreas de infraestrutura da usina e setores
administrativos. No entanto abordaremos aqui, apenas as técnicas de bioengenharia usadas no
depósito de rochas estéreis com a formação de taludes e na revegetação dos mesmos.
Depois de escolhida a área para servir como deposito para os rejeitos da mineração,
com o auxilio de retroescavadeira ou similar, retira-se cerca de 50 cm da camada superficial
da terra que é a fase do solo mais rico em nutrientes. O "Topsoil", como é mais conhecido no
meio mineral, é rico em matéria orgânica de partes de plantas e de seres vivos em estado de
decomposição estabilizado ­ o húmus. Essa camada é chamada de camada fértil e, portanto é
a melhor para o plantio, pois é nessa camada que as plantas encontram alguns sais minerais e
água para se desenvolver.
O processo a seguir é a aplicação da técnica que melhor se adapta as condições dos
taludes, tais como altura, base e inclinações compatíveis de acordo com cada método que será
utilizado. As principais técnicas desenvolvidas pela INB no que se refere à bioengenharia dos
solos na estabilização de taludes e nas erosões associadas a ela são a utilização de biomantas
(esteiras vegetais) e a semeadura direta.
BIOMANTAS
As biomantas podem ser aplicadas diretamente sobre a superfície que se deseja
proteger com finalidades estéticas, ambientais e para estabilização de solos. A composição,
degradabilidade, gramatura, e resistência das biomantas são variáveis e deve adequar-se às
necessidades dos projetos de recuperação e proteção ambiental específicos, já que esses se
destinam a diferentes necessidades e situações.

É desejável que a superfície do talude esteja a mais regularizada possível, para que as
biomantas possam ficar totalmente aderidas à superfície. O acerto e regularização podem ser
feitos manualmente ou mecanicamente, buscando eliminar os sulcos erosivos, o
preenchimento dos espaços vazios e a ancoragem dos sedimentos soltos. Para isso o rejeito da
lavra da mineração de urânio com materiais de rochas comuns são trazidos e empilhados
formando-se taludes. Estes taludes, por sua vez, devem ter uma estrutura capaz de suportar as
tensões e forças a eles associados sem ter problemas com rupturas ou deslizamentos, levandose sempre em consideração o escoamento superficial das águas de precipitação com a
utilização adequada de um sistema de drenagem pluvial. Uma vez instalados os taludes
recebem a cobertura com a camada de solo removido do depósito de estéreis, que servirá
como base para a instalação das biomantas e na revegetação do local.
As biomantas vêm acondicionadas em bobinas e sua aplicação deve ser iniciada pelo
topo do talude, desenrolando-se a bobina, fixando-a e moldando-a sobre uma valeta escavada
ao longo do talude para que esta possa ser grampeada usando-se grampos de aço, madeira, ou
bambu, de tamanhos e formas variadas, devendo ser aplicada conforme as características
específicas do local a ser protegido ou recuperado.
Nos espaços entre as esteiras de fibras biodegradáveis (biomantas) são cultivadas
mudas de espécies da flora local onde a indústria encontra-se instalada, levando em
consideração a estrutura requerida pelas raízes destas espécies, uma vez que não podem
possuir raízes muito profundas que comprometam a estabilidade do talude provocando
erosões e deslizamentos necessitando de intervenções da engenharia civil que em geral são
caras e onerosas.
SEMEADURA DIRETA
Outra técnica usada como bioengenharia dos solos na estabilização de taludes e erosão
no depósito de estéril da mineração das Indústrias Nucleares do Brasil é a semeadura direta
que consiste em misturar sementes previamente selecionadas, principalmente de espécies
leguminosas herbáceas, formando um coquetel e lançá-las manualmente diretamente nos
locais preparados para o plantio. No caso dos taludes, o lançamento do coquetel de sementes é
realizado antes da instalação das biomantas, o que proporciona a germinação das sementes, e
o entrelaçamento nas biomantas, estabilizando-a nos taludes. Em contrapartida, a biomanta
mantém o solo úmido e se degrada com o tempo, tornando-se matéria orgânica para as plantas
estabelecidas.

Os insumos usados como fertilizantes para serem aplicadas e a própria semente e
mudas de espécies nativas usadas no processo de semeadura direta e biomantas são
produzidos pela própria indústria no horto florestal. A fertilização se dá pela obtenção de
adubo orgânico proveniente de minhocultura que consiste na criação de minhocas específicas
capazes de enriquecer a terra com o húmus produzido por elas, tendo condições ambientais
favoráveis tais como iluminação, umidade e alimentação abundante.
Outra forma para se obter adubo orgânico na empresa é pelo processo de de
compostagem orgânica através do método de leiras estáticas para a obtenção da maturação da
matéria orgânica, utilizando-se restos alimentares e diversos materiais orgânicos, como
resíduos de podas de grama, árvores e folhas.
Os controles referentes ao acabamento, cobertura e germinação serão conduzidos com
base na apreciação visual e nos critérios usuais de plantio agrícola. Enfim a solução de
bioengenharia para problemas de erosão e estabilização de taludes requer conhecimentos
como fatores climáticos, topográficos, agronômicos e geotécnicos para analise, interpretação,
diagnósticos e solução para o problema. Todas estas técnicas possibilitam a estabilização de
taludes de forma mais natural possível, proporcionando a recuperação da área degradada e na
aproximação na medida do possível à área antes da implantação do empreendimento na busca
de minério de Urânio.
CONCLUSÃO
Diante das crescentes preocupações com as questões ambientais e rigoroso controle
por parte dos órgãos fiscalizadores, a recuperação de áreas degradadas, em especial as de
atividades mineradoras como foi abordado aqui, tem sido imprescindível para proporcionar o
desenvolvimento sustentável, aliando crescimento econômico com preservação ambiental.
Dentro destas ações destaca-se o de uso de técnicas de bioengenharia de solos, e que por esta
ser esteticamente completa, economicamente viável e ecologicamente correta é a mais
adequada a ser implantada na estabilização de taludes e contenção de erosões e equilíbrio e
estabilidade ambiental.

Abstract: The increasing pressure and control by government agencies that monitor and the
interest of the general population for the benefit of the environment, there is increasing discussion by
encouraging the pursuit of recovery of areas degraded by mining activities such as in Nuclear Industry
Brazil - INB in the city of Ba-Caetité. The use of soil bioengineering techniques as biodegradable
blankets and hydroseeding, it constitutes an important tool in the quest for rehabilitation of these areas
to achieve in a cost-effective feasible, effective stabilization of slopes formed in the sterile deposits
and mining the elimination or minimization of erosive actions on the environment in which you want
to restore.
Keywords: Soil Bioengineering, INB, PRAD.

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