ARTIGO CIENTÍFICO
Redução do eponíqueo: uma análise teórica
Manuela Olsen Fleischmann¹ ­ Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética
da Universidade do Vale do Itajaí ­ UNIVALI, Balneário Camboriú.
Palloma Kallinca da Rosa² ­ Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da
Universidade do Vale do Itajaí ­ UNIVALI, Balneário Camboriú.
Administradora. Professora
do
Curso de
Juliana Gallas³ ­ Orientadora ,
Tecnologia em Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí ­ UNIVALI,
Balneário
alneário Camboriú, Santa Catarina.

Jerusa Adriano4 ­ Co-orientadora, Farmacêutica.
;
Profa. do Curso de Cosmetologia e
Estética da Universidade do Vale do Itajaí ­ UNIVALI, Balneário Camboriu.
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RESUMO
Neste artigo são mencionados primeiramente aspectos sobre a fisiologia do
aparelho ungueal, quais as suas funções, as estruturas presentes, e como são
formadas. Sendo que há uma estrutura em destaque, o eponíqueo, formado por
queratina que protege toda a matriz ungueal. Apesar de esta estrutura ter uma
função fisiológica importante, seu aspecto visual não é agradável, fazendo com que
ocorra a retirada do mesmo por muitas pessoas no mundo inteiro. Para isso são
elaborados produtos cosméticos com formulações contendo princípios ativos com
base alcalinas ou ácidas e substâncias umectantes e emolientes que potencializem
a ação do produto, capazes de dissolver o excesso do tecido cuticular na placa
ungueal, possibilitando a redução do eponíqueo. Portanto, foi desenvolvida uma
análise teórica relacionando o uso de cosméticos na redução do eponíqueo
envolvendo estudos de referências em livros, artigos científicos e meios eletrônicos.
Através desta pesquisa, pôde-se observar que há certa carência em relação às
referências estudadas de produtos cosméticos removedores de cutícula e até
mesmo quanto à estrutura do eponíqueo, onde acontece o mecanismo de ação
destes produtos.
Palavras-chave: Eponíqueo, produtos cosméticos removedores de cutícula,
princípios ativos.

INTRODUÇÃO
O sistema tegumentar é formado pela pele e seus derivados, sendo que este
constituí a cobertura externa do corpo, podendo estar dividido em três camadas
distintas: a epiderme, que compõe-se de um epitélio pavimentoso estratificado, a
derme, formada por um tecido conjuntivo; e a hipoderme também denominada de
tela subcutânea ou fáscia superficial, constituída de um tecido conjuntivo, porém
mais frouxo que o da derme, contendo uma quantidade variada de tecido adiposo
(Ross, 1993).

Epiderme

Derme
Hipoderme

(scf-online.com)

De acordo com sua localização na superfície do corpo, este sistema
apresenta diferentes funções como: proteção contra lesões físicas, químicas e
biológicas; receptor de sensações gerais (dor, pressão, tato, temperatura); protetor
de radiações ultravioletas; capacidade de converter moléculas precursoras em
Vitamina D; regulador térmico; excretor de certas substâncias através das glândulas
sudoríparas; como também a capacidade de absorver muitas substâncias
lipossolúveis (BEGA, 2006).

Juntamente com esta estrutura encontram-se disponíveis os chamados
derivados epidérmicos ou anexos, diferenciados em: glândulas sudoríparas, pêlos,
glândulas sebáceas e unhas (ROSS, 1993).
O derivado epidérmico, denominado unha, também é chamado de lamina
ungueal, faz parte de outro sistema denominado aparelho ungueal, no qual
apresenta funções importantes a vida do ser humano, como proteger a extremidade
dos dedos de traumas mecânicos ou de outra natureza (BENY, 2004).
Segundo Ribeiro (1995), a lâmina ungueal desenvolve-se a partir da epiderme
primitiva entre a nona e a vigésima semana de vida intra-uterina. O aparelho
ungueal, além da lâmina é composto do leito ungueal, prega supra e periungueal,
matriz, lúnula, hiponíqueo e por fim o eponíqueo.
O eponíqueo, mais comumente denominado cutícula, está presente sobre a
lúnula, parte distal da matriz ungueal, como uma forma de proteção para a matriz,
sendo oriundo da epiderme, formado por uma membrana fina que margeia toda a
lâmina, exceto a borda livre distal (KEDE, 2005).
Atualmente, as unhas são mais do que um simples aparelho presente no
corpo humano. Assim como os cabelos e a pele, as unhas também se incluem na
relação psicossocial entre indivíduos. Os produtos encontrados no mercado
cosmético, voltados especificamente para as unhas estão em nível crescente a cada
dia. São muitos os produtos relacionados tanto para tratamentos, como para um
visual esteticamente bonito. Hidratantes, esmaltes e seus removedores, fortalecedor,
inibidor para quem tem o hábito de roer unha, "amaciantes" e removedores de
cutícula (SILVA, 2007).
Os produtos cosméticos removedores de cutícula podem servir como auxílio
da remoção mecânica (alicate), ou mesmo para que haja a eliminação da utilização
do mesmo. Eles fazem a lise da queratina através de formulações em cremes ou
líquidos, com bases alcalinas, e grande quantidade de umectantes e emolientes, que
ajudam na viscosidade, emoliência e minimizam o fator de irritação que as
substâncias alcalinas podem provocar (DRAELOS, 1999).
Este trabalho tem por objetivo, desenvolver uma análise teórica mencionando
o uso de produtos cosméticos na redução do eponíqueo.

METODOLOGIA
Este trabalho caracteriza-se por estudo bibliográfico com análise qualitativa
de dados, relativos à parte da estrutura do aparelho ungueal e produtos cosméticos
destinados a remoção do eponíqueo.
Serviram como base de dados livros, artigos e meios eletrônicos.

ANÁLISE E DISCUSSÃO
Fisiologicamente a unha é denominada como placa ou lâmina ungueal, e
compõe um sistema denominado aparelho ungueal. Silva (2007, p. 58) menciona
sua formação e origem:
[...] assim como os pêlos, as unhas são formadas por uma camada dura
de queratina, a oniquina, e constituídas essencialmente por escamas
córneas compactadas, aderidas fortemente umas às outras. [...]
No inicio da fecundação do óvulo, as células vão se organizando,
formando em seqüência o embrioblasto, a gástrula e por fim, o embrião. As
células do embrioblasto começam a se organizar formando duas camadas
superpostas: o ectoderma (células altas) e o endoderma (células
pequenas). A epiderme, os folículos pilosos, as glândulas sebáceas, as
glândulas sudoríparas e as unhas são originadas do ectoderma.

Além disso, as unhas são ligeiramente curvas e recobrem a superfície dorsal
das porções terminais (falanges) dos dedos das mãos e dos pés. Surgem no feto
entre a nona e vigésima semana de vida intra-uterina e completando o seu
crescimento distal até a ponta do dedo da trigésima semana (BEGA, 2006).
Para a formação do aparelho ungueal, é necessário ter o conhecimento de todas as
estruturas presentes. A figura a seguir mostra de forma clara a estrutura ungueal.

(Fonte: Bega, 2006, p. 16)

A lâmina, maior parte do aparelho é formada por uma chapa translúcida que fica
sobre o leito ungueal, no qual este é mencionado por Ross (1993) como uma
formação de células epiteliais que são contínuas com o estrato basal e espinhoso da
epiderme. A lâmina é oriunda da matriz ungueal e está situada abaixo do início da
formação da unha sendo formada por células germinativas que se compactam em
permanente mitose, e irrigada por uma rede vascularizada, que leva os nutrientes
necessários para um bom crescimento ungueal e é limitada pelas pregas ungueais
(peri e supra), que representam a continuidade da porção epitelial dos dedos e se
unem medialmente com o leito ungueal (RIBEIRO, 1995).
Kede (2004) descreve o eponíqueo (cutícula) como uma membrana fina que
margeia a prega supraungueal, funcionando como uma barreira proximal para
entrada de substâncias ou microrganismos na matriz ungueal. Draelos (1999) cita
que a cutícula é formada por queratina, ou seja, como ela é um prolongamento da
pele da extremidade dos dedos, é feita apenas da camada córnea (queratinizada). A
figura, embora sendo uma estrutura de pele, mostra do que é formado o eponíqueo:

Gartner (2007) ainda relata quanto à espessura do eponíqueo, que pode ser de 0,5
mm a 1 mm.
Localizado a esta estrutura também se tem a lúnula que em relação à matriz
ungueal é a porção mais distal e possui pouca vascularização. A polpa digital que
possui grande quantidade de terminações nervosas e o hiponíqueo o qual formado
por uma fina camada de epiderme (SILVA, 2007).
Quanto à composição da unha, se entende que a lâmina ungueal é um anexo
queratinizado cutâneo especializado, que difere da pele, porque não descama, e do
pêlo, por não ter atividade cíclica. Possui flexibilidade, devido à presença de
fosfolipídios, dureza pelo seu alto teor de enxofre, que está presente em forma de
aminoácido cisteína, e pela quantidade de cálcio, embora este se limite apenas à
superfície da lâmina ungueal. Para manter coesão e elasticidade da lâmina
encontra-se lipídeo, em forma de colesterol (KEDE, 2004).
O aparelho ungueal, assim como cada parte de nosso organismo possui as
suas funções: proteção, pois como é situada nas últimas falanges dos dedos e
devido à estrutura rígida, acaba criando certa proteção, facilitando movimentos finos
e com precisão e a capacidade de preensão em pequenos objetos; tem ação
instintiva de defesa como arranhar, cortar e lascar; sensibilidade táctil. Quanto ao
processo de crescimento das unhas, Ribeiro (1995) cita que não há uma resposta
totalmente comprovada pelo crescimento aplainado da unha. Algumas hipóteses
crêem quanto à limitação pelas pregas ungueais ou ao fato de que as células se
movam distalmente. Além disso, o crescimento é contínuo e uniforme, com
velocidade diferente, sendo nas mãos de 3 mm, e pés de 1 á 2 mm por mês. As
unhas são nutridas por uma rede vascular, por isto seu crescimento está ligado
diretamente à alimentação e aos hormônios.
Quando se refere a produtos cosméticos utilizados nas unhas vários podem
ser mencionados: esmaltes e seus removedores, fortalecedores, inibidores do habito
de roer unhas, hidratantes, removedores e/ou "amaciantes" de cutícula (SILVA,
2007).
Geralmente, todas as formulações possuem componentes com funções
distintas. Podemos classificar estes componentes em: veículo ou excipiente,
adjuvantes e princípios ativos. O veículo e os adjuvantes determinam a forma de
apresentação do produto cosmético, aplicação e muitas vezes a estabilidade do

princípio ativo. O veículo do produto cosmético é o componente que em geral está
em maior quantidade na preparação. Fazem parte dos tipos de adjuvantes a serem
utilizados: os preservantes, divididos em antioxidantes e conservantes que são
substâncias que protegem o produto cosmético das reações de oxidação e
contaminação microbiana, respectivamente; sequestrantes, que seqüestram os íons
livres e indesejáveis para a formulação; os corretivos de pH, para regular o pH do
produto; os espessantes, que doam viscosidade ao meio; emolientes, que evitam e
atenuam o ressecamento da pele e exercem a ação de emoliência; tensoativos, que
segundo

Hernandez (1999) possuem diversas

propriedades

amolecedoras,

emulsionantes, detergentes, dispersantes e anti-sépticas. Além do veiculo e dos
adjuvantes, existem os princípios ativos que doam ao produto sua função especifica.
Utiliza-se também atributos estéticos como corantes/pigmentos e perfumes/óleos
essenciais, que conferem ao produto um aspecto visual e odor característico
(REBELLO, 2004).
Dentre o aparelho ungueal existe o eponíqueo, que é um dos fatores que
levam a elaboração de produtos cosméticos chamados removedores de cutícula. O
eponíqueo não é agradável estéticamente, fazendo com que ocorra diariamente em
milhares de estabelecimentos de beleza no mundo inteiro, a retirada do mesmo
através de equipamentos mecânicos como alicate, ou espátula (SILVA, 2007).
Os removedores de eponíqueo geralmente são formulados em forma líquida
ou em cremes, com a função de destruir a queratina que está presente no
eponíqueo. Eles "dissolvem o excesso de tecido cuticular na placa das unhas. Não
pretendem remover a borda cuticular fibrosa: todavia o uso vigoroso pode remover a
cutícula completa" (DRAELOS, 1999).
Segundo Silva (2007), existe basicamente um mecanismo de ação para esse
tipo de produto. Alteração do pH do eponíqueo, tornando-o assim menos rígido
devido à alteração momentânea da estrutura molecular da queratina. Senso as
substâncias utilizadas para alterar o pH do eponíqueo podem ser tanto alcalinas,
como ácidas (SILVA, 2007).
O hidróxido de potássio e o hidróxido de sódio são os princípios ativos
alcalinos mais utilizados com uma concentração máxima de 5% (SILVA, 2007).
Wilkinson (1990) apresenta uma formulação básica com principio ativo
alcalino:

Composição

%

Álcool Cetílico

2,5

Álcool Miristico

3,5

Lauril éter polietileno

1,0

Glicerina

4,0

Hidróxido de Potássio

1,6

Água

87,4

Quanto às substâncias ácidas encontram-se os AHA, ou seja, Alfa-HidróxiÁcido, entre estes o mais especificamente utilizado é o ácido lático (REBELLO,
2004).
Segundo Draelos (1999) devido à alta concentração ácida e alcalina, o
produto ao entrar em contato com a pele de imediato ou aplicado com grande
freqüência, pode danificar a placa ungueal ou até mesmo surgir uma dermatite de
contato irritante. Por isso, é incorporada a formulação substâncias umectantes,
como a glicerina e propilenoglicol, com concentrações de 10 a 20%, amenizando a
irritação potencial dos hidróxidos alcalinos, retardando a evaporação e aumentando
a viscosidade. Como também as proteínas, aveia, caseína do leite e da soja,
condroitina marinha e inulina, que servem como auxilio para minimizar o efeito de
irritação quando utilizada substancias ácidas para favorecer a remoção (REBELLO,
2004).
Segundo Wilkinson (1990) existem também formulações mais suaves, porém
com resultados menos efetivos, utilizando fosfato trissódico ou pirofosfato
tetrasódico, com um acréscimo ainda de 2 a 3% de lauril sulfato sódico ou de
trietanolamina.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O eponíqueo é responsável pela proteção da matriz ungueal contra
substâncias e microrganismos presentes no meio externo, mas infelizmente ele não
é agradável esteticamente, fazendo com que haja a retirada do mesmo em milhares
de estabelecimento, por muitas pessoas. Com isso são elaborados produtos
cosméticos capazes de reduzir o eponiqueo, ou seja a cutícula, fazendo a lise da

queratina presente no mesmo através da alteração do pH do mesmo, com princípios
ativos que podem ser alcalinos ou ácidos.

Além disso, é fundamental nestes

produtos a presença de umectantes, pois além de proporcionarem hidratação e
emoliência, diminuem o fator de irritação que os princípios ativos podem ocasionar
no eponíqueo.
Considerando as referências estudadas, conclui-se que os removedores
podem reduzir o eponíqueo em excesso temporariamente, pois o mesmo está em
constante renovação. Além desses removedores, existe um meio mecânico de retirar
o eponíqueo, que pode ser através de alicate e/ou espátula, sendo que esta ultima
apenas empurra o eponíqueo melhorando o aspecto visual, não retirando.
Entendemos que este método pode trazer malefícios a saúde da matriz, pois
muitas vezes acaba retirando mais do que o necessário. Os produtos removedores
além de fazerem a redução, facilitam a remoção mecânica e promovem a hidratação
no local. Sendo que principalmente por este último fator, pode-se diminuir a
utilização da retirada mecânica com o tempo.
A partir da análise realizada, é importante salientar que estudos científicos
na área principalmente da estrutura do eponíqueo e seus produtos removedores são
insuficientes e falhos para se obter uma pesquisa mais minuciosa. Sendo assim,
sugerimos que para próximos estudos, sejam feitas pesquisas empíricas na área
estudada.

REFERÊNCIAS
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http://brazilianguitar.net/index.php?showuser=458 - acessado em: 15.06.2008.
DRAELOS, Z.D. Cosméticos em Dermatologia. 2 ed. Revinter: Rio de Janeiro, 1999.

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HENRIKSON, R.C.; KAYE, G.I.; MAZURKIEWICS, J.E. Histologia. Guanabara
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KEDE, M.P.V; SABATOVICH, O. Dermatologia Estética. Atheneu: São Paulo, 2004.
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Disponível

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ROSS, M.H.; REITH, E.J.; ROMRELL, L.J. Histologia. 2 ed. Panamericana: São
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SILVA, C.C. Produtos para Cuidado com as Unhas. Cosmetics e Toiletries. Vol. 19,
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