UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
COORDENADORIA DE INTEGRAÇÃO DE POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO À
DISTÂNCIA
SETOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM

VANIA CLAUDIA DO COUTO

HIGIENE PESSOAL CORPORAL COM ÊNFASE À IMPORTÂNCIA DO BANHO,
LAVAGEM DAS MÃOS E UNHAS

Nova Tebas
2011

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VANIA CLAUDIA DO COUTO

HIGIENE PESSOAL CORPORAL COM ÊNFASE À IMPORTÂNCIA DO BANHO,
LAVAGEM DAS MÃOS E UNHAS

Monografia apresentada ao Módulo IV ­ Práticas de
Educação em Saúde II como requisito parcial à
conclusão do Curso de Especialização em Saúde
para professores do ensino fundamental e médio,
Universidade Federal do Paraná, Coord. de Educação
à Distância.
Orientação: Profa Luciani L. Sigolo Vanhoni

NOVA TEBAS
2011

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RESUMO
COUTO, V. C. Higiene pessoal corporal com ênfase à importância do banho,
lavagem das mãos e unhas. Monografia (Especialização em Saúde para
professores do ensino fundamental e médio) ­ Universidade Federal do Paraná
(UFPR).

A higiene é um tema de fundamental importância para a vida social dos indivíduos,
assim como para a sua saúde e, portanto, deve estar presente na escola para que
os alunos possam aprimorar os seus conhecimentos a cerca dele, e para que os
reflexos desta construção seja sentido em sua vida familiar e, consequentemente,
pela sociedade, de modo geral. O objetivo era melhorar a qualidade de vida dos
alunos do Ensino Fundamental por meio do desenvolvimento de hábitos higiênicos
que lhes assegurassem uma boa saúde. Este trabalho, trata-se de um projeto de
intervenção, implementado em uma escola municipal do município de Nova Tebas ­
PR, tendo como sujeitos 19 alunos, intencionalmente escolhidos, da 4ª série do
Ensino Fundamental de oito anos. Durante os meses de outubro, novembro e
dezembro foi realizada a intervenção que ocorreu no período vespertino, único turno
de funcionamento da escola, e se deu em cinco momentos distintos: no primeiro
momento houve a apresentação do projeto aos alunos, juntamente com a
explicitação de sua relevância. No segundo, foram trabalhados os conceitos de
higiene e saúde, assim como a construção histórica do conceito de higiene. No
terceiro, foi realizado um estudo sobre os hábitos de higiene e sua importância. No
quarto, foi ministrada uma palestra com a professora auxiliada por uma agente de
saúde, na qual foi apresentada aos alunos algumas doenças associadas à falta de
higiene. No quinto, os alunos expressaram, por meio de cartazes que foram
colocados em locais estratégicos da escola, os conhecimentos adquiridos sobre
higiene e saúde. Como resultados, verificou-se a necessidade de introdução de
trabalhos como estes na escola logo nas primeiras séries do Ensino Fundamental,
bem como, a sua continuidade para a criação de hábitos de higiene. Notou-se o
grande interesse dos alunos na execução das atividades, principalmente as que
foram realizadas através de desenhos e na elaboração dos cartazes. Conclui-se,
portanto, que projetos como este devem ser realizados, pois os benefícios
alcançados não se restringem apenas ao ambiente escolar, mas a toda a sociedade.

Palavras-chave: higiene, saúde, conhecimento, escola.

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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO........................................................................................................04
1.1 Justificativa ..........................................................................................................06
1.2 Objetivos .............................................................................................................08
2 REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................09
2.1 A construção histórica do conceito de higiene ....................................................09
2.2 O conceito de saúde ...........................................................................................12
2.3 Higiene corporal ..................................................................................................13
2.3.1 Banho ...............................................................................................................13
2.3.2 Limpeza das mãos ...........................................................................................14
2.3.3 Unhas ...............................................................................................................14
2.3.4 Cabelos ............................................................................................................14
3 TRAJETÓRIA DA INTERVENÇÃO .......................................................................15
3.1. Local e sujeito ....................................................................................................15
3.2. Descrição da trajetória metodológica .................................................................15
4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA INTERVENÇÃO ..............................17
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................19
REFERÊNCIAS .........................................................................................................21

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1 INTRODUÇÃO

A falta de higiene provocou a morte de milhões de pessoas ao longo
da história da humanidade, como exemplo pode-se citar a peste bubônica que
devastou a Europa no século XIV.
Higiene significa um conjunto de cuidados diários que se deve ter
para alcançar o bem-estar e a saúde. Porém, ela nem sempre foi vista ou entendida
dessa forma. No século XVII, por exemplo, os hábitos de limpeza eram entendidos
como boas maneiras, não era uma questão de higiene pessoal como são
considerados atualmente.
Durante a Idade Média até mesmo os médicos contra-indicavam o
banho, pois acreditava-se que ele enfraquecia o organismo. Porém, ao longo dos
tempos, percebeu-se como a higiene era importante para a conservação da saúde e
o quanto ela podia prolongar a vida das pessoas. Devido a essa evolução, inúmeras
doenças associadas à falta de higiene foram reduzidas sensivelmente, mas em
pleno século XXI, ainda encontramos muitas pessoas com hábitos higiênicos
bastante primitivos e que devem ser melhorados.
O Brasil, como resultado dessa má higienização, encontra-se entre
os países com maior índice de verminoses e parasitoses, o que ocasiona grande
taxa de mortalidade, principalmente entre crianças. Segundo o Ministério da Saúde,
as doenças infecciosas e parasitárias foram responsáveis por 39.548 óbitos no país
em 1995, o correspondente a 5,3% do total de mortes no ano. Dados da Unicef
apontam que cerca de 43% da população mundial, algo em torno de 1 bilhão e 800
milhões de pessoas, não contam com serviços de saneamento básico. O resultado é
trágico. Segundo a Organização Mundial de Saúde, só as doenças diarréicas matam
5 milhões de crianças por ano, sobretudo nos países em desenvolvimento, que
ainda sofrem com cólera, esquistossomose e leptospirose, só para citar algumas das
doenças mais graves. No Brasil, por exemplo, 12 milhões de pessoas estão
infectadas pelo Schistosoma mansoni, verme da esquistossomose.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no mundo
existam mais de 3,5 bilhões de pessoas infectadas com alguma espécie de parasito
intestinal, apresentando 450 milhões de doentes. Ainda, segundo a OMS, as
doenças infecciosas e parasitárias continuam a figurar entre as principais causas de

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morte, sendo responsável por 2 milhões a 3 milhões de óbitos por ano. Uma em
cada dez pessoas no mundo sofre por infecção de uma ou mais das dez principais
parasitoses,

que

incluem:

ascaríase,

ancilostomíase,

tricuríase,

amebíase,

esquistossomíase, giardíase, malária, filaríase, tripanossomíase e leishmaníase
(OMS, 1987).
A situação atual das helmintoses intestinais humanas, as quais
ocupam lugar de destaque entre as doenças parasitárias, destacam-se Ascaridiose,
Tricuríase, Enterobiose, Ancilostomose, Estrongiloidose. Dentre as protozooses
intestinais destacam-se pela sua importância na infância a Giardíase e a Amebíase,
sendo a Giardíase bem mais frequente (TONELLI, 1987).
Diante disso, há a necessidade de estimular a adoção de hábitos de
higiene junto à população infantil, pois dessa fase até a adolescência são
constituídos comportamentos que serão perpetuados por toda a vida e podem
aumentar sobremaneira a qualidade e a longevidade da vida humana. Isso sem
mencionar, que a falta de higiene afeta o relacionamento social e pessoal, porque o
mau cheiro do corpo ou do hálito pode afastar as pessoas e causar isolamento,
provocando assim, a exclusão do indivíduo. Além dessas questões, vale relembrar
que a higiene é um caso de saúde individual e coletiva, e que inúmeras doenças,
incluindo-se as já citadas anteriormente, e outras como dermatoses, impetigo, larva
geográfica e micoses são oriundas da falta dela.
Percebe-se, portanto, que nem sempre a higiene esteve associada à
saúde, que de acordo com a Organização Mundial de Saúde (1948) "é o estado de
completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença",
mas no decorrer de sua história, o homem descobriu que ambas estão intimamente
relacionadas.
Com relação à importância da educação nessa questão, Jiménez
(1983, p.218) afirma que: "não se poderá educar bem uma criança se não levar em
consideração a sua higiene e não se consegue efetivar uma boa higiene sem uma
boa educação".
Por esse motivo, é preciso esforçar-se para a adesão, conservação
e desenvolvimento de bons hábitos de higiene em sala de aula, sejam estes
ambientais ou corporais, e elucidar aos que ignoram a importância de ter tais
condutas. Desse modo, se estará viabilizando, não somente o bem estar individual,
mas o bem estar da sociedade.

6

Para França (2006: p.55): ao se tomar como referência a escola e se
levar em consideração como ela efetiva o seu trabalho, verifica-se que ela tem parte
na formação das representações que exercem influência nos hábitos de higiene
corporal e ambiental dos seus alunos. Entretanto, não é somente ela a difusora para
consolidar as representações de regras básicas de higiene no meio social, mas tem
grande relevância neste sentido.
Desse modo, tendo sido sensibilizado do quanto é fundamental a questão higiênica
para um convívio mais agradável, o sujeito será difusor de atitudes que contribuem
para a melhoria da qualidade de vida, não apenas para a sua, mas para a dos outros
membros da sociedade também.
Assim,

este

projeto

de

intervenção

apresenta

a

seguinte

problemática: "Como dar oportunidade para que os alunos adquiram hábitos de
higiene adequados que os levem à melhor qualidade de vida e promovam a sua
saúde?" Desse modo, com este trabalho, vislumbra-se a sensibilização dos alunos e
o desenvolvimento de comportamentos e hábitos de higiene mais adequados e que
propiciem a eles uma vida mais saudável e longínqua.

1.1 JUSTIFICATIVA

A escolha do tema "Higiene pessoal corporal" justifica-se devido à
constatação de que aproximadamente 60% dos alunos da escola municipal Alvina
Bassani Walter não apresentam bons hábitos de higiene, e a interferência negativa
que esse problema exerce sobre o desempenho escolar dessas crianças,
decorrentes da discriminação social, dos problemas de saúde acarretados pela
ausência ou da higienização incorreta.
Estudos recentes vêm demonstrando que a boa alimentação, o
treino cognitivo e a prática de atividades físicas regulares são capazes de melhorar
as funções cognitivas.
TÂNIA ARAÚJO VIEL (2009) afirma que cada pessoa tem um ritmo e
um estilo de aprender, elas não aprendem de forma homogênea, e há vários fatores
que influenciam neste aprendizado, como o ambiente físico, emocional, sociológico.
O estilo de aprendizado para ela, é a combinação de como o indivíduo percebe,

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organiza e processa a informação.
Assim de acordo com Viel, além da manutenção da boa saúde em
geral, a utilização de estratégias que estimulem a participação ativa de alunos no
processo de aprendizado deve ser explorada para tornar esse processo mais
significativo e efetivo.
Atualmente, pesquisas realizadas na área da educação tentam
encontrar fatores que estejam relacionados com o desempenho escolar. Dentre
esses fatores têm-se destacado os afetivo-emocionais.
Entende-se por fatores afetivo-emocionais os sentimentos próprios
da criança que podem interferir no processo de aprendizagem, como as
autopercepções a respeito de seu desempenho.
Fontaine (1995) assinala que o funcionamento da inteligência e da
motivação exige a utilização desses processos cognitivos e é sensível a fatores
sociais ou emocionais. Com isso, pode-se considerar que a capacidade intelectual
fixa certos limites à capacidade de aprendizagem do aluno em cada momento,
enquanto que a motivação é responsável pela utilização mais ou menos completa
deste potencial ou pela orientação dos investimentos intelectuais em tarefas ou
domínios diferentes.
Fontaine (2005) afirma ainda que, a autopercepção influencia a
motivação, a escolha de atividades, a quantidade de esforços a ser investido, a
tolerância aos obstáculos e a persistência frente às adversidades, promovendo ou
não um bom desempenho escolar.
A autopercepção positiva com relação ao desempenho escolar é
importante para o sucesso e a realização pessoal da criança, uma vez que no início
da escolarização as experiências vividas influenciarão em grande parte a vida futura
da criança. Do mesmo modo, a autopercepção negativa a respeito de seu
desempenho pode reforçar sentimentos de inadequação, baixa auto-estima e
experiências de fracasso em sua vida escolar.
Lauriano, Silva e Barroso Filho (2007) constataram também que a postura, a
metodologia, a relação professor-aluno despontam como fator relevante para os
alunos no seu desempenho, associados a uma gestão participativa.
Um outro aspecto é o sócio-emocional, se refere ao vínculo afetivo
entre professor/ aluno, como também as normas e exigências objetivas que regem a
conduta dos alunos na aula (LIBANEO, 1994, p.251). Lauriano, Silva e Barroso Filho

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(2007) explicam que a afetividade, na relação professor-aluno não é no sentido de
tratá-los como sobrinhos ou filhos, mas, a de exercer a autoridade, produzindo uma
relação educativa e não cerceá-la.
A prática docente exige antes de tudo a ética, o compromisso com o
ser humano, vislumbrar com as possibilidades criadas do ato de ensinar e aprender.
A Educação não pode ser depreciada, considerando o aluno um depósito vazio que
o professor vai preenchendo com os conteúdos. Assim, os autores acima citados
concordam com Paulo Freire (1996, p.32), quando ele diz: Não é possível pensar os
seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. Estar longe, ou pior,
fora da ética, entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. É por isso que
transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o
que há de fundamentalmente no exercício educativo: o seu caráter formador.
Outro fator que interfere nos níveis de aprendizagem do aluno
segundo Deila Magda Ferreira, é a condição econômica. Assim, quanto maior a
porcentagem de indivíduos pobres em um município, pior é o desempenho escolar.
De acordo com Ferreira, é o que constatou uma pesquisa da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp). A pesquisa comprovou que a situação econômica
determinou em até 58% o rendimento dos alunos das escolas municipais, enquanto
nos estabelecimentos estaduais o mesmo percentual ficou em 44%.
Esta pesquisa justifica-se ainda, pelo fato de as consequências do
problema levantado não se limitarem apenas à aprendizagem, uma vez que,
também afetam o desenvolvimento e a interação social, tanto das crianças que não
apresentam hábitos de higiene adequados, quanto das que apresentam, pois ocorre
a discriminação por parte das segundas em relação às primeiras, o que além de
prejudicá-las, atrapalha o trabalho do professor, que precisa constantemente
interromper a aula para apaziguar os conflitos que acontecem.
Desse modo, a relevância do tema é indiscutível, pois o descaso
com relação ao assunto induz a inúmeras situações prejudiciais tanto para o
crescimento intelectual do aluno, quanto para o físico, isso sem mencionar o seu
desenvolvimento social. Assim, cabe ao educador a busca de soluções para a
superação dessa situação.

1.2 OBJETIVOS

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Objetivo Geral:

- Promover a melhoria da qualidade de vida dos alunos do Ensino Fundamental
através do desenvolvimento de hábitos de higiene compatíveis com uma boa saúde;

Objetivos Específicos:

- Melhorar a qualidade de vida por meio do desenvolvimento de hábitos de higiene
mais adequados como lavar as mãos antes das refeições e após ir ao banheiro,
tomar banho diariamente, manter as unhas sempre limpas e aparadas;
- Apresentar as formas de higiene corporal;
- Oportunizar ao educando, através de atividades teóricas e práticas, o
aprimoramento de seus hábitos de higiene;
- Levar o educando a perceber como a falta de higiene pode ser prejudicial à sua
saúde;
- Promover a melhoria da auto-estima dos educandos com ações de higiene
pessoal.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO CONCEITO DE HIGIENE

Higiene é uma palavra grega. Vem de hygeinos, que significa, "o que
é são", "o que é sadio". Em sua gênese, era um adjetivo usado para caracterizar a
saúde. Depois, a palavra se transformou num substantivo, ou seja, passou a
significar um conjunto de cuidados diários que se deve ter para alcançar o bem-estar
e a saúde.
A palavra higiene pode ser também entendida como a limpeza
corporal, o asseio. Pode denominar, ainda, uma parte da medicina que busca
preservar a saúde, estabelecendo normas e recomendações para prevenir as
doenças (FARIA e MONLEVADE, 2008).
De acordo com Faria e Monlevade, alguns rituais religiosos bastante
antigos estão associados com a higiene e com a saúde. A circuncisão, por exemplo,

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é uma prática que teria se originado na África há mais de 5 mil anos. Essa retirada
cirúrgica do prepúcio também é relatada pela Bíblia. A circuncisão já era conhecida e
praticada na época de Abraão e, ainda hoje, meninos judeus e muçulmanos do
mundo todo são circuncidados.
Os antigos filósofos judeus consideravam que a circuncisão
garantiria uma maior higiene ao órgão genital masculino, reduzindo assim, as
chances de se adquirir doenças. Já os judeus, praticam a circuncisão como um ato
religioso. Os mulçumanos, por sua vez, a veem como purificação corporal. O
conceito de higiene sofre mudanças no decorrer da história da humanidade.Uma
prova disso, é que, atualmente, muitos povos não praticam a circuncisão, porém não
são julgados menos higiênicos por isso.
Ao longo dos séculos, a sociedade ocidental, tem transformado as
normas de limpeza e higiene. Na Roma antiga, por exemplo, os mais ricos tinham
água corrente e banheiros com chuveiros em suas casas. No entanto, com a queda
do Império Romano e a destruição do sistema sanitário romano pelos bárbaros, a
Europa conheceu a falta de asseio.
Os reis da Idade Média lavavam apenas as mãos e o rosto e, assim
como o cidadão comum, usavam a água de poço. Nesse período, existia uma
infestação de pulgas e piolhos. A situação se agravou em 1347, quando pulgas
contaminadas chegaram à Sicília, no sul da Itália, agarradas nos pêlos dos ratos. Em
poucas semanas, aproximadamente, 25% da população local já estava infectada
pela peste bubônica. Depois disso, as péssimas condições de higiene contribuíram
para que a doença se espalhasse, em pouquíssimo tempo, pelo continente,
devastando-o no século XIV.
A fama dos perfumes franceses vem dessa época. Durante o verão
europeu, as cidades e vilarejos exalavam um cheiro forte de excrementos. Para
diminuir o fedor, os franceses faziam uso de perfumes fortes.
Na Idade Média, como ainda não existiam os talheres, as pessoas
civilizadas higienizavam as mãos com um jarro de água que era utilizado à mesa.
Para os médicos da Idade Média, a limpeza corporal se resumia à lavagem das
mãos e do corpo. O importante era manter limpas apenas as partes do corpo que
podiam ser vistas. Assim, um bom anfitrião deveria oferecer aos seus hóspedes
água para a lavagem das mãos.
Naquele período, ninguém gostava de tomar banho. Nem mesmo

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entre os nobres, a importância do banho era reconhecida. Reis e rainhas raramente
se banhavam. A população quase não trocava de roupa. Os mais requintados
utilizavam óleos perfumados de rosa e madressilva. Plantas aromáticas, como
canela e erva-doce, eram usadas para manter o hálito agradável.
Nos séculos XVI e XVII, muitas crendices envolviam a limpeza, a
higiene e a saúde. A água, por exemplo, era vista como fonte de doenças e, quando
quente, ainda era considerada com capacidade de provocar o enfraquecimento do
organismo, pois dilatava os poros e permitia a entrada de doenças, impedindo o
desenvolvimento das crianças. A rainha Elizabeth I, da Inglaterra, era vista como
uma pessoa anormal, porque tomava um banho a cada três meses. Luís XIII, da
França, já tinha sete anos de idade quando tomou seu primeiro banho. A média de
banho da população de seu país, era de um a cada doze meses.
No século XVII, os hábitos de limpeza eram entendidos como boas
maneiras, muito diferente da visão que temos agora, não era uma questão de
higiene pessoal.
Nesse período, como os franceses já eram famosos pelos seus fortes perfumes, Luiz
XIV, utilizava-se desse artifício a sua falta de banho, retardando assim, o quanto
pode o seu primeiro banho. Os nobres, ao invés de tomarem banho, trocavam de
roupas, várias vez por dia. Desse modo, no século XVIII, as pessoas tomavam
pouquíssimos banhos durante suas vidas, e para disfarçar a ausência deles,
passavam pó-de-arroz nos cabelos. Mais anti-higiênico que isso, era o fato de terem
que andar desviando dos excrementos pelas ruas.
Na sociedade ocidental, a higiene só ganhou importância na vida
das pessoas no início do século XIX, devido ao fato de os médicos escreverem
sobre a higiene e estimularem-a. No Oriente, porém, os muçulmanos, costumavam
lavar o rosto, as mãos e os pés, nessa época. Percebe-se, portanto, que eram os
europeus que não eram adeptos do banho naquele período.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, trouxeram
consigo essa aversão à água. Mas, ao observarem que os nativos tomavam banho
diariamente e, na maioria das vezes, mais de uma vez por dia e apresentavam um
aspecto bastante saudável, acabaram por adotar o banho em suas vidas.
No século XIX, em muitas cidades brasileiras, a população já fazia
uso do banho quente. Segundo Faria e Monlevade, nas casas, o pessoal utilizava a
bacia com água quente para o banho, lavando o rosto e a cabeça, primeiro.

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Sentados, em seguida, lavavam o tronco. Em pé, novamente, lavavam pernas e pés.
E, assim, completavam um ritual que já era uma preocupação com a higiene pessoal
muito superior à de seus antepassados.
No início do século XX, somente os mais ricos possuíam banheiro
dentro de casa. Uma preocupação maior com a higiene começou em 1920, quando
as pessoas, de modo geral, passaram a construir banheiros de madeira nos lares.
Mais tarde, esses banheiros passaram a ser construídos com ladrilhos de cerâmica
e ferro fundido esmaltado.
Apesar de, nós brasileiros, gostarmos de tomar banho, e termos o
título de um dos povos mais asseados do mundo, nossos hábitos de higiene não são
tão bons como deveriam ser. Muitos brasileiros urinam em locais públicos, como
praças, ruas e calçadas e entopem vasos sanitários e cestos de lixo com papel
higiênico.
Escovar bem os dentes também não é um hábito muito frequente
entre os brasileiros. Até mesmo aqueles que possuem condições financeiras para
comprar os melhores produtos, não fazem um bom uso das escovas de dente.
Acabam usando o creme dental apenas para perfumar a boca. Este fato coloca os
brasileiros nos primeiros lugares do ranking dos povos que têm o sorriso mais feio
do mundo.
O hábito de lavar as mãos após ir ao banheiro, apesar de
extremamente importante e higiênico, é ignorado por muita gente. Até mesmo entre
os profissionais da saúde existe negligência quanto à higienização correta das mãos
no ambiente de trabalho. Pesquisas apontam que uma porcentagem muito pequena,
10 a 15 por cento, dos funcionários dos hospitais fazem a higiene adequada das
mãos para realizar as suas atividades. No Brasil, a lavagem das mãos é feita de
forma muito rápida, mesmo depois do uso do sanitário.

2.2 O CONCEITO DE SAÚDE

Quanto ao conceito de saúde, de acordo com a Organização
Mundial de Saúde (OMS) em 1948 "Saúde é o estado de completo bem-estar físico,
mental e social e não apenas a ausência de doença." Porém, trata-se de algo
praticamente inatingível, uma vez que a saúde não é um "estado estável", que uma

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vez atingido possa ser mantido.
Vale dizer que o próprio entendimento de saúde é bastante subjetivo
e determinado historicamente, ao passo que sujeitos e sociedades julgam possuir
saúde em maior ou menor grau dependendo do momento, do referencial e dos
valores que atribuam a uma situação.
Muitas tentativas estão sendo realizadas com o propósito de se
aproximar de um conceito que dê conta de tratar a saúde como busca contínua,
tanto individual quanto coletiva, que se manifesta na luta pelo aumento do uso das
potencialidades do sujeito e da sociedade, refletindo desse modo, o seu poder de
realizar a defesa da vida.
Levando-se em consideração o conceito da OMS, pode-se dizer que
ninguém alcançará o estado de plena saúde ou de plena doença. Mas que durante
sua vida, terá momentos de saúde/doença, de acordo com suas potencialidades,
suas condições de vida e sua interação com elas.
Ainda há de se considerar que, os enfoques deterministas, tanto o
que atribui à realidade social ou à ação do poder público a responsabilidade pela
saúde individual, tanto quanto o que coloca todo peso no indivíduo, em sua herança
genética e em seu empenho pessoal, devem ser superados. Interferir sobre o
processo saúde/doença está ao alcance de todos e não é uma tarefa a ser
delegada, deixando ao cidadão ou à sociedade o papel de objeto da intervenção "da
natureza", do poder público, dos profissionais de saúde ou, eventualmente, de vítima
do resultado de suas ações.
Nesse contexto, percebe-se a importância para a educação para a
saúde como fator de promoção e proteção à vida e instrumento para a conquista da
cidadania.
Somente a escola, não é capaz de levar os alunos a adquirirem saúde. No entanto, é
sua função, proporcionar elementos que lhes garantam uma vida mais saudável.

2.3 HIGIENE CORPORAL

2.3.1 BANHO:

O banho é um hábito extremamente importante, pois a nossa pele

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possui milhões de glândulas especiais que produzem suor, e outras que produzem
uma substância parecida com o sebo. Quando não tomamos banho ocorre o
acúmulo dessas substâncias, que se associam às poeiras, terra, areia, etc. Como
resultado teremos vermelhidão na pele, mau cheiro, uma situação propícia para os
piolhos e a sarna, além de micoses, seborreia, infecções urinárias e corrimento
vaginal nas meninas .
Percebe-se, portanto, que o banho é fundamental para a saúde do
corpo. Tomar uma ducha diária é a maneira mais econômica, prática e higiênica de
manter o corpo limpo. Após o banho, deve-se verificar se regiões como os espaços
entre os dedos, virilhas e outras dobras estão bem limpas e secas.

2.3.2 LIMPEZA DAS MÃOS:

A higiene das mãos deve ser constante, para tanto é preciso lavá-las
várias vezes por dia antes das refeições, após o uso do banheiro, depois de
manipular dinheiro, ou qualquer outro objeto que circule de mão em mão, depois de
assoar o nariz.

2.3.3 UNHAS:

As unhas devem estar sempre limpas e de preferência curtas, pois
unhas com sujeira acumulada podem transmitir doenças como a verminose. Isso
sem mencionar a questão estética. O hábito de roer unhas também pode ser
prejudicial à saúde, além de deixar as unhas feias, uma vez que ao levar a mão à
boca, vermes e protozoários podem ser ingeridos.

2.3.4 CABELOS:

Os cabelos precisam ser lavados ao menos duas vezes por semana
e penteados, pois do contrário ocorre o acúmulo de poeiras e gorduras, sem
mencionar que os cabelos devem chamar a atenção por estarem limpos e cheirosos.
O corte tem de ser periódico.
Cabelos grandes e sujos facilitam o contágio e a proliferação de
piolhos. Examinar a cabeça esporadicamente pode evitar a infestação.

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3 TRAJETÓRIA DA INTERVENÇÃO

3.1. Local e Sujeito

Este trabalho foi desenvolvido com os escolares do Segundo Ciclo
das séries iniciais do Ensino Fundamental da Escola Municipal Alvina Bassani Walter
- Educação Infantil e Ensino Fundamental, de Nova Tebas ­ PR. Atualmente, a
escola em questão possui 101 alunos, distribuídos em 7 turmas, sendo duas delas
de 4ª séries, uma de 4º ano, uma de 3º ano, uma de 2º ano e uma de 1º ano e, mais
duas salas de contra-turno para atender os alunos do 1º e do 2º Ciclo do Ensino
Fundamental que apresentam dificuldades de aprendizagem. Vale mencionar que,
como a escola está se adequando ao Ensino de Nove Anos, estão sendo
eliminadas, gradativamente, as séries para a substituição pelos ciclos. Para o seu
funcionamento, a escola conta com dez professores, uma secretária, uma
bibliotecária, uma coordenadora pedagógica, uma diretora, duas cozinheiras e duas
auxiliares de serviços gerais. A turma em que será aplicado o presente projeto de
intervenção possui 19 alunos, com idades que vão dos nove aos treze, sendo
catorze meninos e cinco meninas. A maioria destes alunos vive no meio rural e
depende do transporte escolar para frequentar a escola.

3.2. Descrição da trajetória metodológica

Ao longo dos meses de outubro, novembro e dezembro foi realizado
este projeto de intervenção. Durante esse período foram atendidos 19 alunos da
quarta série do Ensino Fundamental. Para melhor aproveitamento do tempo em sala
de aula e garantir que os objetivos fossem atingidos, a realização deste projeto
exigiu muita pesquisa para o seu embasamento teórico e desenvolvimento de uma
metodologia que despertasse interesse por parte dos alunos. Como já havia o
conhecimento prévio dos alunos, uma vez que a especializanda é a própria
professora regente da turma, não foi difícil desenvolver estratégias de ensino que
estimulassem os alunos a aprender mais sobre higiene e saúde, tema central deste
projeto. No decorrer deste período, nas aulas de Ciências, que ocorriam uma vez
por semana, o projeto foi implementado.

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Num primeiro momento, a professora conversou com os alunos
sobre o projeto de intervenção; disse a eles que se tratava de uma atividade
obrigatória para a conclusão do seu curso de especialização, e que a escolha do
tema feita por ela se deveu à observação de que não apenas nesta turma, mas em
todas as outras, algumas com maior, outras com menor grau, apresentavam a
ausência ou a prática de hábitos higiênicos inadequados, depois foi lhes pedido que
colaborassem para o desenvolvimento do mesmo e também foi-lhes alertado que o
sucesso desse trabalho seria benéfico para ambas as partes, isto é, para a
professora e principalmente para eles, em seguida foi-lhes proposto para que as
atividades que seriam realizadas servissem para a construção da média do quarto
bimestre letivo. Os alunos concordaram e então, teve início o desenvolvimento das
atividades práticas.
Na aula seguinte, foi enfatizado a construção histórica do conceito
de higiene, sendo-lhes apresentado ainda, o conceito de saúde. A professora disse a
princípio que a higiene era um adjetivo usado para caracterizar a saúde, mas com o
passar do tempo ganhou um novo significado: um conjunto de cuidados diários que
se deve ter para alcançar o bem-estar e a saúde. Uma curiosidade a respeito da
higiene é que nos séculos XVI e XVII, como haviam muitas crenças, a água era tida
como fonte de doenças e, ainda mais se fosse quente, pois desse modo, poderia
enfraquecer o organismo, uma vez que dilatava os poros facilitando a entrada de
doenças. Ainda no século XVII, os hábitos de higiene não eram assim vistos, mas
tinha-se o entendimento de que eram apenas boas maneiras. Outro fato bastante
intrigante é o de que quando da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, havia
a aversão a água por parte deles. Porém, no convívio com os indígenas, eles
aprenderam que tomar banho era algo muito saudável.
No terceiro encontro foi realizado um estudo sobre a importância dos
hábitos de higiene tais como lavar as mãos antes das refeições e após o uso do
banheiro, tomar banho todos os dias, manter as unhas sempre limpas e curtas,
escovar os dentes após as refeições, em seguida foi solicitado aos alunos que
fizessem um desenho sobre os hábitos de higiene que haviam sido trabalhados, pois
os alunos que realizassem essa atividade estariam participando de um "Concurso de
Desenho" sobre higiene e saúde. Assim, terminada essa atividade, todas foram
recolhidas, e em um momento oportuno foi pedido aos outros professores da escola
que ajudassem na escolha do melhor desenho que recebeu uma premiação.

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No quarto momento, como não foi possível realizar a palestra com a
equipe do PSF - Projeto Saúde na Família, pois o enfermeiro padrão não dispunha
de horário vago para ministrá-la, a própria professora, com o auxílio de uma agente
de saúde fez essa atividade, que foi muito proveitosa, pois contou com recursos
audiovisuais que foram exibidos no datashou do colégio estadual Olídia Rocha. Os
alunos participaram fazendo perguntas sobre o tema e puderam ver imagens de
pessoas com doenças associadas à falta de higiene, o que lhes chamou muito a
atenção.
No quinto momento então, os alunos confeccionaram cartazes
sobre o que aprenderam sobre higiene e saúde. Para tanto, em sala de aula, os
alunos foram divididos em duplas para elaborar frases relacionadas aos hábitos de
higiene necessários para se ter uma boa saúde, depois eles recortaram, de livros e
revistas, imagens para que os cartazes se tornassem mais eficazes e chamativos,
em seguida os alunos foram conduzidos à sala de informática do Colégio Estadual
Olídia Rocha para digitar essas frases e imprimi-las. Após a realização dessa etapa
da atividade, os alunos retornaram para sala para o acabamento final dos cartazes
que foram colocados estrategicamente próximos aos banheiros e à cantina da
escola. Alguns desses cartazes ficaram em exposição na sala de aula da turma para
que os alunos pudessem apreciar os seus trabalhos.

4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA INTERVENÇÃO

Para a realização desse projeto de intervenção utilizou-se a seguinte
estratégia de ensino: as atividades educativas foram realizadas em forma de aula, e
foram ministradas na turma da 4ª série "B" do Ensino Fundamental da escola
municipal Alvina Bassani Walter. A própria especializanda deu essas aulas, uma vez
que é responsável pela classe. Portanto, de outubro a dezembro de 2010, durante
as aulas de Ciências, o projeto de intervenção foi desenvolvido junto aos alunos que
realizaram as demais atividades planejadas pela professora regente.
As estratégias de

ensino utilizadas

foram: aula expositiva,

apresentação e discussão dos conceitos de saúde e higiene, assim como a sua
importância e problemas ocasionados pela falta de higiene. Para tanto, foram

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utilizados textos diversos, vídeos, e outros recursos que facilitaram a aprendizagem
dos educandos. Ainda foram confeccionados materiais pelos próprios alunos. Com
tais estratégias, vislumbrou-se levar os alunos a sensibilizar-se quanto à relevância
do tema higiene, além de contribuir para a formação de hábitos higiênicos que lhes
proporcione uma vida mais saudável e feliz, uma vez que os cuidados diários de
higiene estão intimamente relacionados com a auto-estima, ou seja, com a imagem
que a pessoa faz de si mesma. Dessa forma, quando o aluno cultiva bons hábitos de
higiene passa a ter uma imagem positiva de si mesmo e, consequentemente,
perante os outros.
Além disso, foi convidada uma agente comunitária de saúde para
dar a sua contribuição ao desenvolvimento do projeto, que auxiliou a professora na
apresentação de uma palestra.
A partir de agora, ocorre a descrição sequencial da intervenção
realizada, com o objetivo de detalhar a sua ocorrência que se deu em cinco
momentos, esclarecidos a seguir.
Para o primeiro momento, a professora planejou uma conversa com
os alunos a respeito do projeto de intervenção. Neste encontro, foi-lhes esclarecido
que se tratava de uma atividade obrigatória para a conclusão do curso de
especialização da professora, e que a escolha do tema era fruto da constatação de
que 60% dos alunos da classe não tinham uma boa higiene pessoal, fato bastante
preocupante, pois inúmeras doenças podem originar-se dessa forma.
No segundo momento, foi-lhes apresentado o conceito de higiene,
assim como o conceito de saúde. Para tanto, a professora contou-lhes a evolução
histórica do significado da palavra higiene.
Para o terceiro encontro, foi preparado um estudo sobre a
importância dos hábitos de higiene. Assim, os alunos puderam aprofundar os seus
conhecimentos a respeito dos benefícios de se lavar as mãos antes das refeições e
após o uso do banheiro, tomar banho todos os dias, manter as unhas sempre limpas
e curtas e escovar os dentes após as refeições. Para concluir essa aula, os alunos
fizeram desenhos sobre os hábitos de higiene trabalhados. Após o término da
atividade, os alunos entregaram os trabalhos à professora, que contou com o auxílio
dos demais professores da escola para a seleção do desenho que melhor
expressasse os hábitos de higiene.
No quarto momento, a própria professora, ministrou a palestra com

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o auxílio de uma agente de saúde. A atividade mostrou-se muito educativa, pois
foram utilizados recursos audiovisuais. A participação dos alunos ocorreu por meio
de perguntas sobre o tema.
No quinto momento, para finalizar esse trabalho, os alunos
confeccionaram cartazes sobre o que aprenderam sobre higiene e saúde. Em sala
de aula, já formadas as duplas, os alunos elaboraram frases relacionadas aos
hábitos de higiene necessários para se ter uma boa saúde. Essas frases foram
digitadas no laboratório de informática do Colégio Estadual Olídia Rocha e
impressas. Depois, estes cartazes ganharam figuras relacionadas ao seu conteúdo,
e finalmente, puderam ser expostos nas paredes da escola.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com esse projeto de intervenção almejava-se proporcionar melhoria
na qualidade de vida dos sujeitos nele envolvidos direta e indiretamente, isto é,
alunos e familiares. No entanto, era bastante claro o enorme desafio dessa tarefa,
pois, trata-se de um tema que envolve a construção de hábitos, o que leva tempo e
depende de continuidade, isso sem mencionar que não é um trabalho individual que
pode ser realizado apenas pelo professor em sala de aula, trata-se de um trabalho
coletivo que precisa do apoio dos demais profissionais da educação que atuam na
escola para que os alunos incorporem os exemplos que precisam e devem ser
apresentados. Assim, faz-se necessário que a escola proporcione desde a limpeza
dos ambientes que o aluno frequenta e, até mesmo a dos que ele não freqüenta
como a cozinha, por exemplo, os hábitos de higiene praticados pelos professores e
demais funcionários para que os educandos aprendam na prática que é muito mais
eficaz do que somente na teoria, nesse caso.
O grande mérito deste trabalho está no fato de que os
conhecimentos construídos sobre a importância da higiene para a manutenção da
saúde é válido para a vida toda, inclusive para o presente momento, no entanto,
sabe-se que apesar disso, esse trabalho deve ter continuidade, pois, somente o
conhecimento não é suficiente, há a necessidade de se criar hábitos de higiene e,
isso não se faz em apenas algumas semanas, é preciso que se trabalhe com o tema

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durante todo o ano letivo e ao longo das séries iniciais do Ensino Fundamental.
A repetição, nesse caso será a ferramenta utilizada para se alcançar
o sucesso na construção dos hábitos de higiene necessários para se conservar a
saúde e evitar inúmeras doenças tais como verminoses e parasitoses que quando
da ausência de tais práticas higiênicas acometem as pessoas. Ainda vale lembrar
que uma vez sensibilizado quanto à importância da higienização, o aluno poderá
auxiliar na mudança de hábitos em seu ambiente familiar, ampliando assim, o
alcance desse projeto.
Uma outra observação que merece ser feita é a de que os alunos
gostaram de estudar sobre o tema, uma vez que foram desenvolvidas diferentes
atividades para se trabalhar o assunto como desenho, construção de frases,
confecção de cartazes, utilização do laboratório de informática, recorte, colagem,
estudo de textos e resolução de exercícios em sala de aula. Além disso, o tema foi
de fácil compreensão para os alunos, pois já existia o conhecimento prévio do
mesmo, tanto aquele que trazem de casa quanto o já trabalhado em séries
anteriores.
Contudo, alguns obstáculos precisaram ser superados, como a
dificuldade de se agendar a palestra com a equipe do PSF, pois era necessário
conciliar a disponibilidade da sala de projeção com a do enfermeiro padrão que
infelizmente não foi possível, mas nem por isso a atividade deixou de ser realizada.
Os alunos tiveram a palestra que contou a minha participação e de uma agente de
saúde. Vale dizer que como é um trabalho que precisa de continuidade para surtir
efeito, a palestra com o enfermeiro pode ser agendada para este ano de 2011.
Desse modo, tanto a palestra como as demais atividades que
fizeram parte desse projeto podem e devem ser realizadas e aprimoradas em 2011
e, não apenas essas mas que outros projetos também sejam desenvolvidos no
ambiente escolar. Esse é um trabalho que tem apenas data para iniciar, pois os
assuntos "higiene e saúde" devem sempre estar em pauta na escola, considerandose que a prevenção ainda é o melhor tratamento.

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REFERÊNCIAS

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