O Dinheiro ou a Circulação das
Mercadorias
O Capital ­
Crítica da Economia Política
Capítulo III
1

O começo de tudo
Em O Capital, Marx começa pela mercadoria,
indicada por M.
Ele começa pelo objeto da troca e não pelo
homem que troca.
Em sequência, Marx apresenta a gênese do
dinheiro, D.
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Começa pela mercadoria
A mercadoria é valor de uso e valor;
A forma do valor é o valor de troca;
O trabalho abstrato é a substância do valor;
A mercadoria é uma unidade de contrários; o
valor é, pois, o contrário do valor de uso.
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Fala da troca de mercadorias
Marx considera, inicialmente, a troca simples,
representada por
M M'.
Por se tratar de troca de equivalentes (por
suposição) tem-se o seguinte:
v(M) = v(M').
4

O que Marx diz da troca?
"A antítese interna entre valor de uso e valor,
oculta na mercadoria, é, portanto, representada
por uma antítese externa, isto é, por meio da
relação de duas mercadorias, na qual uma delas,
cujo valor deve ser expresso, funciona
diretamente apenas como valor de uso; a outra,
ao contrário, no qual o valor é expresso, vale
diretamente apenas como valor de troca".
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Dos papéis na troca
M e M' têm na relação M ­ M' papéis diferentes;
a primeira tem o seu valor expresso e a segunda
serve de material para expressão do valor da
primeira.
O valor de M é apresentado como valor relativo;
M funciona encontra-se na forma equivalente.
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O que Marx diz da forma equivalente?
Na forma equivalente, tem-se:
a) "o valor de uso torna-se forma de manifestação
de seu contrário, do valor";
b) "o trabalho concreto se converte na forma de
manifestação de seu contrário, o trabalho humano
abstrato";
c) "o trabalho privado se converte na forma de seu
contrário, trabalho em forma diretamente social".
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Derivação do dinheiro
O desenvolvimento lógico e histórico da troca
mercantil gera um equivalente geral que se
concretiza na forma dinheiro (p. ex., dinheiroouro).
O dinheiro é "obra comum do mundo das
mercadorias".
M M' D
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Trocas e dinheiro
A partir desse momento, em tese, todas as
trocas passam a estar intermediadas pelo
dinheiro. Tem-se, portanto:
M D M`
Este circuito mercantil compreende duas trocas:
M ­ D .... D ­ M'.
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Metamorfoses
A troca final, portanto, desdobra-se em duas trocas.
Marx diz que a transformação de M em M'
desdobra-se em duas metamorfoses.
Por que Marx fala em metamorfoses?
O valor v(M) nasce com a forma M, muda para a
forma D, para adquirir, finalmente, a forma M'.
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O que o dinheiro acarreta?
O aparecimento de D amplia as possibilidades
de expansão da economia mercantil.
Ao mesmo tempo, D amplia as oportunidades
da interrupção dessa expansão.
A possibilidade de interrupção das
metamorfoses é já a negação da Lei de Say.
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Análise do Dinheiro
Na análise do dinheiro, Marx distingue dois
grupos de funções:
Funções básicas do Dinheiro
Funções do Dinheiro como Dinheiro

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Funções do dinheiro
Funções básicas do Dinheiro o dinheiro é
meio que permite a produção e circulação
mercantil: medida de valores e meio de
circulação.
Funções do Dinheiro como Dinheiro o
dinheiro se torna um fim em si mesmo e passa
a ter certa autonomia: meio de entesouramento
e meio de pagamento.
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Dinheiro e circulação
Em ambos os casos, Marx analisa as funções de
D tendo como referência o circuito
M D M'.
No primeiro grupo, o dinheiro serve a
circulação; no segundo, ele se serve da
circulação.

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Papéis do dinheiro
Na função de medidas de valores, o dinheiro serve
à comensura das mercadorias.
Na função de meio de circulação, ele serve à
continuação do processo da troca.
No entesouramento, ele saí da circulação para ser
acumulado ­ um processo ilimitado em princípio.
Como meio de pagamento, ele entra na circulação
para sair dela aumentado.
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Dinheiro como capital
Em sequência, porém, ele irá examinar as
funções de D tendo como referência o circuito
D M D'.
Agora, o dinheiro se torna forma e momento do
capital ou seja, dinheiro como capital (valor
que se valoriza; sujeito automático, fim por si
mesmo).
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O homem no mundo
das mercadorias
O valor de uso é para o homem, afirma o homem; o
valor, criação humana inconsciente submete o
homem a uma lógica objetiva.
O valor que não é coisa parece ser propriedade das
coisas: daí o fetichismo.
Nesse mundo, o homem não é "ainda" homem,
pois as relações sociais se encontram coisificadas.
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O homem no mundo
das mercadorias
A contrapartida da coisificação das relações sociais
vem a ser a personificação. Ao invés de homens
têm-se grosso modo compradores e vendedores,
operários e capitalistas.
· Compradores e vendedores personificam as
mercadorias.
· O operário personifica a sua força de trabalho; o
capitalista personifica o seu capital.
18

Filosofia da história
Segundo Ruy Fausto, há, em Marx, uma "ideia
de um devir do homem (do homem-sujeito) ­
de um homem-sujeito que vem à existência,
mas que ainda não existe".
Para Marx, ele continua, "no esquema marxista
da história, o homem só vem no final do que ele
próprio denomina "pré-história da sociedade
humana".
19

Filosofia da história
"Que a história possa ser pensada como um
processo de constituição do homem-sujeito
significa que, enquanto não se chegou ao
comunismo, o homem não é [plenamente
homem]". Como tal, por isso, o homem não estaria
posto, mas estaria apenas pressuposto.
Mas, então, o que o homem é antes do socialismo,
antes da transição para o comunismo?
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Filosofia da história
Diante dessa pergunta, "seria preciso responder: o
homem é...o operário, o homem é...o capitalista".
Ou seja, antes do socialismo, o homem não é
sujeito, mas está aí por meio de predicados que o
negam como tal.

E isto dá um novo sentido ao fato de que Marx,
para apreender o capitalismo, começa pela
mercadoria.
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Filosofia da história
Marx compreende o modo de produção capitalista
como um último momento da pré-história do
homem.
Aí, como foi mostrado no capitulo II de O capital, o
homem é ainda mero suporte de relações sociais.
A revolução socialista, em consequência, é para ele
o princípio da realização do homem-sujeito da
história.
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